terça-feira, outubro 18, 2005

Um crime !!!

Um Crime
(por Miguel Sousa Tavares)

Uma história de 2 aeroportos:

Áreas:
- Aeroporto de Málaga: 320 hectares.
- Aeroporto de Lisboa: 520 hectares.

Pistas:
- Aeroporto de Málaga: 1 pista.
- Aeroporto de Lisboa: 2 pistas.

Tráfego (2004):
- Aeroporto de Málaga: 12 milhões de passageiros, taxa de crescimento, 7 a 8% ao ano.
- Aeroporto de Lisboa: 10,7 milhões de passageiros, taxa de > >crescimento 4,5% ao ano.

Soluções para o aumento de capacidade:
- Málaga: 1 novo terminal, investimento de 191 milhões de euros, capacidade 20 milhões de passageiros/ano. O aeroporto continua a 8 Km da cidade e continua a ter uma só pista.
- Lisboa: 1 novo aeroporto 3.000 a 5.000 milhões de euros, solução faraónica a 40Km da cidade. É o que dá sermos ricos com o dinheiro dos outros e pobres com o próprio espírito.
Ou então alguém tem de tirar os dividendos dos terrenos comprados nos últimos anos.
Ninguém investiga isto?
E sabem quem é o dono dos terrenos da Ota.....
Pois é... o Dr. Mário Soares, sabem agora porque é que ele se vai recandidatar ?!! Porque o negócio com o Cavaco na presidência poderia ser inviabilizado. É preciso fazer alguma coisa!

segunda-feira, outubro 17, 2005

Carta Aberta

Caro Pedro Mexia,
li com atenção a crítica que fez no Diário de Notícias ao livro O Quadrado, de Manuel Alegre.
Acompanho as suas intervenções desde há algum tempo. Sei que é um dos pensadores da actual direita portuguesa, respeito bastante a maioria das suas brilhantes intervenções, mas desta vez «não lhe tiro o chapéu».
Não entendo como pode dizer que Manuel Alegre «tem uma costela quase nacionalista, o que lhe vale muitos admiradores na direita tradicional».
Não partilho de todo da sua opinião. Na verdade nunca me entusiasmei com a verve do Poeta, e para mais, à eloquência raramente a confundi com a alarvidade patrioteira.
De resto, se o nosso Poeta é nacionalista, não o questiono, apetece-me é rir...
A Nação que ele defenderá na cadeira da Presidência da República terá Olivença? Terá Cabinda? Não me parece. Até arrisco, e ganho de certeza, que os macaquinhos que Manuel Alegre tem na cabeça ainda se banqueteiam com preconceitos colonialistas.
Se o critério para apresentar Manuel Alegre é: «...ligação forte ao passado, um passado mitificado e contraposto à presente decadência (a noção mais direitista do mundo), (...) também supõe convicções voluntaristas e sebastiâncias», continuo sem entender que ligação é essa ao passado a que se refere.
Passado, será antes da Revolução? E estamos a falar de quanto tempo antes?
É que segundo me recordo, Manuel Alegre nunca foi um brilhante defensor do passado português, porque doutra forma o republicanismo que tanto apregoa sair-lhe-ia vomitado ou bolsado, pela noção de que esse regime que defende e que ama, assentou num assassínio (Regicídio) as suas bases de "política demorática". .

Erro no el País

Vejam na coluna há direita, onde diz dados Básicos.


> Fiesta nacional: 25 de Abril. Día de la Libertad

São os da Prisa são os da Prisa

domingo, outubro 16, 2005

A Ibéria Unida

O tema da unificação Ibérica está de novo em destaque.
As tentativas unificadoras que a última Cimeira Iberoamericana veio ressuscitar estão para durar lá para os lados de Madrid.
Já nem o Ministro dos Neg. Estrangeiros Moratinos esconde no seu editorial sobre a Cimeira, que é a Espanha quem iluminará os outros 21 países (onde suponho que Portugal se intregraria, ou então seriam já só 20 ?!).
Fraca diplomacia nossa... Ou então teremos que agradecer?
Talvez seja o destino...
(Deixo um cartoon do El País de hoje que ilucida sobre a Ibéria Una.)

segunda-feira, outubro 10, 2005

A derrota da TVI

Não falo de uma derrota em termos de audiência, que a teve em relação à RTP, mas sim de algo muito específico.

As sondagens da SIC e da RTP foram coerentes uma com a outra e reflectiram razoavelmente o que se veio a passar.

Não cheguei a perceber porque razão a TVI errou profundamente nas previsões. Na última sondagem que apresentou antes do escrutínio a TVI dava Carmona e Carrilho empatados, dava Soares e Seara empatados e Assis à frente de Rio. O que se viu foram vitórias esmagadoras.

Será que o negócio Prisa teve Qualquer coisa a ver com isto? Será que houve pressões governamentais?

Penso que foram estranhíssimos os dados lançados pela TVI, e não deveriamos deixar isto passar ao lado e investigar o que se passou.

Será que a TVI tentou levar ao colo o PS.

Segundo muitos estudos sociais e mediáticos, está provado que as maiorias possuem dinâmicas de vitória.

O que diz passa pelo facto de muitas vezes os indecisos seguirem maioritáriamente a tendência da maioria.

Será que foi isso que a TVI tentou fazer.

Não tenho respostas, apenas perguntas, e nem estou a fazer acusações mas que é estranho é.

sexta-feira, outubro 07, 2005

A Ética Republicana

Faço aqui um pouco de Copiar/colar de um excelente post da Joana (Blog Semiramis).

"Sampaio declarou que A ética republicana exige competência, devoção ao serviço público, transparência, disponibilidade para abandonar o cargo exercido a outros melhores, nos termos da lei. A ética republicana exige que o funcionário sirva a República e proíbe-o de se servir da República para promover os seus fins pessoais ou os de um determinado grupo. Todavia se ele retirasse a palavra “republicana” aquela sentença estava correcta. E se substituísse República por Estado, era uma afirmação universal. A ética da acção política exige aquilo que o PR afirmou. Estou plenamente de acordo."

"A resposta é simples. Entre os ícones que povoam o relicário mental de Sampaio (bem como do clã Soares e de outros herdeiros do jacobinismo político) resplandecem os egrégios vultos da 1ª República. Mas eu, contrariamente aos próceres socialistas, quando olho para aquelas figuras, apenas detecto ética no grupo Seara Nova e em mais meia dúzia de individualidades como Carlos da Maia, Cândido dos Reis … talvez um José Relvas, um Machado Santos ou um Teixeira Gomes. Havia alguns líderes republicanos probos e desinteressados, mas muitos eram de ética mais que duvidosa, cada vez mais duvidosa à medida que se subia no protagonismo político, e o mais evidente de todos, António Maria da Silva, era um perfeito gangster político.

É ética republicana reduzir, após o triunfo da república, o corpo eleitoral a metade do existente nos fins da monarquia, com receio das opiniões dos cavadores de enxada e dos analfabetos? É ética republicana dissolver os partidos existentes, após o triunfo da revolução (excepto o republicano)? É ética republicana pôr “cientistas” republicanos a medirem os crânios de padres jesuítas, para confirmar, “cientificamente” que eram degenerados e publicar fotografias dessas investigações nas revistas da época? É ética republicana Afonso Costa, quando ministro da Justiça, em 1911, ter provido nos melhores lugares o seu irmão, os seus dois cunhados, o seu sócio do cartório, o seu procurador, um amigo íntimo desde os tempos da juventude, etc.? É ética republicana organizar a carnificina da Noite Sangrenta e assassinar o 1º Ministro e destacadas figuras ligadas à implantação da república? É ética republicana criar um regime tutelado pelos arruaceiros, bombistas e rufias dos cafés e tabernas de Lisboa como elementos catalizadores do debate político? É ética republicana ter criado a Guarda Nacional Republicana, bem municiada de artilharia e armamento pesado, concentrada na zona de Lisboa e cujos efectivos passaram de 4575 homens em 1919 para 14 341 em 1921 (*), chefiados por oficiais «de confiança», com vencimentos superiores aos do exército, afim de ser a Guarda Pretoriana do regime? É ética republicana ser a própria república a criar uma Guarda Pretoriana, que na Roma antiga apenas foi criada após a queda da república? É ética republicana a corrupção e o caciquismo eleitorais do Partido Democrático?

Ou seja, ética republicana carece de significado, porque exigiria a definição prévia que tipo de república se tem em mente. Se se tiver em mente o modelo da 1ª República, não há apenas a ausência de significado, é uma contradição nos termos."

quarta-feira, outubro 05, 2005

Não há paciência!!

Por amor de Deus, digam ao cretino (só me ocorre esta palavra) do Presidente da Caixa Geral de Depósitos que o banco é português e não espanhol.
Não se admite que, na apresentação de novos investimentos que há poucos dias fez, falasse em portunhol, em plena Capital do País.
Para mais, deu privilégios aos jornalistas espanhóis que cobriram o acontecimento, em detrimento dos portugueses, nacionais do País a que pertence o maior banco português, que tiveram que esperar um dia para divulgar a notícia.
Vão-se tramar. Cambada de chupistas.

Para quem acha que o País está em crise.

Para os mais pessimistas, cá vai o sítio de um jornal que não é português, e que, por acaso até diz bem cá do burgo.
Uma análise sóbria e brilhante sobre os vinhos portugueses e do mercado internacional.
Quem melhor que os de fora para dizer e reforçar que os vinhos portugueses são de qualidade e competitivos?
Falta saber se as políticas de internacionalização do vinho nacional de qualidade têm sido suficientes. Acho que tem havido uma melhoria através do ICEP. Invistamos mais para colher muito mais.

Dia 5 de Outubro

Comemora-se hoje o dia em que as Cortes Portuguesas elegeram El-Rei D. Miguel como legítimo Rei de Portugal.
Este dia é importante e passa sem destaque, negativamente, na minha opinião.
Para aqueles que discordam da personagem histórica e dos seus méritos, convém referir que a sua eleição foi legítima e o seu (curto) reinado também.
Se foi um Rei absolutista, contrário às ideias liberais que preconizavam o desenvolvimento capitalista e maçon em oposição a um País real crente em Deus e que preservava as suas tradições, é verdade.
E a verdade será sempre só uma!
D. Miguel sempre foi injustiçado, como acontece com os que perdem. Vale a pena lembrar que são os vencedores quem escreve a história.

5 de Outubro

A República está fraca. Os ideais repúblicanos de Igualdade, fraternidade, liberdade floresceram e hoje o que vemos são as monarquias a serem os embaixadores destes ideais.

Muitos esquecem que A ascenção Repúblicana se deve ao facto de Portugal ser um pais livre na altura, em que repúblicanos mentiram, atacaram sem razão o poder Real.

Hoje vemos a falência das Repúblicas, sendo as monarquias os países mais desenvolvidos, socialmente mais justos, mais livres e mais democráticos.

Os Portugueses confundem monarquia com poder absoluto.

Hoje vivemos no corporativismo, o sistema politico vive em entropia, trabalhando para o estatismo, e afastando a sociedade civil do poder.

Só uma Monarquia pode combater a falsidade que se tornou a República. Apenas um Rei é representativo do Povo, porque está fora do sistema, porque, porque está fora do jogo de interesses.

Como o digo, a República trouxe a destruição de 700 anos de história. 100 anos de República destruiram Portugal e reduziram-nos a um país de terceiro mundo.

A Democracia é instável por natureza. E ainda bem, mas na verdade a figura Real é a estabilidade na instabilidade e o único que promove a evolução.

Para quem discorda do que digo, dou casos prácticos. Comparemos Portugal e Espanha e veremos cabalmente a diferença entre Repúblicas e Monarquias.

sábado, outubro 01, 2005

A Verdade das Repúblicas

A grande maioria confunde Democracia com República. Essa Grande Maioria também se apoia no facto de "qualquer um pode ser presidente".

Agora umas palavrinhas que demonstram como é a verdadeira república, o espiríto e de como enganadas andam as pessoas. Palavras de Vicente Jorge Silva, conhecido socialista.


"Sabe-se que não há democracia sem partidos, embora possam existir partidos sem democracia. Além disso, a regra nas democracias ocidentais de matriz republicana é a de que os presidentes emanam dos partidos, seja em regimes presidencialistas, semipresidencialistas ou parlamentaristas. Assim, a possibilidade de eleger um presidente contra os aparelhos partidários constitui, em geral, uma hipótese teórica e muito remota que desencoraja veleidades e rebeldias individuais."


sexta-feira, setembro 30, 2005

Expectativas autárquicas

Quero ganhar Lisboa (Maria José Nogueira Pinto eleita com os 6% que merece), sem a maioria absoluta de Carmona, para que o CDS/PP empreste a matriz democrata-cristã à Capital do País.
Quero que o CDS ganhe mais Câmaras e aumente o número de mandatos.
Quero reganhar Ponte de Lima, Mirandela, manter o Corvo e Amarante.
Quero que em Beja ganhe Ramôa, em Ourique que ganhe o melhor...
Que Seara ganhe em Sintra (com maioria), que Capucho ganhe em Cascais (muia categoria e bom perfil).
Quero que Rui Rio e a coligação ganhem o Porto, humilhando o dr. Assis.
Quero que Faro continue com Vitorino,
Que em Braga a coligação ganhe, porque tem projecto.
Em Aveiro, manter Estarreja e ter um bom resultado na capital (que já foi do CDS).

E logo falo de Amarante, Felgueiras, Gondomar e Vila Viçosa (N. da Câmara Pereira também inventado pela media).

Ranking de Competitividade

Portugal sobe para o 22º no ranking mundial de competitividade. Comparemos o que está bem e Mal.

Bom:
- baixos “custos do terrorismo” (1º lugar),
- “liberdade de imprensa” (4º),
- “acesso aos telemóveis” (9º),
- baixa influência do “crime organizado” (7%)
- “independência dos tribunais” (15%),

Mau:

- “expectativa de uma recessão” (103º),
- “qualidade de ensino da matemática e ciências” (81º !!),
- “excesso de burocracia” (77º),
- “centralização excessiva das decisões económicas (70º) ”,
- com a falta de “estabilidade macroeconómica” (64º),
- baixa “formação profissional” (59º)
- “escassez de cientistas e engenheiros” (49º)

Agora decidam quais são os aspectos mais importantes.

Dados Retirados do Blog Semiramis

quarta-feira, setembro 28, 2005

Man United Vs Benfica

Não sou muito de escrever sobre futebol neste espaço, mas a exibição de ontem dos encarnadados merece esta referência.

O Benfica jogou bem, manietou muitas vezes o Jogo dos ingleses, dominando o meio campo e criando algumas situações de golo.

Neste aspecto os meus parabéns aos jogadores eao esquema táctico delineado por Koeman.

Mas fica a sensação que o Benfica podia ter ido um pouco mais longe.

Koeman globalmente esteve bem, tem todo o mérito na exibição, mas também tem muitas responsabilidades no desfecho do encontro.

os erros:

- Beto a titular foi uma opção compreensível, reforçar o meio campo e o lado direito da defesa foi o que se procurou. O que não é compreensível é a utilização durante 80 minutos de um jogador que foi sempre um a menos no campo. Beto foi uma completa nulidade e não se compreende como ao intervalo e a perder por uma bola não fez entrar João pereira ou Geovanni, o que permitiria uma maior amplitude do jogo atacante. João Pereira com mais consistência defensiva, ou Geovanni com mais acutilância ofensiva. Eu teria optado pelo brasileiro.

- A retirada de Miccoli quando Beto pedia a substituição desde o início do jogo. A retirada de Miccoli permitiu que a defesa do Man United ficasse com menos um jogador por marcar, subindo assim toda a equipa e recuando o Benfica permitiu o assédio total que permitiu o golo da vitória a Nistelroy.
A sair um dos avançados teria que entrar um médio ofensivo ou um anvançado. dado que Nuno Assis ficou fora dos convocados só poderia ter entrado Mantorras.

Sem estes erros o Benfica facilmente teria empatado o jogo ou talvez ganho.

Houve medo por parte do treinador. Sendo que não se pode cruxificar Koeman, à que no entanto assumir os erros.

Boa Sorte aos outros "Europeus" desejo melhor sorte.

terça-feira, setembro 27, 2005

Afinal ainda há virgens

António Ribeiro Ferreira in DN

"A democracia é uma caricatura, o regime está falido, moral e economicamente, a justiça não funciona e a corrupção atingiu uma tal dimensão que o Banco Mundial não tem dúvidas em afirmar que o sítio estaria ao nível da Finlândia se alguém tivesse coragem de a combater. As carpideiras do regime fingem indignar-se com as Fátimas do sítio. E fazem-se de virgens inocentes quando se fala de corrupção."

quinta-feira, setembro 22, 2005

Declaração de princípios.

Estou farto de pessoas que se chocam com o que se está a passar no País.
Todos nós sabemos, pelo menos aqueles que querem saber alguma coisa, que a última gota ainda está por cair no copo cheio em que Portugal perigosamente se tornou. Já faltam poucas.

E não me venham com tretas sobre os políticos. É puro queixume pequeno-burgês, sempre lacrimejando contra os mandões lá de Lisboa ou da Câmara local. Esquecem-se que esses políticos são pessoas, e se são pessoas são iguais a nós todos - os portugueses - com as coisas boas e más que todos temos.
Não podemos é exigir categoria ou ética à medíocre classe política que temos, porque a maioria dos portugueses também não tem uma nem outra, nem sabem onde as adquirir. E não se veja nisto um lamento, ou um queixume, ou até a superioridade de mais um pseudo-intelectual. É só a pura verdade.

Quem um dia a seguir a nós vier e vir o País nos dias de hoje, tal como nós o vemos, encobrirá a cara de vergonha e perguntará que puta de País é este que começa de manhã a cuspir no túmulo de D. Afonso Henriques e acaba à tarde a chorar Cunhal. Paz à sua alma. Teria?

Fátima.

O quarto segredo de Fátima foi revelado ontem pelo Porta Voz da Candidatura "Sempre Presente", na Cova de Felgueiras.
Perante os fiéis que ali se deslocaram em peregrinação, foi revelado que a Senhora (de) Fátima tinha aparecido aos pastorinhos mais próximos em comunicações à distância, pedindo-lhes que, como última tarefa terrena antes de serem chamados para o lado do Senhor, iniciassem a sua campanha eleitoral.
Este segredo, que permanecia guardado pelo último vidente das Aparições, o Irmão Jorge Coelho, trouxe uma nova dimensão espiritual à causa da eleição dos videntes.
Como vários especialistas vinham adiantando, o Irmão Jorge saberia da sua aparição na Cova de Felgueiras por ter recebido um anjo que traria essa mensagem. Essa divindade foi na altura identificada por duas letras (PS), que significariam as iniciais de Sempre Presente, trocadas.

Fátima a Lutadora

Quando penso que Portugal está no fundo, logo sou desacreditado e o fundo ainda é mais baixo do que pensava.

Pergunto que justiça é esta, que deixa em liberdade quem durante dois anos fez gato sapato dos tribunais e chega qual heroína.

Como se há-de reconhecer qualquer tipo de autoridade ao sistema judicial, que desta forma se descredibiliza completamente, provocando ainda mais a sensação de que a politíca é um jogo impune, em que a elite corrupta suga o sangues e o tutano do trabalho dos outros.

Claro que Fátima Felgueiras tem influência no sistema judicial, de certeza que tinha garantias do desfecho que se concretizou senão não punha cá os pés. Há algum inquérito para descobrir como ela soube que iria se detida, de forma a zarpar para o Brasil?

Em relação aos outros processos ainda não foi julgada nem condenada, mas pelo menos de um crime é culpada, de fuga à justiça. Não deveria ter logo ficado presa?

Como hão de as pessoas respeitar o estado de direito. Qual estado de direito pergunto eu, o estado do medo, pois aqueles que menos têem são os únicos a arcar com consequências. A justiça em Portugal é cega, de um olho apenas.

Qual estado de Direito pergunto eu, quando as leis são elaboradas de forma ambígua, contraditória e promotoras da desresponsabilização?

Portugal conseguiu percorrer o caminho inverso ao dos outros países e pela primeira vez na sua história tranformou-se num país de terceiro mundo.

Tão chocante como isso é ver as centenas de pessoas que apoiam Fátima Felgueiras politicamente. Não têm outro nome senão asnos, com aquelas palas para os olhos.

Quanto ao facto de se poder candidatar à autarquia já não é tão claro. Seja ela, Isaltino ou Loureiro, eles beneficiam de uma coisa chamada presunção de inocencia, daí até ao julgamento não deverão estar talhados dos seus direitos.

Deveriam no entanto ter a ombridade ética de não se candidatarem a cargos públicos.

Mas neste país à beira mar plantado, tudo é normal.

terça-feira, setembro 20, 2005

Direita e Cultura

por Paulo Pinto Mascarenhas*

A propósito do anúncio de putativos apoiantes de Cavaco Silva e Mário Soares na corrida presidencial, o constitucionalista Vital Moreira escreveu no seu blogue (www.causa-nossa.blogspot.com) que o candidato do Partido Socialista "goza de uma inigualável capacidade de atracção no campo da cultura, das artes, da literatura". Capacidade, essa, acrescenta o professor de Coimbra, "que em muito supera o previsível maior apelo de Cavaco Silva entre empresários e gestores." Tais apoios seriam sintomáticos do "diferente perfil, humano e político, dos dois candidatos diz-me quem te apoia, dir-te-ei quem és".
Descontando o facto de Vital Moreira ser também ele próprio um reconhecido apoiante de Mário Soares, a verdade é que as palavras citadas resumem em grande medida o modo como os políticos de direita - ou os que podem ser considerados como tal - são analisados na sua relação com a cultura.
O espírito humanista e letrado do principal candidato de esquerda estaria em confronto directo com o perfil economicista e meramente contabilístico do candidato de direita - ou, repito, como tal entendido, já que o próprio prof. Cavaco Silva terá dúvidas fundamentadas sobre esta definição política. A imagem desfocada, apesar de poder parecer caricatural, é em larga medida o quadro impressionista que muitos comentadores continuam a pintar da direita em Portugal.

A cultura é considerada por alguns como um condomínio fechado da esquerda mais de 30 anos depois do 25 de Abril. Compreende-se que esta fotografia a preto e branco pudesse ser tirada pouco depois da Revolução. Nem que fosse em razão do passado de luta contra a ditadura deposta, porque as actividades culturais serviram durante largos anos como uma plataforma da oposição democrática - e das esquerdas - ao regime salazarista. Mesmo tendo em conta as mudanças significativas registadas sobretudo nas duas últimas décadas, persiste a dificuldade objectiva de acumular o estatuto de intelectual ou agente da cultura com a opção política de direita. Dito de outra forma, são inúmeros os intelectuais que assumem publicamente o apoio a ideias, partidos ou candidatos de esquerda - ou mesmo da extrema-esquerda. Contam-se porém quase pelos dedos de uma mão os que se afirmam de direita.

Correndo o risco de algum simplismo, ser de esquerda ainda não passou de moda. Apesar de tudo o que a queda do Muro de Berlim e a informação entretanto felizmente tornada histórica permitem saber. Apesar do que foram os regimes comunistas de Leste e das verdadeiras atrocidades que se praticaram em nome de valores ditos de esquerda, nomeadamente da igualdade entre os homens. Apesar de Cuba, Coreia do Norte, Tiananmen, muitos preferem dirigir o furor intelectual contra uma das maiores e mais livres democracias do mundo, os Estados Unidos. Provavelmente por serem presididos por um político que não é de esquerda.

As críticas são obviamente legítimas e a opinião é livre. Falta saber e é importante discutir se, em grande parte, não cabe à direita a responsabilidade pela larga difusão de tantos lugares-comuns. Se não é a própria direita que se tem esquecido de pensar a cultura, de agir culturamente, de sair da máscara de ferro em que a tentam encerrar.

Os promotores das "Noites à direita. Projecto liberal" defendem que essa culpa não pode continuar a morrer solteira. Por isso mesmo, depois de termos debatido em Julho com Vicente Jorge Silva a relação entre "A direita e a liberdade", marcámos para quinta-feira às 20.30 uma conversa aberta e pluralista sobre "A direita e a cultura", a ter lugar no Jardim de Inverno do Teatro Municipal de S. Luiz, em Lisboa.

Outros debates irão surgindo. António Mega Ferreira é, desta vez, o ilustre representante da esquerda, enquanto Pedro Mexia e Rui Ramos intervêm pela direita - ou, se assim o entenderem, pelas direitas, porque o que não faltará certamente serão opiniões diferentes.
O leitor, que teve a amabilidade e a paciência de ler estas linhas até aqui, pode e deve também dizer de sua justiça, porque é o nosso convidado principal.

* Promotor das "Noites à direita. Projecto liberal"

sábado, setembro 17, 2005

Tribunais e quartéis: close

OPINIÃO Publicado 12 Setembro 2005
Sérgio Figueiredo


Os senhores militares dominam o assunto, conhecem muito bem o tema dos «direitos adquiridos». Fizeram, aliás, uma revolução em Abril de 1974 por causa disso. Foram os militares que nos libertaram do regime antigo e acabaram com todos os direitos adquiridos que a sociedade de então mantinha.

É mais do que legítimo, portanto, devolver-lhes a questão. E lançar o desafio: quem está disposto a liderar uma outra revolução para acabar com os direitos adquiridos deles? E com os dos senhores juizes, magistrados e funcionários judiciais?

Não é Marques Mendes. Não é aquele senhor que substituiu Portas e não recordo o nome. E desengane-se quem espera resposta da esquerda. Os presidenciáveis Louçã e Jerónimo, sempre «anti» tratando-se de fardas, estão indignados, por não deixarem as Forças Armadas desfilar em paz.

E, muito provavelmente, não será também José Sócrates. Que foi tão valente a enfiar as duas mãos em todas as colmeias habitadas por estas «comunidades», como incapaz de aproveitar a oportunidade para mobilizar a nação para algo que ela há muito perdeu: um rumo. Um simples rumo.

Assim, parece a Costa do Marfim. Podia também ser o Ruanda, quando a instituição militar desafia a autoridade de um Governo e convoca todas as armas, do activo e reservistas, para as ruas.

Também afigura-se a uma qualquer República da América Central, onde os próprios órgãos de soberania se mobilizam para greves. Agora os tribunais, os juízes. Depois quem se segue? O Presidente da República pode fazer greve?

O que irrita não é ver esta gente aos berros. Não é ver o Governo isolado. Nem é confirmar a falta de senso e responsabilidade dos Mendes e associados. Nem sequer assistir com estupefacção a esta decadência institucional, a absoluta falta de respeitinho pelas autoridades democráticas.

As pessoas perderam o sentido da nação, mas isso não irrita. Preocupa, angustia, desilude. Mas não irrita. O que irrita são os motivos desta crise. Tudo o que está na origem deste ambiente, em que cheira a fim de regime [meu sublinhado]. A Armada em passeata. Tribunais fechados. Sem lhes assistir a razão. Militares e agentes da justiça.

Por mais que desfilem de braço-dado com Louçã, por mais comícios que Jerónimo dedique em defesa dos seus «direitos adquiridos», os senhores militares não têm causa alguma. E mentem descaradamente, quando dizem estar a defender a dignidade da instituição militar.

Treta! Estão a defender a vidinha que os contribuintes lhes garantem - uma vidinha, diga-se, que os contribuintes gostariam mas o país obviamente não permite.

Há 31 anos lideraram um golpe para conquistar a liberdade. Agora ameaçam o regime para não pagar a conta da farmácia ou ir para casa, com salário completo, ainda antes dos 50.

Também a anunciada greve geral na Justiça não é justa. Viu-se coisa igual em 1988. Ano em que Cavaco os sossegou, criando um impraticável regime especial. O mesmo que Sócrates está agora, quase vinte anos depois, a eliminar.

E porque a maioria dos portugueses, os tais contribuintes, não percebe e não apoia o Governo? Porque em vez de lhe ter explicado que era justo, apresentaram-lhe isto no pacote das medidas contra o défice! O povo quer um rumo e deram-lhe um disco riscado.