sexta-feira, julho 07, 2006

Eurodeputado polaco elogia Salazar e Franco

Ao que parece um eurodeputado polaco defendeu Salazar e Franco numa intervenção no PE que tinha como objectivo a condenação do regime franquista.

O Tal eurodeputado, Giertych realçou o facto de os dois ditadores terem combatido "a praga do comunismo", em defesa do que disse serem os valores católicos. "Graças à Igreja espanhola, ao Exército espanhol e a Francisco Franco, o ataque comunista contra Espanha foi rechaçado", afirmou o parlamentar polaco, gerando imediatas ondas de choque.Claro que me dá uma certa vontade de rir, mas ao ver a reacção dos senhores da esquerda o sorriso não me abandonou:


O líder da bancada socialista no Parlamento Europeu, Martin Schultz,
classificou a intervenção de "fascista" e disse que discursos desses "não têm
lugar no Parlamento Europeu".

Miguel Portas teve "dificuldade em acreditar no que estava a ouvir".
Sentado no seu gabinete em Estrasburgo, na terça-feira passada, assistia à
sessão do plenário pelo circuito interno de televisão, quando ouviu o deputado
polaco elogiar Salazar e Franco pelo seu papel na "defesa do Ocidente". Ainda
pensou, num primeiro momento, que fosse "erro de tradução". "Já não ouvia
fascistas como aquele há muito tempo. Um fascista à moda antiga", disse ao DN o
deputado do Bloco de Esquerda.

Fausto Correia também ouviu no gabinete a intervenção de Marian Giertych.
Ficou "obviamente surpreendido": "Há uma contradição nos termos. Um parlamento
democrático não pode nunca saudar aqueles que estiveram contra a democracia".
Mas Fausto Correia diz que também foi "com alguma hilaridade" que ouviu o
deputado polaco, "porque representa uma grande dose de saudosismo que felizmente
não tem eco na maioria dos membros do Parlamento Europeu". Para o deputado
socialista, ouvir intervenções como as de Marian Giertych é "um preço que a
democracia tem de pagar": "ouvir as asneiras que alguns eleitos pela democracia
atentam contra a democracia."

E Isto porquê. Vamos enquadrar isto. A Polónia viveu longos anos negros sobre o jugo soviético, pensando dessa forma não estranho absolutamente nada que um Polaco veja esses senhores totalitários como heróis. POsso não concordar com eles mas compreendo-os. POr outro lado ponham-se na pele de um Polaco, quando eles ouvem esses senhores eurodeputados a exaltar Lenines, Estalines e companhia também deverão partir o côco a rir. Por isso senhores eurodeputados, aprendam, quando se goza provavelmente é porque têm medo de que o telhado de vidro por cima se quebre e os corte todos.

terça-feira, julho 04, 2006

"Os Símbolos da Nação"

Eu já há muito que sou adepto da mudança das cores da nossa bandeira. Até penso que deveria ser feito um referendo. As razões são estéticas, históricas, tradicionais e até de carácter patriótico-cultural, pois como muitas empresas precisam de vez em quando mudar de imagem, também já era altura de Portugal deixar de ter uma bandeira cromáticamente terceiro-mundista (embora a minha opinião sobre o que é este pseudo-país possa sempre tender para representar Portugal como terceiro-mundista).

Adiante deixo uma possibilidade proposta por um amigo acerca do que seria uma boa Bandeira de Portugal :



Não tem nada a ver com monarquia mas se durante 700 anos as nossas cores foram azul e branco, por vezes Branco, porque é que devemos mudar isso para uma bandeira que não representa um país, ou uma nação, mas sim uma ideologia politíca, aliás bem anti Portuguesa como foram os republicanos Iberistas.
Para disfarçar inventaram que o verde eram os campos e a esperança, e o vermelho era o sangue, coisa que todas as gerações repúblicanas aprenderam e que não pode estar mais longe da verdade.

E fico surpreendido quando vejo certas pessoas a concordarem comigo.

"(...) A Bandeira portuguesa é também uma decantação republicana de uma sucessão
de bandeiras históricas, jogando com símbolos ancestrais da nossa nacionalidade
(as quinas, os castelos, a esfera armilar) e substituindo o azul e branco
monárquico pelo verde e vermelho. É uma bandeira que ainda não tem um século e é
francamente menos bonita que a bandeira monárquica que substituiu. (...)"


"(...) Se todos os portugueses têm total liberdade para criticar
publicamente Portugal, então porque é que não temos liberdade de dizer por
exemplo que a bandeira monárquica tinha outra estaleca? Eu acho isso. Será que
vem uma brigada engavetar-me por ofensa a uma escolha cromática? Justos céus,
até Guerra Junqueiro, conhecido republicano, votou numa bandeira que se
mantivesse azul e branca. Um país com 800 anos não tem de ter uma sensibilidade
excerbada face aos seus símbolos (mesmo que estes tenham apenas cem) .(...)"


Pedro Mexia DN

quarta-feira, junho 21, 2006

A demagogia do PP

Preço de remédios à venda nas lojas tem vindo a subir


Os medicamentos não sujeitos a receita médica vendidos nas lojas estavam em Maio 1,2% mais caros do que em Agosto do ano passado, antes de os preços terem sido liberalizados e quando eram vendidos só nas farmácias. A conclusão é de um estudo do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), com base no inquérito feito junto dos postos de venda, que mostra um aumento crescente dos preços ao longo dos meses.


Então mas o senhor Nuno Melo quando interpelou Sócrates em plena Assembleia sobre isto não foi acusado de demagógico, de desvirtuar a verdade, de populista?

Afinal parece que quem tinha razão era ele e o senhor Sócrates é que gosta da manipulação e do Insulto fácil.

É pena a memória curta dos Portugueses

quinta-feira, junho 08, 2006

Educação - trabalhos de casa devem ser feitos na escola

Correio da Manhã

"A ministra da Educação aproveitou a apresentação, ontem, do projecto ‘Escola a Tempo Inteiro’, destinado ao 1.º Ciclo, na EB 1 da Viscondessa, em Santa Cruz do Bispo, Matosinhos, para enfatizar a importância do estudo acompanhado no novo plano. Tal medida, no seu entender, irá fazer das escolas um local mais “igualitário”, porque os trabalhos para casa (TPC) são um “meio reprodutor de desigualdades”.

A ideia tem sentido, pergunto para que serve a escola se depois em casa tem de se fazer o trabalho que supostamente se faria na escola?

Agora o argumento de que "irá fazer das escolas um local mais “igualitário”, porque os trabalhos para casa (TPC) são um “meio reprodutor de desigualdades”, é deliciosamente estúpido.

Timor / Austrália / Portugal

O que se passou agora com a austrália parece ser o sintoma das intenções australianas de tomar conta de Timor e do seu petróleo, além do pouco profissionalismo à portuguesa. Para lá foram 120 GNR, ao que parece sem estrutura montada conjuntamente com os australianos, e desorganizadamente tenta-se organizar um país. É sintoma também da incompetência em avaliar as situações por parte da diplomacia portuguesa.
Obviamente que 120 GNR são olhados como ridículos por parte dos mais de mil militares australianos, ainda por cima com veleidades de autonomia.
Eis o toque do que pretendem os australianos na verdade. controlar as riquezas daquele pequeno país. Quanto aos portugueses acabam por ser um pequeno embaraço para os australianos.
E neste pequeno pedaço de terra à beira do atlântico continua-se a brincar aos países.
Neste momento parecem só existir 4 soluções possíveis:1- abandonar Timor e deixar aquilo aos australianos (já o fizemos noutros locais e para sermos realistas 120 GNR não são nada, por isso mais vale não embaraçarmos os timorenses e os australianos)
2- Ganhar o respeito dos australianos, com uma presença forte, de um contigente militar que se equipare à presença australiana
3- Esperar que a ONU tome conta da ilha
4- baixar a bola e Deixar os australianos tomar conta de Timor
desconfio que será a 4 hipótese, não há coragem para uma resposta mais decidida.
(ps: parabéns ao Paulo Dentinho por mostar o que relamente se estava a passar aquando da entrevista ao líder rebelde)

quarta-feira, maio 31, 2006

Timor - O peso da Realidade

Transcrevo aqui excertos de um texto de Pedro Jordão, Presidente do Centro de Estudos Internacionais, Publicado no Diário de Coimbra de 28/maio/06


"Mas enquanto em Timor morrem inocentes nas ruas e se esteve a horas da guerra civil, os australianos colocaram imediatamente 130 comandos e terão mais 1300 tropas nesse país em poucos dias, a pedido do Presidente Xanana, tendo sido absolutamente decisivos para impedir a guerra civil. Enquanto é necessário intervir (já..) para parar mortes de cidadãos, Portugal planeia enviar 120 elementos policiais até quase final do próximo mês, quando, previsivelmente, a violência aguda terá passado. O primeiro ministro australiano enviou tropas para uma situação de conflito armado aberto, para tentar pará-lo, arriscando a vida de australianos, enquanto Portugal enviou três pessoas, não para agir mas para "observar". A fibra de um político vê-se também quando é necessário avançar em momentos difíceis que vão além dos holofotes da televisão ou dos confortáveis gabinetes, particularmente quando se trata de salvar cidadãos que, algures, estão a morrer sob tiroteio e desfigurantes golpes de machetes.

O Governo Português decidiu enviar um modesto contingente da GNR no prazo de várias semanas, para ajudar a manter a paz, que entretanto, sob o risco de morte, outros terão estabelecido. A diferença é abismal"

"Quando 400 civis em terror procuram refúgio na catedral de Díli, quando 80 polícias desarmados e "protegidos" pela ONU são barbaramente objecto de fogo que resulta na morte de nove deles e em dezenas de feridos, quando mais cem casas e lojas foram destruídas em Díli, quando bandos correm na rua com machetes a matar inocentes, quando uma mãe com cinco filhos são queimados vivos, Portugal envia três observadores.

O Governo Português teve a preocupação de mesmo antes de enviar três intimidantes observadores a Timor, obter a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Fico Preplexo. Será que ninguém explicou aos nossos Governantes que este envio de tropas ou forças policiais não necessita de qualquer decisão do Conselho de Segurança? De facto, tal envio, Por Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia, é efectuado sob pedido do Presidente de Timor, no âmbito de acordos bilaterais entre Timor e esses países. O Conselho de Segurança não detém qualquer competência para permitir ou proibir tal envio. Assim, apesar de instado por Portugal a dar luz verde a um simples envio de um contigente policial, o Conselho de Segurança emitiu uma nota em que muito simplesmente, "toma conhecimento" do envio de forças desses países no quadro de acordos bilaterais, acabando por considerar "bem-vinda" a aceitação do envio por esses países. Por outras palavras, contrariamente ao que o ministro português parece supor, o Conselho de Segurança simplesmente não autorizou nem desautorizou o envio de forças. Simplesmente porque não possui essa competência num caso deste tipo."

"O Actual conflito armado provavelmente acabará por se dissipar e um acordo será estabelecido com os militares revoltosos, evitando-se a iminente guerra civil. Quem terá feito a diferença entre a paz e a guerra civil terão sido o governo australiano e as suas forças armadas. Poderia ter sido facilmente Portugal, que tem forças mais que capazes. Ficará para com a Austrália uma nova e grande dívida dos timorenses. Por algum motivo centenas de humildes civis timorenses receberam no cais as tropas australianas, agradecendo, aplaudindo e repetindo "graças a Deus".

quinta-feira, abril 20, 2006

Entre-os-Rios "Os decisores fugiram às responsabilidades"

Mas em Portugal normalmente ninguém é responsabilizado.

Parece que estou a ver os técnicos que provavelmente não têm responsabilidade na coisa a serem tomados como bodes expiatórios, e quem realmente teria o poder de decidir a conservação da obra nem sequer é arrolado?

Dúvidas que penso pertinentes

PS inviabiliza audição de antigo director da PJ

A questão que fica é... Porquê?

Aprecio Bastante esta explicação: "não é necessário prolongar "o folhetim mediático".

sexta-feira, março 31, 2006

Dúvidas em Relação a Sócrates

A acção do governo durante o primeiro ano parece-me exemplarmente representada pela exibição do Moretto frente ao Barcelona na Luz.

Capaz do Melhor e do Pior.

Se por um Lado a rota traçada parece ser positiva, com a aposta na tecnologia e inovação, com a racionalização e contenção de custos na administração pública, com medidas de desborucratização simplesmente históricas e bem pensadas, poder-se-ia dizer que este governo tem sido o mais dinâmico, reformista e corajoso dos últimos 30 anos, ainda que os resultados de tais reformas sejam impossíveis de antever.

Mas como não há ponto sem nó, a atitude propagandística, pejada de recuos que cheiram a aparelho partidário (como a questão dos governadores cívis), e uma tentativa de controlo à boa maneira comunista ou salazarista, antevêm graves atentados à nossa democracia, perpetuação de lóbis e poderes ocultos e a continuação da Impunidade.

A Nível de finanças a imagem deixada é de roubo à mão armada aos portugueses, "chulando-os" para manter o satus quo público.

Atentados à nossa sociedade multiplicam-se, a Entidade Reguladora da Comunicação parece ser um monstro controlador da liberdade de expressão, a chamada prioridade dos crimes a investigar cheira a completo esturro (exemplo maior a súbita mudança da prioridade de investigações à corrupção para a prioridade de investigação ao terrorismo, oram digam lá que isto não tresanda a tramóia por todo o lado), agora a PJ, polícia reconhecidamente competente, vê-se desautorizada, manietada de recursos financeiros em que nem pode pagar a conta do telefone, retiram-lhe serviços de informações (talvez cuidadosamente filtradas pelo Governo).
Os juízes num mal estar constante, portugueses a nascer em Espanha.

Sinceramente não sei como classificar este Governo, Ficará até ver no 10.
Atenção ao Moretto da Política, o PM José Sócrates

E Lembrem-se Salazar também foi responsável por um milagre económico-financeiro. Mas um dos métodos foi o medo

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Ainda os Cartoons

Deixo aqui algumas palavras sobre algo que se tem esquecido, os cartoons em si. Noutro Post falo das reacções muçulmanas

Ponto 1 - Estes Cartoons nunca poderiam ter sido censurados. O Objectivo do Cartoonismo é criticar, espicaçar, criar linhas de pensamento crítico e fazer rir.

Vejo muitos a criticar esses cartoons, a dizer que são de mau gosto. Até poderão ser mas isso é um reflexão pessoal e subjectiva. Muitos gostam de quintas e recrutas.

Ponto 2 - Desconheço o editorial que acompanhava esses cartoons. Aí sim e dada a responsabilidade pública que um órgão de comunicação tem, nunca deveria ter (segundo o que dizem alguns) ter publicado palavras xenófobas e insultuosas.

Mas fosse com quem fosse.

O fim do cartoon é o riso, logo não deverá ser interpretado como verdade absoluta, mas sim enquadrada no esquema de um humor corrosivo. Um editorial é uma tomada de posição bem mais vinculativa e grave, e se o tal editorial era xenófobo esse sim deveria ser evitado, nunca os cartoons.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Umbiguismo...


Umbiguismo - é o mínimo que se poderá dizer do editorial de hoje de Nuno Pacheco no "Público" e do ataque que faz às declarações do MNE português a propósito das reacções às caricaturas dinamarquesas.
Freitas do Amaral esteve bem ao demarcar o Governo português e Portugal do conteúdo insultuoso e do propósito estigmatizante de todos os muçulmanos visado nas caricaturas. Fez o que o Governo de direita dinamarquês deveria ter feito inicialmente e não fez. Por incompetência, arrogância e por calculados interesses políticos internos - dependente, como é, do apoio da extrema-direita racista e xenófoba detrás do jornal que publicou as caricaturas. Incompetência e arrogância que levou o PM Andreas Rasmussen ao extremo de durante meses recusar receber os embaixadores de países muçulmanos - e logo ali podia ter acabado com o problema, distanciando-se dos propósitos ofensivos dos "cartoons" e também rejeitando, como é óbvio, qualquer ingerência ou sanção contra o jornal (o que eventualmente apenas caberia aos tribunais).
Freitas do Amaral fez o que a Europa deveria ter feito mais cedo. Porque a primeira vez que a Europa (Solana e a Presidência) se referiu à questão foi no fim-de-semana passado e apenas para condenar a violência contra as embaixadas da Dinamarca (obviamente condenável). Mas nem uma referência ao conteúdo gravemente ofensivo das caricaturas. E à demarcação da Europa da tolerância, do respeito pelos direitos e liberdades fundamentais face à insensibilidade política e propósitos insultuosos e estigmatizantes das caricaturas.
O que está em causa não é a liberdade de expressão. Esta não é, nem nunca foi a questão central - ninguém foi impedido de publicar o que quer que fosse. Mas a liberdade de imprensa deve ser exercida com responsabilidade e bom senso. E quem não se revê em publicações estigmatizantes e insultuosas deve demarcar-se.
O que está em causa é o aproveitamento da liberdade de expressão por uma direita, xenófoba, defensora da Europa 'clube cristão', apostada em fomentar o ódio religioso. Uma Europa desmemoriada (ou, ominosamente, talvez não...) das caricaturas nazis que antecederam a perseguição dos judeus. Lembro a Nuno Pacheco as declarações do rabino-chefe da França que disse "partilhar a raiva dos muçulmanos em relação a esta publicação" e "compreender a hostilidade [em relação às caricaturas] no mundo árabe".
O que estas caricaturas (e uma delas em particular) insinuam é que a maior parte dos muçulmanos são árabes e a maior parte dos árabes são potenciais bombistas-suicidas. Citando um artigo escrito por Bradley Burston no "Haaretz" (um dos mais respeitados diários israelitas) no passado dia 6 ('The new anti-semitism, cartoon division'),: "esta mensagem é obscena. É racista. Desrespeita as convicções fundamentais de um em cada seis seres humanos no planeta. Nesse sentido, o que estas caricaturas fazem é profanar o direito à liberdade de expressão, transformando-o no direito a promover o ódio."
O que também está em causa é o aproveitamento deste incidente e dos sentimentos ofendidos de milhões de muçulmanos por parte de extremistas islâmicos, que querem a derrota da democracia, das liberdades e princípios e valores de direitos humanos. Quem não entende isto, não percebe que vivermos na era da globalização impõe especiais obrigações de tolerância e respeito pela sensibilidades dos outros. Penso-o eu, que sou ateia e que sempre defendi a universalidade dos direitos humanos e combati o relativismo cultural invocado para a contestar.
Quando Nuno Pacheco considera as declarações do MNE "afectadas por uma cegueira que toca as raias do absurdo" e que "há quem dê mais importância a uns desenhos do que à vida humana", o jornalista está a ser demagógico, simplista, e acima de tudo, esquece-se das responsabilidades que advêm de se ser Ministro dos Negócios Estrangeiros de um país europeu. Na mesma linha, os PMs turco e espanhol, em carta publicada em conjunto no "International Herald Tribune" de 5 de Fevereiro, qualificaram as caricaturas de "profundamente ofensivas" e salientaram que "não existem direitos sem responsabilidades e respeito por sensibilidades diversas."
Nuno Pacheco pergunta se "os povos muçulmanos pediram a Portugal qualquer coisa" e responde à pergunta, retórica, com um rotundo "não". Independentemente da reacção fora da Europa, independentemente e para além de embaixadas queimadas e muito antes sequer de reflectir sobre a reacção no mundo muçulmano às caricaturas, a Europa pode e deve condenar este tipo de manifestações de xenofobia, baseando-se pura e simplesmente na tolerância, no respeito pela diversidade e na experiência dolorosa de horrores passados. São esses os fundamentos da "raison d'être" da União Europeia.

(Carta enviada à direcção do "Público", em reacção ao editorial de hoje)
[Publicado por Ana Gomes] 8.2.06

O Intelectual Urbano


Sempre existiu, ainda que com cambiantes vários e figurinos diversos. É uma imagem da fauna urbana que acompanha os tempos e as modas. Exibiu-se nos salões da nobreza decadente, vegetou nas tabernas e nos prostíbulos, intrigou nos cafés, profetizou desgraças em bares soturnos de superfícies adamascadas. Desde a emergência das emissões por cabo tornou-se mais presente e, sobretudo, mais dominante. Das rubricas femininas, ao comentário político, das charlas psicanalíticas aos programas humorísticos, ele é o eixo da roda. Falamos do intelectual urbano. Utilizamos a expressão no masculino reconhecendo embora que o espécime não tem sexo. Melhor, tendo-o, atravessa ambos e todos os outros que as novas evidências vão criando. O intelectual urbano é um mamífero, circunstância que por vezes lhe afigura desagradável por apelar à sua condição animal, parente dos símios e da família dos primatas. Mas a natureza é ingrata e não lhe permite ultrapassar esta desagradável vicissitude da Criação. Acresce que costuma dar corpo a esta sua condição mamando nos impostos dos ignorantes contribuintes que lhe garantem o sustento, público necessariamente, pois só este lhe dá a tranquilidade para poder ser intelectual e urbano.

O intelectual urbano, é portanto, um mamífero. Por natureza e sucção. Ou seja animal e mamão. Mas é um mamífero vertebrado, ainda que a sua vertebração seja mais cartilagínea do que óssea e mais propensa à curvatura e sujeição do que à verticalidade e à hirteza. Ele relincha como o cavalo árabe de crinas ao vento mas aceita o freio e teme a espora sempre que pica.

O intelectual urbano é criatura da noite. A luz solar perturba-lhe a verve, que é a pulsão do seu talento. Trata-se de uma criatura osculada pelo génio. Sem verve murcha e do ósculo que da baba residual residual e peganhenta. Gosta que gostem de si. Que lhe admirem o porte, lhe saúdem a inteligência, lhe cortejem a beleza.

O intelectual urbano é melómano, é literato, é esteta, é viajado, é cosmopolita, é giro, é liberal, é rico ou remediado, é burguês de proveniência, embora, geralmente, conviva mal com o facto. Detesta moscas e padres. Aliás, a igreja, do papa ao sacristão, cria-lhe um sentido fóbico. Enjoa feijoada e acha o cozido à portuguesa pura vianda suína. Perde-se, porém com a cozinha étnica. É magnífico em Lisboa petiscar em indonésio, lambuzar-se em vietnamita, intoxicar-se com sushi e defecar em japonês.

O intelectual urbano é da esquerda, não porque a esquerda seja coisa diferente da direita, mas porque tem outra estética, outro visual, outro charme, outra sofisticação.

O intelectual urbano é pós-moderno. Nenhuma causa sobreleva em importância a instituição dom casamento Gay, a procriação artificial e a pedido e a liberalização do aborto. Quem contrarie o seu proselitismo é intelectualmente desprovido e desprezível, homófobo e anquilosado, desmerecendo os direitos de cidadania que a constituição prodigamente lhe atribuiu.

O intelectual urbano faz alarde da sua presciência que aceita generosamente partilhar com a plebe. Quando se engana, que é quase sempre, descarrega o seu fel sobre a massa informe e ignara que são os portugueses, na sua maioria feios e porcos e alguns mesmo maus.

O intelectual urbano está ofendido por ver Cavaco – um “inculto professor catedrático, boçal e limitado” – em Belém. Nas suas conversas televisivas ou nas elucubrações no Bairro Alto acha que o modelo democrático está em crise. E, no seu íntimo, pensa que só ele e os demais intelectuais urbanos deveriam ter direito de voto. Aliás, como pode o seu voto valer tanto como o da Dona Bernardina que, coitada, apascenta vacas nas terras do Barroso?

Zé de Bragança
In Notícias Magazine 05.Fev.2006

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Cartoonism vs Extremism

O que se tem vindo a verificar é aquilo que referi há algum tempo.

Existe de facto um conflito de civilizações.

Todas as reacções muçulmanas, pelo menos a do "muçulmano médio" têm sido desmesuradas.

A Europa está com cara de medo, mantendo desde há muito a sua vergonha, a sua auto comiseração, que permite até pensar em pedir desulpa por algo de que não tem culpa.

Compreendo que muitos muçulmanos possam sentir-se ofendidos, mas de facto, não qualquer razão objectiva para o comportamento demosntrado. A explicação lógica e plausível é a de que qualquer coisa que o Ocidente faça apenas serve de desculpa para mostrar as verdadeiras intenções, que são a destruição do grande satã.

Ora nós não podemos viver amarrados nos ditames de outros, devemos dialogar, compreender, mas é algo que não se pode fazer contra uma parede.

A última é o presidente Iraniano.

Devemos preparar o futuro, sem belicismos, sem ataques mas defendendo a nossa visão do mundo, ou defendemos regimes teocráticos, muitas vezes assassinos e atentatórios dos direitos mais básicos, ou defendemos a democracia. A evolução já surge em sequer dialogar com esses regimes, e até reconhecê-los, mas enfim é a nossa forma e ainda bem.

No fim de contas a questão dos cartoons acaba por ser ridícula

quarta-feira, janeiro 25, 2006

É o destino...

Portugal e Espanha farão promoção "ibérica" em destinos longuíquos

Os governos de Portugal e Espanha apresentam dia 29 de Março em Lisboa o primeiro Plano Conjunto de Promoção Turística para mercados longínquos que, numa primeira fase, deverá abranger o Brasil e um país asiático. O anúncio foi feito hoje pelo secretário de Estado do Turismo, Bernardo Trindade, que hoje se reuniu em Madrid com o seu homólogo espanhol para avançar pré-acordos definidos na última cimeira luso-espanhola, em Évora.
"Faz sentido uma promoção conjunta em mercado longínquos, em zonas onde de exige uma dimensão ibérica de tratamento", explicou em declarações, referindo que o plano consolidará experiências que já estão a ser desenvolvidas no mercado norte-americano.
Segundo Trindade, o plano permitirá, paralelamente, desenvolver a imagem de Portugal em Espanha, o que se torna particularmente importante dado o peso dos turistas espanhóis no sector português.
Bernardo Trindade falava no Pavilhão de Portugal da 26ª edição da FITUR, a Feira de Turismo de Madrid, o maior espaço de sempre do certame e que conta quer com agentes regionais quer com uma presença institucional do Governo.
O stand português, de 710 metros quadrados, é dominado pelos temas do património, cultura, gastronomia, praia e "viagens de convenções", pretendendo oferecer aos visitantes da feira uma "imagem muito actual e de acordo com a nova realidade do país", como refere um nota do ICEP.No total estarão presentes na FITUR 43 empresas expositoras e mais de 400 profissionais do sector.

terça-feira, janeiro 03, 2006

Traição à Pátria !!

A decisão de dar a EDP à Iberdrola e a Pina Moura só peca, na minha opinão, por tardia.
E passo a explicar porquê.

Acho que já era tempo de dar a papinha toda, uma vez mais, a empresas estrangeiras concorrentes das maiores empresas portuguesas. Tal não seria a primeira vez e vem no seguimento da estratégia de acabar com o resto!
É só lembrar o caso da TAP e da Swissair, e da trapalhada criminiosa do ministro Jorge Coelho. Como é possível dar aos suíços todos os segredos da aérea nacional? Depois... os suíços ficaram a conhecer a TAP por dentro, faliram, e o Estado ficou prejudicado em muitos milhões de euros.
As culpas, essas morreram, coitadas, solteiras. Até hoje dá vontade de rir (pelo menos aos suíços).

Aqui por estes lados, pode fazer-se tudo com o beneplácito da República e do regime.
Os maiores partidos, PS e PSD, não são mais do que o reflexo do resto do País. É óbvio que não podemos exigir uma classe política nacional que não tenha os vícios e as virtudes dos cidadãos nacionais! Como são parte de nós, povo português, nas coisas boas e más, não podemos efectivamente esperar muito mais!!

A escumalha governativa que desgoverna o País transitou da monarquia para a república, da ditadura para o estado novo e deste para a democracia. São os mesmos! Só mudaram as moscas!

A esta estratégia de acabar definitivamente com o País chamava-se traição à Pátria.
Importa reflectir sobre o que é traição à Pátria.

Apesar de legislada, podia actualmente funcionar como prebenda para um qualquer ministro que funcionasse como um qualquer Vasconcellos.
Filhos da...

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Macau

Ontem vi o prós e contras feito em Macau.

Fiquei extremamente surprendido pela Portugalidade revelada por aqueles que ainda hoje mantém uma ideia de Portugal hoje proscrita do nosso País.

Ali foi-me revelada na plenitude o que quer dizer ser Português.

Ser Português não é nascer em Portugal, é algo muito maior, muito mais amplo e profundo, que está entranhado na nossa alma, e que muitos portugueses de hoje simplesmente não ligam, não se importam e até repudiam.

O nosso mal vem d dentro, estamos a ser comidos a partir dos portugueses de Portugal, porque se dependesse daqueles que são descendentes dos nosso antepassados estariamos ainda no topo do mundo.

Foi com lágrimas nos olhos que o poeta e douto professor Sena Santos a falar do seu País. Do Seu País Portugal, pois ele é Português. Foi também com lágrimas nos olhos que recordei a imagem de Rocha Vieira a recolher a ultima bandeira do império, o fim de um ciclo que deveria iniciar outro mas que simplesmente apagou a ideia de Portugal dos Portugueses. Uma bandeira que muito representa, mas mais uma vez os nossos governantes cuspiram, conspurcando-a. Estava prevista uma cerimónia em Portugal para entregar essa Bandeira ao nosso presidente e uma condecoração ao Rocha Vieira. Cerimónia nunca realizada e a bandeira que simboliza perfeitamente o que é ser Português, está hoje guardada na casa do ajudante de campo de Rocha Vieira.

É assim mais uma vez que os governantes desta República destroem o nosso património cultural. é mais uma machadada no nosso país.

E Depois estes artistas ainda vêm falar da Falta de Auto estima.

Foram eles com toda a destreza que criminalizaram o facto de um gajo ser patriota, oram eles que destruiram o conhecimengto da nossa história e cultura, reduzindo a História de Portugal nos currículos escolares a uma mera nota de rodapé. Foram eles que mataram o orgulho de ser Português. Não contra os outros povos, mas pelo facto de querermos ser melhores que os outros.

Foi com lágrimas que vi a mágoa presente no coração daqueles que amam o seu país e vêm a república a maltratar os nossos irmãos. a revolta com que falam do abandono de Portugal a Macau, a Goa, a Timor. Sentem-se abandonados.

Foi aplaudindo que vi o arquitecto Pedro Marreiros interpelado pela Fátima Campos Ferreira sobre estas razões de abandono em momento algum ele afirmou que a culpa era de Portugal, mas sim que a culpa era da REPÚBLICA.

E Assim se vai depaperando um país, largado aos caídos. com uma alma maior do que merece.

terça-feira, dezembro 13, 2005

O termo "pátria" está de regresso.

José Manuel Fernandes
(Editorial do "Público" - 10 de Dezembro de 2005)

Quantos portugueses sabem cantar o hino nacional? Quantos conhecem o significado dos símbolos da bandeira nacional? Quantos repararam que muitas das bandeiras que puseram às janelas durante o Euro 2004 estavam mal feitas, por terem sido confeccionadas na China?
Não devem ser muito entusiasmantes as respostas a estas perguntas. Depois da exploração reaccionária do patriotismo pelo anterior regime, em especial durante a guerra colonial, muitos portugueses, sobretudo os mais novos, passaram a desvalorizar os símbolos nacionais.
A senti-los como algo antiquado, até com algum cheiro a mofo.

A esquerda, que recordava a frase de Salazar "a pátria não se discute", eliminou mesmo o termo do seu léxico, enquanto alguma direita, atormentada pela má consciência, evitava referências que temia serem interpretadas como serôdias. A recuperação da palavra "pátria", e da ideia de patriotismo, nesta campanha eleitoral para a Presidência da República tem suscitado algumas controvérsias curiosas, sobretudo por se situarem em áreas políticas onde o tema tem sido tabu. Mas tem uma virtude: permite-nos olhar para a idéia de "pátria" de forma mais descomplexada. E, porventura, mais útil.

Numa época em que Portugal transferiu parte substancial da soberania - designadamente a sua política monetária - para a União Europeia, numa altura em que se discute o aprofundamento da integração e se procura ultrapassar o impasse constitucional, elogiar a noção tradicional de "pátria" pode parecer contraproducente. Contudo, há uma outra perspectiva, e visitando países como a Irlanda, a Polónia, ou os países nórdicos - tudo histórias de relativo sucesso no quadro da União - compreende-se que neles se vive um patriotismo que, sem ser contraditório com a integração europeia, funciona de forma muito positiva.
Lá não é necessário um campeonato de futebol para vermos bandeiras nas janelas ou nos pátios,existindo em contrapartida estudos que mostram que o sentimento patriótico é um factor positivo no desenvolvimento.
Um deles, que já aqui citei, é o do prestigiado sociólogo Manuel Castells e procura explicar as razões do sucesso do modelo finlandês. Nesses países, que tal como Portugal abdicaram por escolha própria de uma parte da sua soberania a favor da UE, o patriotismo é factor aglutinador que lhes permite unirem-se em torno de objectivos comuns. O patriotismo funciona tornando-os mais fortes no interior da União, não contra a União, e, de uma forma geral, também não tem conduzido a manifestações de intolerância xenófobas infelizmente comuns noutros países.

Olhando para a sua História, encontramos, relativamente a Portugal, uma enorme diferença: todos eles, de uma forma geral, sofreram para serem independentes. A Irlanda, a Finlândia ou a Polónia só no século XX se tornaram independentes. E a plena independência, uma independência não tutelada, só a conseguiram na segunda metade do século passado. Esses países e esses povos conheceram dias muito difíceis e sofridos e, para eles, o patriotismo tem um sentido positivo que têm sabido utilizar a seu favor (entre outros factores).
O que nos leva ao utro tema, a que voltaremos: a importância que tem, para uma nação, a sua capacidade de sofrer e ultrapassar o sofrimento.

TGV

A Ideia de Fazer um TGV entre Lisboa e Porto é Completamente absurda e estúpida.

Mas Provavelmente uma ideia como os nossos políticos.

Porquê?

Não traz nada de novo e se o Alfa Pendular tivesse uma linha em condições faria o percurso quase no mesmo tempo. Além disso custa mais do Dobro da Ligação a Madrid.

Pode parecer irreal mas é assim.

Um País pequeno como o nosso cheio de TGV's. É lindo. Completamente inútil mas lindo.

Só duas Linhas fazem sentido. Uma a prevista entre Lisboa e Madrid, que é perfeitamente normal, a outra Porto - Vigo - Madrid. esta Talvez dispensável mas também lógica. Agora a Lisboa Porto vai-se tornar num passeio para ricos, é completamente inútil.

O Que faria Mais sentido, e para mim que não sou técnico era:

Porto - Vigo - Madrid

Lisboa - Madrid

Faro - Sevilha

Depois com a solução mais económica, o alfa pendular, com condições, criavam-se vias estruturantes.

Por exemplo uma ligação Bragança - Porto - Coimbra - Lisboa - Ourique - Faro

e mais talvez uma Bragança - Guarda - Évora - Beja - Faro

segunda-feira, novembro 28, 2005

Os Ascendentes Nobres de Manuel Alegre

O Candidato Manuel Alegre de Melo Duarte, republicano dos sete costados, tem na sua ascedência familiar mais próxima três titulares portugueses.
Até parece que para se ser republicano tem que se ter qualquer familiar nobre.
Senão, vejamos a hipocrisia da coisa:
Pais
Francisco José de Faria e Melo Ferreira Duarte e Margarida Alegre
Avós Paternos
Mário Ferreira Duarte e Maria Teresa de Faria e Melo, 1ª baronesa da Recosta
Bisavós Paternos
Carlos de Faria e Melo, 1º barão de Cadoro e Maria Teresa de Melo Soares de Freitas
Trisavós Paternos
Francisco da Silva Melo Soares de Freitas, 1º visconde do Barreiro e Ana Joaquina Pereira de Melo

Até dá uma vontade republicana de rir!!
E por qui me fico!!!

Comendador condenado por fuga ao fisco.

Como Comendador da Ordem de S. Silvestre, atribuída por S. Santidade O Papa João Paulo I, sinto-me cada vez mais ofendido por a República Portuguesa atribuir as suas condecorações a eito.
Não por o fazer desmedidamente nem sem tino, mas porque há cada vez mais condecorados com o título de Comendador, quase num ritmo frenético, a cada 10 de Junho.
Não interessa dizer "Ah, mas a minha comenda é mais a sério que a deles, e tal...", trata-se sim, de dizer que os republicanos sempre criticaram os títulos que a Monarquia moribunda ia atribuindo, às dezenas. E agora é isto!
Shame on you...
Ao Sr. Comendador condenado por fuga ao fisco: sugiro que a República lhe atribua o título de Cavaleiro da Ordem da Liberdade (o título máximo desta Ordem nacional).
Porque o sr. ainda permanece em liberdade...