terça-feira, agosto 01, 2006
Carta ao Dr. Ribeiro e Castro
Votei em si no Congresso de Lisboa que o elegeu como líder do CDS. Apesar de todas as dúvidas que me atormentaram na altura, votei na sua lista e fi-lo pelo entusiasmo que demonstrou na defesa das suas ideias. Foi o único candidato que me convenceu.
Na altura prognostiquei, numa reação masoquista, que a sua eleição levaria o partido para muito próximo da irrelevância política. E, infelizmente, não me enganei.
Sabe, estavam na sua lista todas as dicas de "como não se devem confundir amigos, beatos e jovens imberbes, mas muito bem formados, com política".
E o que quero eu dizer com isto?
A sua lista era constituída, em geral, por pessoas com pouca ou nenhuma experiência política, como de resto se foi vendo pelos porta-vozes, que com maior destaque mediático, quase sempre rossaram a boçalidade, demonstrando muita aridez de raciocínio.
Um partido de sacristia nunca resultará, e o meu caro amigo sabe-o.
E o dr. Monteiro a voltar, traria o quê de volta? Acha que a sua liderança sairia reforçada?
Deixe-me que lhe diga que a "coligação" com um partido eleitoralmente irrelevante, apesar das meritórias propostas, não faz do nosso partido um partido maior, nem alarga a área política em que ele se enquadra. Seria mais um bluff.
Batalhe pelo País, pense mais no que as pessoas necessitam, esqueça os amigos do peito e faça do CDS aquilo que nós queremos que ele seja: um partido de Governo, por ser o mais competente e o melhor nas propostas. Por ser o melhor para Portugal.
Um abraço.
segunda-feira, julho 31, 2006
Descoberta nau portuguesa afundada no estreito de Malaca
Em declarações ao diário «The Star» de Kuala Lumpur, Michael Flecker, muito conhecido pela suas explorações arqueológicas na região, afirma ter feito a descoberta no ano passado mas não revelou a sua localização para evitar que fosse alvo de pilhagens.
Flecker garante que o navio se encontra entre Pulau Upeh e Pulau Panjang, uma faixa marítima pertencente à Malásia onde diz ter encontrado outras duas embarcações cuja antiguidade está ainda por estabelecer.
Quanto à nau portuguesa, o arqueólogo presume que possa ter sido comandada por Luís Monteiro Coutinho e afundada durante um combate naval com navios de Achém (Aceh, Indonésia).
O arqueólogo, que detectou os navios afundados com tecnologia sonar e confirmou a descoberta com mergulhos, documenta o achado com uma série de fotografias de canhões, balas, ossos de animais e várias peças quebradas de porcelana da dinastia Ming.
Flecker, que planeia recomeçar em breve as suas prospecções, admite que a zona seja uma espécie de «cemitério» que contenha mais naves.
Espera que, a partir delas, se possa conhecer melhor o papel desempenhado no passado pelo estreito de Malaca - que liga o oceano Índico ao Mar da China meridional e é partilhado pela Malásia, Indonésia e Singapura - e por Portugal, que conquistou o território em 1511.
Luís Monteiro Coutinho (1527-1588) era capitão-mor no mar de Malaca.
Feito prisioneiro pelos achéns (indígenas de Achém, reino situado na extremidade noroeste de Samatra), terá sido morto por um tiro de canhão às ordens do rei local por se ter recusado a renegar a fé cristã.
Cabe ao governo da Malásia aprovar a continuação das explorações dentro das suas águas territoriais e Frecker disse ter apresentado relatórios das suas descobertas ao governo de Kuala Lumpur.
Na capital da Malásia, o ministro da Cultura, Artes e patrimómio, Datuk Seri Rais Yatim, confirmou ter conhecimento da descoberta e do progresso das prospecções.
Diário Digital / Lusa
30-07-2006 13:41:00
sábado, julho 29, 2006
Regulador critica trabalho da RTP com câmara oculta
E para mais parece confirmar receios daqueles que viam esta nova entidade e a forma da sua constituição poder ser forma de tentar manipular os média.
Poderá não ser tanto assim, mas o facto de querer passar a ideia que a RTP fez uma má reportagem parece-me grave.
Vejamos os argumentos da ERC:
"obscuridade do critério adoptado para seleccionar a escola que serviu para realizar a reportagem"
Mas seria necessário algum critério?! O critério seria apenas um, Uma escola com comprovado historial de violência
Acusa a RTP de não "indagar se existia violência nas escolas, mas isso sim (dando esse facto com totalmente adquirido), encontrar uma ilustração suficientemente expressiva e impressionante da tese já tida por encerrada sobre a violência".
Mas estes senhores vivem no mesmo país que eu, não são recorrentes as histórias de violência nas escolas, de agressões a alunos e professores?
"Esta [ERC]considerou o uso da câmara oculta "desadequado e abusivo, violando direitos fundamentais dos alunos captados por essas câmaras e induzindo (...) a comportamentos discriminatórios".
Concordo que uma câmara oculta deverá ser um último recurso, a evitar sobremaneira, mas neste caso como pode a ERC considerar desadequado e abusivo. Provavelmente queria ver alunos comportadinhos, sentados nas suas cadeirinhas fingindo estudar. Para conseguir mostrar esta realidade não se pode estar com uma câmara em frente aos intervenientes. O que se quer é a realidade, não a fantasia ou encenação. Aindagostava de saber que comportamentos discriminatórios são esses.
"Além de que, para a sala de aula, "continua por regra, a valer a proibição de captação de imagens ou som sem o consentimento dos 'intervenientes' involuntários"
Deixem-me adivinhar, é aquela regra bem patente nas instituições supostamente democráticas de POrtugal, que se escondem dos eleitores a sete chaves quando chegam à cadeirinha do poder. Bem se é assim mais vale afirmar de uma vez por todas que não vivemos, pobres cidadãos, numa democracia.
"Já o Conselho Directivo da escola "violou o contrato solene de lealdade que tinha com os estudantes, encarando-os (...) como 'adversários' do outro lado da trincheira", sustenta.
Sim pois, não se pode mostrar a realidade porque ela é má. Muito democrático meus amigos. É o conto da carochinha para os mais incautos.
"a reportagem inculcou, ainda que involuntariamente, a imagem de que a violência nas escolas era cometida, maioritariamente, por indivíduos de raça negra, assim violando o principio fundamental de não discriminação" consagrado igualmente na Constituição e enumerado pela ERC.
Bom, eu acredito que a raça não será para aqui chamada, mas que mundo o nosso que por ser de uma raça minoritária já se tem direitos acima dos razoáveis. Isso sim é uma atitude discriminatória. Para mim não estamos a falar de raças mas sim de pessoas, sejam elas negras, caucasianas, asiáticas ou até às bolinhas amarelas.
Parece que a ERC está talhada para fazer o trabalhinho de agência de propaganda. Prefere que se fale em surdina dos problemas e apresentar a realidade cor de rosa. Assim meus senhores, continuaremos a falar pelos cantos, à boa moda salazarista, onde nada se discute nem se enfrenta. Assim continuaremos a viver neste pseudo país, pseudo democrático.
segunda-feira, julho 24, 2006
O Centro Cultural Português em Bissau
O processo vinha-se arrastando desde os protoclos assinados entre o ex-ministro dos negócios estrangeiros Durão Barroso e o governo guineense de então.
E arrastava-se, como é fácil de ver, há longos anos.
Não fora a boa-vontade e o carácter dos embaixadores portugueses que foram passando por Bissau, e a língua e a cultura portuguesa andariam, ainda mais, pelas ruas da amargura.
Até agora o Centro funcionava perfeitamente nas instalações provisórias da Embaixada portuguesa, não fosse a escassez de recursos e de meios e a concorrência da cooperação francesa (!).
É perfeitamente ridículo que só agora se tenha dado um verdadeiro impulso a esta preciosa obra. Ridículo são também os custos do Centro, que são perfeitamente irrelevantes.
A atitude política das autoridades guineenses também é de louvar, e assinala uma viragem estratégica, na medida em que era atribuída a Nino Vieira uma profunda ligação à francofonia, algo que até o tinha feito vencer as últimas eleições presidenciais.
Além disso, Portugal teria sido um dos países derrotados nas últimas presidenciais, tendo em conta que teria apoiado não-oficialmente outro dos candidatos (que vários serviços de segurança ocidentais asseguravam como derrotado à partida).
Foi um dia bom para a cooperação portuguesa.
quinta-feira, julho 20, 2006
Educação - repetição
Mas será que ao entrar naquela casa não consegue discutir uma ideia com pés e cabeça.
Vemos um governo na sua torre de marfim, um grupo parlamentar do poder que continua a insistir que a culpa é do que vem antes, uma ministra da educação que defende o indefensável e uma oposição que não consegue discutir o essencial e limita-se a discutir o acessório.
Neste caso das repetições dos exames o que menos me choca é exactamente a repetição dos mesmos. O que acho puramente ridículo é termos uma ministra que continua a afirmar que tudo correu muito bem, que só podia ser desta forma e que é justo, com uma argumentação contraditória além de escassa.
Mas eu pergunto, e os outros que não podem repetir, e as outras disciplinas, isso é justo?
Mas agora as questões que considero essenciais! (e que não foram feitas)
Mas que diabo fizeram os alunos todo ano para não saberem fazer um exame sendo novo ou não? Andaram a passear?
Mas que reforma é esta que vai retirar a avaliação através de exames de disciplinas tão importantes como a química, a física ou a biologia. Vamos voltar atrás, à boa vontade de professores e afins, que dão a nota a seu bel prazer? Querem situação mais geradora de desigualdades que esta, e de deturpação da realidade.
Como é possível a ministra dizer que se estava a prever esta situação e só reage à posteriori?
Como é possível uns exames que têm 6 ou mais meses para serem elaborados e têm erros científicos e técnicos? Quem os faz, quem os avalia?
Como é possível virem coisas aberrantes como a apontada pelo deputado Diogo Feio, onde se nota uma carga ideológica profunda? Para quem elaborou os exames existiu a ditadura nazi, a ditadura fascista, a ditadura salazarista, mas não a ditadura comunista, isso não, foi o regime comunista.
Como é possível haver uma matriz do plano currícular e depois o exame contrariar essa matriz?
Que desculpa esfarrapada dizer que os alunos não estavam habituados aos novos planos, por exemplo quem negou a feitura de provas modelo foi a própria ministra.
O que me choca, não é a repetição dos exames, mas sim a desfaçatez de uma ministra que não é capaz de assumir os seus erros, sacudindo a àgua do capote, que continua a viver num mundo à parte.
Se ela tem assumido que tinha errado, que a solução adoptada foi de recurso, ninguém poderia tê-la posto em causa, ou pelo menos tão veementemente.
E mais uma vez uma mão cheia de nada, pois amanhã já ninguém se lembra, de mais um debate parlamentar, da república das bananas que governa um pseudo país.
A fantochada das Ilhas Maurícias...
Descobertas no século XVI por um português, que baptiza uma das ilhas com o seu nome (Rodrigues), foram mais tarde avistadas pelo Vice-Rei da Índia Mascarenhas.
Portugal nunca ocupou estas ilhas, nem fez tenção disso.
Depois, foram séculos de ocupação holandesa e inglesa, até ao século XX, em que os dois estados acabam por ter alguma "relação", nomeadamente em 1999, com a participação da Mauritius Telecom no South Africa Far East (SAFE) Optical Fibre Submarine Cable Project e a sua ampliação a uma segunda fase que ligaria a África do Sul a Portugal, ao longo da costa ocidental africana.
Não sei se poderei apelidar as relações diplomáticas entre os dois estados como "intensas".
Apesar de ostentarem o estatuto de «observador associado», as Ilhas Maurícias não preenchem, ou preencheram, nenhum dos requisitos que permite a entrada na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Sendo inviável a sua entrada como estado de pleno direito, por não cumprir a alínea mais importante do tratado de adesão, que refere expressamente que "os estados-membros deverão ter como língua oficial o português", alteraram-se os estatutos e encontrou-se a fórmula há muito desejada: o estatuto de «observador associado».
Esqueceram-se os oito Chefes de Estado, com muita imbecilidade à mistura, que vários países e regiões com maior afinidade com Portugal já haviam pedido tal estatuto, sendo a Galiza o exemplo mais gritante, e que tal não foi possível naquela altura, precisamente, por os estatutos, não o permitirem. Dois pesos e duas medidas?
Mas que comunidade é esta que relega para segundo plano os mais próximos e promove quem não nos é nada?
E as Maurícias não nos são nada, nem parentes longínquos, pelo que não se conhece nenhuma relação especial connosco. Mais de quatrocentos anos depois nunca nada lá tivemos, não há sequer vestígios históricos da nossa presença, ninguém fala português ou crioulo em nenhuma ilha e finalmente: não têm o português como língua oficial.
O argumento de que não passou a ser membro de pleno direito por problemas no âmbito dos direitos humanos é mais uma anedota de mau-gosto. Este argumento resultaria apenas para a Guiné-Equatorial, ditadura e estado policial, que consta em todos os relatórios internacionais como um "estado falhado", ou até para Angola (estado-membro fundador).
As Ilhas Maurícias...
Fantochadas!!
segunda-feira, julho 10, 2006
Portugal - Mundial 2006
Agora que acabou o Mundial da Alemaha 2006, vencido pela Itália (ainda bem, que esta França era Abominável), fica a sensação que Portugal poderia e deveria ter feito mais.
Faltou um passo, um pequeno passo tendo em conta o que se passou.
Deveremos dar os parabéns à selecção? Claro que sim, mas não consigo compreender a alegria demonstrada por muitos, afinal não vencemos nada. Contentes sim, alegres não. Orgulhosos? Sim, principalmente pela categoria humana demonstrada pelos jogadores e pela participação honrada. Mas vejo tantos a festejar quase como se tivessemos sido campeões. Estaremos remetidos a ser razoáveis? Não poderemos almejar a sermos os melhores? Se depender de mim apontarei sempre para estarmos no topo.
Escuto com um vago sorriso aqueles que diziam que Portugal fez mais do que se esperava? Interrogo-me porquê. Não fomos à meia final do Euro 2000? Não fomos à final do Euro2004? não temos uma boa equipa? Então qual é a surpresa de chegar às meias finais do Mundial, que, e sem diminuir outras selecções, não passa de um Europeu com o Brasil e a Argentina.
O que registo é um sentimento de contentamento com pouco. Mas ressalvo mais uma vez, que foi uma bela campanha.
Algo que me irritou também, foi o facto das análise técnicas acríticas veiculadas pelos média. não tanto o trabalho dos jornalistas, mas sim dos comentadores, que embalaram nas vitórias, sem fazerem uma análise séria e podenderada das exibições da selecção. Exultaram com resultados perfeitamente normais, em que existiram erros, mas nunca reflectiram sobre esses erros. Exultaram com a vitória sobre o Irão, com uma exibição fraca. Exultaram contra o México, com outra fraca exibição. O Jogo com a Holanda foi estranho, mas o jogo com Inglaterra já me causou calafrios. Porquê. Enquanto Jogou contra onze Portugal fez uma exibição segura embora sem lampejos. Depois foi o sofrer sem razão, contra dez, Inglaterra completamente prostrada à espera de não perder por muitos e Portugal vazio, oco, sem ideias. Se alguém teve coragem para ganhar aquele jogo foram os Ingleses.
Irónicamente a nossa melhor exibição foi o jogo que perdemos ante a França. Aí sim tivemos vontade, bom toque de bola e aí pecou Scolari.
Scolari é o obreiro deste quarto Lugar, tem todo o mérito, seja pela positiva, seja pela negativa.
Tem o mérito de ter ido contra muitas vozes, de ter criado um grupo forte, coeso e confiante. Tem o mérito de ter transmitido uma maior maturidade ao grupo, mais realismo e mais racionalidade.
Também tem o mérito de não ter tido audácia no jogo com os franceses. Foi para mim o principal responsável pela derrota contra a França. Não teve a coragem de Jogar com dois avançados centro. A perder, tirou o Pauleta, perdeu dez minutos com o Cristiano Ronaldo no centro do terreno e inenarravelmente colocou Postiga em vez de Nuno Gomes. Não quero com isto dizer que o Nuno Gomes poderia ter resolvido o Jogo, mas vamos analisar factos: Postiga já tinha realizado dois jogos, e em ambos o que fez foi perder bolas para os adversários e jogar-se para a "piscina". Incapaz de desequilibrar e de finalizar. Nuno Gomes tem outra experiência a alto nível, além de ter sempre uma pontinha de sorte nestes momentos, além de que era aniversariante, logo devia estar altamente motivado e simplesmente é neste momento muito melhor jogador que Postiga. Aliás Nuno mostrou contra a Alemanha a sua raça. Scolari poderia e deveria ter usado Nuno Gomes e Pauleta na frente, poderia ter desviado Petit para a direita, até porque os franceses não passavam da linha de meio campo. Scolari foi incapaz de um lampejo de audácia. Mesmo que perdessemos ninguém lhe poderia ter apontado o dedo, assim colocou-se a jeito.
Mas como sempre o português sacode a àgua do capote e não sabe olhar para si mesmo e para as suas falhas. Logo se insurgiram vozes contra o àrbitro, que sem fazer uma exibição de luxo não esteve muito mal errando apenas num lance que muitos outros não marcariam, em que Sagnol empurra Cristiano Ronaldo na grande àrea. O Português é perito em arranjar bodes expiatórios, e mais uma vez foi isso que aconteceu. Essa mentalidade tem de passar e depressa, não foi por isso que Portugal perdeu, perdeu porque não fez golos e não teve coragem.
Como disse e vendo a final Itália Vs França, SOUBE A POUCO, estava completamente ao nosso alcance.
Uma palavra especial para Figo, pois foi de longe o mais importante jogador da selecção. Fez um grande Mundial. Maniche foi também muito assertivo. Os dois melhores, seguidos de perto por Ricardo Carvalho, Miguel e Simão que também fez uma óptima competição mesmo sem ser titular. Meira esteve à altura quando todos duvidávamos.
Quanto ao futuro, está aí Moutinho, Manuel Fernandes e Quaresma como rostos mais promissores das novas gerações. Como sempre falta um Ponta de Lança e Um defesa esquerdo. Acredito que poderemos continuar a trilhar este caminho que aponta para o sucesso, com ou sem Scolari, embora pense que ele deveria continuar. Afinal errar é humano.
Ps. Ainda bem que a Itália Ganhou, pode ser que aquela figura abjecta que é seleccionador de França desapareça do Futebol, assim como a arrogância e a sobranceria demonstrada por ele e mais alguns jogadores franceses. ex. Gallas que segundo consta não conhecia nenhum jogador português, isto apesar de ser treinado por um, jogar com mais dois e ter jogado ainda com outros dois. Tem graça mas não dá para rir.
sexta-feira, julho 07, 2006
Eurodeputado polaco elogia Salazar e Franco
O Tal eurodeputado, Giertych realçou o facto de os dois ditadores terem combatido "a praga do comunismo", em defesa do que disse serem os valores católicos. "Graças à Igreja espanhola, ao Exército espanhol e a Francisco Franco, o ataque comunista contra Espanha foi rechaçado", afirmou o parlamentar polaco, gerando imediatas ondas de choque.Claro que me dá uma certa vontade de rir, mas ao ver a reacção dos senhores da esquerda o sorriso não me abandonou:
O líder da bancada socialista no Parlamento Europeu, Martin Schultz,
classificou a intervenção de "fascista" e disse que discursos desses "não têm
lugar no Parlamento Europeu".
Miguel Portas teve "dificuldade em acreditar no que estava a ouvir".
Sentado no seu gabinete em Estrasburgo, na terça-feira passada, assistia à
sessão do plenário pelo circuito interno de televisão, quando ouviu o deputado
polaco elogiar Salazar e Franco pelo seu papel na "defesa do Ocidente". Ainda
pensou, num primeiro momento, que fosse "erro de tradução". "Já não ouvia
fascistas como aquele há muito tempo. Um fascista à moda antiga", disse ao DN o
deputado do Bloco de Esquerda.
Fausto Correia também ouviu no gabinete a intervenção de Marian Giertych.
Ficou "obviamente surpreendido": "Há uma contradição nos termos. Um parlamento
democrático não pode nunca saudar aqueles que estiveram contra a democracia".
Mas Fausto Correia diz que também foi "com alguma hilaridade" que ouviu o
deputado polaco, "porque representa uma grande dose de saudosismo que felizmente
não tem eco na maioria dos membros do Parlamento Europeu". Para o deputado
socialista, ouvir intervenções como as de Marian Giertych é "um preço que a
democracia tem de pagar": "ouvir as asneiras que alguns eleitos pela democracia
atentam contra a democracia."
E Isto porquê. Vamos enquadrar isto. A Polónia viveu longos anos negros sobre o jugo soviético, pensando dessa forma não estranho absolutamente nada que um Polaco veja esses senhores totalitários como heróis. POsso não concordar com eles mas compreendo-os. POr outro lado ponham-se na pele de um Polaco, quando eles ouvem esses senhores eurodeputados a exaltar Lenines, Estalines e companhia também deverão partir o côco a rir. Por isso senhores eurodeputados, aprendam, quando se goza provavelmente é porque têm medo de que o telhado de vidro por cima se quebre e os corte todos.
terça-feira, julho 04, 2006
"Os Símbolos da Nação"
Adiante deixo uma possibilidade proposta por um amigo acerca do que seria uma boa Bandeira de Portugal :

Não tem nada a ver com monarquia mas se durante 700 anos as nossas cores foram azul e branco, por vezes Branco, porque é que devemos mudar isso para uma bandeira que não representa um país, ou uma nação, mas sim uma ideologia politíca, aliás bem anti Portuguesa como foram os republicanos Iberistas.
Para disfarçar inventaram que o verde eram os campos e a esperança, e o vermelho era o sangue, coisa que todas as gerações repúblicanas aprenderam e que não pode estar mais longe da verdade.
E fico surpreendido quando vejo certas pessoas a concordarem comigo.
"(...) A Bandeira portuguesa é também uma decantação republicana de uma sucessão
de bandeiras históricas, jogando com símbolos ancestrais da nossa nacionalidade
(as quinas, os castelos, a esfera armilar) e substituindo o azul e branco
monárquico pelo verde e vermelho. É uma bandeira que ainda não tem um século e é
francamente menos bonita que a bandeira monárquica que substituiu. (...)"
"(...) Se todos os portugueses têm total liberdade para criticar
publicamente Portugal, então porque é que não temos liberdade de dizer por
exemplo que a bandeira monárquica tinha outra estaleca? Eu acho isso. Será que
vem uma brigada engavetar-me por ofensa a uma escolha cromática? Justos céus,
até Guerra Junqueiro, conhecido republicano, votou numa bandeira que se
mantivesse azul e branca. Um país com 800 anos não tem de ter uma sensibilidade
excerbada face aos seus símbolos (mesmo que estes tenham apenas cem) .(...)"
Pedro Mexia DN
quarta-feira, junho 21, 2006
A demagogia do PP
Os medicamentos não sujeitos a receita médica vendidos nas lojas estavam em Maio 1,2% mais caros do que em Agosto do ano passado, antes de os preços terem sido liberalizados e quando eram vendidos só nas farmácias. A conclusão é de um estudo do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento (Infarmed), com base no inquérito feito junto dos postos de venda, que mostra um aumento crescente dos preços ao longo dos meses.
Então mas o senhor Nuno Melo quando interpelou Sócrates em plena Assembleia sobre isto não foi acusado de demagógico, de desvirtuar a verdade, de populista?
Afinal parece que quem tinha razão era ele e o senhor Sócrates é que gosta da manipulação e do Insulto fácil.
É pena a memória curta dos Portugueses
quinta-feira, junho 08, 2006
Educação - trabalhos de casa devem ser feitos na escola
"A ministra da Educação aproveitou a apresentação, ontem, do projecto ‘Escola a Tempo Inteiro’, destinado ao 1.º Ciclo, na EB 1 da Viscondessa, em Santa Cruz do Bispo, Matosinhos, para enfatizar a importância do estudo acompanhado no novo plano. Tal medida, no seu entender, irá fazer das escolas um local mais “igualitário”, porque os trabalhos para casa (TPC) são um “meio reprodutor de desigualdades”.
A ideia tem sentido, pergunto para que serve a escola se depois em casa tem de se fazer o trabalho que supostamente se faria na escola?
Agora o argumento de que "irá fazer das escolas um local mais “igualitário”, porque os trabalhos para casa (TPC) são um “meio reprodutor de desigualdades”, é deliciosamente estúpido.
Timor / Austrália / Portugal
Obviamente que 120 GNR são olhados como ridículos por parte dos mais de mil militares australianos, ainda por cima com veleidades de autonomia.
Eis o toque do que pretendem os australianos na verdade. controlar as riquezas daquele pequeno país. Quanto aos portugueses acabam por ser um pequeno embaraço para os australianos.
E neste pequeno pedaço de terra à beira do atlântico continua-se a brincar aos países.
Neste momento parecem só existir 4 soluções possíveis:1- abandonar Timor e deixar aquilo aos australianos (já o fizemos noutros locais e para sermos realistas 120 GNR não são nada, por isso mais vale não embaraçarmos os timorenses e os australianos)
2- Ganhar o respeito dos australianos, com uma presença forte, de um contigente militar que se equipare à presença australiana
3- Esperar que a ONU tome conta da ilha
4- baixar a bola e Deixar os australianos tomar conta de Timor
desconfio que será a 4 hipótese, não há coragem para uma resposta mais decidida.
(ps: parabéns ao Paulo Dentinho por mostar o que relamente se estava a passar aquando da entrevista ao líder rebelde)
quarta-feira, maio 31, 2006
Timor - O peso da Realidade
"Mas enquanto em Timor morrem inocentes nas ruas e se esteve a horas da guerra civil, os australianos colocaram imediatamente 130 comandos e terão mais 1300 tropas nesse país em poucos dias, a pedido do Presidente Xanana, tendo sido absolutamente decisivos para impedir a guerra civil. Enquanto é necessário intervir (já..) para parar mortes de cidadãos, Portugal planeia enviar 120 elementos policiais até quase final do próximo mês, quando, previsivelmente, a violência aguda terá passado. O primeiro ministro australiano enviou tropas para uma situação de conflito armado aberto, para tentar pará-lo, arriscando a vida de australianos, enquanto Portugal enviou três pessoas, não para agir mas para "observar". A fibra de um político vê-se também quando é necessário avançar em momentos difíceis que vão além dos holofotes da televisão ou dos confortáveis gabinetes, particularmente quando se trata de salvar cidadãos que, algures, estão a morrer sob tiroteio e desfigurantes golpes de machetes.
O Governo Português decidiu enviar um modesto contingente da GNR no prazo de várias semanas, para ajudar a manter a paz, que entretanto, sob o risco de morte, outros terão estabelecido. A diferença é abismal"
"Quando 400 civis em terror procuram refúgio na catedral de Díli, quando 80 polícias desarmados e "protegidos" pela ONU são barbaramente objecto de fogo que resulta na morte de nove deles e em dezenas de feridos, quando mais cem casas e lojas foram destruídas em Díli, quando bandos correm na rua com machetes a matar inocentes, quando uma mãe com cinco filhos são queimados vivos, Portugal envia três observadores.
O Governo Português teve a preocupação de mesmo antes de enviar três intimidantes observadores a Timor, obter a autorização do Conselho de Segurança da ONU. Fico Preplexo. Será que ninguém explicou aos nossos Governantes que este envio de tropas ou forças policiais não necessita de qualquer decisão do Conselho de Segurança? De facto, tal envio, Por Portugal, Austrália, Nova Zelândia e Malásia, é efectuado sob pedido do Presidente de Timor, no âmbito de acordos bilaterais entre Timor e esses países. O Conselho de Segurança não detém qualquer competência para permitir ou proibir tal envio. Assim, apesar de instado por Portugal a dar luz verde a um simples envio de um contigente policial, o Conselho de Segurança emitiu uma nota em que muito simplesmente, "toma conhecimento" do envio de forças desses países no quadro de acordos bilaterais, acabando por considerar "bem-vinda" a aceitação do envio por esses países. Por outras palavras, contrariamente ao que o ministro português parece supor, o Conselho de Segurança simplesmente não autorizou nem desautorizou o envio de forças. Simplesmente porque não possui essa competência num caso deste tipo."
"O Actual conflito armado provavelmente acabará por se dissipar e um acordo será estabelecido com os militares revoltosos, evitando-se a iminente guerra civil. Quem terá feito a diferença entre a paz e a guerra civil terão sido o governo australiano e as suas forças armadas. Poderia ter sido facilmente Portugal, que tem forças mais que capazes. Ficará para com a Austrália uma nova e grande dívida dos timorenses. Por algum motivo centenas de humildes civis timorenses receberam no cais as tropas australianas, agradecendo, aplaudindo e repetindo "graças a Deus".
quinta-feira, abril 20, 2006
Entre-os-Rios "Os decisores fugiram às responsabilidades"
Parece que estou a ver os técnicos que provavelmente não têm responsabilidade na coisa a serem tomados como bodes expiatórios, e quem realmente teria o poder de decidir a conservação da obra nem sequer é arrolado?
Dúvidas que penso pertinentes
PS inviabiliza audição de antigo director da PJ
Aprecio Bastante esta explicação: "não é necessário prolongar "o folhetim mediático".
sexta-feira, março 31, 2006
Dúvidas em Relação a Sócrates
Capaz do Melhor e do Pior.
Se por um Lado a rota traçada parece ser positiva, com a aposta na tecnologia e inovação, com a racionalização e contenção de custos na administração pública, com medidas de desborucratização simplesmente históricas e bem pensadas, poder-se-ia dizer que este governo tem sido o mais dinâmico, reformista e corajoso dos últimos 30 anos, ainda que os resultados de tais reformas sejam impossíveis de antever.
Mas como não há ponto sem nó, a atitude propagandística, pejada de recuos que cheiram a aparelho partidário (como a questão dos governadores cívis), e uma tentativa de controlo à boa maneira comunista ou salazarista, antevêm graves atentados à nossa democracia, perpetuação de lóbis e poderes ocultos e a continuação da Impunidade.
A Nível de finanças a imagem deixada é de roubo à mão armada aos portugueses, "chulando-os" para manter o satus quo público.
Atentados à nossa sociedade multiplicam-se, a Entidade Reguladora da Comunicação parece ser um monstro controlador da liberdade de expressão, a chamada prioridade dos crimes a investigar cheira a completo esturro (exemplo maior a súbita mudança da prioridade de investigações à corrupção para a prioridade de investigação ao terrorismo, oram digam lá que isto não tresanda a tramóia por todo o lado), agora a PJ, polícia reconhecidamente competente, vê-se desautorizada, manietada de recursos financeiros em que nem pode pagar a conta do telefone, retiram-lhe serviços de informações (talvez cuidadosamente filtradas pelo Governo).
Os juízes num mal estar constante, portugueses a nascer em Espanha.
Sinceramente não sei como classificar este Governo, Ficará até ver no 10.
Atenção ao Moretto da Política, o PM José Sócrates
E Lembrem-se Salazar também foi responsável por um milagre económico-financeiro. Mas um dos métodos foi o medo
quinta-feira, fevereiro 09, 2006
Ainda os Cartoons
Ponto 1 - Estes Cartoons nunca poderiam ter sido censurados. O Objectivo do Cartoonismo é criticar, espicaçar, criar linhas de pensamento crítico e fazer rir.
Vejo muitos a criticar esses cartoons, a dizer que são de mau gosto. Até poderão ser mas isso é um reflexão pessoal e subjectiva. Muitos gostam de quintas e recrutas.
Ponto 2 - Desconheço o editorial que acompanhava esses cartoons. Aí sim e dada a responsabilidade pública que um órgão de comunicação tem, nunca deveria ter (segundo o que dizem alguns) ter publicado palavras xenófobas e insultuosas.
Mas fosse com quem fosse.
O fim do cartoon é o riso, logo não deverá ser interpretado como verdade absoluta, mas sim enquadrada no esquema de um humor corrosivo. Um editorial é uma tomada de posição bem mais vinculativa e grave, e se o tal editorial era xenófobo esse sim deveria ser evitado, nunca os cartoons.
quarta-feira, fevereiro 08, 2006
Umbiguismo...

Umbiguismo - é o mínimo que se poderá dizer do editorial de hoje de Nuno Pacheco no "Público" e do ataque que faz às declarações do MNE português a propósito das reacções às caricaturas dinamarquesas.
Freitas do Amaral esteve bem ao demarcar o Governo português e Portugal do conteúdo insultuoso e do propósito estigmatizante de todos os muçulmanos visado nas caricaturas. Fez o que o Governo de direita dinamarquês deveria ter feito inicialmente e não fez. Por incompetência, arrogância e por calculados interesses políticos internos - dependente, como é, do apoio da extrema-direita racista e xenófoba detrás do jornal que publicou as caricaturas. Incompetência e arrogância que levou o PM Andreas Rasmussen ao extremo de durante meses recusar receber os embaixadores de países muçulmanos - e logo ali podia ter acabado com o problema, distanciando-se dos propósitos ofensivos dos "cartoons" e também rejeitando, como é óbvio, qualquer ingerência ou sanção contra o jornal (o que eventualmente apenas caberia aos tribunais).
Freitas do Amaral fez o que a Europa deveria ter feito mais cedo. Porque a primeira vez que a Europa (Solana e a Presidência) se referiu à questão foi no fim-de-semana passado e apenas para condenar a violência contra as embaixadas da Dinamarca (obviamente condenável). Mas nem uma referência ao conteúdo gravemente ofensivo das caricaturas. E à demarcação da Europa da tolerância, do respeito pelos direitos e liberdades fundamentais face à insensibilidade política e propósitos insultuosos e estigmatizantes das caricaturas.
O que está em causa não é a liberdade de expressão. Esta não é, nem nunca foi a questão central - ninguém foi impedido de publicar o que quer que fosse. Mas a liberdade de imprensa deve ser exercida com responsabilidade e bom senso. E quem não se revê em publicações estigmatizantes e insultuosas deve demarcar-se.
O que está em causa é o aproveitamento da liberdade de expressão por uma direita, xenófoba, defensora da Europa 'clube cristão', apostada em fomentar o ódio religioso. Uma Europa desmemoriada (ou, ominosamente, talvez não...) das caricaturas nazis que antecederam a perseguição dos judeus. Lembro a Nuno Pacheco as declarações do rabino-chefe da França que disse "partilhar a raiva dos muçulmanos em relação a esta publicação" e "compreender a hostilidade [em relação às caricaturas] no mundo árabe".
O que estas caricaturas (e uma delas em particular) insinuam é que a maior parte dos muçulmanos são árabes e a maior parte dos árabes são potenciais bombistas-suicidas. Citando um artigo escrito por Bradley Burston no "Haaretz" (um dos mais respeitados diários israelitas) no passado dia 6 ('The new anti-semitism, cartoon division'),: "esta mensagem é obscena. É racista. Desrespeita as convicções fundamentais de um em cada seis seres humanos no planeta. Nesse sentido, o que estas caricaturas fazem é profanar o direito à liberdade de expressão, transformando-o no direito a promover o ódio."
O que também está em causa é o aproveitamento deste incidente e dos sentimentos ofendidos de milhões de muçulmanos por parte de extremistas islâmicos, que querem a derrota da democracia, das liberdades e princípios e valores de direitos humanos. Quem não entende isto, não percebe que vivermos na era da globalização impõe especiais obrigações de tolerância e respeito pela sensibilidades dos outros. Penso-o eu, que sou ateia e que sempre defendi a universalidade dos direitos humanos e combati o relativismo cultural invocado para a contestar.
Quando Nuno Pacheco considera as declarações do MNE "afectadas por uma cegueira que toca as raias do absurdo" e que "há quem dê mais importância a uns desenhos do que à vida humana", o jornalista está a ser demagógico, simplista, e acima de tudo, esquece-se das responsabilidades que advêm de se ser Ministro dos Negócios Estrangeiros de um país europeu. Na mesma linha, os PMs turco e espanhol, em carta publicada em conjunto no "International Herald Tribune" de 5 de Fevereiro, qualificaram as caricaturas de "profundamente ofensivas" e salientaram que "não existem direitos sem responsabilidades e respeito por sensibilidades diversas."
Nuno Pacheco pergunta se "os povos muçulmanos pediram a Portugal qualquer coisa" e responde à pergunta, retórica, com um rotundo "não". Independentemente da reacção fora da Europa, independentemente e para além de embaixadas queimadas e muito antes sequer de reflectir sobre a reacção no mundo muçulmano às caricaturas, a Europa pode e deve condenar este tipo de manifestações de xenofobia, baseando-se pura e simplesmente na tolerância, no respeito pela diversidade e na experiência dolorosa de horrores passados. São esses os fundamentos da "raison d'être" da União Europeia.
(Carta enviada à direcção do "Público", em reacção ao editorial de hoje)
[Publicado por Ana Gomes] 8.2.06
O Intelectual Urbano
Sempre existiu, ainda que com cambiantes vários e figurinos diversos. É uma imagem da fauna urbana que acompanha os tempos e as modas. Exibiu-se nos salões da nobreza decadente, vegetou nas tabernas e nos prostíbulos, intrigou nos cafés, profetizou desgraças em bares soturnos de superfícies adamascadas. Desde a emergência das emissões por cabo tornou-se mais presente e, sobretudo, mais dominante. Das rubricas femininas, ao comentário político, das charlas psicanalíticas aos programas humorísticos, ele é o eixo da roda. Falamos do intelectual urbano. Utilizamos a expressão no masculino reconhecendo embora que o espécime não tem sexo. Melhor, tendo-o, atravessa ambos e todos os outros que as novas evidências vão criando. O intelectual urbano é um mamífero, circunstância que por vezes lhe afigura desagradável por apelar à sua condição animal, parente dos símios e da família dos primatas. Mas a natureza é ingrata e não lhe permite ultrapassar esta desagradável vicissitude da Criação. Acresce que costuma dar corpo a esta sua condição mamando nos impostos dos ignorantes contribuintes que lhe garantem o sustento, público necessariamente, pois só este lhe dá a tranquilidade para poder ser intelectual e urbano.
O intelectual urbano, é portanto, um mamífero. Por natureza e sucção. Ou seja animal e mamão. Mas é um mamífero vertebrado, ainda que a sua vertebração seja mais cartilagínea do que óssea e mais propensa à curvatura e sujeição do que à verticalidade e à hirteza. Ele relincha como o cavalo árabe de crinas ao vento mas aceita o freio e teme a espora sempre que pica.
O intelectual urbano é criatura da noite. A luz solar perturba-lhe a verve, que é a pulsão do seu talento. Trata-se de uma criatura osculada pelo génio. Sem verve murcha e do ósculo que da baba residual residual e peganhenta. Gosta que gostem de si. Que lhe admirem o porte, lhe saúdem a inteligência, lhe cortejem a beleza.
O intelectual urbano é melómano, é literato, é esteta, é viajado, é cosmopolita, é giro, é liberal, é rico ou remediado, é burguês de proveniência, embora, geralmente, conviva mal com o facto. Detesta moscas e padres. Aliás, a igreja, do papa ao sacristão, cria-lhe um sentido fóbico. Enjoa feijoada e acha o cozido à portuguesa pura vianda suína. Perde-se, porém com a cozinha étnica. É magnífico em Lisboa petiscar em indonésio, lambuzar-se em vietnamita, intoxicar-se com sushi e defecar em japonês.
O intelectual urbano é da esquerda, não porque a esquerda seja coisa diferente da direita, mas porque tem outra estética, outro visual, outro charme, outra sofisticação.
O intelectual urbano é pós-moderno. Nenhuma causa sobreleva em importância a instituição dom casamento Gay, a procriação artificial e a pedido e a liberalização do aborto. Quem contrarie o seu proselitismo é intelectualmente desprovido e desprezível, homófobo e anquilosado, desmerecendo os direitos de cidadania que a constituição prodigamente lhe atribuiu.
O intelectual urbano faz alarde da sua presciência que aceita generosamente partilhar com a plebe. Quando se engana, que é quase sempre, descarrega o seu fel sobre a massa informe e ignara que são os portugueses, na sua maioria feios e porcos e alguns mesmo maus.
O intelectual urbano está ofendido por ver Cavaco – um “inculto professor catedrático, boçal e limitado” – em Belém. Nas suas conversas televisivas ou nas elucubrações no Bairro Alto acha que o modelo democrático está em crise. E, no seu íntimo, pensa que só ele e os demais intelectuais urbanos deveriam ter direito de voto. Aliás, como pode o seu voto valer tanto como o da Dona Bernardina que, coitada, apascenta vacas nas terras do Barroso?
Zé de Bragança
In Notícias Magazine 05.Fev.2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
Cartoonism vs Extremism
O que se tem vindo a verificar é aquilo que referi há algum tempo.Existe de facto um conflito de civilizações.
Todas as reacções muçulmanas, pelo menos a do "muçulmano médio" têm sido desmesuradas.
A Europa está com cara de medo, mantendo desde há muito a sua vergonha, a sua auto comiseração, que permite até pensar em pedir desulpa por algo de que não tem culpa.
Compreendo que muitos muçulmanos possam sentir-se ofendidos, mas de facto, não qualquer razão objectiva para o comportamento demosntrado. A explicação lógica e plausível é a de que qualquer coisa que o Ocidente faça apenas serve de desculpa para mostrar as verdadeiras intenções, que são a destruição do grande satã.
Ora nós não podemos viver amarrados nos ditames de outros, devemos dialogar, compreender, mas é algo que não se pode fazer contra uma parede.
A última é o presidente Iraniano.
Devemos preparar o futuro, sem belicismos, sem ataques mas defendendo a nossa visão do mundo, ou defendemos regimes teocráticos, muitas vezes assassinos e atentatórios dos direitos mais básicos, ou defendemos a democracia. A evolução já surge em sequer dialogar com esses regimes, e até reconhecê-los, mas enfim é a nossa forma e ainda bem.
No fim de contas a questão dos cartoons acaba por ser ridícula