terça-feira, novembro 14, 2006

Reeleito presidente luso-canadiano no Ontário

Câmara de Kingsville
Reeleito presidente luso-canadiano no Ontário
Nelson Santos foi reeleito presidente da Câmara da cidade de Kingsville, província de Ontário, Canadá, nas eleições realizadas segunda-feira

Apesar das várias candidaturas, muitos luso-canadianos não conseguiram subir à vereação nos municípios da província do Ontário, perdendo-se designadamente a presença de origem portuguesa da Câmara de Toronto.

Porém, foram vários os casos em que gestores escolares (trustees) lusos consolidaram as posições.

Momentos após o apuramento dos resultados finais em Kingsville, já durante a noite de segunda-feira (madrugada de terça-feira em Portugal), Nelson Santos manifestou à Lusa grande satisfação pela reeleição, indicando ter obtido «61 por cento da votação total», apesar de ter concorrido contra o seu antecessor, que este ano voltou a recandidatar-se.

«Foi uma campanha dura. Tivemos que abordar os principais temas para o desenvolvimento desta cidade, onde queremos dar mais qualidade de vida às pessoas», enalteceu.

Entre as prioridades para o próximo mandato de quatro anos, Nelson Santos enunciou a continuação do investimento em infra-estruturas, assim como dar atenção às zonas de praia e frente ao mar.

Nascido no Canadá e filho de portugueses da região de Fátima, Nelson Santos, 36 anos, é o único presidente de origem lusa numa câmara no Ontário: Kingsville, a qual conta com cerca de 19 mil habitantes.

Em Toronto, a presença de origem portuguesa foi assegurada na comissão directiva das escolas públicas de ensino em inglês (Toronto District School Board - TDSB), tendo Maria Rodrigues sido reeleita por Davenport com 44 por cento.

Neste bairro bem português da cidade de Toronto, confimou-se a preferência pelos três candidatos luso-canadianos, todos terminando à frente de concorrentes de origem hispânica.

A mais directa opositora de Maria Rodrigues, a luso- canadiana Nellie Pedro quedou-se pelos 31,1 por cento, enquanto John Costa foi o terceiro posicionado, com 18,5 por cento do total dos votos.

Na sua área de influência, a TDSB (a maior comissão directiva escolar do Canadá) tem 558 escolas frequentadas por mais de 280 mil alunos, gerindo um orçamento anual de 2,4 mil milhões de dólares canadianos (1,6 mil milhões de euros).

Nas eleições para a Câmara de Toronto - que, além do presidente de Câmara, elegem 44 vereadores de câmara e os gestores das quatro comissões escolares - Paul Ferreira não conseguiu ser eleito vereador, apesar de ser o segundo mais votado no seu bairro eleitoral de York South-Weston, com 36,3 por cento.

Também Peter Ferreira, presidente do Congresso Nacional Luso-Canadiano e do Conselho Etno-cultural Canadiano, não conseguiu o lugar de vereador na câmara de Mississauga (grande cidade na Área da Grande Toronto), obtendo 35,14 por cento dos votos, ficando no seu bairro eleitoral atrás da já actual titular do cargo, reconduzida nestas eleições.

Em outros distritos eleitorais, aguardava-se a vitória previsível de Manuel da Silva em Cambrigde para "trustee" da comissão directiva das escolas católicas de Waterloo.

Por sua vez, Eduardo Viana permanece o mais antigo trustee de origem portuguesa no Canadá, tendo registado uma reeleição incontestada para a comissão directiva das escolas católicas de Halton-Oakville.

Embora candidato à mesma comissão escolar, o advogado açoriano Paul de Melo não conseguiu nestas eleições os votos necessários para se juntar a Eduardo Viana.

Nestas eleições duas câmaras estavam sob grandes atenções - Toronto (capital da província) e Otava (capital do país).

O actual edil de Toronto, David Miller, não teve opositores à altura, atingindo 57 por cento, mas em Otava, Bob Chiarelli, presidente de câmara, foi notoriamente «chumbado» pelo eleitorado, ficando no terceiro posto das preferências.

A celebrar a vitória em Otava está Larry O'Brien, que tomará posse a 1 de Dezembro como o novo presidente de câmara, tendo nesta eleições sido segundo o candidato Alex Munter.

A viabilidade da Madeira (1)

Álvaro Santos Pereira
Universidade de York

Uma das questões mais controversas dos últimos tempos foi a ameaça implícita do presidente regional da Madeira de que os fantasmas separatistas seriam reavivados pela alegada afronta do Governo central, que ameaçou cortar as transferências fiscais para a região autónoma.

De certa forma, a controvérsia não é nova. Porém, o recurso ao trunfo independentista pode alterar por completo a relação entre o Continente e a Madeira. É óbvio que uma hipotética declaração de independência madeirense teria de ser aprovada pelos órgãos de soberania e pelas respectivas populações, provavelmente em referendo. Como não existem grandes estudos de opinião sobre o tema, é difícil vaticinar o resultado de tal inquérito. Mesmo assim, já que o argumento independentista foi usado, interessa analisar se uma Madeira independente é viável economicamente. Vejamos então o que os números nos indicam.

A Madeira tem actualmente cerca de 245 mil habitantes. Aproximadamente 82% de todos os trabalhadores estão no sector terciário, 16% no sector secundário e menos de 3% no primário. A nível do rendimento per capita, a Madeira tem sido a região do País que mais progresso registou nos últimos anos. Segundo o INE, se em 1995 o rendimento de um madeirense médio era cerca 95% de um português médio, em 2005 um madeirense possuía já 12% do rendimento médio continental.

A nível europeu, o progresso do rendimento madeirense foi igualmente apreciável. Enquanto Portugal continental quase não convergiu com a UE-15 a partir dos finais dos anos 90, a Madeira aumentou o seu rendimento per capita de 63% do rendimento europeu em 1995 para 82% em 2003. Ora, grande parte da celeuma actual é exactamente relacionada com o desenvolvimento económico da região autónoma.

De facto, a Madeira está a ser vítima do seu próprio sucesso. Como os fundos estruturais afluem maioritariamente para as regiões com menos de 75% do rendimento per capita europeu, a Madeira verá automaticamente diminuir de forma drástica os generosos subsídios que a sua posição ultraperiférica e o seu baixo rendimento lhe concediam.

Para agravar a situação do governo madeirense, o Governo central ameaça agora cortar seriamente as transferências fiscais para a região autónoma, com o argumento de que o governo regional violou os preceitos da legislação do OE 2005. Ou seja, o governo regional da Madeira vê-se a braços com uma situação provavelmente insustentável a nível fiscal. É por isso que a carta separatista foi apresentada agora com mais vigor. No próximo artigo veremos se esta carta independentista tem pernas para andar, isto é, se é viável para a Madeira tornar-se financeira e economicamente independente de Portugal continental. A resposta talvez seja surpreendente.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Pilhéria

Carta atribuída a Pina Manique, antes de ser promovido a Intendente Geral do Reino, ao Duque de Cadaval, Corregedor Mor do Reino e, presumo, então seu superior:

"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:

Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,
- Caguei para mim que nada valho.

Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,
- Caguei para o cargo.

Mas, se nem uma nem outra coisa consente semelhante linguagem, peço a V. Excia. que me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se
- devo ou não Cagar para V. Excia.

Santarém, 22 de outubro de 1795
PINA MANIQUE
Corregedor de Santarém "

Conselho da Europa recusa independência da Ossétia do Sul

A pequena região da Ossétia do Sul votou em referendo, este domingo, a separação da Geórgia, mas o Conselho da Europa não reconhece o resultado da votação.

Em causa está a exclusão dos cidadãos de etnia georgiana da participação no referendo de domingo, que terá dado o «sim» à independência da Ossétia do Sul.

O secretário-geral do Conselho da Europa afirma que a votação foi «desnecessária, inútil e injusta». Terry Davis diz que os resultados do referendo «não serão reconhecidos pela comunidade internacional».

A Ossétia do Sul é uma pequena região de 70 mil habitantes, localizada na antiga república soviética da Geórgia. Os ossetas lutam pela independência desde 1990 e controlam a maior parte do território.

A Rússia, que viu as suas relações com a Geórgia degradarem-se nos últimos anos, tem prestado apoio logístico e militar aos ossetas, mas ainda não emitiu uma declaração acerca do referendo de domingo.

Ossétia do Sul, Abecássia e Adjária são três regiões da Geórgia com pretensões independentistas, apoiadas por Moscovo. Enquanto a Adjária aproximou-se de Tbilissi em 2005, na Abecássia e na Ossétia do Sul a situação continua tensa e, frequentemente, degenera em confrontos armados.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Índice Mundial de Desenvolvimento Humano 2006

A Noruega continua a liderar a tabela do índice mundial de desenvolvimento humano 2006 e o Níger mantém-se no último e 177º lugar, enquanto Portugal desceu uma posição em relação ao ano passado, ocupando agora o 28º lugar.

1 Noruega
2 Islândia
3 Austrália
4 Irlanda
5 Suécia
6 Canadá
7 Japão
8 Estados Unidos
9 Suiça
10 Holanda
11 Finlândia
12 Luxemburgo
13 Bélgica
14 Áustria
15 Dinamarca
16 França
17 Itália
18 Reino Unido
19 Espanha
20 Nova Zelândia
21 Alemanha
22 Hong Kong, China
23 Israel
24 Grécia
25 Singapura
26 Coreia, Rep. da
27 Eslovénia
28 Portugal
29 Chipre

BES considera ter sido vítima de um "equívoco"

Em conferência de Imprensa realizada, ontem, em Lisboa, o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Salgado, esclareceu que a "alegada operação de investimento de 500 milhões de euros em que se fundou a investigação nunca se concretizou", considerando que tudo não passou de um "equívoco" e de uma investigação "desadequada".


Tendo em conta que o montante total fiscalizado pelas autoridades espanholas supera 1,8 mil milhões de euros, dos quais apenas 0,4% são relativos a contas do BES, a entidade bancária" considera inusitado que na investigação seja dado relevo e tamanha publicidade à relação dessas entidades com o BES e, ao mesmo tempo, não seja revelado o paradeiro dos restantes 99,6% do total bloqueado". O Banco Espírito Santo ficou indignado pela conotação "indevida e injustificada" com uma alegada fraude fiscal e operação de branqueamento de capitais.


O presidente do Banco Espírito Santo (BES) gostaria "de ter em Espanha o mesmo acolhimento que os bancos espanhóis tiveram em Portugal". Com esta ideia, Ricardo Salgado manifestou ontem a sua "indignação" perante a acção das autoridade espanholas no âmbito das investigações por alegado branqueamento de capitais que, na última quinta-feira, obrigaram ao encerramento da sede do banco em Madrid.


(Será só por ser um Banco Português em Espanha. Não me admirava. Atentem ao número 0,4% do total investigado.)

Timor-Leste: Mari Alkatiri em Lisboa para exames médicos!

O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, deixou Díli, na quarta-feira, com destino a Lisboa, com o objectivo de realizar exames médicos!
Fazendo um comentário mais jucozo: não sabia que o estado da saúde em Portugal era assim tão bom…

A informação foi avançada por fonte do gabinete do primeiro-ministro, José Ramos Horta, e surge na edição desta quinta-feira do Correio da Manhã.

Ainda segundo a mesma fonte, Alkatiri deverá regressar a Timor-Leste «no final do mês».
Ora, tal como com Nino Vieira, que pediu asilo político a Portugal, adivinha-se agora uma situação similar. Alkatiri, fugiria assim ao processo judicial que se adivinha...

O ex-primeiro-ministro desloca-se a Portugal numa altura em que continua a ser investigado pelo Ministério Público timorense sobre um possível envolvimento na crise de Abril e numa eventual distribuição de armas a civis.
Convém relembrar que Portugal perdeu para a Austrália, ao tomar o partido de Alkatiri, ao invés de apoiar Xanana (pró-Austrália) aquando dos recentes tumultos em Díli. Chegou a hora de Alkatiri cobrar.

Aguardemos pela reacção oficial do Palácio das Necessidades.

Recuperação da figura de Estaline feita no PCP

O antigo dirigente comunista Carlos Brito denunciou a proliferação de jovens da JCP "a proclamarem-se estalinistas" e "alguns dirigentes do partido que gostam de ser considerados como tal". "Até o Avante!, pela pena de alguns responsáveis, tem inserido peças reabilitadoras de Estaline", criticou Brito, que falava na noite de terça-feira durante um debate organizado na Biblioteca do Museu República e Resistência, em Lisboa, por iniciativa da Renovação Comunista, finalmente com existência jurídica reconhecida.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Saloio

O Presidente da República já nos vem habituando ao mau-gosto dos seus discursos.
Contudo, na recente Cimeira Ibero-Americana, alcançou um novo patamar da asneira.

Agora, desatou a discursar em portunhol para os chefes de estado e de governo presentes em Montevideu, dizendo "Cumbre", em vez de "Cimeira", ou "democrácia", em vez de "democracia", ou ainda "el año 2008", num contínuo chorrilho de disparates.
Ainda teve tempo para apelidar a capital uruguaia de "Monteviseu" [monte (algum algarvio, de certeza)+Viseu (antiga capital do Cavaquistão, durante o seu mandato como primeiro-ministro)].

É de rir até às lágrimas perante tão acérrima defesa da Nação.
Falta de chá...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Ainda há Pastores?

Parabéns Jorge Pelicano pelo pedaço de um Portugal já esquecido


A presença portuguesa no mundo

Phillip Rapoza, de 56 anos, foi, há poucos dias, empossado Juiz presidente do Tribunal de Recursos do Estado de Massachusetts. Tornou-se, assim, o segundo juiz mais poderoso deste estado de 6.4 milhões de habitantes.
Formado em Yale, é bisneto de uma açoreana que saiu de S. Miguel em 1886 e foi de barco para a América.
Merece amplo destaque, por ter orgulho nas suas raizes lusitanas, e por no seu discurso de posse, em Boston, ter afirmado: "os portugueses são um dos fios com que se tece a tapeçaria americana e eu orgulho-me de ser um deles".
O Juiz Rapoza, que já foi homenageado pelo Estado Português (às vezes acertam...), deverá manter-se no cargo até 2020, ano em que se reformará.
Mais uma lança em África.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Uma nova ditadura

Paulo Pereira, de Almeida, Professor do ISCTE, e investigador

Segundo os dados mais recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o salário médio em Portugal é hoje metade do salário da Grécia - $645 no nosso país e $1167 no país de Atenas - mas o custo médio de vida é inferior para os gregos. Além disso, o indicador de desigualdade social (o chamado índice de Gini que a CIA utiliza como referência nos seus relatórios) coloca Portugal em 27º, abaixo da Grécia (em 24º) e muito abaixo da Espanha (em 21º), transformando o nosso País no Estado Social mais desigualitário da Europa dos 12 (a que pertencemos, recorde-se, desde 1986; há 20 anos, portanto).

É que Portugal - apesar de pequeno - não tem de estar condenado a viver pelos
mínimos, transformando-se numa sociedade onde a classe média não existe e a
pobreza se sente ao virar da esquina.

"Há que saber resistir quando queremos fazer valer a inteligência, o talento e a liberdade de expressão". Tatiana Lobo (1939),

escritora costa-riquenha.

terça-feira, outubro 31, 2006

Finanças Locais, Quem tem Razão?

É natural que as pessoas falem do negativo, que falem do que é anormal, que discutam e apontem os erros. Este comportamento é perfeitamente normal, ainda mais se se tratar de um governo. Ou seja, é óbvio que devemos ter em atenção ao que um Governo faz bem, mas ainda que o saldo seja positivo (algo de que tenho dúvidas que se passe actualmente com o Governo de Sócrates), o nosso olho, a nossa discussão dirige-se sempre para aqueles aspectos altamente criticáveis. Aliás, a discussão só surge da argumentação e contra-argumentação entre duas posições adversiais. Num Governo, o que se faz bem deveria ser o normal, o que se faz mal é o escrutinado.

Não discuto a iniciativa do governo em avançar com uma nova lei das Finanças Locais. É bom que haja rigor, seja em altura de crise seja em altura de bonança. Agora existem ali certos aspectos que me parecem criticáveis e outros sinceramente e à falta de melhor palavra estúpidos. Aprecio o esforço de clarificação e credibilização, na realidade se os políticos estão em crise de credibilidade, então os autarcas ainda mais.

Não terei competências técnicas para avaliar na plenitude a proposta de lei, mas parece-me que se até os autarcas do PS estão contra, então aqui há bicho. Como refere a ANMP, parece-me injusto que sendo as 308 autarquias responsáveis por 5% da dívida total do estado e 0% pelo défice, que sejam elas a arcar com as consequências dos cortes orçamentais. Além disso as autarquias queixam-se da perda de autonomia e parece-me que têm alguma razão.

Mas a medida mais inútil ainda é a do IRS flexível, seja em 3% ou 5%. Ninguém se vai mudar por exemplo de Cantanhede para Freixo de Espada a Cinta porque paga menos IRS. Esta medida parece-me inútil pois só vai empobrecer os Municípios, sendo que essa flexibilidade sai do quinhão das autarquias e não do Governo. Esta medida só irá acentuar as dificuldades dos municípios do interior em obter receitas e consequentemente ainda mais dificuldades. Posto isto, para que serve esta medida?

As Câmaras possuem ainda que limitados, instrumentos para atrair investimento, que por sua vez traz emprego, e por arrasto população.

Sendo assim não seria mais normal que esta tónica na flexibilidade fosse no IRC. Não seria mais frutífero que as autarquias pudessem atrair mais investimento e emprego. Indo mais longe, deveria ser o próprio Governo a delimitar essas margens, pois ainda assim seriam os municípios mais fortes com maior poder de baixar impostos. Se o País anda a duas velocidades, tem de se governar de duas formas, se necessário com dois sistemas.
Porque não se dá prioridade ao financiamento de projectos nos municípios do interior. Escolas e maternidades fechadas, urgências encerradas (ainda que eu acredite que devam existir reestruturações de redes). Quem sofre mais, o Interior. Não há estratégias a nível nacional para a desertificação populacional, aliás, a estratégia parece ser levar todos para o Litoral e pôr o resto do País como reserva natural.

segunda-feira, outubro 30, 2006

Obrigado Xanana

Xanana Gusmão, Presidente da República de Timor, orgulhoso benfiquista e cultor das letras lusófonas, distinguiu-se, enquanto líder de guerrilha, por falar em português em todas os comunicados que fazia.
Logo foi apelidado de defensor da língua portuguesa e dos valores lusos, algo que foi branqueando o que há muito se desconfiava e era comentado à "boca-pequena" nos meios diplomáticos: Xanana defendia quem melhor o conseguia convencer, e para isso era preciso recorrer ao todos os argumentos (nomeadamente financeiros).
Portugal, ao tomar a dianteira no processo de "libertação" timorense, empenhou-se quer económica, quer diplomaticamente no sucesso dos seus argumentos. E venceu, vergando a Indonésia. Algo inimaginável, não fosse a simpatia do democrata Clinton.

Nos tempos mais recentes, Xanana vem dando razão aos que desconfiavam do seu "amor" pela pátria lusa. E fê-lo dando mais uma machadada na cooperação portuguesa, ao pôr o filho a estudar numa escola... inglesa.
Não se podia esperar, aliás, outra coisa. Afinal, já nas negociações para a exploração do petróleo do mar timorense, Portugal ficou a perder para os italianos.
Nos outros negócios, são os australianos que fazem a festa, atiram os foguetes e recebem as canas, nada adiantando as débeis investidas de governantes portugueses por Dili.

Obrigado Xanana.

quinta-feira, outubro 26, 2006

"Dificuldades" nas comunicações entre Rússia e Portugal provocam "crise política" na Carélia

Durante a sua "conversa" com o povo, transmitida por todos os canais de televisão e rádio russos, o Presidente Vladimir Putin queixou-se de que não conseguia entrar em contacto telefónico com Serguei Katanandov, dirigente da República da Carélia, território da Federação da Rússia situado na fronteira com a Finlândia.
Putin fez esta afirmação ao responder a uma pergunta de uma telespectadora sobre a sua posição face aos acontecimentos na cidade carélia de Kondogopa, onde confrontos entre russos e caucasianos provocou vários mortos no passado mês de Setembro. Tatiana Konachkova, habitante dessa cidade, queixou-se da inactividade das autoridades e perguntou a Putin: "Será que precisamos de semelhantes autoridades?"
"Não precisamos. Não precisamos nem de provocadores, por um lado, nem de corruptos, por outro" - disparou o dirigente russo e, depois de sublinhar que já tinham sido demitidos uma série de dirigentes da polícia e serviços secretos locais, rematou: "Tentei várias vezes entrar em contacto com o vosso dirigente, o chefe do Governo da Carélia, mas ou viaja de avião, ou está de férias. Mas ainda iremos conversar muito a sério com ele sobre isso".
Mais sorte do que o "czar russo" tiveram os jornalistas do tabolóide "Tvoi den", que conseguiram explicar a razão dos problemas de comunicações entre Putin e Katanandov. Segundo o jornal, "Serguei Katanandov encontra-se a passar férias em Portugal", mas com o conhecimento e o consentimento do representante do Presidente Putin no Círculo Federal do Noroeste, onde se encontra a Carélia.
"Presentemente, o chefe passa férias em Portugal, mas, agora, as comunicações já funcionam bem e, ontem, com ele conversaram membros do Governo da Carélia" - declarou o porta-voz de Katanandov.
Se episódio semelhante acontecesse durante a época comunista, Serguei Katanandov teria duas alternativas: ou pedia refúgio político em Portugal, ou regressava ao seu país, onde, no melhor dos casos, passaria uns bons anos num campo de concentração, ou simplesmente seria fusilado. Hoje, semelhante incidente significa que Katanandov poderá ter de deixar de ser Presidente da Carélia depois de regressar de férias em Portugal.
Ainda se desconhece se as dificuldades nas comunicações entre o Kremlin e Katanandov aconteceram por culpa dos operadores portugueses ou russos, mas as companhias telefónicas lusas deverão sair inocentes deste escândalo. Isto porque, antes, Putin já teve dificuldade de telefonar ao Procurador-Geral da Rússia quando este pôs na prisão um conhecido oligarca russo, bem como a outros dirigentes russos, que, nesses momentos, se encontravam em território russo, e não a passar férias em Portugal.
Como as autoridades e empresas de turismo portuguesas praticamente nada fazem para vender Portugal como destino turístico na Rússia, este incidente de Putin com Katanandov pode reflectir-se "negativamente" como destino turístico para os russos!

segunda-feira, outubro 23, 2006

Jogos da Lusofonia

É bom que se abra um debate sobre se todas as regiões e países, com maior ou menor afinidade com a lusofonia, e consequentemente com Portugal, podem ou devem participar nos Jogos da Lusofonia (JL).
Ponho esta questão, na semana em que foi noticiado o desejo de a Galiza participar activamente nos jogos de 2009. E esta vontade já vem de há vários anos... e é fácil de ver porquê...
Mas tudo ameaça ruir. O Comité Olímpico Espanhol, ou lá como se chama, não autoriza esta participação "olímpica". Justificação?
Eu avanço uma: têm simplesmente medo de a Galiza estreitar ainda mais as históricas relações com Portugal. E é de medinho que se trata, numa época em que a revisão do estatuto das autonomias trouxe a designação de "nações" a algumas regiões, como por exemplo à G-A-L-I-Z-A.

quinta-feira, outubro 19, 2006

Rei Juan Carlos abateu um urso bêbado na Rússia

No passado mês de Agosto, Juan Carlos, rei da Espanha, visitou, a título pessoal, a Rússia e, nomeadamente, o Distrito de Vologda, situado a Nordeste de Moscovo.
Não é todos os dias, nem meses, nem anos, que uma região provincial russa recebe um monarca e, por isso, os dirigentes locais decidiram esmerar-se na recepção, tendo, antecipadamente, estudado os gostos de Juan Carlos.
O coroado hóspede não escondeu que é um aficcionado da caça, tanto mais num país onde a diversidade cinegética é grande, e as autoridades locais organizaram a “caça ao urso”.
Segundo denuncia Serguei Starostin, dirigente do Departamento local de Protecção dos Recursos Cinegéticos, “o rei abateu, durante a caçada, um urso domesticado, além disso emborrachado previamente com vodka”.
“Os falsificadores da caça sacrificaram um urso bondoso e alegre, chamado Mitrofan, que vivia na casa de repouso da aldeia de Novlenski” – denuncia Starostin, numa carta enviada ao governador do distrito, e continua: “Depois de o terem encharcado fartamente de vodka, misturada com mel, lançaram-no para um campo. Claro que o pesado animal embriagado se tornou um alvo fácil. Sua Alteza, Juan Carlos, abateu o Mitrofan de um só disparo”.
Starostin escreve que não se trata do primeiro caso de “caça falsificada”, tendo, anteriormente, sido utilizados outros animais como alvos, nomeadamente lobos.
Claro que nem o rei do país irmão (dos portugueses), nem o governador da região faziam a mínima ideia do estado em que se encontrava o urso. “Em geral, isso era do conhecimento de um círculo muito restrito de pessoas. Mas, em determinadas situações, o círculo pode-se tornar muito amplo” – remata Starostin.
“Pretendíamos fazer da melhor forma, mas o resultado é sempre o mesmo...” – dizia Victor Tchernomirdin, antigo Primeiro-Ministro da Rússia e actual Embaixador do seu país na Ucrânia.

quarta-feira, outubro 18, 2006

E o Presidente gasta e gasta...

Em contraciclo com a diminuição do poder de compra da generalidade dos portugueses e num País cada vez mais depauperado, o Presidente da República, segundo o Orçamento de Estado para 2007, irá gastar mais 3.1% (relativamente a 2006). A despesa da Presidência da República passou de 16.2 milhões de euros (2006) para 16.7 milhões (2007).
Os jornais, aqueles que leêm o OE, acham que a subida é pequena, convenientemente.
Sua Excelência não deve ser incomodada no seu recato. Eu percebo... Está numa torre de marfim, inacessível ao comum mortal, por mais festas do 5 de Outubro que se façam.
E, já agora, onde andará a "ética republicana"?
O País que, na generalidade é castigado, é o mesmo País onde o PR vive? Se é, deve haver alguma confusão.
Erros de casting.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Jogos da Lusofonia

È verdade, perdi qualquer tipo de orgulho que tinha neste país. Se falo nas coisas que podem dar orgulho a um português sou acusado de saudosista. Mas olho para o panorma actual e só vejo uma cambada de ígnaros, sedentos de dinheiro, sem alma e sem coração. Vejo um povo desunido, desiludido e ignorante.

Este texto de desilusão é espoletado por um facto. A completa ignorância votada a Portugal.

Neste momento decorre um evento que celebra o que é ser Português, o que é ser Portugal. Um evento que alia o pouco que nos resta como cultura, a lusofonia, que promove a paz, a compreensão e a celebração de culturas tão díspares e no entanto tão próximas. Um evento que tenta deitar para trás as sombras do colonialismo e criar uma cultura de fraternidade entre povos com um passado em comum. Um evento grandioso, que une em competição sã, povos espalhados por quatro continentes.

Qual o eco que tem em Portugal? Zero. Um redondo e gordinho zero. Tal como as gentes deste país. Zero. Dou uma vista de olhos pelos jornais... Principalmente os de referência (Cada vez mais penso que o Correio da Manhã é o melhor jornal português)... Nada. Dou uma vista nos desportivos... Alguma Coisa. Passo o olhos pelos blocos informativos na televisão... o deserto.

Decorrem os primeiros jogos da Lusofonia, que importância é dada a isso em Portugal? uma marginalidade atroz. Nós Portugal, que deveriamos ser os primeiros a apoiar tal organização, a apoiar tal evento, a elevar esse espírito que se pretende, somos os primeiros a ignorar, a esconjurar.

Benditos grupinhos de portugueses com ideias, que se alevantam acima da comum ignorância.

Este país é um barco de ratos, que renega a sua alma. Interessante que se dê mais relevo a uma regata inspirada na velha tradição Oxford-Cambridge, ainda assim quase ignorando o Facto de ter competido um barco Português que por acaso ficou em segundo, e se ignore completamente os miní Jogos Olimpicos que decorrem em Macau.

Esses Jogos da Lusofonia, são um sonho, o sonho de alguns que julgam que Portugal merece algum tipo de consideração. E não me admira que não existam os Segundos Jogos da Lusofonia, e o primeiro tiro, o primeiro buraco no barco, veio deste país que a qualificação verbal não pode aqui ser descrita.

Há muito que me desiludia este país, agora morreu a vontade de fazer qualquer coisa por ele.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Aniversário

Faz 96 anos esta República das Bananas que tanto (ou melhor tão pouco) Trouxe a este país