terça-feira, novembro 21, 2006

«O Mistério de Colombo Revelado»

15 anos de investigação científica rigorosa arrasam a versão da historiografia oficial.

«O Mistério de Colombo Revelado» (Edições e Multimédia) é um estudo aturado, com 648 páginas, onde se prova que Colombo não era genovês, mas sim um espião português ao serviço de D. João II.

Publicado em Novembro de 2006, este ensaio de investigação histórica dedicado à vida do «descobridor da América», conhecido em Portugal pelo nome de Cristóvão Colombo, marcará certamente a historiografia colombina.

Conta com o prefácio do escritor e jornalista José Rodrigues dos Santos, autor do romance «O Codex 632», e foi apresentado no dia 27 de Outubro, no auditório Victor de Sá da Universidade Lusófona, em Lisboa, pelo Prof. Doutor José Carlos Calazans, historiador da Expansão Portuguesa.
O co-autor Manuel da Silva Rosa esteve presente no lançamento em Lisboa, tal como na inauguração da estátua a Colon em Cuba.

Alegre apresenta 4ª feira «Dom Duarte e a Democracia»

O socialista Manuel Alegre vai apresentar, na próxima quarta-feira, pelas 19 horas, na Sala Teatro Gymnasium do Centro Comercial Espaço Chiado, na Rua da Misericórdia (em frente do Restaurante Tavares Rico), em Lisboa, uma biografia de D. Duarte, intitulada «Dom Duarte e a Democracia», da autoria de Mendo Castro Henriques, professor na Universidade Católica e dirigente do Instituto de Defesa Nacional, com posfácio de Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles.

Este livro editado pela Bertrand, integra o testemunho de várias personalidades, como Mário Soares, o Príncipe Eduardo de Inglaterra e o Pascoal Mocumbi, primeiro-ministro de Moçambique.

«Dom Duarte e a Democracia» será igualmente apresentado no Porto, na quinta-feira, pelo presidente do banco Millenium bcp, Paulo Teixeira Pinto.

Camarate dependente de apoio a proposta socialista

O PSD ainda poderá conseguir levar Camarate a julgamento, caso mostre disponibilidade para apoiar a proposta socialista de criação da figura de Procurador Geral especial, para os casos em que as comissões parlamentares de inquérito concluam haver indícios de crime em processos arquivados pelo Ministério Público.
A notícia surge na edição desta terça-feira do jornal Público, que garante que o acordo ainda pode ser alcançado à sombra do Pacto para a Justiça, assinado pelos dois partidos em Setembro, mas as negociações só vão começar agora, depois de ambos os partidos terem anunciado a ruptura.

Ao que o Público apurou, a ideia de tentar reavivar Camarate terá surgido nas negociações ao mais alto nível do Pacto para a Justiça, negociado pelos líderes do PS e PSD e assinado pelos respectivos grupos parlamentares, embora nunca tenha sido trabalhada uma solução concreta no âmbito das reuniões técnico-políticas que envolveram ministro e secretário de Estado da Justiça, coordenador da reforma penal e deputados.

A questão surgiu mais tarde, quando há pouco mais de duas semanas a própria comissão política nacional do PSD sugeriu ao grupo parlamentar que tentasse encontrar uma fórmula jurídica que possibilitasse reabrir o processo de Camarate, no âmbito da revisão dos inquéritos parlamentares.

Isto porque o acidente em que morreram Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa, primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros, em 1980, foi investigado numa comissão de inquérito que concluiu pela existência de indícios novos de crime, mas o processo foi encerrado pelo Ministério Público mesmo assim, por supostamente ter prescrito.

Tribunal dá razão ao Grupo dos Amigos de Olivença

Governantes do Estado Espanhol arguidos em processo penal

O Tribunal da Relação de Évora, dando total provimento ao Recurso apresentado pelo GAO, no âmbito do Processo Penal que corre na Comarca de Elvas relativo às obras ilegais efectuadas na Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, determinou que o Tribunal Judicial de Elvas realizasse a Instrução Penal naqueles autos, devendo ser constituídos arguidos os representantes do Governo Espanhol (Ministro do Fomento, Director General de Carreteras e Sub-director General de Arquitectura), os Administradores da Sociedade Freyssinet, SA, e os Presidentes do Instituto Português do Património Arquitectónico e da Câmara Municipal de Elvas.
Oportunamente, o GAO participou das referidas entidades pela prática de crimes públicos de dano (quanto aos governantes espanhóis e aos administradores da empresa empreiteira) e de denegação de justiça (quanto aos titulares das instituições portuguesas), ilícitos cometidos com a intervenção clandestina e ilegal no indicado Imóvel de Interesse Público - a Ponte de Nossa Senhora da Ajuda, situada entre Elvas e Olivença – em Março de 2003, tendo-se constituído Assistente nos autos.
Em acórdão claro e impressivo, o Tribunal da Relação de Évora decidiu agora, «concedendo provimento ao recurso, revogar o despacho recorrido, que deverá ser substituído por outro que admita o requerimento para abertura de instrução formulado, não ocorrendo fundamento legal impeditivo».
O GAO, congratulando-se com o Acórdão ora proferido, aguarda com muita expectativa o desenvolvimento do processo penal - que, como Assistente, continuará a acompanhar - confiando que, naturalmente, não deixará de ser apurada a responsabilidade das entidades arguidas, designadamente a dos representantes do Governo Espanhol.

sexta-feira, novembro 17, 2006

Vitória e grande oportunidade para o Português!

Foi hoje aprovada, pelo Parlamento Europeu, em Estrasburgo, por 537 votos a favor, 50 contra e 59 abstenções, uma resolução sobre o novo quadro estratégico para o multilinguismo, as quais assumem particular relevância para a língua portuguesa:

E. Considerando que algumas línguas europeias são também faladas em muitos outros países terceiros e constituem um importante elo entre os povos e nações de diferentes regiões do mundo,

F. Considerando que algumas línguas europeias se prestam particularmente ao estabelecimento de uma comunicação directa com outras regiões do mundo;

3. Reconhece a importância estratégica das línguas europeias de comunicação universal como veículo de comunicação e como forma de solidariedade, cooperação e investimento económico e, por conseguinte, como uma das principais directrizes da política europeia em matéria de multilinguismo;

Já em 8 de Abril de 2003, foi aprovado um texto que se reconhece que "a língua portuguesa é, em número de falantes, a terceira língua europeia de comunicação universal.".

Em virtude da aprovação daqueles novos considerandos e parágrafo, o Parlamento Europeu afirma que a Europa não pode fechar-se sobre si própria, mas deve atender ao resto do mundo e à capacidade de comunicar à escala global. E que algumas línguas são ferramentas preciosas nesse sentido.

Está, assim, assegurado maior equilíbrio e sentido estratégico a este importante documento, valorizando devidamente as línguas que, como o português, têm grande difusão a nível global.

Recorda-se que o inglês é a língua oficial de 350 milhões de pessoas. Para 280 milhões, o espanhol. Para 230 milhões, o português. E para 125 milhões, o francês. Estes números e a dispersão geográfica dos falantes tornam clara a importância das línguas europeias que têm uma projecção global, e, por isso, a capacidade para manter e aprofundar relações e contactos directos, sem mediação, com outras partes do mundo.

Tratou-se, por isso, de uma grande vitória para a Língua Portuguesa que fica assim com caminho aberto para ver plenamente valorizada a sua importância a nível global.

Fica aberta a porta para que possa ser exigida maior promoção activa do ensino e aprendizagem das línguas, como o português, que têm esse potencial e que devem ser promovidas na UE como segunda, terceira ou quarta línguas de aprendizagem.

E abre-se, também, outro caminho de entendimento renovado para a política de cooperação da UE: a de que também se faz em Português. Quando estiver em causa a cooperação no espaço lusófono, é inequívoco que essa é cooperação não é apenas portuguesa, mas também uma cooperação de toda a Europa, falada em Português.

quinta-feira, novembro 16, 2006

A casa mais antiga de Los Angeles é portuguesa!



A casa mais antiga de Los Angeles, construída em e ainda hoje existente, foi construída por António José Rocha, um português que estava embarcado na escuna Columbia e que fugiu para terra no Verão de 1815. Estava entre os 11 desertores deste barco, sendo que todos foram detidos menos ele.

Não resisto a citar:
"Rocha fled south to Los Angeles where he was accepted by the citizens and became the first foreigner to reside there. He started a blacksmith business and soon built a fine adobe house in town. His spacious home was situated on west side of Spring Street between Temple and 1st Streets. This site is now the parking lot of the Criminal Courts Building. It was at this house that he entertained explorer James Ohio Pattie in 1828. In 1855, the City and County of Los Angeles acquired this adobe for use as a meeting place for the city council and the county board of supervisors. It also served as a courthouse, sheriff's office and a jail, which was added to the rear of the structure. Furthermore, the former Rocha town house had the distinction of being Los Angeles' first city hall.



Rocha became one of the most respected residents of the pueblo and was naturalized as a Mexican citizen in 1831. In 1836, a forty-five year old Rocha moved to Santa Barbara where he lived with his wife, Josefa Alvarado, and their five children. Between 1828 and 1831, Rocha built a single story "L" shaped adobe hacienda at the southwest quadrant of Rancho La Brea. The original roof of this adobe was flat and there is little doubt that pitch from the tar geysers located less than a mile to the south was used to cover it. Although Rocha built this beautiful home on his rancho, he may have never lived there. He preferred his larger house in town, as did many other rancheros. Adobes were built on ranchos to comply with the Mexican law to have a structure built upon a given property within a year of its granting. These rancho adobes were usually occupied by the mayordomos (ranch managers)."


Portugal sem fim.

quarta-feira, novembro 15, 2006

Nevoeiro impede Cavaco de assistir a exercício «Lusíada 06»

"Nevoeiro"...
Simplesmente ridículo e exemplificativo do estado das nossas Forças Armadas. E o senhor Presidente não se podia constipar!

"A participação do Presidente da República, Cavaco Silva, e do ministro da Defesa, Nuno Severiano Teixeira, no exercício «Lusíada 06», a decorrer em S. Jacinto, Ovar, foi cancelada em resultado do nevoeiro cerrado que esta manhã se abateu sobre Lisboa.

As condições meteorológicas impediram a descolagem do avião militar P3 Orion que deveria transportar o Chefe de Estado e a comitiva presidencial do aeroporto militar de Figo Maduro, em Lisboa, para o Aeródromo de Manobra Nº1, em Ovar.

No «Lusíada 06», que teve início a 06 de Novembro e termina quarta-feira, participam cerca de 1.260 militares dos três ramos das Forças Armadas.

O exercício, que decorre num país fictício denominado «Zululand», visa testar a resposta da Força de Reacção Imediata (FRI) numa operação de recolha de cidadãos em cenário de instabilidade, sob o comando operacional do Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, almirante Mendes Cabeçadas.

Durante a visita, o Chefe de Estado (por inerência Comandante Supremo das Forças Armadas) deveria visitar a área militar de São Jacinto, os postos de comando da FRI e as componentes terrestre e aérea do exercício, bem como assistir a uma operação de evacuação de cidadãos não-combatentes.

No exercício participam, pela Marinha, cinco navios, uma companhia de fuzileiros, um grupo de combate de acções especiais, uma equipa de mergulhadores sapadores e pessoal técnico do Instituto Hidrográfico.

O Exército português emprega uma companhia de páraquedistas da Brigada de Reacção Rápida, militares do Centro de Instrução de Operações Especiais, um grupo de militares do Regimento de Engenharia nº 3 e pessoal técnico da Escola Prática de Artilharia e do Instituto Geográfico do Exército.

A Força Aérea Portuguesa disponibiliza o Aeródromo de Manobra nº1 em Ovar e 12 aeronaves, entre as quais um C-130, seis F-16, e dois helicópteros Alouette III."

terça-feira, novembro 14, 2006

Coimbra

Reeleito presidente luso-canadiano no Ontário

Câmara de Kingsville
Reeleito presidente luso-canadiano no Ontário
Nelson Santos foi reeleito presidente da Câmara da cidade de Kingsville, província de Ontário, Canadá, nas eleições realizadas segunda-feira

Apesar das várias candidaturas, muitos luso-canadianos não conseguiram subir à vereação nos municípios da província do Ontário, perdendo-se designadamente a presença de origem portuguesa da Câmara de Toronto.

Porém, foram vários os casos em que gestores escolares (trustees) lusos consolidaram as posições.

Momentos após o apuramento dos resultados finais em Kingsville, já durante a noite de segunda-feira (madrugada de terça-feira em Portugal), Nelson Santos manifestou à Lusa grande satisfação pela reeleição, indicando ter obtido «61 por cento da votação total», apesar de ter concorrido contra o seu antecessor, que este ano voltou a recandidatar-se.

«Foi uma campanha dura. Tivemos que abordar os principais temas para o desenvolvimento desta cidade, onde queremos dar mais qualidade de vida às pessoas», enalteceu.

Entre as prioridades para o próximo mandato de quatro anos, Nelson Santos enunciou a continuação do investimento em infra-estruturas, assim como dar atenção às zonas de praia e frente ao mar.

Nascido no Canadá e filho de portugueses da região de Fátima, Nelson Santos, 36 anos, é o único presidente de origem lusa numa câmara no Ontário: Kingsville, a qual conta com cerca de 19 mil habitantes.

Em Toronto, a presença de origem portuguesa foi assegurada na comissão directiva das escolas públicas de ensino em inglês (Toronto District School Board - TDSB), tendo Maria Rodrigues sido reeleita por Davenport com 44 por cento.

Neste bairro bem português da cidade de Toronto, confimou-se a preferência pelos três candidatos luso-canadianos, todos terminando à frente de concorrentes de origem hispânica.

A mais directa opositora de Maria Rodrigues, a luso- canadiana Nellie Pedro quedou-se pelos 31,1 por cento, enquanto John Costa foi o terceiro posicionado, com 18,5 por cento do total dos votos.

Na sua área de influência, a TDSB (a maior comissão directiva escolar do Canadá) tem 558 escolas frequentadas por mais de 280 mil alunos, gerindo um orçamento anual de 2,4 mil milhões de dólares canadianos (1,6 mil milhões de euros).

Nas eleições para a Câmara de Toronto - que, além do presidente de Câmara, elegem 44 vereadores de câmara e os gestores das quatro comissões escolares - Paul Ferreira não conseguiu ser eleito vereador, apesar de ser o segundo mais votado no seu bairro eleitoral de York South-Weston, com 36,3 por cento.

Também Peter Ferreira, presidente do Congresso Nacional Luso-Canadiano e do Conselho Etno-cultural Canadiano, não conseguiu o lugar de vereador na câmara de Mississauga (grande cidade na Área da Grande Toronto), obtendo 35,14 por cento dos votos, ficando no seu bairro eleitoral atrás da já actual titular do cargo, reconduzida nestas eleições.

Em outros distritos eleitorais, aguardava-se a vitória previsível de Manuel da Silva em Cambrigde para "trustee" da comissão directiva das escolas católicas de Waterloo.

Por sua vez, Eduardo Viana permanece o mais antigo trustee de origem portuguesa no Canadá, tendo registado uma reeleição incontestada para a comissão directiva das escolas católicas de Halton-Oakville.

Embora candidato à mesma comissão escolar, o advogado açoriano Paul de Melo não conseguiu nestas eleições os votos necessários para se juntar a Eduardo Viana.

Nestas eleições duas câmaras estavam sob grandes atenções - Toronto (capital da província) e Otava (capital do país).

O actual edil de Toronto, David Miller, não teve opositores à altura, atingindo 57 por cento, mas em Otava, Bob Chiarelli, presidente de câmara, foi notoriamente «chumbado» pelo eleitorado, ficando no terceiro posto das preferências.

A celebrar a vitória em Otava está Larry O'Brien, que tomará posse a 1 de Dezembro como o novo presidente de câmara, tendo nesta eleições sido segundo o candidato Alex Munter.

A viabilidade da Madeira (1)

Álvaro Santos Pereira
Universidade de York

Uma das questões mais controversas dos últimos tempos foi a ameaça implícita do presidente regional da Madeira de que os fantasmas separatistas seriam reavivados pela alegada afronta do Governo central, que ameaçou cortar as transferências fiscais para a região autónoma.

De certa forma, a controvérsia não é nova. Porém, o recurso ao trunfo independentista pode alterar por completo a relação entre o Continente e a Madeira. É óbvio que uma hipotética declaração de independência madeirense teria de ser aprovada pelos órgãos de soberania e pelas respectivas populações, provavelmente em referendo. Como não existem grandes estudos de opinião sobre o tema, é difícil vaticinar o resultado de tal inquérito. Mesmo assim, já que o argumento independentista foi usado, interessa analisar se uma Madeira independente é viável economicamente. Vejamos então o que os números nos indicam.

A Madeira tem actualmente cerca de 245 mil habitantes. Aproximadamente 82% de todos os trabalhadores estão no sector terciário, 16% no sector secundário e menos de 3% no primário. A nível do rendimento per capita, a Madeira tem sido a região do País que mais progresso registou nos últimos anos. Segundo o INE, se em 1995 o rendimento de um madeirense médio era cerca 95% de um português médio, em 2005 um madeirense possuía já 12% do rendimento médio continental.

A nível europeu, o progresso do rendimento madeirense foi igualmente apreciável. Enquanto Portugal continental quase não convergiu com a UE-15 a partir dos finais dos anos 90, a Madeira aumentou o seu rendimento per capita de 63% do rendimento europeu em 1995 para 82% em 2003. Ora, grande parte da celeuma actual é exactamente relacionada com o desenvolvimento económico da região autónoma.

De facto, a Madeira está a ser vítima do seu próprio sucesso. Como os fundos estruturais afluem maioritariamente para as regiões com menos de 75% do rendimento per capita europeu, a Madeira verá automaticamente diminuir de forma drástica os generosos subsídios que a sua posição ultraperiférica e o seu baixo rendimento lhe concediam.

Para agravar a situação do governo madeirense, o Governo central ameaça agora cortar seriamente as transferências fiscais para a região autónoma, com o argumento de que o governo regional violou os preceitos da legislação do OE 2005. Ou seja, o governo regional da Madeira vê-se a braços com uma situação provavelmente insustentável a nível fiscal. É por isso que a carta separatista foi apresentada agora com mais vigor. No próximo artigo veremos se esta carta independentista tem pernas para andar, isto é, se é viável para a Madeira tornar-se financeira e economicamente independente de Portugal continental. A resposta talvez seja surpreendente.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Pilhéria

Carta atribuída a Pina Manique, antes de ser promovido a Intendente Geral do Reino, ao Duque de Cadaval, Corregedor Mor do Reino e, presumo, então seu superior:

"Exmo. Sr. Duque de Cadaval:

Se meu nascimento, embora humilde, mas tão digno e honrado como o da mais alta nobreza, me coloca em circunstância de V. Excia. me tratar por TU,
- Caguei para mim que nada valho.

Se o alto cargo que exerço, de Corregedor da Justiça do Reino em Santarém, permite a V. Excia., Corregedor Mor da Justiça do Reino, tratar-me acintosamente por TU,
- Caguei para o cargo.

Mas, se nem uma nem outra coisa consente semelhante linguagem, peço a V. Excia. que me informe com brevidade sobre estas particularidades, pois quero saber ao certo se
- devo ou não Cagar para V. Excia.

Santarém, 22 de outubro de 1795
PINA MANIQUE
Corregedor de Santarém "

Conselho da Europa recusa independência da Ossétia do Sul

A pequena região da Ossétia do Sul votou em referendo, este domingo, a separação da Geórgia, mas o Conselho da Europa não reconhece o resultado da votação.

Em causa está a exclusão dos cidadãos de etnia georgiana da participação no referendo de domingo, que terá dado o «sim» à independência da Ossétia do Sul.

O secretário-geral do Conselho da Europa afirma que a votação foi «desnecessária, inútil e injusta». Terry Davis diz que os resultados do referendo «não serão reconhecidos pela comunidade internacional».

A Ossétia do Sul é uma pequena região de 70 mil habitantes, localizada na antiga república soviética da Geórgia. Os ossetas lutam pela independência desde 1990 e controlam a maior parte do território.

A Rússia, que viu as suas relações com a Geórgia degradarem-se nos últimos anos, tem prestado apoio logístico e militar aos ossetas, mas ainda não emitiu uma declaração acerca do referendo de domingo.

Ossétia do Sul, Abecássia e Adjária são três regiões da Geórgia com pretensões independentistas, apoiadas por Moscovo. Enquanto a Adjária aproximou-se de Tbilissi em 2005, na Abecássia e na Ossétia do Sul a situação continua tensa e, frequentemente, degenera em confrontos armados.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Índice Mundial de Desenvolvimento Humano 2006

A Noruega continua a liderar a tabela do índice mundial de desenvolvimento humano 2006 e o Níger mantém-se no último e 177º lugar, enquanto Portugal desceu uma posição em relação ao ano passado, ocupando agora o 28º lugar.

1 Noruega
2 Islândia
3 Austrália
4 Irlanda
5 Suécia
6 Canadá
7 Japão
8 Estados Unidos
9 Suiça
10 Holanda
11 Finlândia
12 Luxemburgo
13 Bélgica
14 Áustria
15 Dinamarca
16 França
17 Itália
18 Reino Unido
19 Espanha
20 Nova Zelândia
21 Alemanha
22 Hong Kong, China
23 Israel
24 Grécia
25 Singapura
26 Coreia, Rep. da
27 Eslovénia
28 Portugal
29 Chipre

BES considera ter sido vítima de um "equívoco"

Em conferência de Imprensa realizada, ontem, em Lisboa, o presidente da Comissão Executiva do BES, Ricardo Salgado, esclareceu que a "alegada operação de investimento de 500 milhões de euros em que se fundou a investigação nunca se concretizou", considerando que tudo não passou de um "equívoco" e de uma investigação "desadequada".


Tendo em conta que o montante total fiscalizado pelas autoridades espanholas supera 1,8 mil milhões de euros, dos quais apenas 0,4% são relativos a contas do BES, a entidade bancária" considera inusitado que na investigação seja dado relevo e tamanha publicidade à relação dessas entidades com o BES e, ao mesmo tempo, não seja revelado o paradeiro dos restantes 99,6% do total bloqueado". O Banco Espírito Santo ficou indignado pela conotação "indevida e injustificada" com uma alegada fraude fiscal e operação de branqueamento de capitais.


O presidente do Banco Espírito Santo (BES) gostaria "de ter em Espanha o mesmo acolhimento que os bancos espanhóis tiveram em Portugal". Com esta ideia, Ricardo Salgado manifestou ontem a sua "indignação" perante a acção das autoridade espanholas no âmbito das investigações por alegado branqueamento de capitais que, na última quinta-feira, obrigaram ao encerramento da sede do banco em Madrid.


(Será só por ser um Banco Português em Espanha. Não me admirava. Atentem ao número 0,4% do total investigado.)

Timor-Leste: Mari Alkatiri em Lisboa para exames médicos!

O ex-primeiro-ministro de Timor-Leste, Mari Alkatiri, deixou Díli, na quarta-feira, com destino a Lisboa, com o objectivo de realizar exames médicos!
Fazendo um comentário mais jucozo: não sabia que o estado da saúde em Portugal era assim tão bom…

A informação foi avançada por fonte do gabinete do primeiro-ministro, José Ramos Horta, e surge na edição desta quinta-feira do Correio da Manhã.

Ainda segundo a mesma fonte, Alkatiri deverá regressar a Timor-Leste «no final do mês».
Ora, tal como com Nino Vieira, que pediu asilo político a Portugal, adivinha-se agora uma situação similar. Alkatiri, fugiria assim ao processo judicial que se adivinha...

O ex-primeiro-ministro desloca-se a Portugal numa altura em que continua a ser investigado pelo Ministério Público timorense sobre um possível envolvimento na crise de Abril e numa eventual distribuição de armas a civis.
Convém relembrar que Portugal perdeu para a Austrália, ao tomar o partido de Alkatiri, ao invés de apoiar Xanana (pró-Austrália) aquando dos recentes tumultos em Díli. Chegou a hora de Alkatiri cobrar.

Aguardemos pela reacção oficial do Palácio das Necessidades.

Recuperação da figura de Estaline feita no PCP

O antigo dirigente comunista Carlos Brito denunciou a proliferação de jovens da JCP "a proclamarem-se estalinistas" e "alguns dirigentes do partido que gostam de ser considerados como tal". "Até o Avante!, pela pena de alguns responsáveis, tem inserido peças reabilitadoras de Estaline", criticou Brito, que falava na noite de terça-feira durante um debate organizado na Biblioteca do Museu República e Resistência, em Lisboa, por iniciativa da Renovação Comunista, finalmente com existência jurídica reconhecida.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Saloio

O Presidente da República já nos vem habituando ao mau-gosto dos seus discursos.
Contudo, na recente Cimeira Ibero-Americana, alcançou um novo patamar da asneira.

Agora, desatou a discursar em portunhol para os chefes de estado e de governo presentes em Montevideu, dizendo "Cumbre", em vez de "Cimeira", ou "democrácia", em vez de "democracia", ou ainda "el año 2008", num contínuo chorrilho de disparates.
Ainda teve tempo para apelidar a capital uruguaia de "Monteviseu" [monte (algum algarvio, de certeza)+Viseu (antiga capital do Cavaquistão, durante o seu mandato como primeiro-ministro)].

É de rir até às lágrimas perante tão acérrima defesa da Nação.
Falta de chá...

quinta-feira, novembro 02, 2006

Ainda há Pastores?

Parabéns Jorge Pelicano pelo pedaço de um Portugal já esquecido


A presença portuguesa no mundo

Phillip Rapoza, de 56 anos, foi, há poucos dias, empossado Juiz presidente do Tribunal de Recursos do Estado de Massachusetts. Tornou-se, assim, o segundo juiz mais poderoso deste estado de 6.4 milhões de habitantes.
Formado em Yale, é bisneto de uma açoreana que saiu de S. Miguel em 1886 e foi de barco para a América.
Merece amplo destaque, por ter orgulho nas suas raizes lusitanas, e por no seu discurso de posse, em Boston, ter afirmado: "os portugueses são um dos fios com que se tece a tapeçaria americana e eu orgulho-me de ser um deles".
O Juiz Rapoza, que já foi homenageado pelo Estado Português (às vezes acertam...), deverá manter-se no cargo até 2020, ano em que se reformará.
Mais uma lança em África.

quarta-feira, novembro 01, 2006

Uma nova ditadura

Paulo Pereira, de Almeida, Professor do ISCTE, e investigador

Segundo os dados mais recentes da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o salário médio em Portugal é hoje metade do salário da Grécia - $645 no nosso país e $1167 no país de Atenas - mas o custo médio de vida é inferior para os gregos. Além disso, o indicador de desigualdade social (o chamado índice de Gini que a CIA utiliza como referência nos seus relatórios) coloca Portugal em 27º, abaixo da Grécia (em 24º) e muito abaixo da Espanha (em 21º), transformando o nosso País no Estado Social mais desigualitário da Europa dos 12 (a que pertencemos, recorde-se, desde 1986; há 20 anos, portanto).

É que Portugal - apesar de pequeno - não tem de estar condenado a viver pelos
mínimos, transformando-se numa sociedade onde a classe média não existe e a
pobreza se sente ao virar da esquina.

"Há que saber resistir quando queremos fazer valer a inteligência, o talento e a liberdade de expressão". Tatiana Lobo (1939),

escritora costa-riquenha.