quarta-feira, agosto 27, 2008

Guerras e guerrinhas

É extremamente preocupante ver o tipo de clique que tomou conta da Rússia política. Líderes que tentam um novo programa de expansão à custa de grandiosidades territoriais passadas, e que encobrem o futuro sob um manto de regresso a uma cortina de ferro e a tempos de Guerra Fria.

Apoiada num bloco com a grandiosidade chinesa, levanta o pescoço numa tentativa de afirmação perante mundo, provavelmente desnecessária... reconhecendo independências de regiões integradas na Geórgia, um país independente e soberano. A abkhásia e a Ossétia do sul, querendo ou não as suas gentes separação da geórgia, a Rússia aproveita simplesmente a chance de afirmar o seu poderio e a sua tentativa hegemónica de controlo territorial, além de demonstrar de forma categórica tanto a sua ambiguidade como a falência das instituições supra nacionais, nomeadamente a ONU.

Claramente esta tomada de atitude esta programada, é sobretudo uma vingaça do ocidente devido à questão do Kosovo. Esta é a realidade óbvia, e o real propulsor das ultimas atitudes russas. Mas é apenas um propulsor de um sentimento latente na sociedade política russa.

Instituições como a ONU ficam fragilizadas, porque os grandes países, o conselho de segurança, apenas funciona em relação a quem não tem forma de se auto-sustentar. EUA, Rússia, China, desrespeitam a belo prazer... e no fim a sala doc CS da ONU apenas é a demonstração pública de um combate de egos...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Brasil: Selo homenageia gastronomia luso-brasileira nos 200 anos da chegada da família real

A gastronomia luso-brasileira será homenageada com o lançamento de um selo comemorativo aos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808.

Criado pela artista Luciana Bricio e com uma tiragem de 600.000 unidades, o selo integra a "Série 200 Anos da Chegada da Família Real" lançada pela Empresa Brasileira de Correios (ECT) do Brasil.
Com um valor de face de 0,90 reais (0,37 euros), o selo destaca duas especialidades da culinária luso-brasileira: o cozido português e o quindim brasileiro.
O lançamento do selo decorrerá sexta-feira, em Brasília, num almoço na Embaixada de Portugal, organizado pela Academia do Bacalhau e Instituto Camões (IC).
O cardápio inclui um cozido completo à portuguesa, regado a vinho português, e, na sobremesa, os famosos quindins brasileiros.
"Trata-se de uma forma de homenagear as relações luso-brasileiras também na área da gastronomia", disse o presidente da Academia do Bacalhau, Delfim da Costa Almeida.
A "Série 200 Anos da Chegada da Família Real" incluiu o lançamento de 16 diferentes tipos de selo com homenagens a diversas instituições fundadas por D. João VI.
Entre as instituições homenageadas estão o Banco do Brasil, o Corpo de Fuzileiros Navais, o Poder Judiciário, o Superior Tribunal Militar e a Faculdade de Medicina da Bahia.

Portugueses compraram quase 230 mil portáteis entre Abril e Junho

Foram vendidos 228,3 mil computadores portáteis em Portugal no segundo trimestre deste ano, cerca de 50 mil a menos do que os contabilizados no mesmo período.

Segundo a análise da consultora, a Hewlett-Packard (HP) foi a fabricante que se destacou, tanto no segmento de desktops como portáteis, tendo vendido quase 70 mil equipamentos no período analisado, o que lhe valeu uma quota de mercado de 29,3%. O segundo lugar da tabela pertence à Toshiba, que vendeu 57,8 mil portáteis e viu o seu share subir de 18,5 para 25,3% em termos homólogos.
Entre as marcas internacionais, a Dell foi a que viu o seu volume de vendas aumentar mais. A fabricante norte-americana obteve um crescimento de 215,1% face ao mesmo período do ano passado, com 8,35 mil portáteis comercializados, seguida pela Toshiba (195%) e HP (147,6%).

Também a JP Sá Couto aumentou consideravelmente as suas vendas, obtendo um crescimento 197,5%. A fabricante passou de um volume de vendas na ordem dos 1,87 mil equipamentos para a comercialização de 5,549 mil portáteis no segundo trimestre deste ano e somou uma quota de mercado de 2,4%.
De um modo geral, todas as fabricantes, nacionais e internacionais, aumentaram as vendas e quota de mercado entre o segundo trimestre de 2007 e o mesmo período deste ano, à excepção da Sony, que registou um decréscimo de 4,3% e viu a sua quota de mercado cair até aos 3,1% face aos 6,9% registados há um ano.

Guiné-Bissau: A mesma notícia, leituras diferentes

Intitulada "Crise política na Guiné-Bissau: Presidente da República dissolve Assembleia" a notícia da Agence France-Presse, divulgada no sítio Jeune afrique.com, dá detalhes preciosos sobre a nova crise política guineense.

Segundo a notícia, que caracteriza a Guiné-Bissau como um "pequeno país minado pela instabilidade política e entre os mais pobres do mundo", o PR "decidiu dissolver a Assembleia national depois de ter recebido todos os partidos políticos, a sociedade civil e o Conselho de Estado". Mas, se até aqui não há nada de novo em comparação com a notícia da Agência Lusa, a AFP começa a tirar conclusões acerca do sucedido.

Assim, adianta que "não foram oficialmente dadas razões" para esta atitude de Nino Vieira e que, repare-se agora "o Primeiro Ministro, Martinho Ndafa Cabi, estava ausente do país por razões de saúde". O PM estava ausente por estar doentinho... Era caso para rir, se não fosse demasiado sério. Estes "motivos de saúde" fazem parte da lista dos argumentos mais usados pelas chancelarias ocidentais quando querem tirar de um país algum dirigente seu protegido.

Nesta altura da notícia ansiamos por novos detalhes.
Depois de sabermos, e não é propriamente uma novidade, que a antiga colónia "est confronté depuis plusieurs années à d'incessants remous politiques", e de ser feito um ponto da situação semelhante ao da Lusa, adianta-se que Nino tem 69 anos e que a Guiné atravessa uma crise económica e social. Mas há mais. A Guiné-Bissau, e não resisto a transcrever, "dont la noix de cajou constitue officiellement la première recette à l'exportation, est de plus en plus considérée comme un "narco-Etat" et une des principales portes d'entrée en Afrique de l'Ouest de la cocaïne sud-américaine avant son acheminement vers les marchés européens". E "dans un pays miné par la corruption et aux infrastructures défaillantes, les narcotrafiquants se font de plus en plus menaçants. La ministre de la Justice bissau-guinéenne, Carmelita Pires, a déclaré la semaine dernière avoir reçu des menaces de mort en relation avec la saisie à Bissau d'un avion qui avait transporté quelque 500 kg de cocaïne. La drogue a disparu avant l'arrivée de la police."

Ironia... Não me recordo de ver este problema discutido na Cimeira de Chefes de Estado da CPLP. Porque terá sido?

Brasileiros podem viajar dentro CPLP com vistos curta duração

Os cidadãos brasileiros poderão viajar para os países de língua portuguesa com vistos de curta duração, que dependem de menos burocracia para ser emitidos.

O Acordo sobre Estabelecimento de Requisitos Comuns Máximos para a Instrução de Processos de Curta Duração entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi promulgado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Assinado em 2002, em Brasília, durante a IV Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, o acordo facilita o trânsito entre cidadãos de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Os requisitos para concessão de visto de curta duração incluem viagens de trânsito, turismo e de negócios.
A documentação exigida para concessão do visto passa a ser apenas duas fotografias, passaporte com pelo menos três meses de validade, prova de meios de subsistência, bilhete de passagem ida e volta e certificado internacional de vacinação.
"A emissão de vistos de curta duração por parte de um Estado-membro a cidadãos nacionais de qualquer outro Estado-membro deverá ser efectuada no mais curto espaço de tempo, não devendo ultrapassar o prazo máximo de sete dias", refere um dos artigos do acordo.

Guiné-Bissau: Carlos Correia Primeiro-Ministro pela 3ª vez

Carlos Correia foi terça-feira chamado pelo Presidente da República (PR) da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, para ser, pela terceira vez, Primeiro-Ministro (PM), com o objectivo de liderar o executivo até às eleições legislativas de Novembro.

PM pela primeira vez depois de o país ser aberto ao multipartidarismo, no inicio da década de 90 do século XX, Correia deixaria o executivo com o advento das primeiras eleições pluralistas da 1994, que viria parar novamente às suas mãos em 1997.
Nesse hiato, o cargo foi desempenhado pelo actual 1.º vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Manuel Saturnino Costa, tendo Correia sido surpreendido com o início do conflito militar de 7 de Junho de 1998, que levaria à destituição, 11 meses mais tarde, a 7 de Maio de 1999, de Nino.
Correia, que substitui Martinho Ndafa Cabi, empossado a 13 de Abril de 2007, torna-se assim o 17º chefe de executivo - entre 15 personalidades - do país em 35 anos de independência.

O primeiro PM da Guiné-Bissau foi Francisco Mendes, conhecido por Tchico Té, quando o país ascendeu à independênciade Portugal, a 24 de Setembro de 1973. Sempre na esteira do partido-Estado, o PAIGC foi obrigado a escolher um novo PM nos finais dos anos 70, depois de Té ter falecido.
Constantino Teixeira passou então a chefiar o governo, que exerceu durante cerca de 2 meses e meio (7 de Julho a 28 de Setembro de 1978), até ser substituído precisamente pelo actual PR, Nino.
Este acabaria por acumularia com a tutela da pasta da Defesa até 14 de Novembro de 1980, dia em que liderou um golpe de Estado em que derrubou o regime de Luís Cabral, o então PM.
Consumado o golpe, Nino ascendeu a PR do país e indigitou PM Vítor Saúde Maria, que chefiava, na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e que, mais tarde, em 1991, fundou e liderou o Partido Unido Social-Democrata (PUSD).
Saúde Maria, que faleceu em 2000, manteve-se no cargo até meados dos anos 80, altura em que foi acusado por Nino de fomentar uma tentativa de golpe de Estado, em 1985.
Na ocasião, Nino acabou com o cargo de PM, só o voltando a criar com a abertura do país ao multipartidarismo, no início dos anos 90, tendo escolhido Correia para chefiar o executivo, substituído, após as legislativas de 1994, por Saturnino Costa.

Em Dezembro de 1998, a Guiné conhece o primeiro de 2 governos de transição, com Francisco Fadul a assumir o cargo até à realização de eleições gerais, em Novembro de 1999, ganhas pelo Partido da Renovação Social (PRS), então liderado por Kumba Ialá.
Ao longo dos cerca de 3 anos e meio de presidência de Ialá (Fevereiro de 2000 a Setembro de 2003), a Guiné conheceu 4 PM: Caetano Intchamá, Faustino Embali, Alamara Nhassé e Mário Pires.
Este último, acabaria por cair na sequência do golpe de Estado que também derrubou o regime de Ialá, a 14 de Setembro de 2003, a que se seguiu o segundo e último governo de transição, liderado por Artur Sanhá, secretário-geral do PRS.
Sanhá chefiou a transição até às legislativas de Março de 2004, ganhas pelo PAIGC, e que levaram o líder do antigo partido único, Carlos Gomes Júnior, a assumir o executivo até 28 de Outubro de 2005, dia em que Nino, entretanto vencedor das presidenciais de Junho e Julho desse ano, o exonerou.
Nesse mesmo dia, o escolhido por Nino foi Aristides Gomes, que chefiou o executivo até 13 de Abril de 2007, altura em que, depois de mais uma crise política, Nino nomeou Martinho Ndafa Cabi.
O executivo de Cabi durou, assim, 15 meses e 23 dias, até que terça-feira, sempre Nino e sempre devido à crise política (desde que aderiu ao multipartidarismo, em 1991, a Guiné nunca concluiu uma legislatura) o exonerou e substituiu por Carlos Correia.

Portugal ganha a Espanha investimento da Air Liquide

O gigante francês Air Liquide tem em curso um forte plano de investimentos na Europa, em que Portugal é um dos protagonistas.
A empresa produtora de gases industriais e medicinais, em vez de Espanha, decidiu investir perto de 130 milhões de euros no mercado português.
"Estamos a investir, numa perspectiva de longo prazo, em duas novas unidades produtivas, em Sines e Estarreja, e num centro de enchimento de garrafas na Arruda dos Vinhos", sintetiza o director-geral para a Península Ibérica da Air Liquide. Etienne Hubert assume que "antes de decidir realizar estes investimentos em Portugal, reflectimos muito e tínhamos duas ou três alternativas em Espanha".

terça-feira, agosto 05, 2008

Guiné-Bissau: PR dissolve Assembleia Nacional Popular

O Presidente da Guiné-Bissau dissolveu a Assembleia Nacional Popular na sequência da "grave crise institucional" que afecta o país, segundo um decreto presidencial divulgado hoje em Bissau.

Abre-se novamente caminho à consequente crise interna...

"A ASAE, os "CSI labs" e as eleições" por Camilo Lourenço

A nossa qualidade de vida melhorou porque acabaram os galheteiros nos restaurantes? Ou porque se proibiu as bolas de Berlim nas praias? Ou porque estabelecimentos artesanais, que faziam queijinhos, requeijão e bolos de amêndoa fecharam as portas?

A nossa qualidade de vida melhorou porque acabaram os galheteiros nos restaurantes? Ou porque se proibiu as bolas de Berlim nas praias? Ou porque estabelecimentos artesanais, que faziam queijinhos, requeijão e bolos de amêndoa fecharam as portas? Apesar do estômago delicado, não me lembro de nenhuma intoxicação provocada pelo abuso destes e de outros produtos. Em compensação, e a coberto de um fundamentalismo bacoco, íamos dando cabo de actividades típicas de certas regiões. Aquelas que respondem por parte do emprego (não assegurado pelas autarquias) e da riqueza locais. A revisão das normas que regulamentam estas actividades é bem-vinda (o jeito que dá ter eleições à porta...). Sobretudo porque limita a inépcia da ASAE, que atirava em tudo o que mexia na área alimentar se não tivesse a assepsia dos laboratórios CSI (o seu presidente até chegou a dizer que mais 50% dos restaurantes teriam de fechar as portas).

Todos ganhamos com regras que melhoram a higiene e segurança alimentar. Mas todos perdemos com exageros que dão cabo de produtos (cuja receita atravessou, em certos casos, gerações inteiras) que ajudam a pôr certas regiões no mapa e, até, a diferenciar o País de outros (gastronomia e produtos regionais são variáveis fundamentais no turismo de qualidade). Pormenor importante numa altura em que a globalização ameaça homogeneizar tudo e mais alguma coisa.

Timor-Leste: Ban Ki-moon critica forças de segurança

Timor-Leste vai continuar a necessitar de uma "robusta" presença de forças policiais das Nações Unidas e do envolvimento da comunidade internacional para garantir a sua estabilidade, defendeu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Num relatório ao Conselho de Segurança, divulgado segunda-feira, Ban Ki-moon recomendou que não sejam feitos quaisquer "ajustamentos" ao mandato da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT).
Fontes na ONU disseram que as recomendações serão analisadas pelo Conselho de Segurança no dia 19 de Agosto.
Este é o primeiro relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação em Timor-Leste desde as tentativas de assassinato do Presidente e primeiro-ministro timorenses, a 11 de Fevereiro.
Face a esses acontecimentos "deploráveis", Ban Ki-moon saudou a actuação "firme e racional" do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o facto de o Parlamento ter funcionado "efectivamente como um fórum de debate em resposta aos acontecimentos", os dirigentes dos partidos por terem apelado aos seus apoiantes para permanecerem calmos e a população em geral, que "demonstrou fé na capacidade do Estado em fazer face à situação".
Saudou também o Presidente da República, José Ramos-Horta, pelo "seu empenho para com o diálogo a todos os níveis" desde que regressou da Austrália, onde recuperou dos ferimentos sofridos a 11 de Fevereiro.

Lusofonia: Macau disponível para alargar cooperação com Moçambique

"Tive encontros com o Chefe do Executivo e com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Fernando Chui Sai On, que me manifestou total disponibilidade de Macau para cooperar com o nosso país em mais áreas como a educação", disse David Simango, que chegou segunda-feira a Macau.

O ministro visitou Macau para acompanhar a evolução do estágio dos atletas olímpicos moçambicanos no território antes de seguir hoje para Pequim e no regresso a Maputo vai "informar o Governo da abertura do Executivo de Macau a maior cooperação".
"Já existe cooperação com Macau e estamos agora a falar de alargar o leque desse trabalho para outras áreas porque foi na base da cooperação desportiva que foi possível organizar aqui o estágio de vários atletas olímpicos", concluiu.

Cabo Verde: UE disponibiliza 51 M€ do décimo FED

Cabo Verde vai receber da União Europeia (UE) 51 milhões de euros no quadro do X Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para para o período 2008/2013.

O programa de cooperação, assinado hoje na capital cabo-verdiana prioriza o apoio à implementação da estratégia de crescimento económico e redução da pobreza e um programa de boa governação, com mais de 30 milhões euros.
O segundo grande domínio é o apoio ao desenvolvimento das actividades da parceria especial entre Cabo Verde e a União Europeia com cerca de mais de 10 milhões de euros.
Segundo explicou a ministra das Finanças cabo-verdiana, Cristina Duarte, outros projectos serão contemplados no âmbito do 10º FED.
"Além desses dois domínios de concentração, o programa consagrará recursos para acções de cooperação técnica e para o desenvolvimento da capacidade institucional de organizações da sociedade civil, e ainda para a contribuição do envelope nacional do FED a um importante programa de cooperação (32 milhões de euros) entre os PALOP-Timor Leste e a Comissão Europeia", afirmou.

O embaixador da UE em Cabo Verde, Josep Coll, afirmou que o país entrou numa nova fase com a classificação de país de rendimento médio pelo que nos primeiros tempos os parceiros terão de apoiar o país para que sejam consolidados os ganhos já obtidos.

Fradique de Menezes: São Tomé "gastou depressa" receita do petróleo

As receitas petrolíferas de São Tomé e Príncipe foram "muito rapidamente" usadas e as autoridades ficaram, agora, com a tarefa de lidar com fortes as expectativas criadas, afirmou na segunda-feira o presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes.

"A ideia de que temos muito petróleo tem criado problemas junto da comunidade internacional. [...] E quando nos apresentamos para pedir o perdão da dívida, perguntam porquê, já que nós “temos” muito petróleo", afirmou o PR são-tomense.
Falando no início do Fórum de Investimento 2008, organizado pela Autoridade de Exploração Conjunta de Petróleo São Tomé-Nigéria, Fradique afirmou que essas expectativas também "continuam a reinar nos cidadãos" do arquipélago.
Os "cento e tal milhões de dólares" de receitas de atribuição de licenças de exploração de blocos, "para um país pequeno, foram muito rapidamente utilizados", admitiu o chefe de Estado.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Macau mantém tendência de subida em visitantes e alarga margem para Hong Kong

A antiga possessão portuguesa confirmou no primeiro semestre do ano a tendência de subida do sector do turismo ao receber quase mais um milhão de visitantes que a vizinha Hong Kong, segundo dados estatísticos.

Entre Janeiro e Junho, Macau recebeu 14,9 milhões de visitantes, 8,77 milhões dos quais oriundos do continente chinês enquanto que Hong Kong acolhia 14,1 milhões de pessoas, 7,89 das quais da China continental.
A forte subida do turismo de Macau, que no primeiro semestre registou um aumento de 18,1% face ao mesmo período de 2007, tem potenciado a aproximação e a passagem de Hong Kong em termos de visitantes já que a antiga colónia britânica verifica apenas crescimentos de 8,9% nos primeiros seis meses de 2008 face ao primeiro semestre de 2007.

Os novos hotéis, espaços comerciais e casinos e a maior abertura chinesa ao turismo foram responsáveis pelo forte crescimento do turismo em Macau que este ano deverá atingir cerca de 30 milhões de visitantes, contra cerca de 27 milhões em 2007.
Macau tem 29 km2 e uma população de 538.000 pessoas estimadas no final de 2007.

quinta-feira, julho 31, 2008

Governo aprova contrato para instalação de nova fábrica da Lactogal

O Governo aprovou hoje as minutas do contrato de investimento celebrado entre o Estado e várias empresas do sector cooperativo leiteiro que prevê a construção de uma fábrica da Lactogal em Oliveira de Azeméis.

A fábrica da Lactogal permitirá concentrar as produções de queijo actualmente dispersas por dois centros fabris, localizados em Sanfins e Avis, numa única unidade a construir de raiz, bem como a construção de uma torre de tratamento e secagem de soro em substituição de duas torres de secagem actualmente localizadas em Leça do Balio e Avis.
O documento precisa que este investimento, que ascende a um montante total de 48 milhões de euros, "envolve a criação de 160 postos de trabalho e permitirá o alcance de um valor mínimo anual de vendas de queijo curado de cerca de 8314 toneladas nos anos de 2010 e 2011 e de 8564 toneladas a partir de 2012 e até 2014, bem como de um valor mínimo anual de Vendas de soro em pó de cerca de 4533 toneladas nos anos de 2010 e 2011 e de aproximadamente 4670 toneladas a partir do ano de 2012 e até 2014, ano do termo de vigência do Contrato".

O contrato foi celebrado entre o Estado e a Lactogal SGPS, a Agros, União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, UCRL, a Proleite, Cooperativa Agrícola de Produtores de Leite do Centro Litoral, CRL, a Lacticoop, União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Mondego, UCRL e a Lactogal, Produtos Alimentares, S. A..

Professores de Português nos EUA acusam Portugal de não investir na língua

Os professores de Português nos Estados Unidos (EUA) acusaram o Governo de Lisboa de não investir no ensino da Língua Portuguesa naquele país, durante o XVI Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, na semana passada na Horta, Faial.

Lúcia Lopes, professora na escola Luís de Camões, em Newark, Nova Jérsia, disse que, nos últimos anos, Portugal não gastou "um único dólar" no ensino directo do Português nas escolas comunitárias, deixando toda a responsabilidade nas mãos das associações. "Não colocam professores, não pagam aos que cá estão, não apoiam com materiais escolares, nem formação, nem qualquer outra coisa", disse a docente. Segundo Raul Rodrigues, da escola secundária norte-americana Durffe High School, de Fall River, estado de Massachusetts, o "Estado português prefere investir milhares de dólares e apoiar leitorados de Português em universidades onde estudam meia dúzia de alunos estrangeiros". "A minha escola (Durffe HS) precisa de professores de Português, mas não os encontra porque eles não se formam nas universidades norte-americanas", sublinhou o professor. "No entanto, o Estado português continua a investir milhares de dólares em Centros de Português em universidades norte-americanas não se sabe bem para quê", acrescentou.

Durante a reunião na Horta, que reuniu 120 professores, ouviram-se muitas queixas de docentes que lutam "com falta de tudo e de mais alguma coisa" para ensinaram Português aos luso-descendentes, reclamando apoio de Portugal. Lamentam ainda o facto do secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, presente no encontro, lhes ter levado uma mensagem que é mais de "desilusão" do que de "esperança". "De um momento para o outro, a nova legislação do Ensino do Português no Estrangeiro ignora totalmente as escolas comunitárias, a comunidade e o trabalho aqui desenvolvido ao longo dos anos, optando por criar uma certificação que é uma espécie de exame da escola virtual que todos sabem e que ninguém se vai dar ao trabalho de fazer", frisou um dos docentes.
Lúcia Lopes, por seu lado, referiu que a nova legislação esvaziou estas escolas e estes cursos de qualquer valor junto das comunidades, ao retirar-lhes os professores que aqui se encontravam destacados, agora obrigados a optar entre os EUA, sem vínculo à Função Pública, e as escolas a que pertencem em Portugal.

Nos EUA existem cerca de 50 escolas comunitárias pertencentes a associações, igrejas e comissões de pais, onde é ensinada a Língua Portuguesa aos filhos dos emigrantes. O ensino do Português como língua estrangeira existe apenas em meia dúzia de escolas norte-americanas nos estados da Califórnia, Massachusetts e Nova Jérsia. Os professores que participaram no XVI Encontro manifestaram-se ainda pessimistas em relação ao futuro deste ensino com a passagem da sua tutela para o Instituto Camões, que dizem estar mais vocacionado para o ensino universitário. A Associação de Professores de Português dos EUA e Canadá, responsável pela organização do Encontro, pediu, nas conclusões, um compromisso explícito do governo português nesta questão, concluindo que "há a necessidade de implementar uma estratégia comum" para os EUA e Canadá, "que inclua todos os níveis de ensino, desde o integrado às escolas comunitárias e universidades, através de coordenadores que conheçam a realidade específica deste espaço da diáspora portuguesa".

terça-feira, julho 29, 2008

Real politik à portuguesa, por Camilo Lourenço

Sócrates vai a Angola. Sócrates vai à Líbia. Sócrates recebe Chávez. As cabeças pensantes inquietam-se com tanta côrte a gente pouco recomendável. O problema é que as coisas não são assim tão simples. É óbvio que Sócrates não gosta de lamber os pés àquela gente. Mas não tem outra solução.

Como não teria Manuela Ferreira Leite (ou Passos Coelho) se estivesse no seu lugar: quando se gere um país com limitações, o idealismo cede à real politik. Portugal tem, ao longo do século XX (para não ir atrás), bons exemplos disso. À Esquerda e à Direita. Salazar fechou os olhos às atrocidades nazis para não ter chatices com os alemães. Caetano ignorou os crimes dos sul-africanos em troca do seu apoio (e depois do 25 de Abril nunca fomos muito duros com os sul-africanos por causa dos 600 mil portugueses que lá viviam…). Soares apoiou um ditador (Savimbi), enquanto Cavaco privilegiou outro (Eduardo dos Santos).

Uma análise simplista levaria a dizer que é a sina dos países pequenos. É, mas não só: Margaret Thatcher e Helmut Schmidt apoiaram a construção do gasoduto trans-siberiano sabendo que a Rússia ficaria com um poderoso "leverage" sobre a Europa (como está a acontecer). É isso e a lei dos negócios: se não formos nós, outros ocuparão o nosso lugar. E o país não pode recusar bons negócios… e influência geoestratégica (coisa de que os críticos se parecem esquecer). Mais nada.

Lírica de Luís de Camões publicada nos Estados Unidos

Uma antologia com o título "Collected Lyric Poems of Luís de Camões" acaba de ser publicada nos Estados Unidos, numa tradução do poeta e professor britânico Landeg White.

A obra, nas livrarias desde a semana passada, tem chancela da consagrada editora Princeton University Press (PUP), que assinalou tratar-se da primeira colectânea em inglês da poesia lírica de Camões.
Para a PUP, a obra lírica de Camões é suficiente para o poeta ser colocado "entre os grandes poetas, mesmo se nunca tivesse escrito 'Os Lusíadas'". "Luís de Camões é famoso em todo o mundo como o autor da grande épica do Renascimento, 'Os Lusíadas', mas a sua enorme e igualmente grande obra de poesia lírica é praticamente desconhecida fora do seu país natal, que é Portugal", assinalou a editora numa declaração..

"Camões foi o primeiro grande artista europeu a atravessar o hemisfério sul e a sua poesia é marcada por quase duas décadas passadas no norte e leste de Africa, Golfo Pérsico, Índia e Macau. Desde uma elegia em Marrocos a um hino escrito no Cabo Guardafui na ponta norte da Somália, até aos primeiros poemas modernos de amor a uma mulher não europeia, essa lírica reflecte os encontros de Camões com lugares e povos radicalmente desconhecidos", lê-se ainda. A antologia está organizada de acordo com as viagens de Camões, "o que permite a leitura do livro como uma viagem".

segunda-feira, julho 28, 2008

Elvira Fortunato vence maior prémio dado a um investigador português

A cientista que ganhou 2,5 milhões de euros.
Foi uma semana verdadeiramente louca para a carreira de Elvira Fortunato. Antes ela já soubera por via não oficial que fora contemplada com o primeiro prémio na área da Engenharia do European Research Council (ERC), organização que pela primeira vez atribui em 2008 aqueles que são considerados uma espécie de Prémios Nobel europeus.

O nome do projecto vencedor em inglês é 'Invisible' (Invisível) e propõe-se fazer transístores e circuitos integrados transparentes usando óxidos semicondutores, uma ideia arrojada e inovadora a nível mundial. Mas faltava a carta do ERC com a confirmação oficial.
Só que outros acontecimentos se meteram pelo meio. Na segunda-feira, na véspera de fazer 44 anos, a cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) recebeu uma prenda antecipada fantástica: a reitoria da UNL enviou para os "media" nacionais e estrangeiros um comunicado onde anunciava que a equipa do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat), dirigida por Elvira, tinha produzido pela primeira vez no mundo transístores com uma camada de papel como material isolante, em vez do tradicional silício.
A notícia entrou imediatamente nas edições "on-line" de vários jornais portugueses, incluindo o Expresso, foi manchete na edição em papel de terça-feira do 'Público', levou Elvira nesse mesmo dia ao jornal da noite na SIC, surgiu na edição "on-line" do 'Financial Times' e caiu que nem uma bomba nos meios científicos mundiais. De tal maneira que na quinta-feira à noite, uma pesquisa no Google com as palavras em inglês "paper transistor" (papel transístor) encontrava já mais de quatro milhões de sítios na Internet em todas as línguas - incluindo chinês e russo - a falarem do tema, a maioria deles referindo-se à descoberta da equipa liderada por Elvira.

"Nesta semana não consegui simplesmente trabalhar, porque estava sempre a receber telefonemas e "mails" de parabéns, inclusive de pessoas que nem sequer conheço, e pedidos de entrevistas e de informações vindos de revistas e de sítios especializados, principalmente dos EUA", conta a investigadora.

Quinta-feira, o ERC confirmava oficialmente a atribuição do 1º Prémio de 2,5 milhões de euros com a nota máxima da tabela classificativa (8), e incluía o nome de Elvira no Top 5 mundial dos investigadores em electrónica transparente.
O prémio é pessoal e traduz-se num financiamento para os próximos cinco anos que a directora do Cenimat poderá utilizar na investigação como quiser, onde quiser e com a equipa que entender. Mas o que fará a cientista ao dinheiro?
"Este dinheiro é fundamental para o centro de investigação, porque vai permitir consolidar a actividade da minha equipa na electrónica transparente, uma área com potencialidades que hoje ninguém imagina". Assim, a maior parte do prémio será aplicada na compra de um microscópio electrónico para observações à nanoescala e fabrico de nanotransístores, e em despesas de pessoal.
Estas despesas incluem a contratação de mais um doutorado e um técnico, e o pagamento de metade do salário de Elvira durante 5 anos, "o que significa que posso contratar um professor para dar as minhas aulas, de modo a dedicar-me inteiramente à investigação, sem qualquer prejuízo para a FCT-UNL". Hoje trabalham com a cientista três alunos de mestrado, dez de doutoramento e seis doutorados estrangeiros oriundos da China, Índia e Sri Lanka.

Empresa na Hora apontada como caso de sucesso em estudo do Banco Mundial

Portugal surge como caso de sucesso num estudo do Banco Mundial (BM) pela medida Empresa na Hora (EnH), lançada em 2005, que permitiu reduzir o número de procedimentos e o tempo de espera para iniciar um negócio.

O estudo "Celebrating Reform 2008", sobre as reformas efectuadas em todo o mundo, apresenta a medida EnH, dizendo que "o seu sucesso inspirou outros países", tendo Angola e Cabo Verde pedido apoio legal e técnico, com base no modelo português.
Países tão diferentes como a Eslovénia, Hungria, Egipto, Moçambique, Chile, Brasil, Finlândia, Suécia ou China - indica o mesmo documento - visitaram o serviço Empresa na Hora para conhecer a forma como Portugal facilitou o processo de iniciar uma empresa.
O estudo do BM refere que Portugal é agora um dos países onde é mais fácil iniciar um negócio ou começar uma empresa, sendo necessários somente sete procedimentos, 7 dias e 600 euros.
Em 2005, era necessário que os empresários passassem por 11 procedimentos e esperassem 78 dias, com um custo de 2 mil euros, acrescenta.

O objectivo da criação das lojas EnH era simplificar o início de actividade aos empresários, tornando possível registar uma empresa em uma hora, conseguindo resolver todos os procedimentos necessários no mesmo local.
Actualmente, as lojas EnH já estão em 93 locais em todo o país, segundo o estudo.
A iniciativa do governo português inseriu-se nas reformas da Administração Pública visando reduzir a burocracia, modernizar e simplificar os serviços públicos que, em 2006, se alargaram, formando um conjunto de medidas, o SIMPLEX.
Os Balcões Únicos não se restringem à criação de empresas e dados divulgados pelo Ministério da Justiça em meados de Julho revelam que mais 227 vão ser criados nas Conservatórias até ao final de 2008, aumentando o número total para 658.
"Os Balcões Únicos estão claramente identificados dentro das Conservatórias, têm uma imagem própria, um só preço, uma só prestação de serviço e são efectuados num único local. É o caso da EnH, da Associação na Hora, do Documento Único Automóvel, do Balcão das Heranças, do Balcão Divórcio com Partilha, da Casa Pronta, da Sucursal na Hora ou do Nascer Cidadão", refere o Ministério.