quarta-feira, outubro 01, 2008

Lusoponte: A marmelada continua!

Ex-ministros defendem Lusoponte na renegociação com o Estado.

Jorge Coelho e Ferreira do Amaral, os dois Ministros das obras públicas (MOP) que negociaram em representação do Estado o contrato de concessão e os acordos de reequilíbrio com a Lusoponte, vão renegociar o contrato de concessão, gestão e exploração da Ponte Vasco da Gama e da Ponte 25 de Abril.
A "coincidência" ocorre numa altura em que se avizinham novas negociações, por causa da decisão de instalar um tabuleiro rodoviário na terceira travessia do Tejo, a construir entre Chelas e o Barreiro. Mas as "coincidências" não acabam: quem vai liderar a comissão técnica criada pelo Governo para decidir estas negociações é Murteira Nabo, actual chairman da Galp, e, ele próprio, Ministro do Equipamento Social (MES) no primeiro governo de António Guterres.
Ferreira do Amaral, MOP do governo de Cavaco Silva, que lançou o concurso público internacional para a construção da Vasco da Gama, e que assinou em 1994 o contrato de concessão com a Lusoponte, é hoje o presidente do conselho de administração da empresa. Coelho, MES de Guterres, que negociou em 2001 um acordo global com a empresa para pôr fim a sucessivos pedidos de reequilíbrio financeiro, é hoje o líder executivo da Mota-Engil, empresa principal accionista da Lusoponte, com uma posição de 38,02%.
Confrontado com o facto de a Mota-Engil passar, agora, a ser a principal interlocutora do Governo nas negociações por causa da terceira travessia do Tejo, Coelho desvalorizou a questão: "Quem vai discutir com o Governo é a Lusoponte, e não a Mota-Engil." Em representação dos seus accionistas, Ferreira do Amaral deverá discutir com o Governo a melhor forma de ressarcir a Lusoponte por causa da intenção de construir um tabuleiro rodoviário na terceira travessia do Tejo. Algo que o contrato de concessão impede, já que a empresa tem a exclusividade das travessias a jusante de Vila Franca de Xira, tal como foi confirmado num parecer da Procuradoria-Geral da República.
A primeira reunião entre o Governo e a Lusoponte deu-se logo após a decisão de construir o aeroporto de Lisboa na margem Sul, mas, depois, não houve mais nenhuma. O processo está parado, e as datas previstas para a alta velocidade estão em perigo. O calendário apontava Novembro como o limite máximo para o lançamento do concurso público internacional para a construção do segundo troço da Linha de Alta Velocidade entre Lisboa e Madrid, ou seja, o troço Lisboa-Poceirão, onde se insere a terceira travessia do Tejo (TTT). Mas, essa data já não poderá ser cumprida, já que houve um atraso na entrega do Estudo de Impacto Ambiental da TTT, que está a ser feito a partir do relatório do LNEC.
Independentemente da data das negociações e do seu final, até agora, e como detectou o Tribunal de Contas, numa auditoria que arrasou as decisões do Estado e o Acordo Global celebrado com a Lusoponte, a concessionária tem saído sempre a ganhar nas negociações que tem feito com o concedente.

Namíbia: Lisboa salvaguarda vestígios de nau portuguesa

O Ministério da Cultura (MC), reagindo a notícias que davam conta de que uma nau portuguesa do séc. XVI descoberta na costa da Namíbiaela poder em breve ficar submersa, lembrou que já ficou "claro que o interesse fundamental do Governo português era o de assegurar a integral salvaguarda dos vestígios em questão".

Pergunta-se: Só isto? Mas o interesse "fundamental" (termo que pode significar "isto e precisamente o seu contrário") permite ou não que algumas peças (senão uma boa parte...) venha para os Museus do País? Estão a ser feitos contactos diplomáticos para que tão importante espólio também venha a estar nos nossos Museus? Imagino...

Foi também em Setembro que o MC e o Ministério dos Negócios Estrangeiros decidiram enviar ao local - a interface costeira de Oranjemund - dois técnicos portugueses do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico.
A Agência France Presse noticiou no sábado que os destroços da nau portuguesa descoberta em Abril ao largo da Namíbia "serão devolvidos proximamente ao oceano sem ter podido revelar odos os seus tesouros devido aos elevados custos para serem retirados das areias subaquáticas".

sexta-feira, setembro 26, 2008

Mercado japonês é a nova aposta dos vinhos do Douro e Porto

Os vinhos do Douro e Porto estão apostados em entrar em força no Japão. Com mais de 120 milhões de habitantes, este país importou o ano passado 28 419 caixas (de nove litros) de vinho do Porto, no valor de 1,854 milhões de euros, o que o coloca na 16.ª posição dos maiores importadores do sector em valor, e uma posição abaixo em quantidade.

Ao longo de três anos, até 2011, os consumidores japoneses tomarão contacto com as denominações de origem protegida dos vinhos do Porto e Douro, mas também do presunto de Parma e do queijo parmigiano reggiano. O projecto, aprovado pela União Europeia, conta com um investimento de três milhões de euros e "tem como desafio fundamental promover a defesa da protecção das três denominações de origem europeias num mercado em grande crescimento mas com um conhecimento muito débil destas questões", explica Jorge Monteiro, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP). Além disso, é um mercado com potencial de crescimento, mas que nos últimos anos estagnou. "Não são os mercados de massas que nos interessam, são os de valor, e este é o país com maior nível de vida da região", diz. Quanto à parceria, adianta: "Não faria sentido aparecer com produtos concorrentes, fizemos uma proposta combinada de produtos. O queijo de Parma combina com vinho do Porto e o presunto com o do Douro".

Incrementar a penetração e distribuição dos produtos e aumentar a sua quota de mercado, através de novos consumidores e do aumento da procura, são outros dos objectivos do programa. Intitulado "Jukusei Europe", arrancou no início deste mês com seminários em Tóquio e Osaka para jornalistas , chefes de cozinha e profissionais da restauração, num total de 200 pessoas. Até Novembro, estão a decorrer acções de degustação em supermercados e grandes armazéns. Jornalistas japoneses têm vindo ao Douro e a Parma. Em Janeiro arranca no Reino Unido (RU)novo projecto de promoção, envolvendo estas três denominações mais o vinho da Borgonha. Também por três anos, tem um investimento associado de seis milhões de euros. O RU importa 10,4 milhões de litros no valor de 49,8 milhões de euros. É o 5º mercado de Porto em volume e o 4º em valor.

Croácia ataca águas de topo nacionais

Depois de investir um milhão de euros em 'marketing' em 2007 e no corrente ano no mercado português, onde patrocinou até telenovelas da TVI, a água mineral 'Jana' pretende agora dominar o nicho das águas importadas em Portugal, num horizonte temporal de cinco ou seis anos.
A Jana (ler "iána") entrou no mercado português em 2007, distribuída pela Ferbar, uma espécie de prova de força para a sua estratégia de internacionalização. Ao fim de ano e meio e um milhão de euros investidos em marketing e publicidade, atingiu um volume de vendas de 200 mil litros por ano. Agora os responsáveis da empresa croata pretendem acelerar o passo e conquistar o nicho das águas premium em Portugal num prazo de cinco a seis anos. Os objectivos são ambiciosos num mercado difícil como o português, onde as águas nacionais predominam (sendo a Luso líder com 17%) e as marcas importadas possuem uma quota residual do mercado.

"O mercado das águas premium não é grande em Portugal, mas queremos criá-lo. O premium vale 13 milhões de litros por ano e gostaríamos de ter 80% desse mercado", afirmou Mladen Horvat, chefe do departamento de gestão de marcas da Jamniza (ler "iámenitza"), a empresa com 180 anos que criou a marca Jana há seis anos.
Com o investimento em marketing e publicidade para 2009 a não ser nunca inferior a 500 mil euros, de acordo com o director de marketing da Jamnica, Darko Cesarec, a empresa pretende deixar a televisão de lado (patrocinou as telenovelas A Outra e Fascínios da TVI) e apostar mais na promoção de eventos e no marketing directo para ganhar notoriedade.

Líder de mercado na Croácia (a Jamnica tem 80% do mercado das águas com gás e a Jana 49% das lisas) e uma das principais empresas de água no espaço da antiga Jugoslávia e na Hungria, consagrando-a como potência regional, a empresa encontra-se a dar os primeiros passos na sua estratégia ambiciosa de expansão internacional para lá da sua área de influência. Em 2007, a Jamnica exportou 60 mil milhões de litros de água, correspondendo a Jana a mais de 50%. Estados Unidos (é a água oficial do Madison Square Garden, o mais importante recinto desportivo e de concertos de Nova Iorque), Rússia e Japão são as grandes prioridades, surgindo depois Portugal.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Presidente da República está em Nova Iorque para a 63.ª Assembleia da ONU

Cavaco Silva estará presente em Nova Iorque para a 63.ª Assembleia Geral das Nações Unidas, onde discursará em português no dia de hoje.

Ontem, Cavaco Silva foi recebido na sede das Nações Unidas pelo secretário-geral, Ban Ki-moon, que o saudou com palavras em português.
Uma satisfação para o Presidente da República que quer ver o português aceite como língua de trabalho da Organização das Nações Unidas e que pretende angariar apoios para a candidatura de Portugal a um lugar não permanente no Conselho de Segurança da ONU no biénio 2011-2012, tendo para isso realizado vários contactos ao mais alto nível.

Na cimeira de Julho da CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa) foi definido como prioridade a projecção e afirmação da língua Portuguesa nas organizações internacionais.

terça-feira, setembro 23, 2008

Guiné-Bissau: Narcotráfico é o principal problema. As "novidades" continuam...

O Presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo 'Nino' Vieira, considerou que o tráfico de droga é uma das principais preocupações do país e anunciou realização de uma conferência sobre o tema em Outubro.
As declarações do chefe de Estado guineense foram proferidas no discurso comemorativo do 35º aniversário da independência do país, transmitido aos jornalistas pelo assessor de imprensa da presidência, porque 'Nino' Vieira se encontra em Nova Iorque a participar na Assembleia-geral da ONU.
"Entre todos os problemas com que nos debatemos, o trânsito pelo nosso país do tráfico de droga figura na primeira linha das nossas preocupações, pelos danos que pode causar à nossa juventude, sociedade e ao desenvolvimento do país", referiu 'Nino' Vieira no discurso.
"Estamos firmemente determinados a combater e erradicar este flagelo, contando (...) com toda a população guineense", acrescentou o presidente da Guiné-Bissau.
O chefe de Estado sublinhou, contudo, que o tráfico de droga é um «flagelo regional» e que o seu combate deve ser também global e regional, envolvendo toda a sub-região e parceiros internacionais.

Ministério da Cultura deve entre 10 a 14 M€ a autarquias

O Ministério da Cultura deve entre dez a 14 milhões de euros às autarquias. O valor foi hoje anunciado pelo ministro José António Pinto Ribeiro, numa reunião com a Associação Nacional de Municípios (ANMP).
"Há dívidas que têm dez anos, relativas a bibliotecas, comparticipações nacionais", disse o ministro, admitindo que o montante oscila entre os 10 e os 14 milhões de euros.
Para o presidente da ANMP, Fernando Ruas, "é muito importante que o ministro tenha assumido a dívida", embora sublinhe que esse não foi o tema dominante do encontro.

Com o objectivo de "tornar mais eficiente o investimento e fazer mais e melhor" na área da Cultura, assinalou o ministro, será criado um grupo de trabalho conjunto com a ANMP, para o qual dentro de uma semana as duas entidades indicarão um representante.
"Queremos estabelecer formas de trabalho conjunto, fazer mais actividades culturais, contaminar mais as populações, ver se conseguimos qualificar, recuperar mais, o património, expandir programas que têm a ver com a cultura e a língua", explicou.

segunda-feira, setembro 22, 2008

Luso-descendente foi condecorado por bravura no Canadá

O jovem de ascendência portuguesa James Santos recebeu esta sexta-feira, em Otava, uma condecoração do Estado canadiano, pela bravura demonstrada durante o tiroteio na Escola de Dawson, em 2006, que vitimou a luso-descendente Anastásia de Sousa e feriu 19 pessoas.

A "Estrela da Coragem" foi-lhe entregue pela Governadora-Geral do Canadá, Michaëlle Jean, numa cerimónia em que foram agraciadas um total de 47 pessoas, seis delas por actos de bravura no dramático tiroteio de 13 de Setembro de 2006 ocorrido na escola Dawson em Montreal.
Em Rideau Hall, James fez-se apresentar de rosa na lapela sobre o seu fato escuro, usando, assim, a flor favorita de Anastásia, a amiga que perdeu na tragédia de Dawson, assassinada por Kimveer Gill.
Gill foi o atirador que entrou na escola naquele dia em Setembro e começou a disparar, matando Anastásia e ferindo mais 19 pessoas, acabando por se suicidar no local.
No final da cerimónia em Otava, James Santos e o grupo de mais três polícias e dois funcionários da escola homenageados pela bravura em Dawson acederam responder a perguntas dos jornalistas.
Questionado em português sobre a rosa na lapela, James aludiu: "Isto (a rosa) é para ela. Este dia. Estou aqui por causa dela".

sexta-feira, setembro 19, 2008

JP Sá Couto investe 30 milhões em Portugal

Empresa vai fabricar 'Magalhães' também na Venezuela.
A administração da JP Sá Couto vai investir 30 milhões de euros na construção de uma nova fábrica em Matosinhos.
A decisão foi tomada muito recentemente, confirmou João Paulo Sá Couto, um dos fundadores da empresa. Até agora, o arranque ou não do projecto desta nova unidade de produção de computadores estava dependente da concretização de algumas encomendas que a empresa tinha em perspectiva para o miniportátil Magalhães. Mas, face à procura, os irmãos João Paulo e Jorge Sá Couto decidiram arrancar com o projecto. A nova fábrica será mais robotizada e com uma produção superior à unidade que os irmãos Sá Couto já têm hoje em Matosinhos.

A fábrica actual, já com um projecto de expansão em curso para a criação de mais três novas linhas de produção, a funcionar em três turnos, pode produzir até 240 mil computadores. Para já, a empresa tem assegurada a venda de 1,5 milhões de unidades do Magalhães.
Um milhão será vendido à Venezuela. O contrato será assinado na próxima semana, no decurso da segunda visita que o Presidente venezuelano, Hugo Chávez, fará a Lisboa este ano. E 500 mil vão para o programa E-escolinha, no âmbito do compromisso assumido entre o Governo português e a empresa. Mas as perspectivas de curto prazo apontam para que a empresa possa vir a ter uma carteira de encomendas de quatro milhões de computadores. As negociações com a Líbia estão a correr e bem e há um outro país que ainda poderá fechar negócio com a empresa antes deste, adiantou João Paulo Sá Couto, sem querer para já revelar o nome.

Além disto, a JP Sá Couto vai começar a comercializar o Magalhães no mercado português já na próxima semana, por um preço entre 285 e 295 euros. O lançamento será feito às 24 horas do dia 26 em duas lojas Fnac - a do NorteShopping, no Porto, e a do Centro Colombo, em Lisboa. Nesta primeira fase serão colocadas à venda dez mil unidades do pequeno portátil, concebido para ser utilizado por crianças entre os seis e dez anos, mas também por adultos. Contudo, a distribuição poderá estender-se a outras cadeias até ao final deste ano. Assim, a fábrica de Matosinhos já não poderá dar resposta a tantos pedidos, daí a decisão de construir uma nova também na mesma localidade. A empresa, que em 2007 facturou 96,5 milhões de euros, espera chegar ao final deste ano com um volume de negócios de 130 milhões. Mas isto sem contar com as vendas do Magalhães, apresentado ao mercado em Agosto na presença do primeiro-ministro português. Porque as vendas deste computador podem fazer com que a JP Sá Couto, que já produz o Tsunami, triplique a sua facturação. A empresa, actualmente com 150 trabalhadores, poderá também, com o projecto da nova fábrica, criar mais cerca de 100 novos postos de trabalho. Tal como para o computador Tsunami, a JP Sá Couto conta com a Prológica como parceira no projecto Magalhães.

quarta-feira, setembro 17, 2008

Guiné: Ex-CEMA acusado tentativa golpe pediu asilo na Gâmbia

O ex-chefe do Estado-Maior da Armada (CEMA) da Guiné-Bissau acusado de tentativa de golpe de Estado, Bubo Na Tchuto, pediu "asilo humanitário" na Gâmbia, onde se encontra refugiado desde Agosto, disse hoje o seu advogado.
Pedro Infanda adiantou que no dia 20 de Agosto entregou o pedido às autoridades gambianas, por intermédio da embaixada daquele país em Bissau, e ainda aguarda resposta.
"Penso que (as autoridades gambianas) vão ter de deferir o pedido de asilo meramente humanitário que lhes fiz, aguardo pacientemente", afirmou Infanda, sublinhando que o objectivo é "dar um estatuto" à estada de José Américo Bubo Na Tchuto na Gâmbia.
O ex-CEMA fugiu para a Gâmbia dias depois de ter sido acusado pelo Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses de liderar uma tentativa de golpe militar para destituir e prender o Presidente João Bernardo "Nino" Vieira.

O militar, contra-almirante, entretanto destituído das funções, reagiria dias depois a partir da Gambia, num contacto telefónico com uma rádio de Bissau, dizendo que tudo não passava de calúnias, orquestradas pelo próprio Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA) guineense, Tagmé Na Waie.
"O contra-almirante Bubo Na Tchuto teve de fugir do país porque estava a correr risco de vida", explicou o advogado.
Pedro Infanda acrescentou ainda que Bubo Na Tchuto está disposto a regressar a Guiné-Bissau "logo que haja condições de segurança e um processo judicial" que fundamente as acusações de que é alvo. Por enquanto, adiantou Infanda, não existe nenhum processo-crime nem qualquer pedido no sentido de levar à extradição de Bubo Na Tchuto para Bissau, pelo que se manterá na Gâmbia.

A Guiné-Bissau tem tudo para ser, ou já é, o que se pode apelidar de "estado falhado". A tendência que este pequeno e pobre país tem para os "golpes de estado"...
Parece ser algo de endémico. Constata-se que, desde a independência, as várias etnias do país se digladiam pelo poder. Não sendo esta constatação nova, no que se refere à análise a vários países africanos, convém referir que a clique que tem dominado a Guiné, tem em comum a forte influência cultural portuguesa, apesar de poder viajar confortavelmente para Lisboa ou para Paris, comprando nas melhores lojas e usufruindo dos luxos que recentes fortunas vão proporcionando.
Sabe-se, contudo, que há também uma parte importante do exército que se faz entender em francês (crioulo francês) e que, porventura, estará a ganhar maior relevância.

Há que também referir a passividade da comunidade internacional, em que a CPLP tem feito esforços na estabilização e na "cooperação militar", e que Portugal, em particular, tem-se esforçado para acentuar ainda mais a sua influência na região, tentando suplantar a natural relevância dos países francófonos da região, com especial incidência para o Senegal.

Telecom: PT lança computador Magalhães e programa e-Escolas na Namíbia

A MTC, operadora namibiana participada da PT, assina hoje um acordo com o Governo da Namíbia que permitirá massificar o acesso à Internet em banda larga com a distribuição, pelos estudantes deste país africano, do portátil português Magalhães.

O projecto ConnectED, que se inspira no português e-Escolas, vai envolver a distribuição gratuita de um milhar de computadores Magalhães por mil escolas namibianas, bem como a venda, a preços subsidiados, de computadores portáteis de várias marcas com acesso à Internet, aos cerca de 25 mil estudantes do ensino superior deste país africano.
Numa entrevista conjunta, o primeiro-ministro da Namíbia, Nahas Angula, e o presidente da Portugal Telecom, Zeinal Bava, afirmaram que o projecto pretende colocar a Namíbia "na linha da frente" da alta tecnologia em África.
"Este é um projecto piloto muito importante. Queremos que as nossas crianças tenham acesso às tecnologias da informação", afirmou o governante, mostrando-se "entusiasmado" pelo programa que, a longo prazo, pretende ver estendido ao meio milhão de crianças em idade escolar da Namíbia.
Por sua vez, o presidente da PT, que está a realizar um périplo pela África Austral, explicou que o projecto permitirá cumprir três objectivos: ajudar as crianças da Namíbia, aumentar a base de clientes do grupo em África e contribuir para a exportação de alta tecnologia de fabrico português.
Bava acredita que o Magalhães é a melhor solução para a realidade da Namíbia e de outros países africanos. "Além disso, temos muita honra em contribuir para o aumento das exportações portuguesas", acrescentou.
A PT pretende estender o programa a outros mercados africanos onde está presente, como o vizinho Botswana, afirmou o presidente da operadora.
O continente africano é um "pilar decisivo" para a estratégia de crescimento da PT, disse ainda Bava.
A operadora portuguesa está atenta a todas as oportunidades de crescimento na Namíbia e em outros países africanos, afirmou o presidente da PT, salientando o facto de a Namíbia ser um país estável, com regulação previsível e boas condições para os investidores estrangeiros.
A MTC vai investir cerca de 860 mil eurosno projecto ConnectED, que se inspira no programa e-Escolas, o qual desde há um ano tem permitido a venda de computadores portáteis com acesso à internet a estudantes e professores portugueses, a preços baixos.
O lançamento do ConnectED coincide com o assinalar de um marco na vida da MTC, que conquistou há dias o "cliente número 1 milhão", o qual, simbolicamente, é "cliente de banda larga móvel", afirmou Zeinal Bava.
A MTC tem actualmente cerca de 20 mil clientes de Internet em banda larga móvel.
A empresa, que tem o português Miguel Geraldes (ex-TMN) como director-executivo, é a maior operadora móvel da Namíbia, sendo detida em 34% pela PT.
Este ano, a MTC deverá apresentar lucros de cerca de 30 milhões de euros.
O Governo da Namíbia, que controla os restantes 66 por cento da MTC, pretende privatizar uma parcela adicional de 15% do capital da operadora.
O primeiro-ministro Angula afirmou que está a ser estudada a forma como esta venda será feita, sendo certo que esta deverá decorrer "de forma aberta e transparente, para evitar a corrupção".
A PT tem sido vista como interessada nesta participação que será colocada no mercado, mas o primeiro-ministro namibiano garante que a operadora portuguesa terá de concorrer em condições semelhantes às de outros potenciais interessados.
No entanto, Angula espera que a PT "continue a investir" na Namíbia, no segmento móvel ou em "outras oportunidades de negócio", tal como outras empresas portuguesas, em sectores como a "energia, transportes, turismo ou vinhos, entre outros".
"Os investidores portugueses são bem-vindos à Namíbia. Temos laços culturais muito antigos com Portugal e existe uma comunidade portuguesa na Namíbia. Para vocês, a Namíbia não é um país estrangeiro", sublinhou o governante africano.

Timor: Biblioteca e Museu Nacional nas prioridades do Governo

A Biblioteca Nacional (BNTL) e o Museu Nacional de Timor-Leste (MNTL) são prioridades estratégicas em fase de concretização, afirmou o responsável da Cultura timorense.
A localização da futura BNTL "já foi identificada" e o ministério da Justiça, que tutela a Direcção de Terras e Propriedades, já recebeu um pedido de atribuição do respectivo terreno, afirmou o secretário de Estado da Cultura, Virgílio Simith.
A BNTL poderá nascer de raiz no bairro de Aitarak Laran, no centro de Díli, não longe do novo Palácio Presidencial que está em construção, afirmou Simith, numa entrevista sobre a estratégia do Governo para a Cultura.
De acordo com mesma fonte, a BNTL, cujas linhas conceptuais estão a ser definidas pela Secretaria de Estado da Cultura (SEC), será um espaço polivalente que incluirá um centro de espectáculos.
É também objectivo do actual Governo concretizar a médio prazo o MNTL, construindo um espaço para a colecção já existente e que está guardada numa sala do ministério da Educação, que tutela a SEC.

No âmbito do programa "UNESCO/Timor-Leste Parceria de Museu a Museu", 45 peças, das cerca de 500 existentes na SEC, foram cedidas temporariamente ao Museu e Galeria de Arte do Território do Norte (MAGNT), em Darwin, Austrália.
A exposição no MGNT, patente a partir de Novembro de 2008, será a primeira exibição de envergadura, no estrangeiro, desde a independência timorense.
A SEC dispõe já de técnicos timorenses qualificados em diferentes aspectos de museologia e conservação, a partir de parcerias com o MAGNT, a UNESCO e instituições académicas, salientou Simith.
As opções estratégicas da SEC a médio e longo prazo reflectem a integração da política cultural na política geral de Educação, reflectida nos organigramas dos sucessivos governos de Timor-Leste.

Teixeira Duarte e Cimpor investem em fábrica de cimento na Namíbia

Um consórcio formado pela Teixeira Duarte (TD) e pela Cimpor vai investir até 180 milhões de euros numa fábrica de cimento na Namíbia, revelou hoje Jorge Gamito, responsável da C+PA, empresa do grupo TD responsável pelo projecto.

A nova unidade de produção, a construir em Karibib (a algumas dezenas de quilómetros do porto de Walvis Bay, a meio caminho entre a costa atlântica), deverá criar cerca de 200 postos de trabalho e produzir 600 mil toneladas de cimento por ano, adiantou o mesmo responsável, durante um encontro com jornalistas portugueses na capital da Namíbia. O governo da Namíbia atribuiu a licença para o novo projecto em Maio, esperando-se que as obras arranquem até ao fim do ano, de modo a que a nova unidade fabril entre em funcionamento em finais de 2010. De acordo com o mesmo responsável, cerca de metade da produção deverá destinar-se à exportação para outros países da África Austral, como Angola, Botwsana ou África do Sul. A TD detém 52% do capital da Karibib Portland Cements, a empresa constituída para construir a unidade fabril, cabendo os restantes 48% à Cimpor. Segundo Jorge Gamito, está prevista a venda de cinco por cento do capital da Karibib Cements a um consórcio de empresários namibianos, denominado Ciren Investments, que deverá colaborar na distribuição da produção da nova fábrica. O investimento na nova fábrica deverá situar-se entre 150 e 180 milhões de euros, com retorno previsto num prazo de entre 9 a 10 anos.

São Tomé quer empresas portuguesas para projectos de 161 milhões de euros

Obras no arquipélago ascendem aos 161 milhões de euros.

O primeiro-ministro de São Tomé e Príncipe, Rafael Branco, reúne-se hoje com várias empresas portuguesas, entre elas a construtora Mota-Engil. O objectivo é aliciar os empresários nacionais para a construção do novo aeroporto internacional do arquipélago, um investimento de cerca de 21 milhões de euros, bem como para o novo porto de águas profundas, no valor de 140 milhões de euros. No caso do novo aeroporto, o governo de Branco irá acordar com a empresa que ficar responsável pela construção, “um compromisso de concessão por alguns anos para a gestão da infra-estrutura”, avançou o primeiro-ministro em declarações à imprensa. Além das construtoras, Branco irá reunir-se com as petrolíferas, garantindo que está em cima da mesa a vontade do seu governo de “estabelecer parcerias com a Galp e a Sonangol para explorar os blocos de petróleo em São Tomé”. Os obstáculos do passado “serão ultrapassados com imaginação”, sublinhou.

Rafael Branco falava à margem da apresentação pública da nova companhia aérea de bandeira de São Tomé, a STP Airways, participada pela portuguesa euroAtlantic – um passo para “desenvolver a economia” no arquipélago, disse. A STP Airways terá um voo todas as segundas-feiras a ligar Lisboa a São Tomé e o presidente da euroAtlantic, Tomáz Metello, garantiu que será “mais que uma companhia aérea, um projecto verticalizado com o sector hoteleiro e o governo”.

sexta-feira, setembro 12, 2008

Guiné Bissau: Portugal anuncia reforço da cooperação técnico-militar

O ministro da Defesa português, Nuno Severiano Teixeira, anunciou hoje em Bissau o reforço de alguns projectos da cooperação técnico-militar com a Guiné-Bissau, nomeadamente o das lanchas, "fundamentais para o controlo de todos os tráficos ilegais". "Há projectos que vão ser reforçados, nomeadamente o das lanchas, que são fundamentais para o controlo e exercício da soberania da Guiné-Bissau e para o controlo de todos os tráficos ilegais", afirmou o ministro português, no final de um encontro com o Presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira.

"Foi manifestado pela Guiné-Bissau o interesse de ter um apoio técnico-militar de nível mais elevado e, no âmbito da cooperação, vai ser reforçada a componente técnico-militar com um oficial para fazer esse apoio técnico especializado", acrescentou Teixeira, que chegou quarta-feira a Bissau para uma visita oficial de dois dias. No encontro com "Nino" Vieira, o ministro da Defesa português abordou também a cooperação multilateral no âmbito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), anunciando que a Guiné-Bissau definiu o centro de instrução de Cumeré como o centro de excelência para a dimensão de defesa daquela organização.

"Nessa dimensão de defesa da CPLP, há projectos que estão relacionados com o desenvolvimento de uma rede de centros de excelência e a Guiné definiu o centro de instrução de Cumeré como um centro de excelência que pode vir a estar à disposição da CPLP", disse Severiano Teixeira. "Vamos, portanto, investir nesse centro, não só ao nível do melhoramento do quartel, mas também da activação e da formação de formadores", sublinhou o ministro, que realiza sexta-feira, antes de regressar a Lisboa, uma visita àquele quartel, situado nos arredores de Bissau. Severiano Teixeira abordou ainda com o chefe de Estado guineense a Missão da União Europeia para a Reforma do Sector da Segurança da Guiné, que considerou "fundamental para a consolidação das instituições democráticas e para a estabilidade política do país". Sobre as eleições legislativas na Guiné, previstas para 16 de Novembro, Severiano Teixeira disse que, segundo o Presidente guineense, estão a ser "desenvolvidos todos os esforços no sentido de realizar as legislativas". O Presidente guineense "espera que as eleições sejam um marco importante, fechando um ciclo e abrindo outro, na vida política da Guiné-Bissau, que permita dar estabilidade e segurança, condições fundamentais para o desenvolvimento", afirmou o ministro português.

Ucrânia: Deputados Rada Suprema têm passaportes portugueses (!?)

Há deputados da Rada Suprema (Parlamento ucraniano) que têm passaportes de países estrangeiros, nomeadamente de Portugal, confirmou hoje Natália Vitrenko, dirigente do Partido Socialista Progressista da Ucrânia.
"Na Rada, três quatros dos deputados têm passaportes estrangeiros: do Mónaco, Espanha, Portugal e Estados Unidos", precisou esta política pró-russa.

Contactada por telefone a partir de Moscovo, Vitrenko, também conhecida por "Jirinovski de saias", devido às suas posições radicais, afirmou ter recebido essas informações "de funcionários do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia".
"Não sei como conseguiram receber os passaportes portugueses. Sei é que, nos últimos tempos, homens de negócios ucranianos trabalham activamente em Espanha e Portugal. Criam uma empresa, recebem autorização de residência e, depois, nacionalidade", precisou.

Estas declarações foram feitas a propósito do receio das autoridades ucranianas face às notícias de que Moscovo estaria a distribuir passaportes russos entre a população da Crimeira, região autónoma da Ucrânia onde a maioria da população é de origem russa.
O Parlamento ucraniano, a fim de combater esse fenómeno pretende aprovar uma lei que obrigue os cidadãos a informar as autoridades quando receberem uma segunda nacionalidade.

quarta-feira, setembro 10, 2008

Cabinda : entre a fraude e a validade das eleições

Os resultados parciais das eleições legislativas de sexta-feira, pelo círculo eleitoral de Cabinda dão vantagem ao Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) sobre a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA). Segundo o mapa actualizado de 8 de Setembro de 2008, dos 90.406 eleitores com votos válidos que compareceram nas Assembleias de voto, 53.050.24, seja 59,48% votaram a favor do MPLA e 31.416.09, seja 34,75% a favor da UNITA.

Porém, em relação às províncias angolanas, caso por exemplo do Namibe onde o partido no poder chegou a obter 94.45% e o partido do Galo Negro 2.84%, em Cabinda registou-se uma vantagem mínima ao MPLA sobre a UNITA por causa sobretudo dos resultados de votação expressos pelos trabalhadores da indústria petrolífera em que a maioria esmagadora votou a favor da UNITA. O desânimo é evidente no MPLA; e o segundo secretário do MPLA, Mangovo Tomé fala de fraude. Porém, segundo o Director de informação do MPLA, Rui Falcão, "a vitória não está em causa, somente a obtenção da maioria qualificada". No caso de obter 2/3 dos 220 assentos de deputados no parlamento, o actual partido no poder angolano está, com efeito, à altura de modificar a Constituição.

in Jornal de SãoTomé (www.jornal.st)

terça-feira, setembro 09, 2008

Efacec ganha 4 aeroportos na Índia

A EFACEC vai fornecer e instalar sistemas de transporte de bagagens de partida e chegada em quatro novos terminais aeroportuários indianos, anunciou a empresa.
Fonte da empresa sublinhou que o negócio, no montante de 3 milhões de euros, reveste-se de enorme importância para o crescimento da actividade da Logística de Aeroportos, permitindo ainda o desenvolvimento das competências de engenharia e fabricação da joint venture local, Gearl, que irá “efectuar a assistência técnica e apoiar a operação durante o período de garantia de dois anos”. No concurso, lançado pela Autoridade Aeroportuária Indiana, que detém a concessão de 120 aeroportos na Índia, a empresa portuguesa, concorria com players mundiais como a alemã Siemens.

A obtenção deste contrato é resultado da estratégia de internacionalização que a Efacec tem vindo a implementar. Já em Janeiro deste ano, a empresa, de que é CEO, Luís Filipe Pereira, concretizou um importante passo neste seu objectivo de globalização ao estabelecer na Índia duas joint ventures com ogrupo C&S – Control and Switchgear.

Portugal é 2º país de 27 com mais empregados sem qualificação

Cerca de 60 por cento da mão-de-obra em Portugal não tem qualquer formação específica, sendo apenas ultrapassada, entre 27 países ocidentais, pela Turquia, onde aquele indicador se situa nos 64%, revela um relatório internacional.

Os indicadores da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), referentes a este ano mas elaborados com base em dados de 2006, colocam ainda Portugal nos últimos lugares quanto à percentagem de trabalhadores com formação superior (cerca de 13%), a par da Itália e só à frente da Turquia (pouco mais de 10%).

Quanto à mão-de-obra especializada, Portugal é também o penúltimo, com 28%, de novo apenas à frente da Turquia (cerca de 25%), e no lado oposto da Holanda, com um pouco mais de 50%, da Austrália (à volta de metade) e da Suíça (48%).
Ainda de acordo com a OCDE, em 2006 países como o Canadá e Israel tinham apenas sete por cento da sua força laboral sem formação universitária nem qualquer especialização.
Holanda, Suíça, Finlândia, Noruega e Islândia surgem logo a seguir nos lugares cimeiros, enquanto no fundo da tabela, mas à frente de Portugal, aparecem a Polónia, Itália, República Checa, Hungria e Eslováquia. Espanha surge à frente deste grupo, com cerca de 40% dos empregados sem qualquer qualificação específica.

Manuel Pinho "ofendido" com expressão usada pelo Financial Times

Finalmente, o ministro da Economia, Manuel Pinho, mostrou-se "ofendido" com a designação de "Pigs" (porcos, em inglês) utilizada pelo jornal britânico 'Financial Times' para se referir aos quatro países do sul da Europa - Portugal, Itália, Grécia e Espanha.

"Enquanto português que gosta do seu País, eu fico ofendido com tamanha designação. Fico, sinceramente, muito ofendido que designem o meu País por esse termo", disse Pinho, que falava aos jornalistas após a inauguração do Troiaresort, que teve lugar ontem.
Questionado sobre um eventual protesto junto do jornal britânico, o ministro da Economia e Inovação optou por não revelar a intenção do Governo português. Num artigo intitulado ‘Pigs in muck’, o jornal britânico evidenciava o mau desempenho da economia e o agravamento do défice dos quatro países do sul da Europa - Portugal, Itália, Grécia e Espanha, depois de um período de crescimento na sequência da adesão à zona euro e à moeda única. O acrónimo utilizado por aquele que é considerado como um jornal de referência na área da economia está a gerar grande indignação nos quatro países visados.

sábado, setembro 06, 2008

Investimento de 125 milhões 'voa' de Évora para França

Foi por água abaixo o projecto para instalar em Évora uma fábrica para construir o novo avião do grupo francês GECI, o 'Skylander'.
Um projecto de 125 milhões de euros e três mil postos de trabalho (mil directos).
Paris resolveu em três semanas o que Lisboa não solucionou em quatro anos.

Afinal Évora já não vai ter a fábrica dos aviões Skylander, do grupo francês GECI, projecto que previa um investimento na ordem dos 125 milhões de euros, criando cerca três mil postos de trabalho (mil directos, os restantes indirectos). Num volte-face ocorrido nas últimas três semanas, e que incluiu o envolvimento directo do Presidente da França, Nicholas Sarkozy, a GECI decidiu construir a sua nova unidade fabril na região da Lorena, França. Há quatro anos que se preparava a instalação da fábrica em Évora (!?).
O projecto já tinha obtido o estatuto de PIN (projecto de interesse nacional). Em Maio de 2007, Serge Bitboul, presidente da GECI, chegou a prometer: "Estamos nos últimos acertos. Estará tudo [pronto] no Verão. Absolutamente." Em Maio deste ano um grupo de executivos do grupo francês esteve em Évora e Bitboul explicou: "Queremos que as direcções de topo das várias empresas da GECI espalhadas pelo mundo aproveitem para conhecer o Alentejo, sentir este lugar onde vamos desenvolver um dos nossos projectos nas próximas duas décadas."

A GECI anunciou a suas intenções anteontem à tarde na Bolsa de Paris após uma reunião de Serge Bitboul com o ministro francês Jean-Louis Borloo (do Ordenamento do Território). "Perante a oportunidade proposta pelo Estado [francês] e pela região da Lorena de instalar esta nova indústria aeronáutica em Chambley-Bussières e a vontade de respeitar o nosso calendário de projecto, procedemos à relocalização do programa", disse Bitboul. A decisão da GECI deve-se ao facto de "o desenvolvimento do projecto em Évora, nos prazos definidos, se ter tornado impossível face aos entraves e outras questões absurdas colocadas pela burocracia portuguesa".

"O governo francês contactou a GECI no início de Agosto e em três semanas resolveu o assunto que em Portugal as autoridades não conseguiram tratar em mais de quatro anos." A unidade fabril - que seria a primeira em Portugal de construção aeronáutica - construiria o Skylander-100, um bimotor turbopropulsor com capacidade para transportar até 3,3 toneladas de carga e capacidade para, no máximo, 29 pessoas. Poderá ter vários usos: humanitário, transporte médico, combate a incêndios. A GECI, que dizia já ter mais 180 encomendas para o novo aparelho, pretendia começar a fazer entregas em 2010. Seriam produzidos em Évora seis aviões por mês.

'Financial Times' chama porco a Portugal

O jornal 'Financial Times' (FT) retomou o acrónimo para definir o défice de Portugal, Itália, Grécia e Espanha - PIGS, ou porcos, em português.

Salvador da Cunha, presidente da APECOM (Associação Portuguesa das Empresas de Conselho em Comunicação e Relações Públicas), diz que é motivo para um "incidente diplomático". Espanha, que também foi visada, já se queixou ao jornal britânico.
"O Governo português tem de se pronunciar sobre isto." É desta forma que Cunha, presidente da APECOM, reage ao artigo de opinião publicado pelo FT, que retoma o acrónimo para classificar os défices de Portugal, Itália, Grécia e Espanha - PIGS (o S é de Spain), em português, porcos.

Já o havia feito aquando da adesão de Portugal ao Euro. O jornal vai mais longe e apelida estes países de "pigs in muck" - porcos na pocilga, na tradução literal. "Há oito anos, os porcos chegaram realmente a voar. As suas economias dispararam depois da adesão à Zona Euro (...), mas agora os porcos estão a cair novamente por terra", lê-se no artigo publicado no dia 1 deste mês no FT.

Em Espanha, a DIRCOM - associação que reúne directores de comunicação de empresas como o Banco Santander, El Corte Inglés ou Repsol, entre muitas outras - enviou uma carta ao FT, já publicada pelo diário, em que considera que o termo usado é "depreciativo e degradante". E acrescenta que não pode ser "considerado como um jogo de palavras pouco feliz, nem uma anedota de mau gosto". O artigo de opinião, escrito pelos responsáveis do jornal britânico, é classificado pela entidade espanhola como um atentado à dignidade dos cidadãos, políticos e empresas daqueles países. Contactado João Palmeiro, presidente da Associação de Imprensa (API), este não quis tomar, para já, uma posição.

quarta-feira, agosto 27, 2008

Guerras e guerrinhas

É extremamente preocupante ver o tipo de clique que tomou conta da Rússia política. Líderes que tentam um novo programa de expansão à custa de grandiosidades territoriais passadas, e que encobrem o futuro sob um manto de regresso a uma cortina de ferro e a tempos de Guerra Fria.

Apoiada num bloco com a grandiosidade chinesa, levanta o pescoço numa tentativa de afirmação perante mundo, provavelmente desnecessária... reconhecendo independências de regiões integradas na Geórgia, um país independente e soberano. A abkhásia e a Ossétia do sul, querendo ou não as suas gentes separação da geórgia, a Rússia aproveita simplesmente a chance de afirmar o seu poderio e a sua tentativa hegemónica de controlo territorial, além de demonstrar de forma categórica tanto a sua ambiguidade como a falência das instituições supra nacionais, nomeadamente a ONU.

Claramente esta tomada de atitude esta programada, é sobretudo uma vingaça do ocidente devido à questão do Kosovo. Esta é a realidade óbvia, e o real propulsor das ultimas atitudes russas. Mas é apenas um propulsor de um sentimento latente na sociedade política russa.

Instituições como a ONU ficam fragilizadas, porque os grandes países, o conselho de segurança, apenas funciona em relação a quem não tem forma de se auto-sustentar. EUA, Rússia, China, desrespeitam a belo prazer... e no fim a sala doc CS da ONU apenas é a demonstração pública de um combate de egos...

quarta-feira, agosto 06, 2008

Brasil: Selo homenageia gastronomia luso-brasileira nos 200 anos da chegada da família real

A gastronomia luso-brasileira será homenageada com o lançamento de um selo comemorativo aos 200 anos da chegada da família real portuguesa ao Brasil, em 1808.

Criado pela artista Luciana Bricio e com uma tiragem de 600.000 unidades, o selo integra a "Série 200 Anos da Chegada da Família Real" lançada pela Empresa Brasileira de Correios (ECT) do Brasil.
Com um valor de face de 0,90 reais (0,37 euros), o selo destaca duas especialidades da culinária luso-brasileira: o cozido português e o quindim brasileiro.
O lançamento do selo decorrerá sexta-feira, em Brasília, num almoço na Embaixada de Portugal, organizado pela Academia do Bacalhau e Instituto Camões (IC).
O cardápio inclui um cozido completo à portuguesa, regado a vinho português, e, na sobremesa, os famosos quindins brasileiros.
"Trata-se de uma forma de homenagear as relações luso-brasileiras também na área da gastronomia", disse o presidente da Academia do Bacalhau, Delfim da Costa Almeida.
A "Série 200 Anos da Chegada da Família Real" incluiu o lançamento de 16 diferentes tipos de selo com homenagens a diversas instituições fundadas por D. João VI.
Entre as instituições homenageadas estão o Banco do Brasil, o Corpo de Fuzileiros Navais, o Poder Judiciário, o Superior Tribunal Militar e a Faculdade de Medicina da Bahia.

Portugueses compraram quase 230 mil portáteis entre Abril e Junho

Foram vendidos 228,3 mil computadores portáteis em Portugal no segundo trimestre deste ano, cerca de 50 mil a menos do que os contabilizados no mesmo período.

Segundo a análise da consultora, a Hewlett-Packard (HP) foi a fabricante que se destacou, tanto no segmento de desktops como portáteis, tendo vendido quase 70 mil equipamentos no período analisado, o que lhe valeu uma quota de mercado de 29,3%. O segundo lugar da tabela pertence à Toshiba, que vendeu 57,8 mil portáteis e viu o seu share subir de 18,5 para 25,3% em termos homólogos.
Entre as marcas internacionais, a Dell foi a que viu o seu volume de vendas aumentar mais. A fabricante norte-americana obteve um crescimento de 215,1% face ao mesmo período do ano passado, com 8,35 mil portáteis comercializados, seguida pela Toshiba (195%) e HP (147,6%).

Também a JP Sá Couto aumentou consideravelmente as suas vendas, obtendo um crescimento 197,5%. A fabricante passou de um volume de vendas na ordem dos 1,87 mil equipamentos para a comercialização de 5,549 mil portáteis no segundo trimestre deste ano e somou uma quota de mercado de 2,4%.
De um modo geral, todas as fabricantes, nacionais e internacionais, aumentaram as vendas e quota de mercado entre o segundo trimestre de 2007 e o mesmo período deste ano, à excepção da Sony, que registou um decréscimo de 4,3% e viu a sua quota de mercado cair até aos 3,1% face aos 6,9% registados há um ano.

Guiné-Bissau: A mesma notícia, leituras diferentes

Intitulada "Crise política na Guiné-Bissau: Presidente da República dissolve Assembleia" a notícia da Agence France-Presse, divulgada no sítio Jeune afrique.com, dá detalhes preciosos sobre a nova crise política guineense.

Segundo a notícia, que caracteriza a Guiné-Bissau como um "pequeno país minado pela instabilidade política e entre os mais pobres do mundo", o PR "decidiu dissolver a Assembleia national depois de ter recebido todos os partidos políticos, a sociedade civil e o Conselho de Estado". Mas, se até aqui não há nada de novo em comparação com a notícia da Agência Lusa, a AFP começa a tirar conclusões acerca do sucedido.

Assim, adianta que "não foram oficialmente dadas razões" para esta atitude de Nino Vieira e que, repare-se agora "o Primeiro Ministro, Martinho Ndafa Cabi, estava ausente do país por razões de saúde". O PM estava ausente por estar doentinho... Era caso para rir, se não fosse demasiado sério. Estes "motivos de saúde" fazem parte da lista dos argumentos mais usados pelas chancelarias ocidentais quando querem tirar de um país algum dirigente seu protegido.

Nesta altura da notícia ansiamos por novos detalhes.
Depois de sabermos, e não é propriamente uma novidade, que a antiga colónia "est confronté depuis plusieurs années à d'incessants remous politiques", e de ser feito um ponto da situação semelhante ao da Lusa, adianta-se que Nino tem 69 anos e que a Guiné atravessa uma crise económica e social. Mas há mais. A Guiné-Bissau, e não resisto a transcrever, "dont la noix de cajou constitue officiellement la première recette à l'exportation, est de plus en plus considérée comme un "narco-Etat" et une des principales portes d'entrée en Afrique de l'Ouest de la cocaïne sud-américaine avant son acheminement vers les marchés européens". E "dans un pays miné par la corruption et aux infrastructures défaillantes, les narcotrafiquants se font de plus en plus menaçants. La ministre de la Justice bissau-guinéenne, Carmelita Pires, a déclaré la semaine dernière avoir reçu des menaces de mort en relation avec la saisie à Bissau d'un avion qui avait transporté quelque 500 kg de cocaïne. La drogue a disparu avant l'arrivée de la police."

Ironia... Não me recordo de ver este problema discutido na Cimeira de Chefes de Estado da CPLP. Porque terá sido?

Brasileiros podem viajar dentro CPLP com vistos curta duração

Os cidadãos brasileiros poderão viajar para os países de língua portuguesa com vistos de curta duração, que dependem de menos burocracia para ser emitidos.

O Acordo sobre Estabelecimento de Requisitos Comuns Máximos para a Instrução de Processos de Curta Duração entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) foi promulgado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Assinado em 2002, em Brasília, durante a IV Cimeira dos Chefes de Estado e de Governo da CPLP, o acordo facilita o trânsito entre cidadãos de Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe.
Os requisitos para concessão de visto de curta duração incluem viagens de trânsito, turismo e de negócios.
A documentação exigida para concessão do visto passa a ser apenas duas fotografias, passaporte com pelo menos três meses de validade, prova de meios de subsistência, bilhete de passagem ida e volta e certificado internacional de vacinação.
"A emissão de vistos de curta duração por parte de um Estado-membro a cidadãos nacionais de qualquer outro Estado-membro deverá ser efectuada no mais curto espaço de tempo, não devendo ultrapassar o prazo máximo de sete dias", refere um dos artigos do acordo.

Guiné-Bissau: Carlos Correia Primeiro-Ministro pela 3ª vez

Carlos Correia foi terça-feira chamado pelo Presidente da República (PR) da Guiné-Bissau, João Bernardo "Nino" Vieira, para ser, pela terceira vez, Primeiro-Ministro (PM), com o objectivo de liderar o executivo até às eleições legislativas de Novembro.

PM pela primeira vez depois de o país ser aberto ao multipartidarismo, no inicio da década de 90 do século XX, Correia deixaria o executivo com o advento das primeiras eleições pluralistas da 1994, que viria parar novamente às suas mãos em 1997.
Nesse hiato, o cargo foi desempenhado pelo actual 1.º vice-presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Manuel Saturnino Costa, tendo Correia sido surpreendido com o início do conflito militar de 7 de Junho de 1998, que levaria à destituição, 11 meses mais tarde, a 7 de Maio de 1999, de Nino.
Correia, que substitui Martinho Ndafa Cabi, empossado a 13 de Abril de 2007, torna-se assim o 17º chefe de executivo - entre 15 personalidades - do país em 35 anos de independência.

O primeiro PM da Guiné-Bissau foi Francisco Mendes, conhecido por Tchico Té, quando o país ascendeu à independênciade Portugal, a 24 de Setembro de 1973. Sempre na esteira do partido-Estado, o PAIGC foi obrigado a escolher um novo PM nos finais dos anos 70, depois de Té ter falecido.
Constantino Teixeira passou então a chefiar o governo, que exerceu durante cerca de 2 meses e meio (7 de Julho a 28 de Setembro de 1978), até ser substituído precisamente pelo actual PR, Nino.
Este acabaria por acumularia com a tutela da pasta da Defesa até 14 de Novembro de 1980, dia em que liderou um golpe de Estado em que derrubou o regime de Luís Cabral, o então PM.
Consumado o golpe, Nino ascendeu a PR do país e indigitou PM Vítor Saúde Maria, que chefiava, na altura, o Ministério dos Negócios Estrangeiros e que, mais tarde, em 1991, fundou e liderou o Partido Unido Social-Democrata (PUSD).
Saúde Maria, que faleceu em 2000, manteve-se no cargo até meados dos anos 80, altura em que foi acusado por Nino de fomentar uma tentativa de golpe de Estado, em 1985.
Na ocasião, Nino acabou com o cargo de PM, só o voltando a criar com a abertura do país ao multipartidarismo, no início dos anos 90, tendo escolhido Correia para chefiar o executivo, substituído, após as legislativas de 1994, por Saturnino Costa.

Em Dezembro de 1998, a Guiné conhece o primeiro de 2 governos de transição, com Francisco Fadul a assumir o cargo até à realização de eleições gerais, em Novembro de 1999, ganhas pelo Partido da Renovação Social (PRS), então liderado por Kumba Ialá.
Ao longo dos cerca de 3 anos e meio de presidência de Ialá (Fevereiro de 2000 a Setembro de 2003), a Guiné conheceu 4 PM: Caetano Intchamá, Faustino Embali, Alamara Nhassé e Mário Pires.
Este último, acabaria por cair na sequência do golpe de Estado que também derrubou o regime de Ialá, a 14 de Setembro de 2003, a que se seguiu o segundo e último governo de transição, liderado por Artur Sanhá, secretário-geral do PRS.
Sanhá chefiou a transição até às legislativas de Março de 2004, ganhas pelo PAIGC, e que levaram o líder do antigo partido único, Carlos Gomes Júnior, a assumir o executivo até 28 de Outubro de 2005, dia em que Nino, entretanto vencedor das presidenciais de Junho e Julho desse ano, o exonerou.
Nesse mesmo dia, o escolhido por Nino foi Aristides Gomes, que chefiou o executivo até 13 de Abril de 2007, altura em que, depois de mais uma crise política, Nino nomeou Martinho Ndafa Cabi.
O executivo de Cabi durou, assim, 15 meses e 23 dias, até que terça-feira, sempre Nino e sempre devido à crise política (desde que aderiu ao multipartidarismo, em 1991, a Guiné nunca concluiu uma legislatura) o exonerou e substituiu por Carlos Correia.

Portugal ganha a Espanha investimento da Air Liquide

O gigante francês Air Liquide tem em curso um forte plano de investimentos na Europa, em que Portugal é um dos protagonistas.
A empresa produtora de gases industriais e medicinais, em vez de Espanha, decidiu investir perto de 130 milhões de euros no mercado português.
"Estamos a investir, numa perspectiva de longo prazo, em duas novas unidades produtivas, em Sines e Estarreja, e num centro de enchimento de garrafas na Arruda dos Vinhos", sintetiza o director-geral para a Península Ibérica da Air Liquide. Etienne Hubert assume que "antes de decidir realizar estes investimentos em Portugal, reflectimos muito e tínhamos duas ou três alternativas em Espanha".

terça-feira, agosto 05, 2008

Guiné-Bissau: PR dissolve Assembleia Nacional Popular

O Presidente da Guiné-Bissau dissolveu a Assembleia Nacional Popular na sequência da "grave crise institucional" que afecta o país, segundo um decreto presidencial divulgado hoje em Bissau.

Abre-se novamente caminho à consequente crise interna...

"A ASAE, os "CSI labs" e as eleições" por Camilo Lourenço

A nossa qualidade de vida melhorou porque acabaram os galheteiros nos restaurantes? Ou porque se proibiu as bolas de Berlim nas praias? Ou porque estabelecimentos artesanais, que faziam queijinhos, requeijão e bolos de amêndoa fecharam as portas?

A nossa qualidade de vida melhorou porque acabaram os galheteiros nos restaurantes? Ou porque se proibiu as bolas de Berlim nas praias? Ou porque estabelecimentos artesanais, que faziam queijinhos, requeijão e bolos de amêndoa fecharam as portas? Apesar do estômago delicado, não me lembro de nenhuma intoxicação provocada pelo abuso destes e de outros produtos. Em compensação, e a coberto de um fundamentalismo bacoco, íamos dando cabo de actividades típicas de certas regiões. Aquelas que respondem por parte do emprego (não assegurado pelas autarquias) e da riqueza locais. A revisão das normas que regulamentam estas actividades é bem-vinda (o jeito que dá ter eleições à porta...). Sobretudo porque limita a inépcia da ASAE, que atirava em tudo o que mexia na área alimentar se não tivesse a assepsia dos laboratórios CSI (o seu presidente até chegou a dizer que mais 50% dos restaurantes teriam de fechar as portas).

Todos ganhamos com regras que melhoram a higiene e segurança alimentar. Mas todos perdemos com exageros que dão cabo de produtos (cuja receita atravessou, em certos casos, gerações inteiras) que ajudam a pôr certas regiões no mapa e, até, a diferenciar o País de outros (gastronomia e produtos regionais são variáveis fundamentais no turismo de qualidade). Pormenor importante numa altura em que a globalização ameaça homogeneizar tudo e mais alguma coisa.

Timor-Leste: Ban Ki-moon critica forças de segurança

Timor-Leste vai continuar a necessitar de uma "robusta" presença de forças policiais das Nações Unidas e do envolvimento da comunidade internacional para garantir a sua estabilidade, defendeu o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Num relatório ao Conselho de Segurança, divulgado segunda-feira, Ban Ki-moon recomendou que não sejam feitos quaisquer "ajustamentos" ao mandato da Missão Integrada das Nações Unidas em Timor-Leste (UNMIT).
Fontes na ONU disseram que as recomendações serão analisadas pelo Conselho de Segurança no dia 19 de Agosto.
Este é o primeiro relatório do secretário-geral da ONU sobre a situação em Timor-Leste desde as tentativas de assassinato do Presidente e primeiro-ministro timorenses, a 11 de Fevereiro.
Face a esses acontecimentos "deploráveis", Ban Ki-moon saudou a actuação "firme e racional" do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, o facto de o Parlamento ter funcionado "efectivamente como um fórum de debate em resposta aos acontecimentos", os dirigentes dos partidos por terem apelado aos seus apoiantes para permanecerem calmos e a população em geral, que "demonstrou fé na capacidade do Estado em fazer face à situação".
Saudou também o Presidente da República, José Ramos-Horta, pelo "seu empenho para com o diálogo a todos os níveis" desde que regressou da Austrália, onde recuperou dos ferimentos sofridos a 11 de Fevereiro.

Lusofonia: Macau disponível para alargar cooperação com Moçambique

"Tive encontros com o Chefe do Executivo e com o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, Fernando Chui Sai On, que me manifestou total disponibilidade de Macau para cooperar com o nosso país em mais áreas como a educação", disse David Simango, que chegou segunda-feira a Macau.

O ministro visitou Macau para acompanhar a evolução do estágio dos atletas olímpicos moçambicanos no território antes de seguir hoje para Pequim e no regresso a Maputo vai "informar o Governo da abertura do Executivo de Macau a maior cooperação".
"Já existe cooperação com Macau e estamos agora a falar de alargar o leque desse trabalho para outras áreas porque foi na base da cooperação desportiva que foi possível organizar aqui o estágio de vários atletas olímpicos", concluiu.

Cabo Verde: UE disponibiliza 51 M€ do décimo FED

Cabo Verde vai receber da União Europeia (UE) 51 milhões de euros no quadro do X Fundo Europeu de Desenvolvimento (FED) para para o período 2008/2013.

O programa de cooperação, assinado hoje na capital cabo-verdiana prioriza o apoio à implementação da estratégia de crescimento económico e redução da pobreza e um programa de boa governação, com mais de 30 milhões euros.
O segundo grande domínio é o apoio ao desenvolvimento das actividades da parceria especial entre Cabo Verde e a União Europeia com cerca de mais de 10 milhões de euros.
Segundo explicou a ministra das Finanças cabo-verdiana, Cristina Duarte, outros projectos serão contemplados no âmbito do 10º FED.
"Além desses dois domínios de concentração, o programa consagrará recursos para acções de cooperação técnica e para o desenvolvimento da capacidade institucional de organizações da sociedade civil, e ainda para a contribuição do envelope nacional do FED a um importante programa de cooperação (32 milhões de euros) entre os PALOP-Timor Leste e a Comissão Europeia", afirmou.

O embaixador da UE em Cabo Verde, Josep Coll, afirmou que o país entrou numa nova fase com a classificação de país de rendimento médio pelo que nos primeiros tempos os parceiros terão de apoiar o país para que sejam consolidados os ganhos já obtidos.

Fradique de Menezes: São Tomé "gastou depressa" receita do petróleo

As receitas petrolíferas de São Tomé e Príncipe foram "muito rapidamente" usadas e as autoridades ficaram, agora, com a tarefa de lidar com fortes as expectativas criadas, afirmou na segunda-feira o presidente de São Tomé e Príncipe, Fradique de Menezes.

"A ideia de que temos muito petróleo tem criado problemas junto da comunidade internacional. [...] E quando nos apresentamos para pedir o perdão da dívida, perguntam porquê, já que nós “temos” muito petróleo", afirmou o PR são-tomense.
Falando no início do Fórum de Investimento 2008, organizado pela Autoridade de Exploração Conjunta de Petróleo São Tomé-Nigéria, Fradique afirmou que essas expectativas também "continuam a reinar nos cidadãos" do arquipélago.
Os "cento e tal milhões de dólares" de receitas de atribuição de licenças de exploração de blocos, "para um país pequeno, foram muito rapidamente utilizados", admitiu o chefe de Estado.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Macau mantém tendência de subida em visitantes e alarga margem para Hong Kong

A antiga possessão portuguesa confirmou no primeiro semestre do ano a tendência de subida do sector do turismo ao receber quase mais um milhão de visitantes que a vizinha Hong Kong, segundo dados estatísticos.

Entre Janeiro e Junho, Macau recebeu 14,9 milhões de visitantes, 8,77 milhões dos quais oriundos do continente chinês enquanto que Hong Kong acolhia 14,1 milhões de pessoas, 7,89 das quais da China continental.
A forte subida do turismo de Macau, que no primeiro semestre registou um aumento de 18,1% face ao mesmo período de 2007, tem potenciado a aproximação e a passagem de Hong Kong em termos de visitantes já que a antiga colónia britânica verifica apenas crescimentos de 8,9% nos primeiros seis meses de 2008 face ao primeiro semestre de 2007.

Os novos hotéis, espaços comerciais e casinos e a maior abertura chinesa ao turismo foram responsáveis pelo forte crescimento do turismo em Macau que este ano deverá atingir cerca de 30 milhões de visitantes, contra cerca de 27 milhões em 2007.
Macau tem 29 km2 e uma população de 538.000 pessoas estimadas no final de 2007.

quinta-feira, julho 31, 2008

Governo aprova contrato para instalação de nova fábrica da Lactogal

O Governo aprovou hoje as minutas do contrato de investimento celebrado entre o Estado e várias empresas do sector cooperativo leiteiro que prevê a construção de uma fábrica da Lactogal em Oliveira de Azeméis.

A fábrica da Lactogal permitirá concentrar as produções de queijo actualmente dispersas por dois centros fabris, localizados em Sanfins e Avis, numa única unidade a construir de raiz, bem como a construção de uma torre de tratamento e secagem de soro em substituição de duas torres de secagem actualmente localizadas em Leça do Balio e Avis.
O documento precisa que este investimento, que ascende a um montante total de 48 milhões de euros, "envolve a criação de 160 postos de trabalho e permitirá o alcance de um valor mínimo anual de vendas de queijo curado de cerca de 8314 toneladas nos anos de 2010 e 2011 e de 8564 toneladas a partir de 2012 e até 2014, bem como de um valor mínimo anual de Vendas de soro em pó de cerca de 4533 toneladas nos anos de 2010 e 2011 e de aproximadamente 4670 toneladas a partir do ano de 2012 e até 2014, ano do termo de vigência do Contrato".

O contrato foi celebrado entre o Estado e a Lactogal SGPS, a Agros, União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes, UCRL, a Proleite, Cooperativa Agrícola de Produtores de Leite do Centro Litoral, CRL, a Lacticoop, União das Cooperativas de Produtores de Leite de Entre Douro e Mondego, UCRL e a Lactogal, Produtos Alimentares, S. A..

Professores de Português nos EUA acusam Portugal de não investir na língua

Os professores de Português nos Estados Unidos (EUA) acusaram o Governo de Lisboa de não investir no ensino da Língua Portuguesa naquele país, durante o XVI Encontro de Professores de Português dos Estados Unidos e Canadá, na semana passada na Horta, Faial.

Lúcia Lopes, professora na escola Luís de Camões, em Newark, Nova Jérsia, disse que, nos últimos anos, Portugal não gastou "um único dólar" no ensino directo do Português nas escolas comunitárias, deixando toda a responsabilidade nas mãos das associações. "Não colocam professores, não pagam aos que cá estão, não apoiam com materiais escolares, nem formação, nem qualquer outra coisa", disse a docente. Segundo Raul Rodrigues, da escola secundária norte-americana Durffe High School, de Fall River, estado de Massachusetts, o "Estado português prefere investir milhares de dólares e apoiar leitorados de Português em universidades onde estudam meia dúzia de alunos estrangeiros". "A minha escola (Durffe HS) precisa de professores de Português, mas não os encontra porque eles não se formam nas universidades norte-americanas", sublinhou o professor. "No entanto, o Estado português continua a investir milhares de dólares em Centros de Português em universidades norte-americanas não se sabe bem para quê", acrescentou.

Durante a reunião na Horta, que reuniu 120 professores, ouviram-se muitas queixas de docentes que lutam "com falta de tudo e de mais alguma coisa" para ensinaram Português aos luso-descendentes, reclamando apoio de Portugal. Lamentam ainda o facto do secretário de Estado da Educação, Jorge Pedreira, presente no encontro, lhes ter levado uma mensagem que é mais de "desilusão" do que de "esperança". "De um momento para o outro, a nova legislação do Ensino do Português no Estrangeiro ignora totalmente as escolas comunitárias, a comunidade e o trabalho aqui desenvolvido ao longo dos anos, optando por criar uma certificação que é uma espécie de exame da escola virtual que todos sabem e que ninguém se vai dar ao trabalho de fazer", frisou um dos docentes.
Lúcia Lopes, por seu lado, referiu que a nova legislação esvaziou estas escolas e estes cursos de qualquer valor junto das comunidades, ao retirar-lhes os professores que aqui se encontravam destacados, agora obrigados a optar entre os EUA, sem vínculo à Função Pública, e as escolas a que pertencem em Portugal.

Nos EUA existem cerca de 50 escolas comunitárias pertencentes a associações, igrejas e comissões de pais, onde é ensinada a Língua Portuguesa aos filhos dos emigrantes. O ensino do Português como língua estrangeira existe apenas em meia dúzia de escolas norte-americanas nos estados da Califórnia, Massachusetts e Nova Jérsia. Os professores que participaram no XVI Encontro manifestaram-se ainda pessimistas em relação ao futuro deste ensino com a passagem da sua tutela para o Instituto Camões, que dizem estar mais vocacionado para o ensino universitário. A Associação de Professores de Português dos EUA e Canadá, responsável pela organização do Encontro, pediu, nas conclusões, um compromisso explícito do governo português nesta questão, concluindo que "há a necessidade de implementar uma estratégia comum" para os EUA e Canadá, "que inclua todos os níveis de ensino, desde o integrado às escolas comunitárias e universidades, através de coordenadores que conheçam a realidade específica deste espaço da diáspora portuguesa".

terça-feira, julho 29, 2008

Real politik à portuguesa, por Camilo Lourenço

Sócrates vai a Angola. Sócrates vai à Líbia. Sócrates recebe Chávez. As cabeças pensantes inquietam-se com tanta côrte a gente pouco recomendável. O problema é que as coisas não são assim tão simples. É óbvio que Sócrates não gosta de lamber os pés àquela gente. Mas não tem outra solução.

Como não teria Manuela Ferreira Leite (ou Passos Coelho) se estivesse no seu lugar: quando se gere um país com limitações, o idealismo cede à real politik. Portugal tem, ao longo do século XX (para não ir atrás), bons exemplos disso. À Esquerda e à Direita. Salazar fechou os olhos às atrocidades nazis para não ter chatices com os alemães. Caetano ignorou os crimes dos sul-africanos em troca do seu apoio (e depois do 25 de Abril nunca fomos muito duros com os sul-africanos por causa dos 600 mil portugueses que lá viviam…). Soares apoiou um ditador (Savimbi), enquanto Cavaco privilegiou outro (Eduardo dos Santos).

Uma análise simplista levaria a dizer que é a sina dos países pequenos. É, mas não só: Margaret Thatcher e Helmut Schmidt apoiaram a construção do gasoduto trans-siberiano sabendo que a Rússia ficaria com um poderoso "leverage" sobre a Europa (como está a acontecer). É isso e a lei dos negócios: se não formos nós, outros ocuparão o nosso lugar. E o país não pode recusar bons negócios… e influência geoestratégica (coisa de que os críticos se parecem esquecer). Mais nada.

Lírica de Luís de Camões publicada nos Estados Unidos

Uma antologia com o título "Collected Lyric Poems of Luís de Camões" acaba de ser publicada nos Estados Unidos, numa tradução do poeta e professor britânico Landeg White.

A obra, nas livrarias desde a semana passada, tem chancela da consagrada editora Princeton University Press (PUP), que assinalou tratar-se da primeira colectânea em inglês da poesia lírica de Camões.
Para a PUP, a obra lírica de Camões é suficiente para o poeta ser colocado "entre os grandes poetas, mesmo se nunca tivesse escrito 'Os Lusíadas'". "Luís de Camões é famoso em todo o mundo como o autor da grande épica do Renascimento, 'Os Lusíadas', mas a sua enorme e igualmente grande obra de poesia lírica é praticamente desconhecida fora do seu país natal, que é Portugal", assinalou a editora numa declaração..

"Camões foi o primeiro grande artista europeu a atravessar o hemisfério sul e a sua poesia é marcada por quase duas décadas passadas no norte e leste de Africa, Golfo Pérsico, Índia e Macau. Desde uma elegia em Marrocos a um hino escrito no Cabo Guardafui na ponta norte da Somália, até aos primeiros poemas modernos de amor a uma mulher não europeia, essa lírica reflecte os encontros de Camões com lugares e povos radicalmente desconhecidos", lê-se ainda. A antologia está organizada de acordo com as viagens de Camões, "o que permite a leitura do livro como uma viagem".

segunda-feira, julho 28, 2008

Elvira Fortunato vence maior prémio dado a um investigador português

A cientista que ganhou 2,5 milhões de euros.
Foi uma semana verdadeiramente louca para a carreira de Elvira Fortunato. Antes ela já soubera por via não oficial que fora contemplada com o primeiro prémio na área da Engenharia do European Research Council (ERC), organização que pela primeira vez atribui em 2008 aqueles que são considerados uma espécie de Prémios Nobel europeus.

O nome do projecto vencedor em inglês é 'Invisible' (Invisível) e propõe-se fazer transístores e circuitos integrados transparentes usando óxidos semicondutores, uma ideia arrojada e inovadora a nível mundial. Mas faltava a carta do ERC com a confirmação oficial.
Só que outros acontecimentos se meteram pelo meio. Na segunda-feira, na véspera de fazer 44 anos, a cientista da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL) recebeu uma prenda antecipada fantástica: a reitoria da UNL enviou para os "media" nacionais e estrangeiros um comunicado onde anunciava que a equipa do Centro de Investigação de Materiais (Cenimat), dirigida por Elvira, tinha produzido pela primeira vez no mundo transístores com uma camada de papel como material isolante, em vez do tradicional silício.
A notícia entrou imediatamente nas edições "on-line" de vários jornais portugueses, incluindo o Expresso, foi manchete na edição em papel de terça-feira do 'Público', levou Elvira nesse mesmo dia ao jornal da noite na SIC, surgiu na edição "on-line" do 'Financial Times' e caiu que nem uma bomba nos meios científicos mundiais. De tal maneira que na quinta-feira à noite, uma pesquisa no Google com as palavras em inglês "paper transistor" (papel transístor) encontrava já mais de quatro milhões de sítios na Internet em todas as línguas - incluindo chinês e russo - a falarem do tema, a maioria deles referindo-se à descoberta da equipa liderada por Elvira.

"Nesta semana não consegui simplesmente trabalhar, porque estava sempre a receber telefonemas e "mails" de parabéns, inclusive de pessoas que nem sequer conheço, e pedidos de entrevistas e de informações vindos de revistas e de sítios especializados, principalmente dos EUA", conta a investigadora.

Quinta-feira, o ERC confirmava oficialmente a atribuição do 1º Prémio de 2,5 milhões de euros com a nota máxima da tabela classificativa (8), e incluía o nome de Elvira no Top 5 mundial dos investigadores em electrónica transparente.
O prémio é pessoal e traduz-se num financiamento para os próximos cinco anos que a directora do Cenimat poderá utilizar na investigação como quiser, onde quiser e com a equipa que entender. Mas o que fará a cientista ao dinheiro?
"Este dinheiro é fundamental para o centro de investigação, porque vai permitir consolidar a actividade da minha equipa na electrónica transparente, uma área com potencialidades que hoje ninguém imagina". Assim, a maior parte do prémio será aplicada na compra de um microscópio electrónico para observações à nanoescala e fabrico de nanotransístores, e em despesas de pessoal.
Estas despesas incluem a contratação de mais um doutorado e um técnico, e o pagamento de metade do salário de Elvira durante 5 anos, "o que significa que posso contratar um professor para dar as minhas aulas, de modo a dedicar-me inteiramente à investigação, sem qualquer prejuízo para a FCT-UNL". Hoje trabalham com a cientista três alunos de mestrado, dez de doutoramento e seis doutorados estrangeiros oriundos da China, Índia e Sri Lanka.

Empresa na Hora apontada como caso de sucesso em estudo do Banco Mundial

Portugal surge como caso de sucesso num estudo do Banco Mundial (BM) pela medida Empresa na Hora (EnH), lançada em 2005, que permitiu reduzir o número de procedimentos e o tempo de espera para iniciar um negócio.

O estudo "Celebrating Reform 2008", sobre as reformas efectuadas em todo o mundo, apresenta a medida EnH, dizendo que "o seu sucesso inspirou outros países", tendo Angola e Cabo Verde pedido apoio legal e técnico, com base no modelo português.
Países tão diferentes como a Eslovénia, Hungria, Egipto, Moçambique, Chile, Brasil, Finlândia, Suécia ou China - indica o mesmo documento - visitaram o serviço Empresa na Hora para conhecer a forma como Portugal facilitou o processo de iniciar uma empresa.
O estudo do BM refere que Portugal é agora um dos países onde é mais fácil iniciar um negócio ou começar uma empresa, sendo necessários somente sete procedimentos, 7 dias e 600 euros.
Em 2005, era necessário que os empresários passassem por 11 procedimentos e esperassem 78 dias, com um custo de 2 mil euros, acrescenta.

O objectivo da criação das lojas EnH era simplificar o início de actividade aos empresários, tornando possível registar uma empresa em uma hora, conseguindo resolver todos os procedimentos necessários no mesmo local.
Actualmente, as lojas EnH já estão em 93 locais em todo o país, segundo o estudo.
A iniciativa do governo português inseriu-se nas reformas da Administração Pública visando reduzir a burocracia, modernizar e simplificar os serviços públicos que, em 2006, se alargaram, formando um conjunto de medidas, o SIMPLEX.
Os Balcões Únicos não se restringem à criação de empresas e dados divulgados pelo Ministério da Justiça em meados de Julho revelam que mais 227 vão ser criados nas Conservatórias até ao final de 2008, aumentando o número total para 658.
"Os Balcões Únicos estão claramente identificados dentro das Conservatórias, têm uma imagem própria, um só preço, uma só prestação de serviço e são efectuados num único local. É o caso da EnH, da Associação na Hora, do Documento Único Automóvel, do Balcão das Heranças, do Balcão Divórcio com Partilha, da Casa Pronta, da Sucursal na Hora ou do Nascer Cidadão", refere o Ministério.

sexta-feira, julho 25, 2008

Da política externa portuguesa

Por Nuno Rogeiro

Um pequeno país como Portugal necessita de uma grande política externa. Para escapar ao esmagamento do vizinho continental, para alicerçar alianças distantes, para proteger as linhas de comunicação marítimas, para diversificar as fontes de matérias-primas, para desenvolver o comércio e a produção, para ganhar influência.
Durante a história, soubemos agir com pragmatismo e com princípios, embora às vezes tenham falhado os dois. Fora da doutrina da "Respublica Christiana", das Descobertas, e dos seus corolários, nunca exercemos uma diplomacia "ideológica". Fomos soldados práticos, muitas vezes por sermos diminutos, em gente e recursos, e necessitarmos de amigos em todos os cantos do mundo. Mas também por termos tido a graça de lideranças esclarecidas, entendedoras da complexidade das relações externas, e da impossibilidade de fazer reinar, universalmente, um estrito dogma político.

Se exceptuarmos as épocas de turvação e revolução, onde o estado abdicou, desapareceu ou viveu suspenso, há ainda uma apreciável "continuidade" na política externa portuguesa, traduzida, nesta república, pelo apoio dos principais partidos às mesmas opções. De uma combinação do "interesse nacional" aos desígnios europeus, às escolhas africanas e ao fortalecimento da CPLP, das missões de paz ao laço transatlântico, da protecção do mar à promoção da língua, há um património estratégico indiscutível, nos desígnios interpretados pelo Palácio das Necessidades.

Claro que o problema está sempre nos detalhes.
O novo acordo ortográfico, por exemplo, afirma ou fere a expansão de uma língua clara, unívoca e unificadora? A aposta histórica em missões militares/policiais no Iraque e no Afeganistão, enfraqueceu ou fortaleceu a aliança com Washington? O que se passa com o Tratado de Windsor? Como é que os mais velhos amigos da Europa decidem acabar com o posto de adido de defesa, nas embaixadas? Qual é a melhor forma de ajudar Angola a crescer, a ganhar estabilidade política, e a permanecer "pró-portuguesa"? Como promover o Brasil, sem despromover Portugal? E aí por diante.
Mas os detalhes comprometem governos, enquanto que as bases empenham o estado, e as gerações. Os detalhes precisam de ser analisados pelos órgãos fiscalizadores clássicos, constitucionalmente listados, e por isso não surpreende ver o parlamento e o PR (e, por exemplo, quando aos tratados e suas consequências, ou quanto à cooperação policial/judicial, também os tribunais), participarem na boa execução de uma política externa, onde os aludidos pormenores, de carácter temporário, não ponham em causa os fundamentos, tipicamente permanentes.

Deve também observar-se que a capacidade de influência, persuasão, "pressão suave", divulgação, recolha de informações e "lobbying" de uma grande diplomacia, num pequeno país, não deve menosprezar-se. Acontece assim com nações de dimensões semelhantes, como a Noruega. E deve dizer-se que, da Venezuela ao Líbano, do Irão à China, da Rússia ao Iraque, Portugal tem desempenhado missões de convencimento não dispiciendas.
Pode argumentar-se que Chavez recomeçou a falar com Espanha, e a desarticular as FARC, depois de boas palavras portuguesas. Ou que o Irão tem sabido transmitir mensagens importantes para os seus "inimigos", através de Lisboa. Ou que a China tem apreciado a capacidade portuguesa para a aconselhar em escolhas políticas graves, dos Jogos Olímpicos ao Tibete.
Nada disto pinta manchetes. Mas existe.

Xavier Malcata, distinguido nos EUA pela dedicação à segurança alimentar, diz que "ASAE destrói legado que nos foi deixado"

ASAE aplica directivas europeias de forma "cega".
O júri da associação que elege o vencedor do "International Leadership Award" foi unânime a considerar, esta semana, o português Xavier Malcata como "um profissional possuidor de raras capacidades de trabalho, e como um detentor de excepcional dedicação". Para o cientista, que receberá formalmente o galardão a 6 de Agosto, nos Estados Unidos, a distinção equivale a "um prémio de carreira".

A investigação de Malcata permite melhorar a qualidade dos produtos alimentares - ele dedica-se sobretudo aos tradicionais portugueses - e, consequentemente, assegurar a saúde pública. A premissa que sustenta o seu trabalho deveria cruzar-se com a lógica que pauta a acção da ASAE - "o que não acontece", lamenta.
"A ASAE foi apresentada como sendo duas coisas: acção que fiscaliza e que faz avaliação do risco dos produtos para a saúde. Mas na prática a sua intervenção é essencialmente punitiva", critica. Neste sentido, a abordagem da equipa liderada por Malcata, não poderia ser mais distinta. "Ensinamos os produtores a trabalhar melhor: na produção e na conservação. Percebemos os produtos de forma racional, apuramos a qualidade, evitamos contaminações."

"Somos muitíssimo ricos a este nível. Temos a responsabilidade de preservar o legado que nos foi deixado", sublinha o cientista. "Infelizmente, a ASAE, com a aplicação cega das directivas europeias, está a destrui-lo, a condená-lo à morte". E sentencia: "Se conseguirem banir os nossos produtos tradicionais será uma hecatombe. Integrar a União Europeia não pode significar - tal como não significa noutros países, como a França - abdicarmos do que nos é característico". A cadeia, insiste, "está invertida. Antes da fiscalização deveria haver investigação, formação, análises de graus de risco e da população consumidora".

"CSI" português eleito presidente de associação internacional de ciências forenses

O presidente do Instituto de Medicina Legal (INML), Duarte Nuno Vieira, foi eleito hoje presidente da Associação Internacional de Ciências Forenses (AICF) no 18º congresso trienal da Associação, que decorre em Nova Orleães, nos Estados Unidos.

Duarte Nuno Vieira, que assumirá o cargo por três anos, disse que a AICF "agrupa os institutos e departamentos de medicina legal, mas também todos os serviços mundiais e laboratórios de polícia científica ou equivalentes". Vieira foi também convidado a presidir à World Police Medical Officers - Associação Mundial de Polícias Médicas, de âmbito anglo-saxónico -, que reúne os médicos que trabalham para as forças policiais. Face à eleição no Congresso, onde participam 89 países, Portugal vai ter a responsabilidade dem, pela primeira vez, organizar o próximo Congresso da AICF, em 2011.

Exploração de petróleo na Venezuela permite à Galp diversificar o seu portfolio

O reforço da cooperação da Galp com a petrolífera venezuelana PDVSA tem um impacto positivo na companhia portuguesa uma vez que permite diversificar o seu portfolio futuro de exploração, hoje focado em Angola e no Brasil.
O presidente da Venezuela, Hugo Chavez, afirmou, ontem, que a GALP vai aumentar a área de exploração de petróleo no seu país, através de um reforço da cooperação com a petrolífera venezuelana, PDVSA.E m causa, de acordo com o chefe de Estado venezuelano, estão dois blocos de petróleo, um mais antigo que não precisou, e um segundo no Leste do país, Oritupano, onde substituirá uma petrolífera norte-americana.

Porto de Lisboa recebe maiores paquetes do mundo

Lisboa entrou definitivamente na rota dos navios cruzeiros. Até Junho deste ano, o porto de Lisboa recebeu 140 navios e prevê-se a atracagem de mais 169 até Dezembro, que, na sua capacidade máxima, transportam mais de 252 772 passageiros. As escalas dos cruzeiros em Lisboa são sempre boas notícias para o comércio da Baixa, um dos locais onde se concentram os turistas que desembarcam. Sintra é outra zona no roteiro para os city-breaks e Fátima é o destino mais longínquo.

Em regra, os paquetes entram no Tejo de manhã com toda a sua sumptuosidade e largam ao fim da tarde, parecendo autênticas cidades flutuantes. Dados da Administração do Porto de Lisboa (APL) indicam que Setembro será o mês com maior número de escalas - 47 no total, e que na sua capacidade máxima transportam 65 516 passageiros. Agosto será um mês mais calmo, com 29 escalas, e em Outubro estão previstas 32 atracagens em Lisboa. Entre Agosto e Outubro, a capital vai receber os maiores navios cruzeiro do mundo. O Independence of the Seas, considerado o maior navio cruzeiro da actualidade, com capacidade para 4375 passageiros, vai escalar Lisboa sete vezes nos próximos três meses - duas em Agosto e em Setembro e três em Outubro. Enquanto o Royal Caribbean Internacional visita a cidade por dez ocasiões.Entre Novembro e Dezembro, a actividade vai abrandar, embora o porto seja escalado por 33 navios em Novembro, mas os navios terão menor capacidade.
Para a APL, a maior particularidade na actividade de cruzeiros em Novembro prende-se com o facto de ser o mês com maior número de navios a começar ou a terminar o cruzeiro em Lisboa. O Rotterdam, o Wind Spirit, o Wind Surf, o Crystal Serenity, o Wind Star, o Discovery e o Insígnia irão, durante o mês de Novembro, desembarcar ou embarcar em Lisboa um total de 5210 passageiros. A maioria são estrangeiros, que irão ficar hospedados nos hotéis da capital. Em regra, os passageiros dos navios cruzeiros são turistas com maior poder de compra que optam por unidades de quatro ou cinco estrelas. Novembro ficará como o mês em que o emblemático navio Queen Elizabeth II se despede dos cruzeiros e ruma em direcção ao Dubai. Mas Lisboa recebe até final do ano, e pela primeira vez, sete navios: o Carnival Splender ( 6 de Julho), o Minerva da Swan Hellenic (Agosto), o Aidabella (Setembro), o Alexander Von Humbolt II e o Empress (Outubro) e o MSC Fantasia e o italiano Costa Serena (Dezembro). No último mês do ano, a actividade cai para metade, com 15 escalas. Durante os primeiros seis meses do ano, o porto de Lisboa recebeu 140 escalas, mais 37 que em 2007.

quinta-feira, julho 24, 2008

PR do Nepal assume funções

O primeiro Presidente da República do Nepal, Ram Baran Yadav, tomou ontem posse, anunciaram responsáveis nepaleses.
Apoiado pelo partido do Congresso do Nepal (centrista), Ram Baran Yadav recolheu segunda-feira 308 dos 590 votos dos deputados da Assembleia constituinte, ficando à frente do candidato apoiado pelos maoistas. Os maoistas dispõem da maioria dos assentos da Assembleia, mas não de maioria absoluta. A eleição do Presidente mergulhou o país numa nova crise política porque os maoistas decidiram não formar o primeiro governo da República do Nepal.

Zona Euro: Só a Grécia bate Portugal na desigualdade de salários

Estudo analisou 200 empresas nacionais e multinacionais em Outubro do ano passado.
Só a Grécia bate Portugal na desigualdade de salários na Zona Euro. No nosso mercado, o cheque anual de um quadro directivo é, em média, 4,4 vezes maior do que um salário de um administrativo.
A conclusão é de um estudo da consultora Hay que analisou os valores pagos por 200 empresas nacionais e multinacionais em Outubro do ano passado. Já em 2006, o país estava à frente da Grécia e foi ultrapassado porque o fosso naquele mercado cresceu.
Os mais "equilibrados" são a Finlândia, a Alemanha e a Bélgica.

terça-feira, julho 22, 2008

CPLP: Angola e Moçambique desvalorizam cimeira

Os Presidente dos "gigantes" africanos da CPLP, Angola e Moçambique, faltarão à Cimeira de Lisboa, sexta-feira, no Centro Cultural de Belém. Ontem Cavaco Silva pressionou para que as ausências sejam "muito, muito poucas". Todos os outros chefes de Estado virão. E até o da Guiné Equatorial, que é somente observador.

Os Presidentes de Angola e Moçambique, vão estar ausentes da VII Cimeira da organização, sexta-feira, no CCB. Armando Guebuza, Presidente moçambicano, justificou a ausência como motivos de agenda interna: estará numa Presidência aberta e, além do mais, estão a celebrar-se os 40 anos da Frelimo. Já quanto a José Eduardo Santos não se conhecem justificações. A diplomacia portuguesa admite a ausência do Presidente angolano embora continue a dizer que à última hora ele poderá aparecer. A presença do chefe do Estado angolano tinha sido confirmada quinta-feira passada, em Luanda, pelo primeiro-ministro José Sócrates, segundo um telex da Lusa (que nunca foi desmentido ou rectificado). Anteontem, o assessor de imprensa da embaixada angolana em Lisboa, Estevão Alberto, disse que a sua representação diplomática apenas tinha confirmada a presença, em representação do Governo angolano, de uma delegação chefiada pelo primeiro-ministro Fernando "Nandó" da Piedade Dias dos Santos. A delegação moçambicana será chefiada pela primeira-ministra, Ana Luisa Diogo.

Todos os outros países se farão representar pelos respectivos Chefes do Estado. Estará também Nguema Mbasogo, Presidente da Guiné Equatorial, país que tem um estatuto de observador na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. Ontem, em Lisboa, o Presidente Cavaco Silva comentou as ausências anunciadas. "Neste momento, ainda não existem indicações definitivas quanto às possíveis ausências", disse, numa conferência de imprensa conjunta com o seu homólogo cabo-verdiano, Pedro Pires. "Seria muito positivo que todos os presidentes que fazem parte dos países da CPLP estivessem presentes na Cimeira (...). Quanto às possíveis ausências, eu gostaria que fossem muito, muito poucas", afirmou ainda o Presidente da República. Na VII Cimeira será encerrado o biénio de presidência da Guiné, sendo o testemunho transferido para Portugal. "Portugal irá assumir a presidência e, durante esse período da sua presidência, fará tudo o que estiver ao seu alcance para, dando execução às orientações que irão ser aprovadas, afirmar esta comunidade na cena internacional e torná-la numa comunidade mais forte", declarou Cavaco Silva.

Unidade portuguesa da Microsoft volta a ser a melhor do mundo

Desempenho financeiro, inovação e responsabilidade social levam empresa portuguesa a vencer concorrência internacional pelo segundo ano consecutivo. Prémio foi entregue no encontro anual de parceiros da Microsoft, nos EUA.

A fotografia quase podia ser uma cópia da que foi tirada há um ano, não fosse o facto de Jean-Philippe Courtois, presidente da Microsoft Internacional, estar este ano no lugar de Bill Gates e de Nuno Duarte, presidente da Microsoft Portugal, ter precisado da ajuda de Steve Ballmer para segurar não uma, mas duas taças. Ter avançado para a compra da Mobicomp, anunciada recentemente, e a abertura do primeiro centro, fora da sede da multinacional, de investigação e desenvolvimento na área do reconhecimento da fala – que emprega actualmente 17 colaboradores – são alguns dos exemplos da pró-actividade da subsidiária portuguesa que leva a Microsoft Portugal a ser considerada pelo segundo ano consecutivo a melhor subsidiária internacional da Microsoft. Por arrasto foi reconhecida como a melhor subsidiária de média dimensão em mercados desenvolvidos. A empresa foi distinguida por ter “o melhor ‘balanced scorecard’ [indicador de performance] de todo o mundo”. Isto significa que a empresa portuguesa voltou a sobressair em termos financeiros, na capacidade de inovação e de agir proactivamente no desenvolvimento do negócio, no índice de satisfação de clientes e parceiros, pelo investimento em responsabilidade social também pela aposta na diversidade.

O prémio só surpreende pela dimensão, visto que é um desempenho acima da expectativa e que tinha como base o do ano passado, que já tinha sido superior à média”, diz Nuno Duarte. O mesmo responsável adianta que a empresa teve índices de crescimento de 24% em 2007, tendo a facturação ultrapassado 220 milhões de euros, com previsões de 300 milhões em 2008.

quinta-feira, julho 17, 2008

Madeira volta à "guerra das bandeiras"

A Assembleia Legislativa da Madeira aprovou ontem um projecto de resolução que obriga os serviços do Estado não regionalizados a hastear a bandeira da região, lado a lado com a nacional.

Quase toda a oposição votou contra esta iniciatival, que, frisou Victor Freitas (PS), visa "agudizar o conflito institucional com a República, numa estratégia eleitoralista e partidária", para "desviar as atenções dos graves problemas regionais". O projecto retoma a "guerra das bandeiras" com que ciclicamente o partido do governo regional tem afrontado os órgãos de soberania e as hierarquias militares no arquipélago.
Na iniciativa, o parlamento madeirense denuncia "a situação de desobediência qualificada por parte dos órgãos da República sobre quem impede o dever legal de hastear a bandeira regional" . O Ministério Público decidira em 2004 arquivar uma queixa idêntica.

quarta-feira, julho 16, 2008

Conferência vai avaliar valor económico da língua portuguesa

O secretariado da Conferência Ibero-americana vai efectuar, a pedido do governo português, um estudo para avaliar o valor económico da língua portuguesa, disse hoje o ministro da Cultura, José António Pinto Ribeiro.
Pinto Ribeiro afirmou que irá ser utilizada uma "metodologia semelhante a uma que se pediu para fazer um estudo para a língua castelhana", acrescentou.

O ministro da Cultura adiantou ainda que o governo português está a "lançar as bases para uma política da língua portuguesa", a que o governo português deseja ver associados todos os Estados-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
"Isto significa recentrar a nossa política em matéria de língua neste espaço, para o que vai ser constituído um fundo para a língua portuguesa", disse.
O ministro da Cultura revelou que o fundo vai ser ser anunciado dentro de um conjunto de medidas destinadas à promoção da língua portuguesa.

Venezuela, Ucrânia e Croácia querem ser da CPLP

in DN

Subitamente, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)tornou-se um clube muito requisitado. Há dois anos, a Guiné Equatorial e o Maurício entraram, com o estatuto de países associados. Este ano, será a vez do Senegal. Na lista de espera, estão países do Leste e América LatinaPortuguês pode ser língua oficial na Guiné Equatorial.

O Senegal vai tornar-se este mês o terceiro país adquirir o estatuto de observador associado da CPLP, mas a lista de espera é longa e inclui nações de geografias tão improváveis como o Leste europeu. Ucrânia, Croácia e Venezuela já fizeram chegar o seu interesse ao 32 da Rua de São Caetano, à Lapa, em Lisboa , onde a CPLP está instalada num palacete novecentista cedido pelo Governo português. Constituída há 12 anos, com 7 países de língua oficial portuguesa (Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe), a CPLP alargou-se a 8, em 2002, com a adesão de Timor-Leste.

Em 2006, na Cimeira de Bissau, a comunidade aceitou os seus dois primeiros países associados: Maurício e Guiné Equatorial.Maurício (país do Índico usualmente designado como Maurícias) é habitado por duas comunidades, uma de origem indiana e outra africana, originária de Moçambique, daí o interesse em participar na CPLP, com o actual estatuto de associado. A Guiné Equatorial não descarta a hipótese de passar a ser o 9.º membro efectivo, depois de acrescentar o português às suas duas línguas oficiais; castelhano e francês. Antiga colónia portuguesa, foi objecto, no século XVII, de um negócio com a Espanha, que. em privado, o Presidente da Guiné Equatorial faz questão de lamentar. Em troca, Portugal recebeu da Coroa espanhola um território na América do Sul que foi integrado no Brasil.

Na Cimeira de Lisboa, que terá lugar no Centro Cultural de Belém, nos próximos dias 25 e 26, será a vez da formalização da adesão do Senegal.Mas na próxima cimeira de chefes de Estado, a realizar em Luanda em 2010, já deverá ser necessário pôr mais lugares à mesa.
No continente sul-americano, a CPLP é atraente aos olhos de todos os países que fazem fronteira com o Brasil: Argentina, Bolívia, Colômbia, Guiana Francesa, Guyana, Paraguai, Suriname, Peru, Uruguai e Venezuela, em particular deste último onde existe uma forte comunidade portuguesa e o presidente Chávez se encontra em rota de colisão com o Governo de Madrid. Ucrânia e Roménia são dois candidatos óbvios, devido aos laços que estreitaram com Portugal através de fluxos migratórios. Menos óbvio é o interesse croata.

O forte crescimento do Brasil e Angola ajuda a perceber esta explosão de interesse que a CPLP está a despertar em diversos cantos do Mundo. Com o preço do barril do brent a roçar os 150 dólares, há muita gente a querer ser amiga de uma comunidade em que metade dos seus membros têm petróleo (Brasil, Angola, Timor e São Tomé).

Portugueses descobrem nova prevenção da malária

Grupo de Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular, e investigadores da jovem empresa portuguesa de biotecnologia Alfama descobriram um ovo de Colombo: uma substância da soja inibe a propagação da infecção do parasita da malária no fígado, em ratinhos.

A ideia é de uma enorme simplicidade e surgiu em conversa, quando o grupo de Maria Mota, do Instituto de Medicina Molecular (IMM), e outros investigadores da jovem empresa de biotecnologia Alfama preparavam a submissão de uma patente. Decidiram então testar a ideia em ratos e, para sua surpresa, a hipótese funcionou. Com isso, descobriram uma nova estratégia, "simples e barata", de profilaxia contra a malária, utilizando uma substância chamada genisteína, que existe na soja e que pode ser utilizada como suplemento alimentar sem risco de toxicidade.

A descoberta, que é publicada hoje na prestigiada revista PLos ONE, é também o ponto de partida para novos estudos. "O próximo passo é fazer ensaios de campo, em colaboração com o Centro de Investigação em Saúde de Manhiça, perto de Maputo", adiantou Maria Mota, sublinhando que ainda não há uma data concreta. "Primeiro precisamos de angariar fundos, em colaboração com a Alfama, e é nessa fase que estamos agora." Em 2003, o grupo de Maria Mota descobriu que uma determinada molécula da família das quinases, que existe nas células do fígado do hospedeiro, é importante para o desenvolvimento do parasita da malária, (o plasmodium falciparum), nessas células. Por outro lado, sabia-se que aquela família de moléculas é inibida pela genisteína, da soja. "Lembrámo-nos de juntar as duas coisas e decidimos ver o que dava", conta Mota. Os resultados mostram que a genisteína inibe de facto a fase de infecção nas células do fígado, "com uma eficácia entre 50 e 80%", adianta a investigadora do IMM, notando que "a administração profiláctica como suplemento alimentar a populações de regiões onde a malária é endémica pode ter um grande impacto na saúde dessas populações". Para Arantes Oliveira, líder da Alfama, "este tipo de estudo, e o apoio que lhe damos, é um exemplo de como doenças que afectam sobretudo populações pobres podem ter interesse para a indústria".

sexta-feira, julho 11, 2008

L'Espagne, candidate pour abriter le siège de l'Union pour la Méditerranée

Jeuneafrique.com

A Espanha anunciou oficialmente quinta-feira que propõe Barcelona para acolher a sede da Secretaria-geral da União para o Mediterrâneo (UPM).
A candidatura espanhola irá concorer com as apresentadas pela Tunísia, Marrocos e Malta. Miguel Angel Moratinos, ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros afirmou em Tunes que "a sede deverá ser em Barcelona, onde o processo da UPM nasceu, o essencial é que se construa uma Secretaria-geral forte que trate em pé de igualdade todos os países da região".

A Secretaria deverá ser capaz, por si própria, de gerir e assegurar a nova cooperação ao nível do Mediterrâneo.

Guiné-Bissau com três atletas e 29 dirigentes em Pequim?

A Guiné-Bissau vai levar 32 pessoas aos Jogos Olímpicos Pequim. No entanto, apenas três são atletas…
Um atleta na luta livre, Augusto Midana, e dois no atletismo, Holder Silva e Domingas Togna (estes dois últimos através de convites, já que não alcançaram os mínimos exigiodos pelo COI). Esta é a presença desportiva da Guiné-Bissau em Pequim, embora à China cheguem 29 dirigentes.
Esta é a quarta participação do país nos Jogos Olímpicos. A primeira foi em Atlanta1996.

Países ricos é assim...

quinta-feira, julho 10, 2008

E a alternativa GPL? por Camilo Lourenço

Na confusão da crise dos combustíveis, o Governo desfez-se em trabalhos para facilitar a vida a algumas corporações: camionistas, pescadores, taxistas As soluções não foram as melhores (e outras, como a criação do gasóleo profissional, seriam ainda piores): o Governo perdeu receita, ou aumentou despesa, e aos grupos afectados soube a pouco.

O problema é que para alguns deles (taxistas e transportes urbanos), um pouco mais de imaginação teria feito milagres. Bastava que o Governo fomentasse a utilização de GPL (Gás de Petróleo Liquefeito). O litro deste combustível custava ontem 67 cêntimos contra 1,43 euros do gasóleo. Com outras vantagens: polui menos que o gasóleo (emissões e ruído) e garante o mesmo rendimento do motor (os taxistas da comunidade de Madrid são o maior utilizador de GPL na Europa). Além disso, o Imposto Automóvel sobre um veículo a GPL é de 50% da taxa normal, o que compensa os dois mil euros da transformação.

Do ponto de vista fiscal esta solução traria, em sede de ISP, perdas pequenas para o Estado. Mesmo que o consumo de GPL subisse para 22 mil toneladas em 2008 (20 mil em 2007). Se assim é, o que está a emperrar a adopção do GPL? A burocracia e a proibição de estacionar em caves (medida cada vez mais obsoleta face ao avanço da tecnologia na construção dos depósitos): a homologação de cada pedido de transformação de veículo chega a demorar 6 meses…

quarta-feira, julho 09, 2008

Elites do Sri Lanka: o "português" Fonseka, General Comandante do Exército

The Economist
Mahinda Rajapahse, o presidente do Sri Lanka, diz com ar satisfeito: “Isolámos o Exército de Libertação dos Tigres do Tamil [LTTE]", diz, “porque se não os derrotarmos, não teremos paz nem desenvolvimento".
Em Janeiro ele revogou o cessar fogo e intensificou uma brutal ofensiva contra o não menos brutal LTTE. Esta semana o seu comandante do Exército, General Sarath Fonseka, reclamou que a operação foi bem sucedida. Os Tigres, segundo o general, perderam a capacidade de lutar como um exército convencional. "Derrotámo-los".

Os Tigres não se renderam e devem discordar. Mas o irmão do presidente, Gotabhaya Rajapakse, que é também secretário da Defessa, afirma que o governo tem actualmente uma hipótese extraordinária de os esmagar. O General Fonseka afirma que os Tigres perderam 9.000 combatentes desde 2006.