quarta-feira, novembro 19, 2008

5ª Avenida, Chiado e Av. Liberdade passam ao lado da crise financeira

"O Chiado está na moda". É hoje um dos locais de comércio mais caros de Portugal, a par com a Avenida da Liberdade. As rendas atingem os 900 euros anuais por metro quadrado e são as 40.as mais caras do mundo. Em primeiro lugar surge a 5ª Avenida, em Nova Iorque, onde o metro quadrado pode custar por ano 12.612 euros.

A famosa avenida nova-iorquina mantém, assim, a primeira posição do "ranking". "Main Street Across the World 2008", realizado pela consultora imobiliária Cushman & Wakefield (C&W). Em média, os retalhistas da 5ª Avenida pagam 12.612 euros por ano, o que representa uma subida de 23% face a 2007.
Enquanto Wall Street continua a sofrer os efeitos da crise financeira, tendo já perdido mais de 36% desde o início do ano, a Main Street tem conseguido contrariar os impactos negativos desta turbulência. Em 94% das 236 principais localizações de retalho a nível mundial registaram-se aumentos ou estabilizações dos valores das rendas, conclui o estudo da C&W.

Num grupo de 48 cidades, Lisboa é a 40ª localização de comércio mais cara do mundo. Esta posição representa uma queda de dois lugares face a 2007. O Chiado e a Avenida da Liberdade são as localizações mais caras da capital portuguesa: 900 euros anuais por metro quadrado, ou 75 euros mensais por metro quadrado. Este valor não inclui custos de condomínio, impostos locais e despesas de ocupação. "O Chiado tem verificado nos últimos anos um aumento da procura por parte dos retalhistas, que cada vez mais pretendem instalar-se nesta zona, registando valores equivalentes aos da Avenida da Liberdade. Hoje, o Chiado está definitivamente na moda, atraindo lojistas internacionais de referência", sublinha Sandra Campos.
Entre as localizações mais caras de comércio do mundo encontram-se, logo a seguir à 5ª Avenida, Hong Kong, Paris, Milão, Dublin e Londres. Na Causeway Bay, em Hong Kong, uma renda pode custar, anualmente, 12.161 por metro quadrado. Em terceiro lugar surge Paris onde as rendas podem chegar aos 7.732 euros. Este ano, Londres caiu duas posições para o sexto lugar. Na New Bond Street o valor da renda anual por metro quadrado é de 5.520 euros. No "top ten", a maior subida foi registada pela Grafton Street, em Dublin, onde o valor da renda anual é de 5.621 euros por metro quadrado. A Grafton Street figura agora no grupo das cinco localizações de comércio mais caras do mundo.

Wine Spectator distingue vinho da Quinta do Crasto

O vinho Quinta do Crasto Reserva Vinhas Velhas 2005 foi considerado, este ano, o terceiro melhor do mundo pela revista norte-americana Wine Spectator, que, pela primeira vez, classificou um vinho português nos 10 melhores do seu ranking anual. Considerada internacionalmente "a Bíblia" dos vinhos, a Wine Spectator analisou mais de 19.500 vinhos na elaboração do Top 100 de 2008, tendo eleito o chileno Clos Apalta Colchagua Valley 2005, Casa Lapostolle, como o melhor do mundo. Seguiu-se na classificação o francês Château Rauzan-Ségla, Margaux 2005.

Para além da posição destacada da Quinta do Crasto, surgem ainda entre os 100 melhores do mundo o Sogrape Dão Callabriga 2005 (no 57.º lugar), o Churchill Douro Churchill Estates 2006 (no 90.º lugar) e o Niepoort Douro Vertente 2005 (na 98.ª posição). A Região Demarcada do Douro surge, assim, como a mais representada de Portugal nesta lista, com três dos vinhos escolhidos, seguida pela região do Dão, com um vinho. Situada na margem direita do rio Douro, entre a Régua e o Pinhão, a Quinta do Crasto é uma propriedade com cerca de 130 hectares, dos quais 70 são ocupados por vinhas. É propriedade da família de Leonor e Jorge Roquette há mais de um século. "É uma excelente notícia para a Quinta do Crasto, para o Douro e para Portugal, porque a Wine Spectator é a mais influente revista do mundo dos vinhos", comentou o crítico de vinhos Rui Falcão.

O Reserva Vinhas Velhas 2005 foi o último vinho elaborado pela enóloga Susana Esteban, a partir de vinhas que têm entre 50 e 80 anos. Rui Falcão diz que "é um vinho que, entre outros, tem um grande mérito. Ao contrário do que acontece com os vinhos de top do Douro, cujas produções andam entre as cinco mil e as dez mil garrafas, este teve uma produção de 33 mil". Para Rui Falcão, este vinho é dos que melhor exemplifica o espírito do Douro. "Combina uma grande delicadeza, a elegância da fruta, com o carácter viril do Douro. Provamo-lo e visualizamos logo a região, a sua rudeza."

Indonésia pretende estatuto de observador da CPLP

A Indonésia deu início aos contactos para obter o estatuto de observador associado da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse hoje o embaixador indonésio em Lisboa.
Francisco Lopes da Cruz reivindicou para si essa ideia e indicou ter mantido já contactos informais quer com o governo de Jacarta, quer com as diferentes autoridades portuguesas e com o secretariado-executivo da própria CPLP, que se mostraram disponíveis para analisar o assunto.
"Foi uma ideia que abordei há cerca de dois anos e, na altura, conversei com o Presidente da República, com o presidente do Parlamento e com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal", disse Lopes da Cruz, e estes, recordou, acolheram com satisfação a ideia.
Para já, acrescentou, trata-se apenas de "conversas informais", tendo Lopes da Cruz garantido que também falou com os chefes da diplomacia timorense e indonésia.
"A ideia surgiu porque, entre outras razões, a Indonésia tem Timor-Leste como vizinho e as relações entre os dois países são excelentes. Por outro lado, há muitas razões de ordem histórica que ligam a Indonésia a Portugal", sustentou, exemplificando com o facto de a língua indonésia contar com cerca de duas mil palavras de origem portuguesa.

As semelhanças entre os dois idiomas permite que cerca de 80% das palavras portuguesas terminadas em "ão" sejam, em Baasa, terminadas em "si".
"Há quatro anos, a Indonésia começou a demonstrar interesse em aprofundar as relações com Portugal, tendo sido criado na Universidade de Jacarta um curso de Língua Portuguesa, que tem tido bastante sucesso", afirmou.
Em fins de Outubro, uma delegação do parlamento indonésio esteve em Portugal para, entre outras questões, abordar a adesão da Indonésia à CPLP, quer com a Assembleia da República, através do seu presidente Jaime Gama, quer com o secretário-executivo da organização, Domingos Simões Pereira.

terça-feira, novembro 18, 2008

Reitor da Católica: Estado devia pedir desculpa a jesuítas

O reitor da Universidade Católica Portuguesa, Braga da Cruz, disse hoje que seria justo se o Estado português pedisse desculpa aos jesuítas na celebração do centenário da República, que se assinala em 2010.
As declarações do reitor foram feitas na abertura do Congresso Internacional sobre o Padre António Vieira "Ver, ouvir, falar: o grande teatro do mundo", que hoje teve início na Universidade Católica, no âmbito das celebrações do IV centenário do nascimento do missionário jesuíta.
"Seria justo se na celebração do centenário da República que se aproxima, o Estado pedisse desculpa aos jesuítas e outras ordens, não num gesto de reconciliação mas de reconhecimento pelo que têm feito pela cultura portuguesa", disse Braga da Cruz.
Este gesto seria, de acordo com o reitor da Universidade Católica, "justo e cheio de significado", após os actos de perseguição e ordens de expulsão feitos no passado contra os jesuítas.

Se a estupidez matasse...

Portugal à frente na investigação com células estaminais

A investigação com células estaminais em Portugal está entre as mais avançadas no mundo, nomeadamente em engenharia de tecidos e medicina regenerativa, e há cada vez mais empresas a oferecer serviços, segundo especialistas nesta área.
"Estamos bastante à frente na expansão celular, temos um trabalho de muita qualidade na regeneração de osso, cartilagem e pele, por exemplo, e há muito trabalho ligado às células estaminais em neurociências", disse Luís Reis, presidente da Sociedade Portuguesa de Células Estaminais e Terapia Celular.

As células estaminais têm a capacidade de se diferenciar em vários tipos celulares e de se renovar e dividir indefinidamente. No caso das que se encontram no sangue do cordão umbilical, o seu isolamento e criopreservação (conservação através de congelação) proporciona aos recém-nascidos e familiares a sua eventual utilização no tratamento de doenças que venham a contrair ao longo da vida.
Segundo Reis, que dirige o Grupo 3B´s (Biomateriais, Materiais Biodegradáveis e Biomiméticos) da Universidade do Minho, este serviço "é bem oferecido e há eventualmente mais negócio nesta área em Portugal do que noutros países".

Macau vai repor esculturas "retiradas" de José de Guimarães

O Governo de Macau assegurou ao artista plástico português José de Guimarães que vai repor as esculturas no Jardim das Artes no território, retiradas na sequência de obras para a construção de um casino.
José de Guimarães revelou que o Governo de Macau "iniciou as primeiras reuniões técnicas" para reconstruir o conjunto criado para o local em 1999.
Esta resposta oficial surge na sequência de uma queixa que o artista plástico apresentou à Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) que, por seu turno, enviou uma carta ao governo de Macau sobre o caso, alegando que tinha havido "uma violação moral dos direitos de autor".
Em Maio deste ano o escultor e pintor denunciou a destruição de seis das oito árvores metálicas que criou para o Jardim das Artes de Macau.
Durante as obras de construção de um casino naquela zona, as peças de arte pública - entre outras de diversos artistas - foram retiradas e depois recolocadas, mas só uma parte do conjunto de José Guimarães foi reposto.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Lusofonia: A Língua Portuguesa no Mundo

Lisboa inicia hoje no CCB, uma reunião extraordinária de dois dias, sobre o papel, relevância e defesa da Língua Portuguesa no actual contexto internacional, com a presença dos ministros da Educação e Cultura da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Dividido em cinco painéis, o encontro, que decorrerá no Centro Cultural de Belém (CCB), contará com a presença de ministros da Educação e Cultura dos "oito", à excepção da Guiné-Bissau e de Moçambique, destacando-se a questão da afirmação da Língua Portuguesa no mundo. Os temas dos painéis são:"O Papel, a Relevância e a Defesa da Língua Portuguesa no Actual Contexto Internacional", "A Educação na Dinâmica da CPLP" e "A Dinâmica da CPLP no Actual Contexto Internacional" juntam-se às apresentações do projecto de elaboração de documentários, no quadro do DOC TV CPLP, e do Plano Nacional de Leitura de Portugal.

Também em Santarém, estão a decorrer esta semana os "Encontros de Lusofonia", onde a directora dos serviços que promovem o ensino do português no estrangeiro, Madalena Aroja participou, com o secretário executivo da CPLP, Domingos Simões Pereira, numa conferência/debate moderada por Pedro Canais, destinada a debater a importância da língua portuguesa. Nesse debate sobre "A Lusofonia", que se realizou quinta-feira à noite em Torres Novas, Madalena Aroja, disse que o Instituto Camões (IC) está a fazer um estudo, envolvendo uma equipa multidisciplinar do Instituto das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE,) para determinar o valor económico da Língua Portuguesa. Acrescentando ainda que os primeiros dados de um estudo sobre o valor económico da Língua Portuguesa apontam para um peso de 17% no PIB (Produto Interno Bruto).

Destacando o apoio que é dado por empresas que localmente financiam as actividades dos Centros Culturais Portugueses, Madalena Arroja disse estar a ser negociado um protocolo com a Galp para financiamento das iniciativas do IC na área da Educação. Para a responsável do IC, o facto de todos os funcionários do Banco Africano de Desenvolvimento em Tunes estarem a aprender português, no âmbito de um protocolo assinado com o IC, e de no Senegal existirem 16.000 estudantes da nossa língua "são sinais".
"Na base da globalização estão os mercados e o português e o castelhano serão línguas de negócios como tem sido o inglês", afirmou, recordando que o IC está a tentar junto da Comissão Europeia que esta reconheça que há línguas europeias "com uma dimensão externa". Segundo disse, em Janeiro vai ser lançado um "curso de inter-compreensão" envolvendo o português, o espanhol e o francês, que deverá ser posteriormente alargado ao italiano e ao romeno.

Lóbi a favor de lusodescendente embaixador dos EUA em Lisboa

O Senador estadual Marc Pacheco poderá ser embaixador em Lisboa.

A Associação de Amizade Portugal/EUA (AAPEUA) vai envidar esforços, junto da nova Administração Obama, para que o futuro embaixador norte-americano em Lisboa seja um lusodescendente. O secretário-geral da AAPEUA, Paulo Noguês, disse ontem que responsáveis da associação vão em breve aos EUA e, no centro da sua agenda, vai estar a realização de "alguns contactos com pessoas influentes em Washington" para concretizar aquele objectivo. Esse esforço tem por base os precedentes de Washington nomear, para países que têm fortes comunidades radicadas nos Estados Unidos, embaixadores - muitos dos quais não pertencem à carreira diplomática, como sucede com o actual representante diplomático dos EUA em Portugal - com raízes familiares nesses mesmos estados. Depois, a receptividade que alguns dirigentes democratas manifestaram em dar resposta positiva a esse interesse. Nesse sentido, acrescentou o secretário-geral da AAPEUA, a eleição de Barack Obama para a Casa Branca criou "uma oportunidade" para estender essa prática em relação a Portugal.

Para aquela associação pró-americana sedeada no Porto, presidida pelo economista António Neto da Silva, a possibilidade de a senadora Hillary Clinton assumir o cargo de chefe da diplomacia norte-americana aumenta as probabilidades de ter êxito, pois o principal candidato - o senador estadual democrata Marc Pacheco (Massachusetts), que esteve em Portugal no fim do último Verão - tem boas relações dentro do Partido Democrático e, em especial, com a família Clinton.

domingo, novembro 16, 2008

Timor-Leste assina acordo para criar TV Escola

O governo do Timor Leste assinou vários acordos bilaterais em Portugal na área da educação, que incluem a criação de uma TV Escola e a formação de alunos e professores, afirmou o ministro timorense da Educação, João Câncio Freitas.
Foi estabelecido um acordo entre o Ministério luso da Educação, a TV TEL (de Timor Leste) e a RTP, com a possibilidade de parceria com canais brasileiros, para os timorenses aprenderem a língua portuguesa pela televisão.
"Estamos a explorar todas as possibilidades de ensino", disse o ministro, paralelamente à reunião extraordinária dos ministros da Educação e da Cultura da CPLP, em Lisboa.
Lembrando que o Timor Leste teve uma "interrupção de mais de duas décadas na língua portuguesa", Freitas disse que o grande "desafio" prende-se com a geração mais nova que "quase não fala português".
Por meio da TV Escola, os timorenses terão acesso a aulas de português, programas culturais e telenovelas portuguesas.
"O povo timorense gosta muito de novelas", disse o ministro, explicando que o facto de a novela ser falada em português poderá ajudar os timorenses a aprenderem a língua.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Língua Portuguesa vale 17% do PIB

A Espanha concluiu, há dois anos, que o valor económico do castelhano no PIB era de 15%.
Os primeiros dados de um estudo sobre o valor económico da Língua Portuguesa apontam para um peso de 17% no PIB (Produto Interno Bruto).

A garantia é da directora dos serviços que promovem o ensino do português no estrangeiro, Madalena Arroja, que adiantou ainda que o Instituto Camões está a fazer um estudo, envolvendo uma equipa multidisciplinar do Instituto das Ciências do Trabalho e da Empresa (ISCTE,) para determinar o valor económico da Língua Portuguesa.
Encomendado há um ano, o estudo vai, nos dois primeiros anos, debruçar-se sobre a realidade portuguesa, sendo objectivo encontrar apoios de grandes empresas para, no terceiro ano, ser alargado ao espaço de toda a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), disse.

Frisando a importância da língua para o mundo dos negócios e para as empresas que querem entrar noutros mercados, Madalena Arroja referiu as prioridades dadas pelo Instituto Camões à CPLP (onde há uma grande aposta no ensino da língua aos professores), mas também ao Magreb e à América Latina.

quinta-feira, novembro 13, 2008

Portugueses estão a comprar menos comida e Nunca as polícias apanharam tanto haxixe como este ano

Duas notícias aparentemente contraditórias em tempo de crise. Ou talvez não...

Análise da Netsonda, feita junto de utlizadores de Net, revela que consumidores de vários escalões de rendimentos estão a reduzir ou a manter os seus gastos com alimentação. A Confederação do Comércio diz que "as pessoas não estão a comprar muito menos mas procuram preços mais baixos". Os portugueses já começaram a reduzir gastos com a comida. Esta é uma das conclusões que se pode retirar de um estudo da Netsonda - Networkresearch, empresa de recolha e análise de informação através de plataformas tecnológicas.

Nunca até aos dias de hoje as polícias portuguesas apreenderam tanto haxixe. Oficialmente contabilizadas estão já 57 toneladas, mas muitas mais estão ainda por contar. "Estão a decorrer uma série de apreensões ao mesmo tempo, o que não permite ir actualizando de imediato os valores", explicou João Figueira, porta-voz da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE), da PJ. O haxixe apreendido este ano é já substancialmente mais do que o apreendido durante todo o ano de 2007 (43,6 toneladas), a discrepância vai ser ainda maior quando 2008 chegar ao fim. Fonte ligada aos meandros da droga é peremptória: "Os valores de haxixe apreendido estão a subir bastante. E a tendência é para que os resultados aumentem significativamente nos próximos tempos, tendo em conta as investigações que estão a ser levadas a cabo pelas diversas forças policiais".

UE: Portugal na "cauda" da classificação dos cuidados saúde

Portugal surge em 26º lugar numa classificação dos sistemas de cuidados de saúde em 31 países europeus, divulgada hoje em Bruxelas pela organização Health Consumer Powerhouse, que sublinha o deficiente acesso aos tratamentos e tempo de espera.

Com um total de 507 pontos em 1000 possíveis no conjunto de 34 indicadores de desempenho divididos em seis categorias, Portugal é o quarto país da União Europeia com pior resultado, surgindo na lista apenas à frente de Roménia e Bulgária, da Croácia e Macedónia (dois países candidatos à adesão à UE) e da Letónia, última classificada numa lista liderada pela Holanda.
O 26º lugar atribuído a Portugal representa uma nova queda relativamente às hierarquias elaboradas nos anos anteriores, já que em 2006 Portugal surgia na 16ª posição e no ano passado no 19º posto.
De acordo com o estudo, "uma das razões subjacentes ao sistema de saúde português é que o acesso aos cuidados de saúde é um dos piores da Europa".

quarta-feira, novembro 12, 2008

Durão Barroso "orgulhoso" por "consenso" para segundo mandato na Comissão Europeia

O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, manifestou hoje em Bruxelas o seu "orgulho" por estar a "surgir um consenso" nas principais famílias políticas europeias para realizar um segundo mandato como presidente da Comissão Europeia.

"Obviamente que estou orgulhoso de verificar que, nas diferentes famílias políticas [europeias], surge um consenso em relação ao meu nome", disse Durão Barroso em Bruxelas. O antigo primeiro-ministro português inicia em 22 de Novembro próximo o seu quinto ano à frente da Comissão Europeia, devendo completar o actual mandato a 31 de Outubro de 2009.

A actual Comissão Europeia deveria ter entrado em funções a 1 de Novembro de 2004, mas a falta de apoio do Parlamento Europeu a um membro da sua equipa inicial levou ao adiamento em três semanas da data inicial. Durão Barroso considera que o apoio que está a receber para se manter no lugar é uma prova de "grande reconhecimento" e constitui um "desafio" e um "estímulo". "Mas, francamente, neste momento vamo-nos concentrar no trabalho. Haverá depois tempo para discutir eventuais segundos mandatos", disse Barroso. O presidente da Comissão Europeia elegeu "a resposta à crise financeira" como a "questão essencial" que vai concentrar a sua atenção na recta final do seu mandato. "Vai ser a questão que vai dominar não apenas as prioridades políticas, mas também as prioridades dos cidadãos", afirmou Barroso.

O líder do executivo comunitário terá de enfrentar outros grandes desafios no seu último ano do mandato, como os problemas ligados às alterações climáticas ou à segurança energética. Durão Barroso irá ainda "trabalhar para um novo multilateralismo" com a nova administração norte-americana. "Há desafios globais imensos e ainda por cima a juntar a uma situação económica que é reconhecidamente muito mais difícil", resumiu Barroso, acrescentando para finalizar que "vai ser um ano cheio de trabalho". Os líderes de "grandes" Estados-membros como a França, Itália e Alemanha já indicaram que em Dezembro próximo deverão chegar a acordo para que Durão Barroso seja o candidato do PPE. Também os governos socialistas português e espanhol e liberal finlandês já manifestaram a sua intenção de apoiar Durão Barroso.

E era importante para Portugal? Na minha modesta opinião, sim. Mesmo que por causa disso percamos um Comissário europeu.

Angola: Militares soviéticos receberam autorização secreta para combater

Por José Milhazes da Agência Lusa

A situação militar criada em torno de Luanda era tão grave na véspera da proclamação da independência, em 11 de Novembro de 1975, que os dirigentes soviéticos deram autorização secreta para que os seus militares participassem nos combates ao lado do MPLA contra a UNITA e a FNLA.
Na véspera dos acontecimentos decisivos de 11 de Novembro de 1975, recebemos de Moscovo um telegrama cifrado que autorizava directamente aos nossos especialistas militares a participarem em acções de combate ao lado das forças do MPLA e das tropas cubanas. Isto era explicado pela situação extremamente tensa da situação que surgiu no país na véspera da proclamação de independência do país”, recorda Boris Putilin, que trabalhou nos meados dos anos 70 do século passado como primeiro secretário da Embaixada soviética no Congo (Brazzaville). Foi precisamente este homem que, em 1975, coordenou, pela via da GRU (Direcção Principal de Reconhecimento – espionagem militar) do Ministério do Interior, os fornecimentos de armas da URSS ao MLPA, mas também os planos de ajuda da parte dos especialistas militares soviéticos e cubanos.

O primeiro grupo de militares soviéticos, dirigido pelo coronel Trofimenko, que se encontrava na República do Congo, através da qual passava a corrente fundamental de ajuda para o MPLA, foi enviado para Luanda”, continua Putilin, acrescentando que este grupo tinha uma espécie de “carta branca” de Moscovo para participar em acções militares. O primeiro grupo de militares e tradutores soviéticos entrou em Angola a 16 de Novembro de 1975, cinco dias após a proclamação da independência.

No dia 1 de Novembro, o primeiro grupo de especialistas e tradutores militares soviéticos, entre os quais eu me encontrava, chegou a Brazzaville, então na capital da República Popular do Congo num voo regular da Aeroflot”, recorda Andrei Tokarev, tradutor militar, em declarações à Lusa. “Antes de nos enviar e dando-nos as últimas instruções, em Moscovo, no Estado Maior tentaram dar-nos o máximo de informação fresca sobre os acontecimentos em Angola. O MPLA controlava a maioria das províncias do país e a capital, mas compreendemos que este controlo não era seguro”, continua Tokarev, hoje professor da Universidade Militar de Moscovo.

Segundo esta fonte, “cada uma das partes fazia esforços para desenvolver o seu êxito; por exemplo, o Zaire comprou à França “Mirages”, esperava-se a qualquer momento a sua chegada. Talvez eles participassem nos voos sobre a capital de Angola, Luanda, no seu bombardeamento.” “A fim de evitar isso - continua Tokarev - o nosso comando enviou para essa região (por um prazo de mês e meio, mas com a possibilidade de prolongamento) o nosso grupo: oficiais e sargentos, especialistas no emprego militar de complexos móveis de defesa anti-aérea “Strela”, e nós, cadetes-tradutores militares”. Estes primeiros especialistas militares soviéticos começaram de imediato o treino dos soldados e oficiais do MPLA. Tokarev recorda: “Os nossos especialistas montaram rapidamente, numa antiga base aérea militar portuguesa de Luanda, vários pontos de treino e começámos imediatamente a treinar os combatentes das FAPLA. Os nossos especialistas iam frequentemente à frente de combate, que estava situada a apenas algumas dezenas de quilómetros. Normalmente, eram acompanhados por cubanos. À frente, regra geral, ia um jipe, um carro blindado ou tanque cubano, que nos protegiam.

terça-feira, novembro 11, 2008

Empresa britânica de Vale e Azevedo vai ser comprada por sócios suecos

Não querendo levantar suspeitas, mas repare-se nos nomes dos accionistas das empresas. Alguém consegue perceber, à primeira vista, quem é accionista de qual empresa? Até parece simples...

Noticia a Lusa:
"A V&A Capital Limited, gerida por João Vale e Azevedo, vai ser adquirida ainda este mês por uma sociedade sueca controlada pelos quatro sócios do empresário português na empresa britânica. Este negócio foi confirmado pelo ex-presidente do Benfica, que dirige actualmente a V&A Capital e mantém residência em Londres. O Conselho de Administração da 360 Holding AB, presidida por Nils Peter Sieger e tendo como directores David Gibbons, Arcadio Mir e Glenn Cooper [Em 2002 dizia sobre a gestão de Vale no Benfica: "Uma gestão excelente". Durante a direcção de V. Azevedo, foi "assessor" do presidente e esteve ligado a várias contratações discutíveis, com percentagens de intermediário igualmente suspeitas], decidiu, numa reunião extraordinária realizada a 22 de Outubro, comprar a V&A Capital através de uma troca de acções.

A empresa sueca, perita na aquisição e consolidação de empresas de jogo, está cotada no índice First North, o mercado alternativo para pequenas empresas da bolsa de valores de Estocolmo, a OMX. A compra de 50,5% do capital da sociedade sueca foi efectuada através da Finurba Corporate Finance Limited, uma subsidiária britânica da Finurba, um grupo sedeado em Portugal e fundado em 1967 pelo alemão Niels Peter Sieger. Na reunião de 22 de Outubro, em que os quatro sócios de Vale e Azevedo assumiram a direcção da 360 Holding, foi decidido que todas as subsidiárias, que operavam na área de jogos, seriam vendidas por cerca de 416 mil euros a um consórcio liderado pelo ex-vice-presidente, Anders Holmsted, que por sua vez tinha vendido a sua participação à Finurba Corporate Finance.
Esta decisão foi tomada por considerarem que a sua actividade não se enquadra na estratégia de investimento delineada pela empresa com a compra da V&A Capital, que deverá ser formalizada numa assembleia geral extraordinária até ao final do mês. Na mesma ocasião foi determinado que a sociedade sueca passará a utilizar o nome da V&A Capital e vai solicitar de imediato a entrada no principal índice da OMX, perspectivando para o futuro investimentos e aquisições na Europa ou nos EUA. Todas estas operações terão de ser aprovadas pelos accionistas da 360 Holding na reunião que se realiza ainda este mês, tratando-se apenas de uma formalidade uma vez que as duas empresas são controladas agora pelos mesmos dirigentes. Vale e Azevedo adiantou hoje à Lusa que as duas empresas vão coexistir com o mesmo nome, mas em dois países diferentes. "A V&A Capital vai continuar a ser uma empresa britânica", garantiu o empresário, negando a intenção de se mudar para a Suécia.

Portugal é o 13º país com maior facilidade no pagamento de impostos

Um novo relatório, lançado esta terça-feira pelo Banco Mundial, IFC e PricewaterhouseCoopers, demonstra que as autoridades fiscais a nível mundial estão a reparar os sistemas fiscais através da redução de impostos, da simplificação de processos administrativos e da modernização dos sistemas de pagamento.
No que diz respeito à facilidade do pagamento de impostos na União Europeia, Portugal encontra-se em 13º lugar, num ranking que integra 25 países.
De acordo com o relatório "Payng Taxes 2009", relativo ao ano de 2007/2008, nos três primeiros lugares estão a Irlanda, a Dinamarca e o Luxemburgo. Nos três últimos encontram-se a Itália, a Polónia e a Roménia.

A nível mundial, 36 economias simplificaram o pagamento de impostos. A República Dominicana liderou este ano a tabela das economias mais reformistas, logo seguida da Malásia.
As reformas mais populares a nível mundial foram a redução das taxas dos impostos sobre o rendimento das empresas (em 21 economias) e as melhorias na entrega de declarações electrónicas e na eficiência dos sistemas de pagamento (em 12 economias).

E que impostos baixos tem o país...

EUA: Exposição mostra gravuras da cultura judaica ibérica

Quarenta gravuras com provérbios medievais da cultura sefardita na Península Ibérica estão expostas, desde hoje e até Fevereiro, no Centro de História Judia de Nova Iorque, nos Estados Unidos.
"Vestígios dos Sefarditas" mostra 45 desenhos incluídos num livro homónimo do sefardita Marc Shanker, descendente de judeus que viveram na Península Ibérica até 1492, altura em que foram expulsos de Espanha pelos reis católicos.

Trata-se da primeira obra que transforma as palavras em imagens, sendo que o idioma usado nos provérbios é o ladino, idioma falado pelos judeus na Península Ibérica na Idade Média.
Marc Shanker explicou que os provérbios, "concisos", mas que "dizem muitas coisas", homenageiam a história da sua família, que viveu em Espanha até 1492 e se estabeleceu depois na Turquia. Em 1970, estabeleceu-se em Nova Iorque.
Para os seleccionar e traduzir, o autor contou com o apoio da mãe, que fala ladino.

As Maldivas já procuram um novo território para viver em caso de naufrágio

O primeiro Presidente eleito democraticamente nas Maldivas, Mohamed Nasheed, inaugurou o seu mandato com uma medida inovadora. O país vai criar um fundo de poupança para comprar novas terras onde a população possa viver, caso o nível das águas acabe por engolir o paradisíaco arquipélago, anunciou ontem Nasheed.

O "seguro de vida" dos maldivanos, como lhe chamou Nasheed, irá ser pago com uma parte das receitas do turismo, a principal fonte de rendimentos do país. Se as previsões mais pessimistas se cumprirem, os 300 mil habitantes poderão ter de abandonar definitivamente o seu território. É que as 1192 ilhas que compõem o arquipélago das Maldivas não estão a mais do que 2,4 metros acima do nível do mar e a maioria do território habitado está apenas a um metro de altitude. A capital, Malé, está a 90 centímetros do nível do mar e, só aqui, vivem 100 mil pessoas.

O Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas da ONU estima que o nível das águas suba até 59 centímetros até 2100. Mas outros estudos, como o relatório de 2006 do Instituto de Potsdam para a Investigação do Impacto Climático, apontam para uma subida até 1,40 metros, o que ditaria o fim das Maldivas. A proposta de Nasheed já foi discutida com alguns países, que se mostraram "receptivos", segundo conta o novo Presidente. O Sri Lanka e a Índia são os destinos mais prováveis, devido às semelhanças culturais, mas o Norte da Austrália também é uma possibilidade.
Nasheed explica que ninguém quer deixar as Maldivas, mas que pretende assegurar os direitos das próximas gerações, que poderão não resistir às consequências do aquecimento global.

O problema estende-se a outras 47 ilhas, apelidadas pelas Nações Unidas de SIDS (Small Islands Developping States). Na Papua-Nova Guiné, existe desde 2005 um plano de evacuação para uma ilha vizinha. As ilhas Marshall não têm capacidade financeira para proteger o depósito de lixo nuclear que os Estados Unidos criaram no país e que agora poderá ficar submerso. Na ilha de Bhola, no Bangladesh, 500 mil habitantes deslocaram-se para o interior quando a ilha foi inundada, em 1995, tornando-se talvez os primeiros refugiados ambientais do mundo. Um estatuto que irá proliferar, segundo as previsões.

Ilhas Salomão, Vanuatu, Nova Caledónia ou Fiji são alguns dos territórios ameaçados com a subida das águas. Outro é o Tuvalu, símbolo das vítimas do clima. O pequeno arquipélago de 11 mil habitantes poderá ser o primeiro país a desaparecer do planeta. Periodicamente, marés vivas de cerca de três metros de amplitude submergem parte do território, incluindo a pista do aeroporto. As constantes inundações comprometem também a incipiente agricultura do país, devido à salinização das terras. A falta de água doce, a pesca excessiva e a poluição dos navios são outros problemas que também afectam estas ilhas, para além dos furacões e maremotos. "Nós não precisamos de novas investigações científicas sobre o fenómeno da subida das águas, nós já o vivemos", dizia já em 2005 o primeiro-ministro do Tuvalu, Saufatu Sopo'aga. A Nova Zelândia recebe 17 imigrantes deste país por ano e já se estudam propostas para uma deslocação em massa da população. Os SIDS tentam apelar às nações desenvolvidas para uma redução das emissões de gases de estufa, a única forma de abrandar a subida das águas que é inevitável no futuro próximo. Na quinta-feira, reuniram-se em Singapura, para unificar as posições que tomarão em Dezembro, na cimeira sobre alterações climáticas da Polónia. Pedem que a crise financeira não relegue para segundo plano o futuro destes países, em risco de desaparecer do mapa.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Disparate total: Valência afirma ter o Santo Graal em seu poder

Valência tem provavelmente o Santo Graal, cálice em ágata (?) que teria sido utilizado por Jesus na Última Ceia, e especialistas reunidos neste domingo na cidade espanhola querem que a UNESCO o declare Património da Humanidade.

O Santo Graal é uma das mais importantes relíquias do cristianismo e a cidade espanhola, que afirma tê-lo, dedicou-lhe este fim-de-semana um congresso internacional, no 1750º aniversário da sua suposta chegada a Espanha.
Do congresso resultou uma petição, que se baseia "no conjunto de argumentos apresentados neste simpósio e dado que, pelo menos, pode-se demonstrar que o Santo Cálice de Valência foi o inspirador das narrativas medievais que deram lugar ao nascimento da literatura épica europeia", para que o objecto seja considerado pela UNESCO Património da Humanidade.

A relíquia, guardada numa capela especial (?) na Catedral de Valência, tem 17 cm de altura e muitos especialistas questionam-se se é o mesmo usado por Cristo, principalmente porque está decorado com ouro e pedras preciosas. "É compreensível esta desconfiança. Porque a todos nós vêm à mente as cenas pobres com os discípulos sentados no chão, e Jesus com um humilde cálice de barro. Mas não foi assim" (claro!), disse o professor de história de Universidade de Valencia e historiador da catedral valenciana, Vicente Martínez.
"O filho do carpinteiro escrevia em hebreu, era chamado de rabi (mestre em hebraico) e esteve com famílias com posses como a de Lázaro. É só consultar o Evangelho", afirmou.

A relíquia sagrada em si seria apenas a parte superior do cálice, em ágata, que os arqueólogos consideram de origem oriental, criada entre os anos 50 e 100 antes de Cristo. As asas e a base de ouro com pedras preciosas são do século XVI.
O cálice teria sido enviado de Roma pelo mártir São Lourenço, em 238, para que ficasse protegido, já que o santo sofria uma perseguição que o levaria à morte.

Portugal/Rússia: Dmitri Medvedev em Lisboa a 21 de Novembro

O presidente russo, Dmitri Medvedev, vai estar em Lisboa no dia 21 de Novembro, numa escala da viagem de regresso a Moscovo após a Cimeira do G-20 em Washington, disse hoje fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros português.
Ainda não é conhecido o programa do chefe de Estado russo, mas prevê-se que se reúna com o primeiro-ministro, José Sócrates.
Três dias antes, a 18 de Novembro, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, visita oficialmente Lisboa para encontros com o seu homólogo português, Luís Amado.
Segundo a embaixada da Rússia em Lisboa, a agenda deste encontro será centrada nas relações bilaterais luso-russas.

A visita de Dmitri Medvedev é a terceira de um presidente russo a Portugal nos últimos quatro anos, depois das visitas de Estado de Vladimir Putin em Novembro de 2004 e em Outubro de 2007, nas vésperas da Cimeira UE-Rússia de Mafra.