A antena com nove metros de diâmetro foi colocada numa zona deserta em que as interferências são quase nulas.
Ouvir as origens do Universo. É esse o objectivo do projecto que levou à instalação de uma antena parabólica com nove metros de diâmetro na Serra do Açor, Pampilhosa da Serra, para escutar emissões de rádio e de microondas provenientes da Via Láctea.
A iniciativa é liderada internacionalmente por George Smoot, da Universidade da Califórnia em Berkeley, EUA, prémio Nobel da Física em 2006. O principal objectivo do Projecto GEM (Galactic Emission Mapping - Cartografia da Emissão Galáctica) é disponibilizar dados para um estudo mais detalhado da radiação cósmica de fundo, considerada pelos cientistas um fóssil do 'Big Bang' - teoria segundo a qual o universo surgiu de um estado muito quente e denso, há 13,7 mil milhões de anos. Em particular, os astrofísicos procuram estudar pequeníssimas variações na radiação cósmica de fundo, indicadoras do surgimento de grandes estruturas no universo, como os enxames e superenxames de galáxias.
A instalação deste pequeno observatório de radioastronomia teve em conta medições do espectro radioeléctrico em vários pontos do país. O local escolhido apresenta uma interferência de fontes de rádio quase nula - sem ser afectado por estações de rádio e televisão, rádio amadoras, redes de telemóveis e até pela proximidade de fornos caseiros de microondas ou por motores de motociclos.
Antes de vir para Portugal, o projecto GEM recolheu dados na Antártida, na Califórnia, na Colômbia, em Espanha e no Brasil. Foi então utilizada uma antena de cinco metros de diâmetro.
Em Portugal, o investigador principal, Domingos Barbosa, do Instituto de Telecomunicações de Aveiro, conseguiu o apoio logístico de várias empresas. A Portugal Telecom, por exemplo, cedeu uma antena de telecomunicações desactivada de maiores dimensões, que funcionou na base das Lajes, nos Açores. Conseguiu ainda o apoio da Câmara Municipal de Pampilhosa da Serra, que fez as terraplenagens. As verbas iniciais da Fundação para a Ciência e a Tecnologia mal cobriam as primeiras despesas.
"O que fica caro não é o projecto científico em si mas as infra-estruturais. Essa tem sido a nossa luta", diz Barbosa. A logística funcionará no ambiente bucólico da aldeia de Fajão, uma característica localidade de xisto das Beiras.
Curiosamente, uma das preocupações dos investigadores é que os javalis, que podem encontrar-se na região, não roam os cabos da antena.
A electrónica do receptor e várias partes mecânicas foram desenvolvidas e testadas em Portugal. Os seus responsáveis já capitalizaram a aposta ao serem convidados para o consórcio do maior radiotelescópio do mundo: o SKA (Square Kilometre Array, uma rede com um km2).
Este gigantesco sistema de 4000 pequenas antenas, semelhantes à de Pampilhosa da Serra, deverá ser instalado na África do Sul ou na Austrália, entre 2013 e 2020. As operações deverão ter início em 2015. Os promotores do SKA estão especialmente interessados nos desenvolvimentos e na experiência adquiridos pelo grupo português.
Os dados recolhidos pela antena do GEM Portugal serão também integrados no pacote utilizado pela Agência Espacial Europeia na calibração das observações do satélite Planck.
Com lançamento previsto para o início do próximo ano, a bordo do foguetão Ariane-5, o Planck irá registar a radiação cósmica de fundo com um rigor sem precedentes. O resultado esperado é uma melhor compreensão da origem do universo e do processo de formação das galáxias.
Antena ajudará NASA a calibrar Sonda Juno
Os dados do projecto GEM-Portugal serão ainda utilizados pela NASA para calibrar a sonda Juno, que partirá para Júpiter em 2011. Este veículo observará em detalhe o magnetismo, a gravidade e a química atmosférica do maior planeta do sistema solar. Em particular, a Juno deverá registar as auroras de Júpiter, usando frequências que o GEM operará brevemente e com resoluções comparáveis. A equipa foi contactada pelo Laboratório de Propulsão a Jacto, da NASA, uma vez que o GEM terá o céu e a galáxia cartografados com calibração quase absoluta. Durante o voo, a sonda rodará para fazer varrimentos circulares. Estes serão utilizados para calibrar a sonda.
segunda-feira, dezembro 08, 2008
Mariza nos melhores discos do ano do Times
Mariza classificou-se em nono lugar na lista de discos do ano do Times, na categoria de world music, graças a "Terra".
Na lista pop, a vitória foi para os Fleet Foxes. O Times escolheu ainda os melhores novos artistas de 2008 (Laura Marling foi a vencedora); os melhores artistas de world music (liderados pelo Garifuna Women`s Project e com a portuguesa Mariza em nono lugar) e os melhores trabalhos de jazz (Neil Cowley Trio), contemporânea (Peter Maxwell Davies) e clássica (Mozart Symphonies Nos 38-41 - Linn).
Na lista pop, a vitória foi para os Fleet Foxes. O Times escolheu ainda os melhores novos artistas de 2008 (Laura Marling foi a vencedora); os melhores artistas de world music (liderados pelo Garifuna Women`s Project e com a portuguesa Mariza em nono lugar) e os melhores trabalhos de jazz (Neil Cowley Trio), contemporânea (Peter Maxwell Davies) e clássica (Mozart Symphonies Nos 38-41 - Linn).
sexta-feira, dezembro 05, 2008
Formador português ganha prémio mundial
No meio de uma floresta, nos confins da Rússia, Filipe Carrera teve de dar o exemplo a um grupo de 40 russos que faziam parte da Academia de Liderança. Descalçou os sapatos e andou calmamente sobre as brasas durante cinco metros. A capacidade de assumir o risco e de dar o exemplo quando necessário converteu este formador português, professor de e-Marketing no Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), numa referência a nível mundial.
A 8 de Novembro, recebeu em Nova Deli o prémio de melhor formador do mundo no congresso da Junior Chamber International, organização não governamental com sede na Florida, Estados Unidos, que representa profissionais de 115 países do mundo. Em Junho, já tinha sido considerado o melhor da Europa. Além disso o projecto de formação que desenvolveu para a NATO foi também premiado a nível europeu. "Tenho uma vantagem competitiva em ser português", afirma. "Historicamente, os portugueses adaptam-se a qualquer sítio. Vejo colegas meus, alemães, americanos, canadianos, que têm tudo muito estruturado e não possuem essa flexibilidade, esse golpe de rins que é necessário" para adaptar sempre a forma como se transmite os conhecimentos às pessoas com que se interrelaciona.
Por isso, na Rússia teve de ser autoritário, um líder forte capaz de caminhar sobre fogo com os seus formandos, e na Índia funcionar quase como um guru, deixar que lhe beijassem as mãos e até dar autógrafos. E o mesmo acontece nos cerca de 30 países onde já deu formação e acontecerá, de certeza, na Mongólia, onde deverá ir para o ano.Licenciado em Economia no ISEG, este profissional de 39 anos possui ainda um MBA da Universidade Politécnica de Madrid e Pós-Graduações em e-Business e Gestão de Marketing pela mesma universidade e em Gestão da Formação em e-Learning pela Complutense de Madrid, Filipe Carrera, nascido em Lisboa filho de galego, garante que "o formador como especialista acabou". "É impossível: o nível de informação criado em 2007 é equivalente aos cinco mil anos anteriores. Houve um tempo em que o conhecimento tinha de ser armazenado em livros ou em cérebros, agora o que é preciso é formar pessoas que saibam lidar com a informação porque estamos inundados dela", disse.
Além de dar formações em e-Marketing e Networking, Carrera dá também um curso de auto-ajuda. Começou por acaso, como adaptação num curso de Marketing a desempregados cuja auto-estima estava de rastos, mas, hoje, já o ministrou a mais de um milhar de pessoas. "É um módulo de autoconhecimento ligado ao marketing em que no fundo as pessoas fazem uma análise SWAT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) a elas próprias", referiu. Há um mês terminou de escrever um manual sobre e-marketing que irá ser editado em Janeiro de 2009 pela Sílabo, uma obra de referência na matéria que irá substituir o desactualizado "X-Marketing" de Joaquim Hortinha, falecido em 2003. Sobre a situação do e-Marketing em Portugal, Carrera considera que, em termos de campanhas, aqui se faz "tão bem ou melhor que lá fora" e lembra a campanha "absolutamente extraordinária" da Game Box do Sporting.
"O problema de Portugal é o mercado pequenino. Os decisores andam há dez anos a dizer que se trata de uma coisa para ver no futuro. Por exemplo, em termos de e-Learning [ensino à distância], comparando com Espanha, estamos muito atrás. Falamos muito dos PALOP, mas a verdade é que são as universidades espanholas que estão em Moçambique, Angola, Cabo Verde, Brasil a dar formação que podíamos estar nós a dar e estão a dá-la em espanhol", explicou. "Tudo por falta de oferta das universidades portuguesas. Estamos a perder um mercado, não só o dos PALOP, também o das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo", concluiu.
A 8 de Novembro, recebeu em Nova Deli o prémio de melhor formador do mundo no congresso da Junior Chamber International, organização não governamental com sede na Florida, Estados Unidos, que representa profissionais de 115 países do mundo. Em Junho, já tinha sido considerado o melhor da Europa. Além disso o projecto de formação que desenvolveu para a NATO foi também premiado a nível europeu. "Tenho uma vantagem competitiva em ser português", afirma. "Historicamente, os portugueses adaptam-se a qualquer sítio. Vejo colegas meus, alemães, americanos, canadianos, que têm tudo muito estruturado e não possuem essa flexibilidade, esse golpe de rins que é necessário" para adaptar sempre a forma como se transmite os conhecimentos às pessoas com que se interrelaciona.
Por isso, na Rússia teve de ser autoritário, um líder forte capaz de caminhar sobre fogo com os seus formandos, e na Índia funcionar quase como um guru, deixar que lhe beijassem as mãos e até dar autógrafos. E o mesmo acontece nos cerca de 30 países onde já deu formação e acontecerá, de certeza, na Mongólia, onde deverá ir para o ano.Licenciado em Economia no ISEG, este profissional de 39 anos possui ainda um MBA da Universidade Politécnica de Madrid e Pós-Graduações em e-Business e Gestão de Marketing pela mesma universidade e em Gestão da Formação em e-Learning pela Complutense de Madrid, Filipe Carrera, nascido em Lisboa filho de galego, garante que "o formador como especialista acabou". "É impossível: o nível de informação criado em 2007 é equivalente aos cinco mil anos anteriores. Houve um tempo em que o conhecimento tinha de ser armazenado em livros ou em cérebros, agora o que é preciso é formar pessoas que saibam lidar com a informação porque estamos inundados dela", disse.
Além de dar formações em e-Marketing e Networking, Carrera dá também um curso de auto-ajuda. Começou por acaso, como adaptação num curso de Marketing a desempregados cuja auto-estima estava de rastos, mas, hoje, já o ministrou a mais de um milhar de pessoas. "É um módulo de autoconhecimento ligado ao marketing em que no fundo as pessoas fazem uma análise SWAT (forças, fraquezas, oportunidades e ameaças) a elas próprias", referiu. Há um mês terminou de escrever um manual sobre e-marketing que irá ser editado em Janeiro de 2009 pela Sílabo, uma obra de referência na matéria que irá substituir o desactualizado "X-Marketing" de Joaquim Hortinha, falecido em 2003. Sobre a situação do e-Marketing em Portugal, Carrera considera que, em termos de campanhas, aqui se faz "tão bem ou melhor que lá fora" e lembra a campanha "absolutamente extraordinária" da Game Box do Sporting.
"O problema de Portugal é o mercado pequenino. Os decisores andam há dez anos a dizer que se trata de uma coisa para ver no futuro. Por exemplo, em termos de e-Learning [ensino à distância], comparando com Espanha, estamos muito atrás. Falamos muito dos PALOP, mas a verdade é que são as universidades espanholas que estão em Moçambique, Angola, Cabo Verde, Brasil a dar formação que podíamos estar nós a dar e estão a dá-la em espanhol", explicou. "Tudo por falta de oferta das universidades portuguesas. Estamos a perder um mercado, não só o dos PALOP, também o das comunidades portuguesas espalhadas pelo mundo", concluiu.
quinta-feira, dezembro 04, 2008
Suspeito de liderar ataque contra Nino detido num país vizinho
O principal suspeito do ataque contra o Presidente da República da Guiné-Bissau foi detido num "país vizinho" e deve ser extraditado brevemente para Bissau, anunciou hoje o comissário-geral adjunto da Polícia de Ordem Pública (POP) guineense.
"N'Tchami Yalá já se encontra sob a alçada das autoridades de um país vizinho e a qualquer momento vai chegar ao país", afirmou Armando N'Haga. O comissário-geral adjunto da POP recusou-se a revelar o país onde foi feita a detenção de N'Tchami Yalá, alegando razões de segurança. "O essencial é que está detido e que vai ser extraditado para a Guiné-Bissau", sublinhou. Yalá, um fuzileiro da Marinha guineense colocado num quartel no norte do país na sequência da tentativa de golpe de Estado de Agosto, é suspeito de ter liderado, a 24 de Novembro, o ataque contra o presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, que escapou ileso. As autoridades guineenses já tinham anunciado anteriormente a detenção do fuzileiro, mas depois rectificaram a informação referindo que continuava em fuga. Segundo Armando N'Haga, com a detenção de N'Tchami Yalá aumenta para oito o número de detidos por alegado envolvimento no ataque a "Nino" Vieira.
"N'Tchami Yalá já se encontra sob a alçada das autoridades de um país vizinho e a qualquer momento vai chegar ao país", afirmou Armando N'Haga. O comissário-geral adjunto da POP recusou-se a revelar o país onde foi feita a detenção de N'Tchami Yalá, alegando razões de segurança. "O essencial é que está detido e que vai ser extraditado para a Guiné-Bissau", sublinhou. Yalá, um fuzileiro da Marinha guineense colocado num quartel no norte do país na sequência da tentativa de golpe de Estado de Agosto, é suspeito de ter liderado, a 24 de Novembro, o ataque contra o presidente guineense, João Bernardo "Nino" Vieira, que escapou ileso. As autoridades guineenses já tinham anunciado anteriormente a detenção do fuzileiro, mas depois rectificaram a informação referindo que continuava em fuga. Segundo Armando N'Haga, com a detenção de N'Tchami Yalá aumenta para oito o número de detidos por alegado envolvimento no ataque a "Nino" Vieira.
Portugal prepara cimeira com Austrália e Indonésia em Maio
Portugal está a envidar esforços para concretizar, em Maio de 2009, uma cimeira sobre Timor-Leste que envolva também a Austrália e Indonésia, disse hoje o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação português.
Contactado por telefone em Díli, onde se encontra em visita de trabalho até sexta-feira, João Gomes Cravinho adiantou que três meses antes, em Fevereiro, haverá um encontro de chefes da diplomacia de Portugal, Timor-Leste, Austrália e Indonésia para preparar a agenda da cimeira. O tema é o desenvolvimento de Timor-Leste, acrescentou, lembrando que a ideia foi apresentada pelo presidente português, Aníbal Cavaco Silva, ao primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, em Setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. A realização da cimeira, que poderá ainda contar com o Brasil, foi já analisada por João Gomes Cravinho num encontro que manteve hoje em Díli com o presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que se mostrou favorável à iniciativa.
Cravinho iniciou hoje uma visita de trabalho para contactos políticos e ligados à cooperação, tendo como pano de fundo o lançamento de um projecto de desenvolvimento na zona de Liquiçá e Ermera (noroeste de Timor-Leste), apoiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e que conta também com co-financiamento das cooperações espanhola e alemã. O programa "Mós Bele - Cluster da Cooperação Portuguesa em Timor-Leste", acrescentou Cravinho, tem quatro vertentes fundamentais e prevê a integração de diversos projectos ligados à agricultura, economia, saúde e educação, acção que envolve um montante de um milhão de euros. O governante português reuniu-se também hoje com o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que efectuou na semana passada uma visita oficial a Portugal, com quem abordou projectos concretos para um maior envolvimento de Portugal em Timor-Leste. Segundo Cravinho, Lisboa pode vir a aumentar o número de professores em Timor-Leste, onde conta actualmente com cerca de 150 - 120 no ensino básico e 30 no universitário -, ao mesmo tempo que criou uma equipa de trabalho conjunta para integrar o projecto Magalhães nas escolas timorenses. Por outro lado, acrescentou, Lisboa e Díli decidiram já retomar as negociações sobre um acordo para evitar a dupla tributação, interrompidas há cerca de ano e meio devido à pouca procura dos empresários portugueses em Timor-Leste. Este acordo, juntamente com as quatro linhas de crédito a ser disponibilizadas pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), a primeira no valor de 15 milhões de euros, vai permitir criar condições para o investimento dos empresários portugueses no território timorense.
Quarta-feira, em Díli, João Gomes Cravinho participará na abertura do I Congresso de Ciências da Saúde de Timor-Leste, que conta com o apoio do IPAD e da Fundação Calouste Gulbenkian, e terá encontros com o líder da Fretilin (oposição), Mari Alkatiri, e com o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo.
Contactado por telefone em Díli, onde se encontra em visita de trabalho até sexta-feira, João Gomes Cravinho adiantou que três meses antes, em Fevereiro, haverá um encontro de chefes da diplomacia de Portugal, Timor-Leste, Austrália e Indonésia para preparar a agenda da cimeira. O tema é o desenvolvimento de Timor-Leste, acrescentou, lembrando que a ideia foi apresentada pelo presidente português, Aníbal Cavaco Silva, ao primeiro-ministro australiano, Kevin Rudd, em Setembro, durante a Assembleia Geral da ONU. A realização da cimeira, que poderá ainda contar com o Brasil, foi já analisada por João Gomes Cravinho num encontro que manteve hoje em Díli com o presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, que se mostrou favorável à iniciativa.
Cravinho iniciou hoje uma visita de trabalho para contactos políticos e ligados à cooperação, tendo como pano de fundo o lançamento de um projecto de desenvolvimento na zona de Liquiçá e Ermera (noroeste de Timor-Leste), apoiado pelo Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento (IPAD) e que conta também com co-financiamento das cooperações espanhola e alemã. O programa "Mós Bele - Cluster da Cooperação Portuguesa em Timor-Leste", acrescentou Cravinho, tem quatro vertentes fundamentais e prevê a integração de diversos projectos ligados à agricultura, economia, saúde e educação, acção que envolve um montante de um milhão de euros. O governante português reuniu-se também hoje com o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, que efectuou na semana passada uma visita oficial a Portugal, com quem abordou projectos concretos para um maior envolvimento de Portugal em Timor-Leste. Segundo Cravinho, Lisboa pode vir a aumentar o número de professores em Timor-Leste, onde conta actualmente com cerca de 150 - 120 no ensino básico e 30 no universitário -, ao mesmo tempo que criou uma equipa de trabalho conjunta para integrar o projecto Magalhães nas escolas timorenses. Por outro lado, acrescentou, Lisboa e Díli decidiram já retomar as negociações sobre um acordo para evitar a dupla tributação, interrompidas há cerca de ano e meio devido à pouca procura dos empresários portugueses em Timor-Leste. Este acordo, juntamente com as quatro linhas de crédito a ser disponibilizadas pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), a primeira no valor de 15 milhões de euros, vai permitir criar condições para o investimento dos empresários portugueses no território timorense.
Quarta-feira, em Díli, João Gomes Cravinho participará na abertura do I Congresso de Ciências da Saúde de Timor-Leste, que conta com o apoio do IPAD e da Fundação Calouste Gulbenkian, e terá encontros com o líder da Fretilin (oposição), Mari Alkatiri, e com o bispo de Díli, D. Alberto Ricardo.
quinta-feira, novembro 27, 2008
Agente de ligação entre oficial estónio e serviços secretos russos era português
O diário estónio Eesti Ekspress escreve hoje que o agente que fazia a ligação entre o oficial Herman Simm (na foto), alta patente das Forças Armadas da Estónia, e os serviços secretos russos, a quem o estónio vendia valiosos segredos militares da UE e da NATO, era português.
“Agente de ligação não é espanhol, mas sim português”, escreve o jornal estónio, sublinhando que esse elo de ligação tinha “identificação portuguesa”. O caso do oficial Herman Simm, a quem um dos jornais estónios chamou “Carta de Ouro” dos serviços secretos russos, está a ter fortes repercussões não só na Estónia, mas também no seio da União Europeia e NATO, pois ele tinha acesso a informação sobre a “defesa informática” do seu país, bem como sobre o sistema de defesa antimíssil que os Estados Unidos pretendem instalar no Leste da Europa e sobre as operações da Aliança Atlântica no Afeganistão e Balcãs. Herman Simm, de 61 anos, ocupava um alto cargo no aparelho do Ministério da Defesa da Estónia e, segundo os órgãos de informação estónios, colaborou quase dez anos com os serviços secretos russos. Foi detido em Setembro passado, juntamente com a esposa, uma advogada que trabalhava para a polícia estónia.
Os órgãos de informação estónios escrevem que Simm recebeu da Rússia milhões de dólares e que passou a estar no centro das anteções dos serviços secretos estónios depois de adquirir terras e imóveis. Os serviços secretos norte-americanos e europeus tentam agora determinar os prejuízos causados ao sistema de segurança ocidental. “Quanto mais eles estudam este caso, mais clara se torna a envergadura do prejuízo causado pelo acusado de traição”, escreveu a propósito a revista alemã Der Spiegel.
“Agente de ligação não é espanhol, mas sim português”, escreve o jornal estónio, sublinhando que esse elo de ligação tinha “identificação portuguesa”. O caso do oficial Herman Simm, a quem um dos jornais estónios chamou “Carta de Ouro” dos serviços secretos russos, está a ter fortes repercussões não só na Estónia, mas também no seio da União Europeia e NATO, pois ele tinha acesso a informação sobre a “defesa informática” do seu país, bem como sobre o sistema de defesa antimíssil que os Estados Unidos pretendem instalar no Leste da Europa e sobre as operações da Aliança Atlântica no Afeganistão e Balcãs. Herman Simm, de 61 anos, ocupava um alto cargo no aparelho do Ministério da Defesa da Estónia e, segundo os órgãos de informação estónios, colaborou quase dez anos com os serviços secretos russos. Foi detido em Setembro passado, juntamente com a esposa, uma advogada que trabalhava para a polícia estónia.
Os órgãos de informação estónios escrevem que Simm recebeu da Rússia milhões de dólares e que passou a estar no centro das anteções dos serviços secretos estónios depois de adquirir terras e imóveis. Os serviços secretos norte-americanos e europeus tentam agora determinar os prejuízos causados ao sistema de segurança ocidental. “Quanto mais eles estudam este caso, mais clara se torna a envergadura do prejuízo causado pelo acusado de traição”, escreveu a propósito a revista alemã Der Spiegel.
Ángel Villar assume ser apoiante da candidatura ibérica ao Mundial
Presidente da Federação espanhola em entrevista à Marca. Reuniões com o Governo de Zapatero vão decidir se Portugal cabe no projecto.
Se depender do presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Ángel Villar, haverá projecto ibérico à organização do Campeonato do Mundo de 2018. "Sou partidário de ir com Portugal", disse o dirigente quando questionado pela Marca sobre a possibilidade de Espanha se candidatar ao Mundial juntamente com Portugal.
Porém, Villar, que anteontem foi eleito para o sexto mandato, não se alongou em considerações sobre a parceria ibérica. "Quando o Governo der o sim, falaremos disso", comentou o líder da RFEF. E, possivelmente, essas reuniões que Villar espera ter em breve poderão ser com o ministro dos Desportos, uma vez que o chefe do Governo, José Luis Zapatero já anunciou que o próximo ministério a ser criado vai ser o do Desporto. Actualmente, e à semelhança do que se passa em Portugal, o desporto espanhol é tutelado por um secretário de Estado, que depende do Ministério da Educação, Política Social e Desporto.
Em Portugal, o projecto de uma organização conjunta conta com o apoio, quer do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, quer dos presidente da Liga, Hermínio Loureiro, e da Federação, Gilberto Madaíl. Aliás, este último tem afirmado repetidamente que existem contactos informais com Ángel Villar. Se a candidatura for mesmo para avançar, terá de ser entregue durante 2010. A FIFA decidirá em Dezembro desse ano o país organizador.
Dava jeito! Assim a selecção portuguesa ia ao Mundial directamente...
Se depender do presidente da Real Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Ángel Villar, haverá projecto ibérico à organização do Campeonato do Mundo de 2018. "Sou partidário de ir com Portugal", disse o dirigente quando questionado pela Marca sobre a possibilidade de Espanha se candidatar ao Mundial juntamente com Portugal.
Porém, Villar, que anteontem foi eleito para o sexto mandato, não se alongou em considerações sobre a parceria ibérica. "Quando o Governo der o sim, falaremos disso", comentou o líder da RFEF. E, possivelmente, essas reuniões que Villar espera ter em breve poderão ser com o ministro dos Desportos, uma vez que o chefe do Governo, José Luis Zapatero já anunciou que o próximo ministério a ser criado vai ser o do Desporto. Actualmente, e à semelhança do que se passa em Portugal, o desporto espanhol é tutelado por um secretário de Estado, que depende do Ministério da Educação, Política Social e Desporto.
Em Portugal, o projecto de uma organização conjunta conta com o apoio, quer do secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, quer dos presidente da Liga, Hermínio Loureiro, e da Federação, Gilberto Madaíl. Aliás, este último tem afirmado repetidamente que existem contactos informais com Ángel Villar. Se a candidatura for mesmo para avançar, terá de ser entregue durante 2010. A FIFA decidirá em Dezembro desse ano o país organizador.
Dava jeito! Assim a selecção portuguesa ia ao Mundial directamente...
Portugal devia «vender mais e melhor» a quem lhe vende petróleo
O ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu, em Leiria, que o País tem de procurar mercados alternativos em regiões que tenham um grande potencial de crescimento por força das matérias-primas que possuem.
"Não podemos deixar de vender mais e melhor para os países que nos vendem o petróleo que nós consumimos", afirmou Luís Amado num jantar-conferência promovido pela Associação Empresarial da Região de Leiria. O governante citou exemplos de mercados nos quais Portugal "tem quotas de penetração muito baixas", como a Venezuela, o Brasil e a Argentina.
"São mercados de crescimento para o nosso País", sublinhou o responsável, destacando, particularmente, o caso da Venezuela, onde vive meio milhão de portugueses.
Além da América do Sul, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros apontou igualmente os países do Magreb, como a Argélia ou a Líbia e até Marrocos, mas também alguns estados do Golfo: Arábia Saudita, Iraque e Qatar.
"São regiões onde há um enorme potencial para gerar equilíbrios com a economia portuguesa", disse Luís Amado, reconhecendo ser «absolutamente indispensável que a penetração nesses mercados» resulte de "uma acção concertada com as associações empresariais e o Governo" por forma a garantir a entrada das pequenas e médias empresas.
O responsável explicou ainda que 2009 será um ano decisivo, com a tomada de posse da nova administração norte-americana, as eleições em Israel e no Irão.
"Não podemos deixar de vender mais e melhor para os países que nos vendem o petróleo que nós consumimos", afirmou Luís Amado num jantar-conferência promovido pela Associação Empresarial da Região de Leiria. O governante citou exemplos de mercados nos quais Portugal "tem quotas de penetração muito baixas", como a Venezuela, o Brasil e a Argentina.
"São mercados de crescimento para o nosso País", sublinhou o responsável, destacando, particularmente, o caso da Venezuela, onde vive meio milhão de portugueses.
Além da América do Sul, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros apontou igualmente os países do Magreb, como a Argélia ou a Líbia e até Marrocos, mas também alguns estados do Golfo: Arábia Saudita, Iraque e Qatar.
"São regiões onde há um enorme potencial para gerar equilíbrios com a economia portuguesa", disse Luís Amado, reconhecendo ser «absolutamente indispensável que a penetração nesses mercados» resulte de "uma acção concertada com as associações empresariais e o Governo" por forma a garantir a entrada das pequenas e médias empresas.
O responsável explicou ainda que 2009 será um ano decisivo, com a tomada de posse da nova administração norte-americana, as eleições em Israel e no Irão.
quarta-feira, novembro 26, 2008
"Jogos Africanos", da autoria de Jaime Nogueira Pinto
O escritor, ensaísta e professor universitário português Jaime Nogueira Pinto lança segunda-feira em Lisboa o livro "Jogos Africanos", relato de "acontecimentos dramáticos e divertidos" sobre os corredores do poder na Angola, Guiné-Bissau e Moçambique independentes.
O também pensador político da direita portuguesa explicou que a obra, escrita em apenas um ano, constitui uma "narrativa factual" de acontecimentos por si vividos naqueles três países africanos a que esteve mais directamente ligado desde Junho de 1974, altura em que chegou a Luanda como voluntário militar. "O título do livro é o que melhor define esta história e histórias que tinha para contar, pois é bastante ambíguo, porque, de facto, são jogos, jogos de 20 anos de política africana em que estive presente", sublinhou Nogueira Pinto, aludindo ao horizonte temporal (1974/2004) da narrativa em que procurou ser "neutro" e "factual". "Procurei fazer uma narrativa realista, às vezes até chocante e brutal, pelo seu realismo", acrescentou, referindo, porém, que "Jogos Africanos" é uma "consequência" da intervenção externa, "dos não africanos", num continente "recém-chegado à estatalidade".
O primeiro contacto com a realidade africana, em Junho de 1974, dois meses após a revolução de 25 de Abril em Portugal, as primeiras amizades com políticos, militares e guerrilheiros, negociadores de uma geração que era, afinal, a sua, levaram Nogueira Pinto a participar em vários processos, umas vezes como espectador outras como actor. Na obra, Nogueira Pinto dá conta do seu envolvimento nas "intrigas e momentos decisivos" daqueles três países, com particular destaque para o caso angolano (13 dos 18 capítulos) e ao seu relacionamento com o líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), Jonas Savimbi, morto em combate em Fevereiro de 2002.
Cruzando a sua história pessoal com os relatos dos vários protagonistas da política africana, o autor procurou, disse, "contar alguns episódios", os jogos e as razões do poder, da guerra e do dinheiro, "entrosados com as ambições e paixões humanas". Partindo da chegada a Luanda, Nogueira Pinto relata os primeiros encontros, os Acordos de Alvor, a amizade com Savimbi, a guerra civil angolana, os encontros de Gbadolite e a "euforia" dos Acordos de Bicesse, as eleições de 1992, o recomeço da guerra civil, as guerras nos Congos (Kinshasa e Brazzaville), a queda dos bastiões da UNITA (Bailundo e Andulo) e a morte do líder do movimento do Galo Negro.
Ao longo das 528 páginas, editadas pela A Esfera dos Livros, e falando também das suas relações com políticos norte-americanos, Nogueira Pinto faz uma incursão a Moçambique, onde destaca a relação com Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), narra as causas e consequências de 15 anos de guerra civil e as negociações para a paz, celebrada em 1992. Sobre a Guiné-Bissau, Nogueira Pinto disse ter-lhe dedicado "apenas meio capítulo", em que conta a sua passagem por esse país dias antes da morte de Ansumane Mané, o líder da rebelião que depôs, na sequência do conflito militar de 1998/99, o regime do então presidente João Bernardo "Nino" Vieira, hoje novamente chefe de Estado. "Devo ser das últimas pessoas que tirou uma fotografia com Ansumane Mané. Dez dias depois, foi morto", sublinhou, sem adiantar qualquer opinião sobre o que então sucedeu. "Não escrevi tudo o que sei, porque há coisas que não se podem contar pelas mais variadas razões, desde políticas às de Estado, passando até pelas de amizade e estima pessoais", frisou Jaime Nogueira Pinto, natural do Porto, onde nasceu a 4 de Fevereiro de 1946 (62 anos), e autor de "António de Oliveira Salazar - O Outro Retrato", que já vai na sexta edição. "Jogos Africanos" é lançado na tarde de segunda-feira no Salão Nobre da Associação Comercial de Lisboa e será apresentado pelo embaixador e amigo do autor Francisco Seixas da Costa.
in Notícias Lusófonas
O também pensador político da direita portuguesa explicou que a obra, escrita em apenas um ano, constitui uma "narrativa factual" de acontecimentos por si vividos naqueles três países africanos a que esteve mais directamente ligado desde Junho de 1974, altura em que chegou a Luanda como voluntário militar. "O título do livro é o que melhor define esta história e histórias que tinha para contar, pois é bastante ambíguo, porque, de facto, são jogos, jogos de 20 anos de política africana em que estive presente", sublinhou Nogueira Pinto, aludindo ao horizonte temporal (1974/2004) da narrativa em que procurou ser "neutro" e "factual". "Procurei fazer uma narrativa realista, às vezes até chocante e brutal, pelo seu realismo", acrescentou, referindo, porém, que "Jogos Africanos" é uma "consequência" da intervenção externa, "dos não africanos", num continente "recém-chegado à estatalidade".
O primeiro contacto com a realidade africana, em Junho de 1974, dois meses após a revolução de 25 de Abril em Portugal, as primeiras amizades com políticos, militares e guerrilheiros, negociadores de uma geração que era, afinal, a sua, levaram Nogueira Pinto a participar em vários processos, umas vezes como espectador outras como actor. Na obra, Nogueira Pinto dá conta do seu envolvimento nas "intrigas e momentos decisivos" daqueles três países, com particular destaque para o caso angolano (13 dos 18 capítulos) e ao seu relacionamento com o líder da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola), Jonas Savimbi, morto em combate em Fevereiro de 2002.
Cruzando a sua história pessoal com os relatos dos vários protagonistas da política africana, o autor procurou, disse, "contar alguns episódios", os jogos e as razões do poder, da guerra e do dinheiro, "entrosados com as ambições e paixões humanas". Partindo da chegada a Luanda, Nogueira Pinto relata os primeiros encontros, os Acordos de Alvor, a amizade com Savimbi, a guerra civil angolana, os encontros de Gbadolite e a "euforia" dos Acordos de Bicesse, as eleições de 1992, o recomeço da guerra civil, as guerras nos Congos (Kinshasa e Brazzaville), a queda dos bastiões da UNITA (Bailundo e Andulo) e a morte do líder do movimento do Galo Negro.
Ao longo das 528 páginas, editadas pela A Esfera dos Livros, e falando também das suas relações com políticos norte-americanos, Nogueira Pinto faz uma incursão a Moçambique, onde destaca a relação com Afonso Dhlakama, líder da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), narra as causas e consequências de 15 anos de guerra civil e as negociações para a paz, celebrada em 1992. Sobre a Guiné-Bissau, Nogueira Pinto disse ter-lhe dedicado "apenas meio capítulo", em que conta a sua passagem por esse país dias antes da morte de Ansumane Mané, o líder da rebelião que depôs, na sequência do conflito militar de 1998/99, o regime do então presidente João Bernardo "Nino" Vieira, hoje novamente chefe de Estado. "Devo ser das últimas pessoas que tirou uma fotografia com Ansumane Mané. Dez dias depois, foi morto", sublinhou, sem adiantar qualquer opinião sobre o que então sucedeu. "Não escrevi tudo o que sei, porque há coisas que não se podem contar pelas mais variadas razões, desde políticas às de Estado, passando até pelas de amizade e estima pessoais", frisou Jaime Nogueira Pinto, natural do Porto, onde nasceu a 4 de Fevereiro de 1946 (62 anos), e autor de "António de Oliveira Salazar - O Outro Retrato", que já vai na sexta edição. "Jogos Africanos" é lançado na tarde de segunda-feira no Salão Nobre da Associação Comercial de Lisboa e será apresentado pelo embaixador e amigo do autor Francisco Seixas da Costa.
in Notícias Lusófonas
terça-feira, novembro 25, 2008
Guiné-Bissau: "Tentativa de golpe" reforça Presidente enfraquecido
Foi detido militar suspeito de liderar o tiroteio à residência de Nino Vieira. Este ganhou apoios dias depois de o seu rival ter vencido as legislativas.
A Guiné-Bissau estava ontem ainda sob o choque do intenso tiroteio que surpreendeu os habitantes da capital na madrugada de domingo na residência do Presidente guineense João Bernardo (Nino) Vieira. Um grupo de militares confrontou-se com a guarda presidencial. A troca de tiros resultou num morto e vários feridos, entre elementos da guarda presidencial. "Eu pensava que não ia mais ouvir o som das armas", lamenta por telefone o cineasta Flora Gomes, que vive a 500 metros da casa do Presidente. Acordou em sobressalto à 1h, quando ouviu os primeiros tiros, que duraram "cerca de três horas". Mas a vida rapidamente regressou à calma em Bissau. "As pessoas não abandonaram a cidade como no 7 de Junho [que deu início à guerra de 1998]", acrescenta. Não houve receio. Antes "vergonha". Centenas de pessoas saíram à rua no domingo para pedir o fim da violência e o princípio de uma paz duradoura. O Governo afirmou formalmente tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado. E a polícia, após horas de buscas, deteve ontem o fuzileiro da Marinha suspeito de liderar os militares que protagonizaram o acto, o sargento N'Tacha Ialá, disse a Lusa.
Ainda na véspera, poucas horas depois do tiroteio, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Tagmé Na Waie, declarava a situação "sob controlo" e as Forças Armadas "subordinadas ao Presidente". Alguns detidos estavam ontem a ser interrogados para esclarecer um episódio para o qual não há explicações, cenários apenas. O primeiro: o de ter sido um acto reminiscente da guerra de 1998 e 1999, protagonizado por militares descontentes com o regresso de Nino Vieira à Guiné-Bissau em 2005, depois de o terem deposto em 1998. Outra hipótese teria como pano de fundo o narcotráfico e estaria ligada ao recente afastamento do chefe de Estado-Maior da Marinha guineense Bubo Na Tchuto. O seu nome era o mais citado quando se falava de altas patentes envolvidas no narcotráfico. Era uma das figuras mais próximas do general Na Waie até sobre ele recaírem suspeitas de estar a preparar um golpe de Estado.
Foi afastado, preso, e fugiu para a Gâmbia, onde conseguiu asilo político. Esta é a versão oficial, mas a sua história é uma das muitas "mal-contadas", diz-se na Guiné-Bissau. O que pode ter acontecido então? Uma possível vingança dos militares próximo dele, e que terão perdido com o seu afastamento.
Uma encenação? Também não se exclui na capital guineense que este "golpe" tenha sido encenado para dar força a um Presidente enfraquecido. O tiroteio acontece menos de dois dias após a divulgação dos resultados das legislativas, nas quais o PAIGC, ligado historicamente a Nino Vieira, mas que este recusou apoiar, ganhou uma inédita maioria de dois terços na Assembleia, ganhando 67 dos 100 lugares. Em contraste, o PRID de Aristides Gomes apenas conquistou três lugares. Uma derrota para o Presidente, que escolhera Aristides Gomes para primeiro-ministro quando demitiu Carlos Gomes Júnior, e agora era conotado com essa candidatura. O Partido para a Independência e o Desenvolvimento (PRID) foi criado este ano. Pelos recursos de campanha que ostentou e as ofertas às populações que fez, na Guiné chamam-lhe o PRID - Partido Responsável pela Introdução da Droga, numa alusão às acusações de que vários partidos usaram os recursos do narcotráfico. O PRS do antigo Presidente Kumba Ialá conquistou 28 assentos.
Algumas atenções centraram-se no ex-Presidente. Mas poucos são os que acreditam na hipótese de haver ligação de Kumba Ialá ao tiroteio. Pode haver sim, e esse é outro cenário colocado por analistas em Bissau, "agitação nas hostes próximas de Ialá" pelos discursos inflamados deste contra Nino. Nas eleições de 16 de Novembro, os guineenses afluíram com entusiasmo e em massa. Mais de 70% dos eleitores votaram. E nesse voto, deram um "sinal claro" de querer paz, democracia e estabilidade, afirma Laudolino Medina, de uma associação do movimento da sociedade civil que organizou a marcha pela paz em Bissau. "O resultado das eleições foi o sinal de que os guineenses estão com vontade de mudar as coisas."
Depois de condenar "firmemente" o acto, a Comunidade Económica das Estados da África Ocidental (CEDEAO) enviou uma missão esperada ontem à noite em Bissau. No domingo, o Senegal fez avançar tropas para a fronteira e ofereceu-se para organizar uma conferência internacional sobre a Guiné. Disponibilizou um avião para retirar do país o Presidente e a família. Entre os países cada vez mais influentes em Bissau, Angola também se ofereceu para acolher Nino Vieira e a família. Vieira regressou em 2005 com a anuência do CEMGFA, contrariando o que seria a vontade predominante nos quartéis. Foi reeleito nas presidenciais desse ano e demitiu da chefia do Governo Carlos Gomes Júnior (com quem se incompatibilizara). Agora é de novo este adversário que o Presidente tem perante si. Mas desta vez com a força de uma maioria de dois terços. Nestes três anos, o Presidente perdeu influência. Controla as forças da Segurança do Estado mas não totalmente as Forças Armadas, maioritariamente de etnia balanta, que convive mal com ele. Mesmo assim, Forças Armadas e presidência têm-se acomodado. Como pano de fundo: o narcotráfico, que, chegou a dizer-se, poderia dar estabilidade à Guiné-Bissau enquanto beneficiasse militares e altas figuras do Estado.
A Guiné-Bissau estava ontem ainda sob o choque do intenso tiroteio que surpreendeu os habitantes da capital na madrugada de domingo na residência do Presidente guineense João Bernardo (Nino) Vieira. Um grupo de militares confrontou-se com a guarda presidencial. A troca de tiros resultou num morto e vários feridos, entre elementos da guarda presidencial. "Eu pensava que não ia mais ouvir o som das armas", lamenta por telefone o cineasta Flora Gomes, que vive a 500 metros da casa do Presidente. Acordou em sobressalto à 1h, quando ouviu os primeiros tiros, que duraram "cerca de três horas". Mas a vida rapidamente regressou à calma em Bissau. "As pessoas não abandonaram a cidade como no 7 de Junho [que deu início à guerra de 1998]", acrescenta. Não houve receio. Antes "vergonha". Centenas de pessoas saíram à rua no domingo para pedir o fim da violência e o princípio de uma paz duradoura. O Governo afirmou formalmente tratar-se de uma tentativa de golpe de Estado. E a polícia, após horas de buscas, deteve ontem o fuzileiro da Marinha suspeito de liderar os militares que protagonizaram o acto, o sargento N'Tacha Ialá, disse a Lusa.
Ainda na véspera, poucas horas depois do tiroteio, o chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), general Tagmé Na Waie, declarava a situação "sob controlo" e as Forças Armadas "subordinadas ao Presidente". Alguns detidos estavam ontem a ser interrogados para esclarecer um episódio para o qual não há explicações, cenários apenas. O primeiro: o de ter sido um acto reminiscente da guerra de 1998 e 1999, protagonizado por militares descontentes com o regresso de Nino Vieira à Guiné-Bissau em 2005, depois de o terem deposto em 1998. Outra hipótese teria como pano de fundo o narcotráfico e estaria ligada ao recente afastamento do chefe de Estado-Maior da Marinha guineense Bubo Na Tchuto. O seu nome era o mais citado quando se falava de altas patentes envolvidas no narcotráfico. Era uma das figuras mais próximas do general Na Waie até sobre ele recaírem suspeitas de estar a preparar um golpe de Estado.
Foi afastado, preso, e fugiu para a Gâmbia, onde conseguiu asilo político. Esta é a versão oficial, mas a sua história é uma das muitas "mal-contadas", diz-se na Guiné-Bissau. O que pode ter acontecido então? Uma possível vingança dos militares próximo dele, e que terão perdido com o seu afastamento.
Uma encenação? Também não se exclui na capital guineense que este "golpe" tenha sido encenado para dar força a um Presidente enfraquecido. O tiroteio acontece menos de dois dias após a divulgação dos resultados das legislativas, nas quais o PAIGC, ligado historicamente a Nino Vieira, mas que este recusou apoiar, ganhou uma inédita maioria de dois terços na Assembleia, ganhando 67 dos 100 lugares. Em contraste, o PRID de Aristides Gomes apenas conquistou três lugares. Uma derrota para o Presidente, que escolhera Aristides Gomes para primeiro-ministro quando demitiu Carlos Gomes Júnior, e agora era conotado com essa candidatura. O Partido para a Independência e o Desenvolvimento (PRID) foi criado este ano. Pelos recursos de campanha que ostentou e as ofertas às populações que fez, na Guiné chamam-lhe o PRID - Partido Responsável pela Introdução da Droga, numa alusão às acusações de que vários partidos usaram os recursos do narcotráfico. O PRS do antigo Presidente Kumba Ialá conquistou 28 assentos.
Algumas atenções centraram-se no ex-Presidente. Mas poucos são os que acreditam na hipótese de haver ligação de Kumba Ialá ao tiroteio. Pode haver sim, e esse é outro cenário colocado por analistas em Bissau, "agitação nas hostes próximas de Ialá" pelos discursos inflamados deste contra Nino. Nas eleições de 16 de Novembro, os guineenses afluíram com entusiasmo e em massa. Mais de 70% dos eleitores votaram. E nesse voto, deram um "sinal claro" de querer paz, democracia e estabilidade, afirma Laudolino Medina, de uma associação do movimento da sociedade civil que organizou a marcha pela paz em Bissau. "O resultado das eleições foi o sinal de que os guineenses estão com vontade de mudar as coisas."
Depois de condenar "firmemente" o acto, a Comunidade Económica das Estados da África Ocidental (CEDEAO) enviou uma missão esperada ontem à noite em Bissau. No domingo, o Senegal fez avançar tropas para a fronteira e ofereceu-se para organizar uma conferência internacional sobre a Guiné. Disponibilizou um avião para retirar do país o Presidente e a família. Entre os países cada vez mais influentes em Bissau, Angola também se ofereceu para acolher Nino Vieira e a família. Vieira regressou em 2005 com a anuência do CEMGFA, contrariando o que seria a vontade predominante nos quartéis. Foi reeleito nas presidenciais desse ano e demitiu da chefia do Governo Carlos Gomes Júnior (com quem se incompatibilizara). Agora é de novo este adversário que o Presidente tem perante si. Mas desta vez com a força de uma maioria de dois terços. Nestes três anos, o Presidente perdeu influência. Controla as forças da Segurança do Estado mas não totalmente as Forças Armadas, maioritariamente de etnia balanta, que convive mal com ele. Mesmo assim, Forças Armadas e presidência têm-se acomodado. Como pano de fundo: o narcotráfico, que, chegou a dizer-se, poderia dar estabilidade à Guiné-Bissau enquanto beneficiasse militares e altas figuras do Estado.
Timor-Leste: A ilha insustentável (transcrição total da notícia do jornal Público)
Por Pedro Rosa Mendes
Este é o retrato implacável de uma realidade que não podemos continuar a fingir que não existe. Estas são algumas das verdades, duras como punhos, sobre um país que sonhou ser diferente - e nos fez também sonhar.
1. Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década.
Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado. O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999.
O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou.
O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos.
Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.
2. A "identidade maubere"é uma ficção dispendiosa.
A identidade "nacional" do espaço político timorense não existe, como explicam os bons historiadores, que sempre referem no plural os "povos" de Timor. Sob o mito do "povo maubere" existe um mosaico de dezena e meia de entidades etnolinguísticas que se definem por oposição (em conflito, separação, desconfiança, distância) ao "outro", mesmo em aliança. O "outro" de fora, ou o "outro" de dentro. É um tipo de coesão circunstancial e oportunista que morre com o conflito, engendrando a prazo outros conflitos, em ciclos de calma e crise numa ilha com paradigmas medievais. A gesta "maubere" produziu, finalmente, uma inversão cronológica. A RDTL é uma cristalização política de uma sociedade que teve alforria de Estado antes de construir uma identidade que o sustentasse. A filiação de cada timorense continua a ser à respectiva "uma lulik" (casa sagrada) e às linhagens que definem outros territórios e outras leis que não passam por ministros, juízes nem polícias, mas por monarcas, oligarcas e chefes de guerra. É isto que os líderes tentam ser - ou, de contrário, não são.
3. O Estado independente é sabotado pelas estruturas da resistência.
O Estado timorense funciona. Não significa, porém, que produza algum resultado, exceptuando a Autoridade Bancária de Pagamentos, única instituição onde a aposta na localização de quadros e a recompensa do mérito fizeram do futuro banco central um oásis de probidade nórdica. As estruturas operativas do país são paralelas, oficiosas e opacas. Vêm do tempo da resistência e não houve coragem ou inteligência para as formalizar no jovem Estado. Um caso óbvio é o dos veteranos das Falintil que não integraram as novas Forças de Defesa (FDTL). Em 2006, foi a 200 desses "civis" que o brigadeiro-general Taur Matan Ruak recorreu num momento crítico de sobrevivência do Estado. O Estado-Maior timorense está, porém, a contas com a justiça. Se passar da fase de inquérito, talvez o processo das armas e da milícia "20-20" abra um debate que devia ter acontecido antes. O lugar das "reservas morais" tem de ser formalizado, sob pena de não haver linha de separação entre patriotismo e delinquência. O major Alfredo Reinado ilustrou, de forma trágica, a facilidade deste salto.
As estruturas paralelas, porém, não são exclusivo do sector de segurança. O ex-comandante Xanana Gusmão não esconde que a Caixa, a rede clandestina de "inteligência", continua activa. As fidelidades, mas também os reflexos e atavismos da resistência, continuam em vigor. A "velha" voz de comando é, por vezes, a última instância e, mesmo em Conselho de Ministros, o último argumento é por vezes o voto de qualidade por murro na mesa. José Ramos-Horta, diasporizado das Falintil e do mato até 1999, não tem cão mas caça com gato. O chefe de Estado, em linha com os símbolos maçónicos debruados nas suas camisas, é desde há dois anos o segundo "pai" da Sagrada Família. É uma sociedade fundada em 1989 pelo comandante Cornélio Gama "L7", que evoluiu para uma combinação algo mística de grupo religioso, partido político e milícia justiceira. Foi "L7", com a bênção de Xanana Gusmão, que apresentou a candidatura de Ramos-Horta à Presidência em Fevereiro de 2007, em Laga. Vários elementos da Sagrada Família integram a guarda do chefe de Estado.
A República timorense é limitada e sabotada pela recorrência do ocultismo, apadrinhamento, vassalagem e mentalidade de célula. No entanto, se não fossem as redes informais de confiança e de comando, por onde passam também os códigos de fidelidade e os valores de grupo, a RDTL já teria implodido. Versão moderna dos Estados dentro do Estado: a última contagem, confidencial, dá conta de 350 assessores internacionais junto do IV Governo Constitucional.
4. A estratégia dominante na sociedade está tipificada no Código Penal. Chama-se extorsão.
A simpatia pela "causa" timorense estagnou num ideal de sociedade e de pessoa que é desmentido pela frustrante experiência quotidiana. Ignorância, trauma, miséria e negligência, polvilhados com os venenos da complacência, paternalismo e piedade, banalizaram comportamentos de rapina, desonestidade, egoísmo e má-fé. A solidariedade, a generosidade e a gratidão estão em minoria. O que é marginal ou criminal noutros sítios faz, no Timor de hoje, catecismo nas repartições, nos negócios, no mercado, no trânsito, no lar.
A "liderança histórica" reina sobre um país intratável, em passiva desobediência civil, que pensa e age como se todo o mundo lhe devesse tudo e como se tudo estivesse disponível para ser colhido, do petróleo ao investimento e à atenção internacional.
A cobiça e a inveja social infectam a esfera política, social, laboral e até familiar. "Aqui todos mandam e ninguém obedece", para citar um velho timorense educado em princípios que deixaram de ter valor corrente no seu país. A "estabilidade" actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes. Todo esse dinheiro nada produz. Algum sai para a Indonésia, que os novos-ricos timorenses consideram um sítio mais seguro para investir. O que fica compra motorizadas e telemóveis. A Timor Telecom vai fechar o ano com 120 mil clientes na rede móvel, 12 por cento da população, uma taxa ao nível de países com o triplo de rendimento per capita do timorense.
A maioria dos timorenses não paga o que consome: água, electricidade (por isso o consumo aumenta 25 por cento ao ano, um ritmo impossível de acompanhar por qualquer investimento nas infra-estruturas), casa, terra, crédito, arroz. Este modelo de pilhagem e esbanjamento é insustentável na economia, na banca, na ecologia, na demografia e, a prazo, até na política.
5. A ocupação indonésia foi implacável e a líderança timorense desmantela com zelo o que restava: a dignidade.
O gangster mais conhecido do submundo de Jacarta nos anos 1990 - o timorense Hércules - é, hoje, o dono de obra no melhor jardim da capital. Os condenados por crimes contra a humanidade, como Joni Marques, da "Tim Alfa" (pôs Portugal de lenço branco em Setembro de 1999 com um massacre de freiras e padres), voltam às suas aldeias com indemnizações por casas que foram queimadas, enquanto eles estavam na prisão. Na Comissão mista de Verdade e Amizade (CVA), foi a parte timorense, perante a surpresa indonésia, que tentou conseguir uma amnistia geral para os crimes de 1999, com uma persistência de virar o estômago. O relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), uma monumentae historica de 24 anos de dor em sete volumes, espera há três anos a honra de um debate no Parlamento. Duas datas estiveram marcadas em Novembro, mas, nos bastidores, os titulares políticos tentam obter uma prévia sanitização das recomendações da CAVR.
Mari Alkatiri, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta, ao sectarizar a memória da violência, desbarataram o capital obtido à custa de duzentos mil mortos (incluindo os seus entes queridos). A herança do genocídio é aviltada na praça como capital de risco e como cartão de visita. O resultado é uma distopia moral, um abismo de proporções tremendas em que se afunda um país cuja soberania teve, afinal, uma legitimidade essencialmente moral no seu contexto geográfico e histórico. Os mortos são a parte nobre de Timor, merecedores de tributos em rituais, lutos e deslutos. Mas nesta terra de cruzes, valas comuns e desaparecidos, não houve ainda a caridade de 200 mil euros para instalar um laboratório de ADN que permitisse, enfim, devolver os ossos ao apaziguamento dos vivos.
A injustiça e a impunidade são valores seguros em Timor-Leste.
6. Timor fala todas as línguas e nenhuma.
Timor é uma ficção lusófona onde a língua portuguesa navega contra uma geração culturalmente integrada na Indonésia, contra a geografia, contra manipulações políticas internas e contra a sabotagem de várias agências internacionais. A reintrodução do português só poderá ter êxito com a cumulação de duas coisas: firmeza política, em Díli, sobre as suas línguas oficiais; massificação de meios ao serviço de ambas. O Instituto Nacional de Linguística tem 500 dólares de orçamento mensal (exacto, seis mil USD por ano). Na "Babel lorosa'e", como lhe chamou Luiz Filipe Thomaz, não se fala bem nenhuma das línguas da praça (tétum, português, inglês, indonésio). Uma língua é a articulação de um mundo e do nosso lugar nele. Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis. Aos poucos bancos com balcão em Díli (três) chegam projectos de investimento estrangeiro cujos planos de amortização não prevêem mão-de-obra timorense ou que contam os timorenses como peso-morto na massa salarial, ao lado de operários ou técnicos importados que responderão pela produção.
7. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável".
Diz um diplomata que gosta do teatro de sombras javanês: "A ONU em Díli está em sintonia com os dirigentes timorenses. Todos fabricam fantasmas: o grande estratego, o grande diplomata, o grande guerrilheiro. Se não fosse assim, as máscaras cairiam e seria um grande embaraço...". A UNMIT, uma das missões mais caras da ONU, afunda-se penosamente no mesmo vazio moral da liderança timorense. Três mil funcionários, polícias e militares, uma massa crítica formidável que poderia ser um contrapeso à incompetência e à insensatez, são esmagados pelo cabotinismo carreirista do chefe de missão, Atul Khare, e de acólitos que acham bem em Timor aquilo que jamais admitiriam nos seus países desenvolvidos. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável", explicou um alto-funcionário da UNMIT.
8. Não há nenhuma bandeira de Portugal no mar de Timor
Não há interesses portugueses em Timor-Leste, porque não há condições objectivas mínimas para fazer vingar qualquer interesse mensurável. Não, decerto, pelos critérios que vigoram em qualquer outro lado. Seria bom que isto fosse entendido pelos nossos responsáveis políticos. Portugal concedeu mais de 440 milhões de euros de 1999 a 2007 em ajuda ao desenvolvimento a Timor-Leste, que consome quase metade do bolo total da nossa cooperação. Continuando uma tradição portuguesa, as projecções pós-imperiais e os fascínios com sucessivos aprendizes de Mandela ganham precedência sobre as informações que chegam dos operadores económicos no terreno. "Mas você nunca ouvirá um governante português dizer nada contra Timor", dizia, este ano, à mesa do café, um governante português de visita.
9. "Tudo ainda não aconteceu".
A ferida feia no corpo de Ramos-Horta, quando o Presidente jazia numa poça de sangue depois de levar dois tiros de cano-longo, é um buraco tão fundo como a vergonha da nação. A ressurreição do profeta-Nobel criou um cristo gnóstico mas as chagas, nesta terra dilacerada, já não fundam religiões com a facilidade com que há dez anos fundavam Estados. Díli, como um circo máximo de gladiadores, fervilha de jovens empurrados para a luta. Não têm emprego, educação ou perspectiva. Alguém lhes diz: "Não sois bandidos. Sois guerreiros." Mas dos aswain, os heróis das montanhas timorenses, resta-lhes a coragem física, um retalho de rituais dispersos por grupos rivais e a intransigente sacralização do seu território. Uma mistura inflamável para toda a nação. "A resistência continua mas agora sem rumo. E, sem rumo, só faz merda", diz o ex-assessor de Ramos-Horta para a Juventude José Sousa-Santos. "Tudo ainda não aconteceu", avisava um "espírito" antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005.
Díli, Novembro de 2008
Íncrível...
Este é o retrato implacável de uma realidade que não podemos continuar a fingir que não existe. Estas são algumas das verdades, duras como punhos, sobre um país que sonhou ser diferente - e nos fez também sonhar.
1. Timor não é um Estado falhado. É pior. Falhou o projecto nacional idealizado há uma década.
Em nove anos de liberdade, Timor-Leste não conseguiu assegurar água, luz e esgotos para a sua pequena capital. Baucau, a segunda "cidade", é uma versão apenas ajardinada da favela que é Díli, graças à gestão autárquica (oficiosa) do bispado. O resto, nos "distritos", é um país de cordilheiras que vive o neolítico como quotidiano, longe do mínimo humano aceitável. Chega-se lá pelas estradas e picadas deixadas pelos "indonésios". Há estradas principais onde não entrou uma picareta desde 1999.
O bem público e as necessidades do povo são ignorados há nove anos com um desprezo obsceno. O melhor exemplo é a companhia de electricidade: durante cinco anos, a central de Díli não teve manutenção de nenhum dos 14 geradores - todos oferecidos -, até que a última máquina de grande potência resfolegou.
O Hospital Nacional Guido Valadares, onde se inaugura esta semana instalações rutilantes, não teve até hoje um ecógrafo decente nem ventiladores nos Cuidados Intensivos. Não há um TAC no país (embora custe o mesmo que dois dos novos carros dos deputados); a menina timorense com que Portugal se comove teve o tumor diagnosticado pelo acaso de um navio-hospital americano que lançou âncora em Díli. A taxa de mortalidade infantil é apenas superada a nível mundial pelo Afeganistão. A mortalidade pós-parto é assustadora. Entretanto, cada mulher timorense em idade fértil tem em média 7,6 filhos.
Circulam entre diplomatas e humanitários os "transparentes" de um relatório do Banco Mundial que conclui que "a pobreza aumentou significativamente" entre 2001 e 2007 (um balanço arrasador do consulado Fretilin, porque o estudo usa indicadores até 2006). Cerca de metade dos timorenses vive com menos de 60 cêntimos de euro por dia e, desses, metade são crianças. Timor é um país rico atolado na indigência, onde os líderes se insultam por causa de orçamentos que ninguém tem sequer unhas para gastar.
2. A "identidade maubere"é uma ficção dispendiosa.
A identidade "nacional" do espaço político timorense não existe, como explicam os bons historiadores, que sempre referem no plural os "povos" de Timor. Sob o mito do "povo maubere" existe um mosaico de dezena e meia de entidades etnolinguísticas que se definem por oposição (em conflito, separação, desconfiança, distância) ao "outro", mesmo em aliança. O "outro" de fora, ou o "outro" de dentro. É um tipo de coesão circunstancial e oportunista que morre com o conflito, engendrando a prazo outros conflitos, em ciclos de calma e crise numa ilha com paradigmas medievais. A gesta "maubere" produziu, finalmente, uma inversão cronológica. A RDTL é uma cristalização política de uma sociedade que teve alforria de Estado antes de construir uma identidade que o sustentasse. A filiação de cada timorense continua a ser à respectiva "uma lulik" (casa sagrada) e às linhagens que definem outros territórios e outras leis que não passam por ministros, juízes nem polícias, mas por monarcas, oligarcas e chefes de guerra. É isto que os líderes tentam ser - ou, de contrário, não são.
3. O Estado independente é sabotado pelas estruturas da resistência.
O Estado timorense funciona. Não significa, porém, que produza algum resultado, exceptuando a Autoridade Bancária de Pagamentos, única instituição onde a aposta na localização de quadros e a recompensa do mérito fizeram do futuro banco central um oásis de probidade nórdica. As estruturas operativas do país são paralelas, oficiosas e opacas. Vêm do tempo da resistência e não houve coragem ou inteligência para as formalizar no jovem Estado. Um caso óbvio é o dos veteranos das Falintil que não integraram as novas Forças de Defesa (FDTL). Em 2006, foi a 200 desses "civis" que o brigadeiro-general Taur Matan Ruak recorreu num momento crítico de sobrevivência do Estado. O Estado-Maior timorense está, porém, a contas com a justiça. Se passar da fase de inquérito, talvez o processo das armas e da milícia "20-20" abra um debate que devia ter acontecido antes. O lugar das "reservas morais" tem de ser formalizado, sob pena de não haver linha de separação entre patriotismo e delinquência. O major Alfredo Reinado ilustrou, de forma trágica, a facilidade deste salto.
As estruturas paralelas, porém, não são exclusivo do sector de segurança. O ex-comandante Xanana Gusmão não esconde que a Caixa, a rede clandestina de "inteligência", continua activa. As fidelidades, mas também os reflexos e atavismos da resistência, continuam em vigor. A "velha" voz de comando é, por vezes, a última instância e, mesmo em Conselho de Ministros, o último argumento é por vezes o voto de qualidade por murro na mesa. José Ramos-Horta, diasporizado das Falintil e do mato até 1999, não tem cão mas caça com gato. O chefe de Estado, em linha com os símbolos maçónicos debruados nas suas camisas, é desde há dois anos o segundo "pai" da Sagrada Família. É uma sociedade fundada em 1989 pelo comandante Cornélio Gama "L7", que evoluiu para uma combinação algo mística de grupo religioso, partido político e milícia justiceira. Foi "L7", com a bênção de Xanana Gusmão, que apresentou a candidatura de Ramos-Horta à Presidência em Fevereiro de 2007, em Laga. Vários elementos da Sagrada Família integram a guarda do chefe de Estado.
A República timorense é limitada e sabotada pela recorrência do ocultismo, apadrinhamento, vassalagem e mentalidade de célula. No entanto, se não fossem as redes informais de confiança e de comando, por onde passam também os códigos de fidelidade e os valores de grupo, a RDTL já teria implodido. Versão moderna dos Estados dentro do Estado: a última contagem, confidencial, dá conta de 350 assessores internacionais junto do IV Governo Constitucional.
4. A estratégia dominante na sociedade está tipificada no Código Penal. Chama-se extorsão.
A simpatia pela "causa" timorense estagnou num ideal de sociedade e de pessoa que é desmentido pela frustrante experiência quotidiana. Ignorância, trauma, miséria e negligência, polvilhados com os venenos da complacência, paternalismo e piedade, banalizaram comportamentos de rapina, desonestidade, egoísmo e má-fé. A solidariedade, a generosidade e a gratidão estão em minoria. O que é marginal ou criminal noutros sítios faz, no Timor de hoje, catecismo nas repartições, nos negócios, no mercado, no trânsito, no lar.
A "liderança histórica" reina sobre um país intratável, em passiva desobediência civil, que pensa e age como se todo o mundo lhe devesse tudo e como se tudo estivesse disponível para ser colhido, do petróleo ao investimento e à atenção internacional.
A cobiça e a inveja social infectam a esfera política, social, laboral e até familiar. "Aqui todos mandam e ninguém obedece", para citar um velho timorense educado em princípios que deixaram de ter valor corrente no seu país. A "estabilidade" actual é comprada com um Natal todos os dias. Tudo é subsidiado, desde o arroz ao combustível, com uma chuva de benesses e compensações a um leque impensável de clientelas e capelas. A sociedade civil, digamos, é uma soma de grupos de pressão que recebem na mesma moeda em que ameaçam com incêndios e pedradas, desde os deslocados aos peticionários ou aos estudantes. Todo esse dinheiro nada produz. Algum sai para a Indonésia, que os novos-ricos timorenses consideram um sítio mais seguro para investir. O que fica compra motorizadas e telemóveis. A Timor Telecom vai fechar o ano com 120 mil clientes na rede móvel, 12 por cento da população, uma taxa ao nível de países com o triplo de rendimento per capita do timorense.
A maioria dos timorenses não paga o que consome: água, electricidade (por isso o consumo aumenta 25 por cento ao ano, um ritmo impossível de acompanhar por qualquer investimento nas infra-estruturas), casa, terra, crédito, arroz. Este modelo de pilhagem e esbanjamento é insustentável na economia, na banca, na ecologia, na demografia e, a prazo, até na política.
5. A ocupação indonésia foi implacável e a líderança timorense desmantela com zelo o que restava: a dignidade.
O gangster mais conhecido do submundo de Jacarta nos anos 1990 - o timorense Hércules - é, hoje, o dono de obra no melhor jardim da capital. Os condenados por crimes contra a humanidade, como Joni Marques, da "Tim Alfa" (pôs Portugal de lenço branco em Setembro de 1999 com um massacre de freiras e padres), voltam às suas aldeias com indemnizações por casas que foram queimadas, enquanto eles estavam na prisão. Na Comissão mista de Verdade e Amizade (CVA), foi a parte timorense, perante a surpresa indonésia, que tentou conseguir uma amnistia geral para os crimes de 1999, com uma persistência de virar o estômago. O relatório da Comissão de Acolhimento, Verdade e Reconciliação (CAVR), uma monumentae historica de 24 anos de dor em sete volumes, espera há três anos a honra de um debate no Parlamento. Duas datas estiveram marcadas em Novembro, mas, nos bastidores, os titulares políticos tentam obter uma prévia sanitização das recomendações da CAVR.
Mari Alkatiri, Xanana Gusmão e José Ramos-Horta, ao sectarizar a memória da violência, desbarataram o capital obtido à custa de duzentos mil mortos (incluindo os seus entes queridos). A herança do genocídio é aviltada na praça como capital de risco e como cartão de visita. O resultado é uma distopia moral, um abismo de proporções tremendas em que se afunda um país cuja soberania teve, afinal, uma legitimidade essencialmente moral no seu contexto geográfico e histórico. Os mortos são a parte nobre de Timor, merecedores de tributos em rituais, lutos e deslutos. Mas nesta terra de cruzes, valas comuns e desaparecidos, não houve ainda a caridade de 200 mil euros para instalar um laboratório de ADN que permitisse, enfim, devolver os ossos ao apaziguamento dos vivos.
A injustiça e a impunidade são valores seguros em Timor-Leste.
6. Timor fala todas as línguas e nenhuma.
Timor é uma ficção lusófona onde a língua portuguesa navega contra uma geração culturalmente integrada na Indonésia, contra a geografia, contra manipulações políticas internas e contra a sabotagem de várias agências internacionais. A reintrodução do português só poderá ter êxito com a cumulação de duas coisas: firmeza política, em Díli, sobre as suas línguas oficiais; massificação de meios ao serviço de ambas. O Instituto Nacional de Linguística tem 500 dólares de orçamento mensal (exacto, seis mil USD por ano). Na "Babel lorosa'e", como lhe chamou Luiz Filipe Thomaz, não se fala bem nenhuma das línguas da praça (tétum, português, inglês, indonésio). Uma língua é a articulação de um mundo e do nosso lugar nele. Perdidos da gramática e do vocabulário, uma geração de timorenses chegou à idade adulta e ao mercado de trabalho sem muitas vezes conhecer conceitos como a lei da gravidade, o fuso horário ou as formas geométricas, apenas para dar exemplos fáceis. Aos poucos bancos com balcão em Díli (três) chegam projectos de investimento estrangeiro cujos planos de amortização não prevêem mão-de-obra timorense ou que contam os timorenses como peso-morto na massa salarial, ao lado de operários ou técnicos importados que responderão pela produção.
7. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável".
Diz um diplomata que gosta do teatro de sombras javanês: "A ONU em Díli está em sintonia com os dirigentes timorenses. Todos fabricam fantasmas: o grande estratego, o grande diplomata, o grande guerrilheiro. Se não fosse assim, as máscaras cairiam e seria um grande embaraço...". A UNMIT, uma das missões mais caras da ONU, afunda-se penosamente no mesmo vazio moral da liderança timorense. Três mil funcionários, polícias e militares, uma massa crítica formidável que poderia ser um contrapeso à incompetência e à insensatez, são esmagados pelo cabotinismo carreirista do chefe de missão, Atul Khare, e de acólitos que acham bem em Timor aquilo que jamais admitiriam nos seus países desenvolvidos. "Entrar nas Nações Unidas é ficar politicamente inimputável", explicou um alto-funcionário da UNMIT.
8. Não há nenhuma bandeira de Portugal no mar de Timor
Não há interesses portugueses em Timor-Leste, porque não há condições objectivas mínimas para fazer vingar qualquer interesse mensurável. Não, decerto, pelos critérios que vigoram em qualquer outro lado. Seria bom que isto fosse entendido pelos nossos responsáveis políticos. Portugal concedeu mais de 440 milhões de euros de 1999 a 2007 em ajuda ao desenvolvimento a Timor-Leste, que consome quase metade do bolo total da nossa cooperação. Continuando uma tradição portuguesa, as projecções pós-imperiais e os fascínios com sucessivos aprendizes de Mandela ganham precedência sobre as informações que chegam dos operadores económicos no terreno. "Mas você nunca ouvirá um governante português dizer nada contra Timor", dizia, este ano, à mesa do café, um governante português de visita.
9. "Tudo ainda não aconteceu".
A ferida feia no corpo de Ramos-Horta, quando o Presidente jazia numa poça de sangue depois de levar dois tiros de cano-longo, é um buraco tão fundo como a vergonha da nação. A ressurreição do profeta-Nobel criou um cristo gnóstico mas as chagas, nesta terra dilacerada, já não fundam religiões com a facilidade com que há dez anos fundavam Estados. Díli, como um circo máximo de gladiadores, fervilha de jovens empurrados para a luta. Não têm emprego, educação ou perspectiva. Alguém lhes diz: "Não sois bandidos. Sois guerreiros." Mas dos aswain, os heróis das montanhas timorenses, resta-lhes a coragem física, um retalho de rituais dispersos por grupos rivais e a intransigente sacralização do seu território. Uma mistura inflamável para toda a nação. "A resistência continua mas agora sem rumo. E, sem rumo, só faz merda", diz o ex-assessor de Ramos-Horta para a Juventude José Sousa-Santos. "Tudo ainda não aconteceu", avisava um "espírito" antepassado, pela voz de uma menina de Ermera, no Natal ainda inocente de 2005.
Díli, Novembro de 2008
Íncrível...
Espanha ignora Portugal na organização do Mundial
Líder da Federação fala em candidatura invencível sem usar o termo ibérico.
"Um dos objectivos principais é trazer para Espanha uma fase final de um Campeonato do Mundo, que pode ser o de 2018. Se estivermos unidos, toda a sociedade espanhola unida, a nossa candidatura será invencível". Miguel Ángel Villar, no seu discurso de reeleição de presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, assumiu publicamente que Espanha quer a organização do Mundial 2018, o mesmo que anda a fazer sonhar Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa, desde o ano passado. Porém, ontem, quando Villar, candidato único, assegurou a sua permanência por mais um mandato na presidência da RFEF, cargo que ocupa há 20 anos, "esqueceu-se" de Portugal. Pelo menos, durante o discurso, nenhuma palavra "dirigiu" ao seu homólogo português, não se percebendo, pois, se a possível candidatura ao Mundial 2018 (objectivo que definiu como um dos principais) engloba ou não Portugal:
"A primeira coisa que vou fazer é contactar o secretário de Estado para o Desporto para falar do futuro do futebol espanhol e desta candidatura, que ele sempre apoiou. Depois vêem se é conjunta ou não." Gilberto Madaíl ainda na semana passada, antes do Brasil-Portugal, admitiu que tem trocado informações com a Federação espanhola relativamente à candidatura conjunta.
"Um dos objectivos principais é trazer para Espanha uma fase final de um Campeonato do Mundo, que pode ser o de 2018. Se estivermos unidos, toda a sociedade espanhola unida, a nossa candidatura será invencível". Miguel Ángel Villar, no seu discurso de reeleição de presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, assumiu publicamente que Espanha quer a organização do Mundial 2018, o mesmo que anda a fazer sonhar Gilberto Madaíl, presidente da Federação Portuguesa, desde o ano passado. Porém, ontem, quando Villar, candidato único, assegurou a sua permanência por mais um mandato na presidência da RFEF, cargo que ocupa há 20 anos, "esqueceu-se" de Portugal. Pelo menos, durante o discurso, nenhuma palavra "dirigiu" ao seu homólogo português, não se percebendo, pois, se a possível candidatura ao Mundial 2018 (objectivo que definiu como um dos principais) engloba ou não Portugal:
"A primeira coisa que vou fazer é contactar o secretário de Estado para o Desporto para falar do futuro do futebol espanhol e desta candidatura, que ele sempre apoiou. Depois vêem se é conjunta ou não." Gilberto Madaíl ainda na semana passada, antes do Brasil-Portugal, admitiu que tem trocado informações com a Federação espanhola relativamente à candidatura conjunta.
segunda-feira, novembro 24, 2008
Guiné: Portugal propõe à CPLP estabilização democrática
Portugal vai propor no Comité de Concertação Permanente da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) um programa de estabilização democrática e desenvolvimento económico para a Guiné-Bissau, disse hoje em Belgrado o chefe da diplomacia portuguesa.
Luís Amado, que se encontra em Belgrado no âmbito de uma visita oficial de dois dias à Sérvia, acrescentou que o programa será apresentado terça-feira em Lisboa pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.
Segundo o ministro Amado, o programa será para desenvolver ao longo de dois anos, no âmbito do novo governo saído das eleições legislativas realizadas na Guiné-Bissau no passado dia 16.
O ministro dos Negócios Estrangeiros crescentou que o programa que irá ser apresentado por Portugal se articula com a proposta pelo Presidente Abdulaye Wade, do Senegal, para a realização de uma conferência internacional sobre a Guiné-Bissau em Dakar.
"Articula-se sem nenhuma dificuldade com outras iniciativas da comunidade internacional e da região", disse. Amado referiu que toda a actuação da CPLP tem sido feita em estreita articulação com a região.
Portugal detém presentemente a presidência da CPLP.
Luís Amado, que se encontra em Belgrado no âmbito de uma visita oficial de dois dias à Sérvia, acrescentou que o programa será apresentado terça-feira em Lisboa pelo secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho.
Segundo o ministro Amado, o programa será para desenvolver ao longo de dois anos, no âmbito do novo governo saído das eleições legislativas realizadas na Guiné-Bissau no passado dia 16.
O ministro dos Negócios Estrangeiros crescentou que o programa que irá ser apresentado por Portugal se articula com a proposta pelo Presidente Abdulaye Wade, do Senegal, para a realização de uma conferência internacional sobre a Guiné-Bissau em Dakar.
"Articula-se sem nenhuma dificuldade com outras iniciativas da comunidade internacional e da região", disse. Amado referiu que toda a actuação da CPLP tem sido feita em estreita articulação com a região.
Portugal detém presentemente a presidência da CPLP.
População de Macau calculada em 557 mil habitantes
A população de Macau foi calculada no final do terceiro trimestre em 557.000 pessoas, mais 25.000 do que no período homólogo de 2007 e mais 19.000 do que no final do ano passado, foi hoje anunciado.
Dados estatísticos oficiais relativos ao terceiro trimestre de 2008 indicam que entre Julho e Setembro nasceram 1.221 nados-vivos e foram registados 405 óbitos, o que traduz um crescimento natural da população de apenas 816 pessoas.
Os números do crescimento natural comparados ao crescimento real da população de Macau indicam que o aumento do número de pessoas a residir no território deriva de fenómenos migratórios para a Região Administrativa Especial chinesa devido aos novos postos de trabalho criados com desenvolvimento de grandes projectos relacionados com a hotelaria e diversões.
No terceiro trimestre do ano foram registados 621 imigrantes legais oriundos do continente chinês e no final do período estavam autorizados 47.191 indivíduos a permanecer no território, mais 1.700 pessoas do que no final do segundo trimestre de 2008.
Em Setembro existiam em Macau 104.281 trabalhadores não residentes, mais 5.776 pessoas do que no final do segundo trimestre.
Os números agora apresentados ainda não reflectem os efeitos da crise financeira mundial que já levaram à suspensão de várias obras de grande dimensão no território, como os hotéis/casino que o grupo norte-americano Las Vegas Sands estava a construir e que levou à saída de cerca de 11.000 trabalhadores, a grande maioria dos quais não-residentes.
Dados estatísticos oficiais relativos ao terceiro trimestre de 2008 indicam que entre Julho e Setembro nasceram 1.221 nados-vivos e foram registados 405 óbitos, o que traduz um crescimento natural da população de apenas 816 pessoas.
Os números do crescimento natural comparados ao crescimento real da população de Macau indicam que o aumento do número de pessoas a residir no território deriva de fenómenos migratórios para a Região Administrativa Especial chinesa devido aos novos postos de trabalho criados com desenvolvimento de grandes projectos relacionados com a hotelaria e diversões.
No terceiro trimestre do ano foram registados 621 imigrantes legais oriundos do continente chinês e no final do período estavam autorizados 47.191 indivíduos a permanecer no território, mais 1.700 pessoas do que no final do segundo trimestre de 2008.
Em Setembro existiam em Macau 104.281 trabalhadores não residentes, mais 5.776 pessoas do que no final do segundo trimestre.
Os números agora apresentados ainda não reflectem os efeitos da crise financeira mundial que já levaram à suspensão de várias obras de grande dimensão no território, como os hotéis/casino que o grupo norte-americano Las Vegas Sands estava a construir e que levou à saída de cerca de 11.000 trabalhadores, a grande maioria dos quais não-residentes.
Portugal: Activistas guineenses questionam versão oficial e alertam para "encenação"
Activistas guineenses radicados em Portugal questionam a autenticidade do que oficialmente foi classificado, pelo ministro guineense da Administração Interna, Cipriano Cassamá, de "tentativa de golpe de Estado", na sequência do ataque à residência particular do presidente da Guiné-Bissau, "Nino" Vieira.
"Tudo isto me parece uma encenação", disse Fernando Casimiro, que não poupa palavras nas críticas que lança ao presidente "Nino". "Isto é uma estratégia que visa permitir acusar algumas pessoas incómodas ao regime e utilizar a inevitável vitimização perante a sociedade e os países daquela região de África", explica aquele activista, que estabelece uma relação entre os resultados das últimas eleições legislativas (que dão maioria qualificada ao PAIGC) e o terceiro lugar do Partido Republicano para a Independência e o Desenvolvimento, apoiado pelo "Nino", atrás do Partido da Renovação Social, de Kumba Ialá.
Outro activista, que solicita o anonimato, vai mais longe e atribui a "encenação" à manifesta e pública vontade de Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC, em combater o narcotráfico, face à necessidade de satisfação de "algumas clientelas poderosas" que gravitam em torno do poder. "Então o Ministério da Administração Interna descobriu que ia haver um ataque e não tirou o presidente da sua residência? Alguém acredita?", questiona.
Ambos sublinham, a cada passo, que nas mãos do presidente estão entregues poderes como o de declaração de estado de sítio, o que acontecer impediria, por exemplo, a publicação dos resultados eleitorais.
E é neste último ponto da sempre bem-vinda "teoria da conspiração" que pode estar a razão desta suposta tentativa de "coup d'etat".
"Tudo isto me parece uma encenação", disse Fernando Casimiro, que não poupa palavras nas críticas que lança ao presidente "Nino". "Isto é uma estratégia que visa permitir acusar algumas pessoas incómodas ao regime e utilizar a inevitável vitimização perante a sociedade e os países daquela região de África", explica aquele activista, que estabelece uma relação entre os resultados das últimas eleições legislativas (que dão maioria qualificada ao PAIGC) e o terceiro lugar do Partido Republicano para a Independência e o Desenvolvimento, apoiado pelo "Nino", atrás do Partido da Renovação Social, de Kumba Ialá.
Outro activista, que solicita o anonimato, vai mais longe e atribui a "encenação" à manifesta e pública vontade de Carlos Gomes Júnior, líder do PAIGC, em combater o narcotráfico, face à necessidade de satisfação de "algumas clientelas poderosas" que gravitam em torno do poder. "Então o Ministério da Administração Interna descobriu que ia haver um ataque e não tirou o presidente da sua residência? Alguém acredita?", questiona.
Ambos sublinham, a cada passo, que nas mãos do presidente estão entregues poderes como o de declaração de estado de sítio, o que acontecer impediria, por exemplo, a publicação dos resultados eleitorais.
E é neste último ponto da sempre bem-vinda "teoria da conspiração" que pode estar a razão desta suposta tentativa de "coup d'etat".
Venezuela: Luso-descendente eleito governador do Estado de Vargas
O luso-descendente Jorge Luís Garcia Carneiro foi eleito domingo governador do Estado venezuelano de Vargas, 20 quilómetros a Norte de Caracas, segundo dados divulgados pelo Conselho Eleitoral da Venezuela.
Candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido de Hugo Chávez), Garcia Carneiro obteve 61,56% dos votos, segundo a presidente do Conselho Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena.
Aquela responsável não revelou o número exacto de votos e avançou que Roberto Smith, principal adversário do candidato português, obteve 31,18% dos votos, quando estavam apurados 95,67% do total de assembleias de voto.
Quase 17 milhões (16.887.805) de venezuelanos foram domingo às urnas para eleger 603 autarcas, entre eles 22 governadores de Estado, 326 presidentes de câmaras municipais, um alcaide para o Distrito Metropolitano de Caracas e um alcaide para o Distrito de Alto Apure.
Nas eleições também foram escolhidos 225 deputados para os conselhos estaduais (23 Estados), 8 para conselhos indígenas, 13 autarcas para a zona metropolitana de Caracas, 6 para o de Alto Apure e um conselheiro indígena pelo Distrito de Alto Apure.
Além de Garcia Carneiro outros quatro luso-venezuelanos concorriam por diversos cargos nas eleições autárquicas, entre elas Andrea Tavares, 36 anos que, apoiada pelo partido de esquerda Pátria Para Todos, viu negada a possibilidade de presidir o Município de Libertador, o maior da capital.
Os resultados das candidaturas de Manuel Teixeira, candidato a vereador pelo Circuito Petare- El Llanito, duas localidades a leste de Caracas, de Carlos Teixeira, candidato independente à Câmara Municipal de Vargas e da vereadora Myriam do Nascimento, candidata a presidente da Câmara Municipal de El Hatillo, vão ser divulgados nos próximos dias.
O novo governador de Vargas, Garcia Carneiro é Licenciado em Ciências e Artes Militares e teve um papel determinado no regresso do presidente Hugo Chávez ao palácio presidencial de Miraflores, depois de ter sido afastado temporariamente do poder, em Abril de 2002.
Ocupou diversos cargos dentro das Forças Armadas Venezuelanas, entre os quais o de comandante-geral do Exército (2002), Ministro da Defesa e comandante chefe das Forças Armadas Venezuelanas (ambos em 2004).
Desempenhou ainda as funções de ministro de Participação Popular e Desenvolvimento Social, onde foi responsável pelo programa de apoio social "Missão Negra Hipólita", destinado a prestar assistência a indigentes e a reintegrar toxicodependentes na sociedade.
Centrou a sua campanha eleitoral na promessa de melhoria das infra-estruturas, na recuperação e construção de espaços públicos, escolas e centros de saúde, além da consolidação da área costeira, o desenvolvimento do ecoturismo e o apoio à economia solidária.
Candidato do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV, o partido de Hugo Chávez), Garcia Carneiro obteve 61,56% dos votos, segundo a presidente do Conselho Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena.
Aquela responsável não revelou o número exacto de votos e avançou que Roberto Smith, principal adversário do candidato português, obteve 31,18% dos votos, quando estavam apurados 95,67% do total de assembleias de voto.
Quase 17 milhões (16.887.805) de venezuelanos foram domingo às urnas para eleger 603 autarcas, entre eles 22 governadores de Estado, 326 presidentes de câmaras municipais, um alcaide para o Distrito Metropolitano de Caracas e um alcaide para o Distrito de Alto Apure.
Nas eleições também foram escolhidos 225 deputados para os conselhos estaduais (23 Estados), 8 para conselhos indígenas, 13 autarcas para a zona metropolitana de Caracas, 6 para o de Alto Apure e um conselheiro indígena pelo Distrito de Alto Apure.
Além de Garcia Carneiro outros quatro luso-venezuelanos concorriam por diversos cargos nas eleições autárquicas, entre elas Andrea Tavares, 36 anos que, apoiada pelo partido de esquerda Pátria Para Todos, viu negada a possibilidade de presidir o Município de Libertador, o maior da capital.
Os resultados das candidaturas de Manuel Teixeira, candidato a vereador pelo Circuito Petare- El Llanito, duas localidades a leste de Caracas, de Carlos Teixeira, candidato independente à Câmara Municipal de Vargas e da vereadora Myriam do Nascimento, candidata a presidente da Câmara Municipal de El Hatillo, vão ser divulgados nos próximos dias.
O novo governador de Vargas, Garcia Carneiro é Licenciado em Ciências e Artes Militares e teve um papel determinado no regresso do presidente Hugo Chávez ao palácio presidencial de Miraflores, depois de ter sido afastado temporariamente do poder, em Abril de 2002.
Ocupou diversos cargos dentro das Forças Armadas Venezuelanas, entre os quais o de comandante-geral do Exército (2002), Ministro da Defesa e comandante chefe das Forças Armadas Venezuelanas (ambos em 2004).
Desempenhou ainda as funções de ministro de Participação Popular e Desenvolvimento Social, onde foi responsável pelo programa de apoio social "Missão Negra Hipólita", destinado a prestar assistência a indigentes e a reintegrar toxicodependentes na sociedade.
Centrou a sua campanha eleitoral na promessa de melhoria das infra-estruturas, na recuperação e construção de espaços públicos, escolas e centros de saúde, além da consolidação da área costeira, o desenvolvimento do ecoturismo e o apoio à economia solidária.
sábado, novembro 22, 2008
Algarve: Família indiana investe 150 M€ em novo resort
Um grupo português, liderado por uma família indiana, vai investir 150 milhões de euros num resort de luxo no Algarve, prevendo que a crise financeira mundial termine em 2012.
O empreendimento, denominado "Quinta da Praia", vai nascer numa área de 22,5 hectares em Alvor, incluindo um hotel de cinco estrelas com 175 quartos, um spa club e uma área residencial com 197 moradias e "townhouses".
Segundo o presidente do Grupo HN, Rakesh Kanabar, o lançamento do investimento em plena crise financeira mundial, "só foi possível porque está a ser planeado há já dois anos".
Trata-se da primeira aventura do grupo imobiliário fora do distrito em que está sedeado (Porto) e a sua estreia na imobiliária turística mas, ainda assim, não foge à regra do modelo financeiro da HN - "é financiado pela banca", refere o empresário.
Admite que, "se fosse hoje, não iria comprar mais um terreno de 50 milhões de euros", até porque defende ser altura dos empresários serem "prudentes".
Porém, acredita que dentro de três ou quatro anos, já terá sido retomada a confiança dos mercados financeiros pelo que o grupo irá "ter o produto pronto no momento certo".
Nos tempos que correm "ninguém consegue vender", especialmente no principal mercado da imobiliária turística no Algarve - o Reino Unido - onde "os preços da imobiliária estão a cair".
O empresário prevê contudo que tanto o Reino Unido como o resto da Europa - incluindo Portugal - "estejam preparados para começar a investir e a comprar aqui no Algarve", disse.
O arranque da obra está previsto para o final de 2009, ocasião em que os gabinetes de arquitectura WATG e Broadway Malyan já terão terminado os projectos do "resort lifestyle", como Rakesh Kanabar faz questão de designar.
O empresário revela ainda que o hotel de cinco estrelas será explorado por uma cadeia norte-americana, com quem deverá formalizar acordo "muito em breve". Em paralelo, encontra-se a negociar uma outra cadeia internacional para a gestão do clube de SPA, que inclui ginásio, "kids club" e áreas de lazer restritas a sócios.
No resort, deverá nascer ainda um bloco de apartamentos, onde só vão existir na tipologia T2. "Não queremos mais T1, pois o mercado da especulação já não existe. Hoje a procura só existe no Turismo Residencial e queremos criar aqui a Florida da Europa", afirmou.
O projecto contempla ainda a requalificação ambiental de uma área actualmente abandonada, entre o empreendimento e a praia, incluindo a recuperação de linhas de água e a criação de passadiços sobrelevados de acesso ao areal.
O Grupo HN tem centrado a sua acção na promoção imobiliária no Porto. Nos últimos 11 anos, ergueu hotéis como o Inca e o Sheraton. Tem actualmente em curso investimentos na ordem dos 100 milhões de euros, numa carteira que inclui o Boavista Palace, Porto Bessa Leite, Arrábida Lake Towers e o Retail Park de Gaia.
O resort algarvio pretende servir de plataforma à internacionalização do grupo no segmento do turismo residencial, tendo na mira países como a Angola, Cabo Verde e Brasil.
O empreendimento, denominado "Quinta da Praia", vai nascer numa área de 22,5 hectares em Alvor, incluindo um hotel de cinco estrelas com 175 quartos, um spa club e uma área residencial com 197 moradias e "townhouses".
Segundo o presidente do Grupo HN, Rakesh Kanabar, o lançamento do investimento em plena crise financeira mundial, "só foi possível porque está a ser planeado há já dois anos".
Trata-se da primeira aventura do grupo imobiliário fora do distrito em que está sedeado (Porto) e a sua estreia na imobiliária turística mas, ainda assim, não foge à regra do modelo financeiro da HN - "é financiado pela banca", refere o empresário.
Admite que, "se fosse hoje, não iria comprar mais um terreno de 50 milhões de euros", até porque defende ser altura dos empresários serem "prudentes".
Porém, acredita que dentro de três ou quatro anos, já terá sido retomada a confiança dos mercados financeiros pelo que o grupo irá "ter o produto pronto no momento certo".
Nos tempos que correm "ninguém consegue vender", especialmente no principal mercado da imobiliária turística no Algarve - o Reino Unido - onde "os preços da imobiliária estão a cair".
O empresário prevê contudo que tanto o Reino Unido como o resto da Europa - incluindo Portugal - "estejam preparados para começar a investir e a comprar aqui no Algarve", disse.
O arranque da obra está previsto para o final de 2009, ocasião em que os gabinetes de arquitectura WATG e Broadway Malyan já terão terminado os projectos do "resort lifestyle", como Rakesh Kanabar faz questão de designar.
O empresário revela ainda que o hotel de cinco estrelas será explorado por uma cadeia norte-americana, com quem deverá formalizar acordo "muito em breve". Em paralelo, encontra-se a negociar uma outra cadeia internacional para a gestão do clube de SPA, que inclui ginásio, "kids club" e áreas de lazer restritas a sócios.
No resort, deverá nascer ainda um bloco de apartamentos, onde só vão existir na tipologia T2. "Não queremos mais T1, pois o mercado da especulação já não existe. Hoje a procura só existe no Turismo Residencial e queremos criar aqui a Florida da Europa", afirmou.
O projecto contempla ainda a requalificação ambiental de uma área actualmente abandonada, entre o empreendimento e a praia, incluindo a recuperação de linhas de água e a criação de passadiços sobrelevados de acesso ao areal.
O Grupo HN tem centrado a sua acção na promoção imobiliária no Porto. Nos últimos 11 anos, ergueu hotéis como o Inca e o Sheraton. Tem actualmente em curso investimentos na ordem dos 100 milhões de euros, numa carteira que inclui o Boavista Palace, Porto Bessa Leite, Arrábida Lake Towers e o Retail Park de Gaia.
O resort algarvio pretende servir de plataforma à internacionalização do grupo no segmento do turismo residencial, tendo na mira países como a Angola, Cabo Verde e Brasil.
sexta-feira, novembro 21, 2008
"Tasquinha" apoia entrada da Indonésia na CPLP
Depois de aqui termos noticiado a intenção do actual embaixador da Indonésia em integrar este país na Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), o "Tasquinha" resolveu apoiar este intento, tendo em conta as afinidades histórico-culturais e linguísticas com este organismo.
Hoje, José Ramos-Horta veio juntar-se a este projecto, declarando ser uma "excelente ideia" a entrada da Indonésia na CPLP.
"Timor-Leste endossa totalmente a ideia, porque a Indonésia é um dos países que tem laços de séculos com Portugal e a lusofonia", afirmou o Presidente da República de Timor-Leste.
"Basta ver a língua indonésia, com milhares de vocábulos portugueses, basta ver os monumentos, mesmo em Java e Sumatra, ou basta ver as gentes de Aceh que têm origem portuguesa", acrescentou o chefe de Estado timorense. "É um país com longas tradições portuguesas. Só por aí, a Indonésia merece o estatuto", declarou José Ramos-Horta.
O Presidente timorense diz também que "não há nenhum ciúme timorense" na ideia indonésia, "antes pelo contrário".
A Indonésia deu início aos contactos para obter o estatuto de observador associado da CPLP, disse esta semana o embaixador indonésio em Lisboa, Francisco Lopes da Cruz.
José Ramos-Horta levantou a hipótese de conceder o mesmo estatuto à Malásia se este país se mostrar interessado, "por causa de Malaca".
Hoje, José Ramos-Horta veio juntar-se a este projecto, declarando ser uma "excelente ideia" a entrada da Indonésia na CPLP.
"Timor-Leste endossa totalmente a ideia, porque a Indonésia é um dos países que tem laços de séculos com Portugal e a lusofonia", afirmou o Presidente da República de Timor-Leste.
"Basta ver a língua indonésia, com milhares de vocábulos portugueses, basta ver os monumentos, mesmo em Java e Sumatra, ou basta ver as gentes de Aceh que têm origem portuguesa", acrescentou o chefe de Estado timorense. "É um país com longas tradições portuguesas. Só por aí, a Indonésia merece o estatuto", declarou José Ramos-Horta.
O Presidente timorense diz também que "não há nenhum ciúme timorense" na ideia indonésia, "antes pelo contrário".
A Indonésia deu início aos contactos para obter o estatuto de observador associado da CPLP, disse esta semana o embaixador indonésio em Lisboa, Francisco Lopes da Cruz.
José Ramos-Horta levantou a hipótese de conceder o mesmo estatuto à Malásia se este país se mostrar interessado, "por causa de Malaca".
Mais de 1.200 portugueses eleitos nas autárquicas francesas
Mais de 1.200 portugueses ou luso-descendentes residentes em França foram eleitos nas autárquicas de Março passado, segundo dados da Embaixada de Portugal em Paris, que acredita que esse número pode chegar aos 3.500.
"Detectámos um pouco acima dos 3.500 autarcas" que podem ser de origem portuguesa, disse hoje à Agência Lusa o embaixador de Portugal em França, António Monteiro.
O diplomata falava na véspera de se realizar, em Paris, o 5º Encontro de Luso-Eleitos nas Autarquias Francesas, organizado pela Embaixada.
De acordo com António Monteiro, a Embaixada enviou uma carta a todos os autarcas que havia a suspeita de terem "ligações a Portugal".
Fonte da Embaixada de Portugal em Paris responsável pelo levantamento dos autarcas de origem portuguesa explicou que os nomes de todos os eleitos nas autárquicas foram colocados no site do Ministério do Interior francês.
"Verificámos quais os que tinham apelidos portugueses. O embaixador dirigiu cartas a 3.700 pessoas felicitando-as e propondo-lhes a inscrição num banco de dados na Embaixada", disse a fonte, acrescentando que "200 responderam a dizer que não eram portugueses", pelo que foram retirados da lista. "No total responderam 1.400 pessoas e 1.200 confirmaram ser portugueses e inscreveram-se num banco de dados criado pela Embaixada", disse.
Dos 1.200 inscritos na base de dados, 40 são presidentes de câmara, 180 são vereadores e 981 conselheiros municipais, precisou.
A mesma fonte disse ainda que o método utilizado nas eleições de 2001 foi o contacto pessoal através da rede consular, mas, "dado o tamanho do território, a maioria (dos luso-eleitos) não teve qualquer contacto com as autoridades portuguesas".
Trabalho bem feito, mas só pela metade...
"Detectámos um pouco acima dos 3.500 autarcas" que podem ser de origem portuguesa, disse hoje à Agência Lusa o embaixador de Portugal em França, António Monteiro.
O diplomata falava na véspera de se realizar, em Paris, o 5º Encontro de Luso-Eleitos nas Autarquias Francesas, organizado pela Embaixada.
De acordo com António Monteiro, a Embaixada enviou uma carta a todos os autarcas que havia a suspeita de terem "ligações a Portugal".
Fonte da Embaixada de Portugal em Paris responsável pelo levantamento dos autarcas de origem portuguesa explicou que os nomes de todos os eleitos nas autárquicas foram colocados no site do Ministério do Interior francês.
"Verificámos quais os que tinham apelidos portugueses. O embaixador dirigiu cartas a 3.700 pessoas felicitando-as e propondo-lhes a inscrição num banco de dados na Embaixada", disse a fonte, acrescentando que "200 responderam a dizer que não eram portugueses", pelo que foram retirados da lista. "No total responderam 1.400 pessoas e 1.200 confirmaram ser portugueses e inscreveram-se num banco de dados criado pela Embaixada", disse.
Dos 1.200 inscritos na base de dados, 40 são presidentes de câmara, 180 são vereadores e 981 conselheiros municipais, precisou.
A mesma fonte disse ainda que o método utilizado nas eleições de 2001 foi o contacto pessoal através da rede consular, mas, "dado o tamanho do território, a maioria (dos luso-eleitos) não teve qualquer contacto com as autoridades portuguesas".
Trabalho bem feito, mas só pela metade...
Guiné: PAIGC obtém inédita maioria dois terços, 67 deputados
O PAIGC venceu as eleições legislativas de domingo passado na Guiné-Bissau, ao eleger 67 dos 100 deputados à Assembleia Nacional Popular (ANP), segundo os resultados finais provisórios divulgados hoje pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), em Bissau.
Segundo os mesmos dados, atrás do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de Carlos Gomes Júnior, ficou o Partido da Renovação Social (PRS), de Kumba Ialá, que elegeu 28 parlamentares.
Trata-se da primeira vez que um partido alcança uma maioria de dois terços no Parlamento guineense, com o PAIGC a ultrapassar os resultados obtidos por esta mesma força política nas primeiras eleições multipartidárias da história do país, realizadas em 1994, quando elegeu 66 deputados, embora só com cerca de 39% dos votos, tendo então ficado a um lugar do objectivo agora alcançado.
Além destas duas forças políticas, outras três elegeram deputados: o Partido Republicano para a Independência e o Desenvolvimento (PRID), do ex-primeiro-ministro Aristides Gomes, que elegeu três parlamentares, e a Aliança Democrática (AD), e o Partido da Nova Democracia (PND), de Iaia Djaló, ambos com um cada.
Segundo os dados provisórios das eleições a que se apresentaram 19 partidos e duas coligações, a taxa de participação atingiu os 82%, a mais alta de sempre - a abstenção rondou os 18%-, tendo votado 484.546 dos 593.739 eleitores inscritos.
Segundo a CNE, registaram-se também 16.038 votos brancos e 11.000 nulos, havendo também 1.196 votos protestados.
Os resultados finais definitivos da votação, acrescentou a CNE, serão conhecidos a 26 deste mês.
O PRS, cujo líder, antes mesmo de os resultados oficiais serem divulgados, já disse suspeitar de manipulação na votação, tem programada uma conferência de imprensa para hoje às 16:00 locais (a mesma em Lisboa).
Segundo os mesmos dados, atrás do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), de Carlos Gomes Júnior, ficou o Partido da Renovação Social (PRS), de Kumba Ialá, que elegeu 28 parlamentares.
Trata-se da primeira vez que um partido alcança uma maioria de dois terços no Parlamento guineense, com o PAIGC a ultrapassar os resultados obtidos por esta mesma força política nas primeiras eleições multipartidárias da história do país, realizadas em 1994, quando elegeu 66 deputados, embora só com cerca de 39% dos votos, tendo então ficado a um lugar do objectivo agora alcançado.
Além destas duas forças políticas, outras três elegeram deputados: o Partido Republicano para a Independência e o Desenvolvimento (PRID), do ex-primeiro-ministro Aristides Gomes, que elegeu três parlamentares, e a Aliança Democrática (AD), e o Partido da Nova Democracia (PND), de Iaia Djaló, ambos com um cada.
Segundo os dados provisórios das eleições a que se apresentaram 19 partidos e duas coligações, a taxa de participação atingiu os 82%, a mais alta de sempre - a abstenção rondou os 18%-, tendo votado 484.546 dos 593.739 eleitores inscritos.
Segundo a CNE, registaram-se também 16.038 votos brancos e 11.000 nulos, havendo também 1.196 votos protestados.
Os resultados finais definitivos da votação, acrescentou a CNE, serão conhecidos a 26 deste mês.
O PRS, cujo líder, antes mesmo de os resultados oficiais serem divulgados, já disse suspeitar de manipulação na votação, tem programada uma conferência de imprensa para hoje às 16:00 locais (a mesma em Lisboa).
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