Acusação é feita pelo juiz português Ivo Rosa, que esteve no território.
"A minha saída significa que o poder judicial em Timor-Leste ainda não é independente", declarou Ivo Rosa no balanço de dois anos de funções em Timor-Leste.
Ivo Rosa deixou na terça-feira Timor-Leste, após meses de conflito judicial com o Conselho Superior de Magistratura timorense (CSM).
"Eu só vou embora por causa disso mesmo, porque as decisões dos tribunais não são respeitadas", explicou o magistrado, que exercia funções como juiz internacional no Tribunal de Recurso.
"O CSM tem uma grande componente política e a minha saída é o reflexo dessa realidade", acrescentou Ivo Rosa na hora da partida.
Ivo Rosa aludiu ao facto de o CSM, na ausência por doença do juiz presidente Cláudio Xímenes, ser dirigido desde há meses pelo jurista Dionísio Babo, secretário-geral do Congresso Nacional da Resistência Timorense (CNRT), o partido do primeiro-ministro Xanana Gusmão.
O CSM "chumbou" o juiz português em Outubro de 2008, decidindo não renovar o contrato de Ivo Rosa que expirava no final de 2008.
O "chumbo" do juiz português ocorreu no mesmo dia em que o Parlamento Nacional recebeu a notificação de um acórdão do Tribunal de Recurso que decidiu pela inconstitucionalidade de algumas normas do Orçamento Rectificativo para 2008.
quinta-feira, março 12, 2009
terça-feira, março 10, 2009
Obama e os portugueses
Até há bem poucos dias aceitavam-se apostas sobre qual seria o português com relevância internacional que primeiro se encontraria/reuniria com Barack Obama. E a "disputa" era, principalmente, entre Durão Barroso e Jorge Sampaio, o primeiro enquanto Presidente da Comissão Europeia e o segundo enquanto Alto Representante das Nações Unidas para a Aliança das Civilizações. António Guterres estava, em princípio, fora desta equação.
Falou-se de um telefonema de Obama para o ex-primeiro-ministro Durão Barroso, logo nos primeiros dias de mandato, cumprimentando-o, o que é normal, tendo em conta a importância do seu cargo.
Mais tarde, foi anunciada a presença de Barack Obama na Cimeira do G20, que começa a 2 de Abril em Londres.
Aqui, Jorge Sampaio já estava em desvantagem. E acabou por perder a corrida.
Já foi confirmada a presença de Barack Obama no segundo encontro da Aliança das Civilizações (AdC), iniciativa liderada pelo ex-presidente da República Jorge Sampaio, que se realiza a 6 e 7 de Abril em Istambul.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, marcarão também presença no forum.
Recorde-se que a AdC é uma ideia lançada pela Espanha em Setembro de 2004 e depois retomada e oficializada pela ONU.
E eis que surge outra contenda:
Em termos ibéricos, qual será o primeiro a privar com Obama, ao nível de primeiro-ministro? Sócrates ou Zapatero?
Resposta fácil: Zapatero, logo a 2 de Abril, em Londres. A Espanha fez-se convidada e conseguiu por uma unha negra estar presente.
Diferenças de dimensão...
Falou-se de um telefonema de Obama para o ex-primeiro-ministro Durão Barroso, logo nos primeiros dias de mandato, cumprimentando-o, o que é normal, tendo em conta a importância do seu cargo.
Mais tarde, foi anunciada a presença de Barack Obama na Cimeira do G20, que começa a 2 de Abril em Londres.
Aqui, Jorge Sampaio já estava em desvantagem. E acabou por perder a corrida.
Já foi confirmada a presença de Barack Obama no segundo encontro da Aliança das Civilizações (AdC), iniciativa liderada pelo ex-presidente da República Jorge Sampaio, que se realiza a 6 e 7 de Abril em Istambul.
O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, o chefe do governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, marcarão também presença no forum.
Recorde-se que a AdC é uma ideia lançada pela Espanha em Setembro de 2004 e depois retomada e oficializada pela ONU.
E eis que surge outra contenda:
Em termos ibéricos, qual será o primeiro a privar com Obama, ao nível de primeiro-ministro? Sócrates ou Zapatero?
Resposta fácil: Zapatero, logo a 2 de Abril, em Londres. A Espanha fez-se convidada e conseguiu por uma unha negra estar presente.
Diferenças de dimensão...
segunda-feira, março 09, 2009
Série de TV luso-chinesa sobre enoturismo arranca em Junho
O Douro é um dos grandes protagonistas de uma série televisiva luso-chinesa para promover o enoturismo europeu na Ásia que começará a ser filmada em Junho, revelou um dos produtores.
"É uma série pensada para o cliente asiático que procura o luxo e que mostrará o que há de melhor em Portugal", afirmou Pedro Correia, da Spirito Douro, uma empresa criada há dois anos e especializada em marketing e exportação de vinhos daquela região.
A série, com cerca de trinta episódios de 40 a 45 minutos cada, será filmada em nove países, em colaboração com a Meridian House, uma empresa chinesa de comunicação.
"É na Ásia que está o crescimento económico e na China, sobretudo, o consumo de vinho está a crescer", disse Correia.
Portugal preencherá três episódios, entre os quais o último, cujas filmagens estão programadas para coincidir com as vindimas, em Setembro.
"Vamos filmar em alguns dos melhores e mais prestigiados hotéis do Porto e da região do Douro. O luxo não é uma jóia: luxo é um estilo de vida, que inclui a história, a arquitectura, a paisagem e a cultura", realçou Pedro Correia.
As filmagens, a cargo de uma equipa técnica chinesa, vão decorrer também em Espanha, França, Itália, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Roménia.
Correia prevê que a produção esteja concluída em Fevereiro de 2010, e segundo adiantou, a CCTV (Televisão Central da China) deverá ser a primeira estação a transmitir a série.
"Será também uma maneira de promover Portugal enquanto marca, despertando os asiáticos para as coisas portuguesas", concluiu o responsável da Spirito Douro.
"É uma série pensada para o cliente asiático que procura o luxo e que mostrará o que há de melhor em Portugal", afirmou Pedro Correia, da Spirito Douro, uma empresa criada há dois anos e especializada em marketing e exportação de vinhos daquela região.
A série, com cerca de trinta episódios de 40 a 45 minutos cada, será filmada em nove países, em colaboração com a Meridian House, uma empresa chinesa de comunicação.
"É na Ásia que está o crescimento económico e na China, sobretudo, o consumo de vinho está a crescer", disse Correia.
Portugal preencherá três episódios, entre os quais o último, cujas filmagens estão programadas para coincidir com as vindimas, em Setembro.
"Vamos filmar em alguns dos melhores e mais prestigiados hotéis do Porto e da região do Douro. O luxo não é uma jóia: luxo é um estilo de vida, que inclui a história, a arquitectura, a paisagem e a cultura", realçou Pedro Correia.
As filmagens, a cargo de uma equipa técnica chinesa, vão decorrer também em Espanha, França, Itália, Alemanha, Áustria, Grécia, Hungria e Roménia.
Correia prevê que a produção esteja concluída em Fevereiro de 2010, e segundo adiantou, a CCTV (Televisão Central da China) deverá ser a primeira estação a transmitir a série.
"Será também uma maneira de promover Portugal enquanto marca, despertando os asiáticos para as coisas portuguesas", concluiu o responsável da Spirito Douro.
EUA: Marc Gonçalvez, ex-refém das FARC, condecorado
O luso-americano Marc Gonçalves, refém da guerrilha colombiana FARC durante cinco anos, será condecorado na quinta-feira, em Miami, pelo chefe do Comando Sul dos Estados Unidos, almirante James Stavridis.
Os americanos Keith Stansell e Thomas Howes estiveram sequestrados juntamente com Gonsalves e receberão também a Medalha da Defesa da Liberdade, equivalente civil à distinção militar Coração Púrpura - outorgada a soldados mortos ou feridos em batalha.
Os três condecorados trabalhavam para a empresa Northop Grumman, contratada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para colher dados sobre cultivo de droga na Colômbia, quando foram sequestrados em 2003 pelas Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia.
O sequestro dos três americanos aconteceu depois do avião em que viajavam sofrer uma aterragem forçada numa área ocupada pelas FARC.
O Comando Sul do Estados Unidos explicou que se tratava de "uma missão aérea de rotina para detectar plantações de cocaína ao sul da Colômbia", mas com a emergência a bordo, o avião teve de aterrar na região dominada pelas FARC.
Os americanos Keith Stansell e Thomas Howes estiveram sequestrados juntamente com Gonsalves e receberão também a Medalha da Defesa da Liberdade, equivalente civil à distinção militar Coração Púrpura - outorgada a soldados mortos ou feridos em batalha.
Os três condecorados trabalhavam para a empresa Northop Grumman, contratada pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos para colher dados sobre cultivo de droga na Colômbia, quando foram sequestrados em 2003 pelas Forças Armadas Revolucionárias da
Colômbia.
O sequestro dos três americanos aconteceu depois do avião em que viajavam sofrer uma aterragem forçada numa área ocupada pelas FARC.
O Comando Sul do Estados Unidos explicou que se tratava de "uma missão aérea de rotina para detectar plantações de cocaína ao sul da Colômbia", mas com a emergência a bordo, o avião teve de aterrar na região dominada pelas FARC.
Portugal envia 200 professores para 5 províncias angolanas
Portugal vai enviar 200 professores para Angola este mês para promover o ensino do português e reforço do ensino secundário, projecto financiado em 5,4 milhões de euros pelo Fundo da Língua Portuguesa, anunciou o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
A aprovação do Projecto Saber Mais, que define o enquadramento do envio dos docentes portugueses, saiu da primeira reunião do Fundo, que decorreu esta manhã no MNE.
Além da "melhoria das competências técnicas e da capacitação dos professores do ensino secundário na utilização dos conteúdos programáticos vigentes", o projecto visa "a instalação de centros de recursos para apoio pedagógico nas províncias-alvo, a formação de equipas de coordenação pedagógica local e a criação de redes de formadores nacionais de referência no ensino angolano".
Estão abrangidas as províncias do Cuanza Sul, Benguela, Namibe, Moxico e Cunene.
O custo total do projecto está orçado em 10,15 milhões de euros, contribuindo o Fundo com 5,4 milhões de euros.
Deste total, 1,7 milhões serão desembolsados este ano e os restantes 3,7 milhões em 2010.
A aprovação do Projecto Saber Mais, que define o enquadramento do envio dos docentes portugueses, saiu da primeira reunião do Fundo, que decorreu esta manhã no MNE.
Além da "melhoria das competências técnicas e da capacitação dos professores do ensino secundário na utilização dos conteúdos programáticos vigentes", o projecto visa "a instalação de centros de recursos para apoio pedagógico nas províncias-alvo, a formação de equipas de coordenação pedagógica local e a criação de redes de formadores nacionais de referência no ensino angolano".
Estão abrangidas as províncias do Cuanza Sul, Benguela, Namibe, Moxico e Cunene.
O custo total do projecto está orçado em 10,15 milhões de euros, contribuindo o Fundo com 5,4 milhões de euros.
Deste total, 1,7 milhões serão desembolsados este ano e os restantes 3,7 milhões em 2010.
sexta-feira, março 06, 2009
Corpo de Afonso Tiago encontrado
Corpo do jovem cientista português foi encontrado no fundo do rio Spree, em Berlim.
"Recebemos essa informação das autoridades alemãs, mas até à identificação do corpo não é nada oficial", disse a mesma fonte.
No entanto, "tudo indica que é o corpo do português desaparecido, uma vez que foram encontrados documentos com o corpo".
Ainda se desconhecem as causas e se se tratou de um acidente ou de um crime.
Afonso Tiago desapareceu na madrugada de 10 de Janeiro, depois de ter saído de uma discoteca com um amigo, do qual se despediu junto à estação ferroviária de Berlim-Ostbahnhof.
O amigo foi de táxi para casa e ofereceu boleia a Afonso Tiago, que, apesar da noite fria e de estar a quase três quilómetros do seu apartamento, recusou a oferta, preferindo ir a pé.
Desde então, não apareceu mais em casa nem no trabalho, o que levou os amigos e colegas, habituados a ver em Afonso Tiago uma pessoa muito responsável, que não falta a compromissos sem avisar, a dar o alarme.
[E aqui se confirma que o Presidente da República foi brutalmente infeliz quando falou que o desaparecimemto só se podia dever a "bruxedo"... Mais uma gaffe a "compor" a má imagem do "mais alto magistrado" da Nação...]
"Recebemos essa informação das autoridades alemãs, mas até à identificação do corpo não é nada oficial", disse a mesma fonte.
No entanto, "tudo indica que é o corpo do português desaparecido, uma vez que foram encontrados documentos com o corpo".
Ainda se desconhecem as causas e se se tratou de um acidente ou de um crime.
Afonso Tiago desapareceu na madrugada de 10 de Janeiro, depois de ter saído de uma discoteca com um amigo, do qual se despediu junto à estação ferroviária de Berlim-Ostbahnhof.
O amigo foi de táxi para casa e ofereceu boleia a Afonso Tiago, que, apesar da noite fria e de estar a quase três quilómetros do seu apartamento, recusou a oferta, preferindo ir a pé.
Desde então, não apareceu mais em casa nem no trabalho, o que levou os amigos e colegas, habituados a ver em Afonso Tiago uma pessoa muito responsável, que não falta a compromissos sem avisar, a dar o alarme.
[E aqui se confirma que o Presidente da República foi brutalmente infeliz quando falou que o desaparecimemto só se podia dever a "bruxedo"... Mais uma gaffe a "compor" a má imagem do "mais alto magistrado" da Nação...]
Cabo Verde: Ainda é cedo para adesão do país à OTAN-NATO, dizem EUA
in Notícias Lusófonas
Os esforços “bem sucedidos” de Cabo Verde no combate ao tráfico de droga e na boa governação podem abrir portas a outras organizações regionais ou internacionais, sendo ainda cedo para se definir uma eventual adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO).
As palavras são da embaixadora dos Estados Unidos na Praia, Marianne Myles, quando questionada sobre a eventualidade de Cabo Verde poder aderir ou entrar na OTAN.
A diplomata norte-americana, que falava na sequência da visita de um dia a Cabo Verde da Adjunta do Comandante para as Actividades Civis e Militares do Comando Africano dos Estados Unidos (Africom), Mary Carlin Yates, salientou que os esforços “bem sucedidos” das autoridades da Praia no combate ao tráfico de droga e outras ilegalidades “podem abrir muitas portas de muitas organizações”. “O nível de cooperação que Cabo Verde tem mantido e o interesse em encontrar uma solução regional fala muito bem por Cabo Verde, mostra os esforços desenvolvidos. Têm vários parceiros e uma relação especial com a União Europeia (UE) e isso é muito importante para o futuro”, referiu. “Não penso que estamos (EUA) em posição de expressar uma opinião sobre uma eventual adesão do país à OTAN, ou sobre um convite ao país para integrar a OTAn. A questão importante é saber se estão a colaborar com os parceiros e se estão a realizar progressos na luta contra o tráfico de droga. E, ambos os casos, a minha resposta é sim, o que irá abrir portas de muitos lados”, frisou Myles.
“Um parceiro que tem caminhado na direcção certa e que tem mostrado melhorias na luta contra o tráfico de droga, afectando recursos (financeiros e humanos) para essa prioridade, obviamente que vai abrir ainda mais portas a parceiros. Cabo Verde, aliás, tem-se mostrado um parceiro muito fiável, de muitas maneiras”, adiantou. Já Mary Yates, instada a pronunciar-se sobre o papel que Portugal pode desenvolver no combate ao tráfico de droga na África Ocidental, nomeadamente em Cabo Verde e Guiné-Bissau, indicou que as autoridades de Lisboa estão a trabalhar já nas formas de actuação a seguir, integrando-se nas acções de cooperação bilateral e multilateral. “Temos uma excelente cooperação com Portugal, onde já estive (em Novembro de 2008), e temos em curso uma acção conjunta na área da formação da Polícia, entre outras acções. Mas estamos a procurar novas formas de cooperação, aos níveis bilateral e multilateral, e é por isso que irei ainda ao Gana, Senegal e Guiné-Bissau, para tentar apoiar o processo de reformas no domínio da segurança”, referiu.
Sobre a eventualidade de Cabo Verde poder vir a albergar a sede do Africom, Yates reiterou o que já tinha dito em Novembro último, quando esteve em Lisboa, lembrando que “até 2012, (a sede do Africom) manter-se-á em Estugarda. Por isso, com a nossa presença lá, e em colaboração estreita com os governos da África Ocidental e com os aliados europeus, é uma boa solução para encontrarmos soluções”, referiu. Yates chegou quinta-feira à noite à Praia para manter encontros com os ministros cabo-verdianos da Defesa, Cristina Lima, e dos Negócios Estrangeiros, José Brito, com quem analisou o reforço da cooperação norte-americana em vários domínios, com realce para o apoio às acções conjuntas no combate ao tráfico de droga.
Os esforços “bem sucedidos” de Cabo Verde no combate ao tráfico de droga e na boa governação podem abrir portas a outras organizações regionais ou internacionais, sendo ainda cedo para se definir uma eventual adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN-NATO).
As palavras são da embaixadora dos Estados Unidos na Praia, Marianne Myles, quando questionada sobre a eventualidade de Cabo Verde poder aderir ou entrar na OTAN.
A diplomata norte-americana, que falava na sequência da visita de um dia a Cabo Verde da Adjunta do Comandante para as Actividades Civis e Militares do Comando Africano dos Estados Unidos (Africom), Mary Carlin Yates, salientou que os esforços “bem sucedidos” das autoridades da Praia no combate ao tráfico de droga e outras ilegalidades “podem abrir muitas portas de muitas organizações”. “O nível de cooperação que Cabo Verde tem mantido e o interesse em encontrar uma solução regional fala muito bem por Cabo Verde, mostra os esforços desenvolvidos. Têm vários parceiros e uma relação especial com a União Europeia (UE) e isso é muito importante para o futuro”, referiu. “Não penso que estamos (EUA) em posição de expressar uma opinião sobre uma eventual adesão do país à OTAN, ou sobre um convite ao país para integrar a OTAn. A questão importante é saber se estão a colaborar com os parceiros e se estão a realizar progressos na luta contra o tráfico de droga. E, ambos os casos, a minha resposta é sim, o que irá abrir portas de muitos lados”, frisou Myles.
“Um parceiro que tem caminhado na direcção certa e que tem mostrado melhorias na luta contra o tráfico de droga, afectando recursos (financeiros e humanos) para essa prioridade, obviamente que vai abrir ainda mais portas a parceiros. Cabo Verde, aliás, tem-se mostrado um parceiro muito fiável, de muitas maneiras”, adiantou. Já Mary Yates, instada a pronunciar-se sobre o papel que Portugal pode desenvolver no combate ao tráfico de droga na África Ocidental, nomeadamente em Cabo Verde e Guiné-Bissau, indicou que as autoridades de Lisboa estão a trabalhar já nas formas de actuação a seguir, integrando-se nas acções de cooperação bilateral e multilateral. “Temos uma excelente cooperação com Portugal, onde já estive (em Novembro de 2008), e temos em curso uma acção conjunta na área da formação da Polícia, entre outras acções. Mas estamos a procurar novas formas de cooperação, aos níveis bilateral e multilateral, e é por isso que irei ainda ao Gana, Senegal e Guiné-Bissau, para tentar apoiar o processo de reformas no domínio da segurança”, referiu.
Sobre a eventualidade de Cabo Verde poder vir a albergar a sede do Africom, Yates reiterou o que já tinha dito em Novembro último, quando esteve em Lisboa, lembrando que “até 2012, (a sede do Africom) manter-se-á em Estugarda. Por isso, com a nossa presença lá, e em colaboração estreita com os governos da África Ocidental e com os aliados europeus, é uma boa solução para encontrarmos soluções”, referiu. Yates chegou quinta-feira à noite à Praia para manter encontros com os ministros cabo-verdianos da Defesa, Cristina Lima, e dos Negócios Estrangeiros, José Brito, com quem analisou o reforço da cooperação norte-americana em vários domínios, com realce para o apoio às acções conjuntas no combate ao tráfico de droga.
EUA: Republicanos criticam estudo sobre mau cheiro de porcos
O mau cheiro dos porcos no Estado norte-americano do Iowa, que incomoda seriamente os habitantes que moram perto de suiniculturas, vai ser alvo de um estudo, contestado pelos republicanos, que invocam desperdício de verbas.
No Iowa, onde vivem três milhões de pessoas, existem 20 milhões de porcos.
"Como um murro no estômago", o cheiro dos bichos entranha-se nas casas, paredes-meias com as explorações suinícolas. Durante uma semana, Karen Forbes, uma moradora da localidade de Lorimor, não conseguiu sair à rua, tal a intensidade do odor, que "queimava os olhos" e cortava a respiração.
O caso dos maus cheiros, que se arrasta há vários anos, já levou habitantes a recorrerem à Justiça, queixando-se da desvalorização das suas casas e de problemas de saúde. Um antigo suinicultor confessou mesmo que, desde que deixou a actividade e se mudou para a cidade, livrou-se praticamente das dores de cabeça que o levaram a uma cama de uma clínica.
No Iowa, onde vivem três milhões de pessoas, existem 20 milhões de porcos.
"Como um murro no estômago", o cheiro dos bichos entranha-se nas casas, paredes-meias com as explorações suinícolas. Durante uma semana, Karen Forbes, uma moradora da localidade de Lorimor, não conseguiu sair à rua, tal a intensidade do odor, que "queimava os olhos" e cortava a respiração.
O caso dos maus cheiros, que se arrasta há vários anos, já levou habitantes a recorrerem à Justiça, queixando-se da desvalorização das suas casas e de problemas de saúde. Um antigo suinicultor confessou mesmo que, desde que deixou a actividade e se mudou para a cidade, livrou-se praticamente das dores de cabeça que o levaram a uma cama de uma clínica.
Índia: Festa taurina de Goa procura sair da clandestinidade
Com as eleições indianas à porta, ecologistas e políticos do pequeno Estado indiano de Goa (ocidente) batalham pela legalização da "luta de touros", um tradicional espectáculo taurino proibido mas com muitos aficionados na antiga colónia portuguesa.
"Já iniciei os trâmites no Parlamento para legalizá-lo de novo. E, se ganhar nas eleições, continuarei com o processo", assegurou por telefone o deputado cessante de Goa-Sul, Francisco Sardinha, do Partido do Congresso (no poder).
A versão da corrida em Goa, chamada "dhirio", é um combate entre touros, que desperta paixões num amplo sector da sociedade goesa, mas que foi proibido em 1998, por uma lei contra os maus-tratos aos animais. Os organizadores untam o rabo dos touros para garantir a sua agressividade e os animais lutam com os chifres em pontas até que um deles, normalmente ferido, ceda face à investida do adversário.
E agora, a iniciativa de Sardinha para devolver cobertura legal aos combates suscitou a fúria das associações protectoras dos animais, precisamente as que porfiaram junto do Supremo Tribunal para obter a legalização. "Os animais sofrem. Normalmente dão-lhes uma dieta pouco saudável e enchem-nos de álcool, antes do combate. Costumam ficar logo feridos pelas cornadas", assegurou a activista Anuradha Sawhney, da PETA.
Até 1998, quando o Supremo proibiu a prática, o "dhirio" era o passatempo de fim-de-semana para milhares de famílias, que vinham para descontrair e apostar somas de dinheiro a favor do seu touro favorito. A proibição do Tribunal não implicou o desaparecimento das corridas, que continuam a ser organizadas na clandestinidade - há vídeos que o testemunham na Internet - e com apenas meia hora de antecedência para baralhar a Polícia. Para os agentes, mal equipados, é difícil actuar contra dois touros descontrolados e terminar com estes espectáculos, cujos organizadores aparecem e desaparecem, ainda por cima quando a multa prevista é de apenas 50 rupias (1 dólar, 0,79 euros).
"Por Deus!, continua a ser muito popular e é lógico: quando dois búfalos lutam de forma natural, a gente quer vê-los. Se for organizado um combate, o êxito é seguro", defendeu Sardinha, que disse querer manter-se à margem dos encontros clandestinos. "Todos os animais lutam na natureza e o mais forte sobrevive. Proibimos o boxe, o futebol, porque há crueldade? Se a gente toma o leite que a vaca gera para a sua cria, isso é violência?", questionou o deputado.
A PETA e outras associações, como People For Animals (PFA), acham que sim e fizeram chegar uma missiva ao líder do Partido do Congresso, Sónia Gandhi, para travar as intenções do seu deputado Sardinha, que quer fazer reviver esta tradição. "A lei de Sardinha viola a Constituição, que inclui o dever do cidadão de ter compaixão pelas criaturas vivas. E, além disso, as lutas contrariam a Lei de prevenção da Crueldade Animal. É uma posição puramente eleitoralista", denunciou Sawhney.
Goa, una antiga colónia portuguesa com uma forte presença de cristãos, está menos apegada que outras regiões indianas ao carácter sagrado que a vaca tem para os hindus, e os defensores do
"dhirio" argumentam para defendê-lo que a tradição tem "séculos de antiguidade".
A polémica sobre o "dhirio" corre em paralelo à de outras festas taurinas que se realizam na Índia, como o "jallikattu", um festival do sul do país durante o qual os aficionados têm de agarrar com as mãos um touro em pontas.
"Já iniciei os trâmites no Parlamento para legalizá-lo de novo. E, se ganhar nas eleições, continuarei com o processo", assegurou por telefone o deputado cessante de Goa-Sul, Francisco Sardinha, do Partido do Congresso (no poder).
A versão da corrida em Goa, chamada "dhirio", é um combate entre touros, que desperta paixões num amplo sector da sociedade goesa, mas que foi proibido em 1998, por uma lei contra os maus-tratos aos animais. Os organizadores untam o rabo dos touros para garantir a sua agressividade e os animais lutam com os chifres em pontas até que um deles, normalmente ferido, ceda face à investida do adversário.
E agora, a iniciativa de Sardinha para devolver cobertura legal aos combates suscitou a fúria das associações protectoras dos animais, precisamente as que porfiaram junto do Supremo Tribunal para obter a legalização. "Os animais sofrem. Normalmente dão-lhes uma dieta pouco saudável e enchem-nos de álcool, antes do combate. Costumam ficar logo feridos pelas cornadas", assegurou a activista Anuradha Sawhney, da PETA.
Até 1998, quando o Supremo proibiu a prática, o "dhirio" era o passatempo de fim-de-semana para milhares de famílias, que vinham para descontrair e apostar somas de dinheiro a favor do seu touro favorito. A proibição do Tribunal não implicou o desaparecimento das corridas, que continuam a ser organizadas na clandestinidade - há vídeos que o testemunham na Internet - e com apenas meia hora de antecedência para baralhar a Polícia. Para os agentes, mal equipados, é difícil actuar contra dois touros descontrolados e terminar com estes espectáculos, cujos organizadores aparecem e desaparecem, ainda por cima quando a multa prevista é de apenas 50 rupias (1 dólar, 0,79 euros).
"Por Deus!, continua a ser muito popular e é lógico: quando dois búfalos lutam de forma natural, a gente quer vê-los. Se for organizado um combate, o êxito é seguro", defendeu Sardinha, que disse querer manter-se à margem dos encontros clandestinos. "Todos os animais lutam na natureza e o mais forte sobrevive. Proibimos o boxe, o futebol, porque há crueldade? Se a gente toma o leite que a vaca gera para a sua cria, isso é violência?", questionou o deputado.
A PETA e outras associações, como People For Animals (PFA), acham que sim e fizeram chegar uma missiva ao líder do Partido do Congresso, Sónia Gandhi, para travar as intenções do seu deputado Sardinha, que quer fazer reviver esta tradição. "A lei de Sardinha viola a Constituição, que inclui o dever do cidadão de ter compaixão pelas criaturas vivas. E, além disso, as lutas contrariam a Lei de prevenção da Crueldade Animal. É uma posição puramente eleitoralista", denunciou Sawhney.
Goa, una antiga colónia portuguesa com uma forte presença de cristãos, está menos apegada que outras regiões indianas ao carácter sagrado que a vaca tem para os hindus, e os defensores do
"dhirio" argumentam para defendê-lo que a tradição tem "séculos de antiguidade".
A polémica sobre o "dhirio" corre em paralelo à de outras festas taurinas que se realizam na Índia, como o "jallikattu", um festival do sul do país durante o qual os aficionados têm de agarrar com as mãos um touro em pontas.
quarta-feira, março 04, 2009
Mais um caso de Direito Internacional...
Por Ferreira Fernandes, in DN
Um português podia ter resolvido a II Guerra Mundial (é certo que para o mau lado) e falhou. Documentos confidenciais do MI5, tornados públicos (ontem, em todos os jornais ingleses), contam a história de Gastão de Freitas Ferraz, espião nazi e radiotelegrafista do navio-hospital Gil Eannes que fazia a rota da Terra Nova em apoio aos bacalhoeiros.
Entre uma ida e volta ao fiel amigo, Ferraz informava os submarinos alemães sobre os comboios navais aliados.
Em 1942, a sua actividade tornou-se crucial: os americanos preparavam a "Operação Torch". Ora os navios com as tropas do general Patton, rumo ao desembarque no Norte de África, podiam cruzar a frota pesqueira portuguesa. Se Ferraz conseguisse avisar os alemães, teria mudado, talvez, o desfecho da guerra. Mas o Gil Eannes foi interceptado, em pleno mar, por barco de guerra inglês, o Ferraz foi preso e levado para Londres, onde confessou. Desculpem se mal pergunto: o Gil Eannes era de país neutral e foi interceptado?! E um cidadão português foi preso por militares estrangeiros quando estava em barco de pavilhão português?! Fico com esta dúvida: devo solidarizar-me com a vítima Gilberto de Freitas Ferraz?
Um português podia ter resolvido a II Guerra Mundial (é certo que para o mau lado) e falhou. Documentos confidenciais do MI5, tornados públicos (ontem, em todos os jornais ingleses), contam a história de Gastão de Freitas Ferraz, espião nazi e radiotelegrafista do navio-hospital Gil Eannes que fazia a rota da Terra Nova em apoio aos bacalhoeiros.
Entre uma ida e volta ao fiel amigo, Ferraz informava os submarinos alemães sobre os comboios navais aliados.
Em 1942, a sua actividade tornou-se crucial: os americanos preparavam a "Operação Torch". Ora os navios com as tropas do general Patton, rumo ao desembarque no Norte de África, podiam cruzar a frota pesqueira portuguesa. Se Ferraz conseguisse avisar os alemães, teria mudado, talvez, o desfecho da guerra. Mas o Gil Eannes foi interceptado, em pleno mar, por barco de guerra inglês, o Ferraz foi preso e levado para Londres, onde confessou. Desculpem se mal pergunto: o Gil Eannes era de país neutral e foi interceptado?! E um cidadão português foi preso por militares estrangeiros quando estava em barco de pavilhão português?! Fico com esta dúvida: devo solidarizar-me com a vítima Gilberto de Freitas Ferraz?
Mariza em grande nos tops dos EUA e Canadá
Fadista ocupa o 5º lugar da tabela norte-americana de World Music.
O sucesso da digressão de Mariza pela América do Norte está a ser acompanhado pelo aumento de vendas de discos nos EUA e Canadá.
Segundo a editora EMI, o álbum Terra ocupa actualmente o quinto lugar do top Billboard World Music, tabela norte-americana que acompanha as vendas de discos da chamada "música do mundo". Já no Canadá, a fadista está na terceira posição do top de world music.
O mais recente disco de estúdio de Mariza foi editado nos EUA e Canadá em Janeiro e a tournée arrancou em Toronto no passado dia 13 de Fevereiro. A maior digressão de sempre da cantora passará por salas de renome como o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, ou o Masonic Auditorium, em São Francisco.
No última sábado, Mariza actuou em Nova Iorque, perante um Town Hall completamente cheio. Os bilhetes esgotaram uma semana antes do espectáculo.
O sucesso da digressão de Mariza pela América do Norte está a ser acompanhado pelo aumento de vendas de discos nos EUA e Canadá.
Segundo a editora EMI, o álbum Terra ocupa actualmente o quinto lugar do top Billboard World Music, tabela norte-americana que acompanha as vendas de discos da chamada "música do mundo". Já no Canadá, a fadista está na terceira posição do top de world music.
O mais recente disco de estúdio de Mariza foi editado nos EUA e Canadá em Janeiro e a tournée arrancou em Toronto no passado dia 13 de Fevereiro. A maior digressão de sempre da cantora passará por salas de renome como o Walt Disney Concert Hall, em Los Angeles, ou o Masonic Auditorium, em São Francisco.
No última sábado, Mariza actuou em Nova Iorque, perante um Town Hall completamente cheio. Os bilhetes esgotaram uma semana antes do espectáculo.
segunda-feira, março 02, 2009
O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo: a receita do sucesso
Empresário vai mais que duplicar capacidade de produção para fazer frente à procura.
Pode parecer pretensioso, mas fomos conhecer O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Não somos nós que o dizemos, é o empresário que o criou, Carlos Braz Lopes.
Tudo começou por brincadeira, mas o negócio é cada vez mais um caso sério de sucesso. Está presente em Espanha e Brasil, além de Portugal, e a lista de novos candidatos é longa.
A marca tem uma única loja em Portugal, em Lisboa, em Campo de Ourique, com o nome de O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo e, "hoje em dia, é normal os clientes fazerem fila à porta da loja para comprar uma fatia de bolo", refere. No que toca às encomendas de bolos inteiros, os clientes esperam dois ou três dias pela sua vez. "Nas ocasiões especiais, como o Natal, as encomendas chegam a ser feitas com três meses de antecedência".
Por dia, são vendidos 50 a 60 bolos e ao fim-de-semana (sextas e sábados), o número praticamente triplica.
O empresário tem também pontos de venda no Porto e em Aveiro, onde entrega, uma vez por semana, 70 a 80 bolos para fazer face às encomendas.
Mas não é só em Portugal que O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo faz sucesso. Uma jornalista brasileira passou por Campo de Ourique e incluiu a loja num artigo sobre pontos a não perder em Lisboa, publicado na Veja. O bolo fez sucesso entre os brasileiros e não demorou até que amigos de amigos mostrassem interesse em levar o produto para o país irmão.
Actualmente Carlos Lopes tem, em parceria com uma empresária brasileira, quatro lojas em São Paulo.
Uma amiga levou também o negócio para Espanha, onde é hoje revendedora da marca, existindo apenas um ponto de venda, embora já esteja planeada a abertura de uma loja.
Numa altura em que tantas empresas se queixam da crise e da queda de encomendas, este empresário só tem um problema: capacidade de produção insuficiente para responder a tantos pedidos. Os 300 bolos vendidos, por exemplo, na véspera de Natal, podiam ser 500.
"Estou já a tratar de aumentar a capacidade de produção, mas é um processo demorado. É preciso uma fábrica, licenças da Câmara, tem de passar pela ASAE...", desabafa. A capacidade vai mais do que duplicar, para responder às encomendas que chegam de todos os pontos do país e até para permitir a abertura da loja em Madrid.
Em 2006, a empresa facturou 300 mil euros, o valor chegou aos 500 mil em 2008 e o empresário espera atingir um milhão este ano. No Brasil, a facturação ascendeu a 1,3 milhões de reais no ano passado e agora com quatro lojas (três abriram apenas no final de 2008), aponta-se para um aumento de 50% em 2009.
Mas no que toca a planos para o futuro, o empresário está "aberto a novas experiências". No Brasil, há contactos para abrir uma loja no Rio de Janeiro e propostas para vários outros Estados, mas primeiro Carlos Lopes quer ver como corre o funcionamento das primeiras quatro lojas em pleno.
Actualmente o empresário está "a estudar seriamente" uma proposta que recebeu para levar o negócio para Kuala Lumpur.
Em Portugal, têm surgido "muitas propostas de franchising", todas recusadas. "Não quero entregar a receita a mais ninguém", diz. No país existem agora apenas cinco pessoas que sabem a receita. "São as funcionárias da produção", refere. No Brasil, há quem saiba o segredo por inteiro e pessoas que apenas sabem parte dele. "Uns sabem uma parte da confecção, outros sabem de outra parte", refere.
O segredo continua a ser a alma do negócio. Mas para quem quer saber como se finta uma crise, Carlos Lopes tem apenas uma palavra a dizer: "Inovem!".
Pode parecer pretensioso, mas fomos conhecer O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo. Não somos nós que o dizemos, é o empresário que o criou, Carlos Braz Lopes.
Tudo começou por brincadeira, mas o negócio é cada vez mais um caso sério de sucesso. Está presente em Espanha e Brasil, além de Portugal, e a lista de novos candidatos é longa.
A marca tem uma única loja em Portugal, em Lisboa, em Campo de Ourique, com o nome de O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo e, "hoje em dia, é normal os clientes fazerem fila à porta da loja para comprar uma fatia de bolo", refere. No que toca às encomendas de bolos inteiros, os clientes esperam dois ou três dias pela sua vez. "Nas ocasiões especiais, como o Natal, as encomendas chegam a ser feitas com três meses de antecedência".
Por dia, são vendidos 50 a 60 bolos e ao fim-de-semana (sextas e sábados), o número praticamente triplica.
O empresário tem também pontos de venda no Porto e em Aveiro, onde entrega, uma vez por semana, 70 a 80 bolos para fazer face às encomendas.
Mas não é só em Portugal que O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo faz sucesso. Uma jornalista brasileira passou por Campo de Ourique e incluiu a loja num artigo sobre pontos a não perder em Lisboa, publicado na Veja. O bolo fez sucesso entre os brasileiros e não demorou até que amigos de amigos mostrassem interesse em levar o produto para o país irmão.
Actualmente Carlos Lopes tem, em parceria com uma empresária brasileira, quatro lojas em São Paulo.
Uma amiga levou também o negócio para Espanha, onde é hoje revendedora da marca, existindo apenas um ponto de venda, embora já esteja planeada a abertura de uma loja.
Numa altura em que tantas empresas se queixam da crise e da queda de encomendas, este empresário só tem um problema: capacidade de produção insuficiente para responder a tantos pedidos. Os 300 bolos vendidos, por exemplo, na véspera de Natal, podiam ser 500.
"Estou já a tratar de aumentar a capacidade de produção, mas é um processo demorado. É preciso uma fábrica, licenças da Câmara, tem de passar pela ASAE...", desabafa. A capacidade vai mais do que duplicar, para responder às encomendas que chegam de todos os pontos do país e até para permitir a abertura da loja em Madrid.
Em 2006, a empresa facturou 300 mil euros, o valor chegou aos 500 mil em 2008 e o empresário espera atingir um milhão este ano. No Brasil, a facturação ascendeu a 1,3 milhões de reais no ano passado e agora com quatro lojas (três abriram apenas no final de 2008), aponta-se para um aumento de 50% em 2009.
Mas no que toca a planos para o futuro, o empresário está "aberto a novas experiências". No Brasil, há contactos para abrir uma loja no Rio de Janeiro e propostas para vários outros Estados, mas primeiro Carlos Lopes quer ver como corre o funcionamento das primeiras quatro lojas em pleno.
Actualmente o empresário está "a estudar seriamente" uma proposta que recebeu para levar o negócio para Kuala Lumpur.
Em Portugal, têm surgido "muitas propostas de franchising", todas recusadas. "Não quero entregar a receita a mais ninguém", diz. No país existem agora apenas cinco pessoas que sabem a receita. "São as funcionárias da produção", refere. No Brasil, há quem saiba o segredo por inteiro e pessoas que apenas sabem parte dele. "Uns sabem uma parte da confecção, outros sabem de outra parte", refere.
O segredo continua a ser a alma do negócio. Mas para quem quer saber como se finta uma crise, Carlos Lopes tem apenas uma palavra a dizer: "Inovem!".
Mulher de Nino Vieira refugiada na embaixada angolana em Bissau
A mulher de Nino Vieira, Isabel Romano Vieira, encontra-se refugiada na embaixada de Angola em Bissau, disse à Reuters um coronel reformado, Sandji Fati, que era pessoa próximo do Presidente da República da Guiné-Bissau.
"Nino Vieira recusou-se a deixar a sua residência quando diplomatas da embaixada angolana apareceram para o levar a ela e à mulher para um lugar seguro", contou aquele militar, que tal como fontes da segurança confirmaram a morte do chefe de Estado por alguns militares, durante a madrugada de hoje. A maior parte da população permanecia esta manhã dentro de casa e "não se percebia quem é que estava no controlo" da situação, noticiou o correspondente da Reuters, Albert Dabo.
Uma fonte da segurança disse que os soldados saquearam a residência do Presidente depois de o terem morto, quando ele estaria finalmente a procurar sair de lá.
O Chefe do Estado-Maior General, Tagme Na Waie, "sempre disse que o seu destino e o do Presidente estavam ligados e que se ele morresse Nino também morreria", contou aquela fonte, citada pela Reuters.
"Há uma da manhã soldados que apoiavam Na Waie derrubaram as portas da cela na polícia judiciária e libertaram seis pessoas suspeitas de em 23 de Novembro de 2008 terem atacado a residência de Nino Vieira", contou entretanto um funcionário da Judiciária, que pediu o anonimato.
[Já aqui tínhamos dado destaque às palavras do General Tagme Na Waie quando, há pouco mais de dois meses, afirmou que tinha escapado a um atentado. Poucas vozes se levantaram, na altura, a dar-lhe apoio ou solidariedade. O que se sabia era das grandes divergências entre o General e Nino Vieira (o primeiro tinha feito parte da Junta Militar que derrubou o segundo num golpe de Estado...). Sabia-se também que uma ala do exército estava com o "seu" General. Agora, essa ala respondeu ao assassínio de Na Waie assassinando o Chefe de Estado eleito! Tudo normal... para um Estado falhado.
Também já aqui tínhamos falado dos interesses instalados que mexem os cordelinhos, a seu bel-prazer, neste país que tanto tem sofrido.
Fica a pergunta: os militares golpistas instalam um novo Preisdente da República ou são marcadas novas eleições?]
"Nino Vieira recusou-se a deixar a sua residência quando diplomatas da embaixada angolana apareceram para o levar a ela e à mulher para um lugar seguro", contou aquele militar, que tal como fontes da segurança confirmaram a morte do chefe de Estado por alguns militares, durante a madrugada de hoje. A maior parte da população permanecia esta manhã dentro de casa e "não se percebia quem é que estava no controlo" da situação, noticiou o correspondente da Reuters, Albert Dabo.
Uma fonte da segurança disse que os soldados saquearam a residência do Presidente depois de o terem morto, quando ele estaria finalmente a procurar sair de lá.
O Chefe do Estado-Maior General, Tagme Na Waie, "sempre disse que o seu destino e o do Presidente estavam ligados e que se ele morresse Nino também morreria", contou aquela fonte, citada pela Reuters.
"Há uma da manhã soldados que apoiavam Na Waie derrubaram as portas da cela na polícia judiciária e libertaram seis pessoas suspeitas de em 23 de Novembro de 2008 terem atacado a residência de Nino Vieira", contou entretanto um funcionário da Judiciária, que pediu o anonimato.
[Já aqui tínhamos dado destaque às palavras do General Tagme Na Waie quando, há pouco mais de dois meses, afirmou que tinha escapado a um atentado. Poucas vozes se levantaram, na altura, a dar-lhe apoio ou solidariedade. O que se sabia era das grandes divergências entre o General e Nino Vieira (o primeiro tinha feito parte da Junta Militar que derrubou o segundo num golpe de Estado...). Sabia-se também que uma ala do exército estava com o "seu" General. Agora, essa ala respondeu ao assassínio de Na Waie assassinando o Chefe de Estado eleito! Tudo normal... para um Estado falhado.
Também já aqui tínhamos falado dos interesses instalados que mexem os cordelinhos, a seu bel-prazer, neste país que tanto tem sofrido.
Fica a pergunta: os militares golpistas instalam um novo Preisdente da República ou são marcadas novas eleições?]
Guiné-Bissau: "Nino" Vieira foi assassinado
O Presidente da Guiné Bissau, "Nino" Vieira, morreu esta madrugada na sequência de um ataque contra a sua residência, informou hoje à Agência Lusa fonte da Presidência guineense.
A mesma fonte disse à Lusa ter visto o corpo de "Nino" Vieira, que se encontra na sua residência, junto de familiares.
A casa do chefe de Estado guineense foi atacada na madrugada de hoje por militares das Forças Armadas, poucas horas após o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, ter morrido num atentado à bomba.
A mesma fonte disse à Lusa ter visto o corpo de "Nino" Vieira, que se encontra na sua residência, junto de familiares.
A casa do chefe de Estado guineense foi atacada na madrugada de hoje por militares das Forças Armadas, poucas horas após o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, general Tagmé Na Waié, ter morrido num atentado à bomba.
Olivença quer evitar a "morte" do português oliventino
A necessidade de evitar a "morte" do português oliventino foi hoje defendida pelos promotores de um debate, marcado para sábado na vila fronteiriça de Olivença, onde o uso do português está hoje reduzido aos idosos.
A jornada sobre o português oliventino está a cargo da associação cultural Além Guadiana, devendo contar na abertura com a presença do presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández Vara.
Em Olivença, território português ocupado por Espanha, fala-se o português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas, quando estão em "ambiente familiar".
"Esta jornada é da máxima importância, uma vez que o português oliventino está quase morto", reconheceu hoje Manuel Sánchez, da direcção da associação Além Guadiana.
"Acima de tudo, queremos dar a conhecer esta realidade. Queremos revitalizar este dialecto e dar dignidade ao português", afirmou.
Olivença está localizada na margem esquerda do Rio Guadiana, a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas.
A jornada sobre o português oliventino está a cargo da associação cultural Além Guadiana, devendo contar na abertura com a presença do presidente da Junta da Extremadura espanhola, Guillermo Fernández Vara.
Em Olivença, território português ocupado por Espanha, fala-se o português desde a Idade Média, embora o seu uso se encontre hoje reduzido às camadas mais idosas, quando estão em "ambiente familiar".
"Esta jornada é da máxima importância, uma vez que o português oliventino está quase morto", reconheceu hoje Manuel Sánchez, da direcção da associação Além Guadiana.
"Acima de tudo, queremos dar a conhecer esta realidade. Queremos revitalizar este dialecto e dar dignidade ao português", afirmou.
Olivença está localizada na margem esquerda do Rio Guadiana, a 23 quilómetros da cidade portuguesa de Elvas.
Descoberta nova espécie de dinossauro em Portugal
Chama-se "Miragaia longicollum" porque tem o pescoço longo, foi descoberto na Lourinhã e é uma nova espécie de dinossauro. A equipa do paleontólogo Octávio Mateus já publicou um artigo científico.
Quando o paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa, foi alertado há dez anos para o achado de um grande osso num caminho agrícola de Miragaia (Lourinhã) não podia saber que esse era o primeiro passo para a descoberta de uma nova espécie de dinossauro em Portugal. Este é um novo estegossauro (com placas ósseas no dorso, a lembrar a imagem de um dragão), que os seus descobridores baptizaram de Miragaia longicollum, um nome cheio de significados. Entre eles, o de pescoço comprido, uma das imagens de marca da espécie. O artigo científico com a descrição do novo dinossauro, que viveu no Jurássico Superior (há 150 milhões de anos), foi publicado na semana passada, na Proceedings of the Royal Society, pela equipa liderada por Octávio Mateus, que conta com uma paleontóloga da Universidade de Cambridge.
As escavações foram feitas em 1999 e 2001. Entre 2002 e 2006, os investigadores fizeram a preparação laboratorial dos fósseis, os moldes e as réplicas. O estudo iniciou-se então e ficou concluído em 2008. "O esqueleto não está completo, mas para um dinossauro é bom", adiantou Octávio Mateus, sublinhando que "o crânio está completo, o que faz dele o único crânio de estegossauro da Europa". Em 2006 a equipa percebeu que aquele não era uma estegossauro como os outros. Este tem um longo pescoço de metro e meio, com 17 vértebras. "Pode haver duas razões para isto", diz Octávio Mateus. "Ou se tratou de uma adaptação, como estratégia de alimentação, por exemplo, ou houve uma selecção sexual, por preferência de parceiros com o pescoço mais compridos". O aparecimento de novas vértebras, por regulação genética e a cervicalização das vértebras dorsais terão conduzido a esse pescoço mais longo. "Mas o que isto demonstra é uma enorme plasticidade evolutiva dos dinossauros", conclui Octávio Mateus.
Quando o paleontólogo Octávio Mateus, do Museu da Lourinhã e da Universidade Nova de Lisboa, foi alertado há dez anos para o achado de um grande osso num caminho agrícola de Miragaia (Lourinhã) não podia saber que esse era o primeiro passo para a descoberta de uma nova espécie de dinossauro em Portugal. Este é um novo estegossauro (com placas ósseas no dorso, a lembrar a imagem de um dragão), que os seus descobridores baptizaram de Miragaia longicollum, um nome cheio de significados. Entre eles, o de pescoço comprido, uma das imagens de marca da espécie. O artigo científico com a descrição do novo dinossauro, que viveu no Jurássico Superior (há 150 milhões de anos), foi publicado na semana passada, na Proceedings of the Royal Society, pela equipa liderada por Octávio Mateus, que conta com uma paleontóloga da Universidade de Cambridge.
As escavações foram feitas em 1999 e 2001. Entre 2002 e 2006, os investigadores fizeram a preparação laboratorial dos fósseis, os moldes e as réplicas. O estudo iniciou-se então e ficou concluído em 2008. "O esqueleto não está completo, mas para um dinossauro é bom", adiantou Octávio Mateus, sublinhando que "o crânio está completo, o que faz dele o único crânio de estegossauro da Europa". Em 2006 a equipa percebeu que aquele não era uma estegossauro como os outros. Este tem um longo pescoço de metro e meio, com 17 vértebras. "Pode haver duas razões para isto", diz Octávio Mateus. "Ou se tratou de uma adaptação, como estratégia de alimentação, por exemplo, ou houve uma selecção sexual, por preferência de parceiros com o pescoço mais compridos". O aparecimento de novas vértebras, por regulação genética e a cervicalização das vértebras dorsais terão conduzido a esse pescoço mais longo. "Mas o que isto demonstra é uma enorme plasticidade evolutiva dos dinossauros", conclui Octávio Mateus.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Cão da Casa Branca descende do canil de Conchita Cintrón
Raça portuguesa é a preferida de Michelle Obama.
O "melhor amigo" de Sasha e Malia, filhas de Barack Obama, já está escolhido: vai mesmo ser um cão-d'água português. Michelle Obama pôs um ponto final nas especulações ao garantir à revista People que a raça portuguesa é a preferida para habitar a Casa Branca. Mas não foi fácil. Como o Presidente norte-americano chegou a dizer, em jeito de brincadeira, "foi mais difícil do que encontrar um secretário do Comércio". E se a escolha foi turbulenta, a história do cão-d'água português também está longe de ser banal. "Dava para escrever um romance", garante Hugo Oliveira, da Associação para a Protecção dos Cães-d'Água.
O "bom temperamento" e o "tamanho adequado" do cão-d'água português, que Michelle fez questão de enaltecer, só são reconhecidos no outro lado do Atlântico porque, nos anos 70, Dayanne Miller tornou a raça popular ao aparecer em fotos com um cão-d'água comprado à toureira luso-chilena Conchita Cintrón. Aliás, a travessia para terras do Tio Sam está intimamente ligada à famosa cavaleira tauromáquica, que morreu em Portugal há cerca de uma semana, aos 86 anos. Foi também uma morte, a do comerciante Vasco Bensaúde, que fez com que Conchita fosse responsável pelo único grupo de cães-d'água existente no mundo.
Vasco Bensaúde foi o "pai da raça". Fazia parte de uma família açoriana abastada, de origem judaica, e desde cedo se dedicou ao comércio marítimo. Os Bensaúde são ainda hoje uma família influente, da qual o ex-presidente Jorge Sampaio é descendente, por parte materna. Vasco dispensava as lides da política, mas mostrou liderança na condução da raça. Tudo começou quando, nos anos 30, em terras algarvias, Bensaúde encontrou e ficou deslumbrado com Leão, cão de companhia de um pescador, que Vasco prontamente decidiu levar para Lisboa. Porém, o pescador não quis vender o animal por preço nenhum e disse mesmo que só o faria se "saísse a sorte grande". O açoriano regressou a Lisboa cabisbaixo, mas semanas depois o inesperado aconteceu: o filho do pescador enviou um telegrama a dizer que Bensaúde podia ir buscar o cão, porque o pai acabara de ganhar a Lotaria (!!).
Leão veio para Lisboa e é dele que descendem todos os cães desta raça que hoje existem no mundo, incluindo o que irá conviver com os Obama. O animal serviu de molde para o estalão da raça e, juntando-se a outros três que viriam do Algarve, foi pai de 30 cachorros. A continuação estava garantida, mas Leão acabaria por morrer na Quinta dos Bensaúde, em Benfica, por alturas da II Guerra Mundial. O Canil Algarbiorum tornou-se mais selectivo, e todos os cães que se desviassem da linhagem estavam condenados a passar a vida num barco dos Bensaúde.
Antes de morrer, Vasco Bensaúde assegurou que alguém continuava o seu trabalho e deixou os seus cães-d'água de herança a uma conhecida criadora de cães: Conchita Cintrón. A cavaleira que criava cães era de origem peruana, e acabaria por se naturalizar portuguesa ao casar com um aristocrata português, Francisco Castelo Branco. Proibida pela lei espanhola de ser matadora, acabaria por se tornar cavaleira. Com muito sucesso. Primeira mulher a tourear nos EUA, admirada por figuras como Orson Welles, soube usar bem a fama e depressa se tornou influente junto da aristocracia norte-americana. A grande maioria dos seus cães acabariam por ser vendidos a americanos ricos que se dispuseram a pagar um bom preço. Segundo Hugo Oliveira, "já na altura, Conchita vendia cães-d'água aos americanos por dois mil dólares". A toureira segurou então as estribeiras da raça até 1974, quando algumas famílias mais abastadas foram expropriadas das suas quintas, na sequência do 25 de Abril. Para os cães, a revolução seria fatal. Mortes por doença, fugas e abatimentos acabariam por fazer Conchita rumar ao México sem nenhum animal. Por pouco a raça não acabou. Nos EUA a raça foi bem estimada e chegaria aos dias de hoje com a reputação que deslumbrou Michelle. Hugo Oliveira não tem dúvidas de que um cão-d'água português será "uma óptima companhia na Casa Branca". E é graças a Bensaúde e Conchita que o cão-d'água faz hoje parte das conversas e, em breve, da companhia, da família Obama.
O "melhor amigo" de Sasha e Malia, filhas de Barack Obama, já está escolhido: vai mesmo ser um cão-d'água português. Michelle Obama pôs um ponto final nas especulações ao garantir à revista People que a raça portuguesa é a preferida para habitar a Casa Branca. Mas não foi fácil. Como o Presidente norte-americano chegou a dizer, em jeito de brincadeira, "foi mais difícil do que encontrar um secretário do Comércio". E se a escolha foi turbulenta, a história do cão-d'água português também está longe de ser banal. "Dava para escrever um romance", garante Hugo Oliveira, da Associação para a Protecção dos Cães-d'Água.
O "bom temperamento" e o "tamanho adequado" do cão-d'água português, que Michelle fez questão de enaltecer, só são reconhecidos no outro lado do Atlântico porque, nos anos 70, Dayanne Miller tornou a raça popular ao aparecer em fotos com um cão-d'água comprado à toureira luso-chilena Conchita Cintrón. Aliás, a travessia para terras do Tio Sam está intimamente ligada à famosa cavaleira tauromáquica, que morreu em Portugal há cerca de uma semana, aos 86 anos. Foi também uma morte, a do comerciante Vasco Bensaúde, que fez com que Conchita fosse responsável pelo único grupo de cães-d'água existente no mundo.
Vasco Bensaúde foi o "pai da raça". Fazia parte de uma família açoriana abastada, de origem judaica, e desde cedo se dedicou ao comércio marítimo. Os Bensaúde são ainda hoje uma família influente, da qual o ex-presidente Jorge Sampaio é descendente, por parte materna. Vasco dispensava as lides da política, mas mostrou liderança na condução da raça. Tudo começou quando, nos anos 30, em terras algarvias, Bensaúde encontrou e ficou deslumbrado com Leão, cão de companhia de um pescador, que Vasco prontamente decidiu levar para Lisboa. Porém, o pescador não quis vender o animal por preço nenhum e disse mesmo que só o faria se "saísse a sorte grande". O açoriano regressou a Lisboa cabisbaixo, mas semanas depois o inesperado aconteceu: o filho do pescador enviou um telegrama a dizer que Bensaúde podia ir buscar o cão, porque o pai acabara de ganhar a Lotaria (!!).
Leão veio para Lisboa e é dele que descendem todos os cães desta raça que hoje existem no mundo, incluindo o que irá conviver com os Obama. O animal serviu de molde para o estalão da raça e, juntando-se a outros três que viriam do Algarve, foi pai de 30 cachorros. A continuação estava garantida, mas Leão acabaria por morrer na Quinta dos Bensaúde, em Benfica, por alturas da II Guerra Mundial. O Canil Algarbiorum tornou-se mais selectivo, e todos os cães que se desviassem da linhagem estavam condenados a passar a vida num barco dos Bensaúde.
Antes de morrer, Vasco Bensaúde assegurou que alguém continuava o seu trabalho e deixou os seus cães-d'água de herança a uma conhecida criadora de cães: Conchita Cintrón. A cavaleira que criava cães era de origem peruana, e acabaria por se naturalizar portuguesa ao casar com um aristocrata português, Francisco Castelo Branco. Proibida pela lei espanhola de ser matadora, acabaria por se tornar cavaleira. Com muito sucesso. Primeira mulher a tourear nos EUA, admirada por figuras como Orson Welles, soube usar bem a fama e depressa se tornou influente junto da aristocracia norte-americana. A grande maioria dos seus cães acabariam por ser vendidos a americanos ricos que se dispuseram a pagar um bom preço. Segundo Hugo Oliveira, "já na altura, Conchita vendia cães-d'água aos americanos por dois mil dólares". A toureira segurou então as estribeiras da raça até 1974, quando algumas famílias mais abastadas foram expropriadas das suas quintas, na sequência do 25 de Abril. Para os cães, a revolução seria fatal. Mortes por doença, fugas e abatimentos acabariam por fazer Conchita rumar ao México sem nenhum animal. Por pouco a raça não acabou. Nos EUA a raça foi bem estimada e chegaria aos dias de hoje com a reputação que deslumbrou Michelle. Hugo Oliveira não tem dúvidas de que um cão-d'água português será "uma óptima companhia na Casa Branca". E é graças a Bensaúde e Conchita que o cão-d'água faz hoje parte das conversas e, em breve, da companhia, da família Obama.
quinta-feira, fevereiro 26, 2009
Português a um passo da orquestra do Youtube
A paixão pela música, que inicialmente pensou ser "um divertimento ocasional", levou o jovem violinista açoriano Rodolfo Botelho Vieira a conquistar vários prémios internacionais, estando agora entre os semi-finalistas para integrar a Orquestra Sinfónica do YouTube.
Além de Rodolfo Vieira, um outro músico português é semi-finalista nesta "corrida": o violinista Tiago Santos, de 20 anos, que frequenta o terceiro ano da Licenciatura em Música da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) de Castelo Branco.
Tiago Santos concorreu à audição virtual do YouTube com três colegas de curso. No total participaram na audição 3000 músicos de 70 países.
A Orquestra Sinfónica do YouTube estreia-se a 15 de Abril no Carnegie Hall de Nova Iorque.
A residir desde 2003 em Chicago, onde está a concluir o doutoramento em violino na Northwestern University, Rodolfo Vieira diz estar "confiante" nos resultados finais da votação, que serão divulgados a 2 de Março, mas reconhece que todos os candidatos "são muito bons".
O projecto YouTube "é verdadeiramente interessante", sublinhou o jovem natural da Ribeira Grande (São Miguel), nos Açores, que sonha desde criança tornar-se um músico profissional.
Além de Rodolfo Vieira, um outro músico português é semi-finalista nesta "corrida": o violinista Tiago Santos, de 20 anos, que frequenta o terceiro ano da Licenciatura em Música da Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) de Castelo Branco.
Tiago Santos concorreu à audição virtual do YouTube com três colegas de curso. No total participaram na audição 3000 músicos de 70 países.
A Orquestra Sinfónica do YouTube estreia-se a 15 de Abril no Carnegie Hall de Nova Iorque.
A residir desde 2003 em Chicago, onde está a concluir o doutoramento em violino na Northwestern University, Rodolfo Vieira diz estar "confiante" nos resultados finais da votação, que serão divulgados a 2 de Março, mas reconhece que todos os candidatos "são muito bons".
O projecto YouTube "é verdadeiramente interessante", sublinhou o jovem natural da Ribeira Grande (São Miguel), nos Açores, que sonha desde criança tornar-se um músico profissional.
A Frase
"Nunca ninguém me há-de ver casado com um muçulmano. Até porque conheço bem o perigo que corremos quando nos relacionamos com pessoas que interpretam literalmente os textos sagrados, como fazem muitos muçulmanos e o cardeal Saraiva Martins."
Ricardo Araújo Pereira, Visão, 26-2-2009
Ricardo Araújo Pereira, Visão, 26-2-2009
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
Investigador do Porto vence prémio de robótica na Irlanda
O investigador Ricardo Severino, do Instituto Politécnico do Porto, conquistou, na University College Cork, da Irlanda, o prémio para a melhor tese de mestrado na área de robótica.
O galardão foi atribuído pela European Wireless Sensor Networks (EWSN), uma das mais prestigiadas conferências internacionais na área científica das redes de sensores, refere um comunicado do IPP.
Ricardo Severino é investigador da unidade CISTER (Sistemas de Computação em Tempo Real), do Instituto Superior de Engenharia do Politécnico do Porto (ISEP.IPP).
A tese de mestrado agora premiada internacionalmente já tinha sido avaliada com 19 valores e foi desenvolvida no âmbito do Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores.
O galardão foi atribuído pela European Wireless Sensor Networks (EWSN), uma das mais prestigiadas conferências internacionais na área científica das redes de sensores, refere um comunicado do IPP.
Ricardo Severino é investigador da unidade CISTER (Sistemas de Computação em Tempo Real), do Instituto Superior de Engenharia do Politécnico do Porto (ISEP.IPP).
A tese de mestrado agora premiada internacionalmente já tinha sido avaliada com 19 valores e foi desenvolvida no âmbito do Mestrado em Engenharia Electrotécnica e de Computadores.
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