A visita da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton ao continente africano, que inclui passagens por Angola e Cabo Verde, será antecedida, a partir de terça-feira, por um Fórum de Cooperação Comercial e Económica EUA-África.
A ministra do Comércio angolana, Idalina Valente, chegou domingo a Nairobi, Quénia, à frente de uma delegação que integra ainda o vice-ministro da Agricultura, José Amaro Tati, para participar no evento (de 4 a 6 de Agosto) que tem como lema "A Realização do Potencial dos AGOA Pela Expansão de Comércio e Investimentos", segundo informa a agência Angop.
Criados 2000, os acordos AGOA - African Growth Opportunity Act (Iniciativa de Oportunidades para o Crescimento Africano) incluem medidas de estímulo económico como a entrada no mercado norte-americano de produtos provenientes dos países africanos, como contrapartida a medidas de boa governação.
A vigência dos acordos era inicialmente de oito anos, mas foi estendida até 2015.
O Fórum é participado por países como Angola, Camarões, Cabo-Verde, República Democrática Congo, Djibuti, Etiópia, Gabão e Gâmbia, Guiné-Bissau, Quénia, Libéria e Madagáscar, Mali, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Níger, São Tomé e Príncipe, África do Sul e Tanzânia.
Durante a deslocação ao continente africano, que se inicia em Nairobi na quarta-feira, Hillary Clinton vai estar em sete países, incluindo Angola e Cabo Verde, sendo este país a última etapa da viagem que termina a 14 de Agosto.
Falando em conferência de imprensa no final da semana passada em Washington, o Secretário de Estado Adjunto para os Assuntos Africanos, Johnnie Carson, afirmou que a viagem servirá para demonstrar o "empenho" da administração Obama em "manter África como uma prioridade" da política externa norte-americana.
Barack Obama, que no início de Julho esteve no Gana e Egipto, e a sua secretária de Estado realizam assim as mais rápidas idas a África de qualquer administração norte-americana.
De acordo com Carson, a visita servirá para sublinhar o desejo norte-americano de fazer parcerias com governos, sector privado, organizações não-governamentais e cidadãos privados "para construir sociedades em que cada indivíduo pode realizar todo o seu potencial".
Entre os temas a abordar, "apresentados pelo Presidente Obama", estão a boa governação, desenvolvimento económico sustentável, saúde pública e educação e assistência à prevenção e resolução de conflitos em África.
Sobre Angola, Carson destacou tratar-se de uma das grandes potências energéticas da África subsariana e grande fornecedor de petróleo e gás natural aos Estados Unidos, um "país emergente" na região e com "enorme potencial económico", com o qual se pretende "fortalecer o relacionamento".
Na agenda de Clinton está um encontro com o presidente angolano José Eduardo dos Santos, e também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Assunção dos Anjos, com quem já esteve reunida há um mês em Washington.
Quanto a Cabo Verde, é "uma história de sucesso africano", um país "governado democraticamente, bem gerido e que tem usado extraordinariamente bem a ajuda económica que recebe dos Estados Unidos, incluindo uma conta no fundo Millennium Challenge", disse Carson.
A visita "vai reafirmar a nossa amizade com Cabo Verde", sublinhou.
terça-feira, agosto 04, 2009
SPE: Estado quer alienar negócio de diamantes
O Estado português quer alienar a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos, cujo principal activo são os 49% que detém na Sociedade Mineira do Lucapa, empresa de exploração de diamantes em Angola.
"Não faz sentido manter esta participação, em termos estratégicos" disse o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina. "Estamos vendedores, independentemente dos seus resultados", afirmou o secretário de Estado, à margem da conferência sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE) em 2008. A SPE, que tem a angolana Endiama como parceira na Sociedade Mineira do Lucapa (SML), já foi transferida do universo da Direcção-Geral do Tesouro (DGT) para a Parpública.
Quanto aos resultados da SPE, criada em 1979, estes não têm sido animadores ao longo da sua história.
Em 2008 o prejuízo atingiu os 1,4 milhões de euros, tendo o resultado operacional sido negativo em um milhão de euros.
[Mais um exemplo de uma empresa estatal mal gerida, que vem acumulando altos prejuízos. Agora quem será o 'mecenas' que a irá comprar e ganhar bom dinheiro com o negócio?]
"Não faz sentido manter esta participação, em termos estratégicos" disse o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina. "Estamos vendedores, independentemente dos seus resultados", afirmou o secretário de Estado, à margem da conferência sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE) em 2008. A SPE, que tem a angolana Endiama como parceira na Sociedade Mineira do Lucapa (SML), já foi transferida do universo da Direcção-Geral do Tesouro (DGT) para a Parpública.
Quanto aos resultados da SPE, criada em 1979, estes não têm sido animadores ao longo da sua história.
Em 2008 o prejuízo atingiu os 1,4 milhões de euros, tendo o resultado operacional sido negativo em um milhão de euros.
[Mais um exemplo de uma empresa estatal mal gerida, que vem acumulando altos prejuízos. Agora quem será o 'mecenas' que a irá comprar e ganhar bom dinheiro com o negócio?]
quinta-feira, julho 30, 2009
Bacai Sanhá vai a Cabo Verde antes da posse para convidar Pedro Pires para investidura
Malam Bacai Sanhá vai efectuar uma visita oficial a Cabo Verde antes de tomar posse como presidente da Guiné-Bissau, com o objectivo de convidar pessoalmente o chefe de Estado cabo-verdiano a estar presente na cerimónia, ainda sem data marcada.
Numa entrevista à Rádio Nacional de Cabo Verde (RNCV), Sanhá, confirmado como vencedor da segunda volta das eleições presidenciais guineenses de domingo, adiantou que Pedro Pires foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro a telefonar-lhe a dar os parabéns pela vitória eleitoral. "O camarada Pires foi o primeiro chefe de Estado a telefonar-me a felicitar-me. Vou fazer todos os possíveis para ir a Cabo Verde antes da minha investidura, para o convidar pessoalmente a estar presente na minha tomada de posse", afirmou Bacai Sanhá, salientando que será o primeiro país que irá visitar já depois de confirmada a sua vitória eleitoral.
O candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que obteve 63,31% dos votos, contra os 36,69% de Kumba Ialá, desdramatizou a questão de uma coabitação com o Governo de Carlos Gomes Júnior, considerando que "nunca houve problemas e nem haverá" entre duas personalidades "que lutam pelos mesmos objectivos e militam no mesmo partido". "(Os rumores de mal estar entre ambos) não são verdade. Aqui a questão da coabitação não existe. Somos do mesmo partido e vamos trabalhar em conjunto para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não houve problemas nem haverá", garantiu.
Assegurando também que pretende ajudar a Guiné-Bissau a promover a paz e estabilidade, Malam Bacai Sanhá elogiou o desenvolvimento registado em Cabo Verde, "país irmão", cujo desempenho é, disse, "um exemplo para a Guiné-Bissau e para a África". "Vamos aproveitar a experiência de Cabo Verde para desenvolver o país", acrescentou, frisando que os "momentos difíceis" registados no passado nas relações entre os dois países estão ultrapassados e que vai tentar ajudar a recuperar, noutros moldes, a "unidade Guiné/Cabo Verde" defendida por Amílcar Cabral. "Hoje não é fácil falar da unidade entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, pois os tempos são outros. Mas vamos trabalhar em conjunto para criarmos uma cooperação exemplar", concluiu Malam Bacai Sanhá que, antes da primeira volta das eleições guineenses, esteve na Cidade da Praia para pedir "apoio e conselhos" a Pedro Pires.
Numa entrevista à Rádio Nacional de Cabo Verde (RNCV), Sanhá, confirmado como vencedor da segunda volta das eleições presidenciais guineenses de domingo, adiantou que Pedro Pires foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro a telefonar-lhe a dar os parabéns pela vitória eleitoral. "O camarada Pires foi o primeiro chefe de Estado a telefonar-me a felicitar-me. Vou fazer todos os possíveis para ir a Cabo Verde antes da minha investidura, para o convidar pessoalmente a estar presente na minha tomada de posse", afirmou Bacai Sanhá, salientando que será o primeiro país que irá visitar já depois de confirmada a sua vitória eleitoral.
O candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que obteve 63,31% dos votos, contra os 36,69% de Kumba Ialá, desdramatizou a questão de uma coabitação com o Governo de Carlos Gomes Júnior, considerando que "nunca houve problemas e nem haverá" entre duas personalidades "que lutam pelos mesmos objectivos e militam no mesmo partido". "(Os rumores de mal estar entre ambos) não são verdade. Aqui a questão da coabitação não existe. Somos do mesmo partido e vamos trabalhar em conjunto para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não houve problemas nem haverá", garantiu.
Assegurando também que pretende ajudar a Guiné-Bissau a promover a paz e estabilidade, Malam Bacai Sanhá elogiou o desenvolvimento registado em Cabo Verde, "país irmão", cujo desempenho é, disse, "um exemplo para a Guiné-Bissau e para a África". "Vamos aproveitar a experiência de Cabo Verde para desenvolver o país", acrescentou, frisando que os "momentos difíceis" registados no passado nas relações entre os dois países estão ultrapassados e que vai tentar ajudar a recuperar, noutros moldes, a "unidade Guiné/Cabo Verde" defendida por Amílcar Cabral. "Hoje não é fácil falar da unidade entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, pois os tempos são outros. Mas vamos trabalhar em conjunto para criarmos uma cooperação exemplar", concluiu Malam Bacai Sanhá que, antes da primeira volta das eleições guineenses, esteve na Cidade da Praia para pedir "apoio e conselhos" a Pedro Pires.
quarta-feira, julho 29, 2009
Ricardo Salgado considera a Ibéria essencial para o desenvolvimento de Portugal
E que tal exportar o Presidente do BES para Espanha e ficar por lá. Parece-me bem. Até de borla.
Aproveita-se a onda, Nacionaliza-se o BES e assim finalmente Ricardo Salgado pode dizer que foi ao MEU BANCO
Aproveita-se a onda, Nacionaliza-se o BES e assim finalmente Ricardo Salgado pode dizer que foi ao MEU BANCO
terça-feira, julho 28, 2009
Federação ibérica seria apoiada por 40% dos portugueses
A concepção de uma federação ibérica é apoiada por um alargado grupo de cidadãos de Portugal e de Espanha.
Um estudo da Universidade de Salamanca, apresentado esta terça-feira, revela que a possibilidade colhe positivamente junto de 40% dos portugueses e de 30% dos espanhóis.
A ideia, no entanto, não é consensual, nem pacífica sequer. Em Espanha, 30,5% da população é contra. O desacordo é muito para 7,5% e apenas 4,1% dariam muito apoio a uma federação ibérica, revela a Barómetro de Opinião Luso-Espanhol.
Foram ouvidas 876 pessoas, 363 das quais portuguesas. E é mesmo deste lado que as opiniões mais se dividem: 13,3% cento dos portugueses mostram-se muito de acordo, 17,7% são indiferentes, 34,1% discordam e 18,5% discordam por completo. A indiferença colhe quase outros 3% nos espanhóis.
Um estudo da Universidade de Salamanca, apresentado esta terça-feira, revela que a possibilidade colhe positivamente junto de 40% dos portugueses e de 30% dos espanhóis.
A ideia, no entanto, não é consensual, nem pacífica sequer. Em Espanha, 30,5% da população é contra. O desacordo é muito para 7,5% e apenas 4,1% dariam muito apoio a uma federação ibérica, revela a Barómetro de Opinião Luso-Espanhol.
Foram ouvidas 876 pessoas, 363 das quais portuguesas. E é mesmo deste lado que as opiniões mais se dividem: 13,3% cento dos portugueses mostram-se muito de acordo, 17,7% são indiferentes, 34,1% discordam e 18,5% discordam por completo. A indiferença colhe quase outros 3% nos espanhóis.
sexta-feira, julho 24, 2009
Jardim inspira-se no modelo das autonomias espanholas
Apesar dos conflitos com Madrid, Alberto João quer importar para a Madeira o modelo das comunidades autónomas espanholas e criar o cargo de presidente da região.
A proposta de revisão constitucional do PSD/Madeira defendida por Jardim na sessão plenária de quarta-feira dedica um capítulo à reconfiguração dos orgãos do Governo Regional.
O PSD chama-lhe "aperfeiçoamento" e o líder madeirense avança com o exemplo das comunidades autónomas de Espanha. Neste âmbito, surge a figura do "presidente da Região Autónoma" que acumula a posição de chefe do Governo Regional, que nomeia e exonera "livremente" os secretários regionais, ganhando, ainda, poderes de veto sobre a legislação produzida.
De acordo com o documento, esta medida tem um objectivo: "Colocar a verdade formal de acordo com a verdade real do sistema político regional." Só que o exemplo de Espanha arrasta consigo, não uma situação pacífica, mas uma lista de conflitos e divergências, sendo que, nalguns pontos, a presença de Madrid é muito mais forte do que se verifica nas regiões autónomas portuguesas relativamente ao poder central.
A Constituição espanhola, no artigo referente aos estatutos das comunidades - rectificados pelas Cortes e posteriormente promulgados pelo Rei -, a organização institucional autonómica tem por base a Assembleia Legislativa, eleita por sufrágio universal, com recurso a um sistema de representação proporcional, um Conselho de Governo com funções executivas e administrativas e um presidente eleito pela Assembleia, entre os seus membros, nomeado pelo Rei.
O presidente e os membros do Conselho de Governo são politicamente responsáveis perante o Parlamento. Só que o controlo dos orgãos das comunidades autónomas espanholas continua a pertencer ao Tribunal Constitucional no que se refere à constitucionalidade das disposições normativas com força de lei, e ao Tribunal de Contas na área financeira. Por outro lado, a Constituição não só se fundamenta num princípio da unidade da nação espanhola, "pátria comum e indivisível de todos os espanhóis", apesar de reconhecer o direito às autonomias, como não estabelece um conteúdo fixo das competências destas comunidades deixando a cada uma delas a liberdade de assumir, através do próprio estatuto mas sempre dentro dos limites fixados pela própria Constituição.
Em Outubro de 2006, Pasqual Maragall, presidente da Generalitat da Catalunha, numa entrevista publicada no DN, defendeu uma revisão da Constituição espanhola.
"A revisão constitucional tem de completar-se. As autonomias estão lá no domínio dos princípios mas não estão concretamente referidas, o que afasta a expressa menção da diferença entre regiões. Essa revisão é indispensável num texto de 1978, que não contempla a entrada de Espanha na Europa, quanto mais a criação de 17 autonomias que não existem?", disse.
A proposta de revisão constitucional do PSD/Madeira defendida por Jardim na sessão plenária de quarta-feira dedica um capítulo à reconfiguração dos orgãos do Governo Regional.
O PSD chama-lhe "aperfeiçoamento" e o líder madeirense avança com o exemplo das comunidades autónomas de Espanha. Neste âmbito, surge a figura do "presidente da Região Autónoma" que acumula a posição de chefe do Governo Regional, que nomeia e exonera "livremente" os secretários regionais, ganhando, ainda, poderes de veto sobre a legislação produzida.
De acordo com o documento, esta medida tem um objectivo: "Colocar a verdade formal de acordo com a verdade real do sistema político regional." Só que o exemplo de Espanha arrasta consigo, não uma situação pacífica, mas uma lista de conflitos e divergências, sendo que, nalguns pontos, a presença de Madrid é muito mais forte do que se verifica nas regiões autónomas portuguesas relativamente ao poder central.
A Constituição espanhola, no artigo referente aos estatutos das comunidades - rectificados pelas Cortes e posteriormente promulgados pelo Rei -, a organização institucional autonómica tem por base a Assembleia Legislativa, eleita por sufrágio universal, com recurso a um sistema de representação proporcional, um Conselho de Governo com funções executivas e administrativas e um presidente eleito pela Assembleia, entre os seus membros, nomeado pelo Rei.
O presidente e os membros do Conselho de Governo são politicamente responsáveis perante o Parlamento. Só que o controlo dos orgãos das comunidades autónomas espanholas continua a pertencer ao Tribunal Constitucional no que se refere à constitucionalidade das disposições normativas com força de lei, e ao Tribunal de Contas na área financeira. Por outro lado, a Constituição não só se fundamenta num princípio da unidade da nação espanhola, "pátria comum e indivisível de todos os espanhóis", apesar de reconhecer o direito às autonomias, como não estabelece um conteúdo fixo das competências destas comunidades deixando a cada uma delas a liberdade de assumir, através do próprio estatuto mas sempre dentro dos limites fixados pela própria Constituição.
Em Outubro de 2006, Pasqual Maragall, presidente da Generalitat da Catalunha, numa entrevista publicada no DN, defendeu uma revisão da Constituição espanhola.
"A revisão constitucional tem de completar-se. As autonomias estão lá no domínio dos princípios mas não estão concretamente referidas, o que afasta a expressa menção da diferença entre regiões. Essa revisão é indispensável num texto de 1978, que não contempla a entrada de Espanha na Europa, quanto mais a criação de 17 autonomias que não existem?", disse.
quinta-feira, julho 23, 2009
Amélia Mingas "cansada de sacrifícios" vai bater com a porta
A directora executiva do IILP - Instituto Internacional de Língua Português, Amélia Mingas, disse hoje que não se vai recandidatar ao cargo em 2010, alegando que está "cansada de ser sacrificada". "Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios", afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.
"Quais foram os meios que nos deram para trabalhar de outra maneira? Nenhuns!", frisou. Amélia Mingas comentava os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu segunda-feira na Cidade da Praia, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989. Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderá trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: "Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato." "Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata", sustentou.
Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP podem explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP. "Essa resposta os ministros é que poderão responder. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso", sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito "antes da criação do próprio Instituto" e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996. "Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto...", criticou. Amélia Mingas mostrou-se esperançada em que o Instituto possa dar um passo em frente, agora que os chefes da diplomacia dos "oito" deram conta de que as coisas estão "mesmo muito mal". "Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema", disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros volta a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.
"Quais foram os meios que nos deram para trabalhar de outra maneira? Nenhuns!", frisou. Amélia Mingas comentava os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu segunda-feira na Cidade da Praia, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989. Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderá trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: "Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato." "Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata", sustentou.
Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP podem explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP. "Essa resposta os ministros é que poderão responder. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso", sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito "antes da criação do próprio Instituto" e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996. "Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto...", criticou. Amélia Mingas mostrou-se esperançada em que o Instituto possa dar um passo em frente, agora que os chefes da diplomacia dos "oito" deram conta de que as coisas estão "mesmo muito mal". "Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema", disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros volta a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.
Kumba Ialá pede a apoiantes para baterem em quem tentar manipular eleições
O candidato apoiado pelo Partido de Renovação Social às presidenciais da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, foi a Bafatá, no centro do país, pedir aos eleitores para baterem nas pessoas que tentarem manipular a votação de domingo.
"Quem a população surpreender com sacos de dinheiro, boletins falsos para tentar manipular qualquer coisa é melhor tratar-lhe o corpo (...) antes de o levar para o hospital", pediu Ialá, ressalvando imediatamente que, às vezes, é preciso usar "violência democrática". "Eu sou contra a violência, mas por vezes é preciso usar a violência necessária para impor a ordem, para acabar com a anarquia. É preciso a violência democrática, para acabar com a violência anárquica e fascista", explica o antigo presidente guineense. No comício, Ialá fez também um "forte apelo" ao voto dos eleitores guineenses.
Na primeira volta do escrutínio, realizada a 28 de Junho, a abstenção foi de 40%, a maior de sempre registada no país. "Aproveito estas câmaras para lançar um forte apelo para que toda a população guineense, toda a nação guineense, amante da paz, amante da democracia, amante do progresso, no dia 26 deixe todas as outras coisas pequeninas de lado e, dê prioridade ao voto", afirmou Ialá, num comício na cidade onde nasceu Amílcar Cabral. "Porque no dia 26 vamos decidir o futuro da Guiné-Bissau. Ou a Guiné-Bissau se constrói definitivamente e segue definitivamente o rumo da paz e democracia ou racha definitivamente e leva cem anos sem paradeiro", alertou o antigo chefe de Estado do país.
Durante o comício Kumba Ialá explicou também aos seus apoiantes que pretende, se for eleito presidente do país, dar condições de saúde às populações e construir escolar e residências de professores em todas as regiões. Ialá voltou a lançar fortes ataques ao primeiro-ministro do país, Carlos Gomes Júnior, e ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), responsabilizando-os pelo atraso no desenvolvimento do país.
"Quem a população surpreender com sacos de dinheiro, boletins falsos para tentar manipular qualquer coisa é melhor tratar-lhe o corpo (...) antes de o levar para o hospital", pediu Ialá, ressalvando imediatamente que, às vezes, é preciso usar "violência democrática". "Eu sou contra a violência, mas por vezes é preciso usar a violência necessária para impor a ordem, para acabar com a anarquia. É preciso a violência democrática, para acabar com a violência anárquica e fascista", explica o antigo presidente guineense. No comício, Ialá fez também um "forte apelo" ao voto dos eleitores guineenses.
Na primeira volta do escrutínio, realizada a 28 de Junho, a abstenção foi de 40%, a maior de sempre registada no país. "Aproveito estas câmaras para lançar um forte apelo para que toda a população guineense, toda a nação guineense, amante da paz, amante da democracia, amante do progresso, no dia 26 deixe todas as outras coisas pequeninas de lado e, dê prioridade ao voto", afirmou Ialá, num comício na cidade onde nasceu Amílcar Cabral. "Porque no dia 26 vamos decidir o futuro da Guiné-Bissau. Ou a Guiné-Bissau se constrói definitivamente e segue definitivamente o rumo da paz e democracia ou racha definitivamente e leva cem anos sem paradeiro", alertou o antigo chefe de Estado do país.
Durante o comício Kumba Ialá explicou também aos seus apoiantes que pretende, se for eleito presidente do país, dar condições de saúde às populações e construir escolar e residências de professores em todas as regiões. Ialá voltou a lançar fortes ataques ao primeiro-ministro do país, Carlos Gomes Júnior, e ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), responsabilizando-os pelo atraso no desenvolvimento do país.
São Tomé assina com Portugal acordo de paridade cambial
São Tomé e Príncipe e Portugal assinam na próxima semana um acordo de paridade cambial que vai permitir à moeda são-tomense (Dobra) "ancorar-se ao euro", disse hoje o director do Centro de Investigação e Análise da Politica de Desenvolvimento, Adelino Castelo David. O acordo será assinado na capital são-tomense pela ministra do Plano e Finanças de São Tomé e Príncipe, Ângela Viegas, e pelo ministro das Finanças e da Economia de Portugal, Teixeira dos Santos.
Castelo David, que dirige a equipa técnica são-tomense que vem trabalhando com a parte portuguesa no acordo, disse à Lusa que "a delegação portuguesa deverá chegar a São Tomé na terça-feira, num voo privado".
A expectativa é de que o acordo de paridade cambial entre o arquipélago de São Tomé e Príncipe e Portugal entre em vigor já em Janeiro de 2010.
"Depois de assinado o acordo, há ‘demarches' internas que devem ser feitas para que, nos próximos seis meses, o acordo entre em vigor", disse ainda Castelo David.
"Procurar a melhor forma de incentivos para os investidores, estabilizar a economia e manter estável o poder de importação e os preços dos produtos no mercado são-tomense" são alguns dos benefícios que as autoridades são-tomense esperam obter com este acordo, acrescentou Castelo David.
O acordo de paridade cambial será apoiado por uma linha de crédito à disposição de São Tomé e Príncipe pelo Governo português. O valor não foi revelado.
"Nós beneficiaremos de uma linha de crédito que servirá de almofada para caso de uma crise extrema", adiantou o alto funcionário do Ministério são-tomense de Plano e Finanças.
A assinatura do acordo de paridade cambial entre os dois países lusófonos foi antecedida de vários encontros e seminários destinados a "colher subsídios" que ajudassem a encontrar um suporte para a moeda são-tomense.
Castelo David, que dirige a equipa técnica são-tomense que vem trabalhando com a parte portuguesa no acordo, disse à Lusa que "a delegação portuguesa deverá chegar a São Tomé na terça-feira, num voo privado".
A expectativa é de que o acordo de paridade cambial entre o arquipélago de São Tomé e Príncipe e Portugal entre em vigor já em Janeiro de 2010.
"Depois de assinado o acordo, há ‘demarches' internas que devem ser feitas para que, nos próximos seis meses, o acordo entre em vigor", disse ainda Castelo David.
"Procurar a melhor forma de incentivos para os investidores, estabilizar a economia e manter estável o poder de importação e os preços dos produtos no mercado são-tomense" são alguns dos benefícios que as autoridades são-tomense esperam obter com este acordo, acrescentou Castelo David.
O acordo de paridade cambial será apoiado por uma linha de crédito à disposição de São Tomé e Príncipe pelo Governo português. O valor não foi revelado.
"Nós beneficiaremos de uma linha de crédito que servirá de almofada para caso de uma crise extrema", adiantou o alto funcionário do Ministério são-tomense de Plano e Finanças.
A assinatura do acordo de paridade cambial entre os dois países lusófonos foi antecedida de vários encontros e seminários destinados a "colher subsídios" que ajudassem a encontrar um suporte para a moeda são-tomense.
quarta-feira, julho 22, 2009
Ministro espanhol visitou pela primeira vez em 300 anos Gibraltar e reclamou a soberania
A oposição não achou bem que o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Miguel Ángel Moratinos tivesse ido a uma terra que os britânicos ocuparam em 1704 e onde actualmente vivem 28.750 pessoas.
Moratinos, esteve ontem em Gibraltar. É o primeiro membro de um Governo de Madrid que aí se desloca desde que há 305 anos o pequeno território do Sul da Península Ibérica foi ocupado pela Inglaterra. "A posição de Espanha é não renunciar à recuperação da soberania sobre Gibraltar. Mas viemos aqui para dialogar, porque não há outra opção para além da cooperação e do diálogo", disse. Moratinos foi reunir-se com o seu homólogo britânico, David Miliband, e com o ministro principal de Gibraltar, Peter Caruana, para prosseguir conversações que em 2006 decorreram na cidade andaluza de Córdova e o ano passado em Londres. Mas o Partido Popular (PP, na oposição) achou muito mal que um ministro se tivesse prestado a ir a um território que a Espanha considera indevidamente ocupado, apesar de, pelo Tratado de Utreque, de 1713, o ter cedido à Coroa britânica.
Em Gibraltar a visita foi bem recebida: foi "um gesto político importante, que agradecemos", disse Caruana ao jornal El País, considerando-a "uma aposta na cooperação". Recentemente tinham surgido novas dificuldades, depois de Espanha ter incluído numa lista europeia de habitats naturais as águas que rodeiam a cidade e o porto de Gibraltar. Segundo o Tratado de Utreque, os espanhóis só cederam aos britânicos a cidade e o castelo de Gibraltar, bem como o respectivo porto, mas não o istmo que conduz ao território, nem as águas em redor. Moratinos foi acompanhado pelo secretário de Estado dos Assuntos Exteriores, Ángel Losada, e seguiu depois para Jerez de La Frontera, para novas conversações com Miliband, já à margem da questão de Gibraltar. A secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, considerou a deslocação um "terrível erro", por poder ser interpretada como um "perigoso" precedente de se entender Gibraltar como país soberano, quando na verdade a Espanha gostaria de recuperar esses 6,8 quilómetros quadrados.
A ilha de Menorca, nas Baleares, também foi cedida em Utreque à Grã-Bretanha, mas a Espanha conseguiu reavê-la pelo Tratado de Amiens, em 1802, depois de uma série de incidentes que envolveram tropas inglesas e espanholas e também francesas. A devolução de Gibraltar tem sido desde há muito um objectivo da política externa espanhola. Em Abril de 1980, o Acordo de Lisboa estabeleceu o quadro para o assunto ir sendo paulatinamente negociado, ao longo dos anos. Entretanto, do mesmo modo que a Espanha desejaria reaver o território gibraltino, Rabat afirma que os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla fazem parte integrante do Reino de Marrocos, devendo ser abandonados por Madrid.
Moratinos, esteve ontem em Gibraltar. É o primeiro membro de um Governo de Madrid que aí se desloca desde que há 305 anos o pequeno território do Sul da Península Ibérica foi ocupado pela Inglaterra. "A posição de Espanha é não renunciar à recuperação da soberania sobre Gibraltar. Mas viemos aqui para dialogar, porque não há outra opção para além da cooperação e do diálogo", disse. Moratinos foi reunir-se com o seu homólogo britânico, David Miliband, e com o ministro principal de Gibraltar, Peter Caruana, para prosseguir conversações que em 2006 decorreram na cidade andaluza de Córdova e o ano passado em Londres. Mas o Partido Popular (PP, na oposição) achou muito mal que um ministro se tivesse prestado a ir a um território que a Espanha considera indevidamente ocupado, apesar de, pelo Tratado de Utreque, de 1713, o ter cedido à Coroa britânica.
Em Gibraltar a visita foi bem recebida: foi "um gesto político importante, que agradecemos", disse Caruana ao jornal El País, considerando-a "uma aposta na cooperação". Recentemente tinham surgido novas dificuldades, depois de Espanha ter incluído numa lista europeia de habitats naturais as águas que rodeiam a cidade e o porto de Gibraltar. Segundo o Tratado de Utreque, os espanhóis só cederam aos britânicos a cidade e o castelo de Gibraltar, bem como o respectivo porto, mas não o istmo que conduz ao território, nem as águas em redor. Moratinos foi acompanhado pelo secretário de Estado dos Assuntos Exteriores, Ángel Losada, e seguiu depois para Jerez de La Frontera, para novas conversações com Miliband, já à margem da questão de Gibraltar. A secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, considerou a deslocação um "terrível erro", por poder ser interpretada como um "perigoso" precedente de se entender Gibraltar como país soberano, quando na verdade a Espanha gostaria de recuperar esses 6,8 quilómetros quadrados.
A ilha de Menorca, nas Baleares, também foi cedida em Utreque à Grã-Bretanha, mas a Espanha conseguiu reavê-la pelo Tratado de Amiens, em 1802, depois de uma série de incidentes que envolveram tropas inglesas e espanholas e também francesas. A devolução de Gibraltar tem sido desde há muito um objectivo da política externa espanhola. Em Abril de 1980, o Acordo de Lisboa estabeleceu o quadro para o assunto ir sendo paulatinamente negociado, ao longo dos anos. Entretanto, do mesmo modo que a Espanha desejaria reaver o território gibraltino, Rabat afirma que os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla fazem parte integrante do Reino de Marrocos, devendo ser abandonados por Madrid.
CPLP já superou limite de maturidade, diz MNE de Angola
A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa já superou o limite da maturidade, com estruturas sólidas e objectivos fortes, disse hoje o ministro das Relações Exteriores de Angola.
Assunção dos Anjos, que participou segunda-feira no Conselho de Ministros da CPLP, realizado na Cidade da Praia, considerou que a "CPLP é uma realidade, com estruturas sólidas e objectivos bastante fortes, que já não é aquela comunidade só baseada na língua. Coopera num sentido extremamente positivo e isso ficou patente nas discussões em torno dos efeitos da crise económica mundial nos nossos países", afirmou o chefe da diplomacia angolana que, a partir de 2010, assegurará a presidência do Conselho de Ministros da organização.
Assunção dos Anjos, que participou segunda-feira no Conselho de Ministros da CPLP, realizado na Cidade da Praia, considerou que a "CPLP é uma realidade, com estruturas sólidas e objectivos bastante fortes, que já não é aquela comunidade só baseada na língua. Coopera num sentido extremamente positivo e isso ficou patente nas discussões em torno dos efeitos da crise económica mundial nos nossos países", afirmou o chefe da diplomacia angolana que, a partir de 2010, assegurará a presidência do Conselho de Ministros da organização.
Brasil/Moçambique: Moçambique é parceiro estratégico
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse hoje, durante a visita do seu homólogo moçambicano, Armando Guebuza, que Moçambique é um "parceiro estratégico e prioritário" das relações do Brasil com África e anunciou uma nova missão empresarial em Outubro.
"Hoje damos mais um passo para consolidar uma aliança que é modelo de cooperação para o desenvolvimento e que revela o potencial transformador da relação Sul-Sul", destacou Lula da Silva.
Lula da Silva disse ainda que os investimentos brasileiros estão a chegar a Moçambique "com força" e que os empresários partilham o optimismo do Governo brasileiro.
[O Brasil, tal como Angola no post anterior, exercitam as suas influências mundiais...]
"Hoje damos mais um passo para consolidar uma aliança que é modelo de cooperação para o desenvolvimento e que revela o potencial transformador da relação Sul-Sul", destacou Lula da Silva.
Lula da Silva disse ainda que os investimentos brasileiros estão a chegar a Moçambique "com força" e que os empresários partilham o optimismo do Governo brasileiro.
[O Brasil, tal como Angola no post anterior, exercitam as suas influências mundiais...]
Geocapital prepara lançamento do primeiro banco timorense
A sociedade financeira Geocapital quer abrir o primeiro banco de direito privado em Timor-Leste, num investimento estimado entre quatro e seis milhões de euros, revelou Diogo Lacerda Machado, administrador da empresa.
Lacerda Machado, que hoje formalizou, em Díli, o pedido de abertura do banco junto da autoridade bancária de Timor, explicou que a instituição será estruturada como banco de investimentos. "O Banco Timorense de Investimento será o primeiro banco de direito timorense e irá sobretudo financiar investimentos em Timor-Leste, mais do que disputar depósitos", sublinhou.
O administrador da Geocapital acrescentou que a empresa "tem tudo pronto" para lançar o banco assim que receba autorização da autoridade bancária timorense, manifestando expectativa de que a resposta das autoridades seja positiva e o mais rápida possível.
Em Timor-Leste estão actualmente três bancos comerciais: o português Caixa Geral de Depósitos/BNU, o indonésio Mandiri e o australiano-neo-zelandês ANZ.
Com um capital social de 10,2 milhões de euros, a Geocapital tem como accionistas o macaense Stanley Ho e o português Ferro Ribeiro.
Constituída com o objectivo de investir em projectos ligados à agro-indústria, biocombustíveis e infra-estruturas em países e territórios lusófonos, a Geocapital tem investimentos em Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Macau.
No sector bancário, a Geocapital detém posições em quatro instituições financeiras de países africanos de língua portuguesa, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.
Lacerda Machado, que hoje formalizou, em Díli, o pedido de abertura do banco junto da autoridade bancária de Timor, explicou que a instituição será estruturada como banco de investimentos. "O Banco Timorense de Investimento será o primeiro banco de direito timorense e irá sobretudo financiar investimentos em Timor-Leste, mais do que disputar depósitos", sublinhou.
O administrador da Geocapital acrescentou que a empresa "tem tudo pronto" para lançar o banco assim que receba autorização da autoridade bancária timorense, manifestando expectativa de que a resposta das autoridades seja positiva e o mais rápida possível.
Em Timor-Leste estão actualmente três bancos comerciais: o português Caixa Geral de Depósitos/BNU, o indonésio Mandiri e o australiano-neo-zelandês ANZ.
Com um capital social de 10,2 milhões de euros, a Geocapital tem como accionistas o macaense Stanley Ho e o português Ferro Ribeiro.
Constituída com o objectivo de investir em projectos ligados à agro-indústria, biocombustíveis e infra-estruturas em países e territórios lusófonos, a Geocapital tem investimentos em Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Macau.
No sector bancário, a Geocapital detém posições em quatro instituições financeiras de países africanos de língua portuguesa, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.
A crescente importância mundial de Angola. Hillary Clinton visita Angola em Agosto
A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, realiza uma visita oficial a Angola na primeira semana de Agosto, revelou hoje fonte do Ministério das Relações Exteriores.
A vice-ministra angolana das Relações Exteriores, Exalgina Gambôa, em declarações no Palácio Presidencial, na sequência da visita do presidente de Cuba, Raúl Castro, a Angola, explicou ainda que Hillary Clinton visita Luanda depois de uma deslocação ao Quénia.
Questionada sobre a possibilidade de Angola vir a desenvolver novos esforços junto dos EUA para que acabe o bloqueio económico a Cuba, a vice-ministra sublinhou que "Angola vai estar sempre do lado de Cuba".
Exalgina Gambôa afirmou que Angola apoia, "mais uma vez, e como tem sempre defendido, o fim do embargo nas Nações Unidas".
Exalgina Gambôa não explicou os detalhes da agenda da visita de Clinton a Luanda.
"Os países são livres de fazer as suas opções e, naturalmente, Angola vai estar sempre do lado de Cuba e essa é a nossa posição. Cuba deve estar livre dessa situação (bloqueio)", frisou.
A deslocação da secretária de Estado norte-americana ocorre depois da visita do ministro das Relações Exteriores angolano, Assunção dos Anjos, em Maio, aos EUA, visita durante a qual manteve um encontro com Hillary Clinton e com altos funcionários da administração Obama.
A vice-ministra angolana das Relações Exteriores, Exalgina Gambôa, em declarações no Palácio Presidencial, na sequência da visita do presidente de Cuba, Raúl Castro, a Angola, explicou ainda que Hillary Clinton visita Luanda depois de uma deslocação ao Quénia.
Questionada sobre a possibilidade de Angola vir a desenvolver novos esforços junto dos EUA para que acabe o bloqueio económico a Cuba, a vice-ministra sublinhou que "Angola vai estar sempre do lado de Cuba".
Exalgina Gambôa afirmou que Angola apoia, "mais uma vez, e como tem sempre defendido, o fim do embargo nas Nações Unidas".
Exalgina Gambôa não explicou os detalhes da agenda da visita de Clinton a Luanda.
"Os países são livres de fazer as suas opções e, naturalmente, Angola vai estar sempre do lado de Cuba e essa é a nossa posição. Cuba deve estar livre dessa situação (bloqueio)", frisou.
A deslocação da secretária de Estado norte-americana ocorre depois da visita do ministro das Relações Exteriores angolano, Assunção dos Anjos, em Maio, aos EUA, visita durante a qual manteve um encontro com Hillary Clinton e com altos funcionários da administração Obama.
terça-feira, julho 21, 2009
CPLP abre missão em Díli
A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa vai abrir, em breve, uma representação em Díli, para apoiar a implementação do Plano Estratégico de Cooperação para Timor-Leste, decidiu ontem o Conselho de Ministros da organização lusófona.
A decisão, tomada ontem na Cidade da Praia, responde ao interesse manifestado por Timor-Leste no aprofundamento da integração na CPLP, devendo agora os estados-membros, em coordenação com as autoridades de Díli e articulados com o Secretariado Executivo, nomear um representante e marcar a data da instalação.
O Plano Estratégico da CPLP para Timor-Leste foi apresentado às autoridades de Díli em Abril último pelo director da Cooperação da Comunidade, Manuel Lapão, e surgiu na sequência da abertura, em Janeiro deste ano, de uma missão timorense junto da organização.
O Conselho de Ministros da CPLP decidiu hoje também que irá promover uma reunião do Grupo de Contacto para a Guiné-Bissau, visando convocar uma conferência internacional de parceiros de desenvolvimento.
Numa resolução sobre o Plano de Apoio à Estabilidade na Guiné-Bissau, os oito chefes da diplomacia da CPLP decidiram na Cidade da Praia, em Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da organização, promover acções em articulação com o governo guineense.
Essas acções, lê-se no documento aprovado, visam o reforço da posição externa e a criação de condições para programas de reformas e de desenvolvimento da Guiné-Bissau.
Nesse sentido, a Presidência portuguesa da CPLP foi também mandatada para, em articulação com o Secretariado Executivo, apresentar, no prazo de 60 dias, um projecto de apoio aos sectores da saúde e da educação e a definição de uma estratégia para a segurança alimentar na Guiné-Bissau.
Os projectos, porém, devem ser, por sua vez, articulados com as autoridades guineenses dentro das prioridades de Bissau definidas no Documento de Estratégia Nacional de Redução da Pobreza (DENARP) e no "bom respeito" pelas melhores práticas internacionais, sendo financiados pelo Fundo Especial da CPLP e por outros doadores bilaterais ou multilaterais.
Segundo a resolução, a CPLP deve prosseguir esforços com o objectivo de reforçar as instituições do Estado na Guiné-Bissau e o aprofundamento da reforma do sector de segurança, incluindo o combate ao narcotráfico.
O programa de apoio à estabilidade na Guiné-Bissau, aprovado pelo CCP a 25 de Novembro de 2008, assenta em três pilares: o combate "firme e eficaz" ao narcotráfico, o "aprofundamento" da reforma do sector de segurança e a "geração de recursos internacionais" para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.
A decisão, tomada ontem na Cidade da Praia, responde ao interesse manifestado por Timor-Leste no aprofundamento da integração na CPLP, devendo agora os estados-membros, em coordenação com as autoridades de Díli e articulados com o Secretariado Executivo, nomear um representante e marcar a data da instalação.
O Plano Estratégico da CPLP para Timor-Leste foi apresentado às autoridades de Díli em Abril último pelo director da Cooperação da Comunidade, Manuel Lapão, e surgiu na sequência da abertura, em Janeiro deste ano, de uma missão timorense junto da organização.
O Conselho de Ministros da CPLP decidiu hoje também que irá promover uma reunião do Grupo de Contacto para a Guiné-Bissau, visando convocar uma conferência internacional de parceiros de desenvolvimento.
Numa resolução sobre o Plano de Apoio à Estabilidade na Guiné-Bissau, os oito chefes da diplomacia da CPLP decidiram na Cidade da Praia, em Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da organização, promover acções em articulação com o governo guineense.
Essas acções, lê-se no documento aprovado, visam o reforço da posição externa e a criação de condições para programas de reformas e de desenvolvimento da Guiné-Bissau.
Nesse sentido, a Presidência portuguesa da CPLP foi também mandatada para, em articulação com o Secretariado Executivo, apresentar, no prazo de 60 dias, um projecto de apoio aos sectores da saúde e da educação e a definição de uma estratégia para a segurança alimentar na Guiné-Bissau.
Os projectos, porém, devem ser, por sua vez, articulados com as autoridades guineenses dentro das prioridades de Bissau definidas no Documento de Estratégia Nacional de Redução da Pobreza (DENARP) e no "bom respeito" pelas melhores práticas internacionais, sendo financiados pelo Fundo Especial da CPLP e por outros doadores bilaterais ou multilaterais.
Segundo a resolução, a CPLP deve prosseguir esforços com o objectivo de reforçar as instituições do Estado na Guiné-Bissau e o aprofundamento da reforma do sector de segurança, incluindo o combate ao narcotráfico.
O programa de apoio à estabilidade na Guiné-Bissau, aprovado pelo CCP a 25 de Novembro de 2008, assenta em três pilares: o combate "firme e eficaz" ao narcotráfico, o "aprofundamento" da reforma do sector de segurança e a "geração de recursos internacionais" para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.
segunda-feira, julho 20, 2009
Um português, uma petrolífera, uma venda de 7,3 mil milhões
No próximo dia 24 de Agosto, a chinesa Sinopec vai pagar qualquer coisa como 7,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,2 mil milhões de euros) para ficar com as acções da Addax, uma empresa de exploração de petróleo independente. A operação será feita totalmente em dinheiro, o que é pouco comum na actual conjuntura de crise.
No entanto, a Sinopec também não é uma empresa normal, já que é dominada pelo Estado chinês, ávido de petróleo para continuar a crescer. E a própria história da Addax e deste negócio é também invulgar, tendo um português como protagonista.
Pedro de Almeida, hoje com 62 anos, foi um dos quatro fundadores da Addax, que nasceu para o negócio de compra e venda (trading) de petróleo e produtos refinados em 1988. Licenciado em Ciência Política pelo actual Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e tendo frequentado a Escola Naval, tinha acabado de sair da Sociedade Central de Cervejas quando respondeu a um anúncio para dirigir a frota da Soponata, do grupo Petrogal, em 1973/74. Foi aceite, e a partir daqui nunca mais deixou de estar ligado ao mundo do petróleo. Cinco anos depois, já a trabalhar no departamento de compra de crude para as refinarias nacionais, cruza-se com Patrick Monteiro de Barros, e parte para Paris para trabalhar com o empresário na Philip Brothers. É aqui que desenvolve o gosto pelos negócios internacionais e pelo mercado africano, além de conhecer o suíço Jean Claude Gandur, actual presidente executivo e grande accionista da Addax Petroleum. O passo seguinte foi a constituição da Sigmoil, empresa de trading que também era controlada por Monteiro de Barros, mas onde Pedro de Almeida era já um pequeno accionista, tal como Gandur. O corte com Patrick Monteiro de Barros dá-se em 1987, quando Pedro de Almeida, Jean Claude Gandur e outros dois sócios se juntam para formar uma empresa a partir do zero, baptizando-a de Addax & Oryx. No fundo, como recordou Pedro de Almeida, a ideia era operarem no mesmo tipo de negócio, a compra e venda de petróleo, "mas a uma escala mais pequena", ligados ao continente africano.
Em 1988, um ano depois do arranque efectivo, começa a fase da expansão. Compram a armazenagem da Esso em Dakar, e começam a fazer mistura de fuelóleo. Depois foi a vez da distribuição e armazenamento da AGIP na Tanzânia, e a construção de um enorme terminal multiusos no Benim, seguindo-se as instalações de gás da Shell na Costa do Marfim. "Fomos comprando e fazendo investimentos de raiz, adquirindo activos às grandes companhias que tinham uma política de desinvestimento em África, que deixara de ser importante por causa do risco e da rentabilidade inferior aos países que dominavam. Acreditámos em activos em mau estado mas que estavam baratos", conta Pedro de Almeida. Era a fase de crescimento na distribuição, mas ainda não era aqui que se faria o grande negócio que chamou a atenção dos chineses. O momento fulcral da empresa dá-se em 1998, numa altura de baixa dos preços do barril de petróleo, cotado a 13 dólares. Uma empresa norte-americana, a Ashland, estava disposta a vender os poços que tinha na Nigéria. "Não tínhamos nenhuma experiência de produção, pelo que fizemos uma joint-venture com a Total, em que eles apareciam como comprador e nós assumiríamos a operação de dois poços, um offshore e outro onshore, quando tivéssemos uma equipa de engenheiros e criado a estrutura, que não tínhamos. Era uma operação que não se faz de um dia para outro." A falta de capital leva-os a pedir um empréstimo, agressivo, ao BNP Paribas, que desconfiou da falta de experiência da Addax na vertente de exploração. Afinal, uma coisa é comprar e vender petróleo dos outros, outra coisa é assumir os riscos de investir em poços. Como contrapartida pelo empréstimo, a seis meses, o Paribas pede os activos da empresa como garantia. Quando o preço do barril desce para nove dólares, os alarmes soam na companhia, com o banco a querer accionar as garantias. Parecia que a criação da Addax Petroleum seria o início do fim da aventura do grupo.
"A máquina parou. Estávamos a poucos meses de sermos executados", recorda o empresário. No entanto, como diz Pedro de Almeida, "a sorte, às vezes, protege os audazes", e o preço do barril começa a subir. Primeiro para os 10 dólares, depois para 13, até atingir os 20 dólares. Os 8000 barris que produziam por dia passam rapidamente de encargo a fonte de riqueza. E começou o que viria a ser um negócio milionário. A compra e venda de um campo de gás na Costa do Marfim permitiu incrementar a aposta na Nigéria, subindo para os 40 mil barris por dia. Agora, "era o BNP Paribas a perguntar de quanto é que precisávamos...", relembra. Sobre a Nigéria, os ataques de movimentos como o da Emancipação do Delta do Níger e a corrupção política, Pedro de Almeida explica que "é mais importante atacar a Exxon ou a Shell, em termos mediáticos". "Depois, as nossas plataformas estão fora da zona de maior conflito. Além disso, aprendemos com os erros dos outros, e construímos infra-estruturas como escolas, hospitais e saneamento, o que não criou anticorpos. É verdade que há grande propensão para corrupção, mas existem formas de contribuir sem ser com dinheiro na mão", garante. Com a Nigéria a aumentar a produção, o investimento em novos poços em outras regiões, e com os preços do petróleo a subir, o grupo achou que era a altura de colocar a Addax Petroleum na Bolsa de Toronto, Canadá, o que viria a acontecer no início de 2006. Cerca de 25% do capital é aberto a novos accionistas, e as cotações disparam. Para Pedro de Almeida, que tinha assento na administração da holding, a Addax & Oryx, ainda ligada ao trading, era a altura certa para sair da empresa. "Sou um homem do trading, não da exploração e produção, já tinha dado o que tinha dado em termos de contributo para a holding, queria os meus negócios".
Trocou grande parte das acções da holding por títulos da Addax Petroleum, um privilégio de fundador, e vendeu muitas delas ao mercado, dedicando-se a negócios pessoais, como a Admar Shipping, do Panamá, que tem uma filial em Lisboa, a Admar Trading, de Genebra, e a Admar ET, de Lisboa, dedicada ao transporte de mercadorias por contentores. Hoje, não diz quantas acções ainda detém na Addax Petroleum, sustentando apenas que é um pequeno accionista, sem, no entanto, ter perdido a oportunidade de beneficiar da operação da Sinopec. Quanto à Addax, "foi a única empresa de trading que ganhou estatuto de empresa de petróleo, formada por quatro carolas que acreditaram num projecto, consequentes na sua estratégia de desenvolvimento". Ainda foi à última assembleia geral, há cerca de três semanas, para acompanhar o processo da venda aos chineses, e ver pessoalmente aquilo que apelida de "fim da aventura". Agora, diz, a 24 de Agosto vai chegar a vez de colocar um ponto final na ligação ao projecto que ajudou a criar vinte anos antes.
No entanto, a Sinopec também não é uma empresa normal, já que é dominada pelo Estado chinês, ávido de petróleo para continuar a crescer. E a própria história da Addax e deste negócio é também invulgar, tendo um português como protagonista.
Pedro de Almeida, hoje com 62 anos, foi um dos quatro fundadores da Addax, que nasceu para o negócio de compra e venda (trading) de petróleo e produtos refinados em 1988. Licenciado em Ciência Política pelo actual Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e tendo frequentado a Escola Naval, tinha acabado de sair da Sociedade Central de Cervejas quando respondeu a um anúncio para dirigir a frota da Soponata, do grupo Petrogal, em 1973/74. Foi aceite, e a partir daqui nunca mais deixou de estar ligado ao mundo do petróleo. Cinco anos depois, já a trabalhar no departamento de compra de crude para as refinarias nacionais, cruza-se com Patrick Monteiro de Barros, e parte para Paris para trabalhar com o empresário na Philip Brothers. É aqui que desenvolve o gosto pelos negócios internacionais e pelo mercado africano, além de conhecer o suíço Jean Claude Gandur, actual presidente executivo e grande accionista da Addax Petroleum. O passo seguinte foi a constituição da Sigmoil, empresa de trading que também era controlada por Monteiro de Barros, mas onde Pedro de Almeida era já um pequeno accionista, tal como Gandur. O corte com Patrick Monteiro de Barros dá-se em 1987, quando Pedro de Almeida, Jean Claude Gandur e outros dois sócios se juntam para formar uma empresa a partir do zero, baptizando-a de Addax & Oryx. No fundo, como recordou Pedro de Almeida, a ideia era operarem no mesmo tipo de negócio, a compra e venda de petróleo, "mas a uma escala mais pequena", ligados ao continente africano.
Em 1988, um ano depois do arranque efectivo, começa a fase da expansão. Compram a armazenagem da Esso em Dakar, e começam a fazer mistura de fuelóleo. Depois foi a vez da distribuição e armazenamento da AGIP na Tanzânia, e a construção de um enorme terminal multiusos no Benim, seguindo-se as instalações de gás da Shell na Costa do Marfim. "Fomos comprando e fazendo investimentos de raiz, adquirindo activos às grandes companhias que tinham uma política de desinvestimento em África, que deixara de ser importante por causa do risco e da rentabilidade inferior aos países que dominavam. Acreditámos em activos em mau estado mas que estavam baratos", conta Pedro de Almeida. Era a fase de crescimento na distribuição, mas ainda não era aqui que se faria o grande negócio que chamou a atenção dos chineses. O momento fulcral da empresa dá-se em 1998, numa altura de baixa dos preços do barril de petróleo, cotado a 13 dólares. Uma empresa norte-americana, a Ashland, estava disposta a vender os poços que tinha na Nigéria. "Não tínhamos nenhuma experiência de produção, pelo que fizemos uma joint-venture com a Total, em que eles apareciam como comprador e nós assumiríamos a operação de dois poços, um offshore e outro onshore, quando tivéssemos uma equipa de engenheiros e criado a estrutura, que não tínhamos. Era uma operação que não se faz de um dia para outro." A falta de capital leva-os a pedir um empréstimo, agressivo, ao BNP Paribas, que desconfiou da falta de experiência da Addax na vertente de exploração. Afinal, uma coisa é comprar e vender petróleo dos outros, outra coisa é assumir os riscos de investir em poços. Como contrapartida pelo empréstimo, a seis meses, o Paribas pede os activos da empresa como garantia. Quando o preço do barril desce para nove dólares, os alarmes soam na companhia, com o banco a querer accionar as garantias. Parecia que a criação da Addax Petroleum seria o início do fim da aventura do grupo.
"A máquina parou. Estávamos a poucos meses de sermos executados", recorda o empresário. No entanto, como diz Pedro de Almeida, "a sorte, às vezes, protege os audazes", e o preço do barril começa a subir. Primeiro para os 10 dólares, depois para 13, até atingir os 20 dólares. Os 8000 barris que produziam por dia passam rapidamente de encargo a fonte de riqueza. E começou o que viria a ser um negócio milionário. A compra e venda de um campo de gás na Costa do Marfim permitiu incrementar a aposta na Nigéria, subindo para os 40 mil barris por dia. Agora, "era o BNP Paribas a perguntar de quanto é que precisávamos...", relembra. Sobre a Nigéria, os ataques de movimentos como o da Emancipação do Delta do Níger e a corrupção política, Pedro de Almeida explica que "é mais importante atacar a Exxon ou a Shell, em termos mediáticos". "Depois, as nossas plataformas estão fora da zona de maior conflito. Além disso, aprendemos com os erros dos outros, e construímos infra-estruturas como escolas, hospitais e saneamento, o que não criou anticorpos. É verdade que há grande propensão para corrupção, mas existem formas de contribuir sem ser com dinheiro na mão", garante. Com a Nigéria a aumentar a produção, o investimento em novos poços em outras regiões, e com os preços do petróleo a subir, o grupo achou que era a altura de colocar a Addax Petroleum na Bolsa de Toronto, Canadá, o que viria a acontecer no início de 2006. Cerca de 25% do capital é aberto a novos accionistas, e as cotações disparam. Para Pedro de Almeida, que tinha assento na administração da holding, a Addax & Oryx, ainda ligada ao trading, era a altura certa para sair da empresa. "Sou um homem do trading, não da exploração e produção, já tinha dado o que tinha dado em termos de contributo para a holding, queria os meus negócios".
Trocou grande parte das acções da holding por títulos da Addax Petroleum, um privilégio de fundador, e vendeu muitas delas ao mercado, dedicando-se a negócios pessoais, como a Admar Shipping, do Panamá, que tem uma filial em Lisboa, a Admar Trading, de Genebra, e a Admar ET, de Lisboa, dedicada ao transporte de mercadorias por contentores. Hoje, não diz quantas acções ainda detém na Addax Petroleum, sustentando apenas que é um pequeno accionista, sem, no entanto, ter perdido a oportunidade de beneficiar da operação da Sinopec. Quanto à Addax, "foi a única empresa de trading que ganhou estatuto de empresa de petróleo, formada por quatro carolas que acreditaram num projecto, consequentes na sua estratégia de desenvolvimento". Ainda foi à última assembleia geral, há cerca de três semanas, para acompanhar o processo da venda aos chineses, e ver pessoalmente aquilo que apelida de "fim da aventura". Agora, diz, a 24 de Agosto vai chegar a vez de colocar um ponto final na ligação ao projecto que ajudou a criar vinte anos antes.
Nissan investe 250 milhões numa fábrica de baterias em Portugal
Portugal é um dos países onde a Nissan vai instalar fábricas de produção de baterias de iões de lítio para carros eléctricos, anunciou hoje o fabricante nipónico em comunicado.
O investimento a realizar é de 250 milhões de euros, com a criação de 200 postos de trabalho. A localização da fábrica não foi divulgada, embora a companhia adiante que há várias alternativas em fase de estudo. O vice-presidente da Nissan para a Europa, Eric Nicolas, encontra-se esta manhã com o primeiro-ministro português, José Sócrates, numa reunião onde este investimento deverá ser abordado.Para além de Portugal, a Nissam anuncia também a instalação de uma outra fábrica de baterias em Inglaterra. Esta unidade terá uma produção anual de 60 mil equipamentos.
O investimento a realizar é de 250 milhões de euros, com a criação de 200 postos de trabalho. A localização da fábrica não foi divulgada, embora a companhia adiante que há várias alternativas em fase de estudo. O vice-presidente da Nissan para a Europa, Eric Nicolas, encontra-se esta manhã com o primeiro-ministro português, José Sócrates, numa reunião onde este investimento deverá ser abordado.Para além de Portugal, a Nissam anuncia também a instalação de uma outra fábrica de baterias em Inglaterra. Esta unidade terá uma produção anual de 60 mil equipamentos.
"É inadiável refundar o Instituto Internacionalde Língua Portuguesa"
in noticiaslusofonas.com
Quem finalmente o diz com todas as letras é o ministro português Luís Amado.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje, na Cidade da Praia, Cabo Verde, que é "inadiável" a refundação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP). Amado, que chegou hoje à capital de Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a que preside, adiantou que Portugal tem uma proposta para que o IILP se torne "capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo". "O tema central (do Conselho de Ministros) é a nova abordagem estratégica para a promoção e difusão da Língua Portuguesa, assumida pela CPLP na sequência da Cimeira de Lisboa (Julho de 2008). Teremos oportunidade de discutir as questões concretas relacionadas com o IILP e com a sua refundação, que é inadiável", disse. "Há uma proposta nossa, que deverá ser aprovada, que define as orientações que deverão ser seguidas nos próximos meses para que haja uma nova instituição capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo", sustentou o presidente do Conselho de Ministros da CPLP.
Luís Amado frisou que a manutenção da actual direcção do IILP, chefiada pela linguista angolana Amélia Mingas, "não está em causa", e salientou que "o que é importante é refundar o ILLP, que não tem sido capaz de corresponder às expectativas que se criaram aquando da sua fundação. Depois da sua fundação (em 1989), constituiu-se a CPLP (1996). Mas a articulação de objectivos entre a CPLP e o IILP não tem sido fácil. É preciso que se diga, que o IILP tem uma grande falta de visibilidade no conjunto da CPLP, pelo que é preciso dar um novo impulso", sublinhou. Nesse sentido, acrescentou Luís Amado, é necessário dar ao IILP "novas competências, atribuições e objectivos bem definidos, para que possa ter sucesso". "Na nossa proposta, e independentemente de outros aspectos que devem ser revistos, há uma acção de apoio à interpretação da Língua Portuguesa nos organismos internacionais, em que o IILP pode assumir essa competência. E se houver consenso, é possível que o instituto se torne mais operacional, com mais visibilidade e com um papel mais determinante na promoção da Língua Portuguesa", adiantou.
Para Luís Amado, é também essencial analisar os problemas específicos de cada Estado membro na promoção do ensino e na expansão da Língua Portuguesa, tendo em conta que os países africanos da CPLP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) "têm ainda os seus sistemas de ensino em expansão". Por isso, acrescentou, necessitam de apoio específico na área do ensino da Língua Portuguesa, pelo que na mesa estará a discussão de uma estratégia comum para os ajudar, contando com o apoio do Brasil. Além da questão da Língua Portuguesa, Luís Amado salientou que a reunião ministerial vai também centrar-se na crise internacional e à forma como está a ser acompanhada em todas as regiões, bem como se fará um ponto de situação sobre os últimos desenvolvimentos na Guiné-Bissau e em Timor-Leste.
Quem finalmente o diz com todas as letras é o ministro português Luís Amado.
O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje, na Cidade da Praia, Cabo Verde, que é "inadiável" a refundação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP). Amado, que chegou hoje à capital de Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a que preside, adiantou que Portugal tem uma proposta para que o IILP se torne "capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo". "O tema central (do Conselho de Ministros) é a nova abordagem estratégica para a promoção e difusão da Língua Portuguesa, assumida pela CPLP na sequência da Cimeira de Lisboa (Julho de 2008). Teremos oportunidade de discutir as questões concretas relacionadas com o IILP e com a sua refundação, que é inadiável", disse. "Há uma proposta nossa, que deverá ser aprovada, que define as orientações que deverão ser seguidas nos próximos meses para que haja uma nova instituição capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo", sustentou o presidente do Conselho de Ministros da CPLP.
Luís Amado frisou que a manutenção da actual direcção do IILP, chefiada pela linguista angolana Amélia Mingas, "não está em causa", e salientou que "o que é importante é refundar o ILLP, que não tem sido capaz de corresponder às expectativas que se criaram aquando da sua fundação. Depois da sua fundação (em 1989), constituiu-se a CPLP (1996). Mas a articulação de objectivos entre a CPLP e o IILP não tem sido fácil. É preciso que se diga, que o IILP tem uma grande falta de visibilidade no conjunto da CPLP, pelo que é preciso dar um novo impulso", sublinhou. Nesse sentido, acrescentou Luís Amado, é necessário dar ao IILP "novas competências, atribuições e objectivos bem definidos, para que possa ter sucesso". "Na nossa proposta, e independentemente de outros aspectos que devem ser revistos, há uma acção de apoio à interpretação da Língua Portuguesa nos organismos internacionais, em que o IILP pode assumir essa competência. E se houver consenso, é possível que o instituto se torne mais operacional, com mais visibilidade e com um papel mais determinante na promoção da Língua Portuguesa", adiantou.
Para Luís Amado, é também essencial analisar os problemas específicos de cada Estado membro na promoção do ensino e na expansão da Língua Portuguesa, tendo em conta que os países africanos da CPLP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) "têm ainda os seus sistemas de ensino em expansão". Por isso, acrescentou, necessitam de apoio específico na área do ensino da Língua Portuguesa, pelo que na mesa estará a discussão de uma estratégia comum para os ajudar, contando com o apoio do Brasil. Além da questão da Língua Portuguesa, Luís Amado salientou que a reunião ministerial vai também centrar-se na crise internacional e à forma como está a ser acompanhada em todas as regiões, bem como se fará um ponto de situação sobre os últimos desenvolvimentos na Guiné-Bissau e em Timor-Leste.
sexta-feira, julho 17, 2009
CPLP: Fonseca esperava «maior ênfase» na promoção da língua
O ex-secretário-executivo da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Luís Fonseca defendeu hoje que a Presidência portuguesa da organização tem procurado "materializar" as decisões da Cimeira de Lisboa, mas esperava "maior ênfase" na promoção da Língua Portuguesa.
Em entrevista, em vésperas da reunião do Conselho de Ministros da organização, domingo e segunda-feira na Cidade da Praia, o diplomata cabo-verdiano sublinhou o esforço de Lisboa em dinamizar os encontros ministeriais, que considera fundamentais na rede institucional da CPLP, sustentando que se tem ouvido falar mais da organização, "o que é sinal de um aumento de actividade".
"Mas, atendendo às expectativas criadas durante a Cimeira (de Lisboa, há um ano), esperaria, talvez, maior ênfase na promoção da Língua Portuguesa, particularmente no que respeita ao papel do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa). Mas também é verdade que a situação na Guiné-Bissau canalizou muita da atenção que poderia ser encaminhada para acções de afirmação e consolidação da Comunidade", sustentou.
Em entrevista, em vésperas da reunião do Conselho de Ministros da organização, domingo e segunda-feira na Cidade da Praia, o diplomata cabo-verdiano sublinhou o esforço de Lisboa em dinamizar os encontros ministeriais, que considera fundamentais na rede institucional da CPLP, sustentando que se tem ouvido falar mais da organização, "o que é sinal de um aumento de actividade".
"Mas, atendendo às expectativas criadas durante a Cimeira (de Lisboa, há um ano), esperaria, talvez, maior ênfase na promoção da Língua Portuguesa, particularmente no que respeita ao papel do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa). Mas também é verdade que a situação na Guiné-Bissau canalizou muita da atenção que poderia ser encaminhada para acções de afirmação e consolidação da Comunidade", sustentou.
CPLP discute visto automático para empresários
Na Cidade da Praia vai ser proposto um regime especial de transição para a livre circulação.A XIV Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai decorrer de 19 a 20 de Julho, na Cidade da Praia, em Cabo Verde. "A solidariedade na CPLP no contexto da crise económica e financeira internacional: perspectivas regionais" é o tema escolhido para o debate geral.
Outro dos temas que vai ser discutido é o dos acordos de cidadania e circulação. A CPLP aprovou já um conjunto de medidas que permitem, que numa fase transitória, "os homens de negócios, estudantes ou académicos possam beneficiar de um regime especial de facilidade para a circulação nos vários Estados membros", disse Domingos Simões Pereira, secretário executivo da CPLP. Aquele responsável diz que os acordos existem mas "nalguns casos estão a funcionar, noutros nem tanto".
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