A estação de televisão estatal venezuelana Telesur prevê iniciar, em breve, a transmissão de noticiários em língua portuguesa para a Guiné-Bissau, Angola e Moçambique, com parte do objectivo dos governos da África e América do Sul de impulsionar a cooperação sul-sul.
Segundo a emissora, os noticiários vão ser retransmitidos localmente através das estações de televisão públicas daqueles países, após vários acordos bilaterais, entre eles um "memorando de entendimento" entre a Telesur e a televisão da Guiné-Bissau. Criada em 2005, com sede em Caracas, a Telesur é um canal de televisão informativo que emite em sinal livre e por satélite. Foi criada pelos governos da Venezuela, Argentina, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua e Uruguai, e está especialmente orientada para a América do Sul. Além da América do Sul, é possível ver gratuitamente a sua transmissão na América Central e Caribe, Estados Unidos, Europa Ocidental, Norte da África e parte do Oriente Médio, e também através da Internet em www.telesur.net.
segunda-feira, novembro 09, 2009
Queda do Muro de Berlim 20 anos
Diz Jerónimo de Sousa
in Público
"O dirigente comunista comentou ainda as comemorações dos 20 anos do derrube do muro de Berlim, que interpretou como tendo “um sentido anti-comunista”.
“Fazem-no sem se interrogarem se o mundo hoje está melhor”, disse, considerando que não, existindo antes “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra, onde o capitalismo aumenta a exploração, em que a fome e a doença percorrem mais de mil milhões de pessoas”."
Editorial do Avante:
"A derrota do socialismo, com o desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico. "
Pode parecer mentira mas andam pessoas em Portugal a dizer estas barbaridades... é o país que temos.
E este é outra pérola do avante... deixo apenas o ínicio leiam o resto:
Alemães de Leste preferem socialismo
20 anos de retrocesso
As ditas «comemorações» do 20.º aniversário da queda do muro de Berlim são pretexto para mais uma campanha anticomunista, na qual se procura criminalizar os ideiais do socialismo e os que lutam pela superação do capitalismo.
(revisionismo histórico é pra meninos)
in Público
"O dirigente comunista comentou ainda as comemorações dos 20 anos do derrube do muro de Berlim, que interpretou como tendo “um sentido anti-comunista”.
“Fazem-no sem se interrogarem se o mundo hoje está melhor”, disse, considerando que não, existindo antes “um mundo mais injusto, mais desigual, menos democrático, com mais guerra, onde o capitalismo aumenta a exploração, em que a fome e a doença percorrem mais de mil milhões de pessoas”."
Editorial do Avante:
"A derrota do socialismo, com o desaparecimento da União Soviética e da comunidade socialista do Leste da Europa, constituiu uma tragédia, não apenas para os povos desses países mas para toda a humanidade: com o capitalismo dominante, o mundo é, hoje, menos democrático, menos livre, menos justo, menos fraterno, menos solidário, menos pacífico. "
Pode parecer mentira mas andam pessoas em Portugal a dizer estas barbaridades... é o país que temos.
E este é outra pérola do avante... deixo apenas o ínicio leiam o resto:
Alemães de Leste preferem socialismo
20 anos de retrocesso
As ditas «comemorações» do 20.º aniversário da queda do muro de Berlim são pretexto para mais uma campanha anticomunista, na qual se procura criminalizar os ideiais do socialismo e os que lutam pela superação do capitalismo.
(revisionismo histórico é pra meninos)
sábado, novembro 07, 2009
PARE, ESCUTE E OLHE
Ahhh, muito me agradou ler esta notícia no Público.
Ainda não tive oportunidade de ver o filme "Pare, Escute, Olhe" de Jorge Pelicano, alguém que admiro de diversas formas, respeito imenso e que merece tudo de bom que lhe tem acontecido profissionalmente.
Esta polémica levantada por ter arrebatado três prémios no DocLisboa, em que consagrados criticam o filme por ser demasiado "televisivo" é prova da verdadeira ininteligência das elites culturais portuguesas.
É uma verdadeira reacção de gente apegada vícios de umbiguismo auto-idólatra que não suporta ver alguém exterior ao seu pequeno universo a penetrar pelos territórios que consideram seus, como se a cultura fosse um burgo de alguns militantes iluminados.
Mesmo sem ver o filme sei que é isto que se passa, porque a críticas visam sobretudo a forma, não o conteúdo ou a oportunidade do filme, a crítica maior é se o modelo é um filme ou "mera televisão", como se esta fosse um filho de um Deus menor.
O DocLisboa foi o primeiro festival a que Jorge Pelicano enviou o seu primeiro filme "Ainda há pastores?" em 2006. Ñão foi sequer aceite a concurso... Dúvida e tristeza levantaram-se nesse momento no jovem realizador.
A resposta ao DocLisboa foram mais de uma dezena de prémios por todo o mundo conquistados por aquele filme sem categoria para o o festival lisboeta. Entre esses prémios contam-se os galardões mais importantes na área do documentário ambiental, o FICA no Brasil Green Award em Itália.
Voltou agora ao DocLisboa e leva três prémios. Há quem adore e há quem critique. Pois claro... como pode um neófito chegar ao pé dos supra-sumos da intelligentsia documentarista nacional e levar aqueles prémios que por direito natural seriam deles e assim até ganhar uns financiamentos para projectos redondos e sem propósito.
Jorge Pelicano mostrou no seu "Ainda há pastores?" alma e paixão. E soube transmitir isso ao interlocutor, e segundo o que tenho visto, "Pare, escute, olhe" repete a dose.
Isso parece intragável por um clique de egocêntricos que esquece uma verdade muito simples, comunicar é transmitir um sentido, esse sentido é uma mensagem. Discutir formas é discutir o menos importante que existe na comunicação e abstrair o núcleo fundamental de comunicar, ou seja o conteúdo das realidades codificadas nas imagens e discursos revelados pelo realizador.
Jorge Pelicano sendo um auto didacta até pode não saber de cinemas verité nem kinopravdas (que não faço ideia se sabe ou não) mas comunica, com o espectador, com as personagens dos seus filmes, e após um percurso fulminante em que atingiu aquilo que muitos desse documentaristas sonham mas até hoje e provavelmente nunca conseguirão atingir, vê-se alvo do maior pecado que existe neste pais e parece impregnado no ADN do português. A verde e ignóbil inveja.
Só me resta dizer... Continua Jorge!
Ainda não tive oportunidade de ver o filme "Pare, Escute, Olhe" de Jorge Pelicano, alguém que admiro de diversas formas, respeito imenso e que merece tudo de bom que lhe tem acontecido profissionalmente.
Esta polémica levantada por ter arrebatado três prémios no DocLisboa, em que consagrados criticam o filme por ser demasiado "televisivo" é prova da verdadeira ininteligência das elites culturais portuguesas.
É uma verdadeira reacção de gente apegada vícios de umbiguismo auto-idólatra que não suporta ver alguém exterior ao seu pequeno universo a penetrar pelos territórios que consideram seus, como se a cultura fosse um burgo de alguns militantes iluminados.
Mesmo sem ver o filme sei que é isto que se passa, porque a críticas visam sobretudo a forma, não o conteúdo ou a oportunidade do filme, a crítica maior é se o modelo é um filme ou "mera televisão", como se esta fosse um filho de um Deus menor.
O DocLisboa foi o primeiro festival a que Jorge Pelicano enviou o seu primeiro filme "Ainda há pastores?" em 2006. Ñão foi sequer aceite a concurso... Dúvida e tristeza levantaram-se nesse momento no jovem realizador.
A resposta ao DocLisboa foram mais de uma dezena de prémios por todo o mundo conquistados por aquele filme sem categoria para o o festival lisboeta. Entre esses prémios contam-se os galardões mais importantes na área do documentário ambiental, o FICA no Brasil Green Award em Itália.
Voltou agora ao DocLisboa e leva três prémios. Há quem adore e há quem critique. Pois claro... como pode um neófito chegar ao pé dos supra-sumos da intelligentsia documentarista nacional e levar aqueles prémios que por direito natural seriam deles e assim até ganhar uns financiamentos para projectos redondos e sem propósito.
Jorge Pelicano mostrou no seu "Ainda há pastores?" alma e paixão. E soube transmitir isso ao interlocutor, e segundo o que tenho visto, "Pare, escute, olhe" repete a dose.
Isso parece intragável por um clique de egocêntricos que esquece uma verdade muito simples, comunicar é transmitir um sentido, esse sentido é uma mensagem. Discutir formas é discutir o menos importante que existe na comunicação e abstrair o núcleo fundamental de comunicar, ou seja o conteúdo das realidades codificadas nas imagens e discursos revelados pelo realizador.
Jorge Pelicano sendo um auto didacta até pode não saber de cinemas verité nem kinopravdas (que não faço ideia se sabe ou não) mas comunica, com o espectador, com as personagens dos seus filmes, e após um percurso fulminante em que atingiu aquilo que muitos desse documentaristas sonham mas até hoje e provavelmente nunca conseguirão atingir, vê-se alvo do maior pecado que existe neste pais e parece impregnado no ADN do português. A verde e ignóbil inveja.
Só me resta dizer... Continua Jorge!
sexta-feira, novembro 06, 2009
Face Pouco Oculta
Surpresa!!! hum... nenhuma, apenas mais um prego no caixão deste país.
E tantos que ele já leva... alguém disse ao tipo que os prega que já é hora do enterro?
E tantos que ele já leva... alguém disse ao tipo que os prega que já é hora do enterro?
Face Pouco Oculta
Pergunto-me... com um pequeno dedo que adivinha qual seria a resposta... Se Armando Vara ocupasse um cargo estatal (oficial) suspenderia-se?
quinta-feira, novembro 05, 2009
Autódromo do Algarve premiado na Alemanha
O Autódromo Internacional do Algarve foi nomeado "Motorsport Facility of the Year" (Instalação de Desporto Motorizado do Ano) pelo Professional Motorsport World Expo Awards 2009, em Colónia, Alemanha.
O galardão premeia as melhores equipas, personalidades, tecnologias e infra-estruturas do mundo automobilístico, tendo o prémio sido entregue ao piloto Miguel Praia, em representação do Circuito de Portimão.
Gary Anderson, ex-director técnico de F1, considera que o Autódromo Internacional do Algarve é "um dos melhores circuitos da actualidade".
[Mais um passo substancial no percurso sustentado com vista a receber uma prova de Fórmula 1 em Portugal. Há que ter em conta que o Autódromo celebrou o 1º aniversário ainda há dois dias. Parabéns à Parkalgar.]
O galardão premeia as melhores equipas, personalidades, tecnologias e infra-estruturas do mundo automobilístico, tendo o prémio sido entregue ao piloto Miguel Praia, em representação do Circuito de Portimão.
Gary Anderson, ex-director técnico de F1, considera que o Autódromo Internacional do Algarve é "um dos melhores circuitos da actualidade".
[Mais um passo substancial no percurso sustentado com vista a receber uma prova de Fórmula 1 em Portugal. Há que ter em conta que o Autódromo celebrou o 1º aniversário ainda há dois dias. Parabéns à Parkalgar.]
segunda-feira, novembro 02, 2009
França: Portugueses "matam saudades" através da RTPI
Muitos portugueses residentes em França encaram a RTP Internacional como um veículo para matar saudades "da terra", mas alguns olham-na como um canal para «os emigrantes» e preferem os canais franceses.
Esta é a conclusão do livro Os Portugueses de França Face à Sua Televisão, realizado pelo português Manuel da Cunha, que vai ser apresentado a 17 de Novembro e que tem por base uma tese de doutoramento que fez em Paris.
Esta é a conclusão do livro Os Portugueses de França Face à Sua Televisão, realizado pelo português Manuel da Cunha, que vai ser apresentado a 17 de Novembro e que tem por base uma tese de doutoramento que fez em Paris.
Canadá: Luís Miranda e Ana Nunes eleitos nas autárquicas do Quebeque
Os portugueses Luís Miranda e Ana Nunes foram reeleitos nas autárquicas de domingo em Montreal, na província do Quebeque, Canadá.
O mais antigo autarca português no Canadá, Luís Miranda, parte agora para o quarto mandato como presidente da Câmara de Anjou, enquanto Ana Nunes foi reconduzida vereadora em Outremont.
Com base em dados oficiais, Luís Miranda alcançou 53,34% dos votos e Ana Nunes obteve 32,73% no seu círculo.
O mais antigo autarca português no Canadá, Luís Miranda, parte agora para o quarto mandato como presidente da Câmara de Anjou, enquanto Ana Nunes foi reconduzida vereadora em Outremont.
Com base em dados oficiais, Luís Miranda alcançou 53,34% dos votos e Ana Nunes obteve 32,73% no seu círculo.
sexta-feira, outubro 30, 2009
IVA: Estado perde 10 M€ com importação paralela de chocolate
Os cofres do Estado estão a perder cerca de 10 milhões de euros por ano com o mercado paralelo de chocolates vindos de Espanha, onde o imposto sobre o consumo é mais baixo, e as perdas para os operadores chegam aos 40 milhões.
"O comércio ilegal de chocolates existe ao longo da fronteira entre os dois países ibéricos, mas com particular incidência na Região Norte, região da Guarda e na região de Elvas", disse um empresário do sector, que pediu o anonimato.
Os chocolates pagam uma taxa de IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado - de 20% em Portugal, quando na vizinha Espanha este imposto vale 7%.
"O comércio ilegal de chocolates existe ao longo da fronteira entre os dois países ibéricos, mas com particular incidência na Região Norte, região da Guarda e na região de Elvas", disse um empresário do sector, que pediu o anonimato.
Os chocolates pagam uma taxa de IVA - Imposto sobre o Valor Acrescentado - de 20% em Portugal, quando na vizinha Espanha este imposto vale 7%.
quinta-feira, outubro 29, 2009
Maior parque eólico do Sul do país já abasteceu quase 34 mil habitantes
O parque deverá permitir poupar 40 mil toneladas de emissões de gases com efeito de estufa.
O maior parque eólico do Sul do país, a funcionar há mais de um ano no concelho de Almodôvar (distrito de Beja), já produziu 71 gigawatts/hora (GWh) de energia, o suficiente para abastecer quase 34 mil habitantes. Com uma potência total instalada de 26 megawatts (MW), o Parque Eólico de Almodôvar é composto por 13 aerogeradores instalados numa área de 94 hectares que abrange as freguesias de Almodôvar, São Barnabé e Santa Clara-a-Nova, na Serra do Mú. O parque, que começou a funcionar parcialmente em Junho de 2008, só com dois aerogeradores, produziu 36 GWh naquele ano e 35 GWh já este ano, precisou hoje Lobo Gonçalves, da empresa promotora do projecto, a Enernova, do grupo EDP.
Apesar de funcionar em pleno, já com os 13 aerogeradores, desde Dezembro de 2008, o parque “ainda não está a produzir à potência máxima”, o que deverá acontecer “em 2010”, quando as infra-estruturas de transporte da energia até à rede estiverem concluídas, disse Lobo Gonçalves. Projectado para produzir energia durante 25 anos, o parque terá uma produção anual estimada de 58 GWh, o suficiente para abastecer 28 mil habitantes e poupar 40 mil toneladas de emissões de gases com efeito de estufa.
O maior parque eólico do Sul do país, a funcionar há mais de um ano no concelho de Almodôvar (distrito de Beja), já produziu 71 gigawatts/hora (GWh) de energia, o suficiente para abastecer quase 34 mil habitantes. Com uma potência total instalada de 26 megawatts (MW), o Parque Eólico de Almodôvar é composto por 13 aerogeradores instalados numa área de 94 hectares que abrange as freguesias de Almodôvar, São Barnabé e Santa Clara-a-Nova, na Serra do Mú. O parque, que começou a funcionar parcialmente em Junho de 2008, só com dois aerogeradores, produziu 36 GWh naquele ano e 35 GWh já este ano, precisou hoje Lobo Gonçalves, da empresa promotora do projecto, a Enernova, do grupo EDP.
Apesar de funcionar em pleno, já com os 13 aerogeradores, desde Dezembro de 2008, o parque “ainda não está a produzir à potência máxima”, o que deverá acontecer “em 2010”, quando as infra-estruturas de transporte da energia até à rede estiverem concluídas, disse Lobo Gonçalves. Projectado para produzir energia durante 25 anos, o parque terá uma produção anual estimada de 58 GWh, o suficiente para abastecer 28 mil habitantes e poupar 40 mil toneladas de emissões de gases com efeito de estufa.
Investimento privado em Angola cresce e 40% é português
O investimento privado em Angola até Setembro último foi superior ao realizado em igual período de 2008, com a aprovação de 443 propostas de investimento, anunciou hoje o presidente da Agência de Investimento Privado de Angola.
Aguinaldo Jaime diz que foram aprovados pelo organismo a que preside projectos de investimento no valor global superior a 1,377 mil milhões de dólares (927 milhões de euros), no período de Janeiro até 30 de Setembro, o que representa um aumento face aos pouco mais de mil milhões de dólares atingidos em igual período de 2008.
Quanto à origem geográfica do investimento, 40% do total dos projectos são portugueses, ou seja 179, com uma intenção de investimento a rondar os 209,45 milhões de dólares (141 milhões de euros).
"Os investidores começam a acreditar em Angola como alternativa segura para os seus investimentos", considerou Aguinaldo Jaime que falava num seminário no âmbito da conferência "Portugal Exportador".
Aguinaldo Jaime diz que foram aprovados pelo organismo a que preside projectos de investimento no valor global superior a 1,377 mil milhões de dólares (927 milhões de euros), no período de Janeiro até 30 de Setembro, o que representa um aumento face aos pouco mais de mil milhões de dólares atingidos em igual período de 2008.
Quanto à origem geográfica do investimento, 40% do total dos projectos são portugueses, ou seja 179, com uma intenção de investimento a rondar os 209,45 milhões de dólares (141 milhões de euros).
"Os investidores começam a acreditar em Angola como alternativa segura para os seus investimentos", considerou Aguinaldo Jaime que falava num seminário no âmbito da conferência "Portugal Exportador".
quarta-feira, outubro 28, 2009
TV privada STL quer ser alternativa à TVTL em Timor-Leste
Timor-Leste passou a contar com um canal privado de televisão, o STL TV, que pretende ser uma televisão "mais popular e menos institucional" que a estatal TVTL, diz o seu responsável, Salvador Ximenes.
A STL TV já está a emitir na cidade de Díli, em UHF, abrindo diariamente às 17 horas, durante a semana, preenchendo a programação com o noticiário diário em tétum e programas recreativos em baahasa, numa parceria com uma televisão indonésia.
O projecto é liderado por Ximenes, empresário timorense da comunicação social, que detém o grupo STL Media, detentor do jornal Suara Timor Lorosae, de uma rádio, uma gráfica, um centro de formação e um centro de Internet.
O passo para a televisão "é uma aventura", como diz o empresário, e procura aproveitar as sinergias do grupo. "A nossa preocupação neste momento é criar os alicerces para que o projecto possa ser sustentável no futuro. Actualmente temos um núcleo de dez jornalistas efectivos, além dos colaboradores do nosso jornal e da rádio", acrescenta. "A nossa intenção é vir a ser uma alternativa à TVTL, mas por enquanto ainda não podemos dizer que o somos porque a área de cobertura deles é maior e tem muito mais meios com os apoios do Governo e as ajudas de organizações internacionais que nós não temos". Segundo Salvador Ximenes "o público exige um acesso mais fácil e rápido à informação e a STL TV procura ser a resposta a essa necessidade.
À semelhança da TVTL, que ocupa parte da sua emissão com a RTP Internacional, a STL TV arrancou com uma cooperação idêntica com um canal indonésio, mas Ximenes diz estar totalmente aberto a parcerias com canais portugueses e de outros países. "Por agora os nossos noticiários são todos em tétum, mas estamos a pensar como poderemos colaborar no programa de reintrodução da língua portuguesa e já fizemos contactos nesse sentido junto da Embaixada de Portugal", refere, acrescentando que já fez também contactos com órgãos de comunicação social portugueses e neo-zelandeses.
A STL TV já está a emitir na cidade de Díli, em UHF, abrindo diariamente às 17 horas, durante a semana, preenchendo a programação com o noticiário diário em tétum e programas recreativos em baahasa, numa parceria com uma televisão indonésia.
O projecto é liderado por Ximenes, empresário timorense da comunicação social, que detém o grupo STL Media, detentor do jornal Suara Timor Lorosae, de uma rádio, uma gráfica, um centro de formação e um centro de Internet.
O passo para a televisão "é uma aventura", como diz o empresário, e procura aproveitar as sinergias do grupo. "A nossa preocupação neste momento é criar os alicerces para que o projecto possa ser sustentável no futuro. Actualmente temos um núcleo de dez jornalistas efectivos, além dos colaboradores do nosso jornal e da rádio", acrescenta. "A nossa intenção é vir a ser uma alternativa à TVTL, mas por enquanto ainda não podemos dizer que o somos porque a área de cobertura deles é maior e tem muito mais meios com os apoios do Governo e as ajudas de organizações internacionais que nós não temos". Segundo Salvador Ximenes "o público exige um acesso mais fácil e rápido à informação e a STL TV procura ser a resposta a essa necessidade.
À semelhança da TVTL, que ocupa parte da sua emissão com a RTP Internacional, a STL TV arrancou com uma cooperação idêntica com um canal indonésio, mas Ximenes diz estar totalmente aberto a parcerias com canais portugueses e de outros países. "Por agora os nossos noticiários são todos em tétum, mas estamos a pensar como poderemos colaborar no programa de reintrodução da língua portuguesa e já fizemos contactos nesse sentido junto da Embaixada de Portugal", refere, acrescentando que já fez também contactos com órgãos de comunicação social portugueses e neo-zelandeses.
Timor-Leste reaprecia projecto CGD para abrir banco local
As autoridades timorenses estão a analisar o projecto da CGD para a criação de um banco de direito timorense, revelou hoje na sua edição o jornal Timor Post, publicado em Díli.
De acordo com aquele matutino, o assunto foi discutido no encontro do primeiro-ministro Xanana Gusmão com o Presidente da República Ramos-Horta, antes da partida deste para a Coreia do Sul.
A Autoridade Bancária de Pagamentos (Banco Central) terá sido solicitada a prestar esclarecimentos sobre o projecto da Caixa Geral de Depósitos, que em Timor-Leste usa a designação de BNU.
De acordo com aquele matutino, o assunto foi discutido no encontro do primeiro-ministro Xanana Gusmão com o Presidente da República Ramos-Horta, antes da partida deste para a Coreia do Sul.
A Autoridade Bancária de Pagamentos (Banco Central) terá sido solicitada a prestar esclarecimentos sobre o projecto da Caixa Geral de Depósitos, que em Timor-Leste usa a designação de BNU.
Portugueses de Excelência
Maria Conceição é uma portuguesa assistente de Bordo nas linhas aéreas do Dubai.
Foi agora nomeada para mulher do ano naquele país na secção humanitária.
Além do emprego fundou uma instituição de caridade no Bangladesh para ajudar as crianças pobres daquele país.
A alma de viajante e o coração do tamanho do mundo tão típica de muitos portugueses.
Aqui a reportagem no expresso, aqui para votar
Pequena biografia do site
Maria Conceicao - The Wings of Dhaka
Following a 24-hour layover in Dhaka in 2005, Portuguese flight attendant Maria Conceicao made it her mission to offer the Dhaka slum dwellers a better future with her self-funded charity, The Dhaka Project. With her dedicated team of volunteers and 90 Bangladeshi staff, Maria’s vision won her a European Union Woman’s Inventors and Innovators Network award. She is currently expanding her aid to Burmese refugee children in Thailand and orphans in Brazil.
Foi agora nomeada para mulher do ano naquele país na secção humanitária.
Além do emprego fundou uma instituição de caridade no Bangladesh para ajudar as crianças pobres daquele país.
A alma de viajante e o coração do tamanho do mundo tão típica de muitos portugueses.
Aqui a reportagem no expresso, aqui para votar
Pequena biografia do site
Maria Conceicao - The Wings of Dhaka
Following a 24-hour layover in Dhaka in 2005, Portuguese flight attendant Maria Conceicao made it her mission to offer the Dhaka slum dwellers a better future with her self-funded charity, The Dhaka Project. With her dedicated team of volunteers and 90 Bangladeshi staff, Maria’s vision won her a European Union Woman’s Inventors and Innovators Network award. She is currently expanding her aid to Burmese refugee children in Thailand and orphans in Brazil.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Franco quis invadir Portugal - A verdade
Em 1940, o Alto Estado-Maior espanhol elaborou, a pedido de Franco, um plano de ataque a Portugal, com a ocupação de Lisboa e a tomada de toda a costa nacional. O documento foi descoberto pelo historiador espanhol Manuel Ros Agudo.
O plano não permitia qualquer falha. Tudo começaria com um ultimato (impossível de cumprir) e um prazo limite de 24 horas ou 48 horas, findas as quais teria início a invasão de Portugal.
A operação incluía intervenções por terra, ar e mar e as primeiras incursões terrestres, realizadas por um contingente de 250 mil combatentes espanhóis, avançariam em direcção a Ciudad-Rodrigo, Guarda, Celorico da Beira, Coimbra, Lisboa, Elvas, Évora e Setúbal - a ocupação da capital e a divisão do país em três parcelas constituíam os passos fundamentais para a conquista de Portugal.
Ao longo de quase 70 anos, o Plano de Campanha nº 1 (34), o grande projecto de Franco para invadir Portugal, delineado em plena II Guerra Mundial (1940), esteve "adormecido" nos arquivos da Fundação Francisco Franco. Os rumores da tentação franquista de conquistar Portugal há muito que circulam no meio historiográfico - até porque uma das grandes orientações da política externa de António de Oliveira Salazar, durante o conflito mundial, consistia na independência nacional face à ameaça da anexação espanhola. Mas só recentemente foi possível confirmar que os temores de Salazar tinham justificação.
Em 2005, o historiador Ros Agudo foi o primeiro investigador a aceder às cem páginas que compõem o plano de ataque contra Portugal, elaborado pela 1ª secção do Alto Estado-Maior (AEM) espanhol no segundo semestre de 1940. O ineditismo da descoberta levou o investigador, de 47 anos, a dedicar-lhe um capítulo na sua obra "A Grande Tentação - Franco, o Império Colonial e o projecto de intervenção espanhola na Segunda Guerra Mundial", recém-editada em Portugal pela Casa das Letras. Na próxima terça-feira, Ros Agudo é um dos oradores da conferência A Península Ibérica na II Guerra Mundial - Os planos de invasão e defesa de Portugal, a realizar no Instituto de Defesa Nacional, a partir das 14h30, numa iniciativa conjunta com o Instituto de História Contemporânea.
Devastador e célere
O projecto de invadir Portugal não configurava uma "acção isolada", como se pode ler numa das alíneas dos documentos analisados por Ros Agudo. Tratava-se de uma operação preventiva, no âmbito da ambição franquista de declarar guerra à Inglaterra. Numa altura em que França já caíra sob o domínio da Alemanha nazi, Espanha, então com o estatuto de país não-beligerante, acalentava o sonho de um império norte-africano. Nem Hitler nem Mussolini podiam, em 1940, garantir a Franco a concretização deste desejo. Mas isso não fez esmorecer as ideias expansionistas e bélicas do "Caudilho".
A guerra contra a Inglaterra teria início com a tomada de Gibraltar. Porém, os estrategas do AEM prenunciavam que a primeira resposta britânica a este ataque fosse "um desembarque em Portugal com a ideia de montar uma cabeça-de-ponte para a invasão da península". Por isso, no plano ofensivo, determinava-se o emprego dos "meios necessários para bater o Exército português e o seu Aliado; ocupação do país e defesa das suas costas".
Tudo isto seria realizado sem o conhecimento prévio de Hitler e Mussolini. Porque Franco "queria manter o carácter secreto das operações, ter liberdade de manobra e também por questões de orgulho", explicou Ros Agudo. Contudo, após iniciados os ataques a Gibraltar e a Portugal, Espanha previa o apoio da aviação alemã, "nomeadamente com o reforço de bombardeiros e caças". A participação da aviação espanhola estava também definida no plano de ataque (com as missões de "destruir a aviação inimiga e as suas bases" e de "atacar os núcleos de comunicação, especialmente nas direcções da invasão, e os transportes de tropas").
Mas Espanha receava que o vasto contingente de homens em terra se confrontasse com a superioridade luso-britânica no ar. Neste âmbito, o reforço alemão seria indispensável. Assim como se afigurava prioritário um ataque terrestre devastador e célere.
Para a Marinha, o AEM planeara um conjunto de acções de defesa ("exercer acções com os submarinos sobre as comunicações inimigas", "proteger as comunicações com o Protectorado de Marrocos e Baleares"; "efectuar acções de minagem nos próprios portos") que pressupunham uma reacção rápida da Marinha britânica.
E Salazar?
Em Dezembro de 1940, quando Franco escreveu, assessorado pelo AEM, que decidira atacar Portugal - "Decidi [...] preparar a invasão de Portugal, com o objectivo de ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa" -, o Tratado de Amizade e Não Agressão, firmado pelos dois países em Março de 1939, não passava de um documento sem importância para o "Caudilho". Mas foi a partir desse acordo que os franquistas intensificaram as pressões diplomáticas para Portugal deixar de respeitar os compromissos da aliança luso-britânica: fizeram-no através de Nicolau Franco, irmão do ditador espanhol e embaixador em Lisboa; e também "aconselharam" o então embaixador português em Madrid, Pedro Teotónio Pereira.
Perante os planos de anexação, Espanha não desprezava apenas o pacto de não agressão, mas também a intervenção activa e material do Governo de Salazar no apoio aos franquistas durante a Guerra Civil de Espanha - três a cinco mil "viriatos" combateram nas fileiras das milícias da Falange, do Exército e da Legião espanhola, muitos deles recrutados através de anúncios nos jornais pagos pelo Estado; a rádio emitia propaganda franquista; e Salazar promoveu a mobilização anticomunista (recolhendo benefícios para a sustentação do Estado Novo).
Atentando no rigor e na determinação plasmadas no Plano de Campanha nº 1 (34), urge questionar qual o destino que reservava Franco para o ditador português, na eventualidade de a ocupação ter avançado.
A documentação descoberta por Ros Agudo cinge-se aos aspectos puramente militares e não contempla a "sorte pessoal" do presidente do Conselho. Mas o historiador, professor de História
Contemporânea na Universidade San Pablo, em Madrid, avança duas hipóteses: "O destino de Salazar e do seu Governo, no caso de Portugal não conseguir resistir à invasão, seria estabelecerem-se nas colónias (Angola ou Moçambique); ou podiam exilar o Governo em Londres, como aconteceu com alguns países europeus ocupados pelo Eixo".
Palavras encomendadas
Quanto ao futuro de Portugal, não há qualquer referência nos documentos, ficando sem resposta a pergunta sobre se a ocupação seria ou não temporária. No entanto, Ros Agudo cita no seu livro as "inquietantes" palavras de Serrano Suñer, ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, ao seu homólogo alemão, Joachim von Ribbentrop, datadas de Setembro de 1940: "(...) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência".
Ros Agudo acredita que estas palavras, proferidas em Berlim, foram "encomendadas" a Suñer por Franco, com a intenção de averiguar "a reacção de Hitler perante a ideia de um Portugal integrado num futuro grande Estado ibérico". Mas "oFührer não quis fazer qualquer compromisso sobre este assunto", nota o historiador.
Apesar das declarações de Suñer, Ros Agudo não crê que Franco pretendesse "uma integração pura e dura num Estado ibérico" Porque isso arrastaria "muitos problemas". "É possível que, sob uma Nova Ordem europeia, na eventualidade da vitória fascista e da derrota da Grã-Bretanha, Franco tivesse permitido a existência de um Portugal marioneta, fascista e inofensivo", diz. E, continuando num exercício de História virtual, acrescenta: "Se a Rússia tivesse sido eliminada por Hitler, o grande confronto, ou a Guerra Fria dos anos 50 e décadas porteriores, teria acontecido entre os EUA, por um lado, o grande bloco euro-africano fascista, pelo outro, assumindo este último um papel semelhante ao bloco soviético que conhecemos. Tanto Espanha como Portugal teria feito parte desse bloco constituído pelas potências do Eixo".
Nos últimos meses de 1940, o Plano de Campanha nº 1 (34) esteve prestes a ser realizado. Franco ordenara a prontidão militar para o ataque. Mas o que lhe sobrava em meios operacionais faltava-lhe em condições políticas, nomeadamente a garantia dos apoios alemão e italiano e a concretização das ideias imperialistas. "Os requisitos políticos para dar esse passo - as garantias de obtenção de um império em África - acabaram por não ser dados", explica Ros Agudo. O plano foi então depositado em arquivo e tornado inacessível depois de quase sete décadas.
[Esta notícia vem trazer a lume aquilo que há muito se comentava sem, contudo, se conhecer o documento que comprovava a teoria. Confirma-se assim que Franco nunca teve qualquer consideração por Portugal nem pelos portugueses. Nunca enganou Salazar, que sempre mostrou desconfiança por ele...]
O plano não permitia qualquer falha. Tudo começaria com um ultimato (impossível de cumprir) e um prazo limite de 24 horas ou 48 horas, findas as quais teria início a invasão de Portugal.
A operação incluía intervenções por terra, ar e mar e as primeiras incursões terrestres, realizadas por um contingente de 250 mil combatentes espanhóis, avançariam em direcção a Ciudad-Rodrigo, Guarda, Celorico da Beira, Coimbra, Lisboa, Elvas, Évora e Setúbal - a ocupação da capital e a divisão do país em três parcelas constituíam os passos fundamentais para a conquista de Portugal.
Ao longo de quase 70 anos, o Plano de Campanha nº 1 (34), o grande projecto de Franco para invadir Portugal, delineado em plena II Guerra Mundial (1940), esteve "adormecido" nos arquivos da Fundação Francisco Franco. Os rumores da tentação franquista de conquistar Portugal há muito que circulam no meio historiográfico - até porque uma das grandes orientações da política externa de António de Oliveira Salazar, durante o conflito mundial, consistia na independência nacional face à ameaça da anexação espanhola. Mas só recentemente foi possível confirmar que os temores de Salazar tinham justificação.
Em 2005, o historiador Ros Agudo foi o primeiro investigador a aceder às cem páginas que compõem o plano de ataque contra Portugal, elaborado pela 1ª secção do Alto Estado-Maior (AEM) espanhol no segundo semestre de 1940. O ineditismo da descoberta levou o investigador, de 47 anos, a dedicar-lhe um capítulo na sua obra "A Grande Tentação - Franco, o Império Colonial e o projecto de intervenção espanhola na Segunda Guerra Mundial", recém-editada em Portugal pela Casa das Letras. Na próxima terça-feira, Ros Agudo é um dos oradores da conferência A Península Ibérica na II Guerra Mundial - Os planos de invasão e defesa de Portugal, a realizar no Instituto de Defesa Nacional, a partir das 14h30, numa iniciativa conjunta com o Instituto de História Contemporânea.
Devastador e célere
O projecto de invadir Portugal não configurava uma "acção isolada", como se pode ler numa das alíneas dos documentos analisados por Ros Agudo. Tratava-se de uma operação preventiva, no âmbito da ambição franquista de declarar guerra à Inglaterra. Numa altura em que França já caíra sob o domínio da Alemanha nazi, Espanha, então com o estatuto de país não-beligerante, acalentava o sonho de um império norte-africano. Nem Hitler nem Mussolini podiam, em 1940, garantir a Franco a concretização deste desejo. Mas isso não fez esmorecer as ideias expansionistas e bélicas do "Caudilho".
A guerra contra a Inglaterra teria início com a tomada de Gibraltar. Porém, os estrategas do AEM prenunciavam que a primeira resposta britânica a este ataque fosse "um desembarque em Portugal com a ideia de montar uma cabeça-de-ponte para a invasão da península". Por isso, no plano ofensivo, determinava-se o emprego dos "meios necessários para bater o Exército português e o seu Aliado; ocupação do país e defesa das suas costas".
Tudo isto seria realizado sem o conhecimento prévio de Hitler e Mussolini. Porque Franco "queria manter o carácter secreto das operações, ter liberdade de manobra e também por questões de orgulho", explicou Ros Agudo. Contudo, após iniciados os ataques a Gibraltar e a Portugal, Espanha previa o apoio da aviação alemã, "nomeadamente com o reforço de bombardeiros e caças". A participação da aviação espanhola estava também definida no plano de ataque (com as missões de "destruir a aviação inimiga e as suas bases" e de "atacar os núcleos de comunicação, especialmente nas direcções da invasão, e os transportes de tropas").
Mas Espanha receava que o vasto contingente de homens em terra se confrontasse com a superioridade luso-britânica no ar. Neste âmbito, o reforço alemão seria indispensável. Assim como se afigurava prioritário um ataque terrestre devastador e célere.
Para a Marinha, o AEM planeara um conjunto de acções de defesa ("exercer acções com os submarinos sobre as comunicações inimigas", "proteger as comunicações com o Protectorado de Marrocos e Baleares"; "efectuar acções de minagem nos próprios portos") que pressupunham uma reacção rápida da Marinha britânica.
E Salazar?
Em Dezembro de 1940, quando Franco escreveu, assessorado pelo AEM, que decidira atacar Portugal - "Decidi [...] preparar a invasão de Portugal, com o objectivo de ocupar Lisboa e o resto da costa portuguesa" -, o Tratado de Amizade e Não Agressão, firmado pelos dois países em Março de 1939, não passava de um documento sem importância para o "Caudilho". Mas foi a partir desse acordo que os franquistas intensificaram as pressões diplomáticas para Portugal deixar de respeitar os compromissos da aliança luso-britânica: fizeram-no através de Nicolau Franco, irmão do ditador espanhol e embaixador em Lisboa; e também "aconselharam" o então embaixador português em Madrid, Pedro Teotónio Pereira.
Perante os planos de anexação, Espanha não desprezava apenas o pacto de não agressão, mas também a intervenção activa e material do Governo de Salazar no apoio aos franquistas durante a Guerra Civil de Espanha - três a cinco mil "viriatos" combateram nas fileiras das milícias da Falange, do Exército e da Legião espanhola, muitos deles recrutados através de anúncios nos jornais pagos pelo Estado; a rádio emitia propaganda franquista; e Salazar promoveu a mobilização anticomunista (recolhendo benefícios para a sustentação do Estado Novo).
Atentando no rigor e na determinação plasmadas no Plano de Campanha nº 1 (34), urge questionar qual o destino que reservava Franco para o ditador português, na eventualidade de a ocupação ter avançado.
A documentação descoberta por Ros Agudo cinge-se aos aspectos puramente militares e não contempla a "sorte pessoal" do presidente do Conselho. Mas o historiador, professor de História
Contemporânea na Universidade San Pablo, em Madrid, avança duas hipóteses: "O destino de Salazar e do seu Governo, no caso de Portugal não conseguir resistir à invasão, seria estabelecerem-se nas colónias (Angola ou Moçambique); ou podiam exilar o Governo em Londres, como aconteceu com alguns países europeus ocupados pelo Eixo".
Palavras encomendadas
Quanto ao futuro de Portugal, não há qualquer referência nos documentos, ficando sem resposta a pergunta sobre se a ocupação seria ou não temporária. No entanto, Ros Agudo cita no seu livro as "inquietantes" palavras de Serrano Suñer, ministro dos Assuntos Exteriores espanhol, ao seu homólogo alemão, Joachim von Ribbentrop, datadas de Setembro de 1940: "(...) ninguém pode deixar de se dar conta, ao olhar para o mapa da Europa, que, geograficamente falando, Portugal na realidade não tinha o direito de existir. Tinha apenas uma justificação moral e política para a sua independência pelo facto dos seus quase 800 anos de existência".
Ros Agudo acredita que estas palavras, proferidas em Berlim, foram "encomendadas" a Suñer por Franco, com a intenção de averiguar "a reacção de Hitler perante a ideia de um Portugal integrado num futuro grande Estado ibérico". Mas "oFührer não quis fazer qualquer compromisso sobre este assunto", nota o historiador.
Apesar das declarações de Suñer, Ros Agudo não crê que Franco pretendesse "uma integração pura e dura num Estado ibérico" Porque isso arrastaria "muitos problemas". "É possível que, sob uma Nova Ordem europeia, na eventualidade da vitória fascista e da derrota da Grã-Bretanha, Franco tivesse permitido a existência de um Portugal marioneta, fascista e inofensivo", diz. E, continuando num exercício de História virtual, acrescenta: "Se a Rússia tivesse sido eliminada por Hitler, o grande confronto, ou a Guerra Fria dos anos 50 e décadas porteriores, teria acontecido entre os EUA, por um lado, o grande bloco euro-africano fascista, pelo outro, assumindo este último um papel semelhante ao bloco soviético que conhecemos. Tanto Espanha como Portugal teria feito parte desse bloco constituído pelas potências do Eixo".
Nos últimos meses de 1940, o Plano de Campanha nº 1 (34) esteve prestes a ser realizado. Franco ordenara a prontidão militar para o ataque. Mas o que lhe sobrava em meios operacionais faltava-lhe em condições políticas, nomeadamente a garantia dos apoios alemão e italiano e a concretização das ideias imperialistas. "Os requisitos políticos para dar esse passo - as garantias de obtenção de um império em África - acabaram por não ser dados", explica Ros Agudo. O plano foi então depositado em arquivo e tornado inacessível depois de quase sete décadas.
[Esta notícia vem trazer a lume aquilo que há muito se comentava sem, contudo, se conhecer o documento que comprovava a teoria. Confirma-se assim que Franco nunca teve qualquer consideração por Portugal nem pelos portugueses. Nunca enganou Salazar, que sempre mostrou desconfiança por ele...]
CAN 2010: Construtoras portuguesas perdem os estádios, mas estão nas infra-estruturas de apoio
As empresas portuguesas de construção ficaram de fora dos grandes investimentos do governo angolano para o Campeonato Africano das Nações 2010, mas há companhias nacionais nas empreitadas de apoio ao torneio, que arranca a 10 de Janeiro.
A construção de quatro estádios de futebol de raiz despertou a atenção das construtoras portuguesas, sobretudo, as que tiveram a experiência do Euro 2004, mas os principais palcos do CAN 2010, nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango, foram adjudicados a empresas chinesas.
O Conselho de Ministros de Angola chegou a anunciar, em Maio de 2007, que seria o consórcio luso-angolano, liderado pela Somague e pela Mota Engil, a construir o estádio de Lubango, em Huíla, mas a empreitada acabou por ser entrega à companhia chinesa Sinohydro.
Fonte da Somague reconheceu que a empresa chegou a ter contrato assinado para a construção do estádio de Lubango, acrescentando que a empresa está a construir infra-estruturas de apoio ao CAN 2010, cujo valor ascende aos 115 milhões de euros (170 milhões de dólares).
O principal projecto da Somague é a reabilitação e melhoramento do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, um investimento de 33,6 milhões de euros (50 milhões de dólares), que vai permitir triplicar o número de passageiros da estrutura aeroportuário da capital angolana, de 1,2 para 3,6 milhões de passageiros.
A empresa portuguesa tem também em curso "vários projectos de reconstrução da rede viária e na área da saúde". A Somague acabou de inaugurar a Clínica Girassol, um investimento de 60 milhões de euros (90 milhões de dólares) da Sonangol, em Luanda, e está a construir dois hospitais municipais na capital angolana.
O grupo Mota-Engil tem vários projectos nos sectores da construção e obras públicas no mercado angolano, onde está presente desde 1946, o ano da fundação da Mota & Companhia.
Segundo fonte da empresa, a Mota-Engil está a construir um hotel em Benguela, uma das cidades sede do CAN 2010, que tem que estar concluído até ao final do ano para acolher uma das selecções apuradas para o campeonato.
O CEO da Soares da Costa admitiu que "houve algumas oportunidades para as quais olhámos, mas não foi uma prioridade para a empresa naquela altura".
Pedro Gonçalves adiantou que a empresa tem vários projectos em curso, em Angola, mas, contrapôs, "já estavam planificadas e não se pode dizer que tenham uma ligação directa ao campeonato".
Angola foi escolhida, em Setembro de 2006, para ser o país anfitrião da principal prova de futebol a nível de nações no continente africano, tendo a construção dos quatro estádios para o CAN 2010 sido atribuída por ajuste directo dada a necessidade de lançar as obras para estarem concretizadas no final de 2009.
De acordo com a página da Internet da comissão organizadora do CAN 2010, além dos quatro estádios construídos de raiz, "outros 11 estádios já existentes estão a ser recuperados para os treinos das selecções".
A organização do evento desportivo levou a que o governo angolano investisse "na melhoria e ampliação da malha rodoviária nacional e das vias locais, modernização da rede de telecomunicações, recuperação e extensão de dois aeroportos e construção de outros dois, renovação de frotas de transportes públicos e hospitais".
Segundo a comissão organizadora, "as intervenções representam a criação de milhares de empregos directos e indirectos, para além de permanecerem como benefícios perenes à população no pós Taça das Nações".
A construção de quatro estádios de futebol de raiz despertou a atenção das construtoras portuguesas, sobretudo, as que tiveram a experiência do Euro 2004, mas os principais palcos do CAN 2010, nas cidades de Luanda, Cabinda, Benguela e Lubango, foram adjudicados a empresas chinesas.
O Conselho de Ministros de Angola chegou a anunciar, em Maio de 2007, que seria o consórcio luso-angolano, liderado pela Somague e pela Mota Engil, a construir o estádio de Lubango, em Huíla, mas a empreitada acabou por ser entrega à companhia chinesa Sinohydro.
Fonte da Somague reconheceu que a empresa chegou a ter contrato assinado para a construção do estádio de Lubango, acrescentando que a empresa está a construir infra-estruturas de apoio ao CAN 2010, cujo valor ascende aos 115 milhões de euros (170 milhões de dólares).
O principal projecto da Somague é a reabilitação e melhoramento do Aeroporto 4 de Fevereiro, em Luanda, um investimento de 33,6 milhões de euros (50 milhões de dólares), que vai permitir triplicar o número de passageiros da estrutura aeroportuário da capital angolana, de 1,2 para 3,6 milhões de passageiros.
A empresa portuguesa tem também em curso "vários projectos de reconstrução da rede viária e na área da saúde". A Somague acabou de inaugurar a Clínica Girassol, um investimento de 60 milhões de euros (90 milhões de dólares) da Sonangol, em Luanda, e está a construir dois hospitais municipais na capital angolana.
O grupo Mota-Engil tem vários projectos nos sectores da construção e obras públicas no mercado angolano, onde está presente desde 1946, o ano da fundação da Mota & Companhia.
Segundo fonte da empresa, a Mota-Engil está a construir um hotel em Benguela, uma das cidades sede do CAN 2010, que tem que estar concluído até ao final do ano para acolher uma das selecções apuradas para o campeonato.
O CEO da Soares da Costa admitiu que "houve algumas oportunidades para as quais olhámos, mas não foi uma prioridade para a empresa naquela altura".
Pedro Gonçalves adiantou que a empresa tem vários projectos em curso, em Angola, mas, contrapôs, "já estavam planificadas e não se pode dizer que tenham uma ligação directa ao campeonato".
Angola foi escolhida, em Setembro de 2006, para ser o país anfitrião da principal prova de futebol a nível de nações no continente africano, tendo a construção dos quatro estádios para o CAN 2010 sido atribuída por ajuste directo dada a necessidade de lançar as obras para estarem concretizadas no final de 2009.
De acordo com a página da Internet da comissão organizadora do CAN 2010, além dos quatro estádios construídos de raiz, "outros 11 estádios já existentes estão a ser recuperados para os treinos das selecções".
A organização do evento desportivo levou a que o governo angolano investisse "na melhoria e ampliação da malha rodoviária nacional e das vias locais, modernização da rede de telecomunicações, recuperação e extensão de dois aeroportos e construção de outros dois, renovação de frotas de transportes públicos e hospitais".
Segundo a comissão organizadora, "as intervenções representam a criação de milhares de empregos directos e indirectos, para além de permanecerem como benefícios perenes à população no pós Taça das Nações".
quinta-feira, outubro 22, 2009
Português David Mares vence prémio Guggenheim
"Estou? David Mares?"
"Sim..."
"Antes de mais, parabéns pelo prémio Guggenheim..."
"Mas ainda não se sabe quem ganhou...", interrompe o arquitecto português
"Sim, já se sabe, está no site do museu."
"[Silêncio] Ganhei?! Não sabia de nada!"
Foi desta forma que David Mares, 26 anos, ficou a saber que tinha sido vencedor do prémio do público do Concurso Internacional de Design do Museu Guggenheim, de Nova Iorque. David mostrou-se surpreendido porque não sabia que tinha ganho o prémio (o museu nova-iorquino pôs a notícia no site antes de contactá-lo), mas afirmou que já o esperava, dada a actualização de ontem da contagem dos votos que já lhe davam uma vantagem de 40 mil votos sobre o segundo classificado. O arquitecto português teve 64875 votos do público, enquanto que o segundo classificado, Gonzalo Raymundo, apenas teve 19682 votos.
O português de Setúbal concebeu um modelo virtual, em 3D, de um abrigo em cortiça (“Cork Block Shelter”), que se encontra projectado em Vale dos Barris, Setúbal. “O abrigo foi concebido para ser um bloco ecológico e vivo”, lê-se no site do museu nova-iorquino. A obra, para além de ser considerada uma boa forma de isolamento térmico numa região caracterizada por um microclima, também fornece um bom isolamento acústico. O abrigo "é apenas um projecto conceptual", diz David Mares. "E criar um abrigo para um estudante" é a ideia.
Mares explica como teve conhecimento do concurso: "Foi através de uma newsletter. Um colega meu é que me chamou à atenção". "Não tinha nada preparado, foi na altura que pensei no projecto", diz.
Agora espera-lhe uma viagem a Nova Iorque para duas pessoas e por duas noite, e o arquitecto espera maior reconhecimento, nacional e internacional, depois deste prémio. Para além do prémio do público, também estava em competição um prémio do júri que foi entregue ao dinamarquês David Eltang, criador de um abrigo marítimo na costa dinamarquesa que permite a protecção de tempestades.
"Sim..."
"Antes de mais, parabéns pelo prémio Guggenheim..."
"Mas ainda não se sabe quem ganhou...", interrompe o arquitecto português
"Sim, já se sabe, está no site do museu."
"[Silêncio] Ganhei?! Não sabia de nada!"
Foi desta forma que David Mares, 26 anos, ficou a saber que tinha sido vencedor do prémio do público do Concurso Internacional de Design do Museu Guggenheim, de Nova Iorque. David mostrou-se surpreendido porque não sabia que tinha ganho o prémio (o museu nova-iorquino pôs a notícia no site antes de contactá-lo), mas afirmou que já o esperava, dada a actualização de ontem da contagem dos votos que já lhe davam uma vantagem de 40 mil votos sobre o segundo classificado. O arquitecto português teve 64875 votos do público, enquanto que o segundo classificado, Gonzalo Raymundo, apenas teve 19682 votos.
O português de Setúbal concebeu um modelo virtual, em 3D, de um abrigo em cortiça (“Cork Block Shelter”), que se encontra projectado em Vale dos Barris, Setúbal. “O abrigo foi concebido para ser um bloco ecológico e vivo”, lê-se no site do museu nova-iorquino. A obra, para além de ser considerada uma boa forma de isolamento térmico numa região caracterizada por um microclima, também fornece um bom isolamento acústico. O abrigo "é apenas um projecto conceptual", diz David Mares. "E criar um abrigo para um estudante" é a ideia.
Mares explica como teve conhecimento do concurso: "Foi através de uma newsletter. Um colega meu é que me chamou à atenção". "Não tinha nada preparado, foi na altura que pensei no projecto", diz.
Agora espera-lhe uma viagem a Nova Iorque para duas pessoas e por duas noite, e o arquitecto espera maior reconhecimento, nacional e internacional, depois deste prémio. Para além do prémio do público, também estava em competição um prémio do júri que foi entregue ao dinamarquês David Eltang, criador de um abrigo marítimo na costa dinamarquesa que permite a protecção de tempestades.
Scott Paiva, o bom aluno que apertou a mão de Obama
Scott Paiva tem 18 anos e dá pela testa de Barack Obama.
"Tenho 1,83 metros", responde do outro lado do Atlântico, de New Bedford, no Massachusetts (Leste dos EUA). A pergunta é automática quando se olha para a fotografia tirada segunda-feira na Casa Branca, em que Scott está ao lado do presidente americano. Por motivos de segurança, as câmaras pessoais ficaram à entrada, num espaço onde reina a objectiva do fotógrafo oficial da Casa Branca, Pete Souza, que tem origens açorianas. A história do bom aluno especialista em impostos, que esta semana teve direito a um aperto de mão presidencial, também começa em Portugal, há quatro gerações. Scott não fala português, mas veio passar o último Verão a S. Miguel. As raízes ficam um instante de lado para falar do feito.
No semestre antes das férias, no último ano do liceu de New Bedford, um professor pediu à turma de futuros caloiros para traçarem um plano de negócios, desafio lançado anualmente pela Network for Teaching Entrepreneurship (NFTE), uma organização sem fins lucrativos destinada a "ajudar jovens de comunidades pobres a formar competências e a libertar a sua criatividade empreendedora". O seu projecto, uma empresa que ajudaria os jovens da cidade universitária de Boston a lidar com declarações de impostos e outras burocracias, foi um dos melhores, e passou à competição inter-turmas da escola. Ganhou outra vez e foi ao duelo regional, em Boston. Passou e chegou à fase nacional. A gravata oficial da presidência Nova Iorque, 7 de Outubro: "Às oito da manhã éramos 28 candidatos. Às sete da noite já só éramos três, fiquei em terceiro lugar", conta Scott, entre repetidos "não estava nada à espera". Em poucos dias, tornou-se numa pop star em New Bedford, onde há uma grande comunidade de imigrantes portugueses. Recebeu perto de 4000 euros durante toda a competição para arrancar com uma start-up providencial para jovens menos desenrascados com o fisco. "No fundo, é um negócio que já corria na família", diz. O pai, nascido na vila de Rabo de Peixe - e que também apertou a mão a Obama - e a mãe, de Ribeira de Chã, conheceram-se em New Bedford e têm uma empresa de serviços relacionados com impostos. "Obama apertou-nos a mão, falou cinco minutos conosco e deu-nos a gravata oficial da presidência." Uma gravata oficial da presidência? "Sim, havia melhor souvenir para trazer da Casa Branca?" Scott-futuro-homem-de-negócios ri-se.
A visita começou com duas horas a conhecer os recantos da Casa Branca e terminou na sala oval. Foram acompanhados por uma comitiva da NFTE até ao escritório do presidente. "Éramos oito, mas na sala ao lado viam-se seguranças e pessoal dos serviços secretos, just in case", volta a sorrir. "Quando entrámos, ele já sabia os nossos nomes e quais eram os nossos projectos. Disse-me: 'Acho que a tua ideia podia dar jeito ao pessoal do meu gabinete.'" Fora da televisão e do barulho das luzes, "é difícil descrevê-lo", diz Scott. "Pela forma como nos apertou a mão, pelo interesse que tinha no que estávamos a dizer, pela forma como nos olhava directamente nos olhos, pareceu-me uma pessoa muito centrada". Para já, garante, não trocava as finanças pela política. "É muito desconcertante para alguém da minha idade conhecer o presidente, mas acho que vai ajudar-me." Lição: "Nunca desistir de uma ideia."
"Tenho 1,83 metros", responde do outro lado do Atlântico, de New Bedford, no Massachusetts (Leste dos EUA). A pergunta é automática quando se olha para a fotografia tirada segunda-feira na Casa Branca, em que Scott está ao lado do presidente americano. Por motivos de segurança, as câmaras pessoais ficaram à entrada, num espaço onde reina a objectiva do fotógrafo oficial da Casa Branca, Pete Souza, que tem origens açorianas. A história do bom aluno especialista em impostos, que esta semana teve direito a um aperto de mão presidencial, também começa em Portugal, há quatro gerações. Scott não fala português, mas veio passar o último Verão a S. Miguel. As raízes ficam um instante de lado para falar do feito.
No semestre antes das férias, no último ano do liceu de New Bedford, um professor pediu à turma de futuros caloiros para traçarem um plano de negócios, desafio lançado anualmente pela Network for Teaching Entrepreneurship (NFTE), uma organização sem fins lucrativos destinada a "ajudar jovens de comunidades pobres a formar competências e a libertar a sua criatividade empreendedora". O seu projecto, uma empresa que ajudaria os jovens da cidade universitária de Boston a lidar com declarações de impostos e outras burocracias, foi um dos melhores, e passou à competição inter-turmas da escola. Ganhou outra vez e foi ao duelo regional, em Boston. Passou e chegou à fase nacional. A gravata oficial da presidência Nova Iorque, 7 de Outubro: "Às oito da manhã éramos 28 candidatos. Às sete da noite já só éramos três, fiquei em terceiro lugar", conta Scott, entre repetidos "não estava nada à espera". Em poucos dias, tornou-se numa pop star em New Bedford, onde há uma grande comunidade de imigrantes portugueses. Recebeu perto de 4000 euros durante toda a competição para arrancar com uma start-up providencial para jovens menos desenrascados com o fisco. "No fundo, é um negócio que já corria na família", diz. O pai, nascido na vila de Rabo de Peixe - e que também apertou a mão a Obama - e a mãe, de Ribeira de Chã, conheceram-se em New Bedford e têm uma empresa de serviços relacionados com impostos. "Obama apertou-nos a mão, falou cinco minutos conosco e deu-nos a gravata oficial da presidência." Uma gravata oficial da presidência? "Sim, havia melhor souvenir para trazer da Casa Branca?" Scott-futuro-homem-de-negócios ri-se.
A visita começou com duas horas a conhecer os recantos da Casa Branca e terminou na sala oval. Foram acompanhados por uma comitiva da NFTE até ao escritório do presidente. "Éramos oito, mas na sala ao lado viam-se seguranças e pessoal dos serviços secretos, just in case", volta a sorrir. "Quando entrámos, ele já sabia os nossos nomes e quais eram os nossos projectos. Disse-me: 'Acho que a tua ideia podia dar jeito ao pessoal do meu gabinete.'" Fora da televisão e do barulho das luzes, "é difícil descrevê-lo", diz Scott. "Pela forma como nos apertou a mão, pelo interesse que tinha no que estávamos a dizer, pela forma como nos olhava directamente nos olhos, pareceu-me uma pessoa muito centrada". Para já, garante, não trocava as finanças pela política. "É muito desconcertante para alguém da minha idade conhecer o presidente, mas acho que vai ajudar-me." Lição: "Nunca desistir de uma ideia."
quarta-feira, outubro 21, 2009
Monarquia em Portugal III - Curiosidades
Sem querer entrar em disputas científicas acho que há alguns dados que vale a pena referir, isto ainda em relação a classificações.
No IDH (Human development Index) deste ano publicado pelo PNUD (Programa Desenvolvimento das Nações Unidas) há dados a reter.
Isto são meros indicativos e reforço não digo que haja relacionamento directo entre o regime destes países e os índices de desenvolvimento apresentados. Mas há dados curiosos.
O ranking deste ano é encabeçado por uma monarquia, a Noruega. Existem 6 países monarquicos e 4 países republicanos nos 10 primeiros lugares. Há algumas surpresas como a entrada da França e da Suíça nos 10 primeiros.
Sendo estes dados de 2008 ,duas repúblicas que cairão certamente para fora dos 10 mais no próximo ano, Islândia e Irlanda.
Bom mas este assunto está mais do que debatido e demonstrado, mas encontrei um indicador interessante, o GINI Index. Este é um valor que demonstra entre 0 a 100 o valor da desigualdade entre ricos e pobres num dado país.
A Reter: Os Quatro países com menor nível de desigualdade no Mundo são quatro monarquias, a saber, Dinamarca, Japão, Suécia e Noruega. Em 4º lugar ex-aequo com a Noruega surge a República Checa e a Eslováquia.
A reter ainda mais fortemente, Portugal surge neste Ranking em 61º lugar. Sim repito, 61º lugar.
A comparar... o valor da Dinamarca 24.7 com os 38.5 apresentados pelo nosso país, entre o Irão, sim isso mesmo o Irão, e o Benim. Isto é de facto um dado muito preocupante.
E a Dinamarca até aparece somente no 16º lugar no índice global do IDH, Portugal no 34º.
Além destes dados escabrosos, agora uma achega à minha dama, isto seguindo uma afirmação onde dizia que as monarquias eram mais "amigas" dos seus cidadãos. Num mero exercício não científico, peguei no ranking do IDH e verifiquei o índice GINI (que mede a desigualdade entre ricos e pobres) das três monarquias e repúblicas europeias melhor classificadas.
A saber Irlanda, França e Suiça, 5º, 8º e 9º respectivamente na classificação do IDH e Noruega Holanda e Suécia, 1º, 6º e 7º ordenadamente. (Um aparte, a Islândia não apresenta índice de GINI)
A república com menor desigualdade das referidas é a França, que apresenta um nível de desigualdade de 32.7. Portugal relembro 38.5. A Suécia apresenta um valor de 25.0. Como vêm há quase 8 pontos de diferença entre França e a Suécia, Portugal está literalmente tramado, a quase 14 pontos da Suécia.
Assim sendo temos que a média de desigualdade entre as três repúblicas europeias apresentadas é de 33,6 e relembrando que o ideal seria o zero o que equivaleria um país sem desigualdades entre ricos e pobres, a média das três monarquias referidas anteriormente é um valor de 27,2, ou seja 6.4 pontos de diferença.
Portugal é o país da União Europeia com maiores desigualdades económicas.
No IDH (Human development Index) deste ano publicado pelo PNUD (Programa Desenvolvimento das Nações Unidas) há dados a reter.
Isto são meros indicativos e reforço não digo que haja relacionamento directo entre o regime destes países e os índices de desenvolvimento apresentados. Mas há dados curiosos.
O ranking deste ano é encabeçado por uma monarquia, a Noruega. Existem 6 países monarquicos e 4 países republicanos nos 10 primeiros lugares. Há algumas surpresas como a entrada da França e da Suíça nos 10 primeiros.
Sendo estes dados de 2008 ,duas repúblicas que cairão certamente para fora dos 10 mais no próximo ano, Islândia e Irlanda.
Bom mas este assunto está mais do que debatido e demonstrado, mas encontrei um indicador interessante, o GINI Index. Este é um valor que demonstra entre 0 a 100 o valor da desigualdade entre ricos e pobres num dado país.
A Reter: Os Quatro países com menor nível de desigualdade no Mundo são quatro monarquias, a saber, Dinamarca, Japão, Suécia e Noruega. Em 4º lugar ex-aequo com a Noruega surge a República Checa e a Eslováquia.
A reter ainda mais fortemente, Portugal surge neste Ranking em 61º lugar. Sim repito, 61º lugar.
A comparar... o valor da Dinamarca 24.7 com os 38.5 apresentados pelo nosso país, entre o Irão, sim isso mesmo o Irão, e o Benim. Isto é de facto um dado muito preocupante.
E a Dinamarca até aparece somente no 16º lugar no índice global do IDH, Portugal no 34º.
Além destes dados escabrosos, agora uma achega à minha dama, isto seguindo uma afirmação onde dizia que as monarquias eram mais "amigas" dos seus cidadãos. Num mero exercício não científico, peguei no ranking do IDH e verifiquei o índice GINI (que mede a desigualdade entre ricos e pobres) das três monarquias e repúblicas europeias melhor classificadas.
A saber Irlanda, França e Suiça, 5º, 8º e 9º respectivamente na classificação do IDH e Noruega Holanda e Suécia, 1º, 6º e 7º ordenadamente. (Um aparte, a Islândia não apresenta índice de GINI)
A república com menor desigualdade das referidas é a França, que apresenta um nível de desigualdade de 32.7. Portugal relembro 38.5. A Suécia apresenta um valor de 25.0. Como vêm há quase 8 pontos de diferença entre França e a Suécia, Portugal está literalmente tramado, a quase 14 pontos da Suécia.
Assim sendo temos que a média de desigualdade entre as três repúblicas europeias apresentadas é de 33,6 e relembrando que o ideal seria o zero o que equivaleria um país sem desigualdades entre ricos e pobres, a média das três monarquias referidas anteriormente é um valor de 27,2, ou seja 6.4 pontos de diferença.
Portugal é o país da União Europeia com maiores desigualdades económicas.
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Monarquia em Portugal
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