quarta-feira, outubro 21, 2009

Monarquia em Portugal III - Curiosidades

Sem querer entrar em disputas científicas acho que há alguns dados que vale a pena referir, isto ainda em relação a classificações.

No IDH (Human development Index) deste ano publicado pelo PNUD (Programa Desenvolvimento das Nações Unidas) há dados a reter.

Isto são meros indicativos e reforço não digo que haja relacionamento directo entre o regime destes países e os índices de desenvolvimento apresentados. Mas há dados curiosos.

O ranking deste ano é encabeçado por uma monarquia, a Noruega. Existem 6 países monarquicos e 4 países republicanos nos 10 primeiros lugares. Há algumas surpresas como a entrada da França e da Suíça nos 10 primeiros.

Sendo estes dados de 2008 ,duas repúblicas que cairão certamente para fora dos 10 mais no próximo ano, Islândia e Irlanda.

Bom mas este assunto está mais do que debatido e demonstrado, mas encontrei um indicador interessante, o GINI Index. Este é um valor que demonstra entre 0 a 100 o valor da desigualdade entre ricos e pobres num dado país.

A Reter: Os Quatro países com menor nível de desigualdade no Mundo são quatro monarquias, a saber, Dinamarca, Japão, Suécia e Noruega. Em 4º lugar ex-aequo com a Noruega surge a República Checa e a Eslováquia.

A reter ainda mais fortemente, Portugal surge neste Ranking em 61º lugar. Sim repito, 61º lugar.

A comparar... o valor da Dinamarca 24.7 com os 38.5 apresentados pelo nosso país, entre o Irão, sim isso mesmo o Irão, e o Benim. Isto é de facto um dado muito preocupante.

E a Dinamarca até aparece somente no 16º lugar no índice global do IDH, Portugal no 34º.

Além destes dados escabrosos, agora uma achega à minha dama, isto seguindo uma afirmação onde dizia que as monarquias eram mais "amigas" dos seus cidadãos. Num mero exercício não científico, peguei no ranking do IDH e verifiquei o índice GINI (que mede a desigualdade entre ricos e pobres) das três monarquias e repúblicas europeias melhor classificadas.

A saber Irlanda, França e Suiça, 5º, 8º e 9º respectivamente na classificação do IDH e Noruega Holanda e Suécia, 1º, 6º e 7º ordenadamente. (Um aparte, a Islândia não apresenta índice de GINI)

A república com menor desigualdade das referidas é a França, que apresenta um nível de desigualdade de 32.7. Portugal relembro 38.5. A Suécia apresenta um valor de 25.0. Como vêm há quase 8 pontos de diferença entre França e a Suécia, Portugal está literalmente tramado, a quase 14 pontos da Suécia.

Assim sendo temos que a média de desigualdade entre as três repúblicas europeias apresentadas é de 33,6 e relembrando que o ideal seria o zero o que equivaleria um país sem desigualdades entre ricos e pobres, a média das três monarquias referidas anteriormente é um valor de 27,2, ou seja 6.4 pontos de diferença.

Portugal é o país da União Europeia com maiores desigualdades económicas.

terça-feira, outubro 20, 2009

Monarquia em Portugal II - Classificações

Tiago Moreira Ramalho (TMR) há poucos dias desvalorizava no Expresso o facto de na maioria das classificações mundiais as monarquias aparecerem nos lugares de topo, afirmando que eram países ricos mesmo antes de se pensar em repúblicas.

No primeiro texto desta série desconstruí este argumento, com razão ou não, vocês decidam. Por outro lado na visão dele nenhuma monarquia poderia ser democrática porque não era eleito o chefe de estado. Acredito ter desconstruido também esse argumento.

Juntando os dois argumentos de TMR surgiu agora um index interessante para lhe dar resposta. Concordará comigo TMR que um dos indicadores mais expressivos da qualidade de uma democracia é a liberdade de Imprensa. Os Repórteres sem Fronteiras publicaram agora o seu index de 2009, e quem diria:

No primeiro lugar ex-aequo surgem a Dinamarca, Finlândia, Irlanda, Noruega e Suécia. Duas Repúblicas e três Monarquias. Muito bem para países que não são democráticos digo eu.

Vendo a classificação mais a fundo podemos verificar que todas as Monarquias europeias estão nos 20 primeiros lugares, exceptuando a espanhola, que se encontra em 44º, explicado com a existência ainda de ameaças físicas a jornalistas neste país.

Temos então que todas as monarquias europeias estão nos primeiros 20 lugares (excepto Espanha). Nalguns lugares interessantes encontramos Portugal que ocupa o 30º lugar (caíu 14) empatado com países tão simpáticos como o Mali e a Costa Rica.

Temos também a bela república de Itália no 49º lugar encalhada entre Hong Kong e a Roménia.

Essa terra de liberdade e arauto do republicanismo a que se dá o nome de república de França aparece no 44º lugar entre Suriname e Cabo Verde.

Muito bem, repito eu, para países não democráticos como afirma Tiago Moreira Ramalho.

Vitória ao cubo nosÓscares do turismopara a cidade da luz

Foi um triplo salto da capital portuguesa, que vence três das principais categorias dos World Travel Awards (WTA). Cruzeiros, escapadelas, mas sobretudo a melhor cidade europeia para viajar. O que é que Lisboa tem em 2009?

A vida turística é como o eléctrico 28 nas colinas de Lisboa: umas vezes está a subir, outras vezes está a descer para cada destino. Depois de em 2008 ter sido contemplado nos WTA com um único prémio, institucional, para o Turismo de Portugal, este ano o país foi muito premiado: três prémios para Lisboa e para dois hotéis.
Apesar dos dramas que os portugueses vêem em primeiro lugar (a falta de um terminal portuário adequado, as obras que se eternizam, o deserto ao lusco-fusco na Baixa, a colonização estival do Algarve), somos os maiores da Europa em cinco categorias: Lisboa é o melhor destino europeu, a melhor cidade europeia para uma escapadela (city break) e a melhor cidade destino de cruzeiros da Europa; o hotel Vila Joya, no Algarve, com o seu serviço de helicópteros, limusinas e golfe é o melhor resort boutique da Europa; e o Marriott Golf & Beach Resort da Praia d'el Rey, na região de Óbidos (onde se realizou a cerimónia dos prémios), é o melhor resort europeu de golfe e lazer.

Os WTA da Europa foram revelados no sábado, depois de uma votação em que pela primeira vez os utilizadores do site da WTA puderam participar, juntando-se a milhares de profissionais de turismo (cujo voto vale o dobro do que o de um "civil"). Havia 27 nomeados portugueses na divisão europeia e vieram cinco prémios. Em 2008 o melhor porto foi Copenhaga e o melhor destino era Londres. A categoria "escapadela" não existia, pelo que coube a Lisboa inaugurá-la. O que mudou para que a elegessem como a cidade ideal para tantas actividades?
A vitória do Turismo de Portugal em 2008 "talvez tenha a ver com os bons resultados deste ano", sugere João Passos, presidente da Associação Portuguesa dos Agentes de Viagens e Turismo (APAVT). "A promoção foi feita, funcionou bem" e colheram-se os frutos, sugere. Quanto ao triplo salto dado por Lisboa, João Passos, que é portuense, não hesita: "Lisboa porque é Lisboa. Desde sempre é uma cidade atractiva, cheia de luz, que cativa."

Já o director do Sheraton e presidente do Convention Bureau do Turismo de Lisboa, António Pereira, diz que "a cidade tem-se preparado para os dias de hoje, é moderna, e tem muita oferta para turistas com pouco tempo". "É uma cidade fantástica para city breaks, pelo seu ambiente, pela luz e pelo povo. Estamos na moda."
A categoria "decity breakssurge" num contexto especial: de crise, de implantação daslow-cost, de alterações culturais que subdividem os períodos de lazer. "As pessoas já não vão de férias por 30 dias, cada vez mais juntam dois dias de férias a um fim-de-semana para escapadelas", contextualiza António Pereira, que concorda que "a crise veio facilitar ou fazer com que o segmento de city breaks tivesse uma melhoria".
O crescimento das low-cost,prossegue, "ajuda muitíssimo". E "Lisboa é um dos destinos com melhor qualidade ao melhor preço." Por isso chegam espanhóis, ingleses, alemães e, mais recentemente, americanos e russos e brasileiros. "Os breaks estão na moda", confirma João Passos, também graças "à flexibilização das tarifas aéreas", que deixaram de exigir estadias de uma semana ou de uma noite de sábado para preços mais baixos.
E há o golfe e os cruzeiros. Portugal, com a aposta no turismo como principal actividade económica, vence com Lisboa em três categorias para diferentes bolsas e com dois hotéis de escalão alto - e voltados para o golfe. "É um subsector extremamente importante para a economia portuguesa", nota o presidente da APAVT.

Dar visibilidade ao país
Num país que canta os seus "magníficos dias atlânticos", Lisboa é também o melhor destino de cruzeiro. É um mercado que envolve cerca de 15 milhões de passageiros/ano em todo o mundo (cinco milhões na Europa), de acordo com dados da Royal Caribbean Cruises, um dos maiores operadores, divulgados pela Lusa. Mas é apenas o sexto porto a nível ibérico e está longe de cumprir o plano nacional estratégico de turismo (2007), que até 2017 quer Lisboa e Madeira no top 8 europeu.
Entre Janeiro e Julho, 463 mil passageiros de cruzeiros passaram pelos portos portugueses (crescimento de 5,4% em relação a 2008); 194.634 estiveram em Lisboa. Mas a capital, segundo operadores internacionais, tem algumas dores de crescimento: o terminal não é funcional para o número crescente de passageiros; um cruzeiro mediterrânico que passe por Lisboa faz uma viagem mais longa e, por isso, mais cara.
"Há uma entropia", reconhece João Passos, mas "tem-se assistido a um crescimento imenso". António Pereira concorda e pede soluções rápidas. A Administração do Porto de Lisboa diz à Lusa que o novo cais de Santa Apolónia (2011) vai solucionar estas questões.
No final de contas, os WTA aumentam o reconhecimento internacional dos vencedores, resume a organização. "Não posso quantificar, mas estes prémios têm sempre resultados positivos", explica João Passos. "O facto de serem votados por operadores de todo o mundo aumenta ainda mais o seu significado" e dão "mais visibilidade ao país como destino de qualidade". E cada um deles - também os sete hotéis que foram distinguidos na categoria portuguesa - passa à final mundial dos WTA, que se realiza em Londres a 8 de Novembro.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Monarquia em Portugal I - O Rei Sou Eu

Tiago Moreira Ramalho publicou um texto no blogue aparelho de estado do jornal Expresso onde tenta desmontar alguns dos argumentos dos monárquicos. Claro que é uma opinião e este texto, uma espécie de resposta será somente um debate de ideias.

Ora o senhor Ramalho faz muita questão de utilizar palavras como mentiras e falácias, o que se torna irónico quando ele comete tantas no seu texto.

Em tom de brincadeira diria que comete uma falácia logo no início quando diz que os republicanos "toleram" os monárquicos porque são simpáticos e não querem ofender as crenças de ninguém. Que eu saiba não foram os monárquicos que assassinaram pessoas, nem usaram da força bruta para impor um regime de iluminados lisboetas enlevados por ideais franco-russos. Mas isto apenas em tom de brincadeira.

Seguindo o texto do senhor Ramalho passo a explicar:

Facto: sem falar em riquezas, falarei pelo menos numa classificação, a que se dá o nome de IDH (índice de desenvolvimento humano) que é elaborado pela ONU. Nesta classificação é analisada a sociedade como um todo, educação, amparo social, riqueza, vários vectores. Este ano não conheço o Ranking em detalhe mas sei que Portugal caiu, andará nos trigésimos e o líder é uma monarquia de seu nome Noruega. Há dois anos, recordo-me de cor, 7 dos 10 primeiros classificados eram monarquias.

Não é sério e isso dou-lhe de barato, fazer um exercício em que se associe directamente o facto de o regime monárquico seja por si só sinal de riqueza. Mas algo há de haver nas monarquias para que ano após ano, com crises ou sem crises, as monarquias liderem em todas as classificações mundiais.

E logo o sr. Ramalho comete nova falácia, diz que as monarquias já eram países ricos antes de se pensar em república. Além do regime republicano ser tão antigo como o monárquico, sugiro ao sr. Ramalho que se debruce um pouco em história comparada entre Portugal e Espanha especialmente o século XX. Recordo-lhe que a Espanha não era um país rico e qual foi a diferença para Portugal? Exactamente a monarquia versus a III, IV, ou XX república em que vivemos.

No segundo ponto o sr. Ramalho dá uma novidade aos cidadãos das monarquias europeias, nenhuma delas é democrática!!! Sugiro que vá dizer isso a um holandês, a um espanhol ou até a belga.

No mesmo parágrafo vem mais uma das patacoadas típicas dos republicanos. O desígnio divino! Falo-lhe somente do caso Português; no nosso país o rei sempre foi tido como um primus inter pares, ou seja o primeiro entre iguais. Bem pode torcer o parafuso, estrebuchar o que quiser, há uma realidade inalienável em Portugal, o Rei é escolhido pelo povo. Eu sei que esta afirmação lhe pode provocar alguma contusão cerebral, mas... informe-se.

Não é o direito divino que legitima um rei, é o povo através das cortes, para que saiba é basicamente um parlamento eleito pelo povo. O órgão máximo numa monarquia constitucional não é o Rei, é o Povo através das cortes.

Claro que existem regras, as quais forma feitas para manter a coerência e a estabilidade de um país, mas qualquer rei pode ser legitimado ou deposto pelos seu pares, ou seja todo e qualquer português.

Sendo que estas linhas derrubam por completo a argumentação do sr. Ramalho, ofereço-lhe mais uma grátis. Quando um monárquico afirma que Espanha ou Inglaterra é mais democrático que Portugal, não é num sentido quantitativo, aliás isso seria estúpido, não se é mais ou menos democrático, o se é ou não se é. O que pode ser medida é a qualidade da democracia, e as democracias monárquicas parecem resguardar melhor os direitos liberdades e garantias, além de serem bastante mais funcionais e "amigas" dos seus cidadãos.

Monarquia em Portugal - Prefácio

Faz algum tempo, e sobretudo após a troca de bandeiras na Câmara de Lisboa que me deu a vontade de desfazer alguns mitos e ideias estapafúrdias em redor da monarquia.

Um exercício que fiz na altura e com o qual me diverti imenso foi ler os comentários deixados pelos leitores das notícias. A quantidade de patacoadas e demonstrações de ignorância só me convenceu de uma coisa: ainda bem que não pode haver referendo porque a ignorância é tal que a sociedade não está preparada nem esclarecida, talvez por 100 anos de lavagem cerebral.

Os monárquicos em Portugal têm muitas fraquezas, facilmente reconhecíveis, uma delas é faltar, não digo que não existam, pensadores que com espírito de luta, moderação e inteligência falem sobre monarquia descomplexadamente.

Não me quero arrogar de ser um deles, mas deixarei o meu contributo pelo menos para talvez abrir algum caminho a quem com maior inteligência possa pegar e elevar a outros píncaros.

A série de textos sob a etiqueta Monarquia em Portugal será sobretudo uma reflexão sobre algumas das ideias deformadas dos portugueses sobre este tipo de regime e como poderá ele servir ou não para melhorar a vida pública portuguesa

Maitê

A reacção tuga à descaradice da brasileira é de um provincianismo atroz. É interessante como o portuga se sente ofendido com um video de uma actriz brasileira e não por exemplo com o facto de uma parte do seu território estar ocupado.

"Os portugueses são esquisitos" (Maitê Proença)

quinta-feira, outubro 15, 2009

Pedro Pires aborda cooperação energética e oceanográfica em Berlim

O Presidente de Cabo Verde considera "extremamente interessantes" os contactos políticos mantidos no primeiro dia da visita oficial à Alemanha, em que abordou, nomeadamente, possibilidades de cooperação nos domínios das energias renováveis e da pesquisa oceanográfica.

"Queremos fazer de Cabo Verde uma plataforma para a investigação oceanográfica e atmosférica", disse Pires em Berlim, depois de se reunir com o homólogo alemão Horst Koehler, com a comissão parlamentar para a Áfrical Ocidental e Central e com o burgomestre da capital alemã, Klaus Wowereit. O Chefe de Estado cabo-verdiano adiantou ainda que irá agora debater a cooperação empresarial nestas e noutras áreas, como o turismo, com uma associação de empresários alemães, na quinta-feira, em Hamburgo, próxima etapa da sua visita.

Actualmente 13% dos turistas que visitam cabo Verde saem da Alemanha, "e trata-se de um mercado com petencialidades de que tem de se tirar o maior proveito", referiu Pedro Pires. O Presidente aproveitou também a visita à Alemanha para solicitar "a compreensão" das autoridades de Berlim para os projectos que Cabo Verde apresentará em breve no quadro da parceira especial com a União Europeia. Pires pediu também a adesão da maior economia europeia à chamada parceria para a mobilidade, para facilitar a emigração legal de cidadãos cabo-verdianos para o espaço da UE, projecto que já teve o apoio de Portugal, Espanha, França, Holanda e Luxemburgo.

Antes de deixar Berlim Pedro Pires proferiu uma palestra sobre o desenvolvimento económico, político e social de Cabo Verde desde a independência, considerado exemplar a nível internacional. "Somos ambiciosos, não queremos ser mais um problema ou encargo para a comunidade internacional", afirmou Pedro Pires na Fundação Friedrich Ebert. O chefe de Estado criticou, no entanto, o facto de Cabo Verde já não beneficiar de ajuda ao desenvolvimento de países como a Alemanha, por ser entretanto considerado um país de rendimento médio. "Quando um avião descola, que foi o que nós fizemos, não se lhe pode cortar o combustível em pleno voo", disse o político cabo-verdiano, ressalvando no entanto que não foi à Alemanha pedir ajuda, "mas sim mais investimentos e mais turismo". A visita de Pedro Pires à Alemanha prossegue na quinta e na sexta-feira, para se reunir com a diáspora cabo-verdiana em Hamburgo e falar de cooperação no âmbito da pesquisa oceanográfica, na Universidade de Kiel.

Barbot está a negociar compra da segunda empresa em Espanha

O grupo industrial de tintas Barbot está a negociar a compra de uma empresa fabricante de revestimentos em Espanha, uma operação que, disse o presidente da empresa, deverá estar concluída até ao final do ano.

"Estamos a olhar para outra empresa, no mercado espanhol, e até ao final do ano o negócio deve estar concretizado", afirmou Carlos Barbot, à margem do seminário "Crescer, comprando empresas em Espanha", organizado pela Associação Empresarial de Portugal. O presidente do grupo industrial de tintas adiantou que se trata "de um empresa fabricante de revestimentos", que é vista como uma possibilidade de "consolidação no mercado ibérico e reforço da política de expansão".

O Grupo Barbot entrou, no início do ano, no mercado espanhol, através da compra de 70% do capital da Jallut Pinturas, empresa do sector das tintas, sedeada na Catalunha, que permitiu à empresa portuguesa alargar o seu portefólio a novos segmentos. Segundo Carlos Barbot, "Espanha vive uma crise muito maior do que a portuguesa, mas vai recuperar, porque sempre recuperou mais depressa do que nós". No seminário organizado pela AEP, o empresário defendeu que "este é o momento certo para a aquisição de empresas em Espanha", porque, acrescentou, "ultrapassados os problemas, vai voltar a haver falta de interlocutores e preços impossíveis". O presidente do grupo Barbot recordou que andou anos a tentar entrar, em Espanha, sem sucesso, admitindo que foi a mudança da conjuntura económica que abriu as portas do mercado espanhol. "Quando o mercado deu a volta, ligaram-me a ver se ainda estava interessado e aí tive a oportunidade de comprar a empresa que mais me interessa e a melhor preço", contou.

Carlos Barbot acrescentou que "a gestão das empresas em Espanha não é famosa", aconselhando a contratação de assessores laborais para mediar os negócios de aquisição ou fusão no mercado espanhol. "Viveram sempre num mercado em subida, nunca tiveram que fazer grandes contas e há muita promiscuidade entre o dinheiro dos accionistas e o das empresas", revelou o empresário. Para este ano, está ainda nos planos de Carlos Barbot avançar para a construção de uma fábrica de raiz, nos arredores de Luanda, que permitirá reforçar a produção em Angola. O empresário explicou que o actual edifício não responde às necessidades da Barbot, que este ano deverá ter um volume de negócios de 45 milhões de euros, mais dez milhões do que em 2008.

Pela primeira vez editora venezuelana distribui livros para aprender português

Pela primeira vez, uma editora venezuelana iniciou a distribuição de livros para o ensino da Língua Portuguesa em Caracas, uma iniciativa decorrente de um acordo entre as empresas portuguesa Lidel e a venezuelana Colegial Bolivariana.

Os livros - que, de momento, são enviados de Portugal - encontram-se à venda em Los Ruices, na livraria da editora e são constantemente folheados curiosamente por clientes e leitores de diferentes idades, que alegam as mais variadas razões para se interessarem pela língua portuguesa. "Houve um acordo para começar com uma fase de distribuição de livros de ensino do português e, se o mercado o justificar, fazer algum tipo de co-edição entre as duas editoras, isto é, poderíamos inclusive imprimir os livros na Venezuela", explicou o gerente da Colegial Bolivariana, Luís Miguel Juzgado. Adiantou que a venda foi coordenada com os centros de ensino de português e foi iniciada a distribuição, tendo a Lídel expedido uma grande variedade de livros de diferentes níveis para crianças e adultos, alguns deles de leitura.
"Temos neste momento variedade, alguns maiores que são os seleccionados pelos educadores, e uma diversificação de temas à disposição na livraria para quem se interessar por algo mais", frisou.

A livraria foi alvo, quarta-feira, de uma visita da cônsul-geral de Portugal em Caracas, Isabel Brilhante Pedrosa, que referiu a "enorme satisfação" de "ver no terreno uma resposta a uma necessidade que se fazia sentir há muito entre a comunidade portuguesa que reclamava que não tinha materiais para os cursos de língua portuguesa". Recordou que "os alunos recorriam sistematicamente ao uso de fotocópias, o que além de ser ilegal, é também, do ponto de vista pedagógico, pouco recomendável". "A partir deste momento têm a possibilidade de adquirir em Caracas um conjunto de manuais e livros de exercícios, o que é um passo muito importante e muito positivo para a expansão da língua portuguesa na Venezuela", disse. Entre os curiosos, estava Francy de Barros, uma venezuelana que se inscreveu num curso de Língua Portuguesa, no Colégio Virgem de Fátima. Questionada sobre a razão para comprar um livro, alegou tratar-se de uma questão amorosa. "Estou casada com um português há 21 anos e não falo português. Estive em Portugal, em Maio, e toda a família, ainda que muitos deles falem espanhol porque cresceram aqui na Venezuela, me dizia que tenho de falar português". "No próximo ano, vamos outra vez a Portugal e quero fazer-lhes a surpresa de que falo português - ou que pelo menos entendo", concluiu.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Universidade de Coimbra é a melhor cotada pelo The Times

A Universidade de Coimbra (UC) é, pelo quarto ano consecutivo, a instituição de ensino superior portuguesa mais bem cotada e a única entre as 400 melhores num ranking mundial publicado pelo The Times.

A UC subiu, este ano, 21 posições neste ranking, ocupando agora a 366ª posição a nível mundial. A nível europeu, ocupa o 166º lugar.
Segundo o The Times, a UC é a terceira melhor da lusofonia e a sexta melhor da Península Ibérica.
A qualidade da investigação, a empregabilidade dos alunos, a internacionalização das instituições e a qualidade pedagógica dos cursos são alguns dos aspectos tidos em conta na elaboração do ranking, que pondera cinco critérios: avaliação por pares, avaliação por empregadores, artigos científicos citados, rácio docentes/estudantes e internacionalização.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Escuta fiasco Gate

Cavaco nada esclareceu...

Disto tudo resulta apenas uma mensagem.

Viva o Rei...

(Não me parece que em monarquia haja partidarização do chefe máximo do estado... Agradável hem?)

terça-feira, setembro 29, 2009

Amin Maalouf

O Escritor Francolibanês voz de muitos muçulmanos moderados será monárquico? Ao "El Mundo" de espanha afirma:

"Não estou seguro que haja uma solução militar para o conflito no Afeganistão. Houve uma oportunidade, quando da caída dos taliban, para instalar um regime que pudesse unir todas as facções do País. Pode ser, sendo a esta a minha visão pessoal, que a solução seja restaurar a monarquia"


Nãããããã, deve ser doido, isso monarquia é do antigamente.... :P

Ler aqui

Foi rápido...

Bastou CDS - PP ser na visão de muitos o grande vencedor das legislativas para dois dias depois começar o contra-ataque (aqui)

Curioso....

quarta-feira, setembro 23, 2009

Afinal o PS também compra votos!

Mas estes não é numa garagem, é mesmo pela comunicação Social.


Compram-se votos: O preço, um Magalhães



aqui ou aqui (foto Público)

segunda-feira, setembro 14, 2009

"Portugal não é uma província de Espanha"

Com esta frase Manuela Ferreira Leite ganhou o meu voto.

(Ps: Dedicado aos inteligentes deste canto à beira mar plantado que simplesmente não percebem ou não querem perceber o verdadeiro significado desta frase)

sexta-feira, setembro 11, 2009

A culpa é da crise?

O Governo anuncia com pompa e circunstância o facto de Portugal estar agora na 33.ª posição no pilar Inovação e na 43.ª posição no índice global de competitividade, do Forum Económico Mundial

Há 4 anos, porém, no seu programa eleitoral, criticou fortemente o então Governo PSD / CDS pelo facto de Portugal se encontrar na posição 32.ª no pilar Inovação e na 25.ª posição no índice de competitividade. O PS propunha-se, então, adoptar uma série de medidas que nos colocariam nos lugares cimeiros dos referidos índices.

In "Rua direita"

sábado, setembro 05, 2009

Escócia quer referendo para a independência

A proposta do Governo regional minoritário terá grande dificuldade em passar no Parlamento, mas o Executivo dominado pelo Partido Nacional Escocês afirma que o eleitorado tem o direito de se pronunciar.

O presidente do Governo regional escocês, Alex Salmond, provocou uma tempestade política ao enunciar no Parlamento de Edimburgo as prioridades legislativas do seu Executivo para 2010. No topo da lista estava um referendo pela independência da Escócia, que se for aprovado pela maioria dos 129 deputados regionais na próxima Primavera, deverá realizar-se até ao final do próximo ano.
A proposta foi criticada pela oposição, que acusou o first minister de querer desviar a atenção dos problemas económicos ou de se enganar nas prioridades. Os conservadores falam em "bluff" e até há nacionalistas a contestar a "oportunidade" da iniciativa.
Salmond lidera o Partido Nacional Escocês (SNP), que sustenta um Governo regional minoritário em queda nas sondagens desde 20 de Agosto, após a decisão de libertar, por razões humanitárias, o bombista de Lockerbie, o líbio Abdelbaset al-Megrahi. O SNP era um pequeno partido há vinte anos, mas tem subido constantemente, facto a que não foi alheio o apoio de vedetas internacionais, como por exemplo o actor Sean Connery.

O SNP ganhou em 2007 as eleições regionais, obtendo a maioria à custa dos trabalhistas. Com 32%, conquistou 47 lugares, mas nenhum dos outros partidos quis integrar a coligação (a maioria absoluta é de 65). Em Junho, o SNP ganhou as europeias com 29,1%, elegendo dois eurodeputados.
O referendo de independência não tem ainda uma pergunta definida e dificilmente será aprovado no Parlamento escocês, que existiu até 1707 e foi reaberto em 1999. Se fosse realizada a consulta, a derrota dos nacionalistas era provável. As sondagens costumam dar maioria sólida a favor do referendo, mas abaixo de 30% para a independência.
A incerteza económica de uma eventual independência escocesa deve fazer hesitar os eleitores, mas só o facto do tema ser discutido vai provavelmente satisfazer outros objectivos do SNP: conseguir mais poderes para o Governo regional e para o Parlamento escocês.

O extraterrestre nipónico que sonha com uma UE na Ásia

Dias antes da extraordinária vitória nas legislativas de 30 de Agosto do Partido Democrata do Japão (PDJ), que dirige, Yukio Hatoyama publicou um ensaio em que toma como referência reflexões feitas nos anos 30 por um dos pais do pensamento pan-europeu e defensor de um projecto de união política da Europa, o austro-nipónico Coudenhove-Kalergi.

Hatoyama recorda que este autor condenou em O Estado Totalitário Contra o Homem (tradução em inglês, de 1939) o comunismo assim como o nazismo e as "profundas desigualdades sociais geradas pelo capitalismo", propondo o princípio da "fraternidade" como freio ao extremismo político e aos defeitos dos sistemas económicos. O líder japonês sugere como exemplo da "fraternidade" a desenvolver no Japão o princípio da subsidiariedade praticado na União Europeia (UE). Hatoyama gosta de definir a política "como um acto de amor" e uma das suas propostas eleitorais era a criação de uma sociedade "fundada em relações de afecto".

Intitulado A Minha Filosofia Política, o longo ensaio de Yukio Hatoyama é todo um programa de intenções para o seu Executivo - mal recebido nos Estados Unidos. O nipónico critica os EUA pelo "fundamentalismo" na defesa do mercado e da globalização, o seu "unilateralismo" e - ao mesmo tempo que elogia o pacto de segurança EUA-Japão - assinala o "declínio" da influência americana no mundo e a afirmação do poder global chinês, cuja economia "num futuro não muito distante ultrapassará a japonesa".
Embora estas asserções não constituam novidade - comentadores recordaram que algo semelhante foi dito no passado por dirigentes do agora derrotado Partido Liberal Democrático (PLD) -, o certo é que parecem ter soado tão bizarras como as declarações de Miyuki Hatoyama, a mulher do novo primeiro-ministro, que se distinguiu ao afirmar ter sido raptada por naturais de Vénus. Ideias a que não serão alheias as modas psicadélicas que fizeram furor nos anos 60 e 70 na Califórnia, onde Miyuki vivia quando conheceu Yukio.

A Miyuki não deve ter passado despercebido este compatriota de expressão distante, com um rosto em que olhos exorbitam das órbitas, que martela as palavras de forma mecânica, características que lhe valeram a alcunha de extraterrestre. Um extraterrestre que descende de uma longa linhagem de dirigentes políticos e herdeiro, com o seu irmão Kunio, de uma das grandes fortunas do Japão, a de empresa de pneus Bridgestone. A mãe dos dois irmãos era filha do fundador da empresa.

Antiga actriz, designer e chef, Miyuki define-se como uma "compositora da vida", cujo "espírito foi transportado num OVNI de aspecto triangular até Vénus" - "lugar extremamente belo e verde". As suas relações astrais vão mais longe e incluem o próprio Sol, astro que petisca ao pequeno-almoço todos os dias. Miyuki explicou que esta experiência era parte do seu programa de saúde e consistia em fechar os olhos virada para o Sol, fazendo depois o gesto de quem lhe retira pedacinhos e os leva à boca. "É assim que ganho energia. E o meu marido faz o mesmo."
Verdade ou não, Yukio vai precisar de toda a energia para lidar com os problemas que esperam o seu Governo.Um destes desafios será a relação com os EUA e com os países asiáticos. Neste ponto, o líder do PDJ inspira-se ainda na "experiência da UE", que mostra como "a integração regional neutraliza conflitos territoriais".
Forte adepto daquela, Yukio desvaloriza a negociação bilateral - método privilegiado pela China -, considerando-a um modo de inflamar "as emoções em cada país". Admite que, devido a "distintas massas populacionais, diferentes estádios de desenvolvimento e de sistema político", não será possível a "integração económica" a curto prazo, ao contrário do sucedido na CEE. Nem por isso Hatoyama deixa de se inspirar nas palavras de Coudenhove-Kalergi numa forma subtil de se legitimar como líder político ou não fosse - ironia das ironias - o seu avô o tradutor do livro do austro-nipónico e um dos fundadores do PLD. A citação de Coudenhove-Karlegi por Yukio: "todas as grandes ideias da história começaram como utopia e acabaram como realidade". Uma declaração de grande optimismo.
A formação inicial de Yukio foi em Engenharia, tendo estudado em Tóquio e na Universidade de Stanford, na Califórnia, onde conheceu Miyuki, então casada com o proprietário de um restaurante. Sobre a sua mulher e o casamento, considerado algo escandaloso para alguém do seu perfil, o líder do PDJ diz que "a maioria dos homens escolhe a sua mulher só entre as solteiras, eu escolhi entre todo o género feminino."

Yukio e seu irmão tiveram uma infância dourada, nada indicando que o primeiro seguiria uma carreira política. O que só sucedeu nos anos 80 quando Yukio se torna secretário político do pai e herda o seu lugar de deputado. Nos anos 90, deixa o PLD até surgir com um outro antigo dirigente do PLD, Ichiro Ozawa - considerado o real arquitecto da vitória de há uma semana - entre os fundadores do PDJ.
Estes são olhados com cepticismo pelos eleitores que lhe deram a vitória. A maioria das sondagens mostra que os inquiridos duvidam das qualidades políticas de Yukio Hatoyama - que nunca desempenhou cargos governativos - e das propostas do PDJ. Talvez por que poucos conhecerão a asserção de Coudenhove-Kalergi de que "todas as grandes ideias da história começaram como utopia".

quinta-feira, setembro 03, 2009

Caso Manela (TVI jornal de Sexta) - Cenários

O jornal de sexta é suspenso. Sem discutir méritos ou deméritos, e como um não espectador do dito jornal, ficam alguns cenários para explicar este acontecimento, ou melhor... um caso, que irá afectar muito o PM Sócrates.

Cenário 1 - Suspensão por razões económicas ou de conflito de personalidades.

Seria em qualquer outro momento uma razão plausivel e possivelmente justificada. Manuela é incómoda politicamente, cria anti-corpos nos "targets" publicitários mais apetitosos. A saída do marido fragilizava-lhe a posição. Tudo certissimo, mas...

Em véspera de eleições, num país de ódios e amores a Sócrates, o Jornal de Manuela era visto como um dos fóruns mais livres para expressar uma opinião diferente à máquina propagandística do governo, e um dos mais fortes contestatários (o que desde logo é uma atitude condenável) ao governo PS.

Assim sendo, um gestor certamente compreenderá o potencial de audiências que um jornal com o currículo que tem encerra, especialmente num clima político tão polarizado como o actual.

Será receio do pós eleições? Eventualmente... o que ainda assim um clima de crispação entre uma televisão e futuro governo Sócrates poderia ser sempre amenizado com a retirada do ar após as eleições.

Cenário 2 - Influências PSD ou opositores a Sócrates ditam suspensão

Neste cenário a oposição a Sócrates conseguiria ter suspendido o Jornal com o objectivo de imputar ao PM a dita suspensão, de forma a capitalizar o já tido como irreversivel tique autoritário de Sócrates.

Cenário menos plausivel por falta de ligações conhecidas da oposição a quem controla a TVI, ainda assim possivel, mas...

Seria que no PSD não se teria percebido o potencial de desgaste que o Jornal da Manuela teria na figura do primeiro ministro? As ondas de choque da suspensão do jornal poderão eventualmente ser contidas através de técnicas de comunicação, algo que o desgaste semanal durante a época pré-eleitoral dificilmente poderia. Entre um grande rombo único, e um desgaste constante e contínuo penso que os estrategas da oposição prefeririam o último, daí as debilidades deste cenário.

Integrando as supostas pressões sobre Miguel Relvas, até poderia ser indiciada uma estratégia grada de atribuição de autoritarismo a Sócrates, rotineira e sistemática, o que não parece ser muito exequível. Primeiro havia que ter os "casos", e depois como já disse, o pressão constante da Manuela poderia ser mais útil.


Cenário 3 - Governo influência a suspensão

Poderá ser tido como um passo errado, até porque as ondas de choque da suspensão serão sempre vistas como obra do despotismo deste governo. O PM e a sua personalidade seriam sempre ligadas ao acto e como sendo mais uma tentativa de controlo da informação por parte do PS.

Mas aqui funciona a argumentação inversa ao cenário anterior. Os estrategas do PS poderiam preferir uma controvérsia imediata ainda que de elevada monta, mas com tempo para tentar controlar os danos, do que se submeter a um desgaste contínuo e permanente de um inimigo público assumido e reconhecido.

Da fama de proto-ditador o PM já não se livra, por isso uma jogada política deste género seria mais exequível até porque dominável pelo aparelho de comunicação.

quarta-feira, agosto 19, 2009

A isto chega Portugal Socrático

Entrevista bem interessante da Bastonária da Ordem dos Notários. Retenho em absoluto três passagens que dão conta do estado da arte neste país.

ao contrário do que aconteceu com os jornalistas, o Ministério Público não
solicitou informações à Ordem dos Notários. "Fiquei seriamente preocupada quando
percebi que, neste caso, os jornalistas estavam muito à frente", afirma Carla
Soares

Num país em que se diz que não há jornalismo de investigação, mesmo assim conseguem ser mais lestos que o ministério público... interessante

Hoje continua a não ter dúvidas de que essa informação é
pública, mas admite que a certa altura deixou de receber respostas por
parte dos colegas, que "ficaram um pouco intimidados". "A pressão foi
muita."
Após um secretário de estado ter vindo dizer baboseiras e não ter sido "sacado" (bela expressão inglesa), ficamos a saber que a mão do estado socrático vai longe, mesmo muito longe... muito interessante

continua o desaparecimento dos documentos que suportavam a
escritura notarial e identificavam a empresa offshore que vendeu o apartamento
no Heron Castilho a Maria Adelaide Carvalho Monteiro, mãe do primeiro-ministro.
Os livros do cartório são numerados e faltam exclusivamente as folhas
relacionadas com a escritura.
"Alguém as tirou deliberadamente",
sublinha."A investigação está a decorrer, mas pelo que nos tem sido dito
provavelmente o Ministério Público vai deduzir acusação contra
desconhecidos"

Sim, mas não há julgamento, nem trânsito em julgado nada, por isso a credibilidade do primeiro ministro está intacta! Senhores atentem nesta ígnomia, é a toque da chibata que o português anda ao que parece. E respostas... o deserto de Gobi.

Texto no jornal i, aqui

quinta-feira, agosto 13, 2009

A Bandeira

Há que dar os parabéns à ala monárquica do 31 da Armada, porque o acto de trocar a bandeira da câmara de Lisboa pela da Monarquia foi provavelmente a maior pedrada no charco do imobilismo político pelo menos nos últimos 20 anos.

É interessante ver aqueles que dizem que a desobediência pública é um dever, são os primeiros a exigir sentenças a quem praticou tal acto. Mais um exemplo de democraticidade esquerdizante.

O acto em si vale sobretudo por uma consequência. Terá sido a primeira vez desde o 25 de Abril de 74 que especialmente nos média, houve uma repercussão e se falou de monarquia. Até agora nos meios de comunicação social, os monárquicos e tudo ligado ao legado dos nossos antepassados sempre foi tratado como um grupelho de saudosistas.

Com a acção de "guerrilha ideológica" do 31 da Armada foi a a primeira vez que nos escaparates houve visibilidade para o exterior de um movimento que se tem propagado na net, de jovens monárquicos, sem sangue azul, sem tiques de nobrezas tituladas a papel, sem tiques absolutistas.

Esses monárquicos existem, abomino-os, mas também existem aqueles que olham o mundo, olham o que os rodeia e verificam que na realidade existe um qualquer elemento que faz com que as sociedades monárquicas em regra funcionem melhor que as sociedades repúblicanas.

Se têm dúvidas consultem a classificação do IDH (Índice de Desenvolvimento Humano elaborado pela ONU).

A consequência directa deste acto é simplesmente colocar as pessoas a pensar que na realidade existem alternativas ao pântano político e aos 100 anos de chafurdice na lama que a república albergou.

Na minha opinião uma monarquia não será a solução dos problemas do País, mas poderá ser um veículo para a mudança muito mais forte e eficaz para transformar aquilo que Medina Carreira classificou como um gigante caso BPN, num país em que os portugueses não precisem de fugir para outras paragens porque não vêem um futuro pela frente.

quarta-feira, agosto 05, 2009

Participação na Cimeira do G8 premiou esforço diplomático de Angola

A presença do chefe de Estado angolano na Cimeira dos oito países mais industrializados (G8), em Julho premiou o esforço diplomático de Luanda para aumentar a visibilidade internacional, através de contactos com os mais importantes líderes mundiais.A visita que a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, inicia nos próximos dias a Angola, devolvendo um encontro em Washington com o homólogo, Assunção dos Anjos, em Maio, é mais uma etapa da afirmação angolana como país de referência no continente africano.

O "naipe" de trunfos da diplomacia angolana cresceu desde 2007, com estadistas como José Luís Zapatero (Espanha), Nicolas Sarkozy (França), Silvio Berlusconi (Itália), Dimitri Medvedev (Rússia) ou Raul Castro (Cuba), além do primeiro-ministro português, José Sócrates. Se Medvedev foi selar uma "parceria estratégica", a visita de Sarkozy a Luanda (Maio de 2008), encheu-se de simbolismo, qualificada pelo Presidente francês como "um virar de página nos mal-entendidos do passado". As relações entre os dois países estavam fragilizadas desde o início do caso "Angolagate", em que os nomes de altas figuras do regime angolano, incluindo o próprio Chefe de Estado, foram envolvidos pela Justiça francesa num processo de comissões milionárias em negócios de venda de armas.

Para a atenção crescente dada ao país lusófono muito contribui o petróleo, que tem hoje em Angola o maior produtor da África subsariana, e permitiu um crescimento económico explosivo até este ano, para o qual se prevê uma recessão.A presença do Papa Bento XVI em Luanda marcou o fim de uma semana de alta intensidade diplomática de Angola, que incluiu a visita de José Eduardo dos Santos a Portugal, para o relançamento das relações com um parceiro histórico, e também à Alemanha, onde se avistou com a chanceler Angela Merkel.Outro marco será a anunciada visita de Jacob Zuma a Angola, na próxima semana, a primeira ao mais alto nível feita pelo recém-eleito chefe de Estado da África do Sul, a maior economia do continente.

Raul Castro, presidente cubano, bisou em solo angolano, com duas visitas em apenas cinco meses, e conseguiu renovado apoio de Luanda ao fim do embargo norte-americano ao país.Eduardo dos Santos também bisou, mas rumo à China: a visita em Dezembro do ano passado, a segunda em cinco meses, para assegurar a continuação do financiamento chinês aos projectos de reconstrução angolana, numa altura em que as receitas petrolíferas já caíam a pique e o país assumia a presidência rotativa da Organização de Países Exportadores de Petróleo.No âmbito da sua afirmação regional Angola tem procurado assumir uma postura de mediação em crises como a da República Democrática do Congo (RDC) e do Zimbabué, e também tomando as "rédeas" da Comissão do Golfo da Guiné, recebendo em Luanda (Janeiro) a segunda cimeira extraordinária de chefes de Estado e Governo da organização.Angola tem vindo também a assumir uma postura mais interventiva na organização lusófona, a CPLP, cuja presidência receberá de Portugal no próximo ano, na Cimeira de Luanda.

Dois submarinos russos ao largo da costa leste dos EUA inquietam Washington, diz The New York Times

Dois submarinos nucleares russos estão há dias a navegar ao largo da costa leste dos EUA, pela primeira vez em anos, suscitando a inquietação dos responsáveis norte-americanos, anuncia o The New York Times.

O jornal, que cita responsáveis da Defesa e dos Serviços Secretos norte-americanos que pediram para não ser identificados, refere que um dos submarinos navega em águas internacionais, a cerca de 200 milhas da costa (320 quilómetros), enquanto a localização precisa do segundo permanece incerta. Os dois submarinos pertencem à classe Akula, segundo as mesmas fontes. "Cada vez que a Marinha russa procede a tais manobras excepcionais é fonte de inquietações", segundo um alto responsável do Ministério da Defesa norte-americano, citado pelo jornal norte-americano. "Sabemos onde (os submarinos) estão e não estamos inquietos quanto à nossa capacidade para seguir os movimentos destes", refere a mesma fonte. "Apenas estamos preocupados pelo facto de (os submarinos) estarem lá", sublinha. "Não penso que em quase 15 anos, eles (os russos) tenham enviado dois submarinos nucleares deste tipo para o largo da costa norte-americana", sublinha o especialista de história naval e da luta anti-submarina, Norman Polmar, ao jornal.

Em contrapartida a Rússia condena a reacção excessiva dos norte-americanos, considerando-a "histérica" e insiste no facto de estas manobras não terem nada de ilegal em termos de direito internacional. "Os movimentos dos submarinos russos (...) fora das próprias águas territoriais são correntes e não violam em nada o direito marítimo intermacional", explica uma fonte militar e diplomática à agência oficial russa Itar-Tass, sem confirmar ou não a veracidade da informação do The New York Times. Os responsáveis do Pentágono não quiseram fazer comentários sobre a eventual presença de armas a bordo das embarcações. O anúncio destes movimentos da Marinha russa surge quando Moscovo tenta apagar um novo fracasso do lançamento do míssil intercontinental Bulaya, com um alcance de 8.000 quilómetros, em meados de Julho. Em Dezembro último a Rússia efectuou manobras navais conjuntas com a Venezuela no mar das Caraíbas, perto das águas territoriais norte-americanas.

O que parece raramente não é

Caro Braveman,

A exclusão de Pedro Passos Coelho das listas do PPD/PSD não me surpreeende. Desde a implantação da democracia vigente que é hábito os presidentes (ou secretários-gerais) dos partidos porem e disporem das listas de candidatos a seu bel-prazer.
Saber se o presidente de um partido tem que estar, efectivamente, no parlamento para questionar o Governo e ter impacto na sociedade ou nos media, é outra questão.

Na minha modesta opinião dever-se-ia seguir o exemplo inglês. A monarquia inglesa é, quase sempre, a melhor fonte de inspiração. Assim, dizem os ingleses nas suas leis não escritas, que não pode ser presidente de partido político quem não for deputado, precisamente porque é no Parlamento que se discute o país. O Presidente de um partido relevante, maioritário ou não, tem que ter obrigatoriamente assento no Parlamento. Ou seja, não interessa por onde concorre ou se pertence à oposição ao líder que faz a lista, interessa que tenha assento no parlamento.

Ao mesmo tempo que fiz a afirmação de cima, também digo que as coisas na prática às vezes não são tão fáceis. Digo-o, porque estive no congresso que consagrou Ribeiro e Castro (ReC) como presidente do CDS/PP e lembro-me de o argumento do "assento no assembleia" ser usado como arma de arremesso. Tudo porque Telmo Correia estava dado como líder do partido ainda antes de alguém sequer ter nele votado e também porque ReC havia feito o discurso da sua vida, emocionando os congressistas (inclusivé a mim). Tentaram arranjar de tudo para que ele não fosse eleito presidente. Não dava jeito a muitos. Mas eu estive humildemente com ele, votei nele e achei que o "argumento parlamentar" não colhia.

Mais tarde apercebi-me que havia algum fundamento na ideia. Não tanto pela vertente mediática e interventiva que a Assembleia proporciona, mas mais porque em Portugal os media acabam por ser tão sectários (ou acabam por reflectir a realidade do país) que não passam o que quer que seja que aconteça fora do parlamento. Sem dúvida que o parlamento é o lugar mais nobre da democracia, e tanto que tem sido vilipendiado, mas não havendo nada perfeito é melhor a imperfeição.

NATO: Cimeira para novo conceito estratégico em Portugal

O novo conceito estratégico da NATO vai ser apresentado numa cimeira de chefes de Estado e de Governo em Portugal que deverá ter lugar no Outono do próximo ano.

Ao longo do último ano, a Aliança Atlântica apontava o final de 2010 e o início de 2001 como a data provável para a realização deste encontro - que será marcado pela apresentação do conceito estratégico que substitui o de 1999 e pela primeira deslocação do presidente Barack Obama a Portugal - deverá ocorrer entre o final de Setembro e o início de Dezembro do ano que vem.

A revisão deste documento doutrinário da Aliança, que vai contemplar o novo ambiente estratégico gerado pelos ataques de 11 de Setembro de 2001 e incidirá sobre questões como o Afeganistão, o combate à pirataria, a não-proliferação, segurança energética ou o ciber-terrorismo, deverá demorar menos que a do conceito conceito de 1999, que durou cerca de 20 meses, mas terá uma nova dificuldade: o número de países envolvidos no processo aumentou de 16 para 28.
De acordo com a NATO, o novo conceito estratégico passará por três fases distintas - uma de reflexão, com vários seminários temáticos onde estarão presentes responsáveis militares e políticos (bem como o grupo de doze 'especialistas' nomeado pelo secretário-geral), outra de consultas, onde estas personalidades visitarão todas as capitais aliadas para apresentar as propostas e discuti-las com os governos locais.
O grupo, que será liderado por Madeleine Albright, terá liberdade para reflectir sobre outros temas que não os discutidos nas conferências organizadas pela Aliança e começará o seu trabalho em Setembro, depois de uma reunião que será convocada pelo secretário-geral, Fogh Rasmussen, e onde estará presente o Conselho do Atlântico Norte (NAC, sigla em inglês).

Em Abril de 2010, a equipa de 'sábios' reunirá novamente com Anders Fogh Rasmussen para lhe apresentar a sua análise sobre o documento e as suas recomendações finais. Depois, o secretário-geral iniciará um trabalho mais pessoal, apresentando aos vários governos dos países-membros uma versão do conceito estratégico.
Seguindo o espírito de abertura e transparência que tem sempre sublinhado, no final do Verão do próximo ano e terminada a fase de consulta, o secretário-geral manterá encontros com os representantes permanentes dos 28 países na sede da organização, em Bruxelas, e preparará um novo documento, que será finalmente apresentado e votado na cimeira que vai ter lugar em Portugal.

ERROS CRASSOS

Soube há pouco que Pedro Passos Coelho não foi incluído nas listas do PSD para as legislativas.

Apetece-me chamar um nome feio a Manuela Ferreira Leite. Pode parecer estranho tanta agressividade mas passo a explicar.

Pedro Passos Coelho parece ser um líder a prazo do PSD, reconheço-lhe até algumas características que podem, EVENTUALMENTE, torná-lo num bom líder seja de oposição ou de governo.

Porquê então a minha indignação. Por dois motivos, o primeiro menos fundamental, uma temporada na Assembleia poderia ser um bom estágio ao neófito.

A segunda razão e a mais forte é a que Manuela Ferreira Leite se não vencer as eleições certamente não cumprirá a legislatura como líder de oposição, as próprias forças internas do PSD não permitirão, e como tem vindo a ser demonstrado, um líder de um partido da oposição que não esteja no parlamento é um líder "não existente".

Assim foi com Menezes e a própria Ferreira Leite, que não fosse a bóia em que se tornou a debacle do PS hoje provavelmente nem seria líder. Ou como o caso no CDS de Ribeiro e Castro, que simplesmente era ultrapassado pelas situações e pelo mediatismo vindo do parlamento.

Manuela Ferreira Leite tem de reconhecer o papel, actual o futuro de Passos Coelho, e com a exclusão deste, Manuela não está a derrotar ou a vingar-se de um inimigo interno, mas sim a comprometer um futuro PSD, e por consequência, Portugal.

terça-feira, agosto 04, 2009

Presidente da Ossétia do Sul demite primeiro-ministro e suspende Governo

O presidente da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, demitiu hoje o primeiro-ministro da república separatista georgiana, um antigo responsável dos serviços de segurança russos encarregue por Moscovo de acompanhar a reconstrução do território.

Kokoity assinou um decreto que destitui o chefe do governo, Aslanbek Bulatsev, "por motivos de saúde" e suspende o Governo das suas funções até à formação de um novo gabinete, anunciou a agência russa Interfax. Bulatsev, antigo responsável dos serviços de segurança (FSB, ex-KGB), foi nomeado pelo primeiro-ministro da Ossétia do Sul em Outubro de 2008, a pedido de Moscovo. O responsável tinha como tarefa acompanhar a reconstrução da república destruída após o conflito bélico entre a Rússia e a Geórgia, em Agosto de 2008.

Antes da sua nomeação Bulatsev dirigiu os Serviços Fiscais da Ossétia do Norte. A Rússia prometeu cerca de 10 mil milhões de rublos (222 milhões de euros) de ajuda para a reconstrução do pequeno território de 50.000 habitantes, encurralado nas montanhas entre a Rússia e o resto da Geórgia. Mas os habitantes continuam a viver entre as ruínas do território destruído. A oposição local, pró-russa, acusa o presidente da Ossétia do Sul e os colaboradores de terem desviado os fundos enviados pela Rússia e a ajuda humanitária.

[Belo berbicacho que a Rússia arranjou à NATO e à Geórgia, fiel aliado norte-americano...]

Chefe do Estado-Maior do Exército de São Tomé implicado em assalto a banco

O Chefe do Estado-Maior do Exército (CEME) de São Tomé e Príncipe, tenente-coronel Idalécio Pachire, foi envolvido no assalto ocorrido há cerca de dois anos a um banco nigeriano e cujo julgamento decorre em São Tomé.

Em causa está o assalto à instituição bancária nigeriana Island Bank (IB), ocorrido em 30 de Julho de 2007, em que foram roubadas quantias variáveis de divisas, designadamente 130.000 dólares (90.000 euros), 800 milhões de dobras (36.000 euros), 24.000 libras (28.000 euros) e 2.400 euros. Na sessão de hoje, a segunda, o tenente-coronel Pachire foi arrolado como testemunha do processo, tendo um dos arguidos, um sargento das forças armadas, Abdulay Cassandra, afirmado que o chefe militar estava "desde o início a par de toda a operação" do assalto ao banco. O CEME confirmou ter recebido informações sobre a preparação do assalto e justificou que o sargento "estava no grupo dos assaltantes como infiltrado", acrescentando que depois viajou e alegou desconhecer outros detalhes da operação.

O colectivo de três juízes que julga o caso salientou que o chefe militar tinha o dever de partilhar o que sabia com as autoridades competentes, nomeadamente a Polícia Judiciária. Outra pessoa arrolada na sessão de hoje foi Acácio Elba Bonfim, antigo ministro do Plano e Finanças e actual administrador do Banco Internacional de São Tomé e Príncipe (BISTEP). Bonfim também é citado pelos arguidos como tendo conhecimento antecipado do plano do assalto ao IB, mas não colaborou na denúncia do assalto. Dos oito arguidos neste caso dois encontram-se em parte incerta, com os juízes a acreditarem que terão logrado sair do país.

Entre os arguidos, além do sargento Cassandra, figura Wilson Quaresma, que liderou há dois anos a revolta dos ninjas no Comando Geral da Polícia Nacional e que resultou na morte de uma agente da corporação e ferimentos graves noutros dois. Quaresma, sobre quem foram emitidos dois mandados de captura, foi preso no passado dia 27 de Julho, um dia depois do início do julgamento. Entretanto, Cassandra beneficiou da protecção dos seus camaradas de armas, não tendo sido hoje levado a tribunal para estar presente no julgamento, numa atitude considerada por analistas de desafio à decisão do juiz Frederico Samba, que preside ao colectivo. A sessão de hoje foi entretanto suspensa, sem que os juízes tenham marcado nova data para prosseguir a audição dos arguidos e declarantes. Fonte judicial diz que o "processo ainda se pode arrastar durante vários dias".

Fórum económico antecede visita de Hillary Clinton a África

A visita da secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton ao continente africano, que inclui passagens por Angola e Cabo Verde, será antecedida, a partir de terça-feira, por um Fórum de Cooperação Comercial e Económica EUA-África.

A ministra do Comércio angolana, Idalina Valente, chegou domingo a Nairobi, Quénia, à frente de uma delegação que integra ainda o vice-ministro da Agricultura, José Amaro Tati, para participar no evento (de 4 a 6 de Agosto) que tem como lema "A Realização do Potencial dos AGOA Pela Expansão de Comércio e Investimentos", segundo informa a agência Angop.
Criados 2000, os acordos AGOA - African Growth Opportunity Act (Iniciativa de Oportunidades para o Crescimento Africano) incluem medidas de estímulo económico como a entrada no mercado norte-americano de produtos provenientes dos países africanos, como contrapartida a medidas de boa governação.
A vigência dos acordos era inicialmente de oito anos, mas foi estendida até 2015.
O Fórum é participado por países como Angola, Camarões, Cabo-Verde, República Democrática Congo, Djibuti, Etiópia, Gabão e Gâmbia, Guiné-Bissau, Quénia, Libéria e Madagáscar, Mali, Ilhas Maurícias, Moçambique, Namíbia, Níger, São Tomé e Príncipe, África do Sul e Tanzânia.
Durante a deslocação ao continente africano, que se inicia em Nairobi na quarta-feira, Hillary Clinton vai estar em sete países, incluindo Angola e Cabo Verde, sendo este país a última etapa da viagem que termina a 14 de Agosto.

Falando em conferência de imprensa no final da semana passada em Washington, o Secretário de Estado Adjunto para os Assuntos Africanos, Johnnie Carson, afirmou que a viagem servirá para demonstrar o "empenho" da administração Obama em "manter África como uma prioridade" da política externa norte-americana.
Barack Obama, que no início de Julho esteve no Gana e Egipto, e a sua secretária de Estado realizam assim as mais rápidas idas a África de qualquer administração norte-americana.
De acordo com Carson, a visita servirá para sublinhar o desejo norte-americano de fazer parcerias com governos, sector privado, organizações não-governamentais e cidadãos privados "para construir sociedades em que cada indivíduo pode realizar todo o seu potencial".
Entre os temas a abordar, "apresentados pelo Presidente Obama", estão a boa governação, desenvolvimento económico sustentável, saúde pública e educação e assistência à prevenção e resolução de conflitos em África.

Sobre Angola, Carson destacou tratar-se de uma das grandes potências energéticas da África subsariana e grande fornecedor de petróleo e gás natural aos Estados Unidos, um "país emergente" na região e com "enorme potencial económico", com o qual se pretende "fortalecer o relacionamento".
Na agenda de Clinton está um encontro com o presidente angolano José Eduardo dos Santos, e também com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Assunção dos Anjos, com quem já esteve reunida há um mês em Washington.

Quanto a Cabo Verde, é "uma história de sucesso africano", um país "governado democraticamente, bem gerido e que tem usado extraordinariamente bem a ajuda económica que recebe dos Estados Unidos, incluindo uma conta no fundo Millennium Challenge", disse Carson.
A visita "vai reafirmar a nossa amizade com Cabo Verde", sublinhou.

SPE: Estado quer alienar negócio de diamantes

O Estado português quer alienar a Sociedade Portuguesa de Empreendimentos, cujo principal activo são os 49% que detém na Sociedade Mineira do Lucapa, empresa de exploração de diamantes em Angola.

"Não faz sentido manter esta participação, em termos estratégicos" disse o secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Pina. "Estamos vendedores, independentemente dos seus resultados", afirmou o secretário de Estado, à margem da conferência sobre o Sector Empresarial do Estado (SEE) em 2008. A SPE, que tem a angolana Endiama como parceira na Sociedade Mineira do Lucapa (SML), já foi transferida do universo da Direcção-Geral do Tesouro (DGT) para a Parpública.

Quanto aos resultados da SPE, criada em 1979, estes não têm sido animadores ao longo da sua história.
Em 2008 o prejuízo atingiu os 1,4 milhões de euros, tendo o resultado operacional sido negativo em um milhão de euros.

[Mais um exemplo de uma empresa estatal mal gerida, que vem acumulando altos prejuízos. Agora quem será o 'mecenas' que a irá comprar e ganhar bom dinheiro com o negócio?]

quinta-feira, julho 30, 2009

Bacai Sanhá vai a Cabo Verde antes da posse para convidar Pedro Pires para investidura

Malam Bacai Sanhá vai efectuar uma visita oficial a Cabo Verde antes de tomar posse como presidente da Guiné-Bissau, com o objectivo de convidar pessoalmente o chefe de Estado cabo-verdiano a estar presente na cerimónia, ainda sem data marcada.

Numa entrevista à Rádio Nacional de Cabo Verde (RNCV), Sanhá, confirmado como vencedor da segunda volta das eleições presidenciais guineenses de domingo, adiantou que Pedro Pires foi o primeiro chefe de Estado estrangeiro a telefonar-lhe a dar os parabéns pela vitória eleitoral. "O camarada Pires foi o primeiro chefe de Estado a telefonar-me a felicitar-me. Vou fazer todos os possíveis para ir a Cabo Verde antes da minha investidura, para o convidar pessoalmente a estar presente na minha tomada de posse", afirmou Bacai Sanhá, salientando que será o primeiro país que irá visitar já depois de confirmada a sua vitória eleitoral.

O candidato apoiado pelo Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que obteve 63,31% dos votos, contra os 36,69% de Kumba Ialá, desdramatizou a questão de uma coabitação com o Governo de Carlos Gomes Júnior, considerando que "nunca houve problemas e nem haverá" entre duas personalidades "que lutam pelos mesmos objectivos e militam no mesmo partido". "(Os rumores de mal estar entre ambos) não são verdade. Aqui a questão da coabitação não existe. Somos do mesmo partido e vamos trabalhar em conjunto para o desenvolvimento da Guiné-Bissau. Não houve problemas nem haverá", garantiu.

Assegurando também que pretende ajudar a Guiné-Bissau a promover a paz e estabilidade, Malam Bacai Sanhá elogiou o desenvolvimento registado em Cabo Verde, "país irmão", cujo desempenho é, disse, "um exemplo para a Guiné-Bissau e para a África". "Vamos aproveitar a experiência de Cabo Verde para desenvolver o país", acrescentou, frisando que os "momentos difíceis" registados no passado nas relações entre os dois países estão ultrapassados e que vai tentar ajudar a recuperar, noutros moldes, a "unidade Guiné/Cabo Verde" defendida por Amílcar Cabral. "Hoje não é fácil falar da unidade entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, pois os tempos são outros. Mas vamos trabalhar em conjunto para criarmos uma cooperação exemplar", concluiu Malam Bacai Sanhá que, antes da primeira volta das eleições guineenses, esteve na Cidade da Praia para pedir "apoio e conselhos" a Pedro Pires.

quarta-feira, julho 29, 2009

Ricardo Salgado considera a Ibéria essencial para o desenvolvimento de Portugal

E que tal exportar o Presidente do BES para Espanha e ficar por lá. Parece-me bem. Até de borla.

Aproveita-se a onda, Nacionaliza-se o BES e assim finalmente Ricardo Salgado pode dizer que foi ao MEU BANCO

terça-feira, julho 28, 2009

Federação ibérica seria apoiada por 40% dos portugueses

A concepção de uma federação ibérica é apoiada por um alargado grupo de cidadãos de Portugal e de Espanha.

Um estudo da Universidade de Salamanca, apresentado esta terça-feira, revela que a possibilidade colhe positivamente junto de 40% dos portugueses e de 30% dos espanhóis.
A ideia, no entanto, não é consensual, nem pacífica sequer. Em Espanha, 30,5% da população é contra. O desacordo é muito para 7,5% e apenas 4,1% dariam muito apoio a uma federação ibérica, revela a Barómetro de Opinião Luso-Espanhol.

Foram ouvidas 876 pessoas, 363 das quais portuguesas. E é mesmo deste lado que as opiniões mais se dividem: 13,3% cento dos portugueses mostram-se muito de acordo, 17,7% são indiferentes, 34,1% discordam e 18,5% discordam por completo. A indiferença colhe quase outros 3% nos espanhóis.

sexta-feira, julho 24, 2009

Jardim inspira-se no modelo das autonomias espanholas

Apesar dos conflitos com Madrid, Alberto João quer importar para a Madeira o modelo das comunidades autónomas espanholas e criar o cargo de presidente da região.

A proposta de revisão constitucional do PSD/Madeira defendida por Jardim na sessão plenária de quarta-feira dedica um capítulo à reconfiguração dos orgãos do Governo Regional.
O PSD chama-lhe "aperfeiçoamento" e o líder madeirense avança com o exemplo das comunidades autónomas de Espanha. Neste âmbito, surge a figura do "presidente da Região Autónoma" que acumula a posição de chefe do Governo Regional, que nomeia e exonera "livremente" os secretários regionais, ganhando, ainda, poderes de veto sobre a legislação produzida.
De acordo com o documento, esta medida tem um objectivo: "Colocar a verdade formal de acordo com a verdade real do sistema político regional." Só que o exemplo de Espanha arrasta consigo, não uma situação pacífica, mas uma lista de conflitos e divergências, sendo que, nalguns pontos, a presença de Madrid é muito mais forte do que se verifica nas regiões autónomas portuguesas relativamente ao poder central.

A Constituição espanhola, no artigo referente aos estatutos das comunidades - rectificados pelas Cortes e posteriormente promulgados pelo Rei -, a organização institucional autonómica tem por base a Assembleia Legislativa, eleita por sufrágio universal, com recurso a um sistema de representação proporcional, um Conselho de Governo com funções executivas e administrativas e um presidente eleito pela Assembleia, entre os seus membros, nomeado pelo Rei.
O presidente e os membros do Conselho de Governo são politicamente responsáveis perante o Parlamento. Só que o controlo dos orgãos das comunidades autónomas espanholas continua a pertencer ao Tribunal Constitucional no que se refere à constitucionalidade das disposições normativas com força de lei, e ao Tribunal de Contas na área financeira. Por outro lado, a Constituição não só se fundamenta num princípio da unidade da nação espanhola, "pátria comum e indivisível de todos os espanhóis", apesar de reconhecer o direito às autonomias, como não estabelece um conteúdo fixo das competências destas comunidades deixando a cada uma delas a liberdade de assumir, através do próprio estatuto mas sempre dentro dos limites fixados pela própria Constituição.

Em Outubro de 2006, Pasqual Maragall, presidente da Generalitat da Catalunha, numa entrevista publicada no DN, defendeu uma revisão da Constituição espanhola.
"A revisão constitucional tem de completar-se. As autonomias estão lá no domínio dos princípios mas não estão concretamente referidas, o que afasta a expressa menção da diferença entre regiões. Essa revisão é indispensável num texto de 1978, que não contempla a entrada de Espanha na Europa, quanto mais a criação de 17 autonomias que não existem?", disse.

quinta-feira, julho 23, 2009

Amélia Mingas "cansada de sacrifícios" vai bater com a porta

A directora executiva do IILP - Instituto Internacional de Língua Português, Amélia Mingas, disse hoje que não se vai recandidatar ao cargo em 2010, alegando que está "cansada de ser sacrificada". "Tudo o que poderia ter dado já dei, com muito sofrimento e com muitas noites sem dormir para tentar ver o que poderia ser feito para dar visibilidade ao IILP. A única coisa que se comenta é que o IILP não fez nada e que é inoperante. Mas nunca deram meios", afirmou a linguista angolana, nomeada em 2006 e reconduzida em 2008.

"Quais foram os meios que nos deram para trabalhar de outra maneira? Nenhuns!", frisou. Amélia Mingas comentava os resultados da 14ª Reunião do Conselho de Ministros da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que decorreu segunda-feira na Cidade da Praia, em que foi decidido criar um grupo de trabalho para pensar a refundação do Instituto, criado em 1989. Questionada sobre se a perspectiva de Angola assumir a presidência da CPLP em Julho de 2010 poderá trazer benefícios para a direcção do IILP, Amélia Mingas foi clara na resposta: "Quando tudo isso for aprovado e capaz de ser posto em acção, já não estarei cá. Termino a minha comissão em Julho do próximo ano. E não me recandidato." "Tem sido uma travessia difícil. A verdade é que, quer se queira ou não, o IILP tem uma directora executiva, que o representa e que dá a cara sempre que necessário, mas nunca se fala dos meios que lhe puseram à disposição. Foi uma missão muito ingrata", sustentou.

Para Amélia Mingas, só os ministros e responsáveis da CPLP podem explicar a razão da criação de um grupo de trabalho vinte anos após a fundação do IILP. "Essa resposta os ministros é que poderão responder. Eles saberão por que razão só agora estão preocupados com isso", sublinhou, defendendo que esse trabalho deveria ter sido feito "antes da criação do próprio Instituto" e retomado mais tarde após a fundação da CPLP, em 1996. "Como foi possível durante esse tempo todo deixar o IILP ao abandono? Não se pagam quotas, não se criam fundos para a comissão trabalhar, não se criam as comissões nacionais que deveriam trabalhar para a Língua Portuguesa em diálogo com o Instituto...", criticou. Amélia Mingas mostrou-se esperançada em que o Instituto possa dar um passo em frente, agora que os chefes da diplomacia dos "oito" deram conta de que as coisas estão "mesmo muito mal". "Podem fazer-se mil projectos, mil propostas de refundação do IILP, mas se não se derem os meios financeiros para que realize tudo o que está pensado, um milhão de directores vão ter sempre o mesmo problema", disse Amélia Mingas, adiantando que o orçamento de 190 mil euros volta a servir unicamente para garantir o funcionamento do Instituto, que tem a sede na Cidade da Praia, em Cabo Verde.

Kumba Ialá pede a apoiantes para baterem em quem tentar manipular eleições

O candidato apoiado pelo Partido de Renovação Social às presidenciais da Guiné-Bissau, Kumba Ialá, foi a Bafatá, no centro do país, pedir aos eleitores para baterem nas pessoas que tentarem manipular a votação de domingo.

"Quem a população surpreender com sacos de dinheiro, boletins falsos para tentar manipular qualquer coisa é melhor tratar-lhe o corpo (...) antes de o levar para o hospital", pediu Ialá, ressalvando imediatamente que, às vezes, é preciso usar "violência democrática". "Eu sou contra a violência, mas por vezes é preciso usar a violência necessária para impor a ordem, para acabar com a anarquia. É preciso a violência democrática, para acabar com a violência anárquica e fascista", explica o antigo presidente guineense. No comício, Ialá fez também um "forte apelo" ao voto dos eleitores guineenses.

Na primeira volta do escrutínio, realizada a 28 de Junho, a abstenção foi de 40%, a maior de sempre registada no país. "Aproveito estas câmaras para lançar um forte apelo para que toda a população guineense, toda a nação guineense, amante da paz, amante da democracia, amante do progresso, no dia 26 deixe todas as outras coisas pequeninas de lado e, dê prioridade ao voto", afirmou Ialá, num comício na cidade onde nasceu Amílcar Cabral. "Porque no dia 26 vamos decidir o futuro da Guiné-Bissau. Ou a Guiné-Bissau se constrói definitivamente e segue definitivamente o rumo da paz e democracia ou racha definitivamente e leva cem anos sem paradeiro", alertou o antigo chefe de Estado do país.

Durante o comício Kumba Ialá explicou também aos seus apoiantes que pretende, se for eleito presidente do país, dar condições de saúde às populações e construir escolar e residências de professores em todas as regiões. Ialá voltou a lançar fortes ataques ao primeiro-ministro do país, Carlos Gomes Júnior, e ao Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), responsabilizando-os pelo atraso no desenvolvimento do país.

São Tomé assina com Portugal acordo de paridade cambial

São Tomé e Príncipe e Portugal assinam na próxima semana um acordo de paridade cambial que vai permitir à moeda são-tomense (Dobra) "ancorar-se ao euro", disse hoje o director do Centro de Investigação e Análise da Politica de Desenvolvimento, Adelino Castelo David. O acordo será assinado na capital são-tomense pela ministra do Plano e Finanças de São Tomé e Príncipe, Ângela Viegas, e pelo ministro das Finanças e da Economia de Portugal, Teixeira dos Santos.

Castelo David, que dirige a equipa técnica são-tomense que vem trabalhando com a parte portuguesa no acordo, disse à Lusa que "a delegação portuguesa deverá chegar a São Tomé na terça-feira, num voo privado".
A expectativa é de que o acordo de paridade cambial entre o arquipélago de São Tomé e Príncipe e Portugal entre em vigor já em Janeiro de 2010.
"Depois de assinado o acordo, há ‘demarches' internas que devem ser feitas para que, nos próximos seis meses, o acordo entre em vigor", disse ainda Castelo David.
"Procurar a melhor forma de incentivos para os investidores, estabilizar a economia e manter estável o poder de importação e os preços dos produtos no mercado são-tomense" são alguns dos benefícios que as autoridades são-tomense esperam obter com este acordo, acrescentou Castelo David.

O acordo de paridade cambial será apoiado por uma linha de crédito à disposição de São Tomé e Príncipe pelo Governo português. O valor não foi revelado.
"Nós beneficiaremos de uma linha de crédito que servirá de almofada para caso de uma crise extrema", adiantou o alto funcionário do Ministério são-tomense de Plano e Finanças.
A assinatura do acordo de paridade cambial entre os dois países lusófonos foi antecedida de vários encontros e seminários destinados a "colher subsídios" que ajudassem a encontrar um suporte para a moeda são-tomense.

quarta-feira, julho 22, 2009

Ministro espanhol visitou pela primeira vez em 300 anos Gibraltar e reclamou a soberania

A oposição não achou bem que o ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, Miguel Ángel Moratinos tivesse ido a uma terra que os britânicos ocuparam em 1704 e onde actualmente vivem 28.750 pessoas.

Moratinos, esteve ontem em Gibraltar. É o primeiro membro de um Governo de Madrid que aí se desloca desde que há 305 anos o pequeno território do Sul da Península Ibérica foi ocupado pela Inglaterra. "A posição de Espanha é não renunciar à recuperação da soberania sobre Gibraltar. Mas viemos aqui para dialogar, porque não há outra opção para além da cooperação e do diálogo", disse. Moratinos foi reunir-se com o seu homólogo britânico, David Miliband, e com o ministro principal de Gibraltar, Peter Caruana, para prosseguir conversações que em 2006 decorreram na cidade andaluza de Córdova e o ano passado em Londres. Mas o Partido Popular (PP, na oposição) achou muito mal que um ministro se tivesse prestado a ir a um território que a Espanha considera indevidamente ocupado, apesar de, pelo Tratado de Utreque, de 1713, o ter cedido à Coroa britânica.

Em Gibraltar a visita foi bem recebida: foi "um gesto político importante, que agradecemos", disse Caruana ao jornal El País, considerando-a "uma aposta na cooperação". Recentemente tinham surgido novas dificuldades, depois de Espanha ter incluído numa lista europeia de habitats naturais as águas que rodeiam a cidade e o porto de Gibraltar. Segundo o Tratado de Utreque, os espanhóis só cederam aos britânicos a cidade e o castelo de Gibraltar, bem como o respectivo porto, mas não o istmo que conduz ao território, nem as águas em redor. Moratinos foi acompanhado pelo secretário de Estado dos Assuntos Exteriores, Ángel Losada, e seguiu depois para Jerez de La Frontera, para novas conversações com Miliband, já à margem da questão de Gibraltar. A secretária-geral do PP, María Dolores de Cospedal, considerou a deslocação um "terrível erro", por poder ser interpretada como um "perigoso" precedente de se entender Gibraltar como país soberano, quando na verdade a Espanha gostaria de recuperar esses 6,8 quilómetros quadrados.

A ilha de Menorca, nas Baleares, também foi cedida em Utreque à Grã-Bretanha, mas a Espanha conseguiu reavê-la pelo Tratado de Amiens, em 1802, depois de uma série de incidentes que envolveram tropas inglesas e espanholas e também francesas. A devolução de Gibraltar tem sido desde há muito um objectivo da política externa espanhola. Em Abril de 1980, o Acordo de Lisboa estabeleceu o quadro para o assunto ir sendo paulatinamente negociado, ao longo dos anos. Entretanto, do mesmo modo que a Espanha desejaria reaver o território gibraltino, Rabat afirma que os enclaves espanhóis de Ceuta e Melilla fazem parte integrante do Reino de Marrocos, devendo ser abandonados por Madrid.

CPLP já superou limite de maturidade, diz MNE de Angola

A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa já superou o limite da maturidade, com estruturas sólidas e objectivos fortes, disse hoje o ministro das Relações Exteriores de Angola.

Assunção dos Anjos, que participou segunda-feira no Conselho de Ministros da CPLP, realizado na Cidade da Praia, considerou que a "CPLP é uma realidade, com estruturas sólidas e objectivos bastante fortes, que já não é aquela comunidade só baseada na língua. Coopera num sentido extremamente positivo e isso ficou patente nas discussões em torno dos efeitos da crise económica mundial nos nossos países", afirmou o chefe da diplomacia angolana que, a partir de 2010, assegurará a presidência do Conselho de Ministros da organização.

Brasil/Moçambique: Moçambique é parceiro estratégico

O Presidente brasileiro, Lula da Silva, disse hoje, durante a visita do seu homólogo moçambicano, Armando Guebuza, que Moçambique é um "parceiro estratégico e prioritário" das relações do Brasil com África e anunciou uma nova missão empresarial em Outubro.

"Hoje damos mais um passo para consolidar uma aliança que é modelo de cooperação para o desenvolvimento e que revela o potencial transformador da relação Sul-Sul", destacou Lula da Silva.
Lula da Silva disse ainda que os investimentos brasileiros estão a chegar a Moçambique "com força" e que os empresários partilham o optimismo do Governo brasileiro.

[O Brasil, tal como Angola no post anterior, exercitam as suas influências mundiais...]

Geocapital prepara lançamento do primeiro banco timorense

A sociedade financeira Geocapital quer abrir o primeiro banco de direito privado em Timor-Leste, num investimento estimado entre quatro e seis milhões de euros, revelou Diogo Lacerda Machado, administrador da empresa.

Lacerda Machado, que hoje formalizou, em Díli, o pedido de abertura do banco junto da autoridade bancária de Timor, explicou que a instituição será estruturada como banco de investimentos. "O Banco Timorense de Investimento será o primeiro banco de direito timorense e irá sobretudo financiar investimentos em Timor-Leste, mais do que disputar depósitos", sublinhou.
O administrador da Geocapital acrescentou que a empresa "tem tudo pronto" para lançar o banco assim que receba autorização da autoridade bancária timorense, manifestando expectativa de que a resposta das autoridades seja positiva e o mais rápida possível.

Em Timor-Leste estão actualmente três bancos comerciais: o português Caixa Geral de Depósitos/BNU, o indonésio Mandiri e o australiano-neo-zelandês ANZ.
Com um capital social de 10,2 milhões de euros, a Geocapital tem como accionistas o macaense Stanley Ho e o português Ferro Ribeiro.
Constituída com o objectivo de investir em projectos ligados à agro-indústria, biocombustíveis e infra-estruturas em países e territórios lusófonos, a Geocapital tem investimentos em Angola, Brasil, Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde, Portugal e Macau.
No sector bancário, a Geocapital detém posições em quatro instituições financeiras de países africanos de língua portuguesa, nomeadamente Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau e Moçambique.

A crescente importância mundial de Angola. Hillary Clinton visita Angola em Agosto

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, realiza uma visita oficial a Angola na primeira semana de Agosto, revelou hoje fonte do Ministério das Relações Exteriores.

A vice-ministra angolana das Relações Exteriores, Exalgina Gambôa, em declarações no Palácio Presidencial, na sequência da visita do presidente de Cuba, Raúl Castro, a Angola, explicou ainda que Hillary Clinton visita Luanda depois de uma deslocação ao Quénia.
Questionada sobre a possibilidade de Angola vir a desenvolver novos esforços junto dos EUA para que acabe o bloqueio económico a Cuba, a vice-ministra sublinhou que "Angola vai estar sempre do lado de Cuba".
Exalgina Gambôa afirmou que Angola apoia, "mais uma vez, e como tem sempre defendido, o fim do embargo nas Nações Unidas".
Exalgina Gambôa não explicou os detalhes da agenda da visita de Clinton a Luanda.
"Os países são livres de fazer as suas opções e, naturalmente, Angola vai estar sempre do lado de Cuba e essa é a nossa posição. Cuba deve estar livre dessa situação (bloqueio)", frisou.

A deslocação da secretária de Estado norte-americana ocorre depois da visita do ministro das Relações Exteriores angolano, Assunção dos Anjos, em Maio, aos EUA, visita durante a qual manteve um encontro com Hillary Clinton e com altos funcionários da administração Obama.

terça-feira, julho 21, 2009

CPLP abre missão em Díli

A CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa vai abrir, em breve, uma representação em Díli, para apoiar a implementação do Plano Estratégico de Cooperação para Timor-Leste, decidiu ontem o Conselho de Ministros da organização lusófona.

A decisão, tomada ontem na Cidade da Praia, responde ao interesse manifestado por Timor-Leste no aprofundamento da integração na CPLP, devendo agora os estados-membros, em coordenação com as autoridades de Díli e articulados com o Secretariado Executivo, nomear um representante e marcar a data da instalação.
O Plano Estratégico da CPLP para Timor-Leste foi apresentado às autoridades de Díli em Abril último pelo director da Cooperação da Comunidade, Manuel Lapão, e surgiu na sequência da abertura, em Janeiro deste ano, de uma missão timorense junto da organização.
O Conselho de Ministros da CPLP decidiu hoje também que irá promover uma reunião do Grupo de Contacto para a Guiné-Bissau, visando convocar uma conferência internacional de parceiros de desenvolvimento.
Numa resolução sobre o Plano de Apoio à Estabilidade na Guiné-Bissau, os oito chefes da diplomacia da CPLP decidiram na Cidade da Praia, em Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da organização, promover acções em articulação com o governo guineense.
Essas acções, lê-se no documento aprovado, visam o reforço da posição externa e a criação de condições para programas de reformas e de desenvolvimento da Guiné-Bissau.
Nesse sentido, a Presidência portuguesa da CPLP foi também mandatada para, em articulação com o Secretariado Executivo, apresentar, no prazo de 60 dias, um projecto de apoio aos sectores da saúde e da educação e a definição de uma estratégia para a segurança alimentar na Guiné-Bissau.

Os projectos, porém, devem ser, por sua vez, articulados com as autoridades guineenses dentro das prioridades de Bissau definidas no Documento de Estratégia Nacional de Redução da Pobreza (DENARP) e no "bom respeito" pelas melhores práticas internacionais, sendo financiados pelo Fundo Especial da CPLP e por outros doadores bilaterais ou multilaterais.
Segundo a resolução, a CPLP deve prosseguir esforços com o objectivo de reforçar as instituições do Estado na Guiné-Bissau e o aprofundamento da reforma do sector de segurança, incluindo o combate ao narcotráfico.
O programa de apoio à estabilidade na Guiné-Bissau, aprovado pelo CCP a 25 de Novembro de 2008, assenta em três pilares: o combate "firme e eficaz" ao narcotráfico, o "aprofundamento" da reforma do sector de segurança e a "geração de recursos internacionais" para o desenvolvimento da Guiné-Bissau.

segunda-feira, julho 20, 2009

Um português, uma petrolífera, uma venda de 7,3 mil milhões

No próximo dia 24 de Agosto, a chinesa Sinopec vai pagar qualquer coisa como 7,3 mil milhões de dólares (cerca de 5,2 mil milhões de euros) para ficar com as acções da Addax, uma empresa de exploração de petróleo independente. A operação será feita totalmente em dinheiro, o que é pouco comum na actual conjuntura de crise.
No entanto, a Sinopec também não é uma empresa normal, já que é dominada pelo Estado chinês, ávido de petróleo para continuar a crescer. E a própria história da Addax e deste negócio é também invulgar, tendo um português como protagonista.

Pedro de Almeida, hoje com 62 anos, foi um dos quatro fundadores da Addax, que nasceu para o negócio de compra e venda (trading) de petróleo e produtos refinados em 1988. Licenciado em Ciência Política pelo actual Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, e tendo frequentado a Escola Naval, tinha acabado de sair da Sociedade Central de Cervejas quando respondeu a um anúncio para dirigir a frota da Soponata, do grupo Petrogal, em 1973/74. Foi aceite, e a partir daqui nunca mais deixou de estar ligado ao mundo do petróleo. Cinco anos depois, já a trabalhar no departamento de compra de crude para as refinarias nacionais, cruza-se com Patrick Monteiro de Barros, e parte para Paris para trabalhar com o empresário na Philip Brothers. É aqui que desenvolve o gosto pelos negócios internacionais e pelo mercado africano, além de conhecer o suíço Jean Claude Gandur, actual presidente executivo e grande accionista da Addax Petroleum. O passo seguinte foi a constituição da Sigmoil, empresa de trading que também era controlada por Monteiro de Barros, mas onde Pedro de Almeida era já um pequeno accionista, tal como Gandur. O corte com Patrick Monteiro de Barros dá-se em 1987, quando Pedro de Almeida, Jean Claude Gandur e outros dois sócios se juntam para formar uma empresa a partir do zero, baptizando-a de Addax & Oryx. No fundo, como recordou Pedro de Almeida, a ideia era operarem no mesmo tipo de negócio, a compra e venda de petróleo, "mas a uma escala mais pequena", ligados ao continente africano.

Em 1988, um ano depois do arranque efectivo, começa a fase da expansão. Compram a armazenagem da Esso em Dakar, e começam a fazer mistura de fuelóleo. Depois foi a vez da distribuição e armazenamento da AGIP na Tanzânia, e a construção de um enorme terminal multiusos no Benim, seguindo-se as instalações de gás da Shell na Costa do Marfim. "Fomos comprando e fazendo investimentos de raiz, adquirindo activos às grandes companhias que tinham uma política de desinvestimento em África, que deixara de ser importante por causa do risco e da rentabilidade inferior aos países que dominavam. Acreditámos em activos em mau estado mas que estavam baratos", conta Pedro de Almeida. Era a fase de crescimento na distribuição, mas ainda não era aqui que se faria o grande negócio que chamou a atenção dos chineses. O momento fulcral da empresa dá-se em 1998, numa altura de baixa dos preços do barril de petróleo, cotado a 13 dólares. Uma empresa norte-americana, a Ashland, estava disposta a vender os poços que tinha na Nigéria. "Não tínhamos nenhuma experiência de produção, pelo que fizemos uma joint-venture com a Total, em que eles apareciam como comprador e nós assumiríamos a operação de dois poços, um offshore e outro onshore, quando tivéssemos uma equipa de engenheiros e criado a estrutura, que não tínhamos. Era uma operação que não se faz de um dia para outro." A falta de capital leva-os a pedir um empréstimo, agressivo, ao BNP Paribas, que desconfiou da falta de experiência da Addax na vertente de exploração. Afinal, uma coisa é comprar e vender petróleo dos outros, outra coisa é assumir os riscos de investir em poços. Como contrapartida pelo empréstimo, a seis meses, o Paribas pede os activos da empresa como garantia. Quando o preço do barril desce para nove dólares, os alarmes soam na companhia, com o banco a querer accionar as garantias. Parecia que a criação da Addax Petroleum seria o início do fim da aventura do grupo.

"A máquina parou. Estávamos a poucos meses de sermos executados", recorda o empresário. No entanto, como diz Pedro de Almeida, "a sorte, às vezes, protege os audazes", e o preço do barril começa a subir. Primeiro para os 10 dólares, depois para 13, até atingir os 20 dólares. Os 8000 barris que produziam por dia passam rapidamente de encargo a fonte de riqueza. E começou o que viria a ser um negócio milionário. A compra e venda de um campo de gás na Costa do Marfim permitiu incrementar a aposta na Nigéria, subindo para os 40 mil barris por dia. Agora, "era o BNP Paribas a perguntar de quanto é que precisávamos...", relembra. Sobre a Nigéria, os ataques de movimentos como o da Emancipação do Delta do Níger e a corrupção política, Pedro de Almeida explica que "é mais importante atacar a Exxon ou a Shell, em termos mediáticos". "Depois, as nossas plataformas estão fora da zona de maior conflito. Além disso, aprendemos com os erros dos outros, e construímos infra-estruturas como escolas, hospitais e saneamento, o que não criou anticorpos. É verdade que há grande propensão para corrupção, mas existem formas de contribuir sem ser com dinheiro na mão", garante. Com a Nigéria a aumentar a produção, o investimento em novos poços em outras regiões, e com os preços do petróleo a subir, o grupo achou que era a altura de colocar a Addax Petroleum na Bolsa de Toronto, Canadá, o que viria a acontecer no início de 2006. Cerca de 25% do capital é aberto a novos accionistas, e as cotações disparam. Para Pedro de Almeida, que tinha assento na administração da holding, a Addax & Oryx, ainda ligada ao trading, era a altura certa para sair da empresa. "Sou um homem do trading, não da exploração e produção, já tinha dado o que tinha dado em termos de contributo para a holding, queria os meus negócios".

Trocou grande parte das acções da holding por títulos da Addax Petroleum, um privilégio de fundador, e vendeu muitas delas ao mercado, dedicando-se a negócios pessoais, como a Admar Shipping, do Panamá, que tem uma filial em Lisboa, a Admar Trading, de Genebra, e a Admar ET, de Lisboa, dedicada ao transporte de mercadorias por contentores. Hoje, não diz quantas acções ainda detém na Addax Petroleum, sustentando apenas que é um pequeno accionista, sem, no entanto, ter perdido a oportunidade de beneficiar da operação da Sinopec. Quanto à Addax, "foi a única empresa de trading que ganhou estatuto de empresa de petróleo, formada por quatro carolas que acreditaram num projecto, consequentes na sua estratégia de desenvolvimento". Ainda foi à última assembleia geral, há cerca de três semanas, para acompanhar o processo da venda aos chineses, e ver pessoalmente aquilo que apelida de "fim da aventura". Agora, diz, a 24 de Agosto vai chegar a vez de colocar um ponto final na ligação ao projecto que ajudou a criar vinte anos antes.

Nissan investe 250 milhões numa fábrica de baterias em Portugal

Portugal é um dos países onde a Nissan vai instalar fábricas de produção de baterias de iões de lítio para carros eléctricos, anunciou hoje o fabricante nipónico em comunicado.

O investimento a realizar é de 250 milhões de euros, com a criação de 200 postos de trabalho. A localização da fábrica não foi divulgada, embora a companhia adiante que há várias alternativas em fase de estudo. O vice-presidente da Nissan para a Europa, Eric Nicolas, encontra-se esta manhã com o primeiro-ministro português, José Sócrates, numa reunião onde este investimento deverá ser abordado.Para além de Portugal, a Nissam anuncia também a instalação de uma outra fábrica de baterias em Inglaterra. Esta unidade terá uma produção anual de 60 mil equipamentos.

"É inadiável refundar o Instituto Internacionalde Língua Portuguesa"

in noticiaslusofonas.com

Quem finalmente o diz com todas as letras é o ministro português Luís Amado.

O ministro dos Negócios Estrangeiros português considerou hoje, na Cidade da Praia, Cabo Verde, que é "inadiável" a refundação do Instituto Internacional de Língua Portuguesa (IILP). Amado, que chegou hoje à capital de Cabo Verde, onde decorre a 14ª Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a que preside, adiantou que Portugal tem uma proposta para que o IILP se torne "capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo". "O tema central (do Conselho de Ministros) é a nova abordagem estratégica para a promoção e difusão da Língua Portuguesa, assumida pela CPLP na sequência da Cimeira de Lisboa (Julho de 2008). Teremos oportunidade de discutir as questões concretas relacionadas com o IILP e com a sua refundação, que é inadiável", disse. "Há uma proposta nossa, que deverá ser aprovada, que define as orientações que deverão ser seguidas nos próximos meses para que haja uma nova instituição capaz de preencher as expectativas criadas em relação ao estatuto da Língua no mundo", sustentou o presidente do Conselho de Ministros da CPLP.

Luís Amado frisou que a manutenção da actual direcção do IILP, chefiada pela linguista angolana Amélia Mingas, "não está em causa", e salientou que "o que é importante é refundar o ILLP, que não tem sido capaz de corresponder às expectativas que se criaram aquando da sua fundação. Depois da sua fundação (em 1989), constituiu-se a CPLP (1996). Mas a articulação de objectivos entre a CPLP e o IILP não tem sido fácil. É preciso que se diga, que o IILP tem uma grande falta de visibilidade no conjunto da CPLP, pelo que é preciso dar um novo impulso", sublinhou. Nesse sentido, acrescentou Luís Amado, é necessário dar ao IILP "novas competências, atribuições e objectivos bem definidos, para que possa ter sucesso". "Na nossa proposta, e independentemente de outros aspectos que devem ser revistos, há uma acção de apoio à interpretação da Língua Portuguesa nos organismos internacionais, em que o IILP pode assumir essa competência. E se houver consenso, é possível que o instituto se torne mais operacional, com mais visibilidade e com um papel mais determinante na promoção da Língua Portuguesa", adiantou.

Para Luís Amado, é também essencial analisar os problemas específicos de cada Estado membro na promoção do ensino e na expansão da Língua Portuguesa, tendo em conta que os países africanos da CPLP (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) "têm ainda os seus sistemas de ensino em expansão". Por isso, acrescentou, necessitam de apoio específico na área do ensino da Língua Portuguesa, pelo que na mesa estará a discussão de uma estratégia comum para os ajudar, contando com o apoio do Brasil. Além da questão da Língua Portuguesa, Luís Amado salientou que a reunião ministerial vai também centrar-se na crise internacional e à forma como está a ser acompanhada em todas as regiões, bem como se fará um ponto de situação sobre os últimos desenvolvimentos na Guiné-Bissau e em Timor-Leste.

sexta-feira, julho 17, 2009

CPLP: Fonseca esperava «maior ênfase» na promoção da língua

O ex-secretário-executivo da CPLP - Comunidade dos Países de Língua Portuguesa Luís Fonseca defendeu hoje que a Presidência portuguesa da organização tem procurado "materializar" as decisões da Cimeira de Lisboa, mas esperava "maior ênfase" na promoção da Língua Portuguesa.

Em entrevista, em vésperas da reunião do Conselho de Ministros da organização, domingo e segunda-feira na Cidade da Praia, o diplomata cabo-verdiano sublinhou o esforço de Lisboa em dinamizar os encontros ministeriais, que considera fundamentais na rede institucional da CPLP, sustentando que se tem ouvido falar mais da organização, "o que é sinal de um aumento de actividade".
"Mas, atendendo às expectativas criadas durante a Cimeira (de Lisboa, há um ano), esperaria, talvez, maior ênfase na promoção da Língua Portuguesa, particularmente no que respeita ao papel do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa). Mas também é verdade que a situação na Guiné-Bissau canalizou muita da atenção que poderia ser encaminhada para acções de afirmação e consolidação da Comunidade", sustentou.

CPLP discute visto automático para empresários

Na Cidade da Praia vai ser proposto um regime especial de transição para a livre circulação.

A XIV Reunião do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai decorrer de 19 a 20 de Julho, na Cidade da Praia, em Cabo Verde. "A solidariedade na CPLP no contexto da crise económica e financeira internacional: perspectivas regionais" é o tema escolhido para o debate geral.

Outro dos temas que vai ser discutido é o dos acordos de cidadania e circulação. A CPLP aprovou já um conjunto de medidas que permitem, que numa fase transitória, "os homens de negócios, estudantes ou académicos possam beneficiar de um regime especial de facilidade para a circulação nos vários Estados membros", disse Domingos Simões Pereira, secretário executivo da CPLP. Aquele responsável diz que os acordos existem mas "nalguns casos estão a funcionar, noutros nem tanto".