quarta-feira, setembro 01, 2010

Posição do português "ameaçada" por falta de investimento

A falta de investimento na promoção do português, particularmente na formação de professores e em manuais escolares, está a prejudicar a posição da língua entre as mais faladas do mundo, segundo Joseph Levi, da universidade norte-americana de George Washington.

"A língua portuguesa, que é a quinta mais falada no mundo e a terceira indo-europeia mais falada, deveria ter um estatuto mais importante", disse o professor norte-americano, à margem da Conferência sobre o Ensino do Português e Culturas Lusófonas, que decorreu sexta feira em Fall River, nordeste dos Estados Unidos.

Levi está actualmente envolvido num levantamento sobre a prioridade dada pelos governos à difusão das principais línguas, no atual contexto político.

Roland Berger sugere promoção centralizada no Turismo de Portugal

O Turismo de Portugal (TP) poderá concentrar as decisões sobre contratos para a promoção das regiões do país no exterior, segundo uma proposta da consultora internacional Roland Berger.

Num documento de trabalho da Roland Berger que reavalia o Plano Estratégico Nacional de Turismo (PENT2015), são indicados "ajustamentos ao modelo actual" de contratualização, mudando a situação atual, em que são as agências regionais de promoção de turística a definir os planos de promoção, com a participação dos privados.

O TP aprova esses planos e na estutura organizacional há partilha de responsabilidades entre o organismo central e os agentes regionais do setor do Turismo.

Sócrates na Líbia após Kadhafi ter exigido 5 mil milhões para travar "Europa negra"

José Sócrates aterra esta tarde em Tripoli, quatro dias depois de Muammar Kadhafi ter provocado (mais uma) acesa polémica: exige 5 mil milhões de euros anuais da União Europeia para travar as rotas de imigração clandestina e evitar que o Velho Continente se transforme na "Europa negra".

Pela quarta vez em cinco anos e meio de Governo, o primeiro-ministro português parte hoje para a Líbia, um dos países com quem Portugal mais tem tentado estreitar as relações económicas, sobretudo nas áreas da energia, obras públicas, construção civil e financeira, destacando-se o posicionamento de empresas como a Galp, Bento Pedroso, Teixeira Duarte, BES e da Efacec.
Desta feita, José Sócrates desloca-se a Tripoli para participar no Encontro 5+5, que junta países europeus e do Norte de África da bacia do Mediterrâneo. Antes deste encontro de alto nível, os chefes de Estado e de Governo encontram-se ao fim da tarde com o líder líbio, sendo depois convidados por Muammar Kadhafi para assistirem às comemorações do 41º aniversário da revolução líbia.

A reunião do grupo 5+5 (que, do lado europeu, junta Portugal, Espanha, França, Itália e Malta), ocorre dois dias depois de Moammar Kadhafi ter pedido, em Roma, à União Europeia cinco mil milhões de euros para combater a imigração ilegal proveniente de África.
Kadhafi chegou à capital italiana no sábado para celebrar o segundo aniversário do Tratado de Amizade firmado com Itália. A sua deslocação ficou ainda marcada pelo apelo que fez, ao lado do Vaticano, para que a Europa se converta ao Islão.

terça-feira, agosto 31, 2010

Felipe Oliveira Baptista é o novo Director Artístico da Lacoste

O criador de moda português radicado em França, Felipe Olivira Baptista, assume a partir de amanhã a direcção artística da conceituada marca Lacoste.

Segundo a marca, este criador "com o seu estilo moderno apresenta todas as qualidades indispensáveis para reinterpretar os valores da marca Lacoste".

Actualmente com 33 anos, Felipe é formado pela Kingston University e foi convidado para integrar o calendário oficial da Couture desde 2005. Desde 2009 apresenta as suas colecções na Semana da Moda de Paris e no Porto, com o apoio do Portugal Fashion.

O convite a este criador insere-se na nova estratégia da marca, anunciada em Junho, e que passa por dar uma nova expressão à marca e encontrar novas formas de crescimento.

A Lacoste está empenhada em lançar novas linhas de produtos como é o caso da Lacoste Live e rejuvenescer a sua colecção de sportswear Lacoste, apostando ainda fortemente nas linhas femininas, uma área na qual Felipe terá um papel importante "pela sua visão criativa e interpretação contemporânea da silhueta feminina".

segunda-feira, agosto 30, 2010

Timor-Leste e Cabinda

Por Orlando Castro
in Notícias Lusófonas


O ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, Zacarias da Costa, exprimiu a preocupação do seu país relativamente à obstrução por parte de Marrocos quanto à conclusão e prosseguimento do processo de descolonização do Sahara Ocidental. E Cabinda? Pelos vistos, em Díli ninguém sabe o que isso é.
Zacarias da Costa manifestou essa preocupação durante uma recepção ao embaixador saharaui acreditado em Dili, Mohammed Salama Badi, na sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros timorense.

O ministro referiu que o seu governo está "preocupado face aos contínuos obstáculos interpostos por Marrocos com vista a retardar o processo de descolonização e a recusa de Rabat em permitir ao povo saharaui de exercer o seu direito inalienável à autodeterminação, através da organização de um referendo livre e democrático."

As duas partes passaram igualmente em revista os últimos desenvolvimentos do conflito do Sahara Ocidental, nomeadamente as violações dos direitos humanos cometidos por Marrocos nos territórios saharauis sob ocupação marroquina e a pilhagem continua dos recursos naturais do território ocupado há mais de 35 anos por Marrocos.

No passado dia 1 de Junho, também o Presidente de Timor-Leste e Nobel da Paz, José Ramos-Horta, disse que Marrocos deve honrar os compromissos que assumiu com a comunidade internacional para realizar o referendo no Saara Ocidental.
Pena é que, no âmbito da Lusofonia, Ramos-Horta não tenha visão, ou conhecimentos, sobre o que se passa na colónia angolana de Cabinda.

Será que alguém o pode elucidar? Ou será que Ramos-Horta pensa como o seu homólogo português, Cavaco Silva, que Angola vai de Cabinda ao Cunene?
Por pensar como Ramos-Horta é que a Indonésia considerava que Timor-Leste era uma sua província. Certo?
O Presidente da República timorense salientou na altura que “o problema do Saara Ocidental já se arrasta há mais de 30 anos”.

Exactamente. Tal como o de Cabinda que começou em 1975 quando Portugal rasgou os acordos que tinha com o povo de Cabinda. Rasgou-os mas não conseguiu que fossem esquecidos por muitos. Muitos onde, apesar de uma causa semelhante, não consta infelizmente José Ramos-Horta.

Timor-Leste libertou-se em 1999 e restaurou a sua independência em 2002, mas a questão do Saara que tem similaridade histórica e à luz do Direito Internacional, continua por ser resolvida”, observou o Presidente timorense.
E que tal Ramos-Horta pedir ajuda aos seus preclaros assessores para perceber que, afinal, Cabinda está ao mesmo nível do Saara e de Timor-Leste?

É natural que Ramos-Horta não saiba a história de Angola e de Cabinda, ou apenas conheça a versão do regime do MPLA. Se, por exemplo, os mais altos representantes políticos de Portugal nada conhecem, ou fingem não conhecer, da história do seu país, é natural que o presidente timorense também seja ignorante nesta, como noutras, matérias.

Resta a certeza de que, um dia destes, ainda vamos ver Cavaco Silva e Ramos-Horta, entre muitos outros, entre quase todos, a dizer também que devido a uma mudança no contexto geopolítico, Cabinda não é Angola e o Tibete não é China.

sexta-feira, agosto 27, 2010

São Tomé: Primeiro-ministro diz que Portugal e Angola estão em pé de igualdade

in Notícias Lusófonas

O primeiro-ministro são-tomense, Patrice Trovoada, disse hoje que a cooperação com Portugal e Angola deve ser colocada em pé de igualdade como outros parceiros do arquipélago.

Se todos são parceiros estratégicos, todos são iguais (…) é uma politica de vantagem comparativa e de selecção, o que de facto interessa mais fazer com esse ou aquele parceiro. Angola, Portugal, Taiwan, Nigéria são países nossos amigos”, disse o chefe do executivo são-tomense, durante uma entrevista à televisão pública são-tomense, que está a ser emitida também pela Rádio Nacional do país.

O que é preciso do nosso lado é saber olhar para Portugal e dizer o que é que Portugal sabe fazer e o que é que nós devemos oferecer a Portugal”, acrescentou o primeiro-ministro eleito no início deste mês.

Trovoada defendeu a integração do sector nacional da cooperação internacional no Ministério das Finanças como “uma renovação” na orgânica do seu Governo, destinada a dar maior “eficácia” a acção governativa.
O que sustenta toda essa nova orgânica é dar um pouco mais de eficácia, menos dispersão, reduzir alguns custos e percebermos muito melhor aquilo que se passa no nosso país”, explicou.

Infelizmente nós temos muitas ilhas e essas ilhas correspondem a muitos sacos azuis, há muitos recursos dispersos e era necessário termos melhor percepção de todo esse potencial”, acrescentou o primeiro-ministro são-tomense, para quem a luta contra a corrupção é “o objectivo primordial” da acção governativa.
Durante a campanha, denunciámos a situação económica do país, mas ela está pior do que esperávamos. Vamos tomar algumas medidas sem precipitação, mas com firmeza”, afirmou Trovoada, elegendo a agricultura, a pesca e o turismo como os “sectores que podem trazer riqueza e emprego”.

No início do mês, Trovoada defendeu que os parceiros estratégicos de cooperação não deviam limitar-se a Portugal e Angola, e anunciou que iria apostar nas relações com países da sub-região e do Médio Oriente. Adiantou ainda que está convencido de que “o que importa para a diplomacia são-tomense” e para a defesa dos seus interesses, “é alargar o leque de amigos".
Relativamente aos parceiros tradicionais de cooperação, Portugal e Angola, Trovoada disse que, depois dos primeiros 100 dias de governação, contactará os parceiros tradicionais com “novas propostas” que acredita serem “mais adaptadas à situação em que se encontra o país”.

Trovoada deseja clarificar as diferenças entre o actual Governo e o de Rafael Branco, do Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP-PSD).
"O MLSTP dizia que Angola e Portugal eram os parceiros estratégicos. Nós pensamos que parceiros estratégicos são vários. Tudo depende do que cada um pretende com cada um dos parceiros”, defendeu.
A complementaridade virá, defendeu, da sub-região, que acredita ser “uma das saídas para o crescimento económico” do país.
Por isso estamos a olhar para o Gabão, Guiné-Equatorial, Nigéria, Camarões, Congo”, disse.
Outros parceiros são os países do Médio Oriente e o conjunto BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China).

[Repare-se no comentário que aqui deixei em 24 de Agosto último. A ver vamos...]

Universidades dos Açores e Lesley celebram Língua Portuguesa

in Notícias Lusófonas

A celebração da língua portuguesa na América do Norte é o tema central de uma série de iniciativas que começam sexta-feira na cidade norte-americana de Fall River, promovidas pelas universidades dos Açores e de Lesley, EUA.
As iniciativas incluem um congresso internacional sobre o ensino do português, um almoço com pratos típicos de Portugal, Cabo Verde, Brasil e Angola e a realização de uma Feira do Livro, no Kennedy Park, durante as Festas do Espírito Santo, que se prolongam até domingo.

O Congresso Internacional de Ensino da Língua e Cultura Portuguesas na América do Norte, que decorre sexta-feira, vai reunir especialistas de Portugal, Brasil, Cabo Verde, EUA, Canadá e México, revelou hoje Graça Castanho, da Universidade dos Açores.

Este fórum, que também se destina a evocar o centenário do ensino integrado do Português na Escola do Espírito Santo de Fall River, vai debater, entre outros temas, o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, as técnicas e materiais relevantes para o ensino do Português e o multiculturalismo.

Graça Castanho destacou, no contexto destas iniciativas, a importância do trabalho desenvolvido pela escola de Fall River, que ensina o Português como disciplina integrada num currículo comum aos estabelecimentos escolares norte-americanos.

No pavilhão que vai acolher a Feira do Livro, estarão também patentes exposições de trabalhos de crianças que frequentam escolas portugueses e serão lançadas obras relacionadas com esta temática.
As iniciativas promovidas pelas universidades dos Açores e de Lesley coincidem com a realização das festas - na cidade norte-americana onde vive uma grande comunidade de origem açoriana - que levam a Fall River milhares de emigrantes provenientes de vários estados norte-americanos e do Canadá.

Cooperação Portuguesa abastece biblioteca na ilha do Maio

A Cooperação Portuguesa disponibilizou cerca de 500 títulos, correspondentes a outros tantos livros, para a Biblioteca do Centro de Juventude do Maio, em Cabo Verde, revelou fonte oficial cabo-verdiana.

A oferta, segundo fonte do Ministério da Presidência do Conselho de Ministros, insere-se no quadro das "boas relações" existentes entre Portugal e Cabo Verde, estando o acto de entrega previsto para hoje na Vila de Porto Inglês, capital da ilha do Maio.

A cerimónia contará com a presença da ministra da Presidência do Conselho de Ministros e da Juventude cabo-verdiana, Janira Hopffer Almada, que inicia uma visita de trabalho de dois dias à ilha do Sotavento, vizinha de Santiago.

Portugal acolhe centro de recrutamento da Cisco para a Europa, Médio Oriente e África

A multinacional norte-americana Cisco Systems voltou a escolher Portugal para concentrar parte dos seus serviços, desta vez na área do recrutamento, elevando para quatro o número de centros europeus de suporte ao negócio que possui no país.

O director-geral da Cisco em Portugal considerou que a abertura em Oeiras do centro de recrutamento da companhia para a Europa, Médio Oriente e África (região EMEA) é "muito mais simbólico do ponto de vista qualitativo do que quantitativo, porque vai ser um grupo pequeno de cerca de oito pessoas". "É simbólico a dois níveis: primeiro porque é o 4º centro europeu de suporte ao negócio da Cisco em Portugal, depois do Hércules (backoffice das vendas de tecnologia para toda a Europa), do Liberty (backoffice de vendas de serviços para toda a Europa) e do Inside Supercenter (gestão de conta remota para parceiros e para uma grande parte dos clientes na Europa). Depois, porque é pouco usual ter uma unidade que gere todos os processos de recrutamento para uma zona como a Europa, Médio Oriente e África a partir de uma base em Portugal", explicou Carlos Brazão.

Segundo salientou, o novo centro de recrutamento - a implementar no edifício da Cisco em Oeiras - vai albergar o conjunto de pessoas que processam todos os novos recrutamentos da Cisco para a zona EMEA.
O centro irá começar a operar até final deste ano, embora só venha a ter o quadro de trabalhadores completo no primeiro trimestre de 2011.

De acordo com Brazão, a opção por Portugal para instalar este centro é "o reconhecimento do excelente desempenho" dos outros três centros já em operação no país. "Há três anos que praticamente todas as decisões de centralização da Cisco na Europa são para Portugal. Quem está de parabéns são os colaboradores portugueses", salientou, adiantando que o total de quadros da multinacional no país "não deve andar já muito longe das 200 pessoas".

Para o responsável, o facto de existirem já quatro centros da Cisco em Portugal "é um bom indicador, porque nas empresas globais há cada vez mais tendência para haver alguma especialização e, logo, oportunidades de concentração de determinadas funções para determinadas regiões".

Timor: Ramos Horta alivia tensão nacional com perdão a autores de atentado

Presidente timorense mandou libertar autores do atentado que sofreu em 2008. A decisão vai aumentar a estabilidade no país e ajudar "o passado a ser passado".

"Eles também foram vítimas", justificou José Ramos Horta (JRH). Os 23 antigos rebeldes considerados responsáveis pelo atentado contra o presidente da República de Timor-Leste e condenados em Março a 16 anos de prisão vão ser libertados mais cedo que o previsto, segundo a informação publicada ontem na Gazeta Oficial, o boletim legislativo de Timor.

A intenção de JRH já tinha sido dada a conhecer a 6 de Agosto, em Díli. "Como presidente da República quero indultar as pessoas já condenadas em processos relacionados com a crise, concretamente os três militares das F-FDTL (Falintil-Forças de Defesa de Timor-Leste), Gastão Salsinha (tido como um dos cabecilhas, a par de Alfredo Reinado, que foi abatido na sua residência), e os outros condenados no mesmo processo. A compensação às vítimas (da crise de 2006) e os indultos vão ajudar-nos a deixar o passado ser passado e a olhar o futuro com confiança", disse o presidente da República.

Paulo Gorjão, especialista do Instituto Português de Relações Internacionais e Segurança (IPRIS), considera que a decisão é um sinal claro de que Ramos Horta quer "desvalorizar, despolitizar e normalizar uma situação que poderia aumentar as fragilidades do país, aumentando a tensão social".

O especialista defende que a decisão do presidente timorense está relacionada com a tensão social do país. "À medida que cresce o distanciamento em relação ao referendo de 1999 que as tensões tendem a perder impacto. Mas a vida e a história fazem com que seja possível, apesar de imprevisível, haver uma nova tentativa de golpe de Estado como o de 2001, ou nova tentativa de assassinato do presidente JRH", defende o especialista.

A libertação dos condenados pelo atentado não é mais que "uma tentativa de retirar a carga de tensão política que se mantém em Timor desde 1999", considera Gorjão. Assim, "o que JRH faz é tentar esvaziar um balão de tensão. A realidade de Timor nem sempre corresponde às expectativas traçadas na transição para a democracia", defende, explicando que "a situação em Timor é relativamente calma, não há sinais de tensão política nem social, mas o facto de não haver sinais de tensão não quer dizer que ela não exista".

Dois dos condenados libertados são Gastão Salsinha e Marcelo Caetano. Maternus Bere, outro dos envolvidos no ataque que feriu o presidente timorense e levou à morte do major Alfredo Reinaldo, foi posto em liberdade em 2009. Bere era um antigo chefe de milícias pró-indonésias que fora considerado, por uma unidade da ONU, culpado pela chacina de centenas de pessoas numa igreja em Suai, em 1999.

O julgamento dos 23 envolvidos na tentativa de assassinato ao presidente JRH terminou em Março e durou cinco meses. JRH ficou ferido, depois de ter sido alvejado no estômago no atentado de 10 de Fevereiro de 2008. No mesmo dia, também o primeiro-ministro timorense, Xanana Gusmão, foi alvo de um ataque, do qual saiu ileso. Os ataques aconteceram alguns dias depois de Gusmão ter assumido que Alfredo Reinaldo não seria "uma ameaça real à estabilidade" de Timor-Leste.

quinta-feira, agosto 26, 2010

Politécnicos portugueses vão enviar um professor para Malaca

A pequena comunidade de descendentes de portugueses que em Malaca, na Malásia, mantém a herança cultural dos seus antepassados, vai acolher um professor de língua portuguesa. A "oferta" é dos institutos politécnicos de Portugal que vão ainda oferecer seis bolsas de estudo anuais.

São cerca de cinco mil os falantes do "cristang", um português com alguns séculos, que agora vão poder reatar o contacto com a língua materna dos antepassados ao abrigo de uma cooperação académica que está a reforçar o ensino do português no sudeste asiático, como explicou à Agência Lusa Sobrinho Teixeira, presidente do Instituto Politécnico de Bragança e do CCISP, Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos.

Macau vai receber, entre 7 a 10 de Setembro, o encontro anual das Associações das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), que terá como tema "A China, Macau e os Países de Língua Portuguesa". Desta organização fazem parte os 15 politécnicos portugueses que celebraram, em Janeiro, protocolos de cooperação com o congénere de Macau para o desenvolvimento do ensino do português no sudeste asiático.
Os representantes dessas organizações vão deslocar-se a Malaca, no dia 4 de Setembro, para oficializarem uma parceria que vai disponibilizar um professor para ensinar português à comunidade local, disse Sobrinho Teixeira. A cooperação disponibilizará também seis bolsas anuais a elementos daquela comunidade que queiram estudar nos politécnicos portugueses.
Esta iniciativa cumpre um dos propósitos dos protocolos celebrados, em Janeiro, de apoiar a qualificação das escolas portuguesas que ainda existem em Macau e nas comunidades descendentes de portugueses.

As redes de cooperação são um dos temas em foco no XX Encontro da AULP, entre 07 e 10 de Setembro, em Macau, com os membros desta associação lusófona a terem a oportunidade de apresentarem os seus projectos a congéneres da República Popular da China e Taiwan. O próximo encontro anual decorrerá em Bragança, entre 06 e 09 de Junho de 2011, segundo avançou Sobrinho Teixeira.

Portugal perdeu mais de 12 mil empresas em apenas dois anos

Fragilizadas pela crise e incentivadas pela simplificação dos encerramentos, milhares de sociedades deixaram de constar nos registos oficiais.
O jornal Público fez as contas e chegou à conclusão de que, nos últimos dois anos, o tecido empresarial português deixou de contar com mais de 12 mil empresas. Muitas delas constariam, no entanto, apenas no “papel”.

Desde 2008 e até ao primeiro trimestre deste ano, foram dissolvidas mais de 78 mil. Contabilizando o número de negócios criados (65.690), conclui-se que o saldo líquido é negativo: nos últimos dois anos, Portugal perdeu 12.414 empresas. A grande maioria pertencia ao sector da comercialização e reparação de automóveis.

Os dados mais recentes parecem revelar uma recuperação. No primeiro trimestre de 2010, houve mais sociedades criadas do que dissolvidas, o que resultou num ganho líquido de 3203 empresas.

quarta-feira, agosto 25, 2010

Risco da dívida portuguesa é o que mais sobe a seguir ao Vietname

O risco da dívida pública portuguesa é o segundo que mais sobe no mundo, apenas superado ligeiramente pelo Vietname, agravando-se 3,66%, de acordo com os dados da CMA, uma empresa especialista em análise de crédito.

Os Credit Default Swaps (CDS) associados aos títulos de dívida pública portugueses com maturidade a cinco anos agravavam-se hoje em 3,66%, para os 305,6 pontos base.

A subida de 10,8 pontos base registada hoje face ao fecho de terça feira faz com que o custo para segurar os títulos de dívida a cinco anos, medido pela CMA, se agrave para os 305,6 mil euros anuais.

No ‘top 8’ do custo dos CDS que mais se agravam hoje, apenas o Vietname supera Portugal, com o custo dos seus CDS a aumentar em 3,67%, sendo que o aumento em pontos base é inferior, situando-se atualmente nos 259,57 pontos, menos 45 pontos base do que no caso de Portugal.

O terceiro que mais agrava é Itália, cujo custo dos CDS estão a subir 3,43% para os 219,39 pontos base.

Dos oito que mais pioram durante o dia de hoje, de acordo com os dados compilados pela CMA, Portugal é o que maior valor tem nos credit default swaps associados à sua dívida a cinco anos.

Este agravamento surge no mesmo dia em que o Estado português colocou no mercado 1.301 milhões de euros em dívida pública a seis e dez anos, com juros mais altos do que em emissões anteriores com as mesmas maturidades e um dia depois da Standard & Poor’s cortar o ‘rating’ da Irlanda.

Qual é o quarto grande do futebol português?

Apresentam-se vários critérios, os seguintes parecem-me razoáveis: títulos/troféus nacionais/europeus conquistados, número de presenças no principal campeonato, número de sócios e ano da fundação.

À partida apresentam-se como candidatos: Boavista, Belenenses, Sporting de Braga e Vitória de Guimarães.
Tendo em conta os critérios acima apresentados, atribuir-se-á 4 pontos por troféu europeu, 3 pontos por cada Campeonato Nacional conquistado, 2.5 por troféu europeu (de 2ª relevância), 2 pontos por cada Taça de Portugal/Campeonato de Portugal/Taça da Liga, 1 ponto por Supertaça, 0.5 por cada presença no Campeonato Nacional, 0.5 por número de sócios e 0.5 por cada ano de fundação.

Assim:
Os dois primeiros conquistaram um título de campeão nacional cada um, e isso faria deles, à partida, potenciais vencedores desde "concurso". Nenhum ganhou troféu europeu algum.
O Boavista, com 107 anos, acumula 5 Taças de Portugal (TP) e três Supertaças. Tem 54 presenças no Campeonato Nacional (CN). Tem 25 mil sócios. Teve uma carreira europeia muito interessante, sendo o único dos três grandes, até ontem, a disputar a Liga dos Campeões (não pontua mais por isso…).
Soma 12096,5 pontos.

Os Belensenses, com 91 anos, 20 mil sócios, têm 3 Taças de Portugal e 3 Campeonatos de Portugal (equivalente), o que soma 6 troféus. Têm 72 presenças no CN.
Soma 10096,5 pontos.
O Vitória de Guimarães, com 88 anos, tem 63 presenças no Campeonato e 1 Supertaça. Tem 24 mil sócios.
Soma 12045 pontos.

Actualmente, o Sporting de Braga tem assumido preponderância na classificação do Campeonato Nacional. Com 89 anos, tem 54 presenças no campeonato principal, 1 Taça de Portugal e 1 Taça Intertoto. Tem cerca de 22 mil sócios.
Soma 11076 pontos.

O Boavista surge como 4º grande, com o Guimarães a persegui-lo, mas com o Braga a crescer a olhos vistos.
Estava portanto encontrado o vencedor. Mas, uma certa “crise” relegou o Boavista para os regionais e para longe da memória dos adeptos do futebol e Os Belenenses, agora na 2ª Liga, andam há muito arredados de troféus que abrilhantem o seu museu, apesar de serem o segundo clube de muitos adeptos do futebol.

A vitória discutir-se-á entre Guimarães e Braga, numa saudável rivalidade minhota, com o Braga num crescimento sustentado e o Guimarães como o quarto grande português em termos de assistências no seu estádio e o 5º grande (a curta distância do 4º) à luz dos critérios apresentados.
Os estádios têm lotação semelhante (30 mil lugares), mas o Braga passou ontem pela primeira vez à fase de grupos da Liga dos Campeões (a quarta equipa portuguesa a consegui-lo), um feito desportivamente e economicamente muito importante.
Em termos de adeptos as coisas equivalem-se, mas as assistências pendem muito mais para o lado do Guimarães.

Ficam as conclusões. Inconclusivas...

terça-feira, agosto 24, 2010

Petróleo constitui oportunidade para São Tomé e Príncipe, defende a Human Rights Watch

O ano de 2010 pode ser de viragem para São Tomé e Príncipe, com a constituição do novo governo e os resultados do concurso para a prospecção de petróleo na sua zona económica exclusiva, considera a organização internacional Human Rights Watch (HRW).

"O novo governo deve tirar lições dos erros do passado. Tem uma janela de oportunidade e deve usá-la para assegurar que o povo de São Tomé beneficia das receitas se e quando estas existirem", sustenta Arvind Ganesan, empresário e director da Human Rights Watch.

No relatório com o tema "Futuro Incerto: contratos de petróleo e reformas por fazer em São Tomé e Príncipe", os responsáveis da organização internacional dizem que o país está "num ponto de cruzamento de vários caminhos, com uma oportunidade de beneficiar da sua potencial riqueza petrolífera".
O governo resultante das eleições de Agosto deverá estar formado ainda este mês e até ao final do ano deverão ser anunciadas as companhias que venceram o concurso para a prospecção de petróleo offshore na Zona Económica Exclusiva de São Tomé e Príncipe.

O relatório, de 23 páginas, refere que São Tomé continua "mal preparado para gerir as receitas que possam vir do sector petrolífero, apesar dos esforços internos e internacionais para melhorar a transparência fiscal e a contabilidade desses proveitos".
A HRW defende no relatório que o futuro governo deve tornar públicas todas as operações comerciais ou financeiras relacionadas com o sector petrolífero.

A comunidade internacional e alguns deputados e outras autoridades locais desenvolveram vários esforços para melhorar a capacidade de gerir estes activos, para evitar problemas que alguns países vizinhos viveram, como Angola e a Guiné Equatorial.
O governo cessante, lê-se no relatório, não teve a vontade política ou a "capacidade para introduzir as reformas necessárias" e a HRW revela agora esperança em que a situação se altere.

[As coincidências democráticas africanas levam a depositar em Patrice Trovoada um fardo de esperança. Contudo, oficialmente pouco dele se conhece a não ser o apelido famoso no arquipélago. Recentes mini-biografias dão-no como empresário do ramo dos petróleos com interesses da Nigéria à Guiné Equatorial. Com formação francesa, a que não falta um certo sotaque, a sua fortuna cresceu nos últimos anos fruto da sorte e de um suposto jeito natural para os negócios (a que não devem ser alheios os contactos políticos que o seu pai granjeou nos anos da política activa). Conseguiu, com a sua nomeação como primeiro-ministro, em 2008, o apoio das principais chancelarias presentes na ilha, que logo trataram de ver nele a "esperança" de que o país atingisse os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio da ONU (e encaminhasse os contratos petrolíferos). O surgimento da ADI é o acto contínuo. Trata-se de um repositório de ideologias, que têm em comum não ter ideologia nenhuma. Patrice parece ser o elo que une este partido recente no panorama são-tomense. Vamos ver o que vai dar governar em minoria... Aceitam-se apostas.]

Presidente do Senegal oferece quatro viaturas ao seu homólogo da Guiné-Bissau

A presidência da Guiné-Bissau recebeu hoje quatro viaturas oferecidas pelo presidente do Senegal ao seu homólogo guineense, Malam Bacai Sanhá, no quadro do reforço das relações entre os dois países, declarou o embaixador senegalês no momento da entrega dos carros.

O embaixador Mamadu Niang entregou ao director do gabinete do presidente guineense, Alberto Batista Lopes, as chaves de dois automóveis de luxo (um Lexus e um Volswagen Passat) e de dois autocarros de 45 lugares cada.

"Estas viaturas simbolizam os laços de amizade e fraternidade que unem os povos e governos do Senegal e da Guiné-Bissau", defendeu o embaixador Mamadu Niang, decano dos diplomatas acreditados em Bissau.

Por seu turno, o director do gabinete do presidente guineense, Alberto Lopes, disse que, em nome de Malam Bacai Sanhá, a presidência da Guiné-Bissau "agradece mais este apoio" do Senegal, país com o qual, disse, "existem excelentes laços de amizade e cooperação".
As quatro viaturas ficarão afectas aos serviços da presidência guineense.

Na semana passada, o presidente do Senegal entregou ao seu homólogo guineense 100 toneladas de açúcar, produto que não existe à venda na Guiné-Bissau.

Também recentemente, a presidência guineense recebeu 20 automóveis do Irão , que o presidente Malam Bacai Sanhá distribuiu para alguns veteranos da guerra pela independência do país.

[Nesta gentil oferta aos designados "veteranos da guerra pela independência" está explícita a rede de interesses em que os militares guineenses põem e dispõem e são tratados nas palminhas das mãos, não vão alguns aborrecer-se e matar alguém... As viaturas iraniana são distribuídas sem critério concreto, em que a palavra "veteranos" parece legitimar tudo, algo que a idade dos premiados não deveria desmentir. Não chegaram a apelidá-los de "heróis nacionais". Já não foi mau...
Parece também haver outros contornos interessantes na oferta persa. Das duas uma: ou os carros sobravam no Irão e resolveram doá-los a países amigos e com maiores necessidades automobilísticas - e aí surge a Guiné-Bissau - ou a oferta (não haveria mais nada que interessasse ao povo guineense?) foi a pedido das autoridades do país africano, com o objectivo de premiar essa clique que se alimenta do depauperado erário público e muito tem contribuído para a instabilidade e desgoverno geral do so-called "país".]

segunda-feira, agosto 23, 2010

Ministro da Defesa de Angola visitou hoje a "colónia" de Cabinda

in Notícias Lusófonas

Cândido Pereira Van-Dúnem sentiu necessidade de falar da “moral psico-militar das tropas". Porque será?

O ministro angolano da Defesa, Cândido Pereira Van-Dúnem, afirmou hoje, na colónia de Cabinda, que a situação político-militar na região é estável. Mau grado a tese oficial de que as forças de FLEC não existem, o regime angolano continua a reforçar o dispositivo militar, provavelmente para justificarem novas detenções por supostos crimes contra a segurança do estado.

Em breves declarações à imprensa no palácio do governo da colónia, no término da sua estada de algumas horas à colónia, o titular da pasta da Defesa, considerou de salutar a interacção de actividades entre as forças armadas angolanas e o Governo no tocante à sua participação em acções sociais nas comunidades.

No encontro mantido com os membros da direcção do Quartel General da Região Militar Cabinda, Cândido Pereira Van-Dúnem, indicou que o mesmo serviu para tratar de questões militares especificas tendo em conta a realidade poltico militar da colónia de Cabinda, tido como de estável.

Nada de preocupação tanto no seio das forças armadas bemcomo no que diz respeito à moral psico-militar das tropas", disse o ministro, não explicando a razão pela qual num suposto cenário de absoluto domínio militar angolano era necessário falar da “moral psico-militar das tropas".

Quanto à reunião com o governo da colónia, o governante disse que a mesma centrou-se na análise profunda sobre a situação da reinserção dos ex-militares e também das questões relacionadas com as actividades dos militares nos programas do Governo.

O titular angolano da Defesa, chefiou uma delegação integrada por oficiais superiores do seu Ministério com destaque para o chefe do Estado Maior do Exército, general Jorge Barros Nguto.

Cândido Pereira Van-Dúnem recebeu no aeroporto cumprimentos de boas vinda do vice-governador da colónia, António Manuel Gime e do general Lúcio Amaral, chefe Estado Maior Adjunto do Exército.

Se, de um ponto de vista de propaganda internacional, o governo angolano continua a tentar passar a imagem de pacificação total na colónia de Cabinda, do ponto de vista interno, o Jornal de Angola (JA), estatal e único diário generalista angolano, órgão oficial do regime/MPLA, continua a chamar “terroristas” aos activistas cívicos condenados pelo tribunal da colónia de Cabinda por suposto crime contra a segurança de Estado.

Com o título "Terroristas condenados em Cabinda", em que abordou a condenação do economista Belchior Lanso Tati a seis anos de cadeia, o padre Raul Tati a cinco, o advogado, Francisco Luemba, a outros cinco e o ex-polícia Benjamim Fuca a três anos de prisão, o JA adianta - seguindo a velha tradição marxista do regime - ainda que a pena resulta da implicação destes no “ataque terrorista” à seleçcão do Togo.

A escolta angolana à selecção de futebol do Togo foi atacada a 8 de Janeiro em Cabinda por uma facção dos guerrilheiros da FLEC, de onde resultou a morte de dois dos seus elementos, quando se preparava para integrar o grupo local da Taça de África das Nações (CAN 2010).

O jornal estatal angolano lembra que os activistas estavam acusados de pertencer à facção da FLEC que “reivindicou o atentado”, o que estes negaram em julgamento, e, diz ainda o JA, que na sua posse estavam documentos a reivindicar o ataque.

Em Cabinda, a única colónia remanescente na África Negra, Angola confirma que apenas está disposta a manifestar e concretizar a vontade política de prejudicar o povo de Cabinda e nunca de construir e resolver a bem o problema que, com mais ou menos propaganda, que com mais ou menos petróleo, continua a ser Cabinda.

Ficou bem claro e dissiparam–se as dúvidas, sobretudo para aqueles que de Lisboa a Luanda, apregoam nos areópagos internacionais que o Presidente José Eduardo dos Santos e a sua Angola são pela justiça e pela paz em Cabinda.

Só os golpistas ingénuos da FLEC, quais clones do MPLA, Alexandre Tati, Estanislau Boma, Antoine Nzita Mbemba e Carlos Moisés e Veras Luemba (o negociador-mor) acreditam nisso. O povo de Cabinda, os seus verdadeiros amigos e os demais resistentes esclarecidos não embarcam na cantiga do bandido.

Acresce a este estado de coisas a propaganda (destinada só para Cabinda) da afectação de 300 milhões de dólares - que ainda não chegaram nem vão chegar, como é costume - para a acção de cosmética social, a panaceia estratégica para o mal de Cabinda, que 40 anos depois, segundo a crença dos ideólogos da ocupação vai esfriar os ânimos independentistas quiçá a consciência já consolidada do patriotismo e nacionalismo esclarecido Cabindês que remonta do Tratado de Simulambuco.

Presidente diz-se "envergonhado" com a má imagem pública do país

O Presidente da Guiné-Bissau confessa-se "envergonhado" pela "má reputação" que o seu país tem adquirido nos últimos anos, como entreposto do tráfico internacional de drogas duras e pela administração ineficiente, fazendo um apelo público contra a incompetência.

"Devemos envergonhar-nos por sermos vistos como um povo incapaz de encontrar soluções para os problemas do nosso país", afirmou Malam Bacai Sanhá, citado por agências noticiosas na recente Conferência de Reconciliação Nacional, em Bissau.

A Guiné-Bissau, que foi uma colónia portuguesa até Setembro de 1974, tem uma gigantesca dívida externa e depende em larga escala de doações internacionais de diversas proveniências - de Portugal até aos países vizinhos.
Na década de 70, durante a guerra travada entre o movimento de libertação PAIGC e a tropa portuguesa, a Guiné chegou a ser apontada em meios internacionais como um dos Estados mais promissores de África, e o líder do PAIGC, Amílcar Cabral, era um dos mais respeitados políticos africanos. O seu assassínio, em Janeiro de 1973, em circunstâncias nunca devidamente esclarecidas, impediu-o de atingir a presidência da Guiné-Bissau independente.

O primeiro chefe do Estado, Luís Cabral, era irmão de Amílcar mas não gozava do mesmo prestígio. Acabou por ser derrubado por um golpe militar conduzido em 1980 pelo general Nino Vieira, um dos heróis da independência.
As últimas duas décadas foram marcadas por grande instabilidade no país e por crescentes acusações de que o vasto arquipélago dos Bijagós, ao largo da costa guineense, está a ser usado para operações de tráfico de cocaína entre os continentes americano e europeu.

O assassínio de Nino Vieira, num sangrento golpe militar em Março de 2009, agravou a reputação da Guiné-Bissau, hoje considerada um "estado falhado" por diversos analistas de política internacional. Dois chefes militares guineenses foram considerados cabecilhas do tráfico de droga pelas autoridades norte-americanas, que congelaram as suas contas bancárias nos EUA.
Sanhá, que venceu a eleição presidencial de 2009, realizada após a morte de Nino Vieira, tem procurado reorganizar a administração do país, tal como o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior.
No próximo mês, a cimeira da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental analisará o caso da Guiné-Bissau, devendo fornecer ajuda económica e militar ao país.

sábado, agosto 21, 2010

Universidade de Aveiro ensina menores a lidarem com o dinheiro

Menores dos sete aos 17 anos são o principal público-alvo de um projecto nacional para ensinar a lidar com o dinheiro, anunciou hoje a Universidade de Aveiro (UA), promotora desta iniciativa de incremento da "literacia financeira".

O projecto, designado "Educação+" e a desenvolver em colaboração com a Caixa Geral de Depósitos (CGD), visa "contribuir para a formação de consumidores mais informados e mais conscientes da realidade financeira e dos desafios do dia-a-dia", segundo um comunicado da UA.

"Nos dias de hoje, e atendendo à actual situação de crise financeira e económica, que a maioria dos países enfrenta, torna-se pertinente a discussão destes temas e a procura de novas respostas e soluções para os problemas diários", refere a UA, ao justificar a iniciativa.

A educação financeira, como meio de melhorar a capacidade individual para lidar com as finanças pessoais é, de resto, uma preocupação central de governos e organizações internacionais como a OCDE e a União Europeia (UE), assinala ainda o comunicado.
No âmbito do "Educação+", "que será em breve apresentado ao Ministério da Educação", está a ser preparada uma exposição itinerante, que se estreia a 6 de Outubro em Águeda e que depois percorrerá outros municípios de norte a sul do país.

A exposição, adianta a UA, será composta por três módulos e os conteúdos desenvolvidos serão apresentados "de forma a dar ênfase à experimentação e ao jogo, como forma de estimular uma possível exploração didáctica destes temas".

A outro nível, mas também no âmbito do projecto, está prevista a realização em Lisboa, no dia 28 de Setembro, da II Conferência Internacional em Educação Financeira.
"Por uma educação+ financeira" é o tema desta conferência, que tem como principais destinatários todos aqueles que nas instituições e empresas exercem actividade nas áreas de formação, social, comunicação e estratégia, desde quadros superiores a vereadores, gestores escolares, professores, formadores e jornalistas.

China aplica taxa aduaneira "zero" às exportações de Timor Leste

A China anunciou hoje a abertura do mercado chinês, com isenção total de taxas aduaneiras, às empresas que se fixem em Timor-Leste.
O objectivo, segundo os representantes chineses, é apoiar o rápido desenvolvimento da economia timorense.

O anúncio foi feito pelo conselheiro económico e comercial da Embaixada chinesa em Díli, Yang Donghui, numa conferência de imprensa que serviu também para apresentar aos jornalistas a zona de comércio livre (FTA) criada em janeiro pela China com a Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), a que Timor-Leste se prepara para aderir.

A decisão do governo chinês de abrir o mercado às exportações timorenses, sem pagamento de direitos alfandegários, antecipa a entrada de Timor-Leste na ASEAN, ao atribuir facilidades semelhantes às que concede desde o início do ano aos países fundadores da ASEAN, no âmbito da área de livre comércio que vigora desde 01 de Janeiro, mas ainda com a 'nuance' de não obrigar a qualquer reciprocidade.

TAP quer rotas para Pequim e Xangai

A TAP pediu ao Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC) uma licença para explorar as ligações entre Lisboa e Pequim, Lisboa e Xangai e Porto e Pequim, segundo um aviso publicado em Diário da República.

"Torna-se público que a TAP Portugal requereu uma licença para exploração de serviços de transporte aéreo regular nas rotas Lisboa/Pequim/Lisboa, Lisboa/Xangai/Lisboa e Porto/Pequim/Porto", lê-se no aviso.

Segundo a informação publicada em Diário da República, as entidades que pretendam apresentar uma candidatura alternativa podem fazê-lo junto do INAC.

Estudo: portugueses esperam 6 a 7 minutos nas filas de serviços

Os portugueses ficam seis a sete minutos nas filas de espera para atendimento de serviços, um tempo melhor que a média de 24 países, de 10 minutos, e que satisfaz a maior parte dos consumidores, concluiu um estudo hoje divulgado.

O trabalho realizado pela Mystery Shopping Providers Association (MSPA), organização que reúne especialistas na metodologia de "cliente mistério", teve a participação da consultora portuguesa Pentaudis e revela que Portugal é um dos países com empregados mais sorridentes.
O diretor geral da Pentaudis, Luís Duarte, explicou que, relativamente ao tempo na fila de espera, "Portugal, nos 24 países, situa-se a meio da tabela, no 12º lugar, sendo a Rússia o último" e partilhando Dinamarca, Suécia, Inglaterra e Espanha o primeiro lugar.

O tempo médio de atendimento em Portugal é de seis a sete minutos, o dobro dos três minutos dos países do norte da Europa e de Espanha, enquanto na Rússia é de 25 minutos, especificou.

Entre os 11 setores analisados, o melhor desempenho é apresentado por "farmácias, setor da moda, supermercados e garrafeiras", com um tempo médio de espera de dois a quatro minutos. Ao contrário, nos correios e na banca os clientes têm de aguardar cerca de 20 minutos para serem atendidos.

"A insatisfação média nestes países é de 30%e Portugal tem um nível de 10%o que é bom" já que implica um grau de satisfação de 90%, realçou Luís Duarte.

Assim, apesar de estar a meio da tabela no tempo de espera, Portugal não tem muitos consumidores insatisfeitos e está mesmo em terceiro lugar no que respeita a simpatia dos funcionários.

sexta-feira, agosto 20, 2010

Obama confunde americanos

Um em cada cinco habitantes dos EUA supõe que o Presidente é muçulmano. E muitos julgam que nasceu no Quénia

"Vamos esclarecer os factos: eu sou cristão." Parece que estas palavras, proferidas por Barack Obama durante a corrida à Casa Branca em 2008, não foram suficientes para convencer todos os norte-americanos.

Um em cada cinco cidadãos dos Estados Unidos está convicto de que o seu Presidente é muçulmano. Por outro lado, quase metade da população (43%) afirma desconhecer a religião professada por Obama.

Estas são as conclusões de um estudo publicado ontem pelo Pew Center Research, um centro norte-americano independente de estudos de opinião. A investigação foi realizada ainda antes dos comentários de Obama favoráveis à construção de uma mesquita na zona de impacto, em Nova Iorque, pelo que se prevê um aumento de 7% no número de pessoas a pensar que o 44.º Presidente dos EUA segue o islão.

Durante a campanha presidencial, circulavam na Internet e-mails que questionavam as crenças de Barack Hussein Obama - cujo pai foi educado na fé islâmica - e que afirmavam que teria nascido no Quénia, o país natal do pai, e não no Havai.
Na altura, o então senador pelo Ilinóis encarregou vários membros da sua equipa de combater os rumores que se começavam a multiplicar. Foi assim que surgiu o site Fight the Smears - Learn the Truth About Barack Obama, que em português significa "combater os boatos - aprenda a verdade sobre Barack Obama".

O mesmo estudo conclui que a ideia de que Obama é muçulmano está mais enraizada entre os seus opositores políticos ou pessoais descontentes com a sua prestação. Para o presidente do Pew Center, Andrew Kohut, uma das explicações para esta situação é o facto de "Obama não ter associado a religião à sua figura pública" após as eleições.

quinta-feira, agosto 19, 2010

Almirante causa conflito nas altas esferas políticas

Presidente e primeiro-ministro divergem sobre a recondução do chefe da Armada.

O Presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, é o único obstáculo à recondução do almirante José Américo Bubu Na Tchuto como chefe do Estado-Maior da Armada da Guiné-Bissau.

O Governo de Carlos Gomes Júnior e as chefias militares já estão disponíveis para reconduzir Bubu Na Tchuto nas funções que exercia antes do suposto golpe de Estado de Agosto de 2008. Mas a movimentação de homens de confiança do Presidente da República junto do chefe do Estado-Maior, major-general António Indjai, impediram o regresso de Na Tchuto. O que está a causar dores de cabeça às autoridades de Bissau.

Os analistas locais são unâmines em afirmar que o almirante é agora uma pedra no sapato do Presidente da República e do primeiro-ministro: os dois estão em rota de colisão quanto à sua reintegração na chefia das Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP).

Bubu Na Tchuto, que em Abril passado declarara que Malam Bacai Sanhá seria o melhor Presidente da República da Guiné-Bissau, agora não tem a mesma opinião em relação ao Chefe do Estado, com quem mantém um diferendo aberto.
Malam Bacai Sanhá não está disposto a reconduzir o almirante para não ter problemas com a comunidade internacional, que não vê com bons olhos o regresso de Na Tchuto à chefia da marinha de guerra da Guiné-Bissau.

Malam Bacai Sanhá preferia que Bubu Na Tchuto aceitasse o cargo de inspector-geral das Forças Armadas ou de chefe do Estado-Maior do Exército, passando o actual chefe do Estado-Maior do Exército, Mamadu N´Krumah, a vice-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas.

O almirante não aceitou essas funções e entende que, sendo um homem com formação na área da marinha da guerra, só aí poderá ser útil para a Guiné-Bissau.

Perante este cenário, o Chefe do Estado convocou um encontro com o almirante, na presença da ministra da Presidência do Conselho de Ministros, Adiato Nadingna, para questionar os motivos de um anterior encontro entre Carlos Gomes Júnior e Bubu Na Tchuto. Malam Bacai Sanhá ficou a saber que os dois discutiram questões de pagamento da dívida do Governo para com o almirante. Dívida em relação à qual o primeiro-ministro terá já autorizado o pagamento de 50%.

Todavia, desconhece-se ainda o valor total do montante que o Governo terá já pago.

Sedacor vai inaugurar fábrica em 2011

A Sedacor, que opera com duas unidades na Feira e em Ponte de Sor, vai abrir no início de 2011 uma nova fábrica destinada a tratar a cortiça da linha Dynamic Cork, vocacionada para a indústria têxtil e de decoração.

A nova fábrica, a instalar na freguesia vizinha de Rio Meão, envolve um investimento de 600 mil euros, vai ocupar 800 metros quadrados de área coberta e irá criar três novos postos de trabalho, revelou Carlos Alberto Sá, que dirige a empresa com sede em S. Paio de Oleiros, na Feira.

O objectivo do industrial é concentrar nesse espaço os processos relativos ao design dos novos produtos da empresa, entre os quais se inclui a pele de cortiça para fabrico de calçado, vestuário e acessórios e também papel de parede no mesmo material, assim como cortinas e outros revestimentos.
Os rolos de cortiça aglomerada técnica utilizados na gama Dynamic Cork estavam até agora a ser tratados na unidade de Oleiros da Sedacor ou em empresas da especialidade às quais eram entregues tarefas como a digitalização de imagens, a estampagem de materiais, a submersão da cortiça ou a aplicação de substratos como tecido, papel ou autoadesivos.

Carlos Sá esclarece que a maioria desses procedimentos vão ser transferidos para a nova fábrica porque aí "não há pó de cortiça no ar e também é mais fácil guardar algum segredo" em relação às inovações desenvolvidas na empresa.

A Sedacor - Sociedade Exportadora de Artigos de Cortiça Lda. integra o grupo JPS Cork e, em 2009, teve um volume de negócios de 13,5 milhões de euros. Em Junho deste ano já registava um crescimento de 25% em relação ao mesmo período de 2009, pelo que as estimativas apontam agora para os 15 milhões de euros no final de 2010.
A linha Dynamic Cork só foi lançada este verão, mas em Dezembro já deverá representar 5 a 10% da facturação global da empresa.

Algarve promove birdwatching em Inglaterra

A Entidade Regional de Turismo do Algarve (ERTA) vai começar a promover a região como destino de interesse para a observação de aves (birdwatching) em Inglaterra, com a distribuição de um folheto que assinala zonas de interesse numa feira especializada.

"As aves que se podem avistar no destino são as protagonistas do novo folheto de birdwatching editado pelo Turismo do Algarve e que lista ainda as zonas de maior importância ornitológica da região. A brochura vai voar agora até Rutland, Inglaterra, onde será distribuída na British Birdwatching Fair (BBF) entre 20 (sexta-feira) e 22 de Agosto", anunciou a ERTA.

Além de identificar as zonas do Algarve que maior interesse têm para a observação de aves, como a Ria Formosa ou a Lagoa dos Salgados, entre outras, o folheto diz também quais são as principais espécies residentes e migratórias da região.
"Os tipos de habitat preferidos das cerca de 300 espécies que passam anualmente pela região também são descritos. Da zona montanhosa da serra do Caldeirão até à zona ribeirinha da foz de Odeleite, muitos - num total de 11 - são os locais de eleição para a ocorrência de avifauna", precisa a ERTA em comunicado.

O Turismo do Algarve sublinhou que "a ficha técnica garante que a observação não acontece ao acaso" e, por isso, o folheto inclui "a descrição dos locais, o seu estatuto de protecção, o momento ideal para os procurar, a duração do percurso e as aves que se podem encontrar".

A feira internacional de turismo ornitológico BBF recebeu 23 mil visitantes em 2009.
"A edição insere-se na estratégia global que o Turismo do Algarve começou a encetar para o birdwatching, que reúne cerca de 100 milhões de praticantes no mundo", afirmou, por seu turno, o presidente do Turismo do Algarve, Nuno Aires.

Os melhores países para viver são... e onde está Portugal?

Dinamismo económico nacional é mau, mas saúde, ambiente político e qualidade de vida não são dos piores

Os melhores países para viver no mundo são maioritariamente europeus. A Newsweek elaborou um ranking com os países com melhores condições para se viver e trabalhar, e sete dos primeiros dez são nossos "vizinhos".

A revista analisou 5 indicadores (educação, saúde, qualidade de vida, dinamismo económico e ambiente político) para elaborar uma lista dos países que ofereceriam melhores oportunidades de ter uma vida saudável, segura, próspera e com potencialidades de ascensão.

No top10 da lista estão Finlândia, Suíça, Suécia, Austrália, Luxemburgo, Noruega, Canadá, Holanda, Japão e Dinamarca. Os Estados Unidos só vêm a seguir. No final da lista está o Burkina Faso.

Portugal encontra-se na 27ª posição da lista, um lugar atrás da Grécia e seis lugares atrás da vizinha Espanha. O nosso país aparece em 23º lugar no que se refere a saúde e do ambiente político, no 27º em qualidade de vida e 42º em dinamismo económico, que penalizou seriamente a nossa classificação global. Neste factor, Singapura é o melhor do mundo, Espanha é o 19º e Grécia o 47º.

Voltámos depois das merecidas férias...

quarta-feira, julho 28, 2010

Acordo com Indonésia pode gerar Timor-Leste Airlines

O acordo aeronáutico assinado terça feira entre Timor-Leste e a Indonésia abre caminho para a criação de uma companhia aérea timorense, que deverá envolver investidores portugueses, disse hoje dos promotores do projeto.

Vasco Carrascalão da Silva, juntamente com o luso-moçambicano Mário Gonçalves, ambos radicados na Austrália, são os rostos do projeto "Timor-Leste Airlines" (TLA), que aguarda pela aprovação do governo timorense.
Sobre o acordo aeronáutico com a Indonésia, Vasco Carrascalão explicou que "esses acordos terão de ser feitos com todos os países para onde a companhia irá voar. Aliás, a vantagem de uma companhia de bandeira é precisamente a do direito à reciprocidade."

Guiné: Governo suspende missões estrangeiro e compra de viaturas

O primeiro ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, mandou suspender as missões ao estrangeiro de membros do Governo, compra de viaturas e de mobiliário como medidas de contenção da despesa pública.
Gomes Júnior terá tomado essa decisão em virtude da crise financeira que assola o mundo, mas também como forma de moralizar o exercício governativo.
"Dada a crise financeira a que se assiste no mercado mundial, se os nossos parceiros estão a fazer contenção, a Guiné-Bissau também não pode ficar alheia e indiferente a essas medidas", defendeu o chefe do governo.

Noutra notícia relacionada com este país, o Presidente da República, Bacai Sanhá, negou que o Conselho de Segurança (CS) da ONU tenha exigido a libertação imediata do ex-chefe das Forças Armadas Zamora Induta, mas admitiu que aquele órgão recomenda a libertação de todos os detidos nas crises dos últimos anos.
Em declarações à imprensa à sua chegada à Guiné-Bissau, de regresso das cimeiras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da União Africana, Sanhá afirmou que no documento que tem na sua posse em nenhum momento o CS exigiu a libertação de Induta e acusou os jornalistas de deturparem a informação.
"Vocês, os jornalistas, deviam ajudar o país, o relatório que nós temos não diz libertação imediata de ninguém", disse o chefe de Estado guineense.

domingo, julho 25, 2010

Vinhos: "Região do Dão é a Arca de Noé das castas"

A Região do Vinho do Dão é vista por conceituados críticos estrangeiros como sendo "uma das mais interessantes de todo o mundo», considerando-a a «Arca de Noé das castas".

O jornalista americano Paul White sustenta que "não há outra região no mundo que tenha mais castas desconhecidas que o Dão". Segundo ele "o Dão é a arca de Noé das castas", numa alusão à enorme variedade nesta região vitícola portuguesa.
Já o perito inglês Charles Metcalfe destacou a região do Dão como sendo uma das suas preferidas, "por causa da acidez que os vinhos revelam". Aponta que se trata de "um vinho que se pode beber agora, ou daqui a 30 anos". E conclui que "não há muitas regiões no mundo com vinhos com esta capacidade de longevidade".

Manifestação pelo reconhecimento da Galiza como nação junta 10 mil

Santiago de Compostela acolheu, este domingo, dez mil pessoas que exigiam a proclamação da Galiza como "nação".

O Bloco Nacionalista Galego, que convocou o manifestação, diz que a região "só terá futuro se tiver capacidade real de se autogovernar e só se fará respeitar quando decidir-se comportar-se como nação". O porta-voz Guillerme Vasquez considera que o "governo regional não é mais que uma sucursal do Governo central". "Um diz mata, o outro diz esfola. E assim nunca mais deixará de ser uma região consolidada na segunda divisão", atirou. O protesto integrou as comemorações do Dia da Pátria Galega.

quarta-feira, julho 21, 2010

CPLP é uma organização que "não serve para nada"

O escritor Vasco Graça Moura considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma espécie de organização fantasma, "que não serve para rigorosamente nada", a não ser "ocupar gente desocupada".

"O Instituto Internacional da Língua Portuguesa (IILP) não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer", disse o escritor e também poeta Vasco Graça Moura, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sexta feira, em Luanda.

Para o escritor, o IILP "é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma."

Na cimeira de Luanda, será analisada a aprovação da reestruturação do IILP e também de um plano de acção para a projecção internacional do português.
"Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico", disse o escritor.

Graça Moura, que é uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considera que o Governo está a cometer um crime contra a língua portuguesa.
"Os crimes que este Governo está a cometer e está em vias de cometer em relação à língua diz respeito ao Acordo Ortográfico. Portanto, não há política de língua digna deste nome. Há uma série de equívocos em que este Governo está a persistir", sublinhou.
Segundo o escritor, "o acordo ortográfico é um atentado criminoso contra a língua portuguesa tal como se fala em Portugal, Angola, Moçambique, na Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe." "É um atentado que tenta desfigurar completamente a língua e é absolutamente irresponsável da parte de quem negociou e da parte de quem o aprovou", disse.

"As pessoas falam português em qualquer parte do mundo e se entendem, seja no aspecto familiar, cultural, negocial, diplomático, isso nunca prejudicou ninguém (o facto de não haver um acordo ortográfico)", referiu.

Graça Moura sublinhou também a importância dos países africanos lusófonos na projecção do português no âmbito internacional, além de Portugal e Brasil.
"Basta considerar o número de habitantes de todos os países que falam a língua portuguesa, não apenas o Brasil, não apenas Portugal. Se considerarmos os países africanos de língua portuguesa, temos mais 50 milhões de pessoas, pelo menos, a falar português", indicou.

Para Graça Moura, nunca foi preciso um Acordo Ortográfico para a projecção internacional do português.
"A projecção do português pode passar pelas organizações internacionais, pode passar pela promoção da cultura da língua, pela promoção da aprendizagem. Neste momento, a melhor maneira de projectar a língua é acabar, pura e simplesmente, com o Acordo Ortográfico", concluiu.

Cadeia de luxo Prada fala português em Nova Iorque

A loja da cadeia italiana no Soho tem, em permanência, pelo menos três vendedores que falam português. O objectivo é atrair brasileiros.
Os turistas da maior economia da América do Sul no Brasil “não pestanejam” antes de comprar uma garrafa de vinho por mil dólares, segundo Ana Paula Galvani, que explora uma loja de vinho em Park Avenue.

O maior crescimento dos últimos 15 anos, a subida dos salários e uma divisa que duplicou de valor face ao dólar, desde que Lula assumiu a liderança do governo brasileiro (Junho de 2003), está a aumentar a importância dos consumidores de luxo proveniente do Brasil em Nova Iorque. Daí que a loja da Prada no Soho tenha sempre um mínimo de três vendedores que falem português.

O Brasil entrou verdadeiramente no meu radar”, diz o sócio da loja Stereo Exchange em Manhattan, que na semana passada vendeu um sistema de som por 100 mil dólares, a um cliente de São Paulo. No Brasil, o número de pessoas com mais de mil milhões de dólares duplicou, desde 2000, para 18 pessoas e é agora o país da América Latina, com o maior número de pessoas tão ricas, segundo a Bloomberg, que cita a Forbes.

Já o número multimilionários no Brasil cresceu 19% em 2009 para 126,8 mil, num país com 193 milhões de pessoas, segundo Boston Consultin Group, citado pela Bloomberg.

A estilista de moda brasileira, Patrícia de Azevedo Camargo Araújo, vai regularmente a Nova Iorque comprar artigos de luxo, segundo a Bloomberg que a encontrou a fazer comprar em na loja da Prada na Bradway, com as duas filhas e o marido.

Nas nossas viagens focamo-nos no luxo”, disse à Bloomberg. “Temos melhor acesso fora do Brasil”, uma vez que as lojas de Nova Iorque oferecem maior variedade do que a disponível no Brasil, explicou.

Embraer confirma início da construção de duas fábricas em Évora

O presidente da Embraer Europa anunciou, esta quarta-feira, que as obras das duas fábricas construir em Évora vão arrancar em Novembro. O construtor aeronáutico brasileiro planeia que estejam concluídas até ao final de 2011.

Luiz Fuchs adiantou, em Farnborough, que a produção começará em 2012 e que a "produção das fábricas estará em full power em 2013". O responsável falou ainda em oportunidades de cooperação com empresas portuguesas.

"Queremos juntar forças com as empresas portuguesas", afirmou o líder da Embraer Europa, que planeia investir 150 milhões de euros e criar 600 postos de trabalho (sobretudo altamente qualificados) nas duas fábricas de Évora.

terça-feira, julho 20, 2010

Primeira-dama pede "mais atenção de Portugal" para a situação no seu país

A primeira dama da Guiné-Bissau, Mariama Sanhá, pediu mais atenção a Portugal para a situação do seu país, defendendo que Lisboa “é como se fosse o pai dos guineenses”, por ter sido a potência colonial.

A mulher do chefe do Estado guineense, que falava numa cerimónia na fundação ‘Ninho das Crianças’, dirigida por si, afirmou: “Portugal é como o nosso pai. Não pode descurar os nossos problemas, tem que estar sempre presente, tem que nos ajudar, porque não temos outra saída”, afirmou Mariama Sanhá quando recebia de uma empresa de capitais portugueses apoios destinados à sua fundação.

Se as coisas não correm bem aqui, deve ser também preocupação de Portugal, porque foi o nosso colono”, sublinhou a primeira dama guineense, frisando ser este o motivo pelo qual o país continuará a pedir e a esperar apoios dos portugueses.
É por isso que contamos sempre com Portugal, que mandamos para lá as nossas crianças doentes, que mandamos para lá os nossos jovens estudarem”, considerou Mariama Sanhá.

A mulher do Presidente guineense frisou, no entanto, que a Guiné-Bissau também espera obter meios no sentido de começar a resolver os seus problemas internamente, sublinhando que neste momento o país até tem quadros, faltando-lhe os equipamentos.
Mariama Sanhá tem sido bastante interventiva, sobretudo na área social. No espaço de um ano de existência, a sua fundação ‘Ninho das Crianças’ participou ou apoiou diversas actividades de interesse para crianças, mulheres e pessoas carenciadas.

sábado, julho 17, 2010

Timor-Leste: País não está preparado para aderir à ASEAN em 2012 - PR Ramos-Horta

O Presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje não acreditar que seja possível a adesão do país à ASEAN, devido ao atraso no processo de harmonização legislativa.

Ramos-Horta falava aos jornalistas no Aeroporto Nicolau Lobato, em Díli, à chegada de uma deslocação à República Popular da China, onde teve oportunidade de visitar a Expo Xangai e o pavilhão de Timor-Leste.

"Embora politicamente, da parte da ASEAN, haja boa vontade de acolher Timor-Leste como 11.º membro, no plano interno de preparação legislativa, de harmonização com a legislação da ASEAN respeitante a matérias como a imigração e questões aduaneiras, semelhante à adesão à UE e por isso um processo muito complexo, Timor-Leste está muito atrasado e não acredito que em dois anos seja possível fazer o que não fizemos em três anos", disse.

quinta-feira, julho 15, 2010

Sonae detém 27% da maior corretora independente do mundo

A Sonae, através da MDS, assumiu posição de destaque na maior corretora independente do mundo depois da fusão entre a europeia Cooper Gay e a norte-americana Swett & Crawford, noticia o Jornal de Negócios esta quinta-feira.
A MDS, o braço segurador do grupo Sonae, passa a deter 27% do maior corretor independente do mundo, após a fusão da sua participada europeia Cooper Gay, onde tinha uma participação de 32,12%, com a norte-americana Swett & Crawford.

"Tal como acontecia na Cooper Gay, mantemos a nossa posição de accionista principal da nova Cooper Gay Swett & Crawford Ltd", adiantou José Manuel Dias da Fonseca, presidente executivo da MDS.

"A conclusão deste negócio cria o maior corretor grossista e de resseguros do mundo, um corretor verdadeiramente global e independente", enfatizou.

Diplomacia: Luís Amado visita Azerbaijão e Cazaquistão

Portugal e o Azerbaijão vão assinar hoje um memorando de consultas políticas recíprocas durante a deslocação oficial de Luís Amado a Baku, referiu à Lusa o Ministério dos Negócios Estrangeiros.
O documento dá início a uma nova fase da cooperação bilateral e vai ser firmado entre o chefe da diplomacia portuguesa e o seu homólogo azeri, Elmar Mammadyarov.

Após as conversações e a assinatura do memorando, os dois ministros promovem uma conferência de imprensa conjunta, que conclui a primeira visita oficial de Luís Amado ao país do Cáucaso do sul.

Na sexta feira, Luís Amado desloca-se a Almaty, a principal cidade do Cazaquistão (sudeste), para participar na reunião informal dos ministros dos Negócios Estrangeiros da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que decorre entre 16 e 17 de julho.

Durante o conclave dos MNE da OSCE, o chefe da diplomacia portuguesa deverá manter entre sexta feira e sábado conversações privadas com os seus homólogos da Bielorrússia, Serguei Martinov, e da Arménia, Edward Nalbandian, para além de um encontro com o Presidente do Cazaquistão, Nursultan Nazarbaiev.

[E que tal uma aliança estratégica entre Portugal e Cazaquistão? O país asiático, rico em petróleo e gás, é um dos actuais países emergentes e a entrada do Samruk-Kazyna (fundo soberano cazaque com activos mais de 80 mil milhões de dólares) numa das principais companhias portuguesas - PT e/ou Galp - dar-lhes-ia fôlego financeiro e de tesouraria, além de outras implicações positivas que daí adviriam. Esqueçam as belelas da "questão do regime" daquele país. Temos que ser pragmáticos em tempo de crise!]

Barroso lamenta relações com EUA "aquém do esperado"

As relações com a administração do presidente norte-americano, Barack Obama, estão aquém do ambicionado, lamentou o presidente da Comissão Europeia (CE) numa entrevista publicada hoje pelo The Times.
A relação transatlântica não está à altura do potencial. Penso que devíamos fazer mais juntos. Temos condições como nunca tivemos e seria uma pena se perdêssemos a oportunidade”, comentou José Manuel Durão Barroso.

Uma fonte não identificada da administração norte-americana negou que a União Europeia esteja a ser ignorada e avançou uma explicação ao jornal.
As expetativas eram tão altas que elas nunca poderiam ser concretizadas tendo em conta a resposta europeia às eleições”, justificou.

Questionado sobre como tenciona persuadir Obama, Durão Barroso defendeu que depende da atitude de Washington.
Claro que é também uma questão de como os norte-americanos nos vão persuadir porque a relação deve ser mútua”, vincou o presidente da CE.

Movimento de contentores em Sines aumenta 71% no 1.º semestre

O movimento de contentores no Porto de Sines (PdS) aumentou 71% nos primeiros seis meses do ano face a igual período de 2009.

O PdS avança em comunicado que registou um total de 164.992 TEU (medida que equivale a um contentor de 20 pés - 6 metros) movimentados no Terminal XXI nos primeiros seis meses do ano, contra os 96.636 TEU movimentados em igual período de 2009.

"Este crescimento nos contentores foi sustentado por uma evolução muito positiva dos tráfegos de transbordo e de importação/exportação com origem e destino no mercado Ibérico", refere o PdS, salientando que este tráfego registou um crescimento de 46%.
Em termos globais registou um crescimento de 9% na movimentação de mercadorias, um aumento "puxado fortemente pela carga geral e pelos granéis líquidos".

"O aumento da carga movimentada foi acompanhado também por um incremento no número de navios operados no porto, tendo nos primeiros seis meses deste ano decorrido mais 19% de operações comerciais face a igual período do ano transacto", refere o comunicado.

quarta-feira, julho 14, 2010

As opções da PT nos próximos dias/meses

Tendo em conta a força da proposta da Telefonica, a PT tem poucas hipóteses de manter a dimensão importante no mercado de língua portuguesa (Brasil) que vai tendo:

Opção 1 - Começa a perspectivar com rapidez a consolidação com a Sonaecom, apontando vários analistas que é o "operador mais provável de ser envolvido" nesse movimento, porque "é apenas uma questão de tempo". Crescia internamente. Mas para quê? Qual seria o aporte da Sonaecom?

Opção 2 - Tem alguma carta angolana na mão, que lhe permita alargar ainda mais horizontes no mercado de Angola e países limítrofes. Não compensa a perda do Brasil.

Opção 3 - Torna-se accionista de referência da Telefonica, perdendo a Vivo mas mantendo a face... Mantém acesso a dividendos e preserva uma certa relevância europeia e presença nalguns mercados mundiais, mas já longe do lugar onde começara.

Opção 4 - Tenta entrar numa empresa brasileira. A Oi surgia como a mais provável aliada pela sua dimensão. Contudo, depois das medidas proteccionistas do governo brasileiro, a possibilidade de entrar, ter a maioria do capital e controlar os destinos comerciais da empresa (e é essa a vocação da PT) tornou-se impossível.

Assim, o que fica?

Turquia apoia candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança

A Turquia apoia a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança (CS) das Nações Unidas, afirmou hoje em Lisboa o ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Ahmet Davutoglu.

Tenho o prazer de declarar aqui que a Turquia vai apoiar a candidatura de Portugal ao Conselho de Segurança das Nações Unidas. Vamos apoiar Portugal com todos os instrumentos”, disse o ministro turco numa conferência de imprensa conjunta com o homólogo português, Luís Amado.

Portugal é candidato a um lugar não-permanente no CS no biénio 2011-2012. Portugal é candidato a duas vagas do grupo Europa Ocidental e Outros, às quais concorrem também a Alemanha e o Canadá.

Para a eleição são necessários dois terços (128) dos votos dos 192 países membros da ONU.

terça-feira, julho 13, 2010

Augusto Mateus defende demolição de estádios do Euro 2004

O antigo ministro da Economia afirma que os estádios construídos para o Euro 2004 em Portugal que não dão lucros devem ser demolidos.
O ex-ministro deixa ao Brasil, encarregue da organização do Mundial de Futebol em 2014, o conselho de reformar os estádios já existentes antes de construir novos. Em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, Mateus defende que Portugal ainda está a pagar a factura dos estádios construídos ou renovados para a realização do Euro 2004.

No total, Portugal gastou cerca de 1,1 mil milhões de euros na reforma de estádios já existentes e na construção dos novos estádios, como o de Leiria, Aveiro, Faro, Coimbra, Braga e Guimarães. Apenas quatro dos dez estádios utilizados para o evento escaparam ao investimento público por pertencerem a clubes (Benfica, Sporting, Porto e Boavista).

E como aponta Augusto Mateus, “a lotação dos estádios aproxima-se bastante da população dessas cidades, o que é manifestamente insuficiente”, sendo a raiz dos problemas. “As cidades que acolheram estádios sem terem suficiente população e sem clubes organizados e representativos têm hoje problemas financeiros enormes”. Deste modo, Mateus encara a demolição destes estádios como uma possível forma de desinvestimento.
E o cenário parece ser o mesmo para a maioria destes estádios. O estádio de Coimbra custou 60 milhões de euros e recebeu apenas dois jogos do Euro 2004. O de Braga e o de Faro acumulam prejuízos a cada dia que passa, enquanto se procura um comprador para o de Leiria. Resta-lhes a possibilidade de serem considerados na candidatura conjunta de Portugal e Espanha para a organização do Mundial de Futebol de 2018, mas mesmo assim teriam de sofrer alterações para preencherem os requisitos da FIFA.

Perspectivando o futuro encargo do Brasil na organização do evento, Augusto Mateus deixa o conselho de que o “Brasil não se deixe entusiasmar pela festa do futebol”. O país deve retirar da experiência de Portugal um exemplo a evitar, pois “o principal problema dessas operações é que quando lançadas, parecem ter uma forte adesão dos cidadãos e dos responsáveis políticos (...) mas no ‘day-after’, ficam encargos financeiros e custos de manutenção elevados”, afirmou à Folha.

segunda-feira, julho 12, 2010

Sevens: Portugal sagra-se campeão europeu em Moscovo

A Selecção Nacional de râguebi sagrou-se pela sétima vez campeã da Europa de “sevens”, ao derrotar a França por 12-5, na final da competição disputada em Moscovo.

A equipa das quinas, orientada por Pedro Neto, impôs-se com ensaios de Vasco Uva e António Aguilar e uma transformação de Pedro Leal. A formação gaulesa não foi além de um ensaio.

Para chegar à final, o seleccionado luso havia vencido a Espanha nas meias-finais, por 17-12.

Portugal sucede à Rússia como novo campeão europeu.

Agência de “rating” chinesa classifica EUA abaixo da China e Portugal com A-

Uma agência de “rating” chinesa alertou hoje para os “graves problemas” que enfrentam os países desenvolvidos, atribuindo uma classificação AA aos EUA, abaixo da China (AA+), enquanto Portugal recebeu um A-, tal como Espanha e Itália.

O relatório sobre risco da dívida soberana da Dagong Global Credit Rating, que abrange 50 países, é o primeiro realizado por uma agência de rating não ocidental e alerta para os problemas dos países densenvolvidos, devido ao facto do crescimento da dívida estar acima das receitas.
Pequim já tinha manifestado o interesse por uma alternativa às agências ocidentais, consideradas responsáveis por terem subestimado os riscos de crédito que conduziram a uma crise financeira global em 2008.

Os EUA (AA) e outros 17 países entre os quais o Canadá (AA+), Grã Bretanha (AA-)e França (AA-) receberam classificações mais baixas da Dagong do que das três agências norte-americanas de referência, Moody’s Fitch e Standard & Poor's.
Nove países em desenvolvimento, incluindo a China (AA+), Rússia (A-)e Brasil (A-) tiveram classificações mais altas do que as atribuídas pelas agências de notação norte-americanas.

Portugal, Espanha, Itália, Bélgica, Chile, África do Sul, Malásia, Estónia, Polónia e Israel foram classificados com A-.

A Noruega, Austrália, Dinamarca, Luxemburgo, Suíça, Singapura e Nova Zelândia tiveram AAA.

quinta-feira, julho 08, 2010

Brasil apoia a Guiné-Equatorial como membro de pleno direito da CPLP

in Notícias Lusófonas

O Brasil apoia o interesse da Guiné-Equatorial em tornar-se membro pleno da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), afirmou hoje o porta-voz da Presidência.
Marcelo Baumbach falava aos jornalistas a respeito do périplo que o presidente Lula da Silva fará a partir de sexta-feira por seis países africanos - Cabo Verde, Guiné-Equatorial, Quénia, Tanzânia, Zâmbia e África do Sul.

Questionado sobre as razões do apoio brasileiro a um país que não fala português e que é alvo de denúncias de violação de direitos humanos por parte de organismos internacionais, o porta-voz presidencial esquivou-se.
Não me cabe discorrer sobre isso. O que eu posso dizer é que existe sim o apoio do Brasil e o interesse da Guiné-Equatorial”, afirmou Baumbach, acrescentando que não poderia prever se a entrada do país na CPLP como membro pleno será oficializada na Cimeira da Comunidade, em Luanda, a 23 de Julho.

De acordo com o porta-voz, o Brasil propõe que seja criado na Guiné-Equatorial um leitorado de língua portuguesa, “desde que exista uma universidade interessada em receber e em oferecer contrapartidas”.
Uma vez instalado esse leitorado brasileiro, haveria até condições para a abertura de um centro cultural brasileiro no país”, acrescentou.

Lula da Silva chegará a Malabo na noite de domingo e, no dia seguinte, terá encontro com o presidente Teodoro Obiang Nguema Mbasogo e participará num encontro empresarial dos dois países.
O porta-voz disse que o presidente brasileiro “deseja conferir importante impulso político ao processo de conhecimento e aproximação entre o Brasil e a Guiné-Equatorial”.

Este processo foi iniciado com a abertura de embaixadas residentes em 2005, em Brasília, e em 2006, em Malabo. Na avaliação do governo brasileiro, as maiores potencialidades do comércio com a Guiné Equatorial concentram-se nos sectores de gás e petróleo, infraestrutura, construção civil, máquinas e equipamentos agrícolas, material de defesa e aeronaves.

Durante a visita do presidente Lula a Malabo, deverão ser assinados acordos para a cooperação na área de defesa e para a criação de uma Comissão Mista Brasil-Guiné-Equatorial.

Guiné: Liga Direitos Humanos diz militares obstáculos Estado Direito

A Liga Guineense dos Direitos Humanos considerou hoje que os militares são os principais obstáculos aos esforços da construção de um Estado de Direito e à consolidação da paz na Guiné-Bissau.

A Liga reagia desta forma aos incidentes ocorridos terça-feira em Bissau, quando um grupo de soldados espancou brutalmente cinco agentes da polícia de trânsito, quatro dos quais mulheres, em plena via pública.

Segundo um comunicado do Movimento da Sociedade Civil (plataforma que agrupa as organizações da sociedade civil), o incidente envolveu alegadamente a mulher e o motorista do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai.

Cabo Verde defende criação de corredor marítimo com PortugalÁfrica

A ministra das Finanças de Cabo Verde, Cristina Duarte, considerou hoje que Portugal e o arquipélago podem em conjunto criar um "corredor extremamente competitivo" do Atlântico Norte ao Atlântico Sul.

No final de uma apresentação ao Presidente da República português, Cavaco Silva, Cristina Duarte indicou que "apesar de ter mais território do que Cabo Verde, Portugal tem que ter como um dos pontos de partida o mar. Aliás, historicamente foi assim. É aí que, estabelecendo uma parceria Cabo Verde-Portugal através do cluster mar, podemos criar um corredor extremamente competitivo do Atlântico Norte até ao Atlântico Sul, envolvendo outros países da CPLP", disse.

O projecto de "cluster mar", explicou a governante cabo-verdiana, nasce da constatação de que o modelo económico "assente em remessas e ajuda púbica ao desenvolvimento" se tinha esgotado e era necessário "aproveitar as vantagens competitivas" do país.

"Cabo Verde é antes de mais mar e céu. Só temos quatro mil quilómetros quadrados de terra. Logo, a nossa visão estratégica tem que ter isto como ponto de partida. Logo, o cluster mar tem que se transformar num motor do crescimento económico. E, quando falamos desse cluster, falamos como grande arrastador do porto de águas profundas. E aí surge o Mindelo, como epicentro deste cluster, não só como transbordo, como centro internacional de pescas, centro de excelência em termos de investigação oceanográfica, turismo", explicou.

O porto de águas profundas do Mindelo é uma "peça fundamental" do "cluster", num investimento de 400 milhões de euros.

Telefónica cai de 3ª para 5ª maior telecom do mundo

Há oito meses, a Telefónica era a 3ª maior empresa de telecomunicações do mundo em Bolsa. Hoje é a 5ª. Alierta foi passado há dias por Carlos Slim. O que explica em parte o ataque à Vivo. A PT joga noutro campeonato.

A Telefónica vale neste momento em Bolsa menos 18% do que abriu o ano de 2010, quando valia perto de 90 mil milhões de euros. É mesmo a segunda operadora europeia que mais cai este ano. A empresa espanhola está a ter um ano de 2010 de forte queda, depois de um 2009 de forte alta, em termos absolutos mas também relativamente aos competidores directos internacionais.

Depois de, há oito meses, ser a maior empresa de telecomunicações europeia e ter estado a meros 10 mil milhões da gigante americana AT&T, este ano, o "ranking" virou. A AT&T distanciou-se e, agora, a America Movil passa também a Telefónica. O arqui-rival mexicano Carlos Slim reagrupou as participações do seu grupo e deixou para trás a empresa de César Alierta.

PT noutro campeonato
O "ranking" das maiores empresas de telecomunicações tem cada vez menos empresas europeias. Empresas como a France Télécom e a Deutsche Telekom, hoje lutam por não cair do top 10, quando não há muitos anos estavam mais próximas da cabeça que do final.
Este é outro campeonato: se a Telefónica vale 73 mil milhões de euros, a PT vale 7,6 mil milhões. O multiplicador é de quase dez vezes. Mas se a Telefónica cai 18% estre ano, a PT está "em casa", com uma variação próxima de zero. Isto porque a oferta da Telefónica à PT para comprar a Vivo fez valorizar a empresa portuguesa nos últimos dois meses, desvalorizando a empresa espanhola.

Vários analistas têm sublinhado que a necessidade da Telefónica em reagir à ascensão do império de Carlos Slim na América Latina é uma das principais motivações para a oferta da Telefónica sobre a Vivo. Isso permitir-lhe ia fazer uma fusão entre a Vivo (operadora móvel) e a antiga Telesp (operadora fixa da Telefónica em São Paulo), empresas que têm tido desempenhos opostos, com vantagem para a Vivo. Essa fusãooque geraria fortes sinergias para a Telefónica.

A ascensão de Carlis Slim
A subida do império de telecomunicações de Carlos Slim deu-se imediatamente após a integração dos activos da Telmex Internacional e da Carso, o que multiplicou o número de acções sem prejudicar a cotação. A América Móvil vale agora quase 78 mil milhões de euros em Bolsa, deixando para trás a Telefónica.

[Slim era um precioso aliado para a PT...]

terça-feira, julho 06, 2010

O cheque e o xeque-mate

Por Fernando Sobral

No meio do teatro de sombras em que se transformou o negócio PT/Vivo/Telefónica, o Governo espanhol achou que a Portugal estava reservado o papel de D. Quixote, o cavaleiro que não distingue a ficção da realidade.
Os ministros Miguel Angel Moratinos e Elena Salgado e a Telefónica, transformaram--se em anjos impolutos, escrevendo o argumento. José Sócrates entendeu tarde demais o verdadeiro dilema da PT, entretido com o assalto à TVI numa lógica que um dia será melhor explicada.

Não se preparou, estrategicamente, para o que a Espanha queria e, por isso, a sua reacção foi tardia e disparatada. Mas talvez esteja a tempo de recuperar o equilíbrio político. A sua entrevista ao "El País" mostra um renovado Sócrates que sabe separar o trigo do joio. E que entende o que efectivamente está em jogo, enquanto que atrás das cortinas se continuam a inventar cenários para que tudo pareça um conto de fadas.

O Governo espanhol e a Telefónica, tão amigos das regras de mercado, sabem o que fizeram à alemã E.on quando tentou entrar em Espanha. E sabem como Berlusconi despachou a Telefónica quando esta estava tentada pela Telecom Itália. As leis do mercado têm diferente valor em diferentes épocas.

Mas a ideia espanhola foi genial e lembra quando Maquiavel, para comemorar as vitórias de Florença, comissionou um mural em conjunto a Leonardo Da Vinci e a Michelangelo, sabendo que ambos se odiavam. Conseguiu dividir o poder político e o económico português, enquanto acenava com o cheque.

Agora resta saber quem aplicará o xeque-mate.

União Europeia vai reexaminar as suas ajudas à Guiné-Bissau

A União Europeia (UE) anunciou hoje a sua intenção de “reexaminar” a ajuda que concede ao desenvolvimento da Guiné-Bissau, tendo em conta a tomada de posse do golpista António Indjai como chefe do Estado-Maior General.

A chefe da diplomacia da UE, a britânica Catherine Ashton, “considera que a situação presente poderá constituir uma violação dos compromissos da Guiné-Bissaau em termos de respeito pelos direitos humanos, a democracia e o Estado de Direito”, no quadro do Acordo de Cotonou.
Em consequência, Ashton pediu um reexame da “implicação global da UE na Guiné-Bissau”, país que está a ficar cada vez mais isolado devido ao peso dos seus militares, às arbitrariedades dos mesmos e ao facto de alguns deles se envolverem no narcotráfico que passa pela região.

O Acordo de Cotonou, entre a UE e a maior parte dos países da África, das Caraíbas e do Pacífico (ACP) foi assinado no Benim em 23 de Junho de 2000, depois de ter expirado a Convenção de Lomé, que anteriormente ligava as duas partes. E prevê ajuda económica e ao desenvolvimento dos estados mais carenciados, desde que eles respeitem diversos critérios, nomeadamente os políticos.
A UE tinha programada uma ajuda total de 102,8 milhões de euros para a Guiné-Bissau, no período de 2008 a 2013; e agora, se realmente suspender o seu auxílio, isto dirá respeito aos fundos especificamente destinados ao Estado e não às populações e às organizações não governamentais.

Em 2008 os 27 criaram uma missão destinada a apoiar a reforma do sector da polícia, da justiça e das Forças Armadas da Guiné-Bissau, os quais têm funcionado muito mal, não tendo sido ainda apurados os responsáveis pelos assassínios, no ano passado, do Presidente João Bernardo Nino Vieira e de uma série de outras personalidades.
O mandato daquela missão termina agora a 30 de Novembro, estando a sua coordenação actualmente entregue ao coronel português Fernando Afonso, que sucedeu nas últimas semanas ao general espanhol espanhol Juan Esteban Verastegui.

A baronesa Ashton declarou-se “consternada pela recente nomeação do general António Indjai, tendo em conta que ele foi o principal responsável pelo motim de Abril”, que remeteu para uma prisão militar o anterior chefe do Estado-Maior General, almirante Zamora Induta, cuja libertação ela hoje solicitou.
Naquele mesmo dia 1 de Abril, Indjai, que era o vice-chefe do Estado-Maior, retirou do seu refúgio na representação das Nações Unidas o contra-almirante Bubo Na Tchuto, indiciado pelos Estados Unidos como narcotraficante, e sequestrou durante algumas horas o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, que chegou a ameaçar em público de mandar matar, perante as manifestações de apoio popular de que o mesmo estava a ser alvo.

Nos 10 anos anteriores ao afastamento de Zamora Induta, já tinham sido assassinados três chefes do Estado-Maior General das Forças Armadas guineenses: Ansumane Mané, Veríssimo Correia Seabra e Tagma Na Wae, num sucessivo ajuste de contas entre diferentes facções militares, lideradas em muitos dos casos por oficiais que vieram da guerrilha que, a partir de 1963, se travou contra a potência colonial, Portugal, que em 1974 acabou por reconhecer a independência do país, depois de em Lisboa se ter dado o movimento do 25 de Abril.

Dia 29 de Junho, ao conceder posse a Indjai no cargo que efectivamente ele já estava a desempenhar de facto desde Abril, o Presidente da República, Malam Bacai Sanha, afirmou: "Tomámos a nossa decisão soberanamente, porque somos um Estado soberano". E neste último fim-de-semana, chamado à pedra pelos seus pares da África Ocidental, durante uma cimeira que houve na ilha do Sal, em Cabo Verde, comentou que "uma coisa é querer, outra coisa é poder". Ou seja, aparentemente, reconheceu o que muitos observadores têm vindo a dizer. As estruturas políticas do país não têm poder suficiente para se opor às decisões tomadas pelas estruturas militares, de há muito a necessitarem de uma profunda reestruturação.

Para além da UE e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), também os Estados Unidos e o Brasil já criticaram energicamente a proposta governamental, homologada pelo Presidente, de se nomear chefe do Estado-Maior um general golpista.

[A CPLP manteve-se num silêncio ensurdecedor...]

segunda-feira, julho 05, 2010

Clientes de TV paga em Espanha perdem RTP Internacional

Os clientes do serviço de televisão paga espanhol Digital Plus (DP) deixaram desde 1 de julho de ter acesso aos canais internacionais, incluindo a RTP Internacional, por decisão da plataforma francesa Canalsat.
A decisão implica que milhares de clientes deixaram de ter acesso a esses canais o que, no caso da RTP, está a provocar intenso debate entre a comunidade portuguesa em Espanha.

No caso da DP, o corte afecta praticamente todos os canais europeus internacionais, incluindo a RAI Internacional e a própria TVE Internacional, numa decisão que a plataforma espanhola diz não ser da sua responsabilidade.
Fonte da DP explicou que nos últimos dias receberam “inúmeros” contactos de clientes sobre o corte dos serviços que só serão restabelecidos, no futuro, se houver interesse para tal.
Tem havido muito interesse. Estes canais não faziam parte da nossa oferta e nós apenas os transmitíamos porque eram distribuídos em sinal aberto pelo satélite Astra”, explicou a fonte.

Fonte da Astra em Espanha explicou que a suspensão da transmissão se deve diretamente a uma decisão do canal de distribuição francês DTH CanalSat, equivalente francês à DP.
Há algum tempo o CanalSat tinha alugado espaço no Astra para transmitir a RTP Internacional e outros canais. Agora deixou de ter esse interesse por necessitar do espaço para outros canais”, disse.

Em comunicado recente a RTP informou que a partir do dia 1 de julho de 2010, o sinal da RTP Internacional deixaria “de estar disponível na plataforma DTH CANALSAT de França, por decisão desta, e, como consequência”, também deixaria “de ser difundido na Europa pelo satélite Astra”.

domingo, julho 04, 2010

Portugal: Moutinho-Lopes a dupla que marcou o fim-de-semana

A saída de Fátima Lopes da SIC para a rival TVI e a saída de João Moutinho do Sporting para o rival FC Porto foram as duas notícias quem mais desiludiram ou criaram novas ilusões em muitos portugueses neste fim-de-semana.

Para muitos é o afirmar de que já nada é sagrado. Para outros é o constatar de que as coisas estão como sempre foram: "o dinheiro faz mover o mundo".

Fátima Lopes sempre foi uma querida para os mais velhinhos e fez companhia em muitas manhãs e tardes a donas de casa ocupadas ou desocupadas nos seus afazeres. João Moutinho era actualmente uma esperança para os sportinguistas (viam nele a esperança num bom encaixe financeiro em tempos tão difíceis pelas bandas de Alvalade) e era sempre tido como o "baixinho" (a sua pequenês fazia-o parecer realmente uma criança), despertando carinho nas hostes verde e brancas.

São dois ícones portugueses que abandonam as suas casas e as trocam por "novas oportunidades" e "passos em frente" na carreira.

Portugal sai reforçado na sua sensatez e refreado na sua loucura.
Fátima Lopes não se transferiu para nenhum canal espanhol, não, ficou cá. Sacrificou-se para se transferir para o canal líder de audiências - a TVI. Moutinho foi coerente (na incoerência), não se transferiu para um qualquer grande da Europa, não, sacrificou-se e, ao invés de ir para Espanha, onde tudo seria mais fácil, assinou pelo FC Porto, demonstrando querer arriscar ser campeão em Portugal (e mostrou dar valor à história: o clube do norte até jáo tinha namoriscado há uns anos...).

Depois de o Governo ter recusado as intenções da Telefónica e demais incursões momentâneas espanholas, estes dois ícones da modernidade pós-europeia portuguesa são hoje símbolos de que Portugal ganhou valor suficiente para que tudo se passe entre paredes, não precisamos de ir para uma Espanha qualquer, ficamos na nossa...

Angola no 'top' do vinho português

Portugal exportou vinho no valor de 246 milhões de euros. Angola é o maior importador; Reino Unido e EUA estão a seguir.

Angola lidera o ranking dos dez países que mais compram vinhos portugueses, tendo importado 444,6 mil de hectolitros em 2009, no valor de 56,9 milhões de euros. No ano passado, Portugal exportou em vinhos tintos e brancos, isto é, vinhos tranquilos, 1,59 milhões de hectolitros, o que correspondeu a 246 milhões de euros, indicam dados a da ViniPortugal. Ou seja, Angola representa já cerca de um quarto das exportações nacionais.

O dinamismo das exportações de vinhos portugueses para Angola continua a ser sustentado e "o potencial de mercado grande", segundo a ViniPortugal. A seguir a Angola, surge o Reino Unido, com um valor de importações da ordem dos 19,6 milhões de euros; e depois os EUA, com compras no valor de 18,6 milhões de euros.

Para muitas empresas produtoras de vinho, as exportações surgem como a única possibilidade para a expansão do negócio, já que em Portugal o consumo de vinho tem vindo a diminuir. "Como as famílias têm menos dinheiro, consomem menos", refere uma das maiores empresas vinícolas. A produção total de vinho na campanha de 2009/2010 foi de 5,867 milhões de hectolitros, um aumento de 3,1% face ao ano anterior. Os vinhos com denominação de origem protegida (DOP) representaram 51,1% da produção e os vinhos com indicação de geografia protegida (IGP) 21,7%. A categoria vinho representou 27% e os vinhos com indicação de casta e/ou ano, apenas 0,1%.

quinta-feira, julho 01, 2010

Cabinda: Nzita Tiago não aceita passagem à reforma como líder da FLEC

Na qualidade de fundador de Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC), Nzita Henriques Tiago acusou de alta traição o vice-presidente Alexandre Tati Buílo e outros três dirigentes, que revogou das suas funções, depois de eles o terem afastado da direcção efectiva.

Num comunicado hoje enviado ao PÚBLICO, em francês, por seu neto Jean-Claude Nzita, presidente da comunidade cabindesa na Suíça, o velho político deste movimento que quer ser independente de Angola, diz ter afastado Buílo, o chefe da segurança, Moisés Carlos, o “encarregado de missões na presidência”, Veras Luemba Luís, e o chefe do Estado-Maior General, Estanislau Boma. Estas decisões, diz o comunicado do líder que este mês completa 83 anos, têm efeito a partir do dia de ontem.
Segundo este texto, os novos vice-presidente, chefe do Estado-Maior e chefe da segurança serão nomeados posteriormente. Mas os comandantes das diferentes regiões militares da guerrilha devem permanecer nos seus postos até nova ordem.

Ontem, o Alto Comando das Forças Armadas Cabindesas Unificadas (FACU) fez saber que decidira retirar a Nzita Henriques Tiago “todas as responsabilidade políticas no seio da FLEC”, o movimento criado em 1963 para lutar pela autodeterminação do território.
Este foi mais um episódio da agitada história do movimento, que não aceita o estatuto de Cabinda como simples província de Angola.

O mesmo órgão supremo militar da Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC) designou o vice-presidente Alexandre Tati Builo “para assumir todos os cargos da direcção” do grupo independentista. E adiantou que Nzita Henriques Tiago ficaria com o título honorário de “Líder Histórico, Herói Nacional e Património do Povo de Cabinda”.
O comando militar afirmava que, mesmo na reforma, Tiago permaneceria “o grande timoneiro e conselheiro da FLEC”, o que pelos vistos ele não achou suficiente, a acreditar no texto hoje distribuído por seu neto.

Ao longo dos anos, a FLEC tem-se dividido periodicamente em diferentes facções, que ocasionalmente se reagrupam, para depois se cindirem em outros grupos ou tendências, numa agitação permanente.
Em Janeiro, elementos afectos a uma das alas do movimento independentista atacaram a selecção togolesa que ia participar em Cabinda no campeonato africano de futebol. Morreram então duas pessoas, pelo que a equipa do Togo acabou por se retirar da competição.