Quarta-feira, Julho 08, 2009

Angola ganha visibilidade com presença na cimeira do G-8

Maior visibilidade internacional e mais responsabilidade interna são as consequências imediatas da participação do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, na cúpula do G-8, que acontece na quarta-feira na Itália, segundo analistas angolanos.
O convite feito pelo primeiro-ministro italiano, Sílvio Berlusconi, para estar em L'Aquila, deve-se ao crescente papel de Luanda na política mundial graças à sua condição de grande produtor de petróleo e o seu papel decisivo no jogo diplomático africano, especialmente na África Austral.

Segundo Justino Pinto de Andrade, professor universitário, sendo Angola actualmente “um parceiro internacional interessante” no que diz respeito ao petróleo, detendo a actual presidência rotativa da Organização de Países Produtores de Petróleo (OPEP), sua importância se torna ainda maior.

Angola não pode ficar de fora na discussão de problemas internacionais, como a crise económica e financeira mundial, por onde passam também os problemas energéticos”, disse Andrade. Porém, ele destaca que o convite não pode ser visto na perspectiva pessoal, mas sim “no que ele representa”.

Além de Angola, foram convidados a participar da reunião outros países africanos, como África do Sul, Argélia, Egipto, Nigéria e Senegal.

Terça-feira, Julho 07, 2009

Portugal em 20º na lista dos maiores destinos turísticos do Mundo

Os dados da Organização Mundial do Turismo (OMT), que reportam a 2007, mostram que o nosso país recebeu 12,3 milhões de visitantes estrangeiros. Em termos de receitas, no entanto, Portugal sai pior na fotografia, caindo para a 27ª posição.

No topo da lista de destinos mais procurados pelos turistas não está nenhum paraíso tropical, mas sim a quase vizinha França, com 79,3 milhões de visitas, seguindo-se os EUA, com 58 milhões.
No top estão ainda a vizinha Espanha (57,3 milhões de chegadas), a China (53 milhões) e a Itália (42,7 milhões).
Alemanha, Reino Unido, Austrália, Turquia e Áustria estão nas posições seguintes. Entre os 15 melhores estão ainda a Tailândia, Grécia, Hong Kong, Malásia, e Canadá.
Seguem-se a Suíça, Macau, Holanda, México, Suécia e Bélgica.

A par com Portugal, destinos como a Federação Russa, Índia, Polónia, Egipto, Croácia, Japão e Singapura têm receitas superiores a dez mil milhões de dólares mas menores que doze mil milhões.

A Arábia Saudita, na 30ª posição no ranking em volume de receitas, com 9,7 mil milhões de dólares, abre o grupo dos países com menos de dez mil milhões de dólares, tendo nas posições seguintes a República da Coreia, a República Checa, a África do Sul, a Indonésia, Marrocos, Dinamarca, Irlanda, Emirados Árabes Unidos, e Hungria.
Depois da 40ª posição está o Brasil, a Ucrânia, Formosa, Líbano, Nova Zelândia, Noruega, Argentina, Luxemburgo, Filipinas, República Dominicana e Bulgária.

Orey assumirá gestão do fundo com activos dos clientes do BPP

A participação do Grupo Orey - através da sua unidade financeira - no plano de viabilização do Banco Privado Português (BPP) delineado pelos accionistas da Privado Holding (PH) será concretizada de duas formas: na injecção de capital no banco e na gestão do fundo que permitirá resolver o problema dos produtos de retorno absoluto.

Com experiência na área de gestão de activos, o Grupo Orey assumirá - se o plano for aceite pelas autoridades - a gestão de um veículo onde serão colocados os activos dos produtos de retorno absoluto. Os clientes serão convidados a abdicar das garantias contratadas com o banco, recebendo como contrapartida activos que "substituirão" as responsabilidades do banco com essas garantias. Esses activos serão obrigações de emitentes de elevada qualidade, com classificações de dívida equivalentes à do Estado português.

[Um primeiro comentário à aquisição do BPP pelo Grupo Orey.
Parece-me fantástico o crescimento sustentado que a financeira deste grupo vem tendo. Depois da chegada de Duarte d'Orey mudaram-se os pressupostos, o que, de forma normal, não agradou a todos os familiares. Contudo, o grupo passou a criar mais riqueza, apostando em sectores que, apesar de não tradicionais no grupo, pareciam ser de crescimento certo. Está de parabéns esta gestão ambiciosa e realista.
]

Rússia, EUA e Índia prejudicam Portugal com medidas proteccionistas

Caíram em saco roto os apelos para que os países não cedessem à tentação de erguer barreiras para proteger os seus mercados. Com a crise a bater-lhes à porta, vários Estados apressaram-se a privilegiar as empresas domésticas, dando-lhes subsídios à exportação ou resguardando-as da concorrência internacional. Portugal, uma pequena economia muito dependente do mercado externo, já está a ser prejudicado por países como a Índia, a Rússia, os EUA e a Indonésia.

Em menos de um ano, as empresas portuguesas de sectores como o petróleo, os couros e têxteis, o automóvel ou os lacticínios passaram a sentir mais dificuldades a competir nos mercados nacional e internacional, precisamente devido à adopção de medidas proteccionistas por parte de um conjunto de países, revela um levantamento que está a ser efectuado pela Global Trade Alert (GTA), uma organização criada este ano com o apoio do Banco Mundial, do governo britânico e de várias outras instituições para analisar reacções proteccionistas à crise.

Sexta-feira, Julho 03, 2009

Organismo europeu premeia equipa da Gulbenkian

Investigadores portugueses estudam divisão das células, um dos passos fundamentais para a criação de um ser vivo.

Seguir proteínas fluorescentes no microscópio é uma das actividades que mais tempo tiram aos investigadores. Lars Jansen, que fundou uma nova equipa de investigação no Instituto Gulbenkian de Ciência (IGC), em Oeiras, no ano passado, desenvolveu uma nova técnica que permite ver diferentes populações da mesma proteína. A técnica deu ao investigador um subsídio de instalação da European Molecular Biology Organization (EMBO) e pelo meio ajudou a descobrir mais um passo do mecanismo que separa os cromossomas quando se dá a divisão celular. O estudo foi publicado na Nature Cell Biology.

A divisão celular transforma uma célula num organismo, regenera os tecidos vivos e permite a produção das células sexuais que garantem a sucessão de gerações. Quando uma célula se replica é essencial que os cromossomas, onde estão as moléculas de ADN, se dividam equitativamente para as células filhas. A separação acontece quando os cromossomas estão na sua forma mais fotogénica e se parecem com um X, e faz-se a partir de uma estrutura de proteínas chamada centrómero, que liga os dois braços do X que contêm exactamente a mesma informação genética.
Durante a divisão, uma bola de proteínas chamada cinetocoro adere a este centrómero. É a partir desta região que se liga um fuso de moléculas que separa cada braço do X para cada lado da célula, esta parte-se ao meio e a divisão termina com duas novas células com o mesmo ADN.

A equipa de Lars Jansen descobriu que a primeira proteína do cinetocoro a ligar-se ao centrómero é a CENP-N. "Sem esta proteína, não se recruta o cinetocoro e perde-se a identidade e função dos centrómeros", explicou Mariana Silva, uma das autoras do artigo. A doutoranda do IGC acrescenta que a ausência da proteína leva a uma separação errada dos cromossomas, o que pode originar células cancerígenas.
O estudo foi uma colaboração com um grupo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. O grupo pediu auxílio a Jansen por ter desenvolvido uma técnica que permite seguir populações diferentes da mesma proteína no microscópio, que estão marcadas com cores fluorescentes diferentes. Foi por esta técnica que Jansen recebeu o subsídio da EMBO, que dá direito a 50 mil euros por ano, durante os próximos cinco anos.

Ryanair abre base no aeroporto do Porto

A companhia aérea de baixo custo Ryanair anunciou ontem a criação, no Porto, da sua 33.ª base e o investimento de 140 milhões de dólares (100 milhões de euros) na aquisição de dois novos aviões a basear naquela cidade.

Em conferência de imprensa no Porto, o presidente do conselho de administração da Ryanair afirmou que a base no aeroporto do Porto - a primeira da companhia em Portugal - entrará em operação em Setembro. Esta permitirá a criação de quatro novas rotas para Basileia, Eindhoven, St. Etienne e Tours e o aumento, para 1,5 milhões de passageiros (contra um milhão em 2008), do tráfego da Ryanair naquela cidade.

Segundo Michael Cawley, a partir de Setembro a companhia irá ainda duplicar o número de voos do Porto para Paris Beauvais, para duas ligações diárias. No total, a Ryanair passará a ter 16 rotas e 50 saídas diárias a partir do Porto que, garante, "irão sustentar 1500 empregos" na cidade.
"Numa altura em que ainda se discutem investimentos bilionários no TGV, o [aeroporto] Sá Carneiro e a Ryanair estão a fazer mais por juntar Portugal à Europa do que em muitos anos o TGV fará, se é que algum dia o fará", destacou o director de comunicação da Ryanair na Europa.

Questionado pelos jornalistas, Daniel de Carvalho admitiu que a companhia está também interessada em operar voos domésticos de baixo custo em Portugal, prioritariamente entre o Porto e Faro, mas também entre o Porto e Lisboa.

"É um assunto que estamos a estudar muito atentamente e que esperamos vir a implementar. Interessa-nos ter a oferta de um voo doméstico entre o Porto e Faro porque vimos que é um bom mercado", afirmou.

Manuel Pinho e as Touradas

Há algo que me incomoda... sim, me arrelia como um grão de areia debaixo do colchão.

Sem defender nem desculpar a atitude do sr. ministro, o que verdadeiramente choca é que neste país, mais depressa se é demitido por uns cornichos ou uma piada menos feliz, do que por actos corruptos, dislates e compadrios, verdadeiras faenas ao cidadão português. Esses sim continuam como lapas.

E tudo vai bem quando acaba bem. Para alguns....

Gostei da Frase

Enquanto no Parlamento se peleja em redor do Estado da Nação, o país real ocupa-se do Estado da Nação Benfiquista.

aqui

Quinta-feira, Julho 02, 2009

Desmistificar



ps... só para que saibam... se Portugal tivesse os mesmos habitantes que Espanha, o custo seria de 40 centimos, ou seja cada Português paga o dobro pela sua república do que um espanhol pela sua monarquia. Quem diria hem!!

Eleições no SLB

Se Vilarinho não suspender as eleições... se puder... aquilo vai dar molho

ai vai vai

Ora que bela frase... e tão verdadeira

Portugal é um país dominado por uma elite que se conhece há longos anos, partilhando o mesmo percurso pós-revolucionário. Não é gente com caminhos muito diferentes - e todos parecem sentir que esse serviço que prestaram ao país é uma conta difícil de saldar. É como se fossem credores da liberdade que hoje se vive. E isso parece autorizá-los a ter dos negócios e do Estado esta visão tão promíscua. Isso explica silêncios e omissões - até esquecimentos, como aconteceu com Dias Loureiro - em relação a assuntos públicos. Não é que se protejam uns aos outros, mas é como se fizessem parte de uma congregação que acredita que, na ausência da sua avisada acção, poderia muito bem não ter existido país.

no I aqui

Quarta-feira, Julho 01, 2009

Ministério dos Negócios Estrangeiros tem fraco controlo financeiro sobre embaixadas

As representações portuguesas no estrangeiro não têm "sistemas de informação fidedignos", revela a Conta Geral do Estado para 2008. As embaixadas e os consulados falham nas obrigações de prestação de contas, que nem sequer contemplam a totalidade das verbas orçamentadas.

A auditoria no âmbito do Ministério dos Negócios Estrangeiros, concluiu que controlo financeiro sobre estas entidades é fraco. Uma inspecção extraordinária à Embaixada de Vilnius, na Lituânia, revelou "falta de integridade da informação prestada nas contas de gerência" e "deficiente controlo sobre o cadastro de bens".

[Mais uma vez aqui se prova o momento difícil que a diplomacia portuguesa atravessa. Uma das diplomacias mundiais mais prestigiadas e historicamente respeitadas, conta nos seus quadros com elementos da maior qualidade, mas a quem falha os meios, quer materiais, quer humanos. E digo humanos, porque os funcionários consulares, no geral, se apoiam num Sindicato fortíssimo que "ata" até o mais forte embaixador ou cônsul. E eu sei do que estou a falar...]

Terça-feira, Junho 30, 2009

Portugal e São Tomé e Príncipe vão assinar acordo de paridade cambial Cabo Verde

Portugal e São Tomé e Príncipe assinam na segunda quinzena de Julho um acordo de cooperação cambial, disse a ministra do Plano e Finanças são-tomense.
"O acordo visa sustentar a paridade cambial entre a dobra (moeda são-tomense) e o euro", disse Ângela Viegas, acrescentando que o acordo será "sustentado por uma linha de crédito" que o Governo português vai colocar à disposição do arquipélago.

A ministra não se referiu ao montante da referida linha de crédito, tendo sublinhado apenas que o financiamento terá utilidade em caso de haver "algum problema com as reservas cambiais".

"As vantagens são muitas", justifica a titular do Plano e Finanças de São Tomé e Príncipe, tomando como um dos exemplos a importação de mercadorias.
"Os nossos comerciantes importam mercadorias hoje a uma taxa de câmbio. Com a permanentemente depreciação da dobra face ao euro, quando têm que pagar aos seus credores, a taxa de câmbio já será outra", disse Viegas.

"Com uma paridade fixa entre o euro e a dobra, a maior parte desses problemas deixam de existir, considerando que as nossas importações são fundamentalmente da Zona Euro", acrescentou.

"A taxa de inflação que temos até ao fim do ano é de dois dígitos. Com a paridade cambial fixada ao euro a tendência é de que essa taxa de inflação diminua ou esteja ao nível desses países", disse.
A governante são-tomense acredita que o acordo de paridade cambial com Portugal "não será tudo", mas considera-o "um importante instrumento" para o desenvolvimento da economia do arquipélago.

O acordo, segundo a ministra, vai ainda permitir diminuir a taxa de inflação, que será acompanhada também da diminuição da taxa de juro sobre os créditos concedidos pelos bancos.

"Essas taxas de juro já não serão tão altas. Elas tenderão a diminuir ao nível dos países da zona euro", disse Ângela Viegas.

A medida surge no quadro do projecto do Governo são-tomense "para o novo ciclo económico", que inclui o reforço da reforma das finanças públicas e o rigor na política monetária e fiscal.

Segunda-feira, Junho 22, 2009

Investigadores portugueses estudam pela primeira vez documento do jesuita português, de 1614

Foi Manuel Dias que ensinou aos chineses quem era Galileu.

Chama-se Sumário de Questões sobre os Céus. É um documento de 100 páginas, com prefácio. E a estrutura do texto vem no formato de perguntas - colocadas por um chinês - e de respostas - dadas por um ocidental com conhecimento de astronomia. O ocidental era um padre jesuíta português, chamado Manuel Dias. E foi ele quem apresentou Galileu e as suas descobertas à China, em 1614, apenas três anos depois de o trabalho de Galileu ter sido publicado.

Há dez anos que Henrique Leitão, investigador do Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia, andava atrás deste documento e do contributo de Dias para o conhecimento da astronomia e dos achados de Galileu na China. Sabia da existência do documento, onde o jesuíta Manuel Dias contava como funcionava o telescópio de Galileu e o que o mestre italiano teria descoberto sobre as maravilhas do Universo. "É um texto que está em todas as bibliotecas imperiais chinesas, o original é de 1615. Mas foi reeditado até ao século XIX, o que significa que teve imenso impacto na cultura chinesa. Notícias de que havia este texto existem desde o princípio do século XX. Mas nenhum português pensou: vamos lá ler o que vem aqui escrito."

Mas, tratando-se de um documento em chinês, Henrique Leitão precisava de alguém que lesse chinês clássico e soubesse de história da ciência para o poder interpretar. Lembrou-se então de um antigo colega de liceu, chamado Rui Magone. Não se viram durante anos. Voltaram a ver-se em Berlim em 2002 e trocaram as perguntas do costume. Leitão dedicava-se então à física. Mas a história da ciência, que haveria de o ocupar em exclusivo, tentava-o. Rui Magone contou como tinha chegado ao estudo do chinês e da cultura chinesa. Quando Leitão decidiu dedicar-se ao documento de Dias, lembrou-se então do sinólogo amigo de liceu. Magone precisou de 5 horas para uma primeira leitura do documento em chinês clássico.

Investigador do Max Planck Institute de História das Ciências, Magone aproveitou uma visita este mês a Lisboa - para uma conferência na Universidade Católica sobre a sua especialidade, o sistema de exames chinês (a forma antiga para seleccionar os intelectuais chineses) - para se dedicar ao estudo aprofundado deste documento, juntamente com Leitão.

"É incrível como em Portugal ninguém sabe disto. Para Portugal, no ano em que se comemora o Ano Internacional da Astronomia, 400 anos depois das primeiras observações de Galileu, esta é a história mais importante que se podia revelar."

Leitão frisa a própria estrutura do texto como um dos aspectos mais interessantes do documento: "Já existiam documentos de autores ocidentais sobre astronomia traduzidos na China no século XVII. Mas este é mais vivo, é uma conversa", diz Leitão, enquanto folheia a cópia do documento de Dias, enviada pela Academia Sínica, a grande instituição de investigação de elite chinesa. "Mostra que os jesuítas sabiam o que interessava aos chineses sobre a astronomia ocidental."

E o que é que interessava aos chineses? "Por exemplo, na China havia um interesse enorme pela previsão de eclipses. Um eclipse que não estivesse previsto era encarado como um mau sinal, como se o céu não estivesse contente com os imperadores e mandassem aquele recado do céu", explica Magone. O que é a Terra, o horizonte, a latitude e longitude, o equador celeste, são algumas das noções explicadas na sequência de perguntas e respostas do documento de Manuel Dias.

"Tem tabelas com as várias latitudes na China. São as primeiras tabelas destas na China. Não havia ainda a noção de latitude na cosmografia chinesa", conta Leitão folheando as páginas, nas quais só consegue descodificar as imagens, como uma criança que folheia um livro ilustrado. "São perguntas e respostas que revelam o conhecimento do comunicador e aquilo que o interlocutor ansiava por saber", diz o investigador.

A fotocópia do documento que folheia em cima da mesa, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, é uma reedição do século XVIII. Mas ainda não desistiu de encontrar a primeira edição. "Andamos atrás dela. Ou está em Oxford ou na Biblioteca do Vaticano", diz, referindo que, para além de estar presente nas bibliotecas pessoais dos imperadores chineses, este documento deve ter exemplares em bibliotecas europeias. "Mas nunca foi procurado com cuidado na Europa."

Leitão volta a centrar-se numa imagem, a de um círculo, com dois outros pequenos círculos que o orbitam, exemplificando um dos maiores achados de Galileu, as fases de Vénus, que desmontavam o sistema de Ptolomeu e sustentavam a teoria heliocêntrica apresentada por Copérnico.

No final do documento lá vem a alusão às observações feitas por Galileu, em 1611. Magone ajuda a descodificar para lá das imagens: "Refere-se nas últimas páginas a um sábio ocidental famoso que revelou segredos do Sol, da Lua e outros objectos, mas que, com os olhos já frágeis, construiu um instrumento para os observar", conta o sinólogo. E Manuel Dias prometia relatar mais novidades sobre o assunto assim que lhe chegassem mais dados.

A Aula da Esfera
No início do século XVII, a Companhia de Jesus dominava a educação no mundo com uma enorme rede de jesuítas dedicados ao ensino, quase 700. O ponto central da rede localizava-se em Roma e, a partir daí, multiplicava-se em vários ramos, ou assistências. Uma dessas assistências, a portuguesa, propagou-se pelo mundo todo, do Brasil à China, passando pela Índia, Japão e Timor.

"Era a maior assistência dos jesuítas e a que tinha menos efectivos, pelo que tiveram de importar estrangeiros", conta Leitão sobre o recurso na altura a jesuítas italianos, que divulgaram precocemente em Lisboa os feitos dos sábios da época, entre eles Galileu.

Um desses jesuítas, Giovanni Paolo Lembo, que era até amigo pessoal de Galileu, chega a Lisboa em 1614 e no ano seguinte já ensinava na "Aula da Esfera", a aula de Matemática do colégio jesuíta de Santo Antão. Os apontamentos portugueses de Lembo são mesmo famosos, porque têm as mais antigas instruções conhecidas no mundo sobre a construção de telescópios.

Leitão e Magone explicam que terá sido este conhecimento tão profundo dos jesuítas em Portugal em relação aos feitos de Galileu que fez com que as descobertas do sábio fossem tão precocemente reveladas em Lisboa, e depois no mundo, através da rede da Companhia de Jesus.

Manuel Dias, que nasceu em Castelo Branco em 1574 e que ingressou na Companhia de Jesus em 1593, estudou Filosofia em Coimbra antes de partir para a Índia, Macau e entrar na China em 1610. Chegou a Pequim em 1613, onde redigiu o Sumário de Questões sobre os Céus. Ironicamente os jesuítas na China estavam proibidos de ensinar disciplinas não religiosas, como a Astronomia ou a Matemática. Entre 1625 e 1635 Manuel Dias foi a autoridade máxima da companhia na China. Morreu a 4 de Março de 1659.

"Como é que é possível que alguém em Pequim tenha sabido disto em 1614, quando estas observações de Galileu são de 1611, apenas três anos antes?", questiona Henrique Leitão, acentuando o papel do documento de Manuel Dias. Até ao século XX, quando um chinês queria informar-se sobre Galileu, era este texto de Manuel Dias que lia. "E em Portugal ninguém liga", observa sobre o papel deste jesuíta, que não se resume a este documento. "O primeiro globo da China é feito por Manuel Dias e pelo italiano Nicolau Longobardo. É de 1623, quando ainda não havia noção na China de que a Terra era esférica. A toponímia é toda portuguesa. Ainda existe e está na British Library."

Portugal/Tailândia: Da história para a ópera

O compositor Sequeira prepara uma ópera cantada em português e thai. Descendente de portugueses, é ainda aparentado à fadista Carminho.

Uma ópera, eventualmente cantada em português e thai, poderá ser a próxima "aventura" de grande fôlego de um compositor tailandês que mantém o apelido Sequeira, partilhado por 25 gerações de uma família cuja história remonta aos dias do reinado de D. Afonso Henriques. A celebração, em 2011, dos 500 anos do primeiro encontro entre portugueses e tailandeses poderá ser a ocasião para a sua apresentação, mas a trama narrativa que dará personagens e acção à ópera recordará antes episódios reais vividos por familiares seus, já em finais do século XVII, com cenário no sudoeste asiático.

Pathorn Bede Sirkaranonda de Sequeira é, aos 36 anos, uma das mais respeitadas figuras da música erudita tailandesa. Tal como em tempos o fez o seu pai, D. Raimundo Amato de Sequeira (a quem foi dado o nome thai Manrat Srikaranonda), dirige a banda particular do Rei, onde toca saxofone, revisitando nas noites de sábado peças de referência do repertório jazzístico.

Formado nos EUA e na Escócia, Pathorn tem extensa obra como compositor, incluindo já uma ópera, duas sinfonias e variadas peças de música de câmara e para piano. Admira os minimalistas, conhece vários compositores portugueses (de Carlos Seixas a Lopes Graça) e há três anos compôs para português a oratória E se mais Mundo Houver, lá Chegara… usando excertos de Os Lusíadas. A irmã é pianista, representando ambos a quarta geração de músicos de uma família que, cumprindo missões oficiais da coroa portuguesa, chegou à Ásia no século XVII e se radicou em Banguecoque em 1890. Entre os seus familiares distantes, no outro lado do mundo, conta-se a fadista Carminho.

Os jardins da embaixada portuguesa em Banguecoque seriam, para si, o espaço perfeito para a estreia da nova ópera. E não gostariam os palcos portugueses de a poder também descobrir?

Portugal/Tailândia: Banguecoque dos Dias e dos Costa

Jirawach Wongngernyuang não chegou a conhecer o seu bisavô, mas foi por causa dele que aprendeu português. O jovem é o único luso-tailandês que fala o idioma dos seus antepassados num bairro católico da cidade budista de Banguecoque.

O bairro chama-se Santa Conceição e fica numa das margens do rio Chao Phraya, na zona de Dusit. O seu nome deve-se à Igreja da Imaculada Conceição, construída em 1837 por missionários franceses no local outrora ocupado por uma igreja portuguesa.

Atrás da Igreja da Imaculada Conceição há uma outra igreja, mais pequena, construída em 1674 pelo padre Luís Laneau para a comunidade portuguesa.