segunda-feira, junho 04, 2012

Porquê tanto pessimismo?



Por Camilo Lourenço
in jornaldenegocios.pt

Na semana passada ligaram-me dois jornalistas estrangeiros. O primeiro para perceber o porquê de tanto pessimismo em Portugal. "Como assim?", perguntei.
"O Financial Times elogia as exportações portuguesas, a Moody's diz que há razões para optimismo e vocês não ligaram nenhuma". Na segunda chamada, Fiona Govan, do Daily Telegraph, reportando-se à crónica publicada aqui a 28 de Maio ("Portugal atingiu o ponto de viragem?") queria saber o que está por trás do bom comportamento das exportações e da paz social em Portugal.

É curioso. Olha-se para a Imprensa estrangeira e percebe-se um olhar diferente sobre Portugal; um misto de surpresa e admiração. Surpresa porque as notícias dominantes em entre nós evidenciam um profundo pessimismo (e nem os elogios da insuspeita Moody's, que ainda há pouco tempo nos atirou para o "lixo", mexe connosco). Surpresa por causa da paz social, que nos torna diferentes da Grécia e mesmo de Espanha (onde o Governo parece querer provocar uma corrida aos depósitos…).

É difícil encontrar explicação para tanto pessimismo. É um problema genético (oscilamos entre o "oito e o oitenta")? Ou a análise económica dominante cede a questões ideológicas? Não sei. O que sei é que, apesar da tragédia do desemprego, os indicadores começam a mostrar que, se não houver débacles em Espanha e Grécia, a economia vai recuperar mais cedo do que se pensava. Cortesia da espectacular capacidade de ajustamento de famílias e empresas, sem par na zona Euro.

Isto não tem sido suficientemente analisado (e valorizado) por nós, jornalistas. E a continuar assim se os portugueses quiserem fugir à depressão só consultando a Imprensa estrangeira.

sexta-feira, junho 01, 2012

Volvo Ocean Race: impacto económico triplica investimento



A passagem da Volvo Ocean Race deve gerar um impacto económico de 30 milhões de euros, "duas a três vezes o investimento", segundo Knut Frostad, responsável executivo do evento.
"Em cada stop-over o impacto tem sido nessa ordem e penso que Lisboa está em condições de consegui-lo", afirmou. Frostad adiantou ainda que há um "grande interesse" em que Lisboa possa organizar a prova entre 2014 e 2017. A capital portuguesa está na short list de 33 cidades candidatas e as próximas duas semanas serão decisivas no processo de escolha.

A Race Village foi ontem inaugurada na doca de Pedrouços. Segundo João Lagos, "pelo feedback recebido poderia dizer que estamos muito bem posicionados e penso que dificilmente a Volvo Ocean Race poderá passar sem Portugal nos próximos anos", cita o jornal.

Com dois milhões de euros investidos, a Lagos Sports foi acompanhada pela APL (quatro milhões), Turismo de Portugal (três milhões) e câmaras de Lisboa e Oeiras (um milhão) num total de 10 milhões investidos.

quinta-feira, maio 31, 2012

Nós e os alemães: pobres e mal agradecidos

por Camilo Lourenço
in jornaldenegocios.pt
 
Philipp Röesler, ministro alemão da Economia, veio ontem a Portugal. Com ele veio um conjunto de empresários e a vontade de aumentar as compras a Portugal. Para um país intervencionado, onde até as crianças já conhecem a palavra "exportações", este facto devia ser suficiente para darmos ao assunto muita atenção.

Mas, surprise, surprise, ontem não houve jornal que tivesse posto o assunto em manchete. As opções foram várias, desde as "secretas" à visita dos príncipes das Astúrias…

É difícil entender isto. O relacionamento com Espanha é importante? É. Mas o que é que a visita de Felipe de Bourbon acrescenta à economia portuguesa? Já a viagem de Röesler, que não me lembro de ter visitado outros países intervencionados, tem importância capital. Não apenas porque o ministro está interessado em impulsionar as compras de produtos semi-acabados (oportunamente voltaremos a isto) a Portugal, mas porque na comitiva havia empresários à procura de oportunidades de investimento: temos uma flexibilidade de fazer inveja e os nossos activos estão a preços convidativos.

A importância do investimento alemão pode ser medida por outro factor: a esmagadora maioria das suas empresas criam valor, emprego, não pagam mal e têm produtividade superior à média (reflexo da qualidade da gestão). Mais: com raríssimas excepções, não investem hoje para desinvestir amanhã.

São coisas como esta que deviam merecer a nossa atenção (que melhor prova de confiança num país intervencionado do que as intenções de investimento estrangeiro?). Até para não passarmos para o exterior a ideia de que os alemães estão mais preocupados com o nosso futuro do que nós próprios.

Sines recebe novo gigante dos mares

Acabou de ser construído na Coreia do Sul, é maior que o mosteiro dos Jerónimos e transporta 14 mil TEUS em contentores.

Com mais 65 metros de comprimento que o mosteiro dos Jerónimos, em Belém, o gigantesco navio porta-contentores "MSC Deila", construído na Coreia do Sul, largou os estaleiros em abril e atracou agora no Terminal XXI do Porto de Sines na sua viagem inaugural.
O navio pertence à empresa MSC - Mediterranean Shipping Company e foi incluído no serviço ("Lion Service") de transporte marítimo de contentores, direto e semanal entre o Extremo Oriente e a Europa e fez em Sines a sua primeira escala num porto europeu.
O seu comprimento total é de 365,8 metros, a máxima largura do casco (a "boca" do navio) é de 51,2 metros, e é capaz de transportar uma carga total de contentores de 14 mil TEU (1 TEU é a medida padrão para um contentor de 20 pés). Para operar o "MSC Deila" é necessária uma profundidade até à linha de água (em função do seu "calado") de 16 metros.

O terminal de contentores de Sines, concessionado à PSA de Singapura - um dos maiores operadores mundiais de terminais de contentores - possui uma das melhores condições operacionais entre os portos europeus.
Recentemente, a Administração do Porto de Sines (APS), presidida por Lídia Sequeira, alargou e aprofundou ainda mais o canal de acesso ao cais de contentores, que agora possui uma profundidade máxima de 17,5 metros.

O Terminal XXI também foi recentemente aumentado, prolongando o comprimento do seu cais. A zona de arrumação de contentores também aumentou, tendo sido aterrada (foi ganha ao mar), entre o molhe do cais e a linha de terra.
O terminal XXI também possui o mais moderno equipamento de movimentação de contentores, com mega-gruas e pórticos de última geração cujos braços permitem alcançar tota a largura dos gigantescos porta-contentores, como o "MSC Deila".
No que se refere aos procedimentos administrativos relativos à carga e descarga de contentores, o Terminal XXI de Sines beneficia de um sistema de simplificação de procedimentos e efetua o despacho electrónico de navios e mercadorias - que elimina os tempos de espera nas escalas que estes navios gigantescos fazem nos portos.

TC enganado pela Estradas de Portugal, uma vergonha!

O Tribunal de Contas publicou esta quinta-feira a auditoria sobre o sector o rodoviário.
Os juízes denunciam que o Tribunal de Contas foi enganado para aprovar as novas autoestradas porque o anterior governo escondeu acordos ilegais, feitos com bancos e concessionárias, no valor de 700 milhões de euros.

Segundo o relatório da auditoria, a renegociação dos contratos para a introdução de portagens nas antigas SCUT (vias sem custos para o utilizador) garantiu às concessionárias um "regime de remuneração mais vantajoso".
"A negociação destes contratos, tendo em vista a introdução de portagens reais, veio implicar uma alteração substancial do risco de negócio, garantindo às concessionárias um regime de remuneração mais vantajoso, imune às variações de tráfego, traduzindo-se, na prática, numa melhoria das suas condições de negócio e de rendibilidade acionista em comparação com outras PPP [parcerias público-privadas] rodoviárias (em regime de disponibilidade)", lê-se no mesmo relatório do TC.

Na auditoria ao modelo de gestão, financiamento e regulação do setor rodoviário, o TC salienta que a introdução de portagens nas antigas SCUT não foi antecedida de uma avaliação e quantificação dos custos associados à renegociação dos contratos com as concessionárias e que "afectam diretamente os utentes", como os encargos relativos ao aumento da sinistralidade e aos impactos económicos sociais das regiões afetadas.

Segundo a auditoria, as causas que estiveram na origem da introdução de portagens "prendiam-se, substancialmente, com a necessidade de reduzir o esforço financeiro do Estado nas concessões rodoviárias e com a necessidade de angariar e otimizar o pacote de receitas mercantis da Estradas de Portugal (EP), tendo em vista a exclusão desta empresa do perímetro de consolidação das contas públicas".

O TC afirma ainda que existem, normalmente, "benefícios sombra" em alguns contratos.

Custos de operação inferiores aos estimados inicialmente no caso base (representa a equação financeira com base na qual é efetuada a reposição do reequilíbrio financeiro), devido a reduções de procura ou a adiamentos de planos de manutenção; taxas de inflação reais superiores às previstas no caso base e impostos reais inferiores aos previstos no caso base são exemplos de casos citados pelo tribunal em que podem existir "benefícios sombra".

O tribunal presidido por Guilherme d`Oliveira Martins afirma que as negociações permitiram às concessionárias "uma nova oportunidade de negócio, o da prestação dos serviços de cobrança de portagens, e a resolução de diversos processos de reequilíbrio financeiro que se encontravam pendentes".

terça-feira, maio 29, 2012

Portugal e Qatar assinam acordo sobre transporte aéreo

Portugal e o Qatar assinaram na segunda-feira um acordo sobre transporte aéreo que visa contribuir para o desenvolvimento de serviços aéreos entre os dois países, disse fonte do Ministério dos Negócios Estrangeiros. A ideia é "agilizar a cooperação no domínio aéreo" e dar impulso ao desenvolvimento de serviços regulares entre os dois países

"O Acordo sobre transporte aéreo entre a República Portuguesa e o Estado do Qatar visa agilizar a cooperação no domínio aéreo, constituindo um importante impulso ao desenvolvimento de serviços aéreos regulares entre os dois países".

A mesma fonte adiantou ainda que "as matérias abrangidas incluem segurança aérea, troca de estatísticas, reconhecimento de certificados e licenças, entre outros".
O acordo que foi assinado pelo embaixador de Portugal em Doha e o diretcor da Autoridade da Aviação Civil do Qatar prevê, segundo a fonte do MNE, o incremento "do fluxo de pessoas, bens e serviços com benefícios económicos para os dois estados".

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, visitou o Qatar em dezembro de 2011 onde contactou com empresários portugueses, tendo estabelecido os primeiros contactos com o governo de Doha.

Transportes: Bruxelas quer ligação entre Sines e Madrid


Bruxelas enviou uma carta aos Governos de Portugal e de Espanha a defender a construção de uma linha ferroviária, quanto antes, entre Sines, Lisboa e Madrid, que possa suportar velocidades de pelo menos 200km/H, segundo o El Periodico de Extremadura.

O jornal espanhol refere que a carta, datada de 18 de maio, foi enviada pelo coordenador de Transportes da Comissão Europeia, o italiano Sechhi ao ministro da Economia, Álvaro Santos Pereira e à ministra do Fomento espanhol, Ana Pastor.
Nessa carta, Sechhi defende a construção da ligação, quanto antes e independentemente se a linha é para comboios convencionais ou de alta velocidade, que una as duas capitais em menos de cinco horas com comboios a 200 km/h. Essa linha suportaria mercadorias de Sines e a CE refere que poderia ser adaptada, a médio prazo, a alta velocidade.

Bruxelas defende ainda a construção de uma ligação entre Évora e a fronteira para garantir uma ligação mais directa do que a actual.

Declarando-se consciente das dificuldades financeiras que atravessa Portugal, Sechhi refere na carta, que uma das hipóteses poderia ser construir uma linha convencional.
Posteriormente, e quando a conjuntura económica melhore, modernizar-se-ia o traçado para aguentar comboios de 250 ou 300 km/h.
Detalhando a sua proposta, Secchi refere que, numa primeira fase, seria construída a plataforma do traçado Évora-Caya com via dupla, com linhas de bitola ibérica (1,666 metros) como os existentes em toda a rede convencional dos dois países.

Esta "seria adaptada a bitola internacional (1,435 metros e usado na maior parte da Europa para a alta velocidade) no futuro", refere. Isso "permitiria garantir de forma relativamente rápida o funcionamento da linha de mercadorias entre Sines e Madrid e, ao mesmo tempo, efetuar a conexão entre Lisboa e Madrid em quatro horas e meia ou cinco com velocidades de 200 km/h".

EDP: privatização foi a 9ª maior transacção do mundo no sector da energia



PricewaterhouseCoopers (PwC) diz que ranking é liderado pela fusão entre as empresas norte-americanas Duke Energy e Progress Energy.

A privatização da EDP, no valor de 2,7 mil milhões de euros, está entre as 10 maiores transações mundiais no sector da energia (foi a 9ª maior transacção), segundo um relatório da consultora PwC.

O "ranking" é liderado pela fusão entre as empresas norte-americanas Duke Energy e Progress Energy, num negócio avaliado em 37,9 mil milhões de dólares (30,2 mil milhões de euros).

Bial investe em Espanha e torna-se uma das "maiores farmacêuticas ibéricas"

A Bial investiu 12 milhões de euros e inaugurou hoje, em Bilbau, Espanha, uma nova unidade de produção e investigação, tornando-se uma "das maiores empresas farmacêuticas ibéricas", afirmou o presidente do grupo Luís Portela.

Para o secretário de Estado do Empreendedorismo e Inovação, Carlos Oliveira, o investimento da Bial em Espanha é "muito importante e positivo" para Portugal, assinalou hoje, em Bilbau.
"Este é um investimento muito importante para o país. Esta internacionalização é fundamental para o desenvolvimento do país", afirmou o secretário de Estado à margem da cerimónia de inauguração da nova unidade de produção e investigação da Bial no Parque Tecnológico da Biscaia. Carlos Oliveira destacou também que "Portugal precisa de empresas exportadoras e que se internacionalizem", como a Bial.

Luís Portela, presidente do grupo, recordou no seu discurso que a empresa foi fundada em 1924 pelo seu avô Álvaro Portela, "tornando-se nas últimas décadas na maior empresa farmacêutica portuguesa".
"Sinto hoje a Bial como uma empresa ibérica, sinto a Bial cada vez mais como uma das maiores empresas farmacêuticas ibéricas", destacou Portela, durante a cerimónia oficial de inauguração da nova unidade produtiva que já se encontra a funcionar desde outubro de 2011.

A inauguração contou com a presença do príncipe das Astúrias.

Portugal tem "grande potencial" turismo de luxo - secretária de Estado do Turismo


A secretária de Estado do Turismo, Cecília Meireles, afirmou hoje que Portugal tem "um grande potencial" para crescer no turismo de luxo e que "o segredo" reside na diversificação e na qualidade da prestação de serviços individualizados.

"Portugal tem um grande potencial ao nível do turismo de luxo para captar mercados. Quando se fala de luxo estamos a referir um serviço de qualidade, individualizado e inovador que é prestado ao turista", afirmou a responsável na apresentação do anuário "Turismo em 2012", em Lisboa.

A publicação, da responsabilidade do Instituto de Planeamento e Desenvolvimento do Turismo (IPDT), realça este ano o turismo de luxo, o segmento que "mais cresce na indústria do turismo em todo o mundo, contrariando o período de recessão que a economia mundial atravessa", referiu o presidente do IPDT, António Jorge Costa.

segunda-feira, maio 28, 2012

Portugal tem muito para oferecer lá fora

As exportações têm sido o grande motor de crescimento económico em Portugal. Mas o segredo já não está em fabricar produtos baratos, porque haverá sempre quem os faça a um custo mais baixo. Na inovação e na diferenciação é que está o ganho.
A cortiça portuguesa é bastante requisitada lá fora. O vinho do Porto é presença em restaurantes e lojas especializadas de todo o mundo. O papel higiénico preto, da Renova, é o favorito de Simon Cowell, produtor de um concurso televisivo de talentos. A mãe e a irmã de Katte Middleton usaram sapatos portugueses no casamento desta com o príncipe William.

Os exemplos são muitos e o Financial Times (FT), numa análise hoje publicada, fala sobre alguns destes produtos que contribuem para impulsionar as exportações portuguesas, numa altura em que a crise da dívida nos chamados países periféricos continua a apertar o cinto de grande parte das suas populações.
Com efeito, já passou um ano desde que Portugal pediu ajuda financeira externa. Para ser elegível ao resgate de 78 mil milhões de euros, o País teve de assinar um memorando com a troika – Comissão Europeia, BCE e FMI – assumindo rígidas medidas de austeridade. Uma das críticas que tem sido feita, especialmente num contexto de aumento do desemprego, prende-se com o facto de ser difícil haver crescimento quando o mercado do crédito está tão apertado, quando os impostos aumentaram e se tornou ainda mais fácil despedir. A resposta, para muitos, está nas exportações. E estas têm sido, de facto, um dos motores da economia portuguesa.

Os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística revelaram um aumento de 11,6% das exportações portuguesas no primeiro trimestre de 2012. Uma vez que as importações diminuíram no mesmo período, o défice comercial também registou uma queda.

O FT, na análise assinada por Peter Wise, reforça a ideia de que este aumento das exportações ajuda a melhorar o panorama para Portugal. E que é por aí que devemos continuar a ir.

O que pode Portugal produzir que o resto do mundo queira comprar? (…) O papel higiénico preto, que é o favorito de Simon Cowell, (…) bem como os sapatos usados pela mãe e irmã da noiva no recente casamento do príncipe William com Kate Middleton, estão entre as respostas menos esperadas que os exportadores portugueses poderão dar”, refere o jornal britânico.
O FT falou com vários responsáveis de empresas portuguesas que têm conseguido prosperar por meio de um forte aumento das exportações dos seus produtos. É o caso da empresa de calçado Helsar. O seu fundador, Jorge Correia, diz que nenhum produto sai da sua fábrica sem a etiqueta “Made in Portugal”. “Alguns clientes italianos pedem para colocarmos ‘Made in Italy’, mas nunca o permitirei”, contou ao jornal.

Confrontada com uma queda das vendas no mercado interno, devido à recessão, a Helsar aumentou as vendas para o estrangeiro de 9% há seis anos para cerca de 70% actualmente, tendo os seus sapatos adquirido especial prestígio depois de terem sido encomendados para o casamento real em Inglaterra”, relata o FT. “No mundo do calçado, ‘Made in Portugal’ tem agora praticamente o mesmo peso que ‘Made in Italy’. E nos países em desenvolvimento, como é o caso da China, não há qualquer diferença entre estas duas proveniências”, acrescentou Correia.

Papel higiénico: cor para que te quero?

Um outro exemplo dado pelo FT é o do papel higiénico colorido, criado pela Renova. O preto é um dos favoritos de um célebre produtor de TV e a empresa portuguesa é um exemplo de inovação e de diferenciação que o director de marketing, Luís Saramago, considera essencial para se ganhar quota de mercado no estrangeiro.

Os produtos ‘low cost’ já não são uma opção para Portugal, porque haverá sempre quem consiga fabricá-los a um preço mais baixo”, opinou Saramago ao jornal britânico. Daí que a personalização e a originalidade, por exemplo, sejam apostas que têm vindo a revelar-se, na sua grande maioria, o caminho certo para o crescimento das empresas. E se a clientela escassear dentro de portas, lá fora poderá haver quem queira.

Algo está, decididamente, a mudar. As exportações são o único motor [de crescimento] que temos e existem sinais encorajadores de que os exportadores estão a conseguir marcar presença em novos mercados fora da Europa”, declarou ao FT a economista-chefe do Banco BPI, Cristina Casalinho.

E o mercado pode vir de onde menos se espera. Em 2008, uma responsável dinamarquesa da Carlsberg, descobriu num hipermercado no Algarve os descascadores de alho da empresa portuguesa Silvex e levou um para ser experimentado nos seus laboratórios. Satisfeita com os resultados deste descascador aplicado à cevada, a Carlsberg encomendou mais algumas dezenas de unidades.

sexta-feira, maio 25, 2012

Austrália: Cavaco planta sobreiro em Camberra para promover cortiça



O primeiro dia da visita oficial do Presidente da República (PR) à Austrália foi carregado de simbolismo, com uma visita ao memorial de homenagem aos mortos de guerra e a plantação de um sobreiro, tudo sob temperaturas a rondar os 5 graus.

Em Camberra, onde aterrou na quinta-feira à noite, a manhã de Cavaco Silva começou com a visita ao Australian War Memorial, onde, ao longo de dois grandes corredores, estão inscritos os nomes dos mais de 100.00 australianos mortos em conflitos em todo o mundo, começando com a I Guerra Mundial e estendendo-se até às mais recentes, Iraque e Afeganistão. Milhares de papoilas vermelhas enfeitam essa lista, como símbolo dos conflitos sangrentos onde muitos perderam a vida.

"Por a Austrália ser tão longe, muitas vezes não podemos trazer os nossos mortos, criámos um sítio em que todos os australianos possam tocar nos seus nomes", explicou Mary-Lou Pooley, funcionária do War Memorial, acrescentando que a ideia nasceu de um correspondente de guerra australiano na I Guerra Mundial.

Cavaco Silva depositou uma coroa de flores no memorial e seguiu para o National Arboretum, um parque criado depois de um grande incêndio em 2003 ter destruído milhares de árvores em Camberra.
Desde esse incêndio, cada chefe de Estado ou primeiro-ministro que visita a Austrália planta uma árvore neste parque nacional e Cavaco Silva escolheu o sobreiro.

"Este sobreiro é o símbolo apropriado da minha primeira visita à Austrália porque Portugal é o primeiro produtor mundial de cortiça e a Austrália é um grande produtor de vinho: para bom vinho, é preciso uma boa cortiça, somos uma boa combinação", afirmou o PR.

Com a ajuda da primeira-dama, Maria Cavaco Silva, o chefe de Estado plantou então o sobreiro, sob um vento gélido e baixas temperaturas que contrastam com os mais de 30 graus e a humidade sufocantes que se sentiram nas visitas de Estado que o casal presidencial realizou a Timor-Leste e Indonésia nos últimos dias.

O PR seguiu para um ambiente mais aconchegado, a residência da Governadora-Geral da Austrália, Quentin Bryce, com quem se reuniu e almoçou.
Numa intervenção realizada no almoço, fechada à comunicação social, Cavaco Silva sublinhou os laços longínquos que unem os dois países, lembrando que há relatos da presença de portugueses na Austrália desde o século XVI.

"Nos anos 70 do século XX, muitos portugueses rumaram à Austrália, à procura de um futuro melhor e para participar na construção desta nação. Hoje, a Comunidade Portuguesa na Austrália, que amanhã encontrarei em Sidney, constituída por cerca de 50 mil pessoas, é uma comunidade dinâmica e bem integrada e que pode ser instrumental no reforço das nossas relações bilaterais", destacou.

Cavaco Silva lembrou ainda que Portugal e Austrália são os maiores doadores em Timor, partilham a mesma visão do país, reconhecendo a jovem nação como "um caso de sucesso", e manifestou a expectativa de que aumentem as relações económicas e comerciais bilaterais, por enquanto "modestas".
"Não obstante, encontramos exemplos de empresas portuguesas que são bem-sucedidas na Austrália. Devemos estar atentos a novas oportunidades, em particular de parceria, em regiões e mercados onde empresas australianas e portuguesas estejam presentes", disse.

Após o almoço, Cavaco Silva visitou o Parlamento e reuniu-se com a primeira-ministra australiana, Julia Gilliard, num encontro sem declarações aos jornalistas.
De Camberra, Cavaco Silva segue ao final da tarde para Sidney, onde o programa oficial começa no sábado, com destaque para o encontro com a comunidade portuguesa.

Governo dos Açores aposta no mercado alemão para recuperar quebra provocada por cancelamento de operações turísticas


O Governo dos Açores admitiu hoje um incremento da promoção turística da região na Alemanha para recuperar a redução do número de dormidas que resulta do cancelamento de operações turísticas da Noruega, Finlândia e Polónia.

"Não se substitui um operador de um momento para outro, substitui-se sim por outras iniciativas que podem trazer aproximadamente as mesmas dormidas para os Açores e essa é a nossa expectativa", afirmou Luísa Schanderl, secretária regional da Economia, assegurando que as autoridades regionais estão a "trabalhar afincadamente" para recuperar as dormidas perdidas com o cancelamento das operações naqueles três países do norte da Europa.

Luísa Schanderl reagia a uma estimativa avançada quinta-feira pelo delegado regional da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), Humberto Pavão, segundo a qual o cancelamento das operações turísticas da Noruega, Finlândia e Polónia implicará uma redução de cerca de 100 mil dormidas este ano nos Açores.

Para a secretária regional, "o valor estimável (da redução) é de cerca de 70 mil dormidas", acrescentando que a estratégia para tentar recuperar esta quebra passa por "optimizar toda a promoção que tem sido realizada, nomeadamente na Alemanha, cujo número de turistas está aumentar significativamente".

AICEP vê investimento chinês como «avenida de crescimento e de futuro"


A entrada de capital chinês nas empresas portuguesas abre "uma avenida de crescimento e de futuro", disse hoje em Macau o presidente da AICEP - Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal.
"Portugal dificilmente captaria tanto a atenção da China se não fossem estas oportunidades como foram as das privatizações. E ao entrar capital chinês nas empresas privatizadas permite abrir toda uma avenida de crescimento e de futuro, não só para essas empresas, mas para outros investimentos que vêm por arrastamento", disse, à margem do seminário sobre Oportunidade de Investimento e Cooperação em Portugal.
Pedro Reis considerou que "o programa de privatizações tem corrido muito bem a Portugal" e que "é muito importante, porque assegura o crescimento dessas mesmas empresas que estão a ser privatizadas, atrai investimento externo para Portugal, poupanças e capitais", citando os casos da EDP e da REN como "um excelente exemplo".

Relações Indonésia/Portugal: "A Indonésia tem hoje uma postura amigável para Portugal"



Portugal e a Indonésia fecharam hoje um acordo para estimular as trocas comerciais entre os dois países. Vinte anos depois do massacre de Dili, Pedro Reis, presidente da AICEP, garante que hoje as relações bilaterais são "amigáveis" e vê com bons olhos o gigantesco mercado indonésio.

Esteve com o Presidente nesta visita à Indonésia. É um primeiro passo para uma nova agenda bilateral?
Nós viemos encontrar uma economia pujante, a crescer 3% ao ano. Depois de um período complicado [na altura da invasão a Timor Leste], a Indonésia tem hoje uma postura muito amigável para Portugal. São 250 milhões de habitantes, o equivalente a todo o mercado de lusofonia. É um mercado cada vez mais interessante para as empresas portuguesas.

O que leva destes encontros? E do memorando de entendimento que foi assinado hoje?
A nossa agenda passou sobretudo por aumentar a visibilidade das nossas empresas, mais do que captar investimento externo para Portugal. A Indonésia considera que temos particular competências nas áreas das energias renováveis, engenharia, aeronáutica e defesa, bem como no sector do turismo e da educação. Dentro desse enquadramento, dessas áreas é importante o protocolo que assinámos com o equivalente indonésio da AICEP. Será importante para trocarmos informações e para lançar uma nova fase nas relações bilaterais. A AICEP vai também organizar uma missão de empresários indonésios a Portugal. E o Presidente da República fez o convite ao presidente indonésio para visitar Portugal no próximo ano.

Qual é o atual saldo de investimento? E quais são as previsões para o futuro próximo?
Hoje, as exportações para indonésias representam 13 milhões de euros, enquanto que as importações ascendem a 87 milhões. Quanto ao futuro, esta foi uma viagem exploratória, para percebermos bem o contexto de investimento. A concretização dessa parceria começa agora.

quinta-feira, maio 24, 2012

Gibraltar: Guarda Civil pede proteção militar contra a Royal Navy


A União dos Oficiais da Guarda Civil (UO) pediu hoje a intervenção da Armada espanhola para "defender os interesses de Madrid" em Gibraltar e "fazer frente" às embarcações da Royal Navy, mais bem equipadas do que as espanholas.

Embarcações da Polícia de Gibraltar e da Guarda Civil espanhola viveram na noite de quarta-feira "momentos de tensão" em águas próximas da colónia britânica, quando agentes espanhóis tentaram proteger vários pesqueiros que estavam a ser interceptados pela polícia britânica de Gibraltar.
No incidente, um navio patrulha de Gibraltar chegou a colidir com uma embarcação da Guarda Civil, sem causar danos materiais ou humanos.

Mesmo assim, a UO refere em comunicado que "os recentes incidentes têm um grau de intensidade maior tendo em conta os interesses nacionais. Trata-se da protecção dos nossos pesqueiros e o problema surge quando 'David e Golias' se enfrentam".

A organização recorda que as embarcações da Guarda Civil têm 18 metros e armamento ligeiro e "são insuficientes para se protegerem, em casos extremos", frente a um navio da Armada Inglesa de 70 metros e armamento militar.
"É a mesma coisa que enfrentar um veículo da polícia com dois agentes com pistolas contra uma unidade do Exército equipada com um carro de combate Leopard armado com metralhadora e canhão de 120 milímetros", diz o mesmo comunicado da UO.
Os oficiais espanhóis consideram necessária a intervenção coordenada da Armada para evitar riscos desnecessários.

Gibraltar é um dos últimos territórios ultramarinos britânicos. Em 1704, uma força inglesa apoderou-se do rochedo no sul de Espanha, na baía de Algeciras, e em 1713 o território foi cedido a Londres, no Tratado de Ultrech, como parte do pagamento da Guerra da Sucessão Espanhola.

Gibraltar continua a constituir um diferendo diplomático entre Espanha e o Reino Unido.

Na recente Cimeira da NATO, em Chicago, nos Estados Unidos, o chefe do executivo espanhol e o primeiro-ministro britânico abordaram o assunto e no princípio do mês a Rainha Sofia de Espanha declinou o convite para as cerimónias do Jubileu da Rainha Isabel II, por causa da questão de Gibraltar.

terça-feira, maio 22, 2012

65% dos estrangeiros não conhece as marcas portuguesas

Mais de metade dos estrangeiros não conhece as marcas portuguesas. Mais precisamente 65% dos estrangeiros, diz o estudo Marcas Portuguesas – Como as vemos cá dentro e como são vistas lá fora.


Numa altura em que as exportações são um verdadeiro desígnio nacional, os números trazidos pelo estudo da Millward Brown/Hill+Knowlton Strategies Portugal dão conta de que há muito a fazer na divulgação dos produtos nacionais no mercado externo.

Os números falam por si. Apenas 35% dos estrangeiros inquiridos no exterior dizem conhecer marcas portuguesas, sendo que somente no Brasil (66%), Espanha (64%) e na Polónia (56%) é que o número de pessoas que conhece marcas portuguesas ultrapassa os os que dizem não conhecer. Nos EUA o desconhecimento é ainda maior: 93%.

Fora da área alimentar é reduzido o conhecimentos sobre os produtos e as marcas nacionais, sendo que o vinho é aquele que é mais conhecido. Então que marcas referem os estrangeiros de forma espontânea? TAP, Sagres, Super Bock, Banco Espírito Santo e Azeite Gallo. E ainda área da distribuição Pingo Doce e Grupo Jerónimo Martins. A presença do grupo na Polónia com a cadeia Biedronka talvez contribua para este conhecimento.

Dado positivo para as marcas nacionais é o facto de em 59% dos casos a qualidade das marcas nacionais tivesse ido ao encontro ou ultrapassasse as expectativas dos consumidores.

Para os portugueses a origem portuguesa ainda não é o factor mais determinante: apenas 10% está disposto a pagar mais por marcas nacionais. Para os portugueses a relação qualidade-preço surge ainda é o critério mais importante na hora de decidir o que comprar. Dos cerca de 40% que diz procurar marcas nacionais os frescos, azeite, leite, iogurtes e óleo alimentar são as categorias de produto cuja origem é mais relevante. O azeite (com 9%) é o produto onde a origem nacional é mais importante.

África do Sul, Alemanha, Austrália, Brasil, China, Dinamarca, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grécia, Holanda, Polónia, Portugal e Reino Unido foram os países envolvidos no inquérito.

Computadores Magalhães: Hugo Chavéz aprova nova verba para

 Foi aprovada na Venezuela, uma verba de 175 milhões de euros, para equipar escolas e alunos do quinto e sexto ano com computadores Magalhães, segundo anunciou o presidente Hugo Chávez, durante uma conversa com os membros da Direção do Partido Socialista Unido da Venezuela.

Segundo o presidente venezuelano, esta verba é proveniente dos lucros da empresa estatal Companhia Anónima Telefones da Venezuela, que foi nacionalizada há cinco anos.

Recorde-se que já em 2009 foram entregues na Venezuela cerca de 100 mil portáteis a crianças, sobretudo a crianças do 1.º ao 4.º do primeiro ciclo do ensino básico.

Timor: China enviou mais 13 agentes da polícia ao serviço da ONU

Um grupo de 13 agentes da polícia chinesa partiu hoje para Díli, onde irá integrar a força de manutenção de paz da ONU em Timor-Leste.

É o 17.º grupo do género enviado pela China para Timor desde 2000 e a sua formação incluiu aulas de direito internacional, inglês e primeiros socorros, disse o ministério chinês da Segurança Pública.

Nos últimos 12 anos, a China integrou também missões de manutenção de Paz na Bósnia-Herzegovina, Kosovo, Libéria, Afeganistão, Sudão, Haiti e Sudão do Sul.

sexta-feira, maio 18, 2012

Luís Matos é o primeiro juiz português nomeado para um Supremo Tribunal nos EUA

O luso-americano Luís de Matos é o primeiro natural de Portugal nomeado juiz do Supremo Tribunal de Rhode Island, escolhido pelo governador do Estado pelo seu currículo e "notável reputação" como procurador.

O português natural da Batalha, que reside nos Estados Unidos desde criança, congratula-se pela oportunidade para continuar a "defender o interesse público", seu objetivo desde que saiu da faculdade de direito, e que já o levou ao Departamento de Justiça em Washington, à procuradoria do Estado do Delaware e mais recentemente de volta a Rhode Island, como procurador adjunto.
"O meu estilo [profissional] é trabalhar, espero, com paciência e com humildade. Mas também de tomar decisões que sejam reconhecidas como justas e ter capacidade de decidir", afirma o jurista luso-americano de 47 anos, formado na Universidade de Brown, fluente no português.

Ao anunciar a nomeação de Luís de Matos, o governador Lincoln Chafee destaca o seu "currículo impressionante", que inclui "diversas condenações bem sucedidas em casos de alta notoriedade" e uma "reputação notável na comunidade jurídica de Rhode Island", sendo conhecido como "um homem de elevado carácter e integridade".
"É um candidato altamente qualificado para uma posição importante no Tribunal Supremo", diz Chafee, que também destacou a história pessoal de Matos.
"Emigrando de Portugal para Providence muito novo, Lu foi o primeiro membro da sua família a ter um curso superior", sublinha.

O processo de nomeação contempla ainda uma confirmação pelo Senado de Rhode Island.
Enquanto procurador adjunto em Rhode Island, cargo que ocupa desde 2001, o português destacou-se por conseguir condenações em casos de fraude no sistema de saúde local, crimes de colarinho branco e corrupção em instituições públicas.
Foi distinguido com diversos prémios, nomeadamente o de Integridade (2001 e 2005) atribuído pelo Inspetor-Geral de Saúde.
Segundo Luís de Matos, o antigo juiz-presidente do Tribunal Federal de Rhode Island era o luso-americano Ernest Torres e no passado houve outros juízes luso-americanos no Supremo, mas não eram naturais de Portugal.
O jurista afirma que a sua capacidade de trabalho faz parte da sua herança portuguesa e é uma dívida de gratidão para com a sua família e outros imigrantes que enfrentaram inúmeras "dificuldades e obstáculos".
"Nunca me tenho esquecido que muitos trabalharam para eu chegar onde estou. Se esta nomeação tiver conclusão positiva, tenho o senso do que é trabalhar, sacrificar-me, e acho que isso me ajuda", diz.

Nos últimos anos, afirma, os luso-americanos, que uma das maiores comunidades de Rhode Island, vão ocupando cargos cada vez mais altos no Estado, nomeadamente no Senado, onde a presidente é Teresa Paiva-Weed e o presidente do comité de finanças Daniel da Ponte.
"As nossas famílias e quem veio antes de nós trabalhou muito e deu-nos aquele senso de procurar atingir. A comunidade é muito orgulhosa e tem dado sempre apoio a quem tenta conseguir alguma coisa", afirma Luís de Matos.
O jurista visita Portugal com frequência, a última vez em 2009 para mostrar o país aos seus filhos, nascidos nos EUA.
"É preciso ensinar aos filhos de onde veem, a cultura, quem são. Quero que eles conheçam as raízes", afirma.